December 11, 2003

Eu não sou uma boa menina. Subi quase uma hora de morro rodopiando por entre becos e pulando poças de esgoto para chegar ao terreiro, digo, ao galpão do Salgueiro para um autêntico baile fânque carioca. Foi preciso guia local para que a gente achasse a bagaça.
Confesso que dancei e que ri. Alguns funks mais proibidões não tocam nas rádios. Mas tocam lá. E as letras são de um brilhantismo coloquial comovente. E achei bastante interessante, do ponto de vista sociológico, ter me deparado com inúmeros cidadãos sem camisa, dançando com AR-15 pendurados nos ombros. Chato só ter tomado uma coronhada, de bobeira, coisa assim "sem querer", acidental - mas doeu e abriu uma pequenina brecha na minha testa.

MATADOR: Aí, foi mal...
Eu: Tem erro não, foi acidente.
MATADOR: É, tá vendo?...

E eu ia falar O QUÊ?

Bebi gummy de váááários sabores, comi churrasquinho (linguiça é mais seguro, o gosto é inconfundível e o risco de o churrasco "miar" é menor), caipivódega (pra mim aquilo era cachaça dentro de uma garrafa de Smirnoff, mas qual é a diferença, mesmo?), ouvi elogios à minha bunda e ao meu cabelo, fui chamada de "sereia", "princesa", "neném", e umas outras coisas que a) eu não entendi ou b) prefiro fingir que não entendi. Não dei beijo na boca, though.

Amanhã eu não sei se volto lá, ou se vamos pra Vila Mimosa beber e ver o movimento ou se vou com o J. prum baile funk de rua no subúrbio onde ele será DJ. Os traficantes pagam 200 pratas pra quem fizer o serviço até três, quatro da manhã. Pode rolar tiroteiro? É lógico. Aliás, estranho se não rolar. Mas do jeito que o Rio anda, podemos ver nascer tiroteios até dentro de Salão do Reino das Testemunhas de Jeová.

E, sem querer desmerecer a crença alheia, o baile funk é bem mais legal.

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