Mini rant.

Domingo. Nove e meia da manhã e a campainha toca.
Nem preciso atender o interfone pra saber. Não é meu pai, não é nenhum dos meus amigos que nem sonham em chegar na minha casa a essa hora. São as "amigas" da mamãe. Eu nunca gostei de gente enfiada na minha casa. Quando pequena tinha trauma das sextas-feiras, porque era o dia em que a faxineira vinha. E ela ficava lá, cantando louvores evangélicos, se enfiando em cada canto da casa, fuçando minhas bagunças embaixo da cama. Nesses dias eu ficava pela rua, para escapar do incômodo daquela invasão forçada da minha privacidade.

Não mudei. A misantropia doméstica piorou com a idade. A casa onde moramos hoje não é enorme, mas é grande o bastante para as duas pessoas que vivem nela; até porque eu raramente saio do meu quarto. Mas quase sempre quando abro a porta dele, dou de cara com alguma dessas "amigas" sentadas no sofá da sala ou na minha cozinha. Rico costuma ligar antes e marcar visita, mas parece que a classe média baixa é adepta do conceito de "ir na casa da fulana almoçar" ou "tava passando aqui em frente e resolvi...". Sabe como é.

Eu sei como é. Mas não gosto. As "amigas" da minha mãe, por exemplo, ficam sabendo a hora que eu costumo acordar (porque elas chegam antes, e olha que nem acordo tão tarde assim). Ficam sabendo o que eu costumo comer. Estou com bobs no cabelo, creme na cara? Elas vão ver. Estou com dor de barriga, estou deprimida? Elas vão saber. Passo o dia todo de camisola? Elas vão fazer piadinha não-solicitada a respeito. E a minha intimidade fica lá, exposta igual Renoir no Louvre, para a apreciação dessas malas-sem-alça-nem-simancol.

Por que eu coloquei o "amigas" entre aspas? Porque eu tenho sérias razões pra desconfiar que essas pessoas não são amigas, apenas ficam voando em volta feito moscas para tirar proveito da bondade e ingenuidade da minha genitora. Elas estão sem dinheiro? A Maria empresta. Elas querem roupa nova, mas estão sem grana pra pagar? A Maria costura fiado, e cobra barato (quando cobra...), porque é "amiga". Elas estão entediadas em casa, com problemas familiares, doentes? A orelha da Maria vira o Muro das Lamentações. Mas quando é a Maria que precisa de alguém, de alguma coisa, EU só vejo um monte de costas sendo viradas... Algumas dessas "amigas" até insinuam que presente gostariam de ganhar no aniversário. E a boba da minha mãe compra. No aniversário da Maria, entretanto, às vezes ela não ganha nem telefonema dessas mesmas... er... "amigas".

Amizade tem que ser minimamente livre de interesses para merecer o nome. Meus amigos são meus amigos porque são das raras pessoas nesse planeta cuja companhia vale a pena. Que se dane se são ricos ou pobres, se podem me pagar rodadas de cerveja ou se só têm dinheiro para dividir uma lata de coca cola comigo. Passaram no meu controle de qualidade e eu sei que isso significa muito para eles. Eu também tenho alguns "amigos-entre-aspas", mas assim que começo a sentir interesse, despeito ou abuso, eu corto. Aqueles que só aparecem quando querem pedir algo emprestado ou se pendurar na internet. Os que "brincaram" de me chamar de "caça gringo" nas entrelinhas, os que passaram a me ignorar ou disseram "isso não vai durar". Os que querem ficar enfiados aqui em casa o dia todo, e estão sempre atrás de colo, compreensão e assiduidade da minha parte. Esses não têm vida longa.

Porque eu procuro os meus amigos quando estou com saudades. Quando estou feliz e quero compartilhar (se estou triste fico na minha, porque só eu fabrico o remédio pras doencinhas da minha alma). Quando quero sair pra passear, quando um filme no cinema é a cara de um deles e eu convido para assistir comigo. Às vezes demoro a procurar, sim. Às vezes eles somem por meses. Mas nossa relação é baseada na qualidade, e não na quantidade. Ninguém aporrinha ninguém, porque tudo tem a dose certa. Sal, açúcar, remédio e até afeto.

Agora eu vou lá tentar tomar o café da manhã na minha cozinha. Isso se as "amigas" da Maria deixaram uma cadeira disponível para mim.

Where the heart is.

Acabo de perder um post enorme porque começou a chover e a energia foi pro outer space.
Deu para notar que cheguei.

Mil graus à sombra, no Rio, como sempre. O vôo atrasou, como sempre. Dessa vez, no entanto, fiz amizade com dois brasileiros boa-praça enquanto esperava pelo embarque: uma baiana que estava vindo pro Rio, voltando da Alemanha onde esteve trabalhando (pelas histórias que ela contou provavelmente como prostituta, o que estou longe de condenar. Se lá pagam melhor do que aqui, you go girl) e um paulistinha playboy cheio de marra, que voltava do intercâmbio em Londres. Diferentes trajetos de vida, mas todos com saudade do feijão, do calor e de falar português. Ah, brasileiros. Deliciosamente previsíveis.

Meu quarto foi redecorado à minha revelia, como sempre. Saí da dieta no vôo, e continuei fora dela na primeira refeição em solo pátrio: arroz, feijão, frango à milanesa e batata frita, com hectolitros de guaraná (yay).

Esqueci um monte de coisas em Jersey. Meu tio está no hospital, mas passa bem. Ganhei calcinhas da minha mãe. Vi novela. As roupas das minhas Barbies couberam nas Pullips. As malas ainda estão jogadas pelo chão do quarto. Estou com dor de barriga. Meu pai diz que voltei magra e pálida; meu sonho gótico se realiza com alguns anos de atraso. Minha internet está lenta e instável, provavelmente por causa do modem (se eu sumir, já sabem). Preciso mudar o site de endereço, mas antes preciso me decidir quanto ao layout. Chantilly passou umas boas horas sem me olhar na cara. Amigos ligaram pelas novidades e me chamando para beber. Estou estranhando meu teclado português e a tela, enorme, de 17 polegadas, me deu dor de cabeça. Estou feliz, re-reconhecendo território, meu cheiro nas coisas. Mas sinto que falta algo nesse verão de fim de ano carioca, e sei o que é. Não estou em casa lá. Não estou mais tão em casa aqui, porque ele não está comigo.

Se o modem deixar, volto já.


Goodbye. For now.


Bye bye, Engerland.
Amanhã às nove eu vou embora. 14 horas de avião, três semanas longe dele, sabe-se lá quantos meses longe daqui.

Amanhã começa uma contagem regressiva para algo que eu nem sei o que é. Isso assusta a quem nunca gostou de mudanças por nunca ter aprendido a lidar com elas. Curso intensivo, então.

Penso em morder a barriga gorda da minha gata gorda. Fazer fofoca com a minha mãe, rir das abobrinhas do meu pai. Beber com meus amigos, comer bobagem por uns dias e depois voltar à dieta. Ver bastante programa lixo na TV. Contar "como foi a viagem" umas 62374186 vezes para as curiosíssimas amigas da minha mãe. Organizar a papelada pro casamento (se é que vai dar tempo; não estou levando muita fé nisso). Planejar a estadia dele aqui, em Dezembro/Janeiro. Planejar a ida da Chantilly, quando eu for embora em definitivo. Sentir saudade dele. Curtir a chegada de um Natal que será especial. Aproveitar a companhia das pessoas que eu vou perder, conhecer os lugares que nunca visitei e que passarei muito tempo sem poder visitar. Fechar portas que ficaram meio abertas, porque portas meio abertas são perigosas. A gente sempre esquece e dá com a cara em alguma delas. E isso dói. A partir de amanhã, tenho algumas portas a fechar, e outras a abrir. Mãos à obra.

Vejo vocês em dois dias.
E vejo você em vinte e um.

Ho Ho Ho

Ontem à noite fomos medir os cômodos para comprar os móveis no Brasil. Vi as primeiras casas iluminadas. A maioria de gosto questionável. Haja luzes multicoloridas piscantes, trenós, renas. Casa é casa. Shopping center é outra coisa.

Enfim. Natal. Dentro de alguns dias, olha Santa Claus aí, gente.
Eu amava Natal, quando pequena. Os cheiros vindos da cozinha me acordavam primeiro o nariz, depois a fome. Minha mãe já estressada às oito e meia da manhã porque o pão de rabanada tinha esgotado na padaria. E abrir latinhas de leite condensado em série - eu lambendo todas. E os desenhos natalinos na sessão da tarde, os especiais que todos os programas faziam, tudo era tão “natal” que não tinha como não se deixar envolver pelo clima. Até hoje me lembro do desenho de um burrinho que passou na noite de um certo natal, tão triste que me fez inundar de lágrimas o prato de rabanadas no meu colo. E a animação de “Rudolph, a rena de nariz vermelho”, um clássico da minha infância.

Então comecei a notar que o Natal das famílias dos comerciais do peru Sadia e do pernil Perdigão eram grandes, a árvore de Natal era enorme, a mesa farta, as crianças impecavelmente vestidas tinham sorrisos no rosto. Meu natal era, invariavelmente, populado pelos mesmos personagens: eu, meu pai e minha mãe. Nada de tios, priminhos, vovôs... E honestamente, melhor que assim fosse. A família do meu pai é péssima, deus me livre de tê-los à mesa. Com a da minha mãe eu nunca tive muito contato (raras exceções) e nos raros encontros sempre fui tratada como um “bicho raro”, o que me agoniava.

Minha mãe separou-se do meu pai e foi embora de casa num dia 23 de Dezembro. Eu estava assistindo a um programa vespertino, ela arrumava chorosa as poucas coisas que levou. Ao se despedir de mim, imersa em lágrimas e culpa, deixando claro que "a mamãe não está te abandonando, filha, vou vir te ver quase todos os dias", eu respondi com um tchau meio distraído e sequer fui levá-la no portão. Na época me pareceu normal. Mas hoje penso que foi estranhíssimo esse meu desapego.

Um Natal feliz foi quando meus pais fizeram um buraco na cerca do jardim para dizer que tinha sido o papai noel que havia aberto com um alicate, para poder passar com o trenó... Haha. E o mais bacana foi o circo que eles armaram uns dois dias antes, com meu pai reclamando que “alguém havia roubado a caixa de ferramentas dele”; o que me causou enorme desgosto, porque eu sempre adorei brincar no meio dos martelos, pregos, parafusos e porcas. E na manhã de natal, junto com o meu presente (um boneco que tinha pipi, fazia pipi e vinha com um penico), apareceu a caixa de volta, porque “papai noel é honesto, pegou as ferramentas que precisava mas devolveu!”. :)

No ano seguinte eu briguei com uma coleguinha mais velha perto do Natal e ela acreditando que ia me matar de tristeza, berrou a plenos pulmões: “bobona, Papai Noel não existe!”. E eu, que sempre havia desconfiado mesmo quando acreditava piamente, apenas sorri e disse “eu já sabia”.

Fast food.

Aqui você precisa comer rápido.
Ou, se quiser comer tudo o que está no seu prato, tem que ficar periodicamente espantando a garçonete, que já metendo a mão na borda do prato pergunta "have you finished?".

Não, eu ainda não terminei, querida... E queria entender qual a PRESSA em retirar logo a comida da mesa. A cestinha com o couvert de pães. O prato com os dois últimos camarões. O restinho de sopa na tigela. Se eu quiser manter tenho que ser rápida no gatilho, ou melhor, no reflexo: "não, eu não acabei de comer. Se importa de deixar o prato aqui ou tem alguém lá na cozinha que se alimenta de sobras e ainda não almoçou, hoje?" Jesus fucking christ.




Rozel Bay, domingo passado.
Ventava frio, e mesmo assim sentamos no Hungry Man (tá vendo aquele quiosque azul à direita da segunda foto, perto da cabine telefônica amarela? Lá). Comi cheeseburger com coca cola e uma barrinha de cereais com creme de vitamina de morango por cima. Ele comeu um hamburguer de sausage e café. Eu acho graça gente comendo hamburguer com café, mesmo no frio. Ainda mais tendo uma platéia de uns quinze patos olhando para a sua cara, esperando que você jogue um pedaço de pão. Todo mundo fez a sua parte, e em dado momento o Respectivo me olha, olha a barra de cereais pela metade e ameaça pegá-la para distribuir aos patos. Ato reflexo, eu seguro firme a minha comida e grito QUAC!

Estamos desocupando a casa. Os corretores de imóveis já estão rondando, trazendo pessoas para vê-la. Hoje apareceram sem avisar, coisa que detesto. Por sorte a casa não estava muito bagunçada. Ela fez aquela ceninha i'm-so-sorry que obviamente não convence e foi entrando, abrindo janelas, acendendo luzes. Fiquei na minha, folheando a edição da Real dessa semana.

As duas moças que vieram antes ver a casa foram simpáticas, perguntaram se podia entrar com sapato, se desculparam pelo incômodo. Já o camarada que ela trouxe hoje nem olhou na minha cara. Fui acompanhá-los quando foram ver os quartos e, em cima da cama que eu não havia feito ainda, repousava um sutiã vermelho-bombeiro (meu, é claro). O sutiã quase gritava ME OLHE no meio dos lençóis branquíssimos. Dei uma risada interna enquanto a corretora ficava mais vermelha que o sutiã e o Mr. Antisocial fingiu olhar o carpete.

Risos. Talvez isso os ensine a telefonar antes de tocar a campainha.

Point of no return.

A morte é uma pessoa que não volta.

É uma maçaneta que não vira, uma campainha que não toca. É aquela xícara que nunca mais precisou sair do armário. O espaço vazio em cima da poltrona. O pó em cima dos discos. A morte é uma gaveta cheia de roupas inúteis, que se vão indo aos poucos, até que a gaveta, vazia, se torne também inútil. É o monte de chaves inúteis no chaveiro da parede. A morte é quando uma escova de dentes ganha o poder de fazer alguém chorar.

A morte é esconder fotografias. É nunca mais bife de fígado à mesa do jantar. É buscar atalhos para fugir de caminhos para fugir de lembranças. A morte é um travesseiro molhado. É desfazer o par de toalhas de banho com monogramas. É o óculos de aro quebrado que não precisa mais de conserto. É o cheiro do perfume. É um "boa noite" a menos para se dar e se ouvir. É um convite a menos a se mandar para a festa. A morte é a carta que volta ao remetente. É não montar a árvore de Natal. É uma data de aniversário a menos para se anotar na agenda. É desligar o rádio quando a música toca. É um carro que não chega. É o cachorro que, sentado na porta da frente, espera, espera...

A morte é um punhado de nãos e de nuncas. É eternidade e finitude. A morte são pequenas coisas que se vão morrendo (e matando) a cada volta do relógio.
A morte é muita coisa, e é nada ao mesmo tempo.

A morte leva e, cruelmente, fica.


Era o sexto dia de janeiro, uma segunda feira chuvosa. Eu e minha mãe tínhamos acabado de chegar de uma breve temporada na casa de praia de um casal amigo. Estávamos felizes e cansadas da viagem. Eu assistia à reprise vespertina de Por Amor, enquanto ela jogava conversa fora com uma amiga no terraço. Meu padrasto tinha chegado em casa, entrado no quarto, pego algum dinheiro e documentos, e saído novamente. Minha mãe não desceu para falar com ele e eu, trancada no quarto, não percebi sequer que ele havia estado lá. Ela acenou para ele do terraço e ele fez uma brincadeira com ela e avisou que voltava pro almoço. Meia hora depois, o telefone tocou e eu atendi e eu soube que ele nunca mais ia voltar.

Há inúmeras teorias para o que possa ter acontecido. E é o que menos importa. Importa é que ele se foi, importa a brutalidade e todas as nuances tristes e injustas dessa história infeliz que até hoje me faz mal relembrar. O olhar da minha mãe, a família dele impedindo-a de entrar para vê-lo, criando ceninhas desnecessárias e transformando um momento de dor em circo.

No sábado fui jantar com respectivo e J. num restaurante indiano, bebemos um bocado, depois fomos para um pub (onze e meia da noite ele tocaram um sino avisando que o horário de vender bebida alcóolica acabou... WHAT), e voltamos de táxi. Em casa eu lembrei dessa história do meu padrasto e fiquei triste.

Minha última semana, aqui. Será que eu vou sentir sempre saudade das coisas que eu antes nem gostava tanto, ou será que isso é um sinal de que gostos mudam, sim, e eu também vou mudar?









Ganhei essas flores do nada, sexta passada. Note que não tínhamos vaso, e elas foram colocadas dentro da jarra do liquidificador que compramos semana passada. :)

Pumpkin Soup

Um mês para o Natal.
Ontem estávamos assistindo o Channel 4 quando de repente me deparo com uma cena de sexo. Até aí tudo bem, afinal, no dia em que Deus estava distribuindo puritanismo e frescura eu entrei por último na fila e quando chegou a minha vez já tinha acabado.

Só que o tal programa, chamado Sex Inspectors, era uma espécie de Terapia Sexual em horário nobre (ok, nem tão nobre; eram onze da noite). E o casal que aparecia fazendo sexo era um casal comum, que tinha lá seus problemas entre quatro paredes, e que toparam ter a transa filmada e exibida em rede nacional, sob o pretexto de ser analisada pelos terapeutas. Aí sim o meu queixo caiu. Haja desprendimento, hein? ara o programa de estréia eles escolheram um casal jovem e bonito, mas pelo que vi na chamada nos próximos vai ter muito "inglês típico" protagonizando.

Ontem teve apagão aqui em casa. Liguei a máquina de lavar e o aquecedor ao mesmo tempo, o fusível desarmou e as trevas se instalaram. Ok, eram três e meia da tarde, mas como aqui nessa época do ano escurece rápido... Meu celular estava descarregado e o telefone sem fio não funciona sem luz. Joinha.

Estou "desazedando". Uma hora passa. Já está feito, a casa já foi comprada, as paredes já vão começar a ser quebradas, agora é tentar fazer do imenso limão uma limonada. Haja espreme-espreme e açúcar.

Na segunda feira fui fazer uma sopa de liquidificador, até me dar conta que não tínhamos liquidificador em casa. Como assim? Lá fomos nós aproveitar que a loja de departamentos fecha mais tarde e comprar o bendito. Vários modelos, cada um mais caro que o outro e que pareciam com tudo, menos com um liquidificador. Bem, levei pra casa o modelo mais barato e menos esquisito e bati a sopa - que por sinal ficou uma delícia.

SOPA DE ABÓBORA
Corte em pedaços uma abóbora pequena, dois tomates, três dentes de alho e meia cebola. Jogue numa panela com pouca água, cubra e deixe a abóbora dar uma desmanchada em fogo baixo. Ponha no liquidificador com um copo de leite e bata. Volte com a mistura ao fogo brando, adicione sal, molho inglês, curry, e mexa sem parar até ferver. Fica bom adicionar nessa hora champignons (levemente cozidos na manteiga), se você tiver. Tire do fogo, acerte o tempero, rale bastante queijo prato por cima e leve ao microondas até derreter um pouco. Muito bom para noites frias, melhor ainda com vinho acompanhando. Se você por acaso fizer e a sua ficar uma porcaria, não me culpe.

London London.

A quem interessar possa, o Peter Frampton está careca, o Deep Purple ainda faz um show energético depois de todos esses anos, e o tiozinho-zégzy-grisalho vocal da banda Thunder é coisa linda de Deus. Amei.





Levamos a J. pro show, já que ele tinha ingressos sobrando. Ela passou o show inteiro sentada; é óbvio que Deep Purple não é a praia dela. É um amor de menina, mas também o meu perfeito oposto. A bolsa cheia de maquiagem, que ela reaplicava cuidadosamente a cada ida ao banheiro. E eu de camiseta do Laranja Mecânica, um gorro preto de caveirinhas cor de rosa e pulseira de spikes. Olhávamos uma para a cara da outra como se fôssemos aliens fazendo contato com terráqueos. Acho que não vamos entrar em acordo a respeito de quem era o alien e quem era o terráqueo...

Home sweet home. Maybe. Soon.

All I have to do is dream

Então eu tinha esse emprego novo, era crítica de filmes de terror para uma revista especializada e alternativa. O salário fedia, mas eu me divertia absurdos assistindo a pencas de filmes B todo mês e tendo papos altamente psicóticos/psicodélicos com meus colegas de trabalho, regados a vinho chapinha.

As paredes da minha sala eram cobertas de posters de filmes terror splash, e naquela noite eu estava lá, trabalhando até mais tarde, me entupindo de donuts (how american...) e bebendo litros de café com leite, enquanto escrevia uma review para Poltergeist.

Daí eu acordei. Puf.
Melhor dizendo, FUI acordada. Era ele, dizendo tchau. Sete e meia da manhã (!). O que ele fazia saindo pro trabalho uma hora mais cedo, eu não sei. Mas ANOS sem ter sonhos decentes, eu devia pelo menos poder curti-los até o fim.

Estranhamente, ANOS sem conseguir sequer lembrar dos meus sonhos. Agora, além de guardá-los em detalhes, eles são os melhores e mais loucos ever.

Jersey, definitivamente, fez bem ao meu subconsciente.

Vou fazer as malas. Não sei como sobreviver no sábado. Faz frio aqui, provavelmente fará mais ainda em Londres, e eu vou estar do lado de fora de qualquer lugar com um aquecedor, e à noite Deep Purple e Peter Frampton (e eu nem sabendo que o Pete ainda estava vivo, haha). A Marks & Spencer em liquidação hoje de roupas de inverno e como assim eu não estou lá. Vou me arrepender disso quando meus pés e braços tiverem se transformado em picolés de carne e osso. Se eles não necrosarem e caírem, eu volto. E ainda posto fotos, olha como eu sou legal.

E tem uma panela ENORME de chilli con carne na geladeira. COM FEIJÕES. E eu estou dois quilos menos gorda do que na terça feira. Tradução: a Semana da Fome acaba agora. O mundo não precisa de mais uma anoréxica. E eu preciso de chilli.

Uma breve história etílica.

Minha mãe faz batida como ninguém.
De coco, morango, maracujá... Feitas com a fruta mesmo, cachaça de boa qualidade (procedência mineira, se possível), leite condensado sem economia - o resultado da mistura parecia até vitamina, de tão grossinha. Vou pegar a receita com ela e posto aqui, para os eventuais interessados.

Ocorre que, como boa mãe zelosa, dona Maria não gostava de ver a filhota metendo o pé na jaca com tão tenra idade. Pois bem. Aniversário da velha, tias, amigas e vizinhas em casa. Crianças tocando baderna no quintal, se atirando na piscina, chutando as flores no canteiro, uma beleza... Eu, criança esperta aos oito anos, olho grudado na garrafa em cima da pia da cozinha. Batida de coco. Ok, ela tinha me deixado lamber a lata de leite condensado, mas o pessoal que frequenta as reuniões do AA sabe que não é a mesma coisa. Pedi. Ela negou. Emburrei, ela me empurra uma lata de coca cola e diz que é para eu me contentar. E fico lá, sentada com cara de bunda, mamando aquele atestado de infantilidade enquanto os "acima de 18 anos" se esbaldavam com o néctar servido pela aniversariante, tomando das bandejas os copinhos de plástico branco fosco. Se inveja matasse eu já estaria podre.

De repente me dou conta da lata de refrigerante vazia nas mãos, e elaboro o meu plano maligno. Vou até a cozinha quando a conversa na varanda está animada, passo a mão na garrafa e despejo o conteúdo dentro da lata de coca. Cara de vitoriosa, sentei-me na varanda com o resto da mulherada me sentindo além de adulta muito esperta.

Mas Murphy é foda. Sabe aquela sua prima com cara de retardada, que você mal sabe o nome direito, que nunca vem à sua casa, mas que quando vem resolve provar que não é só a cara, ela É, de fato, retardada? Pois é. Para o meu infortúnio, eu, como 99% da população mundial de crianças espertas, também tenho uma prima dessas. E ela estava ali. Lugar, hora e propósito completamente errados.

- Ué... Se ela tá bebendo coca cola, porque está com bigodinho de leite?

Fodeu.

Minha mãe pegou a lata da minha mão (a essa altura já quase vazia), cheirou o conteúdo e antes que pudesse berrar meu nome completo eu já estava longe. As visitas, é claro, riam de se lascar. "Que filha esperta, a sua!", dizia a tia, mãe da prima dedo-duro. "Que filha idiota, a sua!", respondia eu, mentalmente, enquanto me escondia embaixo do tanque. Mas valeu a pena; o álcool já havia liberado endorfina o suficiente para as minhas terminações nervosas ligarem o foda-se e eu lambia os beiços, para aproveitar até o fim aquela delícia...

Bebum desde pequena, oh yes. Culpa do meu pai, que sempre perguntava antes de sair pra comprar as bebidas do almoço de domingo: "e aí, vai ser coca cola ou Malzbier?", e eu ficava lá, dedinho na boca, fingindo que a pergunta requeria raciocínio, sabendo que ia ouvir com a voz dele, já no portão, a resposta certa:

- Malzbier!


A noite dos piromaníacos.

Hoje é a Guy Fawkes Night.
L
i no blog dela a explicação, e sem pedir licença, linko aqui porque careço de ânimo para disseminar informação sobre o acontecimento histórico. Interessante, leia.

Bem, ontem começou o foguetório, e por toda a parte vejo enormes amontoados de lenha, galhos de árvore, palha e similares, para as fogueiras dessa noite. Aqui no jardim de cima tem um desses. Impressionante, o tamanho. Dava para pôr fogo numa casa inteira. Foi armada pelo senhorio, um cara até que simpático, casado com uma moça sueca, pai de dois pirralhos. Tomara que seja uma cerimônia familiar. Se respectivo chegar mais tarde com idéias de sociabilização, estou frita.

Provavelmente tem Londres semana que vem. Gosto da idéia de Londres, apesar de saber que ele não vai ter tempo de me levar pra dar rolés e que, se eu tentar saracotear pela cidade sozinha, vou me perder. Well, sempre me restará a cerveja. ♥

Chegou!

Nem ia postar nada hoje. Não resisti.


Ela é ruiva, ela é linda e é minha.

Minha Pullip chegou de Hong Kong hoje. Era pra chegar dia 11, mas a campainha tocou e o moço dos correios vestindo bermuda me entregou a caixa. Era pra ser surpresa, mas eu estava meio down e ele resolveu me contar que havia encomendado, para ver se me animava.
OH BOY IT WORKED. :)

Thank you, love.
You are the best boyfriend a girl could ask for.

And the JeriMoon is born.


Nunca pensei que fazer uma bobagem dessas fosse tão divertido.

O Halloween não bomba muito na Inglaterra. A tradição foi importada pelos yankees, que colocaram pilha alcalina na brincadeira e quiseram revender pelo dobro do preço pros ingleses - que decidiram não comprar.

Não vi nenhuma criancinha vestida de monstro e poucas casas tinham decoração típica. Mas é claro que sempre há quem queira lucrar com a inocência consumista das criancinhas britânicas, e enfeite o quintal para vender umas abóboras superfaturadas.













Making of e resultados:




Daqui a 20 dias mudança para a casa nova, e eu que gosto de empacotar e organizar coisas estou animada.

Dentro de cinco semanas, Rio de Janeiro, beijar minha gata, fofocar com a minha mãe, abraçar o meu pai, fugir de alguns amigos-entre-aspas e organizar o meu casamento.



Temporary life.

Excesso de otimismo = ingenuidade.
Algumas pessoas até podem se sentir bem ignorando que o mundo é como uma maçã; por mais bonito que seja, é preciso remover as ocasionais partes podres, porque a) uma vez podres, elas não voltam a ficar boas e b) se as deixarmos ficar, elas aceleram o apodrecimento de todo o resto.

Tem quem prefira colocar a maçã na geladeira, eu prefiro pegar a faca na gaveta. Práticas diferentes, e eu prefiro o meu resultado. Mas respeito que não se incomode em provar o amargo das partes escurecidas da fruta.

A previsão do tempo para o final de semana indicava chuva, mas tivemos dois dias de sol. Bom, o sol estava lá no céu, mas calor que é bom nada. No sábado fomos à cidade e compramos um monte de DVDs e CDs. Fiquei radiante quando encontrei Donnie Darko e Laranja Mecânica.

Ontem me deu um piripaque emocional. Comecei a achar tudo à minha volta um tédio absoluto. O fato de ser domingo à noite não ajudou, aliás, domingos à noite não deveriam existir. A raça humana deveria entrar em coma induzido todos os domingos depois do fatídico almoço em família, e acordar na segunda de manhã. Era cedo demais para dormir, tarde demais para sair para dar um passeio, e ele no andar de baixo feliz da vida vendo programa de automobilismo ou lendo revista de... automobilismo. Sabem a paixão do brasileiro por futebol? Coloque uma engrenagem qualquer em cima de quatro rodas, e você terá o equivalente a um Flamengo x Vasco para o meu namorado.

Como sempre tenho o antídoto para os meus próprios males, diagnostiquei meu problema. Essa é uma casa provisória, estou vivendo uma situação provisória em todos os sentidos da palavra e, como sou ansiosa, isso me estressa. Preciso das minhas coisas, preciso refazer meu environment aqui. Preciso do meu computador com meus arquivos para seguir com as minhas coisas. Preciso do meu material pra desenhar. Preciso de toda a parafernália que não me deixa sentir tédio por um só momento, em casa. Sem isso vou ficar andando pelos cômodos e batendo com a cabeça na parede.

Na saída de carro para a cidade, reparamos na enorme quantidade de cogumelos que crescia no jardim. Na volta, resolvemos fotografá-los, uma vez que esses toadstools apodrecem e murcham com a mesma velocidade com que aparecem.




Pets are love.

Anteontem o jantar foi de chef. Trutas na manteiga, couve-flor gratinada com queijo cheddar e abóbora assada no óleo. Tudo muito fresquinho e gostoso. Ele não faz compras mensais, sequer semanais. Todos os dias na hora do almoço vai ao mercado e compra legumes frescos no mercadinho do seu amigo J. Com o qual, aliás, travei um curto porém interessante diálogo quando estive lá sábado passado. Ele tinha ido ao banheiro e me largou sozinha com o J., no meio de pepinos, chuchus e batatas.

J: Ele não está dando nos seus nervos?
Eu (meio sem entender): Não...
J: Ele está muito feliz.

Ouvir isso de terceiros, e não só do respectivo, foi um bom sinal.
Ontem levamos as cadelinhas do R. para um passeio:


La Palloterie + Elizabeth Castle

Impossível conseguir ficar brava com um cara que engraxa seus sapatos e faz sopinha de legumes para você quando está resfriada. Me demito sumariamente do posto de cozinheira da casa, depois dessa - se bem que, na verdade, nunca sequer me candidatei à vaga...

Fui conhecer a casa. Ele já havia estado ali outras vezes, mas para mim foi a estréia dos meus pés naquela rua, naquele quintal, naquele jardim. Sensação estranha, de "o resto da minha vida começa depois da soleira desta porta". Andei pelo jardim, imaginando futuras tardes colhendo maçãs, pêras, amoras e figos no pé e o sol que vai se pôr todas as tardes nos fundos da casa e que nascerá todas as manhãs pela janela da frente do quarto.


A casa implora por manutenção; muito, muito trabalho pela frente. O nosso otimismo nos leva a crer que teremos a vida toda juntos para pensar e concretizar as obras necessárias, na casa e nas nossas vidas.

NO domingo fomos ao Elizabeth Castle, na baía de St. Aubin. É uma das fortalezas construídas na ilha, há mais de 400 anos atrás. fica no meio do mar e, para chegar lá, é preciso esperar a maré baixar e então caminhar por uma estradinha de um quilômetro. Quando a maré está alta, a estrada fica submersa, mas o castelo ainda pode ser acessado através de um veículo muito engraçado chamado "Duck" (na verdade um anfíbio adaptado). Dentro do castelo há um museu contando em detalhes a sua história, além de um café com toda uma variedade de delícias.




Por falar em comida, na segunda eu comi Fish and Chips. Tradicionalmente entregue embrulhado em papel jornal. É só abrir e adicionar catchup à gosto.