Blossom at my feet, flower.















































A floração das magnólias esse ano foi belíssima; a temperatura amena nos trouxe flores abundantes e pétalas perfeitas graças à ausência das famosas geadas de fevereiro. Passeios roubados aqui e ali quando as nuvens davam trégua; e deram poucas, pois apesar das cores da primavera março foi um mês cinza. A luz desses raros dias de sol acendia as flores coloridas nos galhos como pisca-piscas de natal, e o canto dos pássaros que começam a retornar da sua peregrinação anual em busca de ares mais cálidos soavam como christmas carols na manhã. A primavera é, indeed, um presente.

Estamos em abril. Domingo passado foi dia das mães; daqui a duas semanas, páscoa e feriado. Fora o Natal é o único aqui onde realmente TUDO fecha. Já comi o ovo "white chocolat gourmet" que comprei para a ocasião. Veredito? Yuck. Para a páscoa propriamente dita, na impossibilidade de conseguir um ovo de colher com recheio cremoso de chocolate branco, vou me acabar nessa barra de Lindt (que é cremosa por dentro, ou seja, quase lá).

Enquanto fotografava as magnólias fui abordada por uma dona fazendo cara feia. "Por acaso você está tirando fotos da minha casa?". Olhei para o pé de magnólia, olhei para a dona e disparei, "por que, você mora numa árvore?" Ela deu uma risadinha como se tivéssemos acabado de dividir uma piada - mas você não me engana, Sharon. Saí de lá reflexiva: eu perguntei a uma gringa se ela morava em árvores. Sete palavras e eu vinguei algumas gerações de brasileiros. Yeah.

Cerejeiras e forsítias on the way in, quince blossoms e camélias on the way out. And it goes on.

"honey, tonight, it's cedar when you are around
warmer in spring, but call me whenever you're down
blossom at my feet, flower"

Spring cleaning.















Às vezes o minimalismo que você precisa praticar não se resume a eliminar coisas tangíveis, mas também atividades, hábitos e atitudes. Fevereiro foi o mês de tirar o foco das gavetas e voltá-lo para o meu dia-a-dia, editando as coisas com que escolho ocupar meu tempo e pessoas que deixo entrar na minha vida. Resolvi aposentar alguns "hobbies" que não estavam mais proporcionando o mesmo nível de satisfação, me deletei de alguns fórums/redes sociais e doei livros que havia começado mas sabia que não tinha mais interesse em terminar - e assim desocupei não apenas o espaço que eles ocupavam nas prateleiras, mas também o meu tempo.









Essa é a raposinha que encontrei tomando sol no jardim há algumas semanas; consegui fotografar com o zoom pelo vidro da janela da varanda. Parecia tranquila, mas claramente doente; as falhas de pêlo nas costas são sintoma de mange, uma doença contagiosa em mamíferos e que infelizmente costuma ser fatal em raposas se não houver tratamento. Pensei em contactar algum santuário para vir buscá-la, mas fui depois informada de que relocar esses animais é um processo difícil e pouco aconselhado.

Postei um vídeo da raposa no instagram e logo surgiram diversos especialistas e entusiastas que sequer viram uma raposa fora do zoológico me explicando em termos pouco simpáticos que eu deveria tê-la adotado ou levado ao veterinário. Como se eu tivesse como capturar e como se animais silvestres dessem excelentes bichinhos de estimação. Nenhum serviço de proteção recomenda domesticar raposas; elas destroem a mobília, roem fios provocando risco de curto circuito/incêndio e por fim acabam descartadas em santuários quando já não conseguem mais ser devolvidas à natureza e sem garantia de aceitar a vida em captividade. Muitas vezes não resta outra alternativa senão a eutanásia.

Por causa desse episódio eu finalmente resolvi restringir replies às minhas stories apenas para pessoas que sigo, o que obviamente chateou alguns seguidores porque perdi muitos. Não sei se perceberam que ainda é possível me mandar mensagens usando o link no perfil ou se não gostaram de ter sido colocados no mesmo balaio que os grosseiros. Mas quase todos os dias em que havia atualização das stories eu recebia pelo menos uma mensagem desagradável, e isso parou. Ok, é chato perder seguidores, mas eu nunca vou ser popular naquela rede; meu feed é confuso, infrequente e não tem um "tema". O que me interessa é manter um ambiente saudável, e dificultar um pouco as mensagens impulsivas de estranhos parece ter dado certo. Sorry about the colateral damage.



Consegui com o santuário um remédio para pôr no jardim, misturado à comida. Vamos ver se funciona. Porque é assim que se resolvem problemas: com informação e seguindo procedimentos corretos.





A outra novidade do período foi a spring roadtrip de 2019: Mônaco e sul da França - parte dos alpes e a riviera francesa, que eu ainda não conhecia. Visitamos Grenoble, Cannes, Nice, St Tropez, Arles e Laguiole; tirei Biarritz do roteiro por conta da distância, mas uma noite cruzei a fronteira pra Itália e fui jantar em San Remo. O principal evento foi o clima: tivemos dias de chuva que arruinaram planos, dias de sol em praias de areia e de pedrinha, dias de neblina e frio onde dispensamos turismo em favor de lareira e vin chaud, dias de violentas ventanias que quase me arrancaram do chão, dias sem uma única nuvem num céu interminavelmente azul. Em certo momento chegou a nevar um pouco na estrada. Quase não usei a câmera porque well, blogs are kinda dead, aren't they. Mas acho que ainda tenho ânimo pra fazer uma seleção das fotos das stories para deixar aqui. Maybe soon, maybe never. Let's see.



Encontramos esse hotel abandonado nos alpes entre Grenoble e Monaco, no meio da route Napoleon. O vento estava inacreditável, a sensação térmica devia estar na casa dos negativos e eu lá, de pulôver primaveril e canelas expostas à hipotermia sofrendo pela minha arte. Risos. Mas as fotos da festa ficaram ótimas e me senti tentada a ligar pro telefone ali na placa, perguntando o preço. Imagina transformar esse hotel numa casa incrível? Cercada apenas de montanhas e céu, o mar da Côte d'Azur à (pouca) distância. E nenhum vizinho, porque como já dizia aquele famoso influencer francês, "l'enfer, c'est les autres". E eu concordo tanto que escrevi isso no braço.

Two days, two teas.

















Mariage Frères, tradicional marca francesa de infusões (since 1854!), abriu um salon de thé podre de chique em plena Covent Garden. O menu devia ter umas 10 páginas só de chás e foi difícil chegar num consenso; a sua escolha chega à mesa servida em louça toda monogramada (do guardanapo aos pratos, passando pela delicada colherzinha de prata do açucareiro que você pode comprar por uma mini fortuna na loja) e já pronto, sem as folhas. Não gostei muito do fato de não poder controlar a intensidade da infusão; meu chá (de damasco) veio forte demais, com um leve saborzinho amargo que denunciava cozimento. Não sei estava passando do ponto ou se escolhi errado, só sei que já tomei chás melhores.

Os scones estavam muito bons, e mais ainda a dupla de geléias de fruta saborizadas com earl grey. Não espere creme, no entanto; você vai receber um pote minúsculo de manteiga (tivemos que pedir extra). Não é um lugar barato; as infusões mais acessíveis custam cerca de 9 libras por bule individual, que fornece umas quatro xícaras e não se pode dividir. Obviamente todos os chás do menu estão disponíveis para compra e também custam os olhos da cara; mas tão chiques as latinhas… Os bules de vidro, super delicados, saem por cerca de 300 dinheiros cada. Ouch. Franceses, com todo aquele socialismo, não são nem um pouco tímidos na hora de cobrar… Mas em se tratando de chá eu ainda fico com os ingleses.















Já a Maison Bertaux é um tearoom deveras excêntrico plantado desde 1871 bem no coração do Soho. O decór é peculiar e um tanto quanto caótico, no melhor sentido possível; a vibe é francesa, principalmente na patisserie - mas o chá é servido à moda britânica e você só precisa dizer "two teas, please" que a mensagem será entendida e um bule de english breakfast lhe será apresentado com direito a pote extra de água quente para fazer aquele top up experto. Ah, the joy of familiar things...

Nunca experimentei, mas reza a lenda que o croissant de amêndoas é imbatível. O bolo da foto estava estupendo, molhadinho e sem pesar a mão no açúcar. As paredes com rabiscos da clientela (nesse dia composta por 80% de milenials chineses e coreanos), as trocentas fairy lights e pilhas de livros surrados espalhadas por todos os cantos e a louça simples dão ao lugarzinho um charme de casa de avó. Se fizer um dia bonito sente-se por favor numa das mesas da calçada, tire o pote de flores mortas da frente, peça um pote de english breakfast, abra um jornal ou simplesmente veja a vida passar - e sendo o Soho você vai ter bastante coisa pra ver, trust me.



Ah, good news para quem preferia seguir o blog pelo feed do Tumblr: ele está de volta, sem os arquivos antigos (que estão vindo todos para cá, já consertados depois da mancada do photobucket) porém com conteúdo atualizado com maior frequência. A idéia é reunir lá os snapshots de celular que eu costumo fazer nas minhas andanças pela cidade e que às vezes vão parar nas stories do Instagram (onde só sobrevivem por 24h) mas quase nunca aqui no blog. As atualizações deverão ser mais frequentes, porque pelo Tumblr eu posso fazer isso da rua mesmo. ;)

Ou seja, basicamente fotos de Londres, comida e gato, com algumas reclamações e qualquer outra coisa que eu achar interessante pela internet. Os meus outros tumblrs meio que foram morrendo aos poucos, mas eu gosto da plataforma e queria usá-la de uma maneira legal. E sim, você vai ter que me seguir novamente mesmo que já me seguisse por lá; o username é o mesmo, mas o blog é novo. Go, Sharon!