Craaaaayfish Party at Ikea

Outro dia eu browseava o site da Ikea (coisa que faço com relativa frequência, porque sou viciada mesmo e assumo) e descobri que naquela tarde estaria rolando a “Festa do Lagostim”. :) A comemoração do Dia de Santa Lucia ano passado foi um sucesso, por isso liguei imediatamente reservando uma mesa. De tempos em tempos a Ikea promove esses eventos temáticos com elementos da cultura sueca - e sempre envolvendo bufê liberado. \o/

Chegamos lá às 18:30h, meia hora depois do começo e o lugar já estava bom-ban-do de gente; o salmão defumado, inclusive, já tinha esgotado. Boo. :(

Parece vazio com esse monte de cadeiras desocupadas, mas nesse preciso momento havia uma fila IMENSA no bufê. Que é estilo bandejão: paga-se uma mixaria e come-se o quanto quiser (bebidas pagas à parte, mas o refil de refrigerante e café/chá é de graça). Imaginei que seria mais tranquilo como na festa de Santa Lucia - onde ok, a gente chegou bem no comecinho, totalmente por acidente. Dessa vez o lugar me pareceu estar bem mais lotado e eu vi gente empilhando uns CINCO pedaços de salmão no prato. Greedy fuckers…

Mas ó, teve música ao vivo! E a música ao vivo em questão era uma banda cover do ABBA com direito a coreografia, peruca, roupinha e palco personalizado. Me apaixonei pela peruca de Barbie da Agnetha fake e por essas botinhas de go-go girl dos anos 80:

see that girl, watch that scene, digging the dancing queen

É comum a galera sueca se reunir no verão para encher a cara e comer lagostim - especialmente em agosto, que é o período onde a pesca do crustáceo é liberada. A decoração na Ikea era temática, incluindo bandeirolas, lanternas, aventais e chapeuzinhos com estampa de lagostim; mas os comensais que chegaram cedo já tinham malocado tudo quando chegamos. Perdi a oportunidade de comer vestida à caráter, mas anyway. Eat I would. :)

O crayfish/lagostim itself…

Muito bonito, muito vermelhinho e muito impressionante - mas assim como a prima lagosta, é muita embalagem pra pouca carne. Além deles pegamos também um prato de entrada e outro com as magníficas e insubstituíveis almôndegas suecas. Aí embaixo o meu prato de entrada, contendo entre outras coisas… arenque em conserva ao molho de mostarda e mel:

O meu plano inicial era pegar o salmão, mas como o estoque estava zerado eu resolvi abandonar a frescura e me aventurar. Eu sou EXTREMAMENTE chata pra comer peixe, tenho nojo do cheiro e da textura/pele e não tenho saco pra ficar catando espinhas. Mas dessa vez não houve arrependimento: PUTA COISA MAIS DELICIOSA DO PLANETA - como assim eu nunca havia comido? Nem tinha muito gosto de peixe e parecia sobremesa. ♥

Minha sobremesa: café e queijos, já que não podia ser bolo. E olha que o bolo crocante da Ikea é TÃO bom que faz valer a pena o pico de glicose no sangue. Oh well, fica pra próxima.

Mas ok, os queijos também estavam gostosos; em especial esse blue cheese de sabor bem apurado.

Depois do jantar ficamos na mesa de papo, bebendo café e chá e curtindo pelo janelão o sunset over Ikea. :) God bless long summer evenings; I shall miss you.

E enquanto íamos saindo o ABBA cover já tinha trocado de roupa (luxo!) e estava fazendo outra coreografia. Sinta o glamour purpurinado desse camisolão e o mullet apropriado do clone do Björn (não consegui registrar o Benny nas fotos):

Apesar da fila enorme no bufê e do salmão esgotado, declaro como tendo sido um sucesso mais esse evento na minha loja de móveis favorita do universo. Que venham os próximos! E dessa vez vou chegar meia hora antes, só pra garantir. :)

Throw Back Thursday: Tóquio, 2013

Os planos de fazer muitas e muitas fotos no Japão foram por água abaixo muito, muito rápido. Não que Tóquio não seja uma cidade fotogênica; Tóquio é. Terrivelmente fotogênica. Um escândalo, uma obscenidade de fotogenia. Possivelmente fotogênica demais, a ponto de gerar um curto-circuito nos sentidos e tornar impossível escolher entre as centenas de cantinhos coloridos implorando por um clique.

Infelizmente para o meu instagram, por várias vezes eu esgotei a bateria do meu celular no meio do dia tentando usar o Google Maps para me localizar e o meu guia de japonês para tentar entender uma placa ou letreiro luminoso interessante. Infelizmente para os leitores do meu blog eu deixei a DSLR dentro da mala no hotel todos os dias e levei comigo apenas uma câmera portátil, que nessa viagem em particular se revelou uma bela porcaria e desde então jamais foi usada novamente.

Me arrependi de não ter encarado o peso da DSLR durante as andanças? Sim, mas só um pouco. Porque uma câmera portátil era só o que eu queria ter pesando na bolsa durante aqueles poucos dias onde havia tanta coisa para ver, provar, descobrir, comprar e absorver. Faltou tempo, faltaram várias fotos; muitas vezes faltou até mão para fotografar. Essas são apenas algumas imagens aleatórias que eu estava prestes a deletar do lote de mais de 400 que eu ainda pretendo mostrar aqui. Mas resolvi fazer esse post para elas. Porque hoje é quinta feira, quase meia noite, eu tinha que fazer um #ThrowBackThursday de última hora e, bem, o que não é 100% perfeito também é Japão.

Label Mania

Meio desenxabida porque o cartão de memória da minha câmera pifou e o novo que encomendei na Amazon deveria ter chegado ontem, mas nem sinal; então desculpem as fotos de celular do post.

Só queria apresentar o meu Coharu para as aficcionadas por papelaria que me acompanham aqui - e elas já haviam pedido desde que eu disse no Twitter que tinha comprado um em Tóquio.

Fiquei em dúvida entre um desses e uma dessas Fuji Instax que se popularizaram bastante nos últimos anos. A idéia era comprar os dois, mas concluí que na verdade eu não “precisava” de nenhum e então escolher um só fazia sentido economicamente. O que no fim das contas não faz sentido algum, porque se eu já estava gastando dinheiro com bobagens anyway PRA QUÊ, MELDELS, me preocupar com economia/ bom senso? Devia ter comprado ambos. Oh well. Fica pra próxima.

Então, né, vamos falar do bonitinho. O Coharu é uma etiquetadora (ou label maker, ou mini impressora, como prefiram) para fitas de papel. Tem formato de maleta e alça de couro legítimo (look away, vegan friends). Eu me interessei por ele muitos anos atrás, quando era uma pré-adolescente que curtia pegar o busão intermunicipal pra São Paulo e saracotear pela Liberdade comprando mangás - que eu evidentemente não tinha como ler porque estavam em japonês, mas QUEM. LIGA. Afinal as figuras eram tão bonitinhas e era divertido imaginar o que os personagens estavam dizendo/fazendo, criar diálogos e roteiros a partir dos quadrinhos… É, não existia facebook naquela época e as crianças tinham que apelar pra imaginação.

Voltando ao assunto (de novo, haha). Para quem não está familiarizado com mangás, naqueles calhamaços estilo lista telefônica havia páginas brilhantes coloridas (todo o resto era impresso monocromo em folhas recicladas) com anúncios de produtos infantis - brinquedos, roupas, comida, artigos de papelaria, etc. Foi numa dessas páginas que eu conheci o Coharu e imediatamente achei a coisa mais linda do planeta e quis um pra chamar de meu. O que só rolou duas décadas depois quando eu novamente saracoteava, dessa vez pelos corredores da maravilhosa Yodobashi Camera em Akihabara e me deparei com uma prateleira cheia de Coharus e fitinhas coloridas. ♥

O funcionamento do aparelho (que requer quatro pilhas AAA) é relativamente simples: você abre a parte de trás, insere a fita escolhida, liga, lê o HELLO todo bonitinho (com um desenho de abelhinha) com o qual o Coharu te recepciona, escolhe entre as seis fontes disponíveis, escolhe o tamanho do texto, digita e clica no passarinho rosa para imprimir. Ta-da!

Como dá pra ver também é possível inserir símbolos (dingbats). O menu traz cerca de 300 imagens disponíveis + molduras variadas. O manual é todo em japonês (damn!) mas com um pouco de paciência você consegue interpretar as instruções e usar sem problemas. :)

(aqui você pode ver alguns dos desenhos, molduras e as fontes).

O melhor de tudo é que a impressão é feita através de heat printing, ou seja, ela “queima” o papel, dispensando o uso de tinta. A única coisa que você precisa trocar são as pilhas. A impressão é bem forte, detalhada e perfeita. :)

Agora a pegadinha: o Coharu não funciona com washi tapes tradicionais. É preciso adquirir fitas próprias, que são do tamanho e material corretos e têm o lado colante protegido por um papel fininho a fim de evitar que grudem na impressora. As fitas não são exatamente baratas e são um pé no saco pra achar, mas já fiquei sabendo que é possível encomendar no Etsy. Mas de qualquer modo o carregamento que eu trouxe do Japão há de durar por pelo menos mais uns anos…

(faltando uma das fitinhas que eu esqueci de pôr na foto; é a primeira na pilha de fitas da primeira foto desse post. Taí outra coisa que eu deveria ter comprado mais, inclusive. :/)

Outra parte chatinha é que o Coharu “puxa” um pedaço grande de fita antes de efetivamente começar a imprimir, o que gera algum desperdício. Eu estou guardando os pedacinhos para usar em colagens (ou qualquer outra idéia que eu tenha para reutilizá-las) no futuro.

(A agenda é Filofax, as canetas são da MUJI).

Para quem se interessar, aqui tem um vídeo tutorial mostrando inclusive a embalagem fofa do produto.

E já que estamos aqui mesmo no assunto, aproveito para apresentar o meu MOTEX  (esse veio da Amazon, mesmo):

É uma versão mais moderninha e kawaii daquelas etiquetadoras manuais antigas, que funcionam marcando à pressão fitas plásticas próprias para tal, deixando o texto em alto-relevo. Todo mundo já viu essas etiquetas em pastas de documentos em escritórios; foram muito populares nos anos 80 mas hoje em dia já existem eletrônicas que são mais rápidas e eficientes - só que eu curto a vibe retrô e tal. :)

http://i.ytimg.com/vi/EmUCt0Z7NhY/0.jpg

(foto daqui pra dar o exemplo, já que eu não fiz foto das fitas prontas)

Eu também tenho um DYMO, esse gordinho azul à direita, mais tradicional, mas a MOTEX tem cores de fitas legais (incluindo transparentes, polka dots e fluorescentes) e a fonte é mais moderna e bonitinha. O meu tem duas rodas; uma de minúsculas + números e a outra com maiúsculas + desenhos decorativos/pontuação.

Por fim, outra desnecessidade que eu trouxe de Tóquio (mas que dá pra comprar na Amazon e no Ebay): Deco Rush. Parece fita corretiva, mas é decalque - ao invés de uma fita branca para cobrir as suas mancadas você tem desenhos. ♥

Essas eu sinceramente achei meio blé. Ok, bonitinhas, mas às vezes não funcionam direito e os desenhos ficam meio falhos. Nada extraordinário, o que no entanto não me impede de cogitar comprar mais (tsc, tsc, tsc…).

Bônus: kit de 25 pincéis que eu comprei ontem na Wilkinson por TRÊS. DINHEIROS. ♥

Não me olhem com essa cara que eu tenho uso sim pra pincéis, viu? ;)

Coalbrookdale & Ironbridge

Ironbridge e Coalbrookdale são pequeninas e pitorescas. E por acaso foi em Coalbrookdale, esse lugarzinho fofo e com cara de ilustração de tampa de latinha de biscoito, que foi descoberto um método tão eficiente de fundir ferro que deu o pontapé na Revolução Industrial. Os portões do Hyde Park foram feitos aqui. Todo esse verde, as árvores, as casas de tijolinho vermelho nas encostas do rio, tudo isso em menos de 200 anos era um inferno de fogo, carvão e fumaça preta. Os enormes avanços metalúrgicos que nasceram aqui acabaram por tornar a própria Coalbrookdale obsoleta em poucos anos; a indústria mudou, o lugar também.

Chegamos bem na hora do pub. ♥

Almoço às margens do Rio Severn.

"Tá pouco queijo, bota mais queijo"

Fica aí a recomendação. :)
Mas enfim, a gente veio pra comer ou pra a ver a ponte?

Complicado conseguir uma foto desprovida de gente. Tentei, mas não deu.

Ei-la.

Construída em 1779, Iron Bridge foi a primeira ponte do ferro fundido do mundo, forma um semi círculo perfeito e é uma espécie de símbolo da Revolução Industrial.

O indefectível cadeadinho brega dos namorados, vandalizando monumentos históricos com a sua cafonice, aww. ♥ Quando finalizar o divórcio eles vêm tirar o cadeado e jogar no rio xingando?

E la nave va.

O inevitável monumento aos mortos de guerra. Toda village, por menor que seja, conta com um, ainda que exista apenas um único nome gravado no ferro.

Guenta que já já tem bolo. :)

Throw back thursday: Santa Teresa (2003)

Há onze anos eu peguei a minha câmera digital Kodak Easyshare (DOIS megapixels, wow) e subi a ladeira para Santa Teresa. A tenebrosa onda de violência que viria a assolar o bairro ainda estava distante na linha do tempo e eu não tive muito medo de me levarem a máquina; na verdade fiquei com mais medo de um assalto no ônibus, mas resolvi o problema enfiando a câmera no traseiro - da calça, é claro. Ok, deformou a bunda, mas eu estava sentada e ninguém percebeu.

Mas a primeira vez mesmo que eu fui a Santa Teresa foi de bondinho, extasiada com a experiência de subir aquelas ruas de paralepípedos e pedrinhas portuguesas e me encantando pelos casarios centenários, românticos em seus váriáveis graus de decrepitude. Sentada num dos bancos de madeira do bonde eu tagarelava ao lado da E., uma amiga mais velha que era auxiliar de enfermagem e estava me levando para conhecer o hospital onde trabalhava (e onde na cozinha me deu um copinho de gelatina, roubada da sobremesa dos pacientes). A E. tinha quase 30 e eu era uma criança; pessoas não viam com bons olhos a nossa amizade, mas E. era naturalmente esquisita e ficou ainda mais depois que sofreu um aneurisma. Que foi quase fatal, mas apenas a deixou meio adulta, meio criança - uma combinação irresistível para quem era pequeno de fato; tanto que vários amiguinhos meus também eram amiguinhos dela.

E. tinha bonecas, o favorito sendo um “Feijãozinho" da Estrela que ela chamava de André e para quem minha mãe, a pedidos, costurava roupinhas. Rezava a lenda que E. tinha sofrido um aborto natural durante o seu breve casamento (eu fui à festa, mas eles se separaram pouco tempo depois) e nunca se recuperou da tristeza por ter perdido o bebê. Diziam também que ela "não teria outra chance", já que o casamento na verdade havia terminado por ela ser lésbica. Isso eu jamais saberei - apesar de ela usar roupas "de menino" e ter uma amizade próxima e conturbada com uma colega de trabalho chamada R.. O que sei é que depois de algum tempo minha mãe me proibiu de ir à casa dela. As mães das outras crianças também vetaram as visitas. O que certamente a deixou muito triste. E a nós também, já que ela nunca fez nada além de miojo com salsicha, deixar que brincássemos com as suas coisas e conversar conosco como se não fôssemos imbecis. Saudades do quarto escuro com paredes de tijolo aparente, do André sentadinho na cama junto das outras bonecas e bichos de pelúcia baratos e dos copos de plástico com refresco colorido em pó. Me pergunto por onde ela anda, se teve filhos, se ainda é amiga da R., se está feliz. Sempre que penso em Santa Teresa (e eu penso em Santa Teresa mais do que gostaria) ela é uma das pessoas de quem me lembro.

Revendo essas imagens eu percebo o quanto fotografava mal. Não que tenha melhorado muito, mas agora eu ao menos considero detalhes como composição e exposição antes de meter o dedo no shutter. Onze anos atrás a idéia não era “fazer bonito” porque eu não pretendia  expôr nada - nem em galerias, nem no instagram. Nem mesmo num blog, apesar de eu já ter tido alguns. Eu só queria mesmo poder registrar o momento e dar um jeito de trazê-lo comigo num lugar além da memória, já que a minha nunca foi boa. Onze anos atrás levar histórias na lembrança bastava. Mas hoje nessa curiosa vida 2.0 hipercompartilhada eu estou aqui, jogando essas desimportâncias e fotos ruins ao vento como se elas tivessem valor para mais alguém além de mim.

Às vezes eu me pergunto o que foi que mudou mas logo tiro a pergunta da cabeça, evitando atinar acidentalmente com uma resposta que eu não queira ouvir.

(eu tinha começado essa série semanal aqui, mas resolvi trazer pra cá porque atualmente tá valendo qualquer pretexto para comparecer nesse blog, risos)

The dove of hope began its downward slope

Café no Benugo com Susana, provar e comprar queijos na La Fromagerie de Marylebone, sentar pra ler e comer chocolate numa pracinha escondida e solitária e ser abordada por alguns esquilos, querer comprar várias latas de sardinha apenas porque as embalagens são lindas, cheirar livros e quinquilharias caríssimas na Conran Shop, cogitar seriamente a compra de uma luminária de cogumelo, reclamar mentalmente de pessoas barulhentas em Regents Park (onde também fui abordada por esquilos e pombos), misantropia + solidão repentinas e sensação leve de desespero pensando nas cambalhotas da existência e de como ela leva e traz coisas e pessoas importantes, de volta e de novo, sem aviso prévio, sem ligar para consequências, sem se dar ao trabalho de explicar a ironia.

Uma pessoa se atirou nos trilhos do metrô em Mile End.
A Central line ficou interditada e a viagem de volta que prometia ser rápida incluiu um detour inesperado em Canary Wharf, onde me confundi no meio do turbilhão de pessoas da sexta feira e fui parar na plataforma errada. Tive vontade de chorar por alguns minutos, tive vontade de te ligar por alguns minutos, de te ver por algumas horas - mas eu tinha um jantar marcado para dali a pouco em Essex e não tinha horas, nem minutos, para desperdiçar com caprichos e carências.O verão está indo embora aos poucos e os dias ficando menores; cada minuto de sol vespertino é precioso.

Compro uma coca zero, sigo as placas indicando a plataforma da DLR em direção a Stratford e pego o meu trem.

Looking for flying saucers in the sky

Tá certo que Londres é famosa pela vibe vitoriana das suas ruas e pelos palácios e monumentos inescapavelmente associados ao passado - Big Ben, Buckingham palace, Tower Bridge, Admiralty Arch, Saint Paul’s cathedral, Trafalgar Square, Westminster Abbey, Tower of London, Battersea station, Kensington palace, etc. Mas os novos e moderníssimos prédios que vêm sendo construídos durante a história mais recente da cidade são uma atração à parte - e um dos melhores lugares para se observar de vários ângulos a arquitetura contemporânea londrina é o entorno da estação de London Bridge.

Daqui é possível ver o “Walkie-Talkie”, o “Gherkin" (pepinão), o "Cheese grater" e Heron Tower. Num dia bonito e quente como ontem a galera que trabalha nas proximidades curte pegar uns rayitos de sol nas escadarias do City Hall enquanto derruba o sagrado sanduba da hora do almoço. A área não costuma lotar de turistas durante a semana, e pra quem quiser comer muito bem ali pertinho tem o Borough Market, com comida artesanal, orgânica e deliciosa.

Junto com Westminster é um daqueles pontos da cidade que te faz sentir dentro de um cartão postal gigante e que você está *realmente* aqui.

O único senãozinho da área é ser meio “labiríntica”. Como os prédios do entorno são geralmente altos você não vê o horizonte e por isso pode ser meio complicado se orientar. Fora que tem um baita Tâmisa bem ali no meio do caminho, right? Nada que um bom GPS não resolva, mas outro dia eu me perdi ali com uma amiga que veio de outro país e me senti levemente estúpida - ok, não ajudava muito o fato de que estávamos tagarelando alegremente caminho afora… :) Resolução feita: passear mais pela área para me familiarizar. Plano já em ação!

A mensagem filosófica na fachada minimalista do London Design Museum (eles costumam mudar a frase, alternar com grafites, pinturas, etc):

The Shard:

A foto indefectível:

Butler’s Wharf, na antiga área de docas de London Bridge, formado por antigos galpões que serviam ao porto; até que o porto de Londres foi desativado e, depois de anos de abandono, os galpões foram transformados em prédios de luxo iniciando a revitalização de uma área que sempre havia sido insalubre e violenta. A parte térrea foi ocupada por restaurantes, cafés, bares, floristas, lojas de produtos artesanais, delicatessens, etc.

Os apartamentos são amplos e as paredes internas repetem os tijolinhos da fachada externa; perfeito pra um decor estilo industrial, huh? :) O sócio do Respectivo alugou um apartamento ali por uns tempos para uso dos co-workers, onde tive a chance de me hospedar e acordar com a vista da Tower Bridge da janela. Surreal.

Os barquinhos no rio com os prédios de Canary Wharf no background,  a pontinha do One Canada Square espetando o horizonte.

Ali perto do City Hall tem uma pracinha escondida por um quadrilátero de prédios residenciais e cafés. Costuma ser bem tranquila e bem no meio dela há um chafariz habitado por esculturas de meninas nuas se banhando ou tomando sol, deixando seus “pertences” às margens.

Parece que ela estava fazendo notas com o papel e a caneta e parou pra refletir. Bem ali atrás deixou o par de sapatilhas e o relógio (oculto). A câmera espera o momento certo de entrar em cena pra registrar um momento - que invariavelmente vai parar no fêice, haha:

Aqui eu já estava em Elephant & Castle, onde tinha ido almoçar; como também gosto muito do design do Strata e suas enormes turbinas de vento encarando os céus, ei-lo:

Em Oxford Street eu, sei lá, curti a mensagem da vitrine - apesar de ser um tanto irônica em se levando em conta que eu estava na maior shopping street da Europa, uma das ruas mais devotadamente capitalistas do planeta: tem TRÊS filiais da Zara, duas Primarks, três H&M, a principal loja da Forever21 no Reino Unido, a matriz mundial da TopShop (em cinco andares) entre zilhares de outras. Simple things? Sei.

E agora chega, que o post já perdeu totalmente o foco e as aleatoriedades tomaram conta. ;)

(Fotos feitas com um iPhone 5S e editadas com o Snapseed)

Hallelujah Anyway

Tenho uma coleção de livros usados bizarros que “me aconteceram”. Eu nem mesmo havia saído para comprar livros, mas uma banquinha de promoção sorrateira me apareceu no meio de uma calçada e… Devo ter uns 30 exemplares de coisas que se jogaram no meu caminho, tão estranhas que parecem não ter um nicho nessa dimensão e sim caído de outra realidade; às vezes eu jogo o nome no Google só pra encontrar online e suspirar aliviada ao me certificar de que realmente existem.

O exemplar abaixo não é o mais representativo, mas não consegui ir embora deixando para trás um livro que mistura ilustrações com fotografia, poesia surrealista e tem sereiazinhas misândricas - que não somente NÃO encantam marinheiros como também se fingem de podres para afugentar pretendentes - numa vibe “prefiro estar morta feat. decomposta a te dar bola”

Priceless. Ok, na verdade teve preço sim. 3 libras.

Trespassers will be prosecuted welcome. ♥

Hallelujah Anyway foi publicado há 30 anos e já está out of print.

Enquanto fazia esse post fui procurar um link do autor, Patrick Woodroffe, e descobri que ele morreu há pouco mais de dois meses. Mais ou menos na mesma época em que eu subitamente me lembrei desse livro e fui fuçar as caixas de mudança para encontrá-lo. Bizarro indeed.

Try to catch a deluge in a paper cup

Ontem eu percebi cedo que o calor ia passar dos limites do tolerável e, como sou masoquista, vesti um par de leggings de bolinha e fui fazer caminhada em Havering-atte-Bower, uma área de conservação ambiental aqui perto.

Havering-atte-Bower faz parte do borough de Havering (onde eu moro) e é quase divisa com Essex. Fica numa área um pouco mais elevada e conta com dois parques; essa pracinha gramada (ou “Green”, como eles chamam esses espaços) fica no topo e a vista lá de cima é fabulosa; dá até pra ver Canary Wharf e o Millennium dome ao longe. Ao redor da praça há uma igreja com um cemitério antigo, casas com janelas floridas e a estrada para Stapleford Abbotts

Eu sendo eu é CLARO que rolou sessão fotográfica no cemitério. /aloka

Passei uns momentos de tranquilidade nesse banquinho curtindo a brisa e a vista, até que um cachorrinho chamado Tango veio bater papo e fizemos amizade instantânea. :) Não tem foto do doggy porque o dono estava perto.

Vi esse bagulho exposto na beira da estrada, achei que fosse algum tipo de instrumento de tortura e estava certa; tanto servia pra chicotear safado quanto para mantê-lo no lugar até a puliça chegar. Note que houve um tempo em que os ingleses não eram assim tão “gentis”. ;)

Essa cidade é mesmo um lugar esquisito; você sai do metrô e em 20 minutos de caminhada pode estar levando uma chuva de mato picado pela cara porque um camarada num TRATOR está moendo grama seca para fazer comida de vaca pro inverno. Que a julgar por esse calor está ainda bem, bem longe de chegar.

[6 on 6] Summer

Confesso que essa semana foi um tanto quando “difícil” em termos de temperatura; quente demais, e meu post anterior não deixa dúvidas de que eu me irritei. Entretanto essa é a vida na Inglaterra: reclamar de praticamente todas as estações, mas amar todas elas em (quase) igual medida e não se imaginar vivendo num lugar onde elas não existam.

O verão aqui é feito de reclamações sim, de heat waves incômodas em lugares que raramente contam com ar condicionado, festival de insetos (malditas moscas), metrô/ônibus quentes + superlotados de turistas e - adivinhe! - sem ar condicionado, queimaduras e vermelhidão de quem esqueceu o filtro solar em casa, dias que amanhecem cedo demais (é esquisito ver um solzão lá fora às cinco da manhã, especialmente quando você precisa dormir e ele lá, brilhando na sua cara).

Por outro lado também é feito de dias que duram ensolarados até as nove da noite e de céu azul. A chuva dá uma folga; mas quando cai, cai de verdade ao invés da insuportavelmente deprimente chuva fina britânica. O verão é a época das rosas (essas da foto estão no meu jardim), de cerveja no pub à beira do Tâmisa, de apreciar o maravilhoso “british summer dress code”, de morangos frescos com creme, de churrascos de quintal regados a sangria de Pimm’s, de praias de pedrinhas pontilhadas por crianças em chapéus coloridos, de rapazes de shorts, de moças sem meia calça (a menos que seja eu), de lotar aeroportos em vôos charter para as férias anuais no mediterrâneo, de visitar os lindos jardins das manor houses (e bolo! bolo!), de sair correndo do escritório na hora do almoço para comprar gostosuras na Fortnum & Mason e fazer picnic no Hyde Park com os amigos, de viver na bicicleta.

O verão é a época dos festivais de música (Glastonbury, Reading ou Isle of Wight, anyone?), dos eventos esportivos (Wimbledon? Tour de France?), do carnaval de Notting Hill, de passeios de barco em Cambridge, de nadar em Hampstead Heath, de passar o domingo comendo delícias e fazendo o melhor people watch do mundo nos mercados de rua (Borough market, Brick Lane, Camden lock, Broadway market, Columbia road e Spitalfields são os meus favoritos ♥), assistir filmes de graça ao ar livre em London Bridge, de descobrir raves secretas, de esquecer que a mesa da cozinha existe e fazer todas as refeições no jardim, de rezar pra não chover no fim de semana em Cornwall, de parques de diversão e summer fêtes, de partidas de cricket, de escalar o monte Snowdon, de saltitar pelos dales, enfim… Tempo de aproveitar a vida lá fora enquanto o sol está brilhando.

Porque daqui a pouco ele se esconde por mais 6-8 meses e, mesmo que estejamos reclamando agora, acredite: quando o verão voltar ano que vem (e se voltar, porque não há garantias) ele será recebido de braços abertos. Shine on, you little fucker. We love ya, really. :)

Outros verões: Taís (Irlanda), Paula (Holanda), Yumi (Japão), Rita (Portugal), Nicole (França).