Eu sei, eu sei.

entro no ônibus às seis e meia da manhã, e dou de cara com o MEU lugar habitual (sentada/dependurada na escada de entrada do coletivo) já ocupado por um cara que ainda por cima viajava de pé.

ora, se era pra ficar em pé, por que não ficar DENTRO do ônibus, como todo mundo? puto. okay, lá vou eu entrar no ônibus, pra viajar em pé, e ainda por cima aturar aquelas luzes fortes bem dentro da minha cara, e o “som ambiente” dos TRAVESSOS e do SOWETO reverberando bem dentro do meu tímpano esquerdo graças a um maldito alto falante que propaga aquela desgraça a todos os passageiros à guisa de “diversão matinal”. e, sabe como é - pendurada no ônibus não tem como pegar o discman na bolsa.

pra melhorar a manhã entra um pastor na condução, bíblia debaixo do braço, clamando a proteção do senhor deus a todos nós e empesteando mais ainda o ar com sua pregação sonora. e depois que desço ainda sou obrigada a navegar por um oceano de poças de cuspe e escarro até chegar no trabalho. onde se escreve “homens trabalhando” devia ser lido “PORCOS trabalhando”.

e pensar que a essa hora, habitualmente, eu estaria dormindinha, grudada no meu travesseiro gordo sob a carícia gelada do meu ar condicionado, curtindo o último sonho da madrugada. sem um puto no bolso, é verdade - mas eu ainda não recebi dinheiro, e o que receberei talvez não cubra os desprazeres da nova vida de “gente grande”.

se o salário desse mês, depois de todos os descontos, der pra comprar um vidrinho de chumbinho-mata-rato pra misturar na farofa, dou-me por satisfeita. e sim, eu tinha mais coisas pra escrever aqui - mas não no trabalho.

obrigada por ainda me aturarem. vai melhorar, prometo. (?)

No comments