Quinta-feira, Março 11, 2010

if this boat is sinking you'd steal the sea I'm in

Apesar de terem se tornado, de certa forma, "modinha de hipster", o fato é que eu adoro meias coloridas e estampadas. Ainda acho que ajuda ter atitude e pernas longilíneas para segurar o look (duas coisas que eu perdi faz tempo), mas não me impeço de sair por aí vestida de arco íris quando a vontade me acomete e o clima permite.

Das florais, a mais usável que tenho é essa, da Accessorize; já arrisquei uns passeios com ela e as pessoas não me pareceram muito chocadas ao me ver carregando o jardim nas pernas:



É claro que o fundo preto e a estampa miúda colaboram para a relativa discrição da peça. O mesmo não pode ser dito desde número colorido da Primark:



Haha, apavorante, não? Comprei pela estampa de lilacs e hortências, que eu adoro. Mas não, nunca saí de casa usando essas meias; talvez, depois que a dieta surtir efeito, eu tente. Ou talvez tente amanhã; imprevisibilidade e habilidade de mandar certas convenções às favas são duas das minhas poucas qualidades. Os sapatos de Minnie Mouse ganharam esses laçarotes amarelos (que são, na verdade, prendedores de cabelo) apenas para essa foto.

A marrom é básica, de certa forma; fica interessante combinada a roupas em tons outonais, como amarelo, laranja, verde escuro, vermelho... A azul eu uso para dar uma iluminada num look totalmente preto. Dificilmente usaria com sapatinhos vermelhos, como os da foto - mas até que o visual "fugi do jardim da infância" não ficou assim tão ridículo.



Yep, eu tenho um monte de sapatos vermelhos. Síndrome de Dorothy?



Motivada por um passeio num dos grupos mais legais do Flickr, resolvi fazer um novo "what's in my bag"; o último foi feito há dez meses e nunca repetido. Mas as tralhas na minha bolsa (bem como a bolsa em si) vivem mudando. Antes tarde do que nunca:



Da esquerda para a direita: garrafinha de líquido desinfetante com perfume citrus (porque não curto ambiente de "banheiro feminino" e também aquele secador de mãos irritante), escovinha de cabelo, atomizador de perfume, protetor labial, batom e gloss, óculos, iPhone, pó compacto, bolsinha rosa de moedas (rua da Alfândega, devo tê-la há mais de 10 anos), pacotinho de lenços de papel (sempre úteis; levaria lenços umedecidos, mas pesam muito), esmalte para retocar, porta Oyster card, bolsa de maquiagem (pequena demais e estava vazia...), latinha da Hello Kitty usada para guardar analgésicos, chaves, Guineto, o gnomo de estimação (que eu sempre levo comigo para fotografar e sempre esqueço), a inseparável caixinha de chicletes (vício), moleskine (o mesmo do ano passado), caneta, anel (?) , agenda, guarda chuva (by the way, como vocês chamam? Guarda sol? Sombrinha?), livro, outra mini agenda (daí se nota minha obsessão por cadernos) e carteira.

A bolsa é uma das minhas genéricas favoritas. Comprei em 2007 em Hannover, quando ainda morava lá Eu passava todo o dia na frente da loja de aviamentos e artigos para artesanato e ficava secando a bolsa na vitrine. Um dia criei coragem para entrar e perguntar o preço; esse tipo de pesquisa simples se tornava bastante complicada por eu não falar alemão. Depois de alguns minutos apontando coisas, fazendo mímica e tentando extrair algum inglês da vendedora chinesa, saí da loja com a missão cumprida e a bolsa nas mãos. Por ser grande, estruturada sem ser "dura" e ter vários bolsos internos e externos, desde então ela tem sido companhia constante em pequenas viagens ou quando quero levar a câmera e todas as lentes comigo. E custou apenas 20 euros. Perfect!



Viu? Cabe tudinho e ainda sobra espaço pra câmera e lentes.



E moças, o que não pode faltar na sua bolsa? Ou você é daquelas desapegadas que conseguem sair de casa sem carregar nada? Eu já fui assim, num passado distante. Sair pra dançar carregando bolsa? Sair sem nem mesmo saber para onde eu estava indo ou onde a noite ia acabar carregando bolsa? Pular em carrecerias de pickups pegando chuva por toda a orla da Zona Sul e chegar encharcada num churrasco no Recreio... carregando bolsa?? No way. Chave de casa e dinheiro eram as únicas preocupações e, com jeitinho, cabiam no bolso traseiro do jeans (enrolados dentro de um saquinho plástico; aprendi a lição depois que meu dinheiro molhou todo naquela aventura na chuva até o Recreio). Hoje em dia eu nem uso mais jeans - eles já não ficam muito bem em mim. Mas bolsas ficam bem em todo mundo. E é por isso que meu coração é delas.

E agora randomicidades, porque eu não estou muito bem (mãe doente, pai recém operado, computador à beira da morte, saco cheio de Jersey e vontade de ir beber chopp com a minha amada ralé na Baixada Fluminense) e as imagens me poupam de falar (muito).



Jantar altamente protéico (e very Atkins): cogumelos, salsichas merguez (essa da foto na wikipedia parece cocô de gente, não?), ovos mexidos e tomate grelhado. Parece feio porque a foto não foi estilizada, mas as aparências enganam; estavam deliciosas.





Eu não gosto de usar os sabonetinhos Roger & Gallet que vêm dentro de caixinhas plásticas (que eu depois reutilizo para guardar tralhas). Mas outro dia eu me descobri totalmente sem sabonete em casa e, para não ter que tomar banho de shampoo (já fiz isso antes; não-bom) abri esse aí em cima. Fiquei cheirando a magnólia o dia todo.


Anel da Primark que comprei num brechó virtual do livejournal. Uma libra e tenho dedos floridos antecipando a primavera.


Carnaval fora de época, alguém?



Cappuccino + banofee pie = bliss.



Tecidinhos comprados numa charity shop. Uma libra pelo lote - o que vou fazer com eles, não sei. O começo de um quilt, talvez? Aceito sugestões. :)


E por falar em bolsas enormes, preciso dessas na minha vida:


Pelo que entendi você escolhe o modelo e o tipo de estampa (a menos quando ela já está estampada); todas as bolsas são vintage. Não são baratinhas, mas pela qualidade e originalidade certamente valem o investimento. Não consigo pensar em coisa pior do que bolsinha minúscula onde só cabem chave, celular e batom? Meu kit básico inclui uma DSLR, um livro, guarda-chuvas (nunca saio de casa sem), bolsa de maquiagem (mesmo que eu não vá usar) e, no inverno, par de luvas e um gorro.

Nunca gostei muito das coisas da Lulu Guiness, mas essa coleção de primavera inspirada no mercado de flores de Columbia Road está linda.




Bonitinhos também os porta eletrônicos em forma de bichinhos coloridos (e à prova d'água) da Wiggle Tiggy. Tem para câmera digital, iPod, iPhone, PSP, Nintendo DS e todo o resto; eles mandam para qualquer lugar e o shipping não é caro. Como eu tenho dez anos, fiquei tentada a adquirir esse monstrinho verdolengo:


Não gostou desse modelo? Que tal os cozies da Yummy Pocket? Tem tanta coisa adorável que foi impossível escolher um só:

A londrina Sarah decidiu dar um chute no mundinho corporativo e no seu emprego de nove às cinco e se dedicou a lidar com o que ela realmente gosta: tralhas. Rata de brechó e lojas de coisas usadas, ela tem um bom olho pra garimpar peças diferentes (de mobília, vestuário, decoração e coisas tão enlouquecidas que não cabem em categoria alguma) e usa uma parede da sua casa como vitrine; as peças são arrumadas, fotografadas e expostas no site (ela também vende em casa e você pode ver a parede ao vivo se estiver pelos lados de Notting Hill).



Tudo na parede está à venda (menos o que já foi vendido, claro) e, segundo ela, "nada na casa é sagrado", podendo ir parar na parede-vitrine a qualquer momento. Desapego é isso aí.



E aí vai o mix de sexta; não necessariamente o que alguém escolheria para ouvir numa véspera de fim-de-semana, mas complementa bem o mood "fundo do poço" que domina por aqui. Domingo é o dia das mães aqui na Inglaterra (por algum motivo diferente do resto do mundo, que celebra a data em maio), e vamos chamar a sogra para almoçar. Ainda não pensei num presente, mas o fato é que ela é difícil de presentear e, quando não gosta, diz na cara (ah, a sutileza finlandesa...). Bem, pelo menos vai haver bolo; não tive muita sorte com os biscoitos, mas me garanto no meu lemon drizzle cake. \o/

Bom weekend para vocês, peoples. :)

to the lighthouse - moi caprice

Sexta-feira, Março 05, 2010

Just tea for two, and two for tea.

Outro dia me perguntaram a respeito de chá na formspring; deve-se deixar a água ferver ou não? Francamente, antes de morar aqui a minha resposta teria sido "na verdade nem se preocupe em colocar a chaleira no fogo; chá é uma porcaria". Acho que a raiz do meu asco pela bebida só pode ser a minha mãe, viciada em receitas tão apetitosas como "folhas de louro com casca de cebola". Urgh. Fora isso, chá preto (acompanhado de biscoitos de água e sal) era o que costumavam me fazer beber depois de mais uma daquelas crise de disenteria típicas da infância. Ou seja, acabei associando chá com gostos e sensações desagradáveis. Fora que é hábito no Brasil ferver as folhas juntamente com a água, o que acaba "cozinhando" o chá e deixando a bebida com um gosto ácido insuportável.

Aqui nem sempre é possível encontrar café de boa qualidade; nos grandes supermercados sim, mas nem sempre temos um à mão - ou vontade de ir até lá. Então, depois de alguma relutância, acabei experimentando alguns chás. Já bebo, mas ainda não sou 100% fã do famoso "english breakfast tea" (tradicionalmente forte, açucarado e servido com leite), mas ele é infinitamente menos pior do que o insuportável Earl Grey (que muita gente adora). Darjeeling é uma variedade que, por ter sabor delicado, deve ser servida sem leite. Mas foi pelas infusões de frutas e ervas que eu realmente tomei gosto. Ainda não consigo beber chá acompanhado de frituras, como é costume por aqui no café da manhã. Chá, pra mim, só com bolo ou biscoito - com bacon frito nem morta.



mas acompanhado de uns livrinhos, beleza.

A Nanu Nana é uma loja de tralhas que a gente encontra em praticamente todo lugar na Alemanha. Muita gente não gosta nem de passar na porta, por considerar tudo ali como sendo de "gosto duvidoso". Mas coisas de gosto duvidoso são a minha paixão. Um pouco de cafonice colorida, um kitsch bem aplicado, definitivamente colaboram para alegrar o dia. E é claro que esse "tea for one" coberto de cupidos e rosas nem um pouco discretos veio de lá.



Admito que no Rio eu nunca tomava chá. Nem vou culpar o calor carioca, porque eu bebia litros de café todos os dias; simplesmente o chá nunca foi hábito. Nunca havia me deparado antes com essa pequena invenção, onde a infusão é feita no pequeno bule, e nele cabe a quantidade necessária para apenas uma pesoa; daí o nome "chá para um".



Depois de pronto, é só servir; você pode deixar o bule repousando sobre a xícara, porque isso mantém aquecido o resto do chá dentro no bule e também o chá que estiver na xícara. Result!



E, como eu disse antes, nada melhor que biscoitinhos duros, porém perfeitamente açucarados, para acompanhar um chá quentinho quando a temperatura cai abaixo dos cinco graus (mais precisamente 3.5ºC ontem à noite).



O chá da foto é o de frutas vermelhas + elderflower da Twinings.

Mais uma curiosidade? Aqui na Inglaterra, quando ainda se costumava dividir os seres humanos por classe social (vamos fingir, para fins práticos, que não se faz mais isso, okay?), era considerado extremamente "working class" - ou seja, coisa de pobre - pôr o leite na xícara antes do chá. Quando o chá foi introduzido como opção de bebida para os trabalhadores (a água pura era suja e o álcool prejudicava o trabalho), eles foram ensinados a pôr o leite primeiro e depois o chá. Isso porque os mais pobres não tinham louça de boa qualidade e usavam canecas de barro, que rachavam em contato com a água fervendo. O leite, então, servia para esfriar a água assim que ela era despejada na caneca, diminuindo o impacto e evitando problemas. As classes mais abastadas podiam se dar ao luxo de importar porcelana (que não era ainda produzida na Grã Bretanha) e tomar seu chá puro, com apenas algumas gotinhas de limão. Por isso, até hoje o chá forte e com leite é chamado de "chá de pedreiro", enquanto as ladies who lunch que se acotovelam nos salões de chá da Fortnum & Mason, Harrods e Claridge's só pedem limão. How dainty, my dear...

E você, meu amigo, toma chá? Qual o seu favorito? Se é expatriado brasileiro em terras britânicas, já se acostumou com o bagulho ou continua revirando prateleiras de lojinha brazuca em busca do seu pacotinho amigo de café Pilão? Conta aí. :)

Também recebi meus dois esmaltes da última coleção limitada da Chanel - yay!



Here they are! O Inattendu não ia, a princípio, entrar na dança; mas a amiga que os comprou para mim em Londres viu, gostou da cor e, sabendo que o estoque estava acabando rápido, resolveu inclui-lo no pacote. Thanks, dear Juliet!



Ele é um nude bem delicado, de subtonalidade rosada. Levemente parecido com o Rose Satin, só que bem mais bege. O Particulière é super pop e dispensa maiores apresentações; achei a cor deliciosa, um marrom acinzentado discreto e chique.



Perdoem as unhas borradas, mas esse é o meu método de pintá-las: lambuzo tudo e, depois de secar, lavo as mãos com água morna; o esmalte que estava na pele sai todinho. Se você algum dia me encontrar fazendo as unhas num salão, pode olhar de novo - não sou eu. Nada contra quem goste, mas eu tenho uma certa preguiça do ambiente de salão, papo de manicure, além de terror de ter minha pele futucada por pessoas que não partilham das mesmas terminações nervosas que eu. Sorry but no, thanks. Prefiro gastar o dinheiro com esmaltes.



Quem sugerir que parece cocô toma porrada - grata.

O Particulière parece levemente mais marrom nessa foto do que é ao vivo - onde se desloca um pouco mais em direção aos domínios do cinza. Definitivamente é uma cor "unha de madame" e eu não sei se o indicaria para meninas muito jovens.

Comparei o Inattendu com outras cores de esmaltes que eu tinha rolando por aqui e que achei que seriam parecidas: Givenchy em Nude Beige, Nails inc. em Bare, e os bons e velhos Doce de Leite e Misturinha, da Colorama:



Resultado: os da Colorama, apesar de estarem também na família do bege, não têm nada a ver; a subtonalidade é definitivamente mais amarelada. O Givenchy é notadamente mais voltado para o rosa, enquanto que o Nails inc., apesar de mais claro, é a cor mais aproximada.



Não pintei as unhas para comparar porque já tinha me jogado no Particulière. :) Mais taí um mugshot dos dois - o resto é decidir qual das cores faz mais o seu estilo, já que a versão da Nails inc. não é tão mais barata assim do que o esmalte da Chanel.

E aqui um pequeno "group shot" familiar (faltando o Blue Satin e o Rouge Noir, que emprestei para uma amiga em novembro do ano passado... Rola uma devolução ou devo considerá-los como perdidos?)



Amen, Coco.


Pronto, pronto; acabou o Papo Esmalte do mês.

Também veio junto com os esmaltes a edição nº10 da Lula Magazine. Continua ainda uma revista esteticamente bonita, mas essa edição de aniversário deixou um pouco a desejar em termos de conteúdo, na minha opinião. Continuo comprando mais por hábito (que além de tudo é um hábito chato, já que tenho que reservar minha cópia com um jornaleiro indiano em Barbican, porque essas coisas não chegam a Jersey-Roça). Eu ia postar mais fotos, mas certamente a turminha adoradora da tríade sagrada "cupcake+macarons+zooey deschanel" já terá se encarregado de destrinchar a revista inteira na internet, já que elas se acham o protótipo da Lula Girl. Whatever. Tô começando a ficar com sono desses hypes, e quando eu fechar o olho já era. Paro de comprar a revista e transformo isso aqui num site de resenhas de CDs de heavy metal, filmes pornográficos ou artigos sobre feminismo - ops, feminismo não, porque já está virando hype também. *sigh*

Mas enfim. A revista tá linda para quem gosta de meias calças listradas e coloridas (eu!).





Polka dots (eu!).



Em detalhes ou... bem, por todo o lado.



Vestidinhos diáfanos (eu!).



Shelley Duvall (bom, eu não - mas adoro essa foto e gostei da entrevista).



Citaçõezinhas pseudo-românticas (ok, vá lá...).



Agora vou ali terminar de ler a revista. Com um bom copo de CAFÉ numa xícara de macho (erm... quase), porque esse papo de chazinho, esmaltinho e whimsy girls despertou o motorista de ônibus que dorme dentro de mim.



E aqui vai a fitinha cassete virtual da semana; tem Muse, Morrissey e até Brigitte Bardot - enjoy!

Tem mais, mas acabou.

Tea for Two - Sarah Vaughan