Alexandra Nurseries

Seguindo a indicação de um blog eu outro dia fui parar nesse pedacinho de paraíso (e bota “inho” nisso, porque o lugar é minúsculo) chamado Alexandra Nurseries. Eu acho fofo que a palavra “nursery” aqui signifique tanto creche como também quarto de bebê e loja de plantas; ou seja, define qualquer lugar onde coisas estejam sendo “cultivadas”, sejam bebês ou tomates. Essa aqui vende plantas, vende comida, vende tralhas vintage e fica escondida numa curva do caminho chamada Penge no sul da cidade, quase caindo pra fora do mapa.

(fotos de celular de novo. desculpa.)

Devo dizer que em matéria de preços não é o lugar mais barato. Eu costumo comprar minhas plantas em Chigwell e Longhouse, onde a relação custo X benefício é bem melhor. Mas lá eles não têm cafés nem comercializam tralhas. Então eu acho que esse lugarzinho aqui vale a pena para passar uns momentos charmosos do seu dia tomando café com bolo (e devo dizer que os bolos, que eu não provei, tinham uma cara ótima) cercado de flores e plantinhas verdes enquanto considera a compra de frescuras  vintage.

Aeonium purple. ♥ Me vi na obrigação de pagar os cinco dinheiros e levar um pra casa.

O cantinho das suculentas:

Na lojinha fica também o balcão que serve bolos, cafés, saladas e pães caseiros.

SE20 é o código postal de Penge. :) Uma almofada com o seu CEP bordado? Isso basicamente define bairrismo londrino.

Livrinhos de bonecas de papel (alguém aí lembra?) dos anos 70. Cobicei.

A única coisa marromeno chata é a clientela. Uma mistura de hipsters de meia idade com aquela turma que usa birkenstock, não penteia o cabelo e curte pagar de “gente como a gente” mas mora em casas cujo valor entra fácil na casa dos seis dígitos e paga 10 libras num saquinho de couve orgânica. Vibe entojada, o que me desmotivou de arriscar uma sopinha de legumes com coca cola diet. Peguei meu aeonium, meus vasos de terracota velhos (três libras cada um e Respectivo quase infartou: “MAS SÃO VASOS DE TERRACOTA VELHOS!” - “vintage”, eu corrigi), entrei no carro e voltamos para a parte menos fashionable, porém mais barata da cidade.

Mas ó, vale o passeio. Experimentem o bolo por mim e me contem.

The Fragrance List: Amarige

Motivada pelas 9836512 perguntas que recebo sobre quais são os meus perfumes favoritos (e me aproveitando do fato de que esse é um assunto de que eu gosto) resolvi criar essa “tag” sem tag para falar dos meus. No momento o “bottle count” da casa está em treze frascos, mas a minha wishlist é enorme e agora que o verão está partindo e não vou gastar mais dinheiro com plantas até março 2015 (yay!) a nova fonte de gastos vai ser a Escentual. Afinal não há estação mais propícia para conhecer e usar perfumes do que outono/inverno - já que perfume no verão causa dermatite grave e pode deixar você assim.

Um dos meus perfumes favoritos é um caso típico de Amor X Ódio: Amarige, by Givenchy. Uma senhorinha fofa veio falar comigo na rua hoje e disse “you smell lovely”. Aww. ♥ É uma fragrância clássica e intensa, garantia de sucesso com as gerações mais velhas - especialmente aqueles cujo olfato começa a diminuir com a idade e não é mais tão simples perceber aromas sutis.

Mas um amigo meu, na casa dos 30, se recusa a me ver se eu estiver usando porque deixa ele enjoado. “Fresco”, eu pensava, mas na verdade através dos anos eu encontrei perfumes que tiveram o mesmo efeito sobre mim, portanto agora eu costumo ser mais compreensiva com os reclamões. O que não quer dizer que eu não irei usar ocasionalmente quando sei que vou encontrar o fresco, só pra irritar. :)

O perfume foi criado pelo perfumista Dominique Ropion em 1991 para a House of Givenchy; o design do frasco inspirado no design da “Bettina Blouse”, uma das peças da primeira coleção de Hubert de Givenchy e que levou esse nome em homenagem à sua modelo e musa Bettina Graziani. É um floral adocicado com base amadeirada e tem notas de flor de laranjeira, pêssego, violeta, ameixa, orquídea, rosa, gardênia, sândalo e baunilha. Mas, como todo perfume, vai ser percebido de maneiras diferentes em contato com a pele de cada pessoa. Minha mãe adorou, o que é um problema porque agora ela gasta um vidro desses a cada seis meses e espera ganhar um novo. Ouch. :/

De vez em quanto até eu pego bode do Amarige. Preciso deixá-lo de lado por uns tempos, esquecido no fundo de uma gaveta escura, e esperar pelo dia em que eu vou me lembrar dele e sentir uma vontade irresistível de sentir o perfume. Outro dia achei isso numa agenda de 1999: “I like to spray a bit of Amarige in the air and walk into the mist, feeling like a goddess afterwards; the kind of woman that walks into a party and causes everyone to fall in love with her a little bit.

Hahaha. Silly young me. :)
Mas é assim que certos perfumes nos fazem sentir, ou pelo menos deveriam.

To my beautiful, tortured nemesis.

Foi só depois de alguns meses que eu deixei o Brasil em definitivo que finalmente quebrei um hábito de anos: deletar sucessivas contas de email e criar novas, para fugir de você. Eu passava horas rabiscando idéias esdrúxulas para nomes de usuário em guardanapos de boteco, páginas de revistas, livros, agendas… Até hoje quando resolvo revirar os rastros físicos do meu passado, na forma de um livro querido de infância ou um encarte de CD, eu esbarro nessas palavras (“deaddonnut”… “miss_ann_thrope”… “perfectlyhideous”…), que não fariam o menor sentido aos olhos de estranhos mas que me afundam a alma em desconforto.

Seu ódio por mim fez com que você focasse nas nossas diferenças; minha tentativa de compreender o seu ódio me fez buscar nossas similaridades. E durante esse processo eu percebi que em alguns aspectos nós éramos bastante parecidas. O dia em que chegamos usando os mesmos sapatos baratos, ainda que você tivesse dinheiro para calçar os tênis mais caros. O fato de que não nos importávamos muito com maquiagem ou cabelo. De que nunca optávamos pelos sabores mais populares na sorveteria - eu pedi jaca, você fingiu vomitar mas pediu feijão “porque era engraçado”. De que nos recusávamos a usar *qualquer* peça na cor branca durante o reveillon. Aquela tarde em que nós duas gritamos ao mesmo tempo “não tira! deixa aí!” quando alguém tentava sintonizar outra rádio no carro porque começou a tocar Joy Division. Nossas respostas assustadoramente parecidas nos cadernos de perguntas. A falta de traquejo social e inabilidade de jogar conversa fora - o lance era abrir a alma ou nada. A tola fascinação juvenil pela chuva/roupas pretas/Londres. A risada compartilhada na mesma piada ruim que ninguém mais entendeu. As opiniões vagamente controversas e o gosto pelo humor escatológico. O medo de que ele eventualmente fosse encontrar outra pessoa com quem se importar. E em meio a todas aquelas pessoas, a Solidão.

Você me disse e fez coisas horríveis. Impensáveis, hediondas, monstruosas. Coisas que poriam você na cadeia. Coisas que me fizeram questionar os níveis mais básicos de confiança nos humanos. Mas você devolveu o meu livro pelo correio e colocou um saquinho de balas na caixa - que eu, sinto dizer, joguei fora por medo de envenenamento. Você me defendeu quando me acusaram injustamente. Você me ajudou a procurar o cordão que eu perdi na piscina. Você pediu perdão (e eu fingi não perceber o seu ar de escárnio no background). Você pediu sorvete de jaca no dia seguinte. Eu não lembro se provei o de feijão.

As últimas notícias suas que chegaram a mim por contatos em comum não eram boas. Sua vida estava exatamente onde naquela última tarde eu previ que estaria: no esgoto. Com essas palavras eu virei as costas e não nos vimos mais de frente. Mas eu encontro você quase todos os dias, nas palavras cruéis dos outros onde a sua voz ainda ecoa. De certa forma eu lamento pela natureza grotesca da sua queda anunciada, mas é assim que os grandes caem: espetacularmente. Você esteve no topo e foi de lá que despencou. Impossível não machucar.

Percorrer meus arquivos online (blogs, sites, FAQs) sempre que você me descobria e deletar coisas que eu não queria que você lesse fez com que eu me perguntasse várias vezes por que diabos eu não optava pela solução mais simples, colocando senha em tudo. Era assim que eu me rebelava contra a sua perseguição? Me punindo com angústia desnecessária? E do que, afinal de contas, eu tinha medo? Dando scroll freneticamente através dos anos, me perguntando até onde você tinha chegado nos meus arquivos e o quanto já teria lido - eu estava correndo contra o insondável. E nem era como se eu realmente me importasse em apagar os supostos segredos; não é como se eles realmente fossem segredos para você. Não havia uma única frase que você já não tivesse ouvido antes - de mim, dele, dos outros. Nem um único episódio que lhe fosse desconhecido. Meu medo não vinha da vergonha, mas sim do orgulho. Eu sabia que você se lembrava de tudo; eu só não queria que você soubesse que eu me lembrava também.

Porque em pelo menos uma coisa eu queria muito que nós fôssemos diferentes. Mas bem, nós não somos.
Nós nunca vamos nos livrar do passado.

If you read this. I hope you’re well.

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Este post faz parte da blogagem coletiva "Das cartas que eu nunca te escrevi" do Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais. Para ler todas as blogagens coletivas do Rotaroots, clique aqui. Quer participar? Então faça parte do nosso grupo no Facebook e inscreva-se no Rotation.

Lately and around.

Comprei um pacote de mistura para pão Atkins.
Not pretty, mas ficou ótimo.

Tem bastante nozes, mas não compromete o sabor e nem o gostinho de pão.

Ficou muito bom com manteiga salgadinha e café + creme.
Infelizmente deixei fora da geladeira sob sugestão do respectivo e dias depois estava com gosto rançoso. Tive que jogar o resto fora. :(

Coisas que andei comendo por aí:

Parece vômito, mas é frango coberto de presunto de parma + queijo derretido e molho de tomate. Quase uma pizza. (@ Il Boteglio)

Parece diarréia, mas é fígado de frango (que eu adoro) em molho de laranja + redução de balsâmico. (@ Morello’s)

Coisas que a Chantilly andou comendo. Isso é o que eu chamo de “prato colorido” e “dieta balanceada” (jargão de nutricionista, haha). O único inconveniente deste belo prato é que ela costuma vomitar por esporte - e esse vermelho bombeiro aí vai ficar uma maravilha no meu carpete bege claro. Not.

Passeios na Ikea. Esse quarto é uma graça, mas fora algumas exceções eu percebo que a Ikea está ficando cada vez mais cara. Aliás a Ikea UK é uma das mais caras do mundo; desvantagens de ganhar em libras?

Registrando no meu espelho sujo o primeiro dia desse verão em que foi possível sair usando um pulôver.
Adivinhe? Está acontecendo.

Passei uns dias num daqueles estados de espírito limbo (nem de boas no céu, nem queimando no inferno) mas depois de um breve hiatus internético (mais especificamente redes sociais) e de focar na mudança do meu quarto me sinto ridiculamente bem. Change your environment. Odeio linguagem de auto-ajuda, mas em certos contextos faz muito sentido.

O céu está azul, mas em breve isso deve mudar.
Na rua fiquei olhando esses saplings (“filhote de árvore”, como eu chamo) e pensei que daqui a 200 anos, se ninguém cortar, eles ainda estarão aqui. I will be long gone, and so will all my problems. Um pouco de perspectiva nessa tarde. :)


The countryside.

Julho foi há dois meses mesmo?
Parece que foi ontem. Se eu forçar a memória, acho que consigo até suar de novo. Na verdade estou suando só de olhar para essas fotos. E dois meses depois eu estou aqui, usando meias e moleton dentro de casa.

O verão está indo embora, e acho que esse ano sentirei sua falta.

Change of scenery

E em verdade vos trago mais um post cheio de fotos de celular - não sou blogueira PRO, grazadels, senão já tinha perdido todos os patrocínios, risos. Então, a zona acima são as ruínas de um império em franco declínio… meu ex-estúdio. Esse era, até sexta à tarde, o meu quarto de costura/bonecas/bagunça. Tive um estalo na sexta retrasada de que queria mudar de quarto (porque cansei daquela mesa da Ikea e queria reaproveitar a escrivaninha que usava em Jersey) e não consegui parar por vários dias. MUITOS móveis sendo arrastados, muito suor, muita língua de fora. Me pesei hoje e perdi um quilo. Yay?

Enfim, resultado temporário é mais ou menos esse aqui… em OUTRO quarto:

O quarto que foi “abandonado” é definitivamente maior e mais claro. O sol da manhã bate com força e é lindo. Porém a vista dele não é das melhores. Ok, tem um verdezinho ali, mas é o álamo do vizinho e perde as folhas no inverno - ou seja, quase metade do ano. Sem ele o que temos? O paredão lateral da garagem, e um pouco mais adiante fachadas de casas da vizinhança. Blé.

O quarto atual é de fundos e tem vista para o jardim. Ok, no meio do jardim temos o nosso carvalho e na lateral mais dois álamos - que pertencem ao outro vizinho e que também vão perder as folhas no inverno. Mas não tem nenhuma fachada de casa alheia à vista ou paredão de tijolos na minha cara. Outra coisa que não terá na minha cara? O sol de inverno, que no quarto anterior me cegava a ponto de eu ter que fechar as persianas. Outra coisa que o quarto “novo” tem é um sinal de wi-fi bem mais forte. Uma necessidade na minha vida, agora que eu praticamente só ouço música via streaming.

E a cama/day bed… Eu estava com saudade de ter uma caminha no estúdio. Ali eu posso cochilar, sentar para fazer crafts, para ler, para usar o laptop numa posição mais confortável ou simplesmente ficar admirando os esquilos saindo na porrada nos galhos do carvalho. ♥

Essa parede escura vai ser pintada no  mesmo tom de cinza das outras. Só preciso tomar coragem e começar (vambora, Lolla, é uma parede só, pintar é divertido, etc).

Essas prateleiras são da Ikea e foram projetadas para serem aparafusadas na parede. No entanto eu não estava com saco pra furar nada, e como havia um espaço vazio embaixo da janela eu inventei essa moda. Serve para guardar alguns livros e bagulhos, mas vai rolar uma curadoria punk ali em breve porque tem tralha demais e eu ando numa vibe minimalista.

Como eu perdi muitas gavetas e espaço com a mudança de quarto e o retorno da day bed, tive que aproveitar os espaços disponíveis. Embaixo da cama, por exemplo. Dei nova utilidade às caixas de vinho antigas e a essa mala ancestral, que herdamos da família que nos vendeu a casa em Jersey. Nela tem um selinho de 1968. :) Documentos, papéis e outros bichos vão parar ali. DVDs vão para a biblioteca, meus CDs serão vendidos ou doados - exceto uns poucos que ficam, lembranças de momentos ou pessoas. As almofadas vão ganhar capas de patchwork ou crochê. O pequeno baú eu tinha há anos na sala e foi reaproveitado como mesinha de cabeceira. A luminária amarela não tem nada a ver com o enredo deste samba e já vai sair daí.

Outra coisa que o quarto novo tem? Um banheiro. Essa porta ali do lado da cama. Porque esse quarto estava destinado a ser o quarto de hóspedes; mas agora os hóspedes terão o quarto mais claro da casa mas ainda poderão usar o banheiro do estúdio, que fica logo em frente.

E como não poderia deixar de ser, suculentas já começam a popular as superfícies…

Os vasos vieram de brechós e são perfeitos para plantas pequenas. Adoro especialmente aquele azul, que na real é uma caneca, com o carinha tirando meleca do nariz, awww. Minhas fadinhas com asas anti-homofobia podem até ser meio cafonas, mas eu tenho um afeto todo especial por elas.

Então, essa é uma das mudanças que estava ocupando meu tempo. Se tudo colaborar eu recomeço a pintar paredes/costurar cortinas/fazer capas para almofadas/jogar lixo fora essa semana e na próxima termino mais essa tarefa doméstica e poderei finalmente… começar a reforma da biblioteca. :/ #ShitNeverEnds

[6 on 6] Architecture

Agosto foi um mês bom, porém atarefado. Muitos projetos pessoais e de DIY saindo do papel. Não sobra muita energia para o blog - realmente admiro quem consegue trabalhar E blogar - embora eu tenha mil coisas para mostrar e contar; acontece. Uma das poucas (únicas?) vantagens de não ter um blog profissional é a liberdade de abandoná-lo às vezes, quando a alma não está naquilo.

De qualquer modo hoje é dia 6 e o Projeto 6 on 6 não pode parar. Infelizmente pra mim ele quase parou porque o dia escolhido para pôr a câmera na bolsa e sair pela cidade não podia ter sido um fracasso maior. Depois de semanas de sol e céu azul o tempo amanheceu nublado e a luz chocha destruiu as fotos; nem photoshop na causa deu jeito. Outra coisa que destruiu as fotos e eu só fui perceber na hora de editar é que a lente estava suja. Um cacetada de manchinhas nas fotos que eu fiz o possível para remover na edição, mas meu talento é limitado. Some-se a isso o fato de que eu estava com dor de cabeça - valeu, cetose! - e a área que escolhi fotografar por ter elementos arquitetônicos únicos e de épocas diferentes é extremamente movimentada (trânsito e pessoas) durante a semana e… já era. :(

O plano de mostrar prédios em particular - como o Staple Inn, uma antiga estalagem medieval da era Tudor e que sobreviveu ao Grande Incêndio de Londres de 1666 e aos bombardeios da Segunda Guerra - foi por água abaixo. Sorry. Tento me planejar melhor mês que vem. :/

Outras cidades: Paula (Holanda) - Nicole (França) - Taís (Irlanda) - Rita (Portugal)

Craaaaayfish Party at Ikea

Outro dia eu browseava o site da Ikea (coisa que faço com relativa frequência, porque sou viciada mesmo e assumo) e descobri que naquela tarde estaria rolando a “Festa do Lagostim”. :) A comemoração do Dia de Santa Lucia ano passado foi um sucesso, por isso liguei imediatamente reservando uma mesa. De tempos em tempos a Ikea promove esses eventos temáticos com elementos da cultura sueca - e sempre envolvendo bufê liberado. \o/

Chegamos lá às 18:30h, meia hora depois do começo e o lugar já estava bom-ban-do de gente; o salmão defumado, inclusive, já tinha esgotado. Boo. :(

Parece vazio com esse monte de cadeiras desocupadas, mas nesse preciso momento havia uma fila IMENSA no bufê. Que é estilo bandejão: paga-se uma mixaria e come-se o quanto quiser (bebidas pagas à parte, mas o refil de refrigerante e café/chá é de graça). Imaginei que seria mais tranquilo como na festa de Santa Lucia - onde ok, a gente chegou bem no comecinho, totalmente por acidente. Dessa vez o lugar me pareceu estar bem mais lotado e eu vi gente empilhando uns CINCO pedaços de salmão no prato. Greedy fuckers…

Mas ó, teve música ao vivo! E a música ao vivo em questão era uma banda cover do ABBA com direito a coreografia, peruca, roupinha e palco personalizado. Me apaixonei pela peruca de Barbie da Agnetha fake e por essas botinhas de go-go girl dos anos 80:

see that girl, watch that scene, digging the dancing queen

É comum a galera sueca se reunir no verão para encher a cara e comer lagostim - especialmente em agosto, que é o período onde a pesca do crustáceo é liberada. A decoração na Ikea era temática, incluindo bandeirolas, lanternas, aventais e chapeuzinhos com estampa de lagostim; mas os comensais que chegaram cedo já tinham malocado tudo quando chegamos. Perdi a oportunidade de comer vestida à caráter, mas anyway. Eat I would. :)

O crayfish/lagostim itself…

Muito bonito, muito vermelhinho e muito impressionante - mas assim como a prima lagosta, é muita embalagem pra pouca carne. Além deles pegamos também um prato de entrada e outro com as magníficas e insubstituíveis almôndegas suecas. Aí embaixo o meu prato de entrada, contendo entre outras coisas… arenque em conserva ao molho de mostarda e mel:

O meu plano inicial era pegar o salmão, mas como o estoque estava zerado eu resolvi abandonar a frescura e me aventurar. Eu sou EXTREMAMENTE chata pra comer peixe, tenho nojo do cheiro e da textura/pele e não tenho saco pra ficar catando espinhas. Mas dessa vez não houve arrependimento: PUTA COISA MAIS DELICIOSA DO PLANETA - como assim eu nunca havia comido? Nem tinha muito gosto de peixe e parecia sobremesa. ♥

Minha sobremesa: café e queijos, já que não podia ser bolo. E olha que o bolo crocante da Ikea é TÃO bom que faz valer a pena o pico de glicose no sangue. Oh well, fica pra próxima.

Mas ok, os queijos também estavam gostosos; em especial esse blue cheese de sabor bem apurado.

Depois do jantar ficamos na mesa de papo, bebendo café e chá e curtindo pelo janelão o sunset over Ikea. :) God bless long summer evenings; I shall miss you.

E enquanto íamos saindo o ABBA cover já tinha trocado de roupa (luxo!) e estava fazendo outra coreografia. Sinta o glamour purpurinado desse camisolão e o mullet apropriado do clone do Björn (não consegui registrar o Benny nas fotos):

Apesar da fila enorme no bufê e do salmão esgotado, declaro como tendo sido um sucesso mais esse evento na minha loja de móveis favorita do universo. Que venham os próximos! E dessa vez vou chegar meia hora antes, só pra garantir. :)

Throw Back Thursday: Tóquio, 2013

Os planos de fazer muitas e muitas fotos no Japão foram por água abaixo muito, muito rápido. Não que Tóquio não seja uma cidade fotogênica; Tóquio é. Terrivelmente fotogênica. Um escândalo, uma obscenidade de fotogenia. Possivelmente fotogênica demais, a ponto de gerar um curto-circuito nos sentidos e tornar impossível escolher entre as centenas de cantinhos coloridos implorando por um clique.

Infelizmente para o meu instagram, por várias vezes eu esgotei a bateria do meu celular no meio do dia tentando usar o Google Maps para me localizar e o meu guia de japonês para tentar entender uma placa ou letreiro luminoso interessante. Infelizmente para os leitores do meu blog eu deixei a DSLR dentro da mala no hotel todos os dias e levei comigo apenas uma câmera portátil, que nessa viagem em particular se revelou uma bela porcaria e desde então jamais foi usada novamente.

Me arrependi de não ter encarado o peso da DSLR durante as andanças? Sim, mas só um pouco. Porque uma câmera portátil era só o que eu queria ter pesando na bolsa durante aqueles poucos dias onde havia tanta coisa para ver, provar, descobrir, comprar e absorver. Faltou tempo, faltaram várias fotos; muitas vezes faltou até mão para fotografar. Essas são apenas algumas imagens aleatórias que eu estava prestes a deletar do lote de mais de 400 que eu ainda pretendo mostrar aqui. Mas resolvi fazer esse post para elas. Porque hoje é quinta feira, quase meia noite, eu tinha que fazer um #ThrowBackThursday de última hora e, bem, o que não é 100% perfeito também é Japão.

Label Mania

Meio desenxabida porque o cartão de memória da minha câmera pifou e o novo que encomendei na Amazon deveria ter chegado ontem, mas nem sinal; então desculpem as fotos de celular do post.

Só queria apresentar o meu Coharu para as aficcionadas por papelaria que me acompanham aqui - e elas já haviam pedido desde que eu disse no Twitter que tinha comprado um em Tóquio.

Fiquei em dúvida entre um desses e uma dessas Fuji Instax que se popularizaram bastante nos últimos anos. A idéia era comprar os dois, mas concluí que na verdade eu não “precisava” de nenhum e então escolher um só fazia sentido economicamente. O que no fim das contas não faz sentido algum, porque se eu já estava gastando dinheiro com bobagens anyway PRA QUÊ, MELDELS, me preocupar com economia/ bom senso? Devia ter comprado ambos. Oh well. Fica pra próxima.

Então, né, vamos falar do bonitinho. O Coharu é uma etiquetadora (ou label maker, ou mini impressora, como prefiram) para fitas de papel. Tem formato de maleta e alça de couro legítimo (look away, vegan friends). Eu me interessei por ele muitos anos atrás, quando era uma pré-adolescente que curtia pegar o busão intermunicipal pra São Paulo e saracotear pela Liberdade comprando mangás - que eu evidentemente não tinha como ler porque estavam em japonês, mas QUEM. LIGA. Afinal as figuras eram tão bonitinhas e era divertido imaginar o que os personagens estavam dizendo/fazendo, criar diálogos e roteiros a partir dos quadrinhos… É, não existia facebook naquela época e as crianças tinham que apelar pra imaginação.

Voltando ao assunto (de novo, haha). Para quem não está familiarizado com mangás, naqueles calhamaços estilo lista telefônica havia páginas brilhantes coloridas (todo o resto era impresso monocromo em folhas recicladas) com anúncios de produtos infantis - brinquedos, roupas, comida, artigos de papelaria, etc. Foi numa dessas páginas que eu conheci o Coharu e imediatamente achei a coisa mais linda do planeta e quis um pra chamar de meu. O que só rolou duas décadas depois quando eu novamente saracoteava, dessa vez pelos corredores da maravilhosa Yodobashi Camera em Akihabara e me deparei com uma prateleira cheia de Coharus e fitinhas coloridas. ♥

O funcionamento do aparelho (que requer quatro pilhas AAA) é relativamente simples: você abre a parte de trás, insere a fita escolhida, liga, lê o HELLO todo bonitinho (com um desenho de abelhinha) com o qual o Coharu te recepciona, escolhe entre as seis fontes disponíveis, escolhe o tamanho do texto, digita e clica no passarinho rosa para imprimir. Ta-da!

Como dá pra ver também é possível inserir símbolos (dingbats). O menu traz cerca de 300 imagens disponíveis + molduras variadas. O manual é todo em japonês (damn!) mas com um pouco de paciência você consegue interpretar as instruções e usar sem problemas. :)

(aqui você pode ver alguns dos desenhos, molduras e as fontes).

O melhor de tudo é que a impressão é feita através de heat printing, ou seja, ela “queima” o papel, dispensando o uso de tinta. A única coisa que você precisa trocar são as pilhas. A impressão é bem forte, detalhada e perfeita. :)

Agora a pegadinha: o Coharu não funciona com washi tapes tradicionais. É preciso adquirir fitas próprias, que são do tamanho e material corretos e têm o lado colante protegido por um papel fininho a fim de evitar que grudem na impressora. As fitas não são exatamente baratas e são um pé no saco pra achar, mas já fiquei sabendo que é possível encomendar no Etsy. Mas de qualquer modo o carregamento que eu trouxe do Japão há de durar por pelo menos mais uns anos…

(faltando uma das fitinhas que eu esqueci de pôr na foto; é a primeira na pilha de fitas da primeira foto desse post. Taí outra coisa que eu deveria ter comprado mais, inclusive. :/)

Outra parte chatinha é que o Coharu “puxa” um pedaço grande de fita antes de efetivamente começar a imprimir, o que gera algum desperdício. Eu estou guardando os pedacinhos para usar em colagens (ou qualquer outra idéia que eu tenha para reutilizá-las) no futuro.

(A agenda é Filofax, as canetas são da MUJI).

Para quem se interessar, aqui tem um vídeo tutorial mostrando inclusive a embalagem fofa do produto.

E já que estamos aqui mesmo no assunto, aproveito para apresentar o meu MOTEX  (esse veio da Amazon, mesmo):

É uma versão mais moderninha e kawaii daquelas etiquetadoras manuais antigas, que funcionam marcando à pressão fitas plásticas próprias para tal, deixando o texto em alto-relevo. Todo mundo já viu essas etiquetas em pastas de documentos em escritórios; foram muito populares nos anos 80 mas hoje em dia já existem eletrônicas que são mais rápidas e eficientes - só que eu curto a vibe retrô e tal. :)

http://i.ytimg.com/vi/EmUCt0Z7NhY/0.jpg

(foto daqui pra dar o exemplo, já que eu não fiz foto das fitas prontas)

Eu também tenho um DYMO, esse gordinho azul à direita, mais tradicional, mas a MOTEX tem cores de fitas legais (incluindo transparentes, polka dots e fluorescentes) e a fonte é mais moderna e bonitinha. O meu tem duas rodas; uma de minúsculas + números e a outra com maiúsculas + desenhos decorativos/pontuação.

Por fim, outra desnecessidade que eu trouxe de Tóquio (mas que dá pra comprar na Amazon e no Ebay): Deco Rush. Parece fita corretiva, mas é decalque - ao invés de uma fita branca para cobrir as suas mancadas você tem desenhos. ♥

Essas eu sinceramente achei meio blé. Ok, bonitinhas, mas às vezes não funcionam direito e os desenhos ficam meio falhos. Nada extraordinário, o que no entanto não me impede de cogitar comprar mais (tsc, tsc, tsc…).

Bônus: kit de 25 pincéis que eu comprei ontem na Wilkinson por TRÊS. DINHEIROS. ♥

Não me olhem com essa cara que eu tenho uso sim pra pincéis, viu? ;)

Coalbrookdale & Ironbridge

Ironbridge e Coalbrookdale são pequeninas e pitorescas. E por acaso foi em Coalbrookdale, esse lugarzinho fofo e com cara de ilustração de tampa de latinha de biscoito, que foi descoberto um método tão eficiente de fundir ferro que deu o pontapé na Revolução Industrial. Os portões do Hyde Park foram feitos aqui. Todo esse verde, as árvores, as casas de tijolinho vermelho nas encostas do rio, tudo isso em menos de 200 anos era um inferno de fogo, carvão e fumaça preta. Os enormes avanços metalúrgicos que nasceram aqui acabaram por tornar a própria Coalbrookdale obsoleta em poucos anos; a indústria mudou, o lugar também.

Chegamos bem na hora do pub. ♥

Almoço às margens do Rio Severn.

"Tá pouco queijo, bota mais queijo"

Fica aí a recomendação. :)
Mas enfim, a gente veio pra comer ou pra a ver a ponte?

Complicado conseguir uma foto desprovida de gente. Tentei, mas não deu.

Ei-la.

Construída em 1779, Iron Bridge foi a primeira ponte do ferro fundido do mundo, forma um semi círculo perfeito e é uma espécie de símbolo da Revolução Industrial.

O indefectível cadeadinho brega dos namorados, vandalizando monumentos históricos com a sua cafonice, aww. ♥ Quando finalizar o divórcio eles vêm tirar o cadeado e jogar no rio xingando?

E la nave va.

O inevitável monumento aos mortos de guerra. Toda village, por menor que seja, conta com um, ainda que exista apenas um único nome gravado no ferro.

Guenta que já já tem bolo. :)

Throw back thursday: Santa Teresa (2003)

Há onze anos eu peguei a minha câmera digital Kodak Easyshare (DOIS megapixels, wow) e subi a ladeira para Santa Teresa. A tenebrosa onda de violência que viria a assolar o bairro ainda estava distante na linha do tempo e eu não tive muito medo de me levarem a máquina; na verdade fiquei com mais medo de um assalto no ônibus, mas resolvi o problema enfiando a câmera no traseiro - da calça, é claro. Ok, deformou a bunda, mas eu estava sentada e ninguém percebeu.

Mas a primeira vez mesmo que eu fui a Santa Teresa foi de bondinho, extasiada com a experiência de subir aquelas ruas de paralepípedos e pedrinhas portuguesas e me encantando pelos casarios centenários, românticos em seus váriáveis graus de decrepitude. Sentada num dos bancos de madeira do bonde eu tagarelava ao lado da E., uma amiga mais velha que era auxiliar de enfermagem e estava me levando para conhecer o hospital onde trabalhava (e onde na cozinha me deu um copinho de gelatina, roubada da sobremesa dos pacientes). A E. tinha quase 30 e eu era uma criança; pessoas não viam com bons olhos a nossa amizade, mas E. era naturalmente esquisita e ficou ainda mais depois que sofreu um aneurisma. Que foi quase fatal, mas apenas a deixou meio adulta, meio criança - uma combinação irresistível para quem era pequeno de fato; tanto que vários amiguinhos meus também eram amiguinhos dela.

E. tinha bonecas, o favorito sendo um “Feijãozinho" da Estrela que ela chamava de André e para quem minha mãe, a pedidos, costurava roupinhas. Rezava a lenda que E. tinha sofrido um aborto natural durante o seu breve casamento (eu fui à festa, mas eles se separaram pouco tempo depois) e nunca se recuperou da tristeza por ter perdido o bebê. Diziam também que ela "não teria outra chance", já que o casamento na verdade havia terminado por ela ser lésbica. Isso eu jamais saberei - apesar de ela usar roupas "de menino" e ter uma amizade próxima e conturbada com uma colega de trabalho chamada R.. O que sei é que depois de algum tempo minha mãe me proibiu de ir à casa dela. As mães das outras crianças também vetaram as visitas. O que certamente a deixou muito triste. E a nós também, já que ela nunca fez nada além de miojo com salsicha, deixar que brincássemos com as suas coisas e conversar conosco como se não fôssemos imbecis. Saudades do quarto escuro com paredes de tijolo aparente, do André sentadinho na cama junto das outras bonecas e bichos de pelúcia baratos e dos copos de plástico com refresco colorido em pó. Me pergunto por onde ela anda, se teve filhos, se ainda é amiga da R., se está feliz. Sempre que penso em Santa Teresa (e eu penso em Santa Teresa mais do que gostaria) ela é uma das pessoas de quem me lembro.

Revendo essas imagens eu percebo o quanto fotografava mal. Não que tenha melhorado muito, mas agora eu ao menos considero detalhes como composição e exposição antes de meter o dedo no shutter. Onze anos atrás a idéia não era “fazer bonito” porque eu não pretendia  expôr nada - nem em galerias, nem no instagram. Nem mesmo num blog, apesar de eu já ter tido alguns. Eu só queria mesmo poder registrar o momento e dar um jeito de trazê-lo comigo num lugar além da memória, já que a minha nunca foi boa. Onze anos atrás levar histórias na lembrança bastava. Mas hoje nessa curiosa vida 2.0 hipercompartilhada eu estou aqui, jogando essas desimportâncias e fotos ruins ao vento como se elas tivessem valor para mais alguém além de mim.

Às vezes eu me pergunto o que foi que mudou mas logo tiro a pergunta da cabeça, evitando atinar acidentalmente com uma resposta que eu não queira ouvir.

(eu tinha começado essa série semanal aqui, mas resolvi trazer pra cá porque atualmente tá valendo qualquer pretexto para comparecer nesse blog, risos)