black humour.
Escrito em vida, Agosto 29, 2003 @ 10:13

…e ent?o 2003 est? sendo um ano duca. Primeiro meu padrasto morre assassinado, depois meu pai descobre que est? com c?ncer.

E o pior de tudo: eu comecei a trabalhar.

N?o me xinguem. Meu humor negro ? (sempre) involunt?rio. Meu pai est? se cuidando. E os m?dicos est?o otimistas. M?dicos (sempre) s?o otimistas.

Ele n?o vai precisar de quimioterapia, nem de extirpar nada. Ele est? tranquilo. E eu estou esticando esse post contra a vontade, como se quisesse desviar o foco da minha brincadeirinha de p?ssimo gosto. Mas eu sei que ele vai ficar bem, e, se n?o ficar, essa ? a vida. A gente fica triste, e depois vai esquecendo tudo ? presta??o.

E agora eu vou l? pra sala, ver novela com ele e a Chantilly.

reminiscence.
Escrito em reminiscências, Agosto 26, 2003 @ 10:13

E ent?o ele olhou a foto por uns poucos segundos antes de atir?-la gaveta adentro e levantar-se da cadeira.

- Deus n?o ? uma pessoa justa.
- Deus n?o ? uma PESSOA – eu disse.
- Melhor pra ele.

Calei e voltei ? “tentativa” de croch?. Minha vis?o perif?rica, no entanto, denunciou que ele havia se voltado em minha dire??o. Ergui os meus olhos-espi?es e l? estavam os dele, azuis como a terra vista do espa?o por Armstrong.

- H? exce??es… ? claro.

E enfiou novamente os olhos na paisagem. E eles foram crescendo, como se absorvessem a paisagem, a janela, os m?veis da sala, tudo at? a mim. Ali?s, a mim principalmente. Porque parecia que ele tinha em si um pouco de cada coisa que existia no mundo. As coisas bonitas e as tristes, principalmente, mas tamb?m as alegres e as s?bias. E at? mesmo as coisas que eram apenas coisas, mais nada. Ele era uma colet?nea do planeta. Se os marcianos (ou venusianos… sim, V?nus ? melhor, eu prefiro que sejam venusianos), ent?o, se os venusianos viessem ? terra para estud?-la, seria suficiente abduzi-lo. Porque ele era tudo, e tudo era ele. “Deus, que pensamento mais id?latra!”, eu gritei pra mim mesma. E ri pra mim mesma. S? que, mesmo quando eu ria em pensamento, ele sabia. Voltou-se para mim, arzinho de ironia: “o que foi?!”.

- Como assim o que foi? Eu estou quieta.

Tentei soar r?spida pra disfar?ar o medo. Ele me dava medo com esse jeito de saber as coisas.

- Eu sei, eu estou estranhando a sua quietude… papagaia.
- Eu falo pouco.

E os olhos dele, que sabiam tudo, me desmentiram.

(p.s.: a palavra venusiano existe mesmo?)

20/08/2003
Escrito em resmungos, www, Agosto 20, 2003 @ 10:12

? como eu disse l?, h? uns meses atr?s isso seria meio improv?vel, mas eu sempre ando pra frente. SEMPRE. Mas parece que algumas pessoas preferem criar ra?zes no lodo. Depois de meio segundo de racioc?nio lerdo, cheguei ? conclus?o de que a criatura que anda me stalkeando no domain ? o Preacher. Pelo teor dos comments, n?o podia ser a simpl?ria da Lice, nem mesmo as suas pobres asseclas. Tive mais certeza ainda quando achei nos stats do meu site um referrer, que era de um coment?rio feito no blog dele. Bingo.

Sinceramente, n?o tenho mais id?ia do que fazer com essas pessoas. Se o cara ainda fosse uma dessas crian?as de internet, feito a Lice e suas leitoras com nicks japoneses, eu ainda entenderia. Eu j? fui idiota e comprava CDs do Oasis s? porque eu lia no Rio Fanzine do Globo que o Oasis era uma banda foda. Dessa fase, s? ficou Champagne Supernova, que ? uma m?sica linda e merece estar no meu bauzinho sonoro. Mas n?o. Os meus stalkers s?o todos ADULTOS, alguns at? j? meio passados. E eu daria uma moeda de cinco centavos NOVINHA pra saber o que se passa nessas cabe?as. Porque n?o consigo ver sentido nessa obsess?o quase m?rbida.

? s?rio, eu tenho MEDO dessas pessoas. N?o vejo o mundo de forma manique?sta, n?o existem pessoas 100% boas - nem o oposto. Mas eu queria ter duas respostas, nesse momento: 1) Por que algumas parecem ser 100% ruins e 2) se elas n?o o s?o, se a maldade ? apenas uma porcentagem das suas personalidades, por que eu tenho o “dom” de despertar seu lado mau? Porque essa persegui??o atrav?s dos s?culos extrapola qualquer sentimento de revolta residual que possa existir. NO CASO, claro, de essas pessoas serem normais. Porque sim, h? a possibilidade de que N?O sejam.

Eu me estressei com a Lice porque, em tr?s linhas, ela cometeu dois dos pecados mortais da minha lista: 1) ficar remoendo os erros dos OUTROS in secula seculorum, como se ela mesma fosse impoluta e livre de qualquer pecado, e 2) ser BURRA. De outra feita eu n?o responderia.

J? o rapaz ? outro problema. Ele ? mais insistente, ele tem uma rede de amiguinhos com a mesma idade e os mesmos problemas existenciais que acham bonito dar declara??es racistas e homof?bicas - e ainda acham p?blico para isso. Sorte que eles est?o no Blogspot, que notoriamente caga E anda para o conte?do dos sites hospedados. Fosse no HPG, Kit.net ou Livejournal, aposto que algu?m j? teria reclamado e eles teriam que comprar um dom?nio coletivo para eviscerar suas opini?es de merda.

N?o tenho bronca. S? queria que me jogassem dentro de uma gaveta escura e me deixassem mofando por l?, que n?o se lembrassem de que eu estou respirando neste momento. Porque, para mim, s?o como parasitas intestinais: s? quando se manifestam eu me lembro que existem. J? fizeram com que eu perdesse quase metade de um livro que estava escrevendo (o v?rus que ganhei por ter dito no Cry Baby que achava a Luana Piovani uma hip?crita). Por causa desse mesmo v?rus, perdi o show do Roger Waters - gastei a grana que tinha pra salvar meu micro.

N?o satisfeitos em fazer sites difamat?rios com meu nome ?s toneladas, em me mandar spam em escala industrial, em fazer um flood de mais de dez mil comments no meu YACCS, eles terminam por assinar o atestado de imbecis ao simplesmente n?o dar meio segundo ao c?rebro para funcionar e chegar ? conclus?o ?bvia: “Deus, QUEM est? fazendo o papel de palha?o aqui?”.

Isso faz algum sentido para voc?s?
Para mim n?o faz, n?o.

Bingo.
Escrito em diariamente, www, Agosto 17, 2003 @ 10:11

J? andaram fazendo a farra do boi nos comments do blog. Deletei e bani IPs. Depois quero saber se eu realmente sei banir IPs do DOM?NIO da forma correta. N?o deletei por “medinho” - n?o tenho mais isso. Deletei porque tem gente legal lendo aquilo ali, gente que n?o se envolve em barraquinhos de copiquete e n?o precisa se ver obrigado a ler sobre isso. Pelo menos, no que depender de mim, n?o mais ler?o.

Estou feliz, s?bado frio, choveu pra caralho, passei a manh? na cama grudada na Chantily, bebendo skol e comendo biscoito. Depois de comer feito uma infeliz no almo?o, fui a um desses encontro de amigos de bate papo telef?nico. N?o, eu n?o participo dos bate-papos, mas fui convidada a ir por um amigo participante. Pessoas apertando celulites dentro de roupas de lycra preta, pessoas vestindo cal?as com VINCO, pessoas de porre com duas latinhas de cerveja, pessoas de 38 anos cantando pagode pra seduzir menininhas de 13, pessoas assinando livros de presen?a e chorando em despedidas, pessoas me perguntando se eu sou metaleira ou se uso drogas por causa das tatuagens, enfim. Tudo dentro do esperado.

Me pergunto onde andar?o as pessoas realmente legais desse planeta. N?o precisavam ser style, nem ter cabelo colorido, tatoos modernosas ou usar roupas riot. Eu s? queria n?o ter vontade de morrer quando perto delas, para tentar renascer noutro mundo onde as criaturas que circulam ao meu redor n?o me dessem vergonha de pertencer ? mesma esp?cie.

copiquete, moi?
Escrito em www, ódio, Agosto 15, 2003 @ 10:09

Entonces, como eu ia hablando, ter um counter no seu site ? sempre uma surpresa a cada reload. Fui l? um instantinho e achei o site tosco dessa lobotomizada aqui, que me acusa de copycat. Isso porque o “layout” dela (se ? que pode se chamar assim) tem iframes dentro de um bloco de notas feito no photoshop. ?, que glorioso. Ser? que ela ? evang?lica tamb?m? (piadinha interna)

O que achei de fato digno de nota foram os argumentos que a energ?mena usou para justificar a sua teoria de que eu havia roubado sua original?ssima id?ia: “ah, ela usou fotos de outra pessoa e tem dupla personalidade”. Elementar, minha cara debil?ide. Impressionante ? voc? ter tido a capacidade de desenvolver essa brilhante teoria, sendo que mal consegue acentuar o que escreve e n?o tem a m?nima no??o do que seja concord?ncia. Letra “s” em final de plurais? Que coisa mais ultrapassada… Ao inv?s de aprender a ESCREVER (e a fazer layouts decentes), vamos xingar a copiquete, que ? mais engra?ado.

Meio que me arrependi de ter deixado minha opini?o no “blog” da idiota. Provavelmente meu site vai amanhecer decorado de coment?rios lotados de erros de concord?ncia, vindos de estrup?cios de 15 anos f?s de hello kitty e coisinhas “Kawaii”. Mas sei l?, essa eu n?o podia deixar passar em branco.

Meu Deus, que gente TRISTE. E ? por isso que eu sou esquisita e todo mundo pensa que sou louca. N?o ? s? porque fui OBRIGADA a nascer nesse mundo que tenho que efetivamente VIVER nele.

* * *

N?o entreguei o dossi?. Tive um excelente dia de trabalho. Chorei por meia hora no banheiro, sentada na privada, os p?s pra cima, encostados na parede. Meu ?dio mal cabia dentro do reservado do WC. Ningu?m me viu ali. Pus os p?s para cima porque eu estava usando coturnos, e seria facilmente identificada por olhos imiscuindo-se embaixo da porta. Eu n?o queria que ningu?m sequer se lembrasse de que eu trabalhava ali. Depois, minha bunda reclamou da posi??o, voltei com os p?s para o ch?o e as l?grimas gotejavam em cima do coturno colorido. Eu achei gra?a, porque o ?ngulo estava realmente perfeito, as cores e a luz estavam fodas e aquilo daria uma foto e tanto… Os sapatos esdr?xulos molhados de l?grimas. Eu sou a esteta da desgra?a. Consigo achar beleza pl?stica no meu pr?prio sofrimento. O que pode indicar que eu n?o estivesse sofrendo porra nenhuma - mas n?o ? verdade, eu estava.

A puta evang?lica gorda e hist?rica foi se queixar ? supervisora. Disse que eu a destratei. Tinham que ver a cara de v?tima que a PUTA arrumou pra apresentar na reuni?o que a supervisora organizou para deslindar o quiproqu?. Em suma, eu sa? como a bruxa mem?ia da hist?ria, quando estava simplesmente fazendo o MEU trabalho e fui insultada por um evang?lico gordo e arrogante, que tem s?ndrome de patr?o…. Quando sabemos que o patr?o de verdade est? nalgum motel da Barra gastando em porra, azeitonas sem caro?o e whisky o dinheiro que a empresa lucra, enquanto que este verme king size chega no trabalho antes de mim - ou seja, antes das sete da matina - maltrapilho e de ?NIBUS.

Eu estou com vontade de implodir.
Mas eu n?o vou implodir.
Vou aproveitar que tenho a PLENA consci?ncia de que, mesmo que o mundo esteja FEDENDO ao meu redor, eu sou uma pessoa limpa. E que meu namorado chato me trouxe ontem latas de skol + biscoito recheado de lim?o (my fave) + p?o de hamburguer + hamburguer + bubaloo e farei a orgia gastron?mica da semana.

Desconfie SEMPRE de pessoas que n?o explodem NUNCA.
NINGU?M consegue manter o controle todo o tempo. Quanto mais sangu?nea e explosiva uma pessoa ?, mais voc? pode confiar nela. Pessoas que reagem quando tomam porrada, e n?o aquele teu amigo que parece t?o legal porque voc? vive pisando nele e ele faz que n?o entendeu. Ele entendeu sim, seu babaca, e faz vodu contra voc? pelas costas, enquanto exibe aquele sorriso-falso-default na cara pra que voc? n?o desconfie - e seja pego de surpresa.

Pessoas dissimuladas podem parecer mais f?ceis de se lidar, mas aguarde surpresas negativas no final do per?odo.

viva hate
Escrito em ódio, Agosto 14, 2003 @ 10:07

Eu estou derretendo por dentro. De ?dio. Meu interior parece uma panela fervendo de angu ? baiana - sabe como ?, n?? Aquela polenta mole cheia de peda?os de m?udos de porco dentro: cora??o, pulm?o, rins, f?gado, tudo picadinho e cozido. Eis Lolla Moon inside… now.

?dio. A supervisora me incumbiu de uma tarefa pedregosa, fiquei sem tempo para cumprir minhas tarefas de rotina, e ainda tive que ouvir merda por conta disso - n?o da Raquel (a supervisora), mas das vadias evang?licas que tamb?m trabalham pra ela. Detalhe: consegui. por esfor?o pr?prio, cumprir TODAS as tarefas, antes do prazo. Eu sou FODA.

A hist?ria ? MUITO grande e complexa, and i’m not in the fucking mood. O resum? diz que fui injusti?ada, que fui destratada, que fui feita de tapete, mas que como eu reajo de forma bastante peculiar ?s injusti?as, resolvi a parada no grito. N?o houve uma s? alma perdida naquele centro de reparos que n?o tenha se BORRADO (nem que seja psicologicamente) de medo da minha rea??o. ?. Imbecis n?o aprendem. Respeito DEVIA ser algo a ser conquistado, mas pelo visto vou ter que impor isso l? na MARRA.

Estou aqui terminando um dossi?. Reda??o impec?vel, vou entregar os furos de TODO MUNDO l? nas m?os do DONO da empresa amanh?. Ou eu arrumo uma promo??o e demito metade do staff, ou vou pro olho da rua EU mesma. N?o posso negar, nunca estive numa encruzilhada t?o f?cil: AMBOS os caminhos me parecem per-fei-tos.

S? n?o d? pra ficar l? como estou. N?o rola fazer o trabalho de todo mundo porque sou das pouqu?ssimas criaturas racionais que ali est?o, e quando preciso de um help, ver costas se virando. N?o posso tolerar ser tratada como se fosse a faxineira (pior do que ela, at?) por um cara que trabalha em OUTRA empresa, a quem n?o devo nenhum respeito hier?rquico, e que cuja empresa VIVE falhando com a nossa em mil aspectos. N?o d? pra deixar a casca de foda do lado de fora quando entro no trabalho, e passar o dia inteiro a engolir batr?quios (crus, vivos e sem ?gua gelada pra acompanhar).

N?o d?. Minha alma cantarola por dentro o “Orfeu no Inferno”. Felicidade pura. Amanh? ou eu os fodo OU eu os fodo. E, se tudo der errado, EU OS FODO.

e o que corr?i ? o t?dio.
Escrito em LOL, Agosto 6, 2003 @ 10:07

update: e O Roberto Marinho morreu.

Desculpem, mas isso MERECIA um update.

Cartaz colado na traseira de um ?nibus que trafegava ? frente do meu, hoje ? tarde:

TERMAS COQUETTISH: T? NA HORA DE VOC? D? UMA ENTRADINHA”

Al?m da grosseria do slogan (pior que cantada de boteco), o imbecil n?o sabe conjugar verbos. Algu?m ligue pra esse puteiro (2290 1054) e expresse sua insatisfa??o.

E falando em putas, o site da Vila Mimosa ? uma merda, hein? Quem voc?s acham que acessam aquilo pra saber da “hist?ria”, ou tomar conhecimento da exist?ncia de “sal?es de cabeleireiro” no local? N?o fode. Queremos ver as putas, porque submundo vende, submundo RULES.

talking in your sleep
Escrito em diariamente, soundtrack, Agosto 4, 2003 @ 10:01

M?rcio e Paula vieram aqui ontem. Meus amigos very old in their twenties, que ruminam e emulam os anos 80 todo o tempo, como eu. Coisa triste e extremamente pat?tica os tr?s downloadeando lixo no Kazaa com a clara inten??o de fazer bedroom dancing depois. Haha. Mas n?o deu, eu tinha que acordar cedo.

Eu sei l?. Gosto das pessoas, gosto de receb?-las. Mas ?s vezes me afasto por culpa do capetinha que fica me sussurando bobagens orelha adentro.,. N?o tenho muito tempo, e no caso de algumas pessoas em particular (n?o os citados) eu continuo achando-os o m?ximo, s? n?o tenho mais tanta vontade de estar com eles. Uma vez por semestre bastaria. Para mim.

?s vezes tenho uma certa vontade de sair pra dan?ar, mas a vontade se mostra t?o ef?mera quanto meus ?mpetos suicidas ocasionais. A noite est? muito f?til, cheia de gente idem, e eu estou tentando ser uma pessoa mais profunda. Voltei at? a escrever, e isso n?o ? bom sinal. Predigo uma intensa fase de introspec??o elevada, mas que haver? de me fazer voltar a cometer coisas das quais me orgulho. E faz um bom, bom tempo que eu n?o adiciono coisas assim ao curr?culo.

Esse seria o set list da bedroom dancing night de domingo. N?o foi ontem, mas vai ser hoje. E que se foda o trabalho, PORQUE UMA PORRA DE UM CART?O DE PONTO N?O VAI ME DIZER O QUE EU POSSO OU N?O FAZER.

01. Too Shy - Kajagoogoo
02. Hurts to be in Love - Gino Vanelli
03. Out of Touch - Hall & Oates
04. You Belong to The City - Glen Frey
05. Harden my Heart - Quarterflesh
06. Steppin’ Out - Joe Jackson
07. Illusion - Imagination
08. Trouble - Lindsay Buckingham
09. Don’t you want me? - Human League
10. Only when you Leave - Spandau Ballet
11. Formosa - Zero
12. Talking in your Sleep - Romantics
13. Abracadabra - Steve Miller Band
14. Tenderness - General Public

Hurts to be in Love… Meu amigo, se voc? nunca deu um amasso aos 13 anos numa festinha ao som dessa m?sica, se morra a dentadas, porque voc? N?O TEVE adolesc?ncia. Yeah, as “rainhas dos cantinhos escuros” ficaram eternamente devendo uma ao Gino Vanelli.

E eu aaaaaaamo “Out ot Touch” do Hall & Oates, amo, amo, amo! Lembro de mim aos nove, dez anos, com meus primos na kombi (oh yeah) do tio Vizinho (era esse o apelido) rumando pela BR040 para Petr?polis ou indo para o Tivoli Park da Lagoa. Both ways, era n?is tudo em cima da carroceria, boca aberta contra o vento, para encher de ar (era divertido), ou cuspindo na estrada para ver a saliva ir ficando para tr?s, e quem sabe, com alguma sorte, acertar em cheio o p?ra brisa de algum carro de playboy.

Como era T?O mais doce ser revoltado.

dear diary
Escrito em reminiscências, Agosto 3, 2003 @ 10:00

Ontem fez calor por algumas boas horas. O c?u estava lindo, e ent?o, sentada na parte descoberta do terra?o, resolvi desenh?-lo. Gosto de tentar guardar na mem?ria as coisas bonitas que se apresentam a mim, mas como a minha ? fraca… Dizem que elefantes t?m uma mem?ria proporcional ao peso. Se for verdade, e se o peso for mesmo o crit?rio, ent?o eu tenho mem?ria de formiguinha. De pl?ncton. De serzinho unicelular.

N?o havia l?pis de cor, ent?o eu desenhei o c?u com l?pis comum, mesmo. N?o pude guardar o azul, o sol branco de t?o claro que cegava os olhos e n?o me deixava ver sua forma para poder desenh?-lo. Nem os raios que escapavam por entre as brechas das nuvenzinhas. Falando em nuvens, a ?nica coisa que ficou realmente perfeita no desenho foram elas, j? que s?o brancas, da cor do papel, e n?o precisaram ser pintadas. S? que o c?u do desenho ficou cinza, a cor do grafite. Cor de tempestade forte chegando. E eu fiquei feliz do mesmo jeito, porque gosto do c?u cor-de-chumbo que anuncia trovoadas e gotas grossas e barulhentas. A melodia das tempestades me deixa feliz. A pr?pria palavra, tem-pes-ta-de, me deixa feliz. Ela ? forte, poderosa. Um lindo nome para a filha que eu nunca vou ter: Tempestade.

Terminado o desenho, olhei para o c?u novamente, e vi que, sem querer, adivinhei o futuro. Um canto do horizonte j? estava tomado por uma mancha negra/azulada, linda. Como eu quis ter um l?pis dessa cor nesse momento! N?o tinha. Fotografei o c?u com a retina, mas sabia que n?o ia durar muito tempo l?. Amanh? n?o lembrarei da cor, depois n?o lembrarei da forma e do tamanho da mancha, e por fim n?o lembrarei de nada. E ent?o fiquei triste pela morte inevit?vel daquela lembran?a, e tive vontade de chorar. Depois me lembrei de que vinha vindo uma tem-pes-ta-de, e isso era motivo para sorrir. E lembrei de “well i wonder” dos smiths, que sempre me lembra chuva, e que gosto de ouvir quando chove. N?o s? porque tem barulho de chuva come?ando a cair, no final. Mas porque ela ? triste, e gosto de ouvir coisas tristes na chuva.

Por que ela ? triste? Porque a hist?ria ? triste. ? um menino t?mido que n?o sabe se a pessoa que ele gosta sabe que ele existe. E ele n?o quer ser esquecido, mas nem sabe se ? lembrado. O que pode ser pior do que ignorarem o nosso amor? ? ignorarem a nossa exist?ncia. Ser? que o outro me v?? Ser? que alguma vez pousou os olhos em mim? E se sim, ser? que despertei o mesmo interesse que uma pedra? Ou ser? que sou especial ? dist?ncia, como ele ? para mim? Nossa. Que conversa mais menininha. Eu n?o estou nessa situa??o. N?o estou. N?o estou. N?o estou. Quanto tempo leva para algo que a gente repete tornar-se realidade? ? s? uma d?vida. E eu n?o estou apaixonada.

Gotas pesadas de ?gua (vindas sabe-se l? de que oceano - ou po?a d’?gua - do mundo) ca?ram na minha cabe?a e fizeram manchas no caderno. Fechei meu desenho e olhei para o c?u. Iguais, as manchas do c?u e as que vieram parar no meu desenho. Fiquei feliz. Agora, mesmo que morresse a mem?ria da retina, ela ressuscitaria no papel todas as vezes que eu a buscasse. O papel ? o ba? dos sentimentos e das imagens. Bendito seja voc?, guardi?o das mem?rias fujonas.

Do you hear me when you sleep? I hoarsely cry.
Do you see me when we pass? I half die.
Please keep me in mind.



menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

LINK MY STUFF:


online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


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