rainy sundays.
Escrito em diariamente, Novembro 30, 2003 @ 10:49

Fui ao shopping com as girls. Rio Sul, o antro das coroas dondocas caducas cheias de delineador e sombra verde nas p?lpebras pelancudas. Eles fazem cara feia quando a gente esbarra nelas sem querer. Eu acho engra?ado que elas percam tempo se preocupando com coisas como um esbarr?o quando t?m que pensar na pr?pria morte se avizinhando. Ou talvez elas acreditem que os esbarr?es as far?o morrer mais cedo. Se for assim, preocupa??o leg?tima. SORRY. Mas eu acho engra?ado.

Comprei coisas. Nada de surtos consumistas, mas certas coisas fofas n?o podem ser deixadas nas prateleiras. Enchi algumas sacolas e parcelei tudo em cinco vezes sem juros no meu cart?o Renner (ACHOU que eu ia pagar 150 reais por uma camiseta de malha vagabunda na Cavalera? N.E.M.). Eu n?o gosto mais de Natal, ent?o n?o vou comemorar. Isso inclui n?o comprar presentes de Natal. Algumas pessoas merecem? Sim, algumas pessoas merecem. Mas n?o v?o ganhar. Eu n?o quero dar. Eu gosto delas, e meu afeto sincero vale mesmo mais do que um kit perfume + sabonete ?-que-fofo. Afinal, quantas vezes eu ganhei presentes que n?o foram nada sinceros ou quantas vezes me decepcionei com quem o deu? Presentes n?o significam nada. Observem as atitudes de quem os rodeiam. E aprendam duas coisas: 1) valorizar amigos de verdade (se ? que ter?o algum, nessa vida) e 2) comprar seus pr?prios presentes. ? mais legal e n?o h? risco de errar.

E voei pra casa achando que veria o show da turn? nova da Madonna, mas Band ? Band e eu me decepcionei ao percebar que eles fizeram foi uma colagem de shows de turn?s antigas (pior: apresentada por uma cafon?ssima Wanessa Camargo com o cabelo tingido de loiro dourado) ao inv?s de exibir a prometida “Drowned World”.

Tudo bem. Eles reprisaram principalmente a turn? do True Blue - que junto com a insuper?vel “Blonde Ambition” ? minha apresenta??o favorita da Maddie… A “Virgin Tour” de 1985 ? um lixo, apesar de eu adorar essa fase “early days” dela, mas a pior mesmo foi a “Girlie Tour”, que eu assisti aqui no Rio… T?, eu vi a Madonna e dancei pra caralho e fiquei rouca e quase fui pisoteada e achei foda e foda-se o resto! A True Blue tem a Madonna com a voz e o corpitcho no auge. N?o era playback e o vocal dela est? com uma for?a e estabilidade inacredit?veis (nada dos “miados” da Virgin Tour ou das leves desafinadas da Blonde Ambition - nesse caso perdo?veis, dado o esfor?o aer?bico intenso que ela exigiu).

E semana que vem tem especial de fim de ano na Band com Legi?o Urbana. VIVA THE 80’s!!!! E eu ia falar sobre uma coisa s?ria, mas hoje n?o estou a fim, n?o. Passa amanh

WTF?
Escrito em resmungos, Novembro 29, 2003 @ 10:47

Eu CANSO de me perguntar o seguinte: o que caralhos seria “demonstra??o de for?a”, afinal? Suportar ou desafiar? Cada vez mais a primeira alternativa me lembra ACOMODA??O ao inv?s de coragem.

Mas eu n?o vou me atirar do v?o central da ponte Rio-Niter?i. At? porque morrer afogada na ba?a de guanabara n?o ? a minha id?ia de falecimento perfeito. Os coliformes fecais que infestam aquelas ?guas v?o me apontar dedos e rir da minha desgra?a. Fodam-se os coliformes - eu vou viver.

S? que eu vou aloprar. J? que pelos meios corretos, ortodoxos, legais e aprovados pela TFP e pela Igreja Cat?lica n?o estou conseguindo nada, EU VOU ALOPRAR.

Aguardem cenas dos pr?ximos cap?tulos.

candid quotes.
Escrito em LOL, Novembro 26, 2003 @ 10:47

Ok, people sucks.
Mas n?o sei por que me preocupo tanto com isso se a melhor meia d?zia de almas do inferno veio parar no meu bairro e, vez ou outra, divide uma mesa de boteco comigo.

ROBERTA: Caralho, perdi 3 kg!!! VI-T?-RI-A!
SAMMY: ?? Nem d? pra perceber.
EU: S? se foi no c?rebro.
ROBERTA: H??
EU: S? se voc? perdeu tr?s quilos de massa encef?lica, porra…
NANDO: Deixa de ser idiota. Ela n?o poderia ter perdido TR?S quilos onde s? tinha dez gramas…

SAMMY (ouvindo a m?sica do Raulzito e adaptando a letra): Eu nasciiiiii, h? VINTE anos atr????s!
MORDRED: S? se for 20 a.C.

EU: (vendo uma “vov? gatinha” se esfregando num garot?o numa mesa do Gelo & Cevada, pleno happy hour de quarta feira): Ela devia tatuar EAT ME no c?ccix.
SAMMY: Ou ent?o FUCK ME HARD.
EU: Ou ent?o PUSSY FOR FREE.
NANDO: Ou ent?o I PAY CASH IF YOU EAT MY PUSSY.
EU: Ou ent?o I PAY CASH IF YOU FIND MY PUSSY.

NANDO: Hm, Sammy… Voc? com essa roupinha…
SAMMY: T? gostosa?
NANDO: Puta de Vila Mimosa perde. Nem aqueles puteiros que s? t?m dinheiro pra pagar uma puta s?, nem aquelas putas que aceitam vale transporte e ticket refei??o…

SAMMY: Ca-d? a m?e do baaaaambi, caaaaaara!!!! (piada interna)

NANDO: Vamos trepar?
EU: N?o.
NANDO: Why not?
EU: “why I not love you”.
NANDO: do you need to love me to boquete me?
EU: FUCK YOU
NANDO: I would, if i could
EU: I can help you, if you need
NANDO: okay. see those empty bottles??
EU: HAHAHAHAHAHAHAHA

Acreditem, voc?s n?o iam aguentar UMA tarde conversando com a gente.

what the hell am i doing here?
Escrito em self, Novembro 25, 2003 @ 10:46

T? bom, ent?o.
Eu n?o entendo as pessoas, e elas n?o me entendem.
N?o vou mais aprender a falar o idioma delas.
Algumas coisas eu sinto que estou velha demais para aprender.
Outras, eu simplesmente n?o quero aprender.

N?o vou me rebelar contra o sistema. At? porque n?o h? sistema. O que existe s?o pessoas. Falando a verdade, eu nunca gostei delas e elas nunca gostaram de mim. Eu sempre fa?o o melhor, ningu?m entende nada, e eu sempre levo a fama de bruxa mem?ia no final da hist?ria.

Que fazer pra mudar isso? Bancar a sonsa - coisa que n?o sou? Ficar me fazendo de v?tima de maneira cr?nica, para que as pessoas tenham pena de mim (e assim me livrar das pancadas, porque em cachorro morto ningu?m bate)? Me fazer de fofinha, meiguinha, bacaninha, para que elas pensem mil vezes antes de me dizer verdades, porque “ah, mas ela ? t????o legaaaaaaal…”.

Pau no cu dos legais.
Pau no cu.
Eu quero sentir tudo sem anestesia. Quero ser eu mesma e ter por perto gente que saiba admirar autenticidade, e n?o que bajulem por conveni?ncia - QUE conveni?ncia??? Eu n?o tenho NADA a oferecer al?m de porrada e afagos em quantidades milimetricamente iguais. Ou nem tanto.

Ah, acha que n?o t? bom?
Ent?o, v?o puxar o saco dos outros em guestbooks. V?o l? fazer social, v?o. Eu n?o fa?o social. O termo “anti social”, no meu caso, N?O ? s? charminho. Tenho sangue de eremita correndo nas veias and I like it.

Se n?o houvesse j? um monte de patricinhas-evil-girls-wannabe com o nome BORN TO BE BAD tatuado no c?ccix, eu juro que tatuava. Mas n?o no c?ccix, que ? coisa de patricinha-evil-girl-wannabe-but-in-fact-wanting-to-look-like-a-whore. E eu acho isso legal, sabe. Mas eu n?o quero to look-like-a-whore. I look like shit, in fact. And I like it.

Vou tatuar alguma frase de efeito.
Quero ficar na moda.

rain.
Escrito em reminiscências, Novembro 19, 2003 @ 10:45

Rainy days are the BEST.
Claro, nem t?o belos quando se est? a fim de voltar pra casa numa quarta feira calorenta, desaba aquele aguaceiro do caraglio e voc? l?, sem guarda chuva, vestindo roupas pesadas que empapam e pesam mais ainda depois de molhadas.

Mas n?o foi isso o que aconteceu hoje. Podia ter sido, mas eu tive alguma sorte, e quando a chuva desabou, eu estava dentro do ?nibus - e antes que eu descesse ela serenou. Obrigada, chuva, por me proteger e por me deixar assistir de camarote (voltei pra casa sentadinha, e na janela!) o espet?culo do “c?u noturno” ?s quatro e meia da tarde, das nuvens cinza chumbo se espalhando num c?u que lutou enquanto p?de para se manter claro, do estrondo (para mim, encantador) dos trov?es se aproximando, e ? claro, os raios. Eu a-m-o rel?mpagos. S? a palavra j? ? linda. E hoje ? tarde eles ca?ram grossos e fartos, atra?dos pelos p?ra-raios das margens da Av. Brasil, transformando o c?u num enorme letreito de neon piscante. Lindo, lindo, lindo. Tem gente que bate palmas pra p?r-do-sol na praia. Eu queria aplaudir tempestades - de p?.

E as pessoas correndo pra se proteger da chuva? Acho engra?ado. At? porque elas est?o sem sombrinha, mesmo, deviam relaxar. O que se perde, enfim, chegando-se em casa ensopado? Nada. ?gua n?o mata ningu?m. O problema ? que a obsess?o por fazer as coisas “seguindo o padr?ozinho” FODE com tudo, mata as vontades. E ent?o a ral? prefere n?o estragar o penteado ou n?o molhar a camisa nova do que se permitir sentir a car?cia rude que os pingos duros de uma chuva forte fazem na pele. De-l?-ci-a. Morri de saudade de um bom “rain shower” hoje, ao ver idiotas buscando marquises enquanto um mendigo repousava sereno dentro de uma po?a d´?gua. S? os mendigos s?o felizes. Eles mandaram as conven??es sociais irem tomar no cu e sentam-se ? beira do caminho rindo da cara dos transeuntes do sistema.

? bastante sintom?tico que TODAS as pessoas que foram (ou s?o) significativas na minha vida, tenham dividido um banho de chuva comigo. Deve ser uma esp?cie de batismo, sei l?. Poxa. Bateu saudade mesmo de me enfiar debaixo de um tor?. Mas ser? que eu AINDA consigo ligar o foda-se e n?o me preocupar com a roupa, com os livros dentro da bolsa, com o t?nis que pode descolar a sola na ?gua?

Tomara que sim.

Quando eu era crian?a, s? tinha medo dos raios, nessa hora (sim, todo mundo j? ouviu hist?rias horr?veis de raios matando gente… E as av?s: “n?o fale ao telefone enquanto estiver chovendo”, “n?o fique perto de espelhos, nem debaixo de ?rvores”, “n?o segure nada de metal”). Um medinho gostoso, um risco calculado, que fazia o meu cora??o acelerar de susto-prazer-suspense quando o c?u se iluminava). Eu vou saber, depois do pr?ximo banho de chuva, se eu finalmente virei adulta.

Tomara que n?o.

it’s been a hard day’s night.
Escrito em LOL, Novembro 18, 2003 @ 10:42

Tive uma noite sui generis, sabem… ?s dez e meia desliguei o micro e fiquei feliz por estar indo dormir quase ? hora recomendada para uma mocinha de fam?lia. Assim que meti a m?o no interruptor da luz, prestes a me encaminhar para a cama, a porra do telefone toca. Eu j? disse que odeio telefones umas mil e quinhentas vezes? Ainda assim, n?o terei dito o bastante: EU ODEIO TELEFONES. Eu devia ter feito o de sempre: ignorar o toque. Mas o toque do meu aparelho ? estridente, sabe. E eu estava numas de ir dormir, sabe. E minha m?e j? tava no en?simo pesadelo e n?o ia acordar pra atender, sabe. Atendi. MAU SAP?O.

- Al?… (voz de Lolla puta e pra pouqu?ssima conversa).
- Oi, sua m?e t? acordada??

WHAT THE FUCK, pensei eu.

- Dormindo. Liga amanh?.
- Olha… Sou eu, Margareth, a vizinha do pr?dio quase aqui em frente… Presta bem aten??o ao que eu vou te dizer…

DUH, pensei eu.

- Tem um cara querendo pular pra dentro da sua casa… Ele t? de cal?a jeans e blusa branca. T? em p? em cima do muro da casa ao lado olhando pra dentro da casa de voc?s…
- T? legal.

Cara, eu sou MUITO notionless, ?s vezes. Apesar de estar ouvindo algo que supostamente seria uma bomba, tudo em que eu consegui pensar foi: “preciso dormir agora” e “que ladr?o mais arrumadinho… Dona Margareth, se ele for gato me avisa que eu vou l? abrir a porta, R?”.

- T? legal????
- Eu fa?o o qu?? Chamo a pol?cia? - e eu disse isso sem o me-nor entusiasmo, s? porque achei que deveria dizer isso. Acho que at? mandei um bocejo nessa hora, by the way.

- Melhor subir no terra?o e checar se ele realmente tem a inten??o de invadir a casa. Se voc? achar que sim, ligue pra pol?cia.

Ah, BOA. Primeiro ela realmente achou que, havendo algu?m praticamente dentro do meu quintal, eu seria est?pida a ponto de escancarar as portas da fortaleza pra checar whatever the fuck. E, se ela achava mesmo que havia a possibilidade de ele n?o querer invadir, porque ligou para atemorizar? Chamasse a pol?cia ela mesma, oras.

- T? bom ent?o. Valeu. Tchau.

Click. “Ah, agora eu vou dormir!”, pensei eu. Mas a alegria durou pouco. A Margareth ? amiga da minha m?e. Outra das desocupadas que vivem gravitando em torno dela. Amanh?, CERTEZA, ela vai tocar no assunto. E minha m?e iria me fritar em dend? se eu n?o a avisasse. Imagina s?. Um “mau elemento tentando invadir a resid?ncia”, e eu fui dormir. Que absurdo!!!

Absurdo era o meu SONO. Mas t? bom, vamos ? boa a??o do dia: “m?e-a-vizinha-ligou-e-disse-que-tem-algu?m-pulando-o-nosso-muro-boa-noite-me-acorde-?s-seis”.

- HEIN???????????

Porra. Fodeu, fodeu, fodeu.

Nos sessenta minutos que se seguiram a isso, ela surtou. Ligou para TODOS os telefones de amigas num raio de vinte quil?metros. Ficou recebendo liga??es de volta de cada uma delas. Acendeu velas e orou. Me fez ficar de guardi? com os olhos grudados no visor da porta principal. Rastejou feito uma lagartixa pela casa, olhando por debaixo de frestas de portas. Fritou um ovo pra comer. Sequestrou um balde para o pr?prio quarto, com objetivos nada nobres. Eu bem que tentei ir pra minha caminha durante o per?odo. N?o deu. O telefone tocava a cada dez segundos. A cada toque, uma desocupada diferente tocando O Terror Psicol?gico ? la Hitchcock.

Finalmente, uma madorna de meia horinha. Da qual fui acordada ? meia noite, com o ru?do da porta da frente sendo escancarada. Bom, OU o ladr?o conseguiu o que queria, OU minha m?e pirou de vez e est? abandonando o navio, feito os ratos. Abro a porta do meu quarto, de pijaminha de malha rosa listradinho, olhos ardendo, cabelo embolado, e simplesmente dou de cara com TR?S POLICIAIS MILITARES, arma em punho, no meio da minha cozinha.

- A sa?da pro terra?o ? aqui, dona?

WHAT THE FUCK?!?!?!?!?!

Minha m?e apontou a subida, olhar grave. Nesse instante eu percebi que estava fodida e mal paga. Tranquei a porta do quarto, fui dormir e tive pesadelos monstruosos. Acordei ?s seis, e s?o os meus restos que digitam essa porcaria aqui, agora.

Eu acho que preciso ir dormir.
Por precau??o, o telefone j? est? fora da tomada. Os DOIS.

pointless.
Escrito em para refletir, Novembro 17, 2003 @ 10:41

Lalala, vidinha.
Eu n?o sei o que fa?o aqui.
E sei menos ainda o que voc?s fazem a?.

Para mim, tudo ? estranho, agora. Parece que estou presa dentro de uma garrafa de vidro, em exposi??o, e todos do lado de fora me observam. Mas n?o me sinto s?, nem estranha, porque todos eles tamb?m est?o dentro de garrafas. Alguns se d?o conta disso, outros n?o.

Talvez os que n?o percebam sejam os mais felizes. Eles apontam dedos para os outros e rolam de rir. S? que o fato de parecerem felizes n?o quer dizer que de fato estejam. Tomara que estejam. Se ? para ser prisioneiro de uma garrafa de vidro e, desgra?adamente, nem saber, ? melhor que pelo menos a ignor?ncia os fa?a felizes.

Os que percebem n?o riem. Sofrem sim, mas h? um paliativo para eles: sabem que est? em seu poder quebrar o vidro, sair das garrafas e, tocando-se, transformar toda essa merda pat?tica em algo REAL.

Resfriado…
Escrito em reminiscências, vida, Novembro 14, 2003 @ 10:40

?, resfriada, ouvindo Nina Simone e bebendo suco de groselha. Eu sou cool. Ainda estou puta com pessoas, mas deixa pra depois.

Sobre a historinha no post passado, ela n?o ? autobiogr?fica. I mean, n?o muito. A situa??o que se pode ler nas entrelinhas. A de saber que vai se foder se ousar ser feliz. De ver a felicidade como se fosse um corpo estranho, como algo esquisito, que n?o combina com voc?, com a sua vida, com a sua cor de cabelo, sei l?… Tem gente que n?o nasceu pra protagonizar comercial-de-margarina e ? bom acordar logo pra esse fato. Eu j? nasci de olhos abertos.

Um CD do Erasure. Colet?nea. Bom ao cubo. Comprada h? uns BONS anos atr?s, na ?poca em que havia uma loja da Mesbla no Passeio, RJ. No tempo em que havia camel?s vendendo CDs roubados em frente a essa mesma Mesbla. No dia em que vi uma mo?a ser arremessada contra a vitrine de vidro dessa mesma Mesbla, por um “seguran?a” (ir?nica, essa palavra, nesse caso), acusada de estar roubando um CD.

A bolsa estava vazia. E o alarme n?o apitou quando ela saiu porta afora, amparada por algumas pessoas, que amea?avam a Mesbla de processo.

Sa? tamb?m, morta de medo de o alarme apitar por engano, e comprei o mesmo CD, s? que roubado, logo em frente (ah, que PUTA saudade desses camel?s!). O seguran?a tinha cara de quem n?o tem reais pra comprar CD caro na Mesbla. Mas “ordens s?o ordens”.

Sangrou um pouco a testa da mo?a. E eu nunca mais dei um centavo ? Mesbla. Que faliu tempos depois.

personal oppinion, ok?
Escrito em resmungos, Novembro 12, 2003 @ 10:39

Eu recebo um ou outro email (a cada seis meses, diga-se) de gente que eu n?o conhe?o dizendo que eu sou legal, e que eles acompanham minha vidinha assiduamente. Eu gostaria de conseguir fazer algo assiduamente, mas eu sou MUITO dispersiva. Acho um site bacana e penso “Foda, vou ler todo dia!”. No dia seguinte j? nem lembro o endere?o. O mesmo com programas, novelas, pessoas. N?o consigo dizer “presente” todo dia, nem a pau.

Mas ?s vezes, de bode no trabalho, leio a coluninha tosca e mal escrita do Lucio Ribeiro na Folha Online. Ele diz (e eu acredito!) que tem gente que escreve at? pro Ombudsman do jornal se queixando quando ele atrasa a atualiza??o! ? mole? ? muita moral para um idiota s?. Sim, eu acho a coluna dele meio chata hype wannabe e aquela mania de escolher uma bandinha escrota qualquer a cada semana e dizer que ? a melhor coisa do planeta na atualidade me d? n?useas.

O pior ? que eu sou uma idiota e gosto de conferir antes de falar mal. L? vou eu gastar meu precios?ssimo tempo baixando m?sicas do Rapture, do Elefant, do White Stripes e afins pra ver qual ?. Acho tudo a mesma titica de pombo. Strokes ? uma das PIORES bandas que j? ouvi na vida.

N?o estou dizendo que seja preciso se enterrar vivo num conservat?rio pra aprender teoria musical. Mas quero de volta os tempos em que ter o que dizer era mais importante do que ter atitude. Onde o que ficava de uma banda, quando ela pendurava paletas e baquetas, era a m?sica, a filosofia E o clima - e n?o apenas o ?ltimo. Se os anos 90 foram um limbo musical, o novo mil?nio caminha a passos largos pra redirecionar a escala evolutiva da m?sica ralo adentro de um bid?.

Estava eu no ?nibus hoje voltando pra casa quando a Elis Regina apareceu no dial cantando a fod?ssima “Como nossos pais”. ? certo que “o novo sempre vem”, mas, e se o novo por acaso for RUIM? Devemos renegar o passado s? porque ele ? passado? Devemos ach?-lo cafona s? porque a fila anda? Ser? que o “vamos em frente porque atr?s vem gente” ? uma verdade indiscut?vel?

Eu caminhava com meu pai pelo sub?rbio onde ele passou a juventude, e ele me dizia que as favelas sempre existiram, mas os “bandidos” daquela ?poca respeitavam mulheres e crian?as, n?o mexiam com trabalhador e resolviam suas pendengas na ponta do canivete. Evolu??o n?o ? tudo. Eu tentei dar uma chance ao futuro, e me arrependi. Por que n?o d?o uma chance ao passado?

quase-fic??o.
Escrito em reminiscências, Novembro 11, 2003 @ 10:38

Eu estava de costas para um dos pilares do coreto. A tarde ia embora r?pido demais, mas ia esquecendo acesas a luz das estrelas. O vento me dava tapinhas na cara, como se irado com a minha bobice. Ele estava ali, eu estava l?, nos bra?os dele, eu sentia a ponta dos seus dedos nas minhas costas. Minha boca a cent?metros da pele do seu pesco?o. E eu estava em p?nico. Um p?nico t?o grande que eu n?o conseguia me lembrar de que devia estar feliz.

De repente os l?bios dele desceram e tocaram a minha testa. Nem vou falar no efeito de descargas el?tricas que isso causou, porque eu acho que ? um clich?, mas s?o descargas el?tricas, ora bolas… N?o direi que foram c?cegas em todas as c?lulas do meu corpo porque n?o foram. Ou melhor, foram tamb?m. Mas as descargas el?tricas… Quem descreveu primeiro dessa forma o efeito do toque dos l?bios do seu Deus Particular em sua testa, estava com a raz?o. E nunca ser? desmentido.

- Eu quero aquele beijo agora.

“N?o, voc? n?o est? dizendo isso”. Eu pensei enquanto sentia os l?bios dele se moverem colados ? minha pele. Frio na barriga, calor no peito, eu estava num estado de multi-temperaturas. O p? estava morno. A boca havia secado, des?rtica. Um rolo compressor me amassava os membros, eu n?o podia me mover, e meu c?rebro tinha virado vitamina de banana. Que devia estar fervendo, pois minha cabe?a derretia. Tive at? medo de queimar os l?bios dele que, sempre colados ? minha pele, falavam coisas que eu n?o era mais capaz de ouvir. E eu tinha certeza que o meu cora??o batia t?o forte que tamborilava no peito dele. E ele era um idiota se n?o percebia. Os bra?os que envolviam a minha cintura machucavam, desacostumada que eu sou de carinhos. N?o, ele n?o pode estar me pedindo um beijo. Porque eu n?o posso negar, mas eu preciso negar.

- Eu n?o posso.
- Eu pe?o. Melhor, eu imploro.

N?o implore. Mas ele n?o ouviu meu pensamento. Soltou meu corpo, tomou minhas m?os geladas-quentes e ajoelhou-se aos meus p?s. E pediu teatralmente, sorriso nos l?bios que estariam nos meus t?o logo que eu permitisse, mas algo na respira??o dele tra?a nervosismo. Eu estava aprendendo a ler a respira??o dele, os sinais do seu corpo. Bom.

S? que n?o ia ter beijo. Ora Diabos, eu sou uma menina triste. Eu ou?o m?sicas tristes em dias chuvosos, eu moro com uma av? r?stica, eu passo tardes lendo Byron em cemit?rios, eu n?o me lembro do rosto da minha m?e, eu troquei amigos por um di?rio e eu choro em com?dias porque elas me lembram de que eu n?o sei rir. Meninas como eu n?o beijam na boca. Meninas como eu n?o recebem na boca outra l?ngua que n?o seja a sua pr?pria. Meninas como eu n?o deixam que apalpem seus seios. Meninas como eu n?o sentem “coisas”. Ok, eu sinto “coisas”, e eu continuo sendo EU apesar disso. Quem sabe se eu fizesse as outras coisas, n?o poderia continuar sendo EU, tamb?m?

N?o. N?o vale a pena arriscar. Eu n?o vou trair o “movimento das meninas tristes que n?o t?m namorado”, nem o “movimento das meninas mal-amadas porque n?o podem amar”. Eu n?o vou cruzar a faixa. N?o vou ultrapassar a linha amarela. N?o vou dar uma reviravolta de n?o-sei-quantos graus na minha vida. N?o cabem reviravoltas na minha vida. S? as que me jogam no ch?o. E ele n?o era o ch?o. Ele era o c?u, o para?so, o firmamento com luzinhas de estrelas hist?ricas faiscando. Em suma, ele era tudo o que eu n?o podia tocar.

Eu n?o vou destruir com um beijo real a m?gica que ? fantasiar beijos improv?veis, noites a fio. Eu n?o vou trocar as noites que ardi enrodilhada num travesseiro fervendo de desejo por noites enroscada num homem que me far? sentir outra pessoa. Eu n?o sei se quero ser outra pessoa. N?o sei se quero evoluir, feito um Pok?mon. Eu n?o vou renegar meu lado loser. At? porque ele ? o ?nico que tenho.

- Eu queria que a gente fosse s? amigos…

E ele se ergueu devagar. Ia me dizer alguma coisa crucial, mas eu nunca saberei o que era, pois idiotamente o interrompi com uma afirma??o est?pida:

- Seus olhos est?o tristes.

E estavam. Era como se alguma das m?ltiplas luzinhas que piscavam desde sempre dentro deles tivesse queimado, e em efeito cascata, todas as outras fossem se apagando. Isso. Havia um curto circuito dentro dos olhos dele. Sem inc?ndios farfalhantes, s? o apagar melanc?lico das luzes que iam morrendo.

- Estranho. Eu estou sentindo uma bigorna dentro do peito. Meu cora??o est? pesando mil toneladas.

“Sinal de que est? cheio”, eu respondi. Nossa m?e. Naquela tarde eu havia pedido para ser tola e estava abusando da permiss?o.

- N?o. Cora??es vazios ? que pesam.
- Cora??es desafiam as leis da f?sica? (burra, burra, burra, MORDA A L?NGUA!)

E ent?o ele sorriu. Mas eu podia jurar que n?o estava feliz.

- E existe ALGUMA lei a que eles obede?am?

Eu n?o sei. Eu s? obede?o ?s minhas.
Por mais e mais est?pidas que elas possam parecer.


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menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

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online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


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