Tattoo fighting

Fui sábado de manhã com S. ao estúdio onde fiz o piercing. Queria fazer tatoos novas mas só fiz uma outra pequena no ombro. As meninas revisaram suas obras primas com o Robson, e voltamos para casa felizes e contentes. Na minha casa, à minha espera, o meu namorado. Como eu estava com uma camiseta sem manga não tive como esconder os desenhos. Nem como, nem porquê.

Só que não deu certo. Não deu nada certo. Ele não gostou. Odiou, pra ser mais exata. Deu um mini show, quis saber quem diabos eu “estava querendo imitar" e que eu ia acabar feito uma freak, com o corpo recoberto por rabiscos esdrúxulos. Oh, well. Depois de tanto tempo, eu acho que ele deveria me conhecer melhor. Ele deveria saber que sei impor limites a mim mesma. Que nunca farei um dragão de 60cm nas costas, por exemplo. Mas sobretudo, ele deveria saber que eu teria todo o direito de fazer a porra do dragão, se quisesse. Ok, eu sei que ele sabe disso. Mas às vezes não custa me lembrar que sabe, não se comportando como um cretino.

Fiquei azeda, mandei-o de volta pra casa e fui almoçar no À Mineira com S.. No começo da nossa vaca atolada com cachaça, adentra o recinto (relativamente refinado, frequentado porém pelos empresários escandalosos da BR 040 -  barrigudos, falastrões, portando celulares caríssimos e à bordo de carros imensos) um casal. A moça, cabeça raspada e argolas enormes. Ele, cabelo loiro encaracolado e uma camisa vermelho-bombeiro. 5kg de relógio de ouro no pulso. Ela trajava um conjunto jeans de short e top. Ambos da Gang. Ambos mi-nús-cu-los. O conjunto todo se equilibrava em cima dos saltos inacreditáveis de um tamancão de madeira. Os dois cheiravam a marginalidade. É lógico que eu adorei.

Foi um espetáculo. Os garfos e facas ficaram suspensos no ar, bocas cheias de couve e torresmo abertas, celulares tiveram que tocar mais vezes antes de serem atendidos. S.: “ah, ele deve ser jogador de futebol…”. Eu: “porra nenhuma. Se fosse, estaria atracado com uma loira da Barra. Ele tá vestido é de gerente de boca de fumo e ela deve ser a primeira dama”.

Quando saíram, esticamos os olhos seguindo os passos. Entraram em algo que, de longe, me pareceu ser um carro importado. So typical. E, pra encerrar o dia “bacana”, às nove e meia da noite escuto gritos na rua: “Sandra, Sandra! Me ajuda! Acabei de matar um cara lá na estação!!”. E o que parecia ser a tal de Sandra berrou de volta: “Matou? E o que você tá fazendo aí na rua? Vai pra casa, daqui a pouco passa o camburão e te leva… E vê se sai da minha porta!!”.

Óbvio que nem fui checar se o suposto assassinato tinha sido pra valer ou se era efeito de cachaça barata. Graças a Deus eu moro longe da estação.

Uma boa semana pra vocês.

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