Dartmouth, South Devon



dartmouth é uma cidadezinha litorânea no sul do condado de devon, uma das muitas "areas of outstanding natural beauty" do reino unido. já que estávamos lá para o fim de semana do devon county show decidimos fazer uma visitinha rápida, daquelas só pra fincar bandeira e dizer "eu fui" - e eu saí inconformada por ter podido passar apenas algumas horas. já quero voltar ontem.

a arquitetura é uma delícia, tanto a orla quanto as ruazinhas paralelas pontilhadas de prédios coloridos em estilo mock tudor (alguns sendo resquícios originais da era tudor) com cafés, restaurantes e sorveterias no térreo. as ruas estavam meio vazias porque era o sábado do casamento real e o britânico do interior é um monarquista romântico; geral em casa com um olho na tv e o outro no churrasco.





a construção abaixo se chama butterwalk e é tudor de época (construída em 1635); note a fachada torta:



dartmouth significa em tradução literal "boca do rio dart", que dali desemboca no mar. na outra margem do rio temos a cidade de kingswear (esses prédios coloridos ao fundo), que também parece ser linda e que eu também quero conhecer.







as escadinhas levam o visitante a atravessar vielas e becos com flores nas janelas e subir ladeiras em busca da vista perfeita lá de cima.









e que hino de vista, senhores. vale a escalada.













as únicas dicas de lugares para almoçar que eu tinha eram a do trip advisor, que funciona melhor em grandes centros do que em cidades menores. acabei entrando num bistrozinho da orla por conta da vista para o mar, mas a comida era apenas ok.





enfim, já marquei na agenda um retorno para um fim de semana no verão; só espero que o clima absolutamente perfeito desse sábado de maio se repita, porque cidade litorânea com chuva é mais dispensável que maiô em praia de nudismo.

e por falar nisso. uma semana para o verão.
*screams*

Devon County Show 2018





há algumas semanas demos um pulinho (ou seja, 3h de carro, haha) no condado de devon para participar do devon county show, um evento anual que reúne criadores de animais, fazendas de plantio, fabricantes de alimentos, de maquinário e veículos agrícolas - tudo deliciosamente rural e pontilhado de comidinhas, competições, shows musicais, exibições, barracas de tralhas made in the countryside e uma multidão de gente vermelha de sol, usando galochas enlameadas e bebendo vastas quantidades de cidra. ♥

ficamos hospedados na village de buckfastleigh no pub aí em cima, furzeleigh mill, de onde desde o século 16 se pode apreciar essa vista verde - com um pedacinho de estacionamento também, que não estava aí no século 16 (nada é perfeito).





infelizmente esqueci de pôr a câmera na mala e portanto todas as fotos foram feitas com o celular. zilhares de vacas, bodes, ovelhas, porcos e galinhas, mas como imagino que poucos estejam interessado nessas coisas deixo só um amostra:



esse boi branco, da raça charolais, era gigantesco. a minha cabeça batia no pescoço do bicho. um dos perks de ser casada com um ex-farm boy é que eu aprendi a identificar diversas raças bovinas só de olhar para elas. depois dessa sessão de spa (banho, secagem, escovação, etc) as vacas desfilaram para os jurados. very miss world.











você quer cidra, arroba? ENTÃO TOMA. :)



no brasil a gente costuma associar cidra com aquele substituto barato pra champanhe que nós pobres estouramos no reveillon pra fazer uma presença; já aqui a cidra faz parte do estilo de vida regional, é consumida no dia-a-dia assim como a cerveja e nem sempre faz espuma.

os vencedores no concurso de queijos (cada tijolão desses devia pesar uns 20kg):



e como era o fim de semana do casório de harry e meghan os fabricantes de queijos da região se empenharam nesse bolo comemorativo. i smell something cheesy going on...



comi sanduíches de bacon, chá com bolo, batatas com queijo, bebi cidra e pimm's. nada muito sofisticado, mas em porções decentes e servido com simpatia.



fiquei meio chateada por ter perdido a competição de bolos (damn) e mais chateada ainda porque vim na expectativa de provar scones com o famoso creme clotted de devon e a única barraca servindo a iguaria me ofereceu o quê? creme batido em spray. em LATA. *insira emoticon de vômito*

erm... okay.



(talvez para aqueles momentos em que você tá tão de boas no jardim que não quer levantar pra ir ao banheiro. e ainda pode se aliviar em dupla; how sociable.)

fim do dia, hora de voltar pro pub-hotel e caçar uma janta.



a apresentação não era das melhores (essas bolotas ao redor do coelho eram uvas), o salão de jantar ficava num sótão mal iluminado (três horas de photoshop pra conseguir clarear essas fotos aí embaixo) e com cadeiras super desconfortáveis, mas estava tudo uma delícia. uma pena que depois de comer o dia inteiro no county show e demolir as três torradas com patê da entrada eu deixei meu prato principal praticamente intacto. :(





no ano que vem (16, 17 e 18 de maio) tem mais.
(e em breve mais devon e somerset por aqui também)

There's a new ginger in town.









boas vindas ao mais novo habitante da red door one: mr. rudolph diesel.
que você pode chamar só de diesel (ou ruddy, para os íntimos).

born: 14/03/2018, south east london
adopted: 24/05/2018, into north east london

nomeado em homenagem a este mr. diesel, já que energia o pequeno tem de sobra. fui buscá-lo na última semana de maio num bloco de council flats em sydenham; um fim de tarde lindo, com pôr do sol perfeito, o perfume das rosas recém abertas no ar e um senhor cantando ópera em casa com as janelas abertas. poético.

mas não se engane com a expressão angelical: o hobby preferido do gato - depois de esvaziar vasilhinhas de comida em tempo recorde - é se atirar dentro de lixeiras e espalhar o conteúdo delas pela casa. delightful. já aprendeu a usar a liteira, já ganhou brinquedinhos (um deles já em vias de ser destruído, risos) e, embora eu não pretenda dar acesso à rua, já já vai ganhar seu microchip. chegou meio nervoso e tímido, mas agora procura a nossa companhia e dorme no colo. é, eu acho que deu match. :)

welcome home, little diesel.
once again, we are family. ♥

With satellite television you can go anywhere.













a tão bela quanto breve temporada dos lilacs já veio e se foi. tentei trazê-los para dentro de casa, mas lilacs morrem ainda mais rápido fora dos galhos. o segredo, segundo dizem, é mergulhar os talos em água quente por alguns segundos antes de colocá-los em seu vaso definitivo - well, preguiça. duraram menos de dois dias. and that's ok.







vamos de choisya, então (essa levou três anos pra chegar nesse tamanho).





ando com saudades do inverno e do brilho âmbar das minhas velas perfumadas no meio de uma tarde escura, e olha que o verão ainda nem começou. dizem que no rio faz 15 graus. o carioca veste cachecóis, o paulista mal humorado reclama da temperatura e resmunga que não, as pessoas não se vestem bem no frio. "e nem no calor", penso eu, e fecho o browser.



peguei esse galho caído no chão da floresta de epping. as folhas que iam abrir (e agora não vão, nunca mais) ficaram eternizadas nesse estágio de broto, como promessas de uma primavera que jamais se cumprirá. achei bonito, porém melancólico. vai ganhar umas bolas coloridas no natal.





batatas royal de jersey, colhidas naquela manhã e ainda com a lama fria das encostas de gorey cobrindo a casca. com manteiga e hortelã horas depois. yummy.





meu rododendro que quase morreu e que eu estou tentando recuperar. floriu bem e cedo esse ano, mas as flores duraram pouco. a maioria dos rododendros da vizinhança ainda está em flor. bummer.

passo a vida xingando o enorme carvalho plantado no meio do jardim (faz sombra demais, resseca a terra, enche a grama de folhas e galhos quebrados o ano inteiro, serve de morada para pombos cagões e esquilos que cavam buracos nos meus vasos de plantas) e o que faço? compro outro carvalho, é claro.



ok, essa é uma variedade anã (não vai crescer mais que metro e meio) e as folhas mudam de cor lindamente no outono. vamos ver.







"i like to look into other people's houses, i like to see inside."



passei uma tarde (em que deveria estar trabalhando) ouvindo e fazendo playlists com um amigo. é legal descobrir uma música excelente lançada muitos anos atrás e que teria feito parte da trilha sonora da sua vida se você soubesse que ela existia na época. é como recuperar uma parte desconhecida do seu passado, uma peça perdida que faltava no quebra cabeças e que você não sabia o que era, mas que de alguma forma se encaixa e faz com que a imagem inteira faça sentido.







está se tornando cada vez mais raro ter vontade de sair para conversar. há tempos sinto que boa parte das poucas pessoas com quem falo não quer ouvir o que eu tenho a dizer, me corta o tempo todo e o "papo" não passa de uma oportunidade para falar de si mesmo. tento encontrar brechas por onde começar a construir uma ponte mas esbarro no mais profundo desinteresse, breves silêncios seguidos de retomadas de monólogos e é quando a ficha cai. eu entrego os pontos num sorriso de monalisa cansada, desisto de tentar contribuir, faço perguntas aleatórias (em cujas respostas não estou realmente interessada, já que a conexão não se fez) a fim de evitar pausas desconfortáveis - mas não tenho vontade de procurá-los de novo, nem de conhecer pessoas novas.

eu sou uma boa ouvinte. e acredito que essa talvez seja uma qualidade rara, já que quase nunca retribuem. aceito que a razão por trás disso seja a minha chatice, especialmente quando não existe uma conexão natural. mas não é como se a obrigação de ouvir fosse só minha porque todo os outros têm uma vida social eletrizante; os assuntos que eles trazem para a roda como se fossem tesouros da conversação são apenas relatórios de atividades do fim de semana - e isso eu poderia fazer também, se me deixassem falar. e se realmente não há interesse em mim, se a criatura sabe que vai passar o tempo todo com cara de sono ou falando de si mesma, então por que me procurar? porque não apareceu algo melhor com que preencher o tempo e “qualquer coisa” é melhor do que nada?

nessas horas eu percebo que essas pessoas que parecem ter centenas de amigos não são especialmente fascinantes ou fascinadas. elas são só pouco seletivas, mesmo.

e eu tenho que aprender a me negar mais. há poucas almas no meu mundo cuja companhia às vezes consegue ser melhor do que a solidão e, já que seletividade é o meu forte, o que eu estou efetivamente fazendo é entediar gente que não faz diferença na minha vida e que não está interessada em mim apenas para poupá-las de uma sexta à noite em casa assistindo netflix.

tá na hora de deixar o povo botar esses seriados em dia.