Au revoir, enfants

Babies, indo pra Cape Cold now. Volto ano que vem (ou seja, em menos de 15 horas, hahaha).
Sério: os doidos que vão comigo devem voltar no domingo, mas como eu detesto praia e vou só pra beber em quiosque de orla e observar o movimento, devo me cansar disso lá pela sexta feira, mesmo. Mas não prometo nada. =)

Devidamente roubada e adaptada da F.:

+ o que você fez em 2003 que nunca fez antes?
hm... sei lá. Escolhi a cor da parede do meu quarto.

+ Você manteve as resoluções de ano novo de 2003, e fará novas para 2004?
Eu nunca faço isso. Perda de tempo.

+ Alguma pessoa próxima teve um bebê?
Acho que não.

+ Alguma pessoa próxima morreu?
Sim, sim.

+ Que lugares você visitou?
Bem poucos. Trabalhando, fica difícil. E eu estava gastando muito dinheiro com coisas idiotas. Em 2004, se eu continuar no trabalho, continuarei guardando grana, mas para coisas LEGAIS.

+ O que você gostaria de ter em 2004 que faltou em 2003?
Hm... qual o limite de caracteres dos posts?

+ Que data de 2003 vai ficar marcada em sua lembrança?
não foi um acontecimento legal.

+ Qual sua maior realização no ano?
Eu comprei uma coisa que eu queria muito. E aprendi a ser menos babaca - um pouco menos. E conheci gente nova legal. E acho que me livrei dos carmas de gente filhadaputa da internete.

+ Qual foi o seu maior fracasso?
Emocionalmente falando, o ano foi meio pífio.

+ Você teve alguma doença?
Sim, mas tudo se resolveu bem. Nem doenças me aguentam por muito tempo.

+ Qual foi a melhor coisa que você comprou?
apesar de tudo, minha câmera.

+ Que comportamento mereceu comemoração?
o meu.

+ Que comportamento foi deprimente?
o resto do mundo cabe numa só resposta?

+ Pra onde foi a maior parte do seu dinheiro?
manutenção desse computador maldito.

+ O que te deixou realmente excitado:
fazer fotos legais e ouvir muita música boa.

+ que canções sempre vão te lembrar de 2003?
sei lá, eu só ouço flashback, mesmo... Mas ok, acho que esse foi o ano da Kelly Key.

+ Comparando-se com essa época, no ano passado, você está:
I. mais feliz ou mais triste? acho que na média.
II. mais magro ou mais gordo? definitivamente mais gorda.
III. mais rico ou mais pobre? mais rica, eeeeeee.

+ O que você queria ter feito mais?
fotos e viagens.

+ O que você queria ter feito menos?
gastos inúteis.

+ Como vai passar o reveillon?
na praia de Cabo Frio.

+ você se apaixonou em 2003?
felizmente, não.

+ Quantos ficantes?
Acho que passei da fase de achar graça em ficadas. Se é pra chifrar meu namorado, que seja "de com força" e em grande estilo, e não com algum beócio noturno para quem eu serei mais um número na lista de beijadas da noite.

+ Qual foi seu programa de TV favorito?
TV Fama, eeeeeee!!!
Nah, mentira. Nada digno de nota na TV, really.

+ Você odeia alguém hoje que não odiava há um ano?
Hm... Acho que felizmente, não. Meus ódios se mantiveram constantes, o que já pode ser considerado um avanço.

+ Você gosta de alguém hoje que odiava há um ano?
Sim, sim - vejam como eu estou "crescendo" como pessoa, não passei a odiar ninguém, e ainda tolero quem odiava!

+ Qual foi o melhor livro que você leu?
Não dá pra citar aqui, embora não seja pornô, haha. Aliás, foi o único que li, mas me ajudou a renovar idéias. Gostei.

+ Qual foi a sua maior descoberta musical?
Aprendi a parar de renegar meus gostos estranhos.

+ O que você quis e conseguiu?
Uma câmera digital.

+ O que você quis e não conseguiu?
Um propósito para a minha vida.

+ O que você fez no seu aniversário?
Foi um aniversário triste...

+ O que teria feito o seu ano infinitamente melhor?
Mais dinheiro.

+ Como descreveria seu modo de se vestir em 2003?
Roupas feitas em casa, sapatos coloridos, roupas pretas, jeans largos, vestidinhos, acessórios malucos, enfim - o de sempre.

+ O que manteve a sua sanidade?
O meu bom senso.

+ Qual celebridade você mais admirou?
Não ligo para celebrities.

+ Qual episódio da política que te deixou mais puto?
Nem a pau vou lembrar do que quer que seja relativo a política, agora.

+ De quem sentiu falta?
Acho que de ninguém, de verdade. Estou conseguindo destruir vínculos humanos.

+ Quem foi a pessoa mais legal que você conheceu?
Pessoas geralmente não são legais. Ahn, ok: me dou por feliz por ter mantido as velhas pessoas legais.

+ Diga uma lição valorosa que aprendeu em 2003:
Viver a vida. Ela pode ser tirada de você antes que perceba.

Repetindo o que eu disse lá: Bebam muito, comam muito, façam muito sexo, porque viver é o momento PRESENTE - e não ficar remoendo o passado OU fazendo resoluções de fim-de-ano que talvez você nem tenha tempo de cumprir. A vida é AGORA. Vejo vocês ano que vem.

Bizarro, bizarro.

Devo estar grávida. Acabei de engolir um pote de pêssegos em calda com batata palha. E descobri que creme de leite light parece vômito de gato. Odeio coisas dáieti. Melhor passar a alface com nabo cozido OU assumir a obesidade. Eu prefiro a segunda opção.

E grupos de discussão podem ser uma coisa divertida (pelo menos mais que chats e Ircs):

lucci: puta paciencia. eu ja teria mandado ele tomar no cu.
eu: não é uma boa idéia. vai que ele aceita a sugestão, vai de fato tomar na bunda, fotografa tudo com a webcam e decide postar aqui??
gude: aiaiai, nao de idéias
guilherme: Deus tenha piedade de nós!!!!
smartt: Deus não existe. Eis a prova:

(segue-se post do Smartt introduzindo o respectivo numa região pouco exposta de sua anatomia)

O Smartt é um personagem essencial a qualquer newsgroup. Escroto, boca suja, punheteiro, viciado em pornografia de quinta e DVDs de filmes Z, agride verbalmente a deus e o mundo, mas todos sentem falta quando ele some e pára de postar sua cota de 500 fotos de hard porn diárias. Agora ele comprou uma webcam (fez até um fotolog!!) e passa o dia postando fotos dos seus DVDs e VHS, fotos do seu pai - que ora parece estar vivo, ora parece estar empalhado - e também do seu membro hirsuto camuflado nas sombras. Yeah.

Ele postou fotos minhas num fórum pornô (com o singelo título Brazilian Biatch wants gringo dicks) e graças a isso eu recebi um "convite" dessa "agência de modelo" aqui (na verdade uma fábrica de vadias virtuais). Eu estou rindo até agora. Mas vou ter que declinar o convite.

I love you, you pay my rent

Essa música dos Pet Shop Boys é fofa. E eu preciso de uma versão VELHA do Winamp. A atual é muito pesada. Any clue?

E segundo isso eu já tenho direito ao seguro desemprego. YAY, a idéia da demissão iminente já não é mais tão aterradora. Sinceridade? Nunca foi. Mas é melhor saber que terei três meses de sossego, COM Velox. =)

Last, but not least, o caminhão de beijo na bunda de hoje vai pra ela, que FEZ e me mandou o cartão mais lindo ever... Aliás, minto, os cartões (e todo o tipo de montagem/colagem) que ela faz são fodas, cada um mais lindo que o outro... Fora as palavras escolhidas a dedo pra ilustrar nossas vidinhas. My talented sistah:

Glitter is all WE need:


De brinde esses über cute post its japoneses:


Close neles, que são fofos:


E a resposta é sim, eu sinto falta das nossas tardes sentadas na concha acústica da UERJ picando papel colorido como quem rasga dinheiro e entupindo tudo dentro de hand made envelopinhos chiques. A gente só devia crescer se quisesse, por escolha própria - e não ser obrigado. Mas nesse caso depende de nós pisar no freio, olhar pra trás e dar marcha a ré. Sempre que isso for preciso.

Needless to say, you're a REAL sistah, baby.
Vamos beber horrores em january, quando F. estiver in rio.

Too many humans.

too many fucking humans
you breed like rats
And you are no fucking better


O nome da banda é No Trend.

Resoluções de ano-novo: pintar meu cabelo de preto e fazer mechas roxas, inaugurar mais duas tatoos e por fim uma plástica no nariz. Só espero ter grana pra tudo isso.

E hoje tem a pizza de níver da N. Sinceridade? Nem um pouco a fim de ir. Primeiro porque é longe, depois por ser à noite (a volta pra casa promete stress), depois porque vai gente que eu preferia poder evitar e por fim porque eu comi tanto no Natal que estou sem fome até junho de 2004. O problema é que eu gosto das meninas. Ok, me going.










Noel, are you drunk?

Cumprida a promessa: comi e bebi tudo o que havia disponível e adormeci antes da fatídica meia noite. "Esqueci" de ver o especial de Natal da Xuxa, não tive a "sorte" de assistir a nenhum filme natalino piegas americano, não montei árvore de natal, não acendi luzinha alguma, economizei energia e hipocrisia e não desejei feliz natal. Mas beber vinho e comer farofa é legal.

Eu tinha convites para passar a Noite Infeliz em algumas casas. Mas assim que a porta do meu quarto se tranca atrás de mim eu sinto que não há nenhum outro lugar no mundo onde eu queira de verdade estar.



- Será que um dia ainda vamos rir disso tudo?
- Nós TEMOS que rir disso tudo, algum dia.

Eu queria que você entendesse que "rir disso tudo", pra mim, não vai ser quando (e se) eu um dia me achar sentada numa pilha de notas de cem dólares, ou fizer parte do cenário daquela foto de calendário que te mandei - um banheiro com paredes de vidro no alto de uma cobertura em NY. Naquele dia eu fiquei triste. Não por saber que eu talvez nunca venha a estar num lugar como aquele, mergulhada em espuma cheirosa às seis da tarde vendo as luzes de Manhattan se acenderem. E sim porque houve uma vez em que um banho humilde já me despertou essa mesma sensação. Que talvez eu nunca mais venha a sentir novamente, com ou sem dinheiro.

Eu era bem pequena, tinha acabado de me mudar de uma casa para outra (ainda em construção) e, sentada dentro de uma bacia de alumínio no chão do que viria a ser nossa cozinha, observava a noite cair através da porta aberta, enquanto minha mãe despejava água quentinha sobre a minha cabeça. Eu estava ansiosa pelo fim do banho porque já podia ouvir a musiquinha de abertura do meu desenho animado preferido na TV.

Eu estava tão feliz, tudo era diferente, divertido e excitante, desde o fato de não termos ainda um banheiro propriamente dito até aquele monte de tábuas empilhadas pelos cantos e o cheiro de cimento fresco (eu sempre gostei de cheiro de cimento fresco) e a poeira eternamente em suspensão que grudava nas coisas e pessoas. E ao mesmo tempo tudo era tão familiar, o prazer de sentir a água quente escorrer pelas costas arrepiadas de frio, a voz da minha mãe reclamando da bagunça e da demora na obra... E eu estava orgulhosa de mim mesma, porque percebi que havia aprendido a cantar a musiquinha do desenho, e depois do banho ia ter coca cola e sanduíche de pão com ovo pra acompanhar o episódio.

Eu não preciso de nada pra ser feliz além de recuperar essa sensação de plenitude dentro da minha própria pele. Às vezes acho que nada que venha de fora terá, nunca mais, o dom de me fazer sentir exatamente assim. E, se estiver aqui dentro pode ser que tenha morrido afogado nas lágrimas ou sufocado embaixo de todas as coisas que tive que engolir pra continuar vivendo.

Happy.

E então hoje eu passei bem longe daquele ponto-de-ônibus-maldito que me carrega direto pra onde satanás perdeu as botas e acabou ficando. Ou seja, não fui trabalhar. Tivemos festinha do pijama ontem, dancei a madrugada inteira e o meu melhor amigo baixou centenas de arquivos de musiquinha de karaokê e eu e ele e a T. e a S. cantamos all night long, e eu descobri que a minha voz cantando dancing queen do abba fica até ok e por isso decidi que terei uma banda cover do abba amanhã.


E hoje eu e ele fomos à padaria de bicicleta comprar coisas e na volta a chuva despencou, quase sádica de tão inesperada e voltamos pra casa rindo, tentando em vão proteger as coisas dentro das sacolas (que chegaram encharcadas de água, os pães virando papa) e descobrimos que descer ladeira de bicicleta na chuva é a melhor coisa ever, melhor até que pão crocante e quentinho com manteiga.

E eu cheguei em casa com o cabelo grudado na cara e fizemos mil e quinhentas fotos que ele implorou que eu não postasse em fotolog nenhum, nunca, porque seriam só nossas pra toda a eternidade e riríamos dela até que as deletássemos - porque nada é eterno, enfim. Porque sim, elas ficaram horríveis, estava escuro e o flash estraga tudo mas não, elas ficaram lindas porque a S. disse que eu tenho cabeça de alienígena mas olhos de rainha egípcia, e então eu sorri e ele fotografou a felicidade. Assim mesmo, com flash e no escuro. E eu vi que a felicidade até que é jeitosinha.

E agora eles estão na cozinha gritando e cantando dance music dos anos 90 enquanto fazem rabanada e pudim de leite. Uma festa pra mim, porque eu estava triste e porque não indo trabalhar hoje eu perdi o happy hour da empresa. No remorse. Eu não queria mesmo ser um peixe fora d'água lá se o meu cardume está aqui.

Comi um prato enorme de nuggets com batata frita e arroz papa e caldinho de feijão e fiquei tonta porque meu corpo estranhou. Me pesei na balança da farmácia ao lado da padaria e ela mostrou dois quilos e 300 gramas a menos. Estou com uma vontade incrível de beber vinho branco gelado mas ele não deixa porque sabe que vou passar mal. Mas me trafica copinhos de amaretto por debaixo da mesa and this is why he's my friend.

E amanhã eu DEVO estar em casa. Tenho tanta coisa para fazer lá que minha cabeça dói. Mas tem também as estrelinhas no teto do quarto, e eu sei que elas sentem a minha falta.

Eu nem sei por que escrever tudo isso. Eu nem estou tão feliz assim, estou talvez exagerando artificialmente uma sensação que talvez seja só alívio. Mas ainda assim essa mentira benigna que estou contando a mim mesma é melhor do que Prozac. E agora eu vou lá na cozinha sentar na mesa e amá-los com os olhos enquanto eles cumprem, aos risos e sem cobranças, a boa ação do ano: me fazer sentir um pouquinho só menos "unlovable".

Almoço de sábado.

C., R. e P. almoçando aqui e me enchendo o saco. Eu me tranco e quero ficar sozinha e então elas jogam copos de plástico na porta do meu quarto. Às vezes acho que seria mais fácil que TODOS os meus amigos fossem nerds virtuais a 500km de mim. Só nos encontraríamos online e eu poderia então bloqueá-los no MSN e só dar "oi" quando quisesse.

"Nowhere Fast" me resumiu tão bem: "and when i'm lying in my bed, i think about life and I think about death, and neither one particularly appeals to me". É isso. Se eu estiver viva ou morta amanhã, tanto faz. E, como tanto faz, resolvi que ontem eu não ia me dar ao trabalho. Too lazy, eu já disse por aqui antes.

O mundo é tão previsível... E não desiste mesmo de dar na minha cara.
Mas, como diria a Poliana, "tudo bem!". Aquele tudo bem com uma gotinha de sangue caindo.






December 11, 2003

Eu não sou uma boa menina. Subi quase uma hora de morro rodopiando por entre becos e pulando poças de esgoto para chegar ao terreiro, digo, ao galpão do Salgueiro para um autêntico baile fânque carioca. Foi preciso guia local para que a gente achasse a bagaça.
Confesso que dancei e que ri. Alguns funks mais proibidões não tocam nas rádios. Mas tocam lá. E as letras são de um brilhantismo coloquial comovente. E achei bastante interessante, do ponto de vista sociológico, ter me deparado com inúmeros cidadãos sem camisa, dançando com AR-15 pendurados nos ombros. Chato só ter tomado uma coronhada, de bobeira, coisa assim "sem querer", acidental - mas doeu e abriu uma pequenina brecha na minha testa.

MATADOR: Aí, foi mal...
Eu: Tem erro não, foi acidente.
MATADOR: É, tá vendo?...

E eu ia falar O QUÊ?

Bebi gummy de váááários sabores, comi churrasquinho (linguiça é mais seguro, o gosto é inconfundível e o risco de o churrasco "miar" é menor), caipivódega (pra mim aquilo era cachaça dentro de uma garrafa de Smirnoff, mas qual é a diferença, mesmo?), ouvi elogios à minha bunda e ao meu cabelo, fui chamada de "sereia", "princesa", "neném", e umas outras coisas que a) eu não entendi ou b) prefiro fingir que não entendi. Não dei beijo na boca, though.

Amanhã eu não sei se volto lá, ou se vamos pra Vila Mimosa beber e ver o movimento ou se vou com o J. prum baile funk de rua no subúrbio onde ele será DJ. Os traficantes pagam 200 pratas pra quem fizer o serviço até três, quatro da manhã. Pode rolar tiroteiro? É lógico. Aliás, estranho se não rolar. Mas do jeito que o Rio anda, podemos ver nascer tiroteios até dentro de Salão do Reino das Testemunhas de Jeová.

E, sem querer desmerecer a crença alheia, o baile funk é bem mais legal.

Fun in the sun.

Taí algums fotos do Rio Water Planet - é um parque aquático, pra quem não sabe.
E as fotos estão escrotas porque foram redimensionadas via web.

J.(de preto) e N. no ônibus.


N. fazendo palhaçada (e usando os meus óculos)


R.


No estacionamento.


Fun, fun, fun.



Vai encarar?


L., M. e T. - Men In Black.


Vista:


Cenário de gravação do programa FAMA:


P., S. e R.

Rainy Sundays.

Fui ao shopping com as meninas. O antro das coroas dondocas caducas cheias de delineador e sombra verde nas pálpebras pelancudas. Eles fazem cara feia quando a gente esbarra nelas sem querer. Talvez elas acreditem que os esbarrões as farão morrer mais cedo. Se for assim, preocupação legítima.

Adquiri tralhas . Sem surtos consumistas, mas certas coisas não podem ser deixadas nas prateleiras. Enchi algumas sacolas e parcelei minhas alegrias efêmeras em cinco vezes sem juros no cartão Renner. Eu não gosto mais de Natal, então não vou comemorar. Isso inclui não comprar presentes de Natal. Algumas pessoas merecem? Sim, algumas pessoas merecem. Mas não vão ganhar. Eu não quero dar. Eu gosto delas, e meu afeto sincero devia valer mais do que um kit perfume + sabonete ó-que-fofo. Afinal, quantas vezes eu ganhei presentes que não foram nada sinceros ou quantas vezes me decepcionei com quem deu? Presentes não significam nada. Observem as atitudes de quem os cercam. E duas coisas: 1) valorizem amigos de verdade (se é que teremos algum nessa vida) e 2) comprem seus próprios presentes. É mais legal e não tem risco de errar.

E voei pra casa achando que veria o show da turnê nova da Madonna, mas Band é Band e eu me decepcionei ao perceber que eles fizeram foi uma colagem de shows de turnês antigas (pior: apresentada por uma cafoníssima Wanessa Camargo com o cabelo tingido de loiro dourado) ao invés de exibir a prometida "Drowned World".

Tudo bem. Eles reprisaram principalmente a turnê do True Blue - que junto com a "Blonde Ambition" é minha apresentação favorita da Maddie... A "Virgin Tour" de 1985 é bem fraca, apesar de eu curtir essa fase "early days". A "Girlie Tour" eu assisti aqui no Rio... Vi a Madonna e dancei pra caralho e fiquei rouca e quase fui pisoteada. A True Blue tem a Madonna com a voz e o corpo e o mito no auge. Não era playback e o vocal dela está com uma força e estabilidade inacreditáveis (nada dos "miados" da Virgin Tour ou das leves desafinadas da Blonde Ambition - nesse caso perdoáveis, dado o esforço aeróbico intenso que ela exigiu).

E semana que vem tem especial de fim de ano na Band com Legião Urbana. VIVA THE 80's!!!!
E eu ia falar sobre uma coisa séria, mas hoje não estou a fim, não. Passa amanhã.

What. The. Frick?

Eu sempre me pergunto o seguinte: o que caralhos seria "demonstração de força", afinal? Suportar ou desafiar? Cada vez mais a primeira alternativa me lembra acomodação ao invés de coragem.

Mas eu não vou me atirar do vão central da ponte Rio-Niterói. Até porque morrer afogada na baía de Guanabara não é a minha idéia de falecimento perfeito. Os coliformes fecais que infestam aquelas águas vão me apontar dedos e rir da minha desgraça. Fodam-se os coliformes - eu vou viver.

Só que eu vou aloprar. Já que pelos meios corretos, ortodoxos, legais e aprovados pela TFP e Igreja Católica não está dando certo, EU VOU ALOPRAR.

Aguardem cenas dos próximos capítulos.

Rainy days and mondays.

Rainy days are the best.
Claro, nem tão belos quando se está a fim de voltar pra casa numa quarta feira calorenta, desaba aquele aguaceiro do cacete e você lá, sem guarda chuva, vestindo roupas pesadas que empapam e pesam mais quando molhadas.

Mas não foi o que aconteceu hoje. Podia ter sido, mas eu tive alguma sorte e quando a chuva desabou eu já estava dentro do ônibus; e antes que eu descesse ela serenou. Obrigada, chuva, por me proteger e por me deixar assistir de camarote (consegui voltar pra casa sentada, e na janela) o espetáculo do "céu noturno" às quatro e meia da tarde, das vitoriosas nuvens de chumbo se espalhando num céu que resistiu enquanto pôde, do estrondo encantador dos trovões se aproximando, e é claro, os raios. Eu amo relâmpagos. Só a palavra já é linda. E hoje à tarde eles caíram grossos e fartos, atraídos pelos pára-raios das margens da Av. Brasil, transformando o céu num enorme letreito de neon piscante. Lindo. Tem gente que bate palmas pra pôr-do-sol na praia. Eu queria aplaudir tempestades de pé.

E as pessoas correndo pra se proteger da chuva? Acho engraçado. Até porque elas estão sem sombrinha, mesmo. Comecei a ponderar o que se perde, enfim, chegando-se em casa ensopado. Água não mata. Por que temos tanto medo? O problema é que a necessidade de se fazer as coisas seguindo o padrão mata as vontades. E então a gente prefere não estragar o penteado ou não molhar a camisa nova do que se permitir sentir a carícia rude que os pingos duros de uma chuva forte fazem na pele. Saudade de um bom "rain shower" hoje, ao ver o povo buscando marquises enquanto um mendigo repousava sereno dentro de uma poça d´água. Só os mendigos são felizes. Eles mandaram as convenções sociais à merda e sentam-se à beira do caminho rindo da cara do sistema.

Quis muito me enfiar debaixo de um toró. Mas será que ainda consigo ligar o dane-se e não me preocupar com a roupa, com os livros dentro da bolsa, com o tênis que pode descolar a sola na água?

Tomara que sim.

Quando eu era criança, só tinha medo dos raios por causa daquelas crendices de tia que eu ouvia dos adultos - aquelas histórias horríveis de raios matando gente, o "não fale ao telefone enquanto estiver chovendo", "não fique perto de espelhos, nem debaixo de árvores", "não segure nada de metal". Um medinho gostoso, um micro risco calculado, que fazia o meu coração acelerar quando o céu se iluminava. Eu vou saber, depois do próximo banho de chuva, se eu finalmente virei adulta.

Tomara que não.

A hard day's night.

Tive uma noite fantástica. No mau sentido.

Às dez e meia desliguei o micro e fiquei feliz por estar indo dormir quase à hora recomendada para uma mocinha de família. Assim que meti a mão no interruptor da luz, prestes a me encaminhar para a cama, a porra do telefone toca. Eu já disse que odeio telefones umas mil e quinhentas vezes? Ainda assim, não terei dito o bastante: EU ODEIO TELEFONES. Eu devia ter feito o de sempre: ignorar o toque. Mas o toque do meu aparelho é estridente, sabe. E eu estava numas de ir dormir, sabe. E minha mãe já tava no décimo pesadelo e não ia acordar pra atender, sabe. Atendi. MAU SAPÃO.

- Alô... (voz de Lolla puta e pra pouquíssima conversa).
- Oi, sua mãe tá acordada??

WHAT THE FUCK, pensei eu.

- Dormindo. Liga amanhã.
- Olha... Sou eu, Margareth, a vizinha do prédio quase aqui em frente... Presta bem atenção no que eu vou te dizer...

AH PRONTO, pensei eu.

- Tem um cara querendo pular pra dentro da sua casa... Ele tá de calça jeans e blusa branca. Tá em pé em cima do muro da casa ao lado olhando pra dentro do quintal de vocês...
- Tá legal.

Eu sou sem noção assim mesmo. Apesar de estar ouvindo algo supostamente aterrorizante, tudo em que eu consegui pensar foi: "Ok, Margareth, agora eu preciso dormir" e "que ladrão mais arrumadinho... Tia, se ele for gato me avisa que eu vou lá abrir a porta, RÁ".

- Tá legal????
- Eu faço o quê? Chamo a polícia? - e eu disse isso sem o me-nor entusiasmo, só porque achei que deveria dizer. Acho que até mandei um bocejo nessa hora, by the way.

- Melhor subir no terraço e ver se ele realmente tem a intenção de invadir. Se você achar que sim, ligue pra polícia.

Ah, BOA. Primeiro ela achou que, tendo alguém praticamente dentro do meu quintal, eu seria louca a ponto de escancarar as portas da fortaleza pra checar whatever the fuck. E se ela achava mesmo que havia a possibilidade de ele não querer invadir, porque ligou para meter o terror? E porque cacetes não chamou ela mesma a polícia?

- Tá bom então. Valeu. Tchau.

Click. "Ah, agora eu vou dormir!", pensei eu. Mas a alegria durou pouco. A Margareth é amiga da minha mãe. Outra das desocupadas que vivem gravitando em torno dela. Amanhã, CERTEZA, ela vai tocar no assunto. E minha mãe vai me fritar em dendê porque eu não avisei. Imagina só. Um "mau elemento tentando invadir a residência", e eu fui dormir. Que absurdo!!!

Absurdo era o meu SONO. Mas tá bom, vamos à boa ação do dia. Acordei a velha: "mãe-a-vizinha-ligou-e-disse-que-tem-alguém-pulando-o-nosso-muro-boa-noite-me-acorde-às-seis".

- HEIN???????????

Porra. Fodeu, fodeu, fodeu.

Nos sessenta minutos que se seguiram a isso, ela surtou. Ligou para TODOS os telefones de amigas num raio de vinte quilômetros. Ficou recebendo ligações de volta de cada uma delas. Acendeu velas e orou. Me fez ficar de guardiã com os olhos grudados no visor da porta principal. Rastejou feito uma lagartixa pela casa, olhando por debaixo de frestas de portas. Fritou um ovo pra comer. Sequestrou um balde para o próprio quarto, com objetivos nada nobres. Eu bem que tentei ir pra minha querida cama durante o período. Não deu. O telefone tocava a cada dez segundos. A cada toque, uma desocupada diferente tocando O Terror Psicológico à la Hitchcock.

Finalmente, uma soneca de meia horinha. Da qual fui acordada à meia noite, com o ruído da porta da frente sendo escancarada. Bom, OU o ladrão conseguiu o que queria OU minha mãe pirou de vez e está abandonando o navio, feito os ratos. Abro a porta do meu quarto, esfregando os olhinhos no meu pijaminha de malha rosa listradinho e pantufa amarela e dou de cara com TRÊS POLICIAIS MILITARES, arma em punho, no meio da minha cozinha.

- A saída pro terraço é aqui, dona?

WHAT THE FUCK?!?!?!?!?!

Minha mãe apontou a subida, olhar grave. Nesse instante eu percebi que estava fodida e mal paga. Tranquei a porta do quarto, fui dormir e dormi mal; um sono povoado de pesadelos monstruosos. Acordei às seis e são os meus restos que digitam essa porcaria aqui, agora.

Eu acho que preciso ir dormir.
Por precaução, o telefone já está fora da tomada. Os DOIS.

Heart of glass.

Lalala, vidinha.
Eu não sei o que faço aqui.
E sei menos ainda o que vocês fazem aí.

Para mim, tudo é estranho, agora. Parece que estou presa dentro de uma garrafa de vidro, em exposição, e todos do lado de fora me observam. Mas não me sinto só, nem estranha, porque todos eles também estão dentro de garrafas. Alguns se dão conta disso, outros não.

Talvez os que não percebam sejam os mais felizes. Eles apontam dedos para os outros e rolam de rir. Só que o fato de parecerem felizes não quer dizer que de fato estejam. Tomara que estejam. Se é para ser prisioneiro de uma garrafa de vidro e desgraçadamente nem saber, é melhor que pelo menos a ignorância os faça felizes.

Os que percebem não riem. Sofrem, mas há um paliativo: sabem que está em seu poder quebrar o vidro, sair das garrafas e viver.

Mas que porcaria de vidro DURO, esse.



I've got a cold.

Resfriada, ouvindo Nina Simone e bebendo suco de groselha. Eu sou cool. Ainda estou puta com pessoas, mas deixa pra depois.

Um CD do Erasure. Coletânea. Bom ao cubo. Comprada há uns BONS anos atrás, na época em que havia uma loja da Mesbla no Passeio, RJ. No tempo em que havia camelôs vendendo CDs roubados em frente a essa mesma Mesbla. No dia em que vi uma moça ser arremessada contra a vitrine de vidro dessa mesma Mesbla, por um "segurança" porque deu barraco depois de ser acusada de estar roubando um CD.

A bolsa estava vazia. E o alarme não apitou quando ela saiu porta afora, amparada por algumas pessoas, que ameaçavam a Mesbla de processo.

Saí também, morta de medo de o alarme apitar por engano, e comprei outro CD, só que falsificado - logo ali em frente naqueles camelôs que vendiam cópias. O segurança olhava de longe. "Ordens são ordens".

Sangrou um pouco a testa da moça. E eu nunca mais dei um centavo à Mesbla, que faliu tempos depois.

Máquina do tempo.

De tempos em tempos eu recebo um ou outro email de gente que eu não conheço dizendo que eu sou legal e que eles acompanham assiduamente minha vidinha. Eu gostaria de conseguir fazer algo assiduamente, mas falta foco. Acho um site bacana e penso "Foda, vou ler todo dia!". No dia seguinte já nem lembro o endereço. O mesmo com programas, novelas, pessoas. Não consigo dizer "presente" todo dia, nem a pau.

Mas às vezes, de bode no trabalho, leio a coluninha tosca e mal escrita do Lucio Ribeiro na Folha Online. Ele diz (e eu acredito) que tem gente que escreve até pro Ombudsman do jornal se queixando quando ele atrasa a atualização. Eu acho a coluna dele meio chata hype wannabe e aquela mania de escolher uma bandinha escrota qualquer a cada semana e dizer que é a melhor coisa do planeta na atualidade me dá preguiça. Mas eu sou uma chata wannabe também e tenho leitores; ou seja, a única diferença entre o Lúcio e a Lolla é que ELE recebe salário pra ser poser.

O pior é que eu sou uma idiota e gosto de conferir as bandas antes de falar mal. Lá vou eu gastar tempo e conexão à internet baixando músicas do Rapture, do Elefant, do White Stripes e afins pra ver qual é. Pra cada acerto, 20 arrependimentos. Strokes é uma das bandas mais sem graça que já ouvi na vida. Se os anos 90 foram um limbo musical, o novo milênio caminha a passos largos pra redirecionar a escala evolutiva da música ralo adentro de um bidê.

Estava eu no ônibus hoje voltando pra casa quando a Elis Regina apareceu no dial cantando "Como nossos pais". É certo que "o novo sempre vem", mas, e se o novo por acaso for ruim? Tem mesmo que renegar o passado só porque ele é passado? Devemos achar o passado cafona só porque a fila anda? Será que o "vamos em frente porque atrás vem gente" é uma verdade indiscutível?

Eu andava com meu pai pelo subúrbio onde ele passou a juventude e ele me dizia que as favelas sempre existiram, mas os "bandidos" daquela época respeitavam mulheres e crianças, não mexiam com trabalhador e resolviam suas pendengas na ponta do canivete. Evolução não é tudo. Eu tentei dar uma chance ao futuro, e me arrependi. Uma máquina do tempo, por favor.

Dark circles under his eyes.

Eu estava de costas para um dos pilares do coreto. A tarde indo embora rápido demais, mas esquecendo acesas a luz das estrelas. O vento me dava tapinhas na cara, como se irado com a minha bobice. Ele estava ali, eu estava lá, nos braços dele, eu sentia a ponta dos seus dedos nas minhas costas. Minha boca a centímetros da pele do seu pescoço. E eu estava em pânico. Um pânico tão grande que eu não conseguia me lembrar de que devia estar feliz.

De repente os lábios dele tocaram a minha testa. Nem vou falar no efeito de descargas elétricas que isso causou, porque é um clich - mas são descargas elétricas, oras... Não direi que foram cócegas em todas as células do meu corpo porque não foram. Ou melhor, foram também. Mas as descargas elétricas... Quem descreveu primeiro dessa forma o efeito do toque dos lábios do seu Deus Particular na sua testa, estava com a razão. E nunca será desmentido.

- Eu quero aquele beijo agora.

“Não, você não está dizendo isso”. Eu pensei enquanto sentia os lábios dele se moverem colados à minha pele. Frio na barriga, calor no peito, eu estava num estado de multi-temperaturas. O pé estava morno. A boca seca, quase desértica. Um rolo compressor me amassava os membros e o pulmão, eu não podia me mover e nem respirar, e meu cérebro tinha virado vitamina de banana. Que devia estar fervendo, pois minha cabeça derretia. Tive até medo de queimar os lábios dele que, sempre colados à minha pele, falavam coisas que eu não era mais capaz de ouvir. E eu tinha certeza que o meu coração batia tão forte que tamborilava no peito dele. E ele era um idiota se não percebia. Os braços que envolviam a minha cintura machucavam, desacostumada que eu sou de carinhos. Não, ele não pode estar me pedindo um beijo. Porque eu não posso negar, mas eu preciso negar.

- Eu não posso.
- Por favor.

Não peça, pensei. Mas ele não ouviu. Soltou meu corpo, tomou minhas mãos geladas-quentes e ajoelhou-se aos meus pés. E pediu teatralmente, rindo com os lábios que estariam nos meus tão logo eu permitisse, mas algo na respiração dele traía nervosismo. Eu estava aprendendo a ler a respiração dele, os sinais do seu corpo. Bad news.

Só que não ia ter beijo. Ora Diabos, eu sou uma menina triste. Eu ouço músicas tristes em dias chuvosos, eu moro com gente rústica, eu passo tardes sendo poser lendo Byron em cemitérios, eu não me lembro mais do rosto de algumas pessoas que amei, eu troquei amigos por um diário e choro em comédias porque elas me lembram que eu não sei rir. Meninas como eu não beijam. Meninas como eu jamais terão na boca outra língua que não seja a própria. Meninas como eu não se deixam apalpar. Meninas como eu não sentem coisas. Ok, eu sinto coisas e continuo sendo eu apesar disso. Quem sabe se eu fizesse as outras coisas não poderia continuar sendo EU também?

Não. Não vale a pena arriscar. Eu não vou trair o “movimento das meninas tristes que não têm namorado”, nem o “movimento das meninas mal-amadas porque não podem amar”. Eu não vou cruzar a faixa. Não vou ultrapassar a linha amarela. Não vou dar uma reviravolta de não-sei-quantos graus na minha vida. Não cabem reviravoltas na minha vida. Só as que me jogam no chão. E ele não era o chão. Ele era o céu, o paraíso, o horizonte com luzinhas de estrelas histéricas faiscando. Ele era tudo o que eu não podia tocar, porque não merecia.

Eu não vou destruir com um beijo real a mágica que é fantasiar beijos improváveis, noites a fio. Eu não vou trocar as noites que ardi abraçada a um travesseiro fervendo de desejo por noites abraçada a um homem que me fará virar outra pessoa. Eu não sei se quero ser outra pessoa. Não sei se quero evoluir, feito um Pokémon. Eu não vou renegar meu lado perdedor. Até porque ele é o único que tenho.

- Eu queria que a gente fosse só amigos…

E ele se ergueu devagar. Ia me dizer alguma coisa crucial, mas eu nunca saberei o que era pois feito a idiota que sou o interrompi com uma observação estúpida:

- Seus olhos estão tristes.

E estavam. Era como se alguma das múltiplas luzinhas que piscavam desde sempre dentro deles tivesse queimado, e em efeito cascata, todas as outras fossem se apagando. Isso. Havia um curto circuito dentro dos olhos dele. Sem incêndios farfalhantes, só o apagar melancólico das luzes que iam morrendo. Perguntei o que era.

- Nada. Peito pesado, sei lá.

“Sinal de que tá cheio”, eu respondi. Nossa mãe. Naquela tarde eu havia pedido para ser imbecil e estava abusando da permissão.

- Não. Corações vazios é que pesam.
- Haha, corações desafiam as leis da física? (eu avisei)

E então ele riu. Mas eu podia jurar que não estava feliz.

- Eles não obedecem lei alguma.

Verdade. Mas eu não sei. Eu só obedeço às minhas.
Por mais estúpidas que elas possam parecer.

Morfeu writes.

E então eu estou cansada, e isso não é novidade. Sonhei que a Kelly Key estava sendo perseguida por uma matilha de dobermans portadores de hidrofobia. E depois ela acabava contraindo a doença dos cachorros e passava seus últimos dias babando pelos cantos, sem conseguir engolir nada e por fim morria de asfixia quando seus músculos respiratórios paralisavam. Antes disso ela teria parido sétuplos. Sete seres híbridos, com cara de cachorro (os dobermans) e rabo de piranha (a Kelly Key), vestindo boina de veludo, minissaia plissada e meias 3/4 listradas. COMO seres com rabo de PEIXE fariam para usar meia 3/4, eu não sei. Reclama com Morfeu, que é quem escreve o script do meu sonho.

O sono é uma espécie de ensaio para a morte. Que horrível.

Stone, smoke, sweat and people.

Os sem noção são foda. Eles não entendem problemas da vida real, pessoas da vida real, porque eles vivem num mundo à parte - o mundo dos sem noção.

Eles não conseguem admitir que alguém possa estar querendo a morte e, no instante seguinte, um balde de pipoca com manteiga. E quando acham que você está fodida te mandam textos de auto-ajuda por email, acreditando que aquilo ali te fará ver o mundo com outros olhos, que sua vida jamais será a mesma depois de ver aqueles slides de powerpoint com fotos de bebês ou bichinhos servindo de background para mensagens edificantes. E oh, como eles têm A Visão, e souberam te enviar aquele lixo no momento certo. Haja perspicácia e senso de superioridade. Se foder.

Essas coisinhas bonitinhas são escritas para pessoas ideais em condições ideais, tipo aquelas leis de física que não se aplicam realmente na prática. As pessoas da vida REAL não se comportam feito personagens de livros de auto-ajuda. Elas têm problemas reais em seus mundos reais, feitos de pedra, fumaça, suor e gente.

E é por isso que eu tenho essa preguiça de paulos coelhos, laires ribeiros e artures das távolas. E de quem repassa esse tipo de email. É desprezível esse sentimento torpe de superioridade em frente à tristeza dos outros. Ao invés de te estenderem a mão, copiam e colam um arquivo, anexam num email e mandam. É o mesmo que o camarada que polui o ar com o escapamento do carro a semana toda no trânsito, e no final de semana come alimentos orgânicos e lava a louça com detergente biodegradável, crente que está fazendo a parte dele pra salvar o planeta. Ou o McDonald's, que vende a preço exorbitante aquela comida cheia de gordura, açúcar e sal, veneno dentro de caixinhas de papelão colorido, e depois promove o tal McDia feliz pra ajudar crianças com câncer. Pra limpar a consciência? Quem dera. Na verdade eles lucram horrores nesse dia, porque ninguém vai pra lá só pra comer big mac (tem a batatinha, o refrigerante e o sundae).

Mas nem sei pra quê falar nisso. Que se dane. Mas se você achar que eu estou mal algum dia desses, sei lá, diga um "sinto muito, posso ajudar?" ou "Vá se foder". Qualquer coisa é mais sincera do que me mandar um texto edificante.

Day of the dead.

E hoje eu fui pro cemitério. Não, não fui pro de Inhaúma ver o meu padrasto (nem minha mãe foi). Fui fazer fotos no São João Batista. Eu sabia que ir dar merda. Tumulto. Mas eu estava com uma sensação esquisita, não queria ficar em casa. Acho que, inconscientemente, nem foi pra fotografar que eu saí. Cismei, pus a câmera na mochila e rua.
Cheio, claro. Mas não tanto quanto eu esperava. No meio das sepulturas, eu observava as pessoas. Sou habituê de cemitérios; como sabem, pirigótica. Curioso que depois do advento da câmera digital eu não tenha feito nenhuma imagem. Não foi diferente hoje: vinte minutos depois que entrei, dei um esbarrão numa garota de jeans e cabelo castanho claro muito liso preso num rabo-de-cavalo. Era uma conhecida minha, da primeira faculdade que fiz. Perguntei o que ela fazia ali, meio que prevendo má notícia. A mãe dela morrera há pouco mais de um mês.

Fiquei sem a menor condição de sair fotografando anjinho barroco e velas apagando na chuva. Caminhamos até a sepultura da mãe e fiquei lá sem saber o que dizer, onde colocar as mãos, essas coisas. Depois saí e a deixei sozinha com seus pensamentos. O pai estava doente e não pôde vir, o irmão não estava nem aí. Ela veio só. Achei triste, mas ainda assim na saída entrei numa lanchonete pra beber cerveja.

Enterros... O primeiro que acompanhei foi o do meu padrasto. Das vezes anteriores, quando eu estava num cemitério lendo tumbas e vinha chegando um enterro eu caía fora apavorada, com medo de ver o defunto (porém morta de curiosidade). A  verdade é que eu odiei ver aquela pessoa que conviveu comigo por 11 anos sendo enfiada numa gaveta de cimento, coroas de flores e homenagens sendo amassadas e empurradas com violência pra dentro e por fim o cimento fresco vedou a parede pra sempre, encerrando 61 anos de vida e experiências em um espaço de 2x1m.

Eu prefiro ser cremada.

Minha mãe hoje se lembrou do enterro do Tio Dutinho. Gente simples, vida longa que findou num câncer. A família levou velas e flores baratas para um cemitério que ficava na encosta de um morro. Uma cruzinha aqui, outra acolá bem longe, poucas sepulturas - a maioria enterrada no chão. Lá embaixo as luzes dos quintais das casas acendiam ao entardecer. Minha mãe achou que ele estaria feliz ali. Coisa feita com mais sentimento. A impressão foi a de que os parentes do meu padrasto queriam "acabar logo com aquilo". Não apenas porque a situação fosse dolorosa, e sim porque havia outras coisas com as quais se preocupar: herança, negócios, carro, dinheiro, inquérito. Triste. Eu prefiro ser enterrada como indigente por coveiros desconhecidos mas reverentes à morte do que por "famílias" feito essas.

Velha infância.

Freqüentemente alguém vira pra mim e manda a clássica: "você não teve infância, não?".
Essa pergunta é tão recorrente que vou ser obrigada a filosofar. Eu já enchi muitos tímpanos lá no finado blog falando sobre o quanto fui criticada pelo meu jeitinho esdrúxulo de me vestir. Não vou recomeçar com essa lenga (só quero deixar claro que eu me visto de palhaça fashion desde bem antes dos indies e dos clubbers).

Não é que eu não tenha tido infância. Eu tive infância demais. E foi tão boa que eu me recuso a sair dela. Mas eu sou o Peter Pan, não a Wendy. Na Terra do Nunca as crianças têm a sorte de não precisar crescer, porque elas não querem crescer. E justo num lugar deles a mina resolve ser a "mãezinha", cuidar dos meninos perdidos e fazer comidinha pra eles?!? A Wendy é o estereótipo da amélia e merece morrer no gancho do capitão ou ir fazer companhia ao relógio na barriga do jacaré da história, só para não dar esse péssimo exemplo às meninas.

Mas até que procede. Nós mulheres aparentemente nascemos velhas. Os homens nos enrolam direitinho com o papo "vocês amadurecem mais cedo". Por “amadurecer” entenda envelhecer, ficar chata, careta, contando calorias e medindo celulites, tomando anticoncepcional que faz mal ao coração, fazendo plásticas sacrificantes para manter a admiração deles, carregando os filhos deles, fazendo tripla jornada (trabalho, casa, vida) e ainda achar que somos "poderosas" por isso.

Jura que somos tolas assim? Ou existe algum benefício oculto em fazer esse papel de idiota e eu ainda não descobri? Se for isso me contem, porque senão vou morrer solteira, dando pra todo mundo, bebendo muita cerveja e achando que isso é legal.

Bem... Já me disseram que eu me visto desse jeito, que eu me comporto desse jeito (comportamento? Eu não me comporto feito criança! Eu não uso fraldas nem chupetas e não esperneio quando quero alguma coisa... Bom, pelo menos não de forma muito ostensiva) porque tenho inveja da juventude. Acho crianças em geral chatas e adolescentes em geral idiotas, mas tenho inveja sim - da falta de responsabilidades, e só. Mas eu posso muito bem ser adulta E irresponsável; basta que eu seja também corajosa para agüentar as conseqüências.



Mas, da "juventude"? Nah. Não se pode invejar pessoas por algo que elas não têm. Crianças e jovens não têm o elixir da juventude dentro de um vidrinho na prateleira do banheiro. Eles não são jovens, eles ESTÃO jovens, assim como eu já estive, e ainda estou, se comparada a Matusalém. A juventude nós apenas pedimos emprestada ao Tempo, para fins de aprendizado. Um dia o Tempo vai pedir de volta. E aí, não adianta usar camiseta das Powerpuff Girls, nem meinha listrada. No matter what you do, a funerária precisa de clientes.

Tô com fome.

Nothing will be the same. And yet, everything stays.

Sábado. Carne com o namorado na churrascaria do Rio Decor, aqui na Rio-Petrópolis. Duque de Caxias (pra quem não sabe, minha cidade) fica às margens dessa rodovia, também chamada Rio-Juiz de Fora (ou BR-040, como reza o DNER) e que leva o povo para passar fim de semana na serra. Estou com uma puta saudade de Petrópolis. Mas como Petrópolis me lembra alguém, melhor manter distância até exorcizar a alma penada. Someday, if ever.

A carne estava boa, embora eu praticamente só coma frango, coração de galinha e linguiça. O rodízio é barato, tem uns acompanhamentos nota dez, e é bem melhor do que me arriscar numa ida ao Porcão. Me deslocar, pagar os olhos da cara e da bunda e ainda correr o risco de me deparar com alguma "celebridade global"? Desnecessário.

Passei o dia meio taciturna, meio enfiada em mim mesma. Alguém aí já sentiu saudades de pessoas que não deveriam despertar saudade? Não estou falando só de ex-namorado(a)s/ficantes, não. De qualquer pessoa. Hoje eu me peguei com "saudade" de uma ex amiga, a B. Não exatamente dela, mas do contexto da amizade. E tudo isso agora parece ter ficado trancado dentro de um baú de madeira que ficou enterrado no quintal da minha ex-casa. Não dá pra ir lá e buscar de volta. E mesmo que desse, o baú já deverá estar apodrecido pela umidade da terra fofa do jardim, e as memórias terão virado adubo.

E ontem teve bedroom dancing na casa da S. Ouvimos Rush e bebemos cerveja a madrugada inteira. Eu estava com saudade de beber cerveja gelada. E da S. (fizemos fotos sexy no banheiro and you're not gonna see it). E do Rush - essa banda era querida até eu ir ao show, quando então ela entrou pro time de favoritas. Gosto das radiofônicas, gosto das clássicas, gosto das interminavelmente chatas. Essa banda me deixa feliz, assim como Supertramp deixa o meu namorado feliz.

E por falar nele, eu acho que ele vai embora. Vai ter que voltar pra BH. Mas disso eu falo depois que as suspeitas confirmarem-se. Mas não vou ficar triste; eu sei quem são as pessoas que entram na minha vida pra FICAR. E, ao contrário da B. que só figura nas minhas lembranças por ter sido um "elo de ligação" para uma série de coisas boas, o M. vai ficar, independentemente de qualquer outra coisa, boa ou má, que tenha nos acontecido; vai ficar mesmo que se vá. O que temos jamais estará enterrado dentro um bauzinho no meu passado. O que temos, teremos sempre, no matter what.

o mercador do mal

O J. acabou de ligar. Está vendendo um gravador de DVD e perguntou se eu quero. No momento não me interessa, um dia quem sabe? Um dia eu baixarei filmes velozmente pela rede e aí sim, será legal poder armazená-los em disquinhos redondos espelhados. Por ora, não. Não tive medo de perder a oferta. Sempre aparecerá um outro aparelho roubado que ele queira me vender por 300, 400 reais - quando valerá o dobro, ou mesmo o triplo.

J. é meu técnico de confiança. Já penei na mão de gente com "diproma" que, durante o "concerto", fodeu mais ainda meus aparelhos. O J. é tosco, mas eficiente. Aprendeu o que sabe fuçando (o método mais confiável) ou assistindo aulas como aluno clandestino em universidades públicas. Atualmente ele tem até um certo prestígio. Já o vi duas ou três vezes no Jornal Nacional ou RJ TV prestando consultoria acerca de vírus, hacktivismo, clonagem de componentes/celulares. Faz serviços pra gente famosa, mas vive chorando miséria. Como ele é de casa, me cobra 40 reais para qualquer tipo de serviço, não importa quanto tempo leve (mas quase sempre ele resolve em questão de minutos) ou quantos programas instale. Pechincha.

Só que ele tem uma atraçãozinha pelo submundo. Vive enfiado na Vila Mimosa, fazendo fotos das moças para sites "relacionados". Já foi DJ de puteiro - baixava as músicas da web e fazia a trilha sonora da transa alheia. De vez em quando ele acolhe alguma moça recém chegada do interior em seu cafofo, dá a ela amor, carinho e um ombro onde chorar. Mas assim que ela arruma um cafetão mais bonito (sim, porque ele é feio) ele ganha um pé no rabo. Triste sina. Fora o interesse quase antropológico pelas putas, ele também se liga numa ilegalidade. Vendia celular roubado, clonado, bem como equipamentos de informática surrupiados. Outro dia ele estava aqui removendo uma virose do meu PC, quando o celular toca. O som estava alto, e eu "pesquei" alguns trechos do que o seu interlocutor dizia. Algo do tipo:

anônimo: e aí, arrumou meu bagulho?
j.: ainda não, ainda não... vou pegar amanhã, só.
anônimo: porra, meu amigo... tô precisando disso pra ontem...
j.: eu sei, eu sei... já tá certo, amanhã mesmo.
anônimo: vê isso aí pra mim, tô dependendo disso pra fazer uns esquemas... agita aí pra mim...
j.: valeu, valeu... tchau.

E desligou. Eu: "você tá vendendo droga???", e ele: "não, é o (INSIRA O NOME DE UMA FIGURA POPULAR DO JORNALISMO DA REDE GLOBO) que tá me cobrando um laptop... Ele já pagou, mas o cara que fornece só ficou de trazer amanhã".

eu: roubado?
j.: claro, pô... hahahaha.
eu: peraí, esse cara NÃO PRECISA comprar roubo, ele tem grana!
j.: se você pudesse pagar mil reais num laptop que vale 10 mil, ia fazer questão de nota fiscal?
eu: ...

Detalhe: o "fornecedor" estava cobrando 500 reais pelo computador. O resto era a "comissãozinha" do J.

Putz. Preciso entrar pro mundo do crime.

Suburbian tales.

Suburbia é uma música legal do Pet Shop Boys. Subúrbio é um lugar legal, com lojinhas baratas pra comprar quinquilharias e onde as pessoas colocam cadeiras de praia na calçada pra conversar com os amigos. É tão ou mais violento que a zona sul, mas a paranóia que atinge alguns moradores de Leblon-Ipanema-e-adjacências ainda não achou via de entrada para as cabecinhas dos suburbanos, que sabem que a vida é bela porque tem torresmo fritando na panela e pagode tocando no rádio.

Eles têm as manhas da felicidade, enquanto a classe média, que se acha rica porque economizou três décadas de alegria para comprar um Audi, só tem duas preocupações: que sequestrem seus filhos ou que assaltantes descubram o cofre.

Eu fui ao subúrbio com meus amiguinhos, ver um filme porcaria num cinema barato (porque pagar preço de multiplex pra ver filme de circuitão é coisa de besta que acha bom pagar mais caro só porque pode), comer pipoca na pracinha e fotografar a Igreja da Penha. E o tabuleiro de doces coloridos, o cego que pede esmolas na escadaria da igreja, o casal de mendigos dormindo abraçados, a freira que aproveita um momento de distração divina pra cair de boca numa maçã do amor.




Tinha um elevador ao lado da escadaria (gentilmente fornecido pelo nosso prefeito factoidiano, César Mala), mas eu achei que fosse exclusivo dos idosos que não podiam mais escalar os - quantos mesmo?? só sei que eram muitos - degraus da escadaria, tão linda quanto torta e esculpida na própria pedra onde a Igreja foi erguida e hoje paira sobre a cidade, sendo observada de vários pontos de norte a sul; consigo vê-la até mesmo do meu terraço.

Escolhi mal o dia da visita. O sol fritava a minha pele e minava minha resistência enquanto os degraus iam ficando para trás. Cheguei quase morta ao pátio da igreja, sendo rapidamente revivida pela vista e pela garrafa d´água que o R. derrubou na minha cabeça enquanto uma moça me entregava o jornalzinho com a programação da missa.

Eu cheguei bem na hora da dita cuja. O pátio estava cheio de fiéis, que atrapalhavam meus enquadramentos, e depois nem é de bom-tom disparar flashes enquanto o padre celebra, you know. Me senti deslocada, subi na mureta para uma lufada de ar respirável, e nesse instante (o da comunhão, suponho) o sino tocou. E eu achei lindo.




Depois de conseguir descer os milhões de degraus entramos todos amarradões no Museu dos Milagres. Todos amarradões, menos eu. Imaginei que seria só mais um museu de arte sacra, e as primeiras impressões foram justamente essas. Perguntei à R. se eu podia fotografar ali (a única coisa que justificaria a minha presença no recinto), e a cara de HERESIA que ela fez me desanimou de repetir a pergunta a algum dos responsáveis pela segurança do local - era bem capaz de eu sair dali excomungada.

Entrei sozinha por um corredor que deu numa porta onde se lia a inscrição "Sala dos Milagres". Estava fechada. Mas é óbvio que, não havendo ninguém pra impedir, eu abri. Me deparei com uma sala pequena, paredes forradas por fotografias, membros de cera (pés, cabeça, corpo, peitos, pernas) doados por pessoas agradecendo milagres, muletas abandonadas por pessoas que supostamente tinham voltado a andar, o teto e parte de uma parede cobertos de longas tranças de cabelo humano emolduradas em quadros e protegidas por vidros. Ao lado de cada trança (na verdade tinha cabelo de tudo quando é tipo, cor e tamanho, mas as tranças chamaram a minha atenção pela singeleza) estavam cartas, escritas de próprio punho, pelas donas dos cabelos. A maioria desenganadas pelos médicos quando crianças e, salvas pela promessa feita à Nossa Senhora da Penha, entregaram seus cabelos cultivados sem corte até a data prometida para a doação. Tinha trança de cabelo cortada em 1940!



E as fotos? Eu olhava aqueles rostos, as menininhas gêmeas numa foto feita em 1957, a debutante, o soldado vestindo a farda, o casal abraçado, a vovô segurando o bebê no colo vestido de marinheiro, a mocinha vestida de formanda, e fiquei pensando em cada uma dessas pessoas (vivas ainda?) e em suas histórias particulares, no que as teria levado a fazer a promessa. Por mim teria passado a noite ali, mas o povo me achou e me puxaram porta afora porque já estava ficando tarde e dane-se o meu encantamento.

Já quero voltar, lógico.

Story of my life

Eu estou triste. Ou melhor, eu estava. Ranger de dentes + cinco minutinhos = alívio imediato. Tão imediato quanto temporário, mas dane-se.

Folguei na sexta, logo, fui trabalhar hoje, feriado. Minha alegria infantil (todas as minhas alegrias têm cinco anos de idade) de pensar "ei, pelo menos o ônibus vai estar vazio!" se dissipou no instante em que adentrei o coletivo às seis e meia da manhã e vi que teria, novamente, que viajar sentada na escada. E vejam só - eu nem consegui o prazer de viajar sozinha. Havia uma bunda na minha cara. Sorte que não soltava gases. Pelo menos, não soltou nenhum nos primeiros dois minutos de viagem.

Alegria de pobre, de fato, dura pouco. Dura nada - nem existe. Pobre só fica alegre quando ri de si próprio e das suas próprias desgraças.

Feriado do "dia do comércio" é lenda, uma piada num país de economia congelada. Ninguém quer desperdiçar o lucro de uma segunda-feira ficando em casa ou viajando pra farofar na praia. Os patrões abrem as portas, loucos para faturar, e os empregados comparecem, loucos para não perder o emprego. Na volta, foi ainda pior. Fiquei UMA HORA esperando o ônibus. UMA HORA inteira, do minuto 1 ao minuto 59. Sentei no meio-fio e quis chorar. Mas o ódio era maior do que a tristeza, e meu ódio ferve e evapora as lágrimas por dentro antes que elas me escapem pelos olhos, mostrando ao mundo que sim, a Lolla é uma babaca.

No primeiro ônibus em que entrei, percebi que ia em pé, e pedi pra descer no outro ponto. De pé, num ônibus caríssimo (R$2,60 por quinze minutos de viagem), cheio de fedidos e que ainda por cima passou atrasado? NAH. Desci, mas o motorista deve ter me rogado pragas, porque fiquei mais 20 minutos em pé esperando o outro (dava tempo de ter chegado em casa, se tivesse ficado no primeiro). Fiquei lá, num ponto de ônibus cheio de bêbados, toscos olhando minha bunda (???), pivetes tentando me vender os torrões de açúcar puro que eles chamam cocada e espertalhões querendo me vender vale transporte falso. Quando finalmente o outro chegou, era da mesma linha, custava o mesmo preço e estava cheio do mesmo jeito. Aliás, estava MUITO mais cheio.

Sentei na escada, lágrimas gotejando e escorrendo na minha bolsa linda de vinil preto, que não absorve líquidos. Machos subiram e logo eu estava dividindo o exíguo espaço entre a porta e a roleta com mais quatro caras. Todos, sem exceção, fediam e olhavam meus peitos. Pedi pra morrer, é claro, só que mais uma vez, Deus me mandou à merda. É claro.

E eu tinha outras coisas pra falar. Que estou chateada e decepcionada com um monte de gente. Que eu gostaria que meu namorado virasse pó de café. Que eu gostaria de ter uma câmera digital melhor, e não entendo porque ninguém ainda deu um lance na minha no Mercado Livre, sendo que eu estou vendendo barato. Que ontem eu tive um dia lindo e absolutamente poético visitando a Igreja da Penha (e o museu dos milagres, que me deixou forte impressão). Mas não vai dar. Porque hoje eu estou triste como é default, porque hoje eu só quero sair dessa internet, meter a cara no travesseiro e sonhar uma outra vida onde eu não tenha mais motivo pra odiar nada nem ninguém. E, principalmente, onde eu não tivesse que me odiar.

E tem gente que ainda acha que isso aqui é ficcional.
Antes fosse.


Throw some glitter on it.

Before the last.


Essas conchas eu trouxe da minha última viagem a Maricá.

Enquanto eu, plena manhã ensolarada de domingo, catava conchinhas na praia, meu padrasto vivia o último dia inteiro de sua vida. Foi assassinado no começo da tarde de segunda feira.

decadance avec elegance

Me cadastrei no Usina do Som. 5 reais por mês pra ter acesso. Chega de baixar uma música inteira no Kazaa pra depois descobrir que ela é uma merda. Odeio ficar deletando coisas grandes do meu HD (que só tem 5GB restantes). Odeio desfragmentar o meu HD. 5 reais a menos por mês, então - nhé.

Acordei de ressaca. Ontem foi aniversário da minha mãe. Fomos pro Brigadeiro Beer beber vinho barato, minha mãe dançou forró com uma amiga dela. Eu acho que devo ter dançado também, só não consigo me lembrar com quem. Minha mãe estava tentando me jogar pra cima do Salvador - o dono do bar. Ontem no Messenger eu falei pras pessoas que o lugar era um pé-sujo. Efeito da cachaça ou vontade de aparecer? Não é um pé sujo. É até bonitinho. Pena que esqueci a câmera em casa, e que o nível dos frequentadores tenha caído TANTO. Antes tínhamos jovens engravatados dos escritórios de advocacia que proliferam na Av. Brigadeiro Lima e Silva. Hoje temos adolescentes bebendo guaraviton e velhas vestindo roupas de lycra e comendo frango à passarinho. Estavam re-asfaltando a rua ao lado (foi destruída pra consertar a rede de esgoto). O cheiro de piche está no meu nariz até agora. A dúvida se dancei ou não forró com o Salvador também está até agora na minha cabeça.




E ontem o micro travou (uau, que novidade), por isso saí do Messenger. E agora tenho que ir ver a cara do M., já que há um bom tempo não faço isso. E amanhã devo ir comer angu com jiló e galinha frita no sítio da avó da R., em Santa Dalila.

Deus do céu. O que estou fazendo da minha vida?

Feliz é a gata que não precisa socializar.