so i gave him my heart.
Escrito em para refletir, vida, Junho 29, 2003 @ 09:20

Ainda se pode fazer uma festa com 20 reais.

9 reais o cento de salgadinhos. 1,80 a garrafa de Romano (o primo paup?rrimo do Martini, mas n?o menos gostoso). 2 pratas a garrafa pet 2 litros e MEIO de coca (promo??o no Carrefour). 3 reais a lata de goiabada, e com mais tr?s o chantilly. O queijo eu tinha na geladeira, os CDs ele trouxe de casa, o papo inspirado ? cortesia dos nossos c?rebros, e a brisa no terra?o ? por conta da natureza, que faz carinho em forma de vento nas pessoas pobres que s? t?m 20 pratas na carteira e mesmo assim querem - e podem - dar uma festa pra dois.

E ele s? tinha 20 pratas na carteira, sim.
E ele ? o meu melhor amigo, sim.
E meu rabo se voc? acha que isso ? pouco.

* * *

Meu namorado ? um intelectual?ide neur?tico que gasta boa parte do tempo que passamos juntos tentando ver em mim uma pessoa que n?o sou, nem nunca serei. Ele me acha esperta, e eu me acho uma mula manca que repete as mesmas perguntas de sempre - porque nunca consegue entender as respostas.

S? que eu sou uma mula manca metida a besta. Quero algu?m que possa responder ?s perguntas que se repetem. ? que, ?s vezes, eu me sinto capaz de dar algumas respostas. E quero ser entendida. Em suma, quero ECO - e n?o v?cuo.

Juntos por comodismo? Who knows? I know - SIM, totalmente. Pura pregui?a de sair procurando por a? algu?m igualzinho a mim, com os mesmos muitos defeitos e as mesmas poucas qualidades. Outra mula manca que saiba dar respostas, mas que nem sempre entende as que recebe; e que repete as mesmas perguntas. Quero algu?m que eu possa, acima de tudo, admirar - ?, s?ndrome de inferiorzinha, mesmo. E se essa pessoa quer brincar eternamente de procurar em mim algo que n?o sou, que se dane.

Quem vai se frustrar ? ele, n?o eu. Prefiro que ELE fique frustrado para sempre, do que me frustrar eu, tentando ver num eventual “substituto”, algo que ele n?o ?, e nem nunca ser

tattoo fighting
Escrito em LOL, diariamente, humor observacional, Junho 23, 2003 @ 09:18

Fui s?bado de manh? com Sammy ao est?dio onde fiz o piercing. Queria fazer tatoos novas. As meninas revisaram suas obras primas com o Robson, e voltamos para casa felizes e contentes. Na minha casa, ? minha espera, o meu namorado. Como eu estava com uma camiseta cavada, n?o tive como esconder os desenhos. Nem como, nem porqu?.

S? que n?o deu certo. N?o deu nada certo. Ele n?o gostou. Odiou, pra ser mais exata. Fez um mini show, desnecess?rio. Perguntou “quem diabos eu estava querendo imitar” e que eu ia acabar feito uma freak, com o corpo recoberto por desenhos esdr?xulos. Oh, well. Depois de tanto tempo, eu acho que ele deveria me conhecer melhor. Ele deveria saber que sei impor limites a mim mesma. Que nunca farei um drag?o de 60cm nas costas, por exemplo. Mas sobretudo, ele deveria saber que eu teria todo o direito de fazer a porra do drag?o, se quisesse. Ok, eu sei que ele sabe disso. Mas ?s vezes n?o custa me lembrar que sabe, n?o se comportando como um cretino.

Fiquei azeda, mandei-o de volta pra casa e fui almo?ar no ? Mineira com Samara. No come?o da nossa vaca atolada com cacha?a, adentra o recinto (relativamente refinado, frequentado por?m pelos empres?rios barrigudos e escandalosos da BR 040 -barrigudos, falastr?es, portando celulares car?ssimos e ? bordo de carros imensos) um casal sui generis. A mo?a, mulata clara, cabe?a raspada e argolas enormes. Ele, mulato de cabelo encaracolados e loiros (yeah yeah) e uma camisa vermelho-bombeiro. Ela trajava um conjunto jeans de short e top. Ambos da Gang. Ambos mi-n?s-cu-los. O conjunto todo se equilibrava em cima de saltos inacredit?veis… de um tamanc?o de madeira. Os dois (ele e ela) cheiravam a marginalidade.

Um espet?culo. Os garfos e facas ficaram suspensos no ar, bocas cheias de couve e torresmo abertas, celulares tiveram que tocar mais vezes antes de serem atendidos. Samara, ing?nua: “ah, ele deve ser jogador de futebol…”. Eu: “porra nenhuma. Se fosse, estaria atracado com uma loira. Ele tem cara ? de gerente de boca de fumo, e ela deve ser a primeira dama”.

Quando sa?ram, esticamos os olhos seguindo-lhe os passos. Entraram em algo que, de longe,me pareceu vagamente ser um Peugeot. So typical. E, pra encerrar o dia “bacana”, ?s nove e meia da noite escuto gritos na rua: “Sandra, Sandra! Me ajuda! Acabei de matar um cara l? na esta??o!!”. E o que parecia ser a tal de Sandra berrou de volta: “Matou? E o que voc? t? fazendo a? na rua? Vai pra casa, daqui a pouco passa a Patamo* e te leva… E v? se sai da minha porta!!”.

R?r?. ?bvio que nem fui checar se o suposto assassinato tinha sido pra valer ou se era efeito de cacha?a barata. Thanks God, eu moro longe da esta??o.
Uma boa semana pra voc?s.

(*patamo: viatura policial)

i can’t deal with the other face.
Escrito em diariamente, self, Junho 19, 2003 @ 09:09

Saco de feriado.
Acabei n?o indo ao shopping. Meu pai estava lavando sei l? o qu? no quintal (talvez a bunda), e n?o quis ir. E como eu estava sem um puto no bolso (o sal?rio, obviamente, j? fora todo enfiado no cu do capitalismo), fui obrigada a engolir minhas panquecas e ir pra casa do Fernando em busca de algum filme pra ver.

Ele estava l?, ?s voltas com uns priminhos escrotos da Barra da Tijuca - sempre ela… O local deve concentrar a mai-or quantidade de ac?falos pormetro quadrado do Rio de Janeiro. Os tais primos eram de fato um amor. Formavam um casal de pl?nios com fecaloma cerebral. A menina querendo pagar de rebel pros ?ndios da baixada fluminense (eu e o Fernando, implicitamente), dizendo que descoloria os p?los da xananana no terra?o de casa, sendo avistada pelos vizinhos dos pr?dios altos ao redor, para ficar “tudo loiro igual ao cabelo” Sim, ela tem 15 anos. O menino parecia inofensivo, mas ficava olhando tudo com cara de ?nus.

Quando est?vamos na cal?ada, um man? passou vendendo salame roubado (da sadia… 12 reais no mercado, 5 pratas na m?o dele), e os dois se achando Os Subversivos por estarem comprando… Depois fizeram as piadinhas toscas de praxe, comparando o salame a p?nis. Tsc, est? cada vez menos divertido aturar amadores.

Depois que eles foram embora, eu e o Fernando fomos para a cozinha preparar sandubas com o NOSSO salame, e o pai do Nando passa, olha pras minhas pernas e dispara: “mas voc? est? ficando gostosa, hein, menina… est? fazendo muscula??o?”. Big GULP. Quem conhece o Fernand?o sabe que ele n?o ? dado a essas intimidades. Fiquei sem gra?a (coisa rara). E sem saco de ficar ali. Pensando bem, em qualquer outro lugar, n?o seria diferente - acho que estou sem saco de EXISTIR.

Sei l?, estou me desinteressando das pessoas. Eu percebia que era rec?proco, achava que a culpa era minha - e ?, de certa forma. Na verdade, o meu desinteresse por elas ? tanto, que elas o l?em na minha testa e se afastam. E eu desisti de fingir interesse, de estuprar minha vontade e deixar que um sorriso falso rasgue meu rosto, dolorido como se fosse aberto a navalha, para forjar uma simpatia que esconda minha total e absoluta falta de interesse. N?o ? animosidade. Nem antipatia. Essas coisas s?o A??ES, e meu estado de in?rcia em rela??o ? ra?a humana ? tamanho que ca? numa apatia sonolenta, sou incapaz de odi?-los porque isso iria me dar trabalho. N?o movo um m?sculo. Uma palha. Um dedo. O esfor?o s? me ? poss?vel para, a custo, acenar adeus.

pierce me happy.
Escrito em diariamente, Junho 8, 2003 @ 09:07

Okay. Coloquei um piercing.
Ca? na real de que pior do que fazer o que todo mundo faz, ? DEIXAR de fazer algo que se quer s? porque todo mundo faz. S?o duas escravid?es, sendo que a segunda ? ainda mais est?pida - porque ? tamb?m hip?crita.

Coisa pequena. Aquele de sobrancelha, bonitinho que s? ele. Fica l?, eu fico na minha, n?o vou virar freak, s? que ele combina comigo e o espelho gostou do resultado.

Adoro banheiros. Adoro banhos, cheiros, perfumes e cremes. E como ficar olhando pro meu sal?rio na gaveta n?o estava me fazendo bem, fui ao shopping comprar coisinhas de farm?cia.

Voltei pra casa e quis sair. Passei a m?o no telefone e descobri que vida de semi solteira ? uma merda. Suas amigas com namorado n?o t?m tempo pra voc?. O mais legal disso tudo ? que elas n?o ter?o namorado pra sempre. Um dia ser? a vez delas passar as m?os ansiosas no telefone e dar de cara com a secret?ria eletr?nica. Ou pior: ouvir coisas como “sorry, darling, mas eu estou namorando e s?bado ? dia de ficar com o meu baby” (sim, eu j? ouvi isso numa secret?ria eletr?nica!). OU “sorry, darling, mas vou sair com a turma… Ah, voc? est? sem namorado? Arruma outro, oras!”.

Semi solteira, yeah. Eu n?o vou ligar pra ele. Eu n?o quero nem saber. Acabei passando a noite aqui, com o pessoal da Vila S?o Lu?s e logo mais vou estar no Maracan? pra ver o jogo do meu time contra o Inimigo.
Tor?am por mim. E, se eu n?o morrer, daqui a pouco eu volto.
E se eu morrer, tamb?m. Boo.

the freaking life.
Escrito em diariamente, ódio, Junho 3, 2003 @ 09:04

O telefone toca no meio do pouco que me resta do meu dia. Era a Fulaninha querendo saber de mim. E, como sempre fazem, sem exce??o, todos os meus “amigos” distantes, ela ME pergunta as novidades. Bem, meu senso pr?tico avisa que quem se d? ao trabalho de pegar o telefone e discar para algu?m, ? quem precisa ter as novidades - ou no m?nimo algo relevante a dizer. Mas a realidade mostra outra coisa: que ainda existe no mundo gente que se prop?e a perder tempo e torrar pulsos telef?nicos a fim de saber “como vai voc?”.

Me sinto for?ada a contar a ?nica novidade do “mural de recados”: a de que me juntei ? estat?stica de desgra?ados que voluntariamente sacrificam sua felicidade em troca de (pouco) dinheiro. Resumindo, estou trabalhando, Fulaninha. Da? chovem perguntas querendo desdobrar um assunto que n?o me agrada e sobre o qual n?o estou a fim de falar: “trabalha onde?”, “faz o qu??”, “quantas horas?”, “ganha bem?”. Enfim, todas as respostas que dou me deprimem, e ela ri de todas. Sim pessoas, ela RI.

A coincid?ncia macabra ? que ela ligou minutos depois de eu ter recebido o primeiro sal?rio (minha m?e sacou para mim no banco, durante o dia). Descontados os roubos regulamentados de praxe, o saldo final n?o me pareceu t?o bom quanto o que eu imaginava. N?o que seja t?o pouco, mas a minha felicidade de outrora era BEM mais cara. Resumindo: sa? perdendo na troca, e isso n?o me fez bem. No outro emprego eu trabalhava seis horas, podia dormir at? meio dia, n?o fazia na-da e chegava em casa em dois minutos - A P?. A empresa ficava literalmente na minha esquina. Agora eu acordo ?s seis e quinze, viajo sentada na escada do coletivo, me aborre?o o dia inteiro e o sal?rio no fim do m?s n?o me fez ter um orgasmo.

Lembrei-me da Fulaninha no col?gio, de como todos os professores lhe puxavam o saco. Lembro-me de ach?-la meio borocoxenta, mas de desde ent?o ter a certeza de que ela se daria bem na vida, e eu, n?o. Os donos da grana nesse planeta s?o os mais idiotas, e os livros de hist?ria me contam que os g?nios morreram na mis?ria. E meu inner self grita: “mas voc? ? idiota, ent?o porque consta da sua biografia epis?dios desglamourizados feito rachar um saquinho de pipoca de pra?a com seu namorado??”, e a minha resposta ? um avexado “n?o sei”.

S? sei que fui dormir e chorei muito. E chorei preocupada, porque n?o ia poder chorar a noite toda: precisava acordar cedo, e ficar pelo menos 20 minutos de olhos abertos DEPOIS de chorar, para que eles n?o amanhecessem inchados no dia seguinte. E isso me deprimiu ainda mais e me fez chorar mais ainda. E, hoje pela manh?, meus olhos inchados no espelho riam de si pr?prios e ambos me chamavam de fracassada. Concordei com os dois fazendo um sinal de joinha e me encaminhei mais uma vez para o ponto de ?nibus, cortando a neblina com a minha triste figura e prometendo a mim mesma renascer sob a singela forma de um p? de chuchu na pr?xima vida.

now and forever.
Escrito em vida, Junho 2, 2003 @ 09:02

Pois ?. Fiz sete anos de namoro h? menos de um m?s, e a tal “crise dos sete anos” j? caiu matando.

Ele estr?ia comportamentos/atitudes das quais n?o gosto. N?o que m?scaras estejam caindo; nada de novo no front. Acho que ele “relaxou” diante de mim. Acho que fez mal aquela proximidade excessiva depois da morte do meu padrasto, o fato de ele ter passado a frequentar minha casa e eu ter deixado de frequentar a dele. A casa dele tinha menos recursos do que a minha, n?o t?nhamos dinheiro e acab?vamos tendo que passar o dia vendo TV e comendo pipoca. A diferen?a ? que isso era LEGAL, e agora j? n?o sei se seria bastante. E acho que n?o ? de hoje que venho me sentindo propensa a deixar tudo virar p?.

N?o sei se posso diagnosticar as causas. Eu o sinto distante, eu me distancio. N?o vamos terminar isso nunca, ? verdade. Comodismo, pregui?a, e a certeza imorredoura de que, apesar do t?dio eventual, somos a melhor coisa que podemos ter. Eu buscava um homem inteligente (ele ?), um homem charmoso (ele ?) e que fosse irreverente/iconoclasta como eu (ele ?/?). Ou seja, eu deveria estar no para?so. E estive. E de certa forma ainda estou. Quando olho para os namorados est?pidos/cuspidores/porcos/insabor?es das minhas amigas, me sinto uma das 144 mil ungidas de jeov?, a escolhida para ter um homem realmente especial. E ele ? esse homem. S? que, por favor - n?o des?a do pedestal, n?o vire mais um. E n?o se supervalorize tanto - fica chato, bobo, e eu come?o a te ver como mais um babaca, coisa que voc? definitivamente n?o ?.

N?o estou te pedindo pra n?o quebrar o encanto. Esse encanto tinha mesmo que se quebrar, pois nenhum relacionamento adulto sobrevive na base do encantamento. S? quero que voc? mantenha o padr?o. Quero que voc? n?o banque o bobo com tanta frequ?ncia, quero me enervar menos com a sua tend?ncia de se atirar de cabe?a em sonhos est?pidos (sonhos que n?s n?o necessariamente compartilhamos) e de depender deles - ferrando a sua vida e a minha, por tabela, quando eles d?o em nada.

A gente estava feliz. A gente sa?a pra beber, pra comer coisinhas gostosas, r?amos dos lugares, das pessoas e at? da nossa situa??o. ? pouco a se almejar, eu sei. Mas isso n?o quer dizer que o mundo deva nos estender tapetes. O mundo PUXA tapetes. Se pudermos seguir adiante sem tapete, ?timo. Mas se n?o, a gente pode simplesmente optar por sentar no ch?o e comer uma pipoca. Eu topo todas, estou na vida a passeio mesmo, e que se danem as “grandes realiza??es” que eu n?o vou realizar. N?o nasci pra honrosamente escrever meu nome na hist?ria. Nasci para ter uma hist?ria que honre o meu nome. E isso me basta.

S?o sete anos. Toneladas de lembran?as, algumas at? materiais, que ser?o literalmente atiradas no lix?o comunit?rio da cidade, se tudo morrer. Antes eu achava que era um pecado a gente se perder. Hoje, acho que pecado maior ? n?o se perder j? estando perdidos.

Se voc? estender a m?o, mesmo no escuro, eu prometo que a encontro e n?o solto mais.



menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

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online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


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