right, then.
Escrito em ódio, Outubro 31, 2003 @ 10:30

Vamos por partes:

+ Eu vi um aparelho de som port?til no jornal. Dizia o an?ncio que ele reproduzia CDs de MP#3 Ainda liguei pro SAC da Tele-Rio (a loja onde ele estava sendo vendido) e perguntei: “? CD com m?sicas no FORMATO MP3 mesmo, ou ? s? CD-R e CD-RW?”, e obtive a resposta: “Simmm, ele toca MP3 mesmo, baixada da internet”. Ok, ent?o. Paguei 400 reais nele e o levei pra casa. O manual informou que ele tocava todas as faixas de bitrate, que reproduzia CDs gravados em multi-sess?o, e CDs contendo pastas com tipos diferentes de arquivos. Perfeito. A? eu ligo o aparelho e descubro que 1) o som dele ? uma merda, e 2) ele toca algumas MP3 (n?o todas), e mastiga as faixas, pula, enfim… Um lixo.

Levo o som ? loja pra pegar minha grana de volta, e sou imbecilmente convencida a trocar por OUTRO igual. Bom, vamos ser otimistas, podia ser problema daquele som espec?fico, n?? N.?.O. O segundo era ainda PIOR do que o primeiro. A? eu retorno ? loja, exijo meu dinheiro de volta, e o gerente responde que “a Tele Rio n?o faz devolu??o do valor em esp?cie alguma”. Eu quero falar com um superior, e ele diz que eu n?o posso, e que aquelas s?o as ordens da pr?pria diretoria da empresa.

eu: e ent?o, eu comprei o som por causa DESSA caracter?stica, que n?o funciona. O que eu fa?o? Fico usando o som como enfeite e engulo o preju?zo??
ladr?o: ?, u?.

Isso a?. MUITO BOM. 400 reais e tudo o que eu mere?o como resposta, depois de ter sido fodida sem vaselina, ? um “?, u?”.

Eu consultei o c?digo de defesa do consumidor, o site do Procon, enfim… TUDO me afirma que eu posso desistir da compra em at? sete dias ?teis depois da aquisi??o e receber a restitui??o completa do valor pago, sem ?nus algum. N?o comprem na Tele Rio, pessoas. Essa empresa n?o segue as leis e DEFECA no c?digo do consumidor, desrespeitando a quem deve tudo: n?s, clientes.

Ligo pra minha amiga advogada, e ela me aconselha a n?o procurar o Procon, pois o Procon ? “comprado” por essas empresas. Eu n?o posso resolver a pendenga pessoalmente, por causa do trabalho que me come a vida ?til. Minha m?e n?o ? muito interessada. Foi ao Tribunal de Pequenas Causas a meu pedido ontem, mas chegou l? ao MEIO DIA e, ?bvio, n?o conseguiu mais ser atendida. Voltou hoje, depois que eu ameacei mat?-la caso n?o fosse, mas estava tudo fechado… Transferiram um tal feriado que teria se dado na ter?a feira (qual????) para essa sexta, assim puderam “enforcar” mais f?cil. Acho que vou ter que faltar ao trabalho na segunda pra resolver isso, eu n?o confio MESMO nessa velha in?til. Afinal, os 400 reais n?o s?o dela, ela n?o vai manifestar o menor interesse em salvar a minha pele.

Todos s?o un?nimes em dizer que vou conseguir a grana de volta, que ? direito meu, e tal. Mas sei l?. Murphy-lhadaputa caiu de paraquedinhas na minha vida e est? me queimando a torto e a direito. Maldito seja.

E o Dia das Bruxas continua l? no trabalho. T? parecendo o Big Brother - todo dia geral de cu na m?o tentando adivinhar quem ser? o pr?ximo a ser demitido. Desde que eu entrei, j? sa?ram NOVE (e a empresa tem poucos funcion?rios). Hoje sa?ram mais dois estagi?rios. A coisa t? preta - ainda bem que eu j? fiz seis meses, e garanti indeniza??o, FGTS e aux?lio desemprego.

Jesus. Que DEPR? conseguir ficar feliz por essas coisinhas min?sculas… Feliz Dia das Bruxas pra voc?s.

velha inf?ncia.
Escrito em para refletir, self, Outubro 28, 2003 @ 10:30

Freq?entemente algu?m vira pra mim e manda a cl?ssica: “voc? n?o teve inf?ncia, n?o?”.

Poxa… Essa pergunta ? T?O recorrente na minha vida que vou ser obrigada a filosofar em cima dela. Eu j? enchi muitos t?mpanos l? no Cry Baby falando sobre o quanto fui criticada pelo meu jeitinho esdr?xulo de me vestir. N?o vou recome?ar com essa lenga. S? quero deixar claro que eu me vestia assim desde antes dos indies e dos clubbers. Dito isso, prossigamos…

N?o ? que eu n?o tenha tido inf?ncia. Eu tive inf?ncia demais. E foi t?o boa que eu me recuso a sair dela. Mas eu sou o PETER PAN, e n?o a Wendy, ok? A Wendy ? uma mala est?pida, um elemento destoante. Na Terra do Nunca as crian?as t?m a sorte de n?o precisar crescer, porque elas N?O QUEREM crescer. E justo num para?so desses aquela garota chata resolve ser a “m?ezinha”, cuidar dos meninos perdidos e fazer comidinha pra eles?!? A WENDY ? O ESTERE?TIPO DA AM?LIA e merece morrer varada pelo Capit?o Gancho ou ir fazer companhia ao rel?gio na barriga do jacar? da hist?ria, s? para n?o dar esse p?ssimo exemplo ?s criancinhas.

Mas at? que, como f?bula, a coisa procede. N?s mulheres nascemos velhas. Os homens nos enrolam direitinho com o papo: “voc?s amadurecem mais cedo”. Por “amadurecer” entenda envelhecer, ficar chata, careta, contando calorias e medindo celulites, tomando anticoncepcional que faz mal ao cora??o, fazendo pl?sticas sacrificantes para manter (?) o amor (!) deles, carregando os filhos deles, fazendo tripla jornada (trabalho, casa, vida pr?pria) e ainda achar que somos “poderosas” por causa disso.

JURA que somos burras assim? Ou h? algum benef?cio oculto em fazer esse papel de idiota, e eu ainda n?o saquei? Se for isso, deixem de ser ego?stas e ME CONTEM! Porque sen?o eu vou morrer solteira, dando pra todo mundo, bebendo muita cerveja, e achando que isso ? legal.

Bem… J? me disseram que eu me visto desse jeito, que eu me comporto desse jeito (comportamento? Eu n?o me comporto feito crian?a! Eu n?o uso fraldas nem chupetas e n?o esperneio quando quero alguma coisa… Bom, pelo menos n?o esperneio de forma muito ostensiva) s? porque morro de inveja da juventude das crian?as e adolescentes – que eu, como jovem adulta, n?o tenho mais. Acho crian?as em geral chatas e adolescentes em geral ac?falos (h? poucas e boas exce??es, claro, mas que confirmam a regra). Bem, eu tenho inveja sim, da irresponsabilidade deles e s?. Mas eu posso muito bem ser adulta E irrespons?vel – basta que eu seja tamb?m MACHO o bastante para ag?entar as conseq??ncias disso.

Mas, da “juventude” deles? Nah. N?o se pode invejar algu?m por uma coisa que ele N?O tem. Crian?as e jovens n?o t?m o elixir da juventude dentro de um vidrinho na prateleira do banheiro. Eles n?o s?o jovens, eles EST?O jovens, assim como eu j? estive, e ainda estou, se comparada a Matusal?m (hahaha, que piada sem gra?a, Lolla Monga). A juventude ? uma coisinha que pedimos emprestada ao Tempo, com fins de aprendizado. Um dia, o Tempo vai pedir de volta. E a?, n?o adianta usar camiseta das Powerpuff Girls, nem meinha listradinha. No matter what you do, a funer?ria vai faturar mais um dinheirinho em breve…

T? com fome.

Escrito em resmungos, self, Outubro 26, 2003 @ 10:28

S?bado. Carne com o namorado na churrascaria do Rio Decor, aqui na Rio-Petr?polis. Duque de Caxias (pra quem n?o sabe, minha cidade) fica ?s margens dessa rodovia, tamb?m chamada Rio-Juiz de Fora (ou BR-040, como reza o DNER) e que leva o povo para passar fim de semana na serra. Estou com uma puta saudade de Petr?polis. Mas como Petr?polis me lembra um certo algu?m, melhor manter dist?ncia at? exorcizar essa id?ia (e o algu?m).

A carne estava boa, embora eu praticamente s? coma frango, cora??o de galinha e lingui?a. O rod?zio ? barato, tem uns acompanhamentos nota dez, e ? bem melhor do que me arriscar numa ida ao Porc?o. Pagar os olhos da cara e da bunda pra correr o risco de me deparar com alguma “celebridade global” - e ser obrigada a eviscerar tudo o que comi at? o momento no ch?o do restaurante. N?o, eu definitivamente N?O preciso disso.

Passei o dia meio taciturna, meio enfiada dentro de mim mesma. Algu?m a? j? sentiu saudades de pessoas que n?o deveriam despertar esse sentimento? N?o estou falando s? de ex-namorado(a)s/ficantes calhordas, n?o. De qualquer pessoa. Hoje eu me peguei com saudade de uma velha amiga. N?o exatamente dela, mas de sair com ela, do tipo de conversas que eu tinha com ela. Acho que eu senti mais falta do CONTEXTO. Porque a algumas festas memor?veis foi ela quem me levou. Conheci gente, vivi momentos. E agora isso parece estar trancado dentro de um bauzinho de madeira que ficou enterrado no quintal da minha ex-casa. N?o d? pra ir l? e buscar de volta. E, mesmo que volte, o bauzinho de madeira certamente j? dever? estar apodrecido pela umidade da terra fofa do jardim, e seu conte?do para sempre modificado. Nothing will be the same again.

E ontem teve bedroom dancing na casa da Sammy. Ouvimos Rush e bebemos cerveja a madrugada inteira. Eu estava com saudade de beber cerveja gelada. E da Samara (fizemos fotos l?sbicas no banheiro, and you’re not gonna see it). E do Rush - essa banda era querida at? eu ir ao show, quando ent?o ela entrou pro meu time de favoritas. Gosto das radiof?nicas, gosto das cl?ssicas, gosto das longas e dif?ceis. Essa banda me deixa feliz, assim como Supertramp deixa o meu namorado feliz.

E por falar nele, eu acho que ele vai embora. Vai ter que voltar pra BH. Mas disso eu falo depois que as suspeitas confirmarem-se. Mas n?o vou ficar triste; eu sei quem s?o as pessoas que entram na minha vida pra FICAR. E, ao contr?rio da Bianca, que s? figura nas minhas lembran?as por ter sido um “elo de liga??o” para uma s?rie de coisas boas, o Marcos vai ficar, independentemente de qualquer outra coisa, boa ou m?, que tenha nos sucedido; vai ficar mesmo que se v?. O que temos jamais estar? enterrado dentro um bauzinho no meu passado. O que temos, teremos sempre, no matter what.

o mercador do mal.
Escrito em LOL, Outubro 24, 2003 @ 10:27

O Jorge acabou de ligar. Est? vendendo um gravador de DVD e perguntou se eu quero. No momento n?o me interessa, um dia quem sabe? Um dia eu baixarei filmes velozmente pela rede e a? sim, ser? legal poder armazen?-los em disquinhos redondos espelhados. Por ora, n?o. N?o tive medo de perder a oferta. Sempre aparecer? um outro aparelho roubado que ele queira me vender por 300, 400 reais - quando valer? o dobro, ou mesmo o triplo.

O Jorge ? meu t?cnico de confian?a. J? penei na m?o de gente com “diproma” que, durante o “concerto”, fodeu mais ainda com meus aparelhos. O Jorge ? um cara tosco, mas eficiente. Aprendeu o que sabe fu?ando (o m?todo mais confi?vel) ou assistindo aulas como aluno clandestino em universidades p?blicas. Atualmente ele tem at? um certo prest?gio. J? o vi duas ou tr?s vezes no Jornal Nacional ou RJ TV prestando consultoria acerca de v?rus, hacktivismo, clonagem de componentes/celulares. Faz servi?os pra gente famosa, mas sempre vive chorando mis?ria. Como ele ? de casa, me cobra 40 reais no m?ximo para qualquer tipo de servi?o, n?o importa quanto tempo leve (mas quase sempre ele resolve em quest?o de minutos) ou quantos programas instale. Pechincha.

S? que ele tem uma atra??ozinha pelo submundo. Vive enfiado na Vila Mimosa, fazendo fotos de putas arreganhadas para sites de prostitui??o. J? foi DJ de puteiro - baixava as m?sicas da web e fazia a trilha sonora da trepada alheia. De vez em quando ele acolhe alguma piranha rec?m chegada do interior em seu apartamento no Flamengo, d? a ela amor, carinho e um ombro onde chorar. Mas assim que ela arruma um cafet?o mais bonito (sim, porque ele ? feio pra ded?u), ele ganha um p? no rabo. Triste sina. Fora o interesse quase antropol?gico pelas putas, ele tamb?m se liga numa ilegalidade. Vendia celular roubado, clonado, bem como equipamentos de inform?tica surrupiados. Outro dia ele estava aqui removendo uma virose do meu PC, quando o celular toca. O som estava alto, e eu “pesquei” alguns trechos do que o seu interlocutor dizia. Algo do tipo:

an?nimo: e a?, arrumou o meu bagulho?
jorge: ainda n?o, ainda n?o… vou pegar amanh?, s?.
an?nimo: porra, meu amigo… t? precisando disso pra ontem…
jorge: eu sei, eu sei… j? t? certo, amanh? mesmo.
an?nimo: v? isso a? pra mim, t? dependendo disso pra fazer uns esquemas… agita a? pra mim…
jorge: valeu, valeu… tchau.

E desligou. Minha cara de cu: “voc? t? vendendo droga?”, e ele: “n?o, ? o (INSIRA O NOME DE UMA FIGURA BEM POPULAR DO JORNALISMO DA REDE GLOBO AQUI) que t? me cobrando um laptop… Ele j? pagou, mas o cara que fornece s? ficou de trazer amanh?”.

eu: roubado?
jorge: claro, p?… hahahaha.
eu: pera?, esse cara N?O PRECISA comprar roubo, ele tem grana!
jorge: se voc? pudesse pagar mil reais num laptop que vale 10 mil, ia fazer quest?o de uma merda de nota fiscal?
eu:

Detalhe: o “fornecedor” estava cobrando 500 reais pelo computador. O resto era a “comiss?ozinha” do Jorge.

Putz. Tenho que entrar pro wild side.

suburbia.
Escrito em diariamente, Outubro 22, 2003 @ 10:26

Suburbia ? uma m?sica lindinha do Pet Shop Boys. Sub?rbio ? um lugar legal, com lojinhas baratas pra comprar quinquilharias, e onde as pessoas colocam cadeiras de praia na cal?ada pra conversar com os amigos. ? t?o ou mais violento que a zona sul, mas a paran?ia que atinge alguns moradores de Leblon-Ipanema-e-adjac?ncias ainda n?o achou via de entrada para as cabecinhas dos suburbanos, que acham que a vida ? bela s? porque tem torresmo fritando na panela e pagode tocando no r?dio.

Eles t?m as manhas da felicidade, enquanto a classe m?dia, que se acha rica porque economizou tr?s d?cadas de alegria para comprar um Audi, s? tem duas preocupa??es: que sequestrem ou vendam drogas a seus filhinhos consumistas em frente ao col?gio particular car?ssimo, e que assaltantes descubram o cofre clich? - como SEMPRE, atr?s do quadro em cima da cama do casal. E eles ainda acham que esconderam direitinho… Pfe.

Eu fui ao sub?rbio com meus amiguinhos, ver um filme porcaria num cinema barato (porque pagar pre?o de multiplex pra ver filme de circuit?o ? coisa de besta que acha cool ser roubado s? pra alegar que ele PODE ser roubado), comer pipoca na pracinha e fotografar a Igreja da Penha. Eu perco MUITAS oportunidades de fotos por n?o ter coragem de apontar a c?mera em qualquer dire??o, de deitar no ch?o pra pegar um ?ngulo melhor, enfim… As melhores fotos n?o s?o feitas de paisagens j? exaustivamente registradas. As melhores fotos s?o o tabuleiro de doces coloridos, os dentes estragados do cego que pede esmolas na escadaria da igreja, o casal de mendigos dormindo abra?ados, as rugas da freira que aproveita um momento de distra??o divina pra cair de boca numa ma?? do amor, enfim… Esses momentinhos que nos deixam felizes pelo simples fato de termos estado l? para poder eterniz?-los no papel (ou na tela do PC).

Eu tentei bancar a foda de novo, e me estrepei de novo. Havia um elevador ao lado da escadaria (gentilmente fornecido pelo nosso prefeito factoidiano, C?sar Mala), mas eu julguei ingenuamente que ele fosse destinado ?quelas senhoras que mal podiam suster-se de p?, imagine escalar os - quantos mesmo?? s? sei que eram MUITOS - degraus daquela escadaria, t?o linda quanto torta, esculpida na pr?pria pedra gigantesca onde a Igreja repousa soberanamente, pairando por sobre a cidade e sendo observada de lugares distantes; tenho vis?o privilegiada da Igreja da Penha aqui mesmo do terra?o.

Eu escolhi mal o dia da visita. O sol fritava a minha pele e minava minha resist?ncia enquanto os degraus iam ficando para tr?s. Cheguei quase agonizante ao p?tio da igreja, sendo rapidamente consolada pela vista e pela garrafa d´?gua que o Rog?rio derrubou na minha cabe?a ali mesmo, na frente de geral, enquanto uma mocinha tratava de me entregar o jornalzinho com a programa??o da missa.

Sim. Eu cheguei BEM na hora da dita cuja. O p?tio estava cheio de fi?is, que atrapalhavam meus enquadramentos, e ademais n?o ? de bom-tom disparar flashes enquanto o padre celebra, you know. Me senti deslocada, subi na mureta para uma lufada de ar respir?vel, e nesse instante (o da comunh?o, suponho) o sino tocou. E eu achei lindo. Eu adoro o som de sinos dobrando. G?tica, eu? Imagina… :o)

Depois de conseguir descer os gazilh?es de degraus, entramos todos amarrad?es no Museu dos Milagres. Todos, menos eu. Imaginei que seria s? mais um museu de arte sacra, e as primeiras impress?es foram justamente essas. Perguntei ? Roberta se eu podia fotografar ali (a meu ver, a ?nica coisa que justificaria a minha presen?a no recinto), e a cara de HERESIA que ela fez me desanimou de repetir a mesma pergunta a algum dos respons?veis pela seguran?a do local - era bem capaz de eu sair dali excomungada.

Entrei sozinha por um corredor que deu numa porta onde se lia a inscri??o “Sala dos Milagres”. Estava fechada. Mas ? ?bvio que, n?o havendo ningu?m pra impedir, eu abri. Me deparei com uma sala pequena, paredes forradas por fotografias, membros de cera (p?s, cabe?a, corpo, seios, pernas) doados por pessoas agradecendo milagres, muletas abandonadas por pessoas que supostamente haviam voltado a andar, o teto e parte de uma parede cobertos de tran?as de cabelo (?, tran?as mesmo, humanas e longu?ssimas) emolduradas em quadros e protegidas por vidros. Ao lado de cada tran?a (na verdade havia cabelo de tudo quando ? tipo, cor e tamanho, mas as tran?as imensas chamaram a minha aten??o pela singeleza), havia cartas, escritas de pr?prio punho, pelas donas dos cabelos. A maioria desenganadas pelos m?dicos quando crian?as e, salvas pela promessa feita ? Nossa Senhora da Penha, entregaram seus cabelos cultivados sem corte at? a data prometida para a doa??o. Muito bonita a imagem, que pedia, implorava uma foto - mas por respeito, eu n?o a fiz. Tinha tran?a de cabelo cortada em 1940!!!

E as fotos? Pirei. Eu olhava aqueles rostos todos, as menininhas g?meas numa foto feita em 1947, a debutante, o soldado vestindo a farda, o casal abra?ado, a vov? segurando o beb? no colo vestido de marinheiro, a mocinha vestida de formanda, e fiquei pensando em cada uma dessas pessoas (vivas ainda?) e em suas hist?rias particulares, no que as teria levado a fazer a promessa (n?o acredito nisso, by the way). Por mim teria passado a noite ali, mas o povo me achou e me puxaram porta afora porque j? estava ficando tarde e que se fodesse o meu encantamento.

that’s the story of my life
Escrito em diariamente, resmungos, Outubro 20, 2003 @ 10:24

Eu estou triste. Ou melhor, eu estava. Ranger de dentes + cinco minutinhos = al?vio imediato. T?o imediato quanto tempor?rio, mas foda-se.

Folguei na sexta, logo, fui trabalhar hoje, feriado. Minha alegria infantil (todas as minhas alegrias t?m cinco anos de idade) de pensar “ei, pelo menos os ?nibus estar?o vazios” se dissipou no instante em que adentrei o coletivo ?s seis e meia da manh? e vi que teria, novamente, que viajar sentada na escada. E vejam s? - eu nem consegui o prazer de viajar ali sozinha. Havia uma bunda na minha cara. Sorte que n?o soltava gases. Pelo menos, n?o soltou nenhum nos primeiros dois minutos de viagem.

Alegria de pobre, de fato, dura pouco. Dura nada - nem sequer existe. Pobre s? fica alegre quando ri de si pr?prio. E das suas desgra?as pr?prias.

Feriado do “dia do com?rcio” ? lenda, uma piada num pa?s de economia desaquecida. Ningu?m quer desperdi?ar o lucro de uma segunda-feira ficando em casa ou viajando pra farofar na praia. Os patr?es abrem as portas, loucos para faturar, e os empregados comparecem, loucos para n?o perder o emprego. Na volta, foi ainda pior. Fiquei UMA HORA esperando o ?nibus. UMA HORA inteira, do minuto 1 ao minuto 59. Sentei no meio-fio e quis chorar. Mas o ?dio era maior do que a tristeza, e meu ?dio ferve e evapora as l?grimas por dentro antes que elas escapem furtivamente olhos afora, mostrando ao mundo inteiro que sim, a Lolla ? uma babaca.

No primeiro ?nibus em que entrei, percebi que ia em p?, e pedi pra descer no outro ponto. De p?, num ?nibus car?ssimo (R$2,60 por quinze minutos de viagem), cheio de favelados e que ainda por cima havia passado atrasado? NAH. Desci, mas o motorista deve ter me rogado pragas, porque fiquei mais 20 minutos em p? esperando o outro (dava tempo de ter chegado em casa, se tivesse ficado no primeiro). Fiquei l?, num ponto de ?nibus cheio de b?bados, pe?es olhando minha bunda (???), pivetes tentando me vender cocada fedorenta e espertalh?es querendo me vender vale transporte falso. Quando finalmente o outro chegou, era da mesma linha, custava o mesmo pre?o e estava cheio do mesmo jeito. Ali?s, estava MUITO mais cheio.

Sentei na escada, l?grimas gotejando e escorrendo na minha bolsa linda de vinil preto, que n?o absorve l?quidos. Pe?es subiram e logo eu estava dividindo o ex?guo espa?o entre a porta e a roleta com mais QUATRO homens. Todos, sem exce??o, fediam e observavam as minhas pernas. Pedi pra morrer, ? claro, s? que mais uma vez, Deus me mandou ? merda. ? claro.

E eu tinha outras coisas pra falar. Que estou chateada e decepcionada com um monte de gente. Que eu gostaria que meu namorado virasse p? de caf?. Que eu gostaria de ter uma c?mera digital melhor, e n?o entendo porque ningu?m ainda deu um lance nela no Mercado Livre, sendo que eu estou vendendo super barato. Que ontem eu tive um dia lindo e absolutamente po?tico visitando a Igreja da Penha (e o museu dos milagres, que me deixou forte impress?o). Mas n?o vai dar. Porque hoje eu estou triste como ? default, porque hoje eu s? quero sair dessa internet, meter a cara no travesseiro e sonhar uma outra vida pra Lolla Moon, onde eu n?o tenha mais motivo pra odiar nada nem ningu?m. E, principalmente, onde eu n?o tivesse que odiar a pr?pria Lolla Moon.

E tem gente que ainda acha que isso aqui ? ficcional.
Porra, antes fosse. Antes fosse.

vest?gios do dia.
Escrito em celulóide, resmungos, Outubro 8, 2003 @ 10:23

N?o adianta. Voc? s? vai saber se fulaninho X vale alguma coisa melhor do que BOSTA depois do “teste do dinheiro”. Algumas pessoas se revelam extremamente mesquinhas, enquanto outras, por quem voc? n?o d? nada (ou at? mesmo tira), se mostram generosas, solid?rias e magn?nimas. Eu acho um absurdo detonar uma amizade por causa de centavos. Mas acho v?lido detonar com TUDO por conta de desvios de car?ter. EU ent?o sou a foda, a imaculada? N?O. A diferen?a ? que eu digo pra geral que n?o valho nada. E n?o tenho medo nenhum de admitir que falei/fiz merda e voltar atr?s. Em qualquer coisa.

Mas gente mesquinha n?o raciocina nesses termos. E estou feliz por ter recebido gente de volta na minha vida, e tamb?m (why not?) por ter tirado dela gente que estava, digamos, “sobrando”.

Eu Tu Eles na TV ontem, e n?o consegui assistir porque despenquei de sono antes do final. Tudo isso porque fiz a burrada de perder horas preciosas de ronco pra ver Xuxa Requebra na segunda. Eu s? vi pra poder falar mal embasada. Eu podia falar mal SEM VER. N?o ia errar, e eu sabia. Mas ter visto me ajudou a perceber uma coisa: a Xuxa desrespeita a nossa intelig?ncia e n?s ainda a pagamos por isso. Meu Deus. Aquilo que eu vi ontem n?o merece ser enquadrado na categoria cinema. Nem mesmo na categoria “lixo” - as latas de lixo v?o protestar.

O que mais me assombra: ganhando um sal?rio de dois milh?es de reais por m?s e tendo um patrim?nio vergonhoso de t?o imenso, DAVA pra perder um pouco mais de grana e filmar algo menos constrangedor (s?rio, eu cheguei a ficar com vergonha do filme, e olha que eu n?o escrevi o “roteiro” e nem encenei papel algum). Ali?s, nem ia precisar de grana, e sim de um POUCO mais de intelig?ncia, boa vontade e amor pela s?tima arte. Os cineastas que essa retardada loira contratou parecem n?o ter nenhuma dessas qualidades.

Bem feito o programinha dela (parece ter sido feito para crian?as autistas ou mongol?ides, by the way) estar naufragando. Outro erro grosseiro de c?lculo. Menininhos de quatro anos hoje j? usam computador, e jogam Counter Strike assim que as m?ozinhas adquirem coordena??o motora suficiente. Nenhum pirralho hoje em dia precisa da TV pra aprender no??es de grande e pequeno, fundo e raso, amarelo e azul. E aposto que quem compra esses kits Xuxa s? para baixinhos s?o os ALTINHOS retardados que s?o f?s dessa imbecil.

Tomara que a Globo se d? conta da canoa furada na qual ela embarcou e meta um dolorido p? na bunda dessa vaca. Ou ela volta a chupar a xoxota da Marlene Mattos pra fazer sucesso, ou ent?o que v? botar a Sasha pra dar as pregas nalgum puteiro de Alagoas que explore a m?o de obra infantil. Tomei nojo dessa mulher.

decadence avec elegance
Escrito em diariamente, humor observacional, self, Outubro 4, 2003 @ 10:22

Me cadastrei no Usina do Som. 5 reais por m?s pra ter acesso. Chega de baixar uma m?sica inteira no Kazaa pra depois descobrir que ela ? uma merda. Odeio ficar deletando coisas grandes do meu HD (que s? tem 5GB restantes). Odeio desfragmentar o meu HD. 5 reais a menos por m?s, ent?o - nh?.

E a? que todo mundo resolveu me chamar de eg?latra, de arrogante e similares. O que um question?riozinho bobo pode revelar, hein? Haha. Na boa, eu n?o me acho arrogante. Arrogante era a Miss Belle, mas ela era uma personagem que foi constru?da dessa forma, e com esse objetivo. Ela n?o era 100% eu.

Eu nem sei como ? ser 100% eu. Talvez ningu?m se conhe?a 100%. Mas n?o sou muito adepta daquela teoria, “os outros t?m uma vis?o melhor de mim do que eu mesma poderia ter”. Quem se conhece h? 21 invernos sou eu, quem sabe o que eu sinto sou eu, e por a? vai. Se isso faz de mim arrogante… Mas gostei muito de saber o que o povo pensa. Valeu a quem respondeu. E a quem n?o respondeu: seus babacas medrosos. Eu n?o mordo (mais).

Sobre o assunto, uma coisa: eu gosto de pessoas arrogantes. Sei de gente que tinha tu-do pra ser assim e n?o ?. S?o humildes e doces. E eu gosto delas. Sei de gente que tem mil e um problemas, mas resolveu mascar?-los sob uma capa de arrog?ncia fake. Dessas eu n?o gosto. Eu admiro a arrog?ncia tranquila. Pessoas que precisam repetir que s?o fodas-e-lindas-e-gostosas-e-geniais, a meu ver, est?o apenas tentando se convencer (e aos outros) disso na base da porrada. Do desespero. Me notem pelo amor de Deus! Se acham tudo MAS ficam pedindo pros outros assinarem embaixo. A mim s? convencem de que s?o bons atores/atrizes. Acho meio pat?tico, at? - okay, n?o ? da minha conta o papel(?o) que os outros decidam interpretar. Ali?s, n?o sei porque estou me prolongando tanto nesse assunto. Acho que ? porque hoje n?o tem ningu?m pra conversar, aqui.

Acordei de ressaca. Ontem foi anivers?rio da minha m?e. Fomos pro Brigadeiro Beer beber vinho barato, minha m?e dan?ou forr? com uma amiga dela - nada mais triste que duas mulheres dan?ando forr? juntas. Eu acho que devo ter dan?ado tamb?m, s? n?o consigo me lembrar com quem. Minha m?e estava tentando me jogar pra cima do Salvador - o dono do bar. Ontem no Messenger eu falei pras pessoas que o lugar era um p?-sujo. Efeito da cacha?a ou vontade de aparecer, hein, dona? N?o ? um p? sujo. ? at? bonitinho. Pena que esqueci a c?mera em casa, e que o n?vel dos frequentadores tenha ca?do TANTO. Antes t?nhamos jovens engravatados dos escrit?rios de advocacia que proliferam na Av. Brigadeiro Lima e Silva. Hoje temos fam?lias de pe?es e velhas gordas vestindo roupas de lycra, bebendo cerveja e comendo frango ? passarinho(a?). Estavam re-asfaltando a rua ao lado (foi destru?da pra consertar a rede de esgoto). O cheiro de piche est? no meu nariz at? agora. A d?vida se dancei ou n?o forr? com o Salvador tamb?m est? at? agora na minha cabe?a.

E ontem o micro travou (novidaaaade), por isso sa? do Messenger. E agora tenho que ir ver a cara do Marcos, j? que h? um bom tempo n?o fa?o isso. E amanh? devo ir comer angu com jil? e galinha frita no s?tio da av? da Roberta, em Santa Dalila.

Deus do c?u. O que estou fazendo da minha vida?



menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

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online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


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mais?







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