Filosofia barata.

(página de diário, anos 90)
Eu me lembro de quando a vida era simples, e como era fácil fazer as transições do dia-a-dia. Eu me lembro quando coisas comuns como a chuva me deixavam feliz, e de como era fácil desistir de se proteger dela e tomar banho de chuva, na rua.

Eu me lembro de quando o maior problema na vida era quando a cabeça da Barbie saía (quem brincou de Barbie sabe o quanto era difícil recolocar...).

E eu queria esses dias de volta.

Os dias em que você podia estar morrendo de ódio de alguém, e ver tudo isso passar em questão de minutos. Dias onde ver uma borboletinha amarela com um desenho bonito nas asas me deixaria estupidamente feliz. Eu quero que duas ou três palavrinhas voltem a ter o poder de resolver todos os problemas. Quero voltar a enxergar através das coisas mais corriqueiras e ver a graça única que todas elas guardam. Quero que a reconciliação de grandes amizades abaladas venha tão fácil e sincera quanto dizer: "vamos ficar de bem?".

Agora, nada é tão simples.

Eu sou adulta, e com problemas de adultos. Pensei que eu seria muito velha quando isso chegasse, mas eu me sinto jovem e infeliz por ter visto isso tudo chegando tão antes da hora. Problemas, problemas e problemas.

Problemas que eu gostaria de poder resolver, mas principalmente, problemas que eu gostaria de jamais ter tido.

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