lexotan 100mg
Escrito em self, Abril 20, 2003 @ 08:36

Por tr?s da cortina de fuma?a escura l? vem ela.

Mas ? que as coisas n?o v?o nada, nada bem por aqui. Estou doente, mas nada externo ? a causa, no entanto. As cicatrizes s?o o ?nico sinal vis?vel da dor. ?, eu inaugurei uma nova modalidade de self-infliction. Cortes de faca pelo bra?o. Porque, de repente, socar m?veis, quebrar objetos ou bater a cabe?a contra as paredes n?o mais t?m sido eficazes para transformar a dor f?sica em rem?dio que expulse a dor da alma do casulo que ela insiste em construir aqui dentro.

Mas sim, temos Lexotan.

E por causa dos comprimidos rosados que fantasiam de sono profundo a infelicidade, eu durmo sem sonhos desde s?bado de manh?, quando ele veio aqui me consolar de problemas do mundo real (minha casa est? desabando quase que literalmente, sigam a seta), e ao inv?s disso me fez sutilmente perceber o quanto eu sou desimportante.

O telefone do meu quarto tamb?m parece estar cansado do trabalho. Meu ar condicionado desistiu de lutar contra as aborrecidas oscila??es de energia de uma casa cuja rede el?trica agoniza a olhos vistos (belo dia haveremos de entrar em curto e morrerei torrada, tal qual meus p?es de queijo, ontem). A l?mpada do quarto e o ventilador de teto estouraram a ponto de empestear o ar com o fedor do fogo que n?o chegou a queimar. Uma das caixas de som do meu system entregou os pontos e emudeceu em protesto. A TV alienou-se e s? sintoniza a rede Bobo. O gabinete do PC se compraz em me torturar com choques. A base da webcam partiu-se h? muito, e o durep?xi necess?rio ao conserto teima em n?o aparecer/funcionar. Partidos tamb?m est?o os puxadores das gavetas da minha bancada. E o meu cora??o idem, mas bem, isso ? o default dele. Ele j? veio partido de f?brica. E, como sabem, n?o h? conserto/emenda poss?vel para esse tipo de dano.

Ok, eu quebro coisas, sim. Mas eu n?o quebrei essas. S? que, exatamente como o idiota que passa o dia na praia assustando os demais fingindo afogamento (e, quando efetivamente se afoga, ningu?m acredita mais), eu tamb?m n?o tenho mais cr?ditos de confian?a. Ningu?m acredita, ningu?m ajuda, TODOS me culpam, e eu vejo minhas coisas (que s?o as ?nicas que eu tenho de verdade) indo embora. Nem elas ficam.

A companhia do menino da bicicleta traz risadas de brinde, mas o eco delas ? amargo e envenena o sorriso. Risos temerosos de que sejam os ?ltimos. Sim, ele me ama mas n?o me ama. Ele se importa mas n?o se importa. Ele me quer mas n?o me quer. E eu j? sabia. Mas reafirmar entre sorrisos e com um arzinho blas? de “assim ? a vida” D?I. ? sentir-se ficando para tr?s enquanto o outro caminha. Por OUTRO caminho. Que eu talvez nunca seja capaz de percorrer.

E as palavras dele fazem “ploft!” nas ilus?es que eu acreditava imorredouras. E sim, infelizmente elas s?o. Mas do modo errado. N?o morrem quando frustradas, como deveriam (para o bem dele, para o meu bem). As palavras dele as transformam em p? sim, mas ao inv?s de jogar um balde d’?gua na sujeira eu simplesmente varro tudo para debaixo do tapete. E quando for mudar a decora??o. vou achar de novo, sob a bonita tape?aria nova, o mesmo p? de sentimentos ressequidos. Que, ao contato com o ar, se transformar?o de novo em tristeza.

Tudo est? se partindo em peda?os bem pequenos. E pontiagudos. Daqueles que machucam e n?o se podem colar juntos novamente. A casa e minhas coisinhas. Meu melhor amigo, meu todas-as-coisas.

A gente cansa e desiste de tanta coisa… De insistir com pessoas. De caminhar para chegar a um ponto. De um trabalho que paga mal. De uma tarefa que se revela t?o exaustiva quanto in?til.

Por que n?o se pode cansar de viver em paz, sem ser julgado fraco?

E essa caixa de Lexotan n?o vai durar pra sempre.

love.does.not.fit
Escrito em para refletir, self, Abril 17, 2003 @ 08:35

Dormir ? tarde ? muito, muito bom. Dormir ? uma coisa engra?ada. Dormir pode servir de fuga. Por isso as pessoas depressivas dormem demais. O sono ? uma semi-morte, e a morte ? a Fuga das fugas. Para aqueles que n?o t?m coragem, ou vontade, de cortar os pulsos: p?lulas de dormir. Mas em quantidades corretas, para que n?o se cruze a ponte antes do tempo.

Morfeu guarda a entrada da ponte, e nos convida a atravess?-la at? a metade. L? embaixo corre um rio de ?guas revoltas, mas que estranhamente conseguem refletir coisas. E refletidas nessas ?guas, cenas alegres e tristes de nossas vidas. Talvez n?o nos lembremos delas se voltarmos para tr?s. N?o nos lembraremos se continuarmos a cruzar a ponte. Mas ei, Morfeu chama! N?o caminhe al?m da metade da ponte! Mas n?s caminhamos. ? como se os p?s n?o mais obedecessem. E, olhando para baixo, notamos que as ?guas v?o ficando mais calmas. Mas, estranhamente, n?o h? mais reflexos. N?o h? mais cenas, nem tristes, nem alegres. N?o h? mais sentimentos em nossos cora??es por elas. N?o h? mais a voz de Morfeu, nos chamando de volta. De repente n?o h? mais rio. De repente n?o h? mais ponte. De repente n?o h? mais nada.

Morrer deve ser assim, porque ? assim que eu quero que seja.

Se as pessoas soubessem o quanto aprecio a sinceridade, n?o mentiriam para me agradar. Mas elas tamb?m deveriam saber que h? palavras que n?o podem ser ditas. H? palavras proibidas. Principalmente para pessoas que se conhecem h? pouco tempo. H? palavras que s? podem ser trocadas por almas irm?s. Almas que se escondem debaixo da escada pra trocar segredos que n?o doem, porque nunca foram segredos (almas irm?s sabem tudo umas das outras sem a necessidade de palavras). E ent?o eu fico triste. Triste porque acho que estou sozinha debaixo da escada. N?o que isso seja ruim - n?o ?. Mas eu estava come?ando a raciocionar burramente e a fantasiar coisinhas, como um futuro colorido feito um pote de jujubas em cima da geladeira. Para uma crian?a encantada, que no entanto n?o pode alcan??-lo. Mas a simples vis?o das balinhas enlouquece os olhos, enche de ?gua a boca e promete um futuro pr?ximo com sabor de a??car.

A? chega a m?e da crian?a, pega o pote de cima da geladeira e a) diz que o pote ? de uma vizinha, que pediu para guardar ou b) mostra que n?o s?o jujubas, mas sim contas coloridas de pl?stico.

O que era doce, agora, tem gosto de polipropileno. O que era pra ser macio endureceu, e n?o tem cheiro de nada.

Eu estou triste. Meu cora??o est? do tamanho de uma ervilha. Mas eu n?o estou chorando porque eu j? sabia. Eu nasci pra ficar sozinha. Sem almas irm?s. Convivendo ocasionalmente com pessoas. Mas de longe. Porque de perto, elas t?m espinhos. TODAS elas. Eu me sinto confort?vel assim, de longe…

Mas ?s vezes eu queria ter algu?m pra brincar.

Uma noite clara de inverno.
Escrito em reminiscências, Abril 17, 2003 @ 08:34

“Por que as noites de inverno s?o claras e avermelhadas, e as de ver?o s?o escuras e cheias de estrelas?”. Eu medito profundamente, agachada em frente ? grade da porta da sala, contemplando o c?u de julho enquanto o sil?ncio ao meu redor se faz quase absoluto, exceto pelo leve ru?do do vento nas folhas do coqueiro do jardim. Pacificador. As pernas ressentem-se da posi??o inc?moda doendo, e os mosquitos aproveitam a deixa para atac?-las impiedosamente. De fora n?o vem frio, nem calor; s? o vento enjoado, cheirando ? fuma?a das v?rias fogueiras feitas para assar batata-doce ou queimar lixo. ? o cheiro do inverno que eu sinto, e ? a ?nica coisa boa que posso ter. H? cerca de meia hora atr?s os gritos haviam se dilu?do no sil?ncio, e aos meus p?s, jazem trucidados metade dos m?veis da sala. Eu fecho a porta de vidro, e com tudo quieto, observo os restos. E me sinto um deles, parte da desordem. E n?o deixa de ser bom me sentir parte de algo.

Reparo que o toca-discos permanece com a luzinha do led acesa. Ligado. Vou at? ele, cuidando para n?o ferir-me nos cacos, mas ao inv?s de desligar, retiro metade do volume e introduzo novamente a agulha sobre o LP. “Strangers In The Night”, do Frank Sinatra. A m?sica ? velha, mas linda, e seria perfeita se n?o lembrasse meu pai. Qual o problema de uma m?sica bonita lembrar seu velho pai, voc? me perguntaria se fosse idiota, mas eu sei que n?o ?. “Nenhum”, eu responderia se voc? fosse idiota, “se ela n?o lembrasse um homem barrigudo, cantando e dan?ando entre b?bado e drogado pela sala, depois de quebrar metade dela, e voc? assistindo ? cena debaixo da mesinha de centro (um dos poucos m?veis mantidos inteiros), n?o sabendo se sobreviveria para ouvir o refr?o seguinte”. Parece filme, mas somos eu e meu pai, sozinhos, depois de minha m?e ter ido embora, desta vez para sempre, ao fim da ?ltima briga. Ela j? havia partido outras vezes, e voltado outras ainda, mas desta vez eu e ele ficamos nos olhando sem nos ver por muito tempo no escuro, sabendo que a voz musicada da dona Mam?e n?o mais gritaria de ?dio procurando por sua tesoura de costura, nem cantaria pela en?sima vez errada “Era um garoto que como eu amava os Beagles e os Bolistom”. Era curioso perceber o quanto de ru?dos e onomatop?ias novas a m?e criava por segundo quando ali. A melodia da casa silenciara-se.

Ele havia ido dormir. A garrafa de Contini Ros? vazava um cheiro et?lico enjoativo, mas bebi o seu conte?do, sentindo-me levemente subversiva. Foi a primeira vez em que, por livre iniciativa, eu tomava um “drinque”. Abri a geladeira, peguei no bar um copo vistoso e entupi de gelo. Senti-me adulta e importante. N?o tinha medo de que meu pai pudesse acordar - b?bado, suas noites eram longas e tranq?ilas. Despejei por cima a bebida, fiquei admirando a transpar?ncia rosada do l?quido mirando-a de encontro ? luz das l?mpadas de merc?rio da rua. Que brilhavam admiravelmente dentro das minhas pedras de gelo. Custei a beber. Abri a porta da sala, subindo no bra?o do sof? para alcan?ar o cadeado, e sentei-me na rede. Quase meia-noite. Uma sensa??o deliciosa invadiu-me, n?o sei se por efeito da bebida, ou da liberdade e privacidade rara que eu experimentava. Estava sendo uma menina m?, sabia disso e a consci?ncia do fato era maravilhosa demais para ser abandonada por medo.

Fechei a porta por fora (sem o cadeado), joguei a chave para dentro da sala atrav?s da grade e, munida de outra (a do port?o), sumi na escurid?o vazia da Rua. Destino desconhecido, mas que os p?s se recusaram a seguir, levando-me ? porta da casa do Deco. Sil?ncio no breu repleto de mosquitos do quintal. TV ligada; haveria algu?m em casa, ou fora esquecimento? - ele tamb?m bebia. Chamei uma, duas vezes o nome, bati na porta, mas n?o fui atendida. No r?dio do vizinho, um programa de Flash-Back tocava “One Day In Your Life”, do Michael Jackson. Meia-noite. O programa acaba, o r?dio emudece, em breve a luz na sala do Deco se apaga. Estou s?, em meio ?s muri?ocas, as ?nicos que parecem notar-me. Volto para casa decepcionada, e j? na varanda lembro que joguei para dentro da sala a chave da porta de grade. Durmo na rede, sabendo que na manh? seguinte serei despertada a pontap?s, mas n?o ? isso, eu sei, que causa essa estranha sensa??o de perda, nem tampouco seria a ang?stia causada pela bebida, ou a partida da minha m?e. Ou quem sabe tudo isso junto? Mas eu j? sabia que havia perdido muito mais.

Aquela foi a ?ltima noite da minha inf?ncia. E eu tinha apenas seis anos.

nostalgia barata.
Escrito em reminiscências, Abril 7, 2003 @ 08:33

Eu me lembro de quando a vida era simples, e como era f?cil fazer as transi??es do dia-a-dia. Eu me lembro quando coisas comuns como a chuva me deixavam feliz, e de como era f?cil desistir de se proteger dela e tomar banho de chuva, na rua.

Eu me lembro de quando o maior problema na vida era quando a cabe?a da Barbie sa?a (quem brincou de Barbie h? 20 anos atr?s sabe o quanto era dif?cil recolocar…).

E eu queria esses dias de volta.

Os dias em que voc? podia estar morrendo de ?dio de algu?m, e ver tudo isso passar em quest?o de minutos. Dias onde ver uma borboletinha amarela com um desenho bonito nas asas me deixaria estupidamente feliz. Eu quero que duas ou tr?s palavrinhas voltem a ter o poder de resolver todos os problemas. Quero voltar a enxergar atrav?s das coisas mais corriqueiras e ver a gra?a ?nica que todas elas guardam. Quero que a reconcilia??o de grandes amizades abaladas venha t?o f?cil e sincera quanto dizer: “vamos ficar de bem?”.

Agora, nada ? t?o simples.

Eu sou adulta, e com problemas de adultos. Pensei que eu seria muito velha quando isso chegasse, mas eu me sinto jovem e infeliz por ter visto isso tudo chegando t?o antes da hora. Problemas, problemas e problemas.

Problemas que eu gostaria de poder resolver, mas principalmente, problemas que eu gostaria de jamais ter tido.

Marcadores: filosofia barata, reminisc?ncias, self

Rainy days are beautiful…
Escrito em reminiscências, vida, Abril 5, 2003 @ 08:32

…mas nem t?o belos quando se quer voltar pra casa numa quarta feira calorenta, desaba aquele aguaceiro e voc? l?, sem guarda chuva, vestindo roupas pesadas que pesam ainda mais depois de molhadas. Ou seria isso importante?

Mas n?o foi isso o que aconteceu hoje. Podia ter sido, mas eu tive alguma sorte, e quando a chuva desabou, eu estava dentro do ?nibus - e antes que eu descesse ela serenou. Obrigada, chuva, por me proteger e por me deixar assistir de camarote (voltei pra casa sentadinha, e na janela!) o espet?culo do “c?u noturno” ?s quatro e meia da tarde, das nuvens cinza chumbo se espalhando num c?u que lutou enquanto p?de para se manter claro, do estrondo (para mim, encantador) dos trov?es se aproximando, e ? claro, os rel?mpagos. Eu amo rel?mpagos. E hoje ? tarde eles ca?ram grossos e fartos, atra?dos pelos p?ra-raios das margens da Av. Brasil, transformando o c?u num enorme letreiro de neon. Lindo. Tem gente que bate palmas pra p?r-do-sol na praia. Eu queria aplaudir tempestades de p?.

E n?s, as pessoas correndo pra se proteger da chuva? Acho engra?ado. Principalmente se sem sombrinha, dev?amos relaxar. O que se perde, enfim, chegando-se em casa ensopado? Nada. ?gua n?o mata ningu?m. O problema ? que a obsess?o por fazer as coisas “seguindo o padr?ozinho” estraga tudo, mata as vontades. E ent?o preferimos n?o estragar o penteado ou n?o molhar a camisa nova do que nos permitir sentir o carinho meio sem jeito que os pingos duros de uma chuva forte fazem na pele. Morri de saudade de um bom “rain shower” hoje, ao ver idiotas buscando marquises enquanto um mendigo repousava sereno dentro de uma po?a d´?gua. S? os mendigos s?o felizes. Eles mandaram as conven??es sociais ? merda e sentam-se ? beira do caminho rindo da cara dos transeuntes do sistema.

? bastante sintom?tico que a maioria das pessoas que foram (ou s?o) significativas na minha vida, tenham dividido um banho de chuva comigo. Deve ser uma esp?cie de batismo. Saudade de me enfiar debaixo de um tor?. Mas ser? que eu ainda consigo ligar o dane-se e n?o me preocupar com a roupa, com os livros dentro da bolsa, com o t?nis que pode descolar a sola na ?gua?

Tomara que sim.

Quando eu era crian?a, s? tinha medo dos raios, nessa hora (sim, todo mundo j? ouviu hist?rias horr?veis de raios matando gente… E as av?s: “n?o fale ao telefone enquanto estiver chovendo”, “n?o fique perto de espelhos, nem debaixo de ?rvores”, “n?o segure nada de metal”… Um medo bom, um risco calculado, que fazia o meu cora??o acelerar de susto-prazer-suspense quando o c?u se iluminava). Eu vou saber, depois do pr?ximo banho de chuva, se eu finalmente virei adulta.

Tomara que n?o.

porque hoje ? s?bado.
Escrito em para refletir, Abril 2, 2003 @ 08:30

O telefone nem amea?a tocar. Bani meus contatos.

O bina pifou. Mesmo assim, n?o atenderia a chamada. Do outro lado da linha, pode haver de tudo. N?o gosto de surpresas.

Mas o telefone n?o toca. ? s?bado, as pessoas t?m medo de mim e precisam realizar seus sonhos - que eu sempre mato.

As amigas comprometidas fazem o programa b?sico de todo o fim de semana com o namorado. Sempre o mesmo programa, em todo fim de semana, at? que o cara se encha do programa, se encha delas e elas se encham de l?grimas no s?bado sem ele.

As amigas solteiras programam idas ao Bar do Bolla, ? Bunker, ao Santa F?, ao Amarelinho. Depende da tribo. E depende de onde o candidato a macho da vez esteja freq?entando - s? que para FUGIR delas. E elas fingem n?o perceber.

? s?bado, as pessoas T?M que sair. Passar o s?bado em casa, imagina que absurrrdo!

As r?dios s?o maravilhosas aos s?bados, eles tocam o que deixaram de tocar h? muito tempo porque era BOM demais e os ouvintes idiotas n?o pediam pra ouvir. Afinal, eles n?o est?o ouvindo, mesmo - s?bado ? o dia de N?O ouvir, s?bado ? o dia de FAZER acontecer. De ir pra night, comer pipoca na pra?a, de subir no terra?o de casa e tomar banho de borracha/mangueira, de fazer as unhas, de enrolar o cabelo, de testar aquela m?scara de pepino ?-TI-MA pra pele, que elimina rugas de ansiedade oca e o incha?o dos olhos que n?o dormem.

Dia de soltar pipa. Dia de andar para cima e para baixo, sem rumo na rua e na vida, s? “pra ver qual ?” e passar de short curto na frente daquele gatinho, quem sabe ele me olhe, e… N?o, ele n?o olha. Est? cortando no serol a pipa daquele man? que ele n?o suporta. Isso vale mil gatinhas de short curto. Porque elas sempre existir?o, mas cortar a pipa daquele escroto… chance ?nica.

Dia de assistir v?deos. De fazer e comer aquela insuport?vel pipoca de microondas. Mastigando o v?cuo de uma exist?ncia sem nenhum objetivo ou prazer aparentes. Dia de ouvir toda a sua cole??o de CDs do Jehtro Tull. Dormir ? tarde, brincar com as crian?as e sentir-se normal e saud?vel, e at? feliz por fazer isso. Feliz pela sua vidinha repetitiva e med?ocre dar t?o certo e voc? se sentir aben?oado por ter feito o que, no fim das contas, qualquer um acaba fazendo.

Hoje ? s?bado, crian?as. Go outside and get a life. A real one.



menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

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online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


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