reality is not for me.
Escrito em diariamente, Janeiro 31, 2004 @ 15:21

reality is not for me
and it makes me laugh
oh, fantasy world
and disney girls
i’m coming back

Sexta feira, quase home alone, ouvindo m?sicas tristes e tentando, depois de um longo tempo de atribula??es, terminar o layout do dom?nio. Na verdade a parte gr?fica est? pronta, falta s? aparar gorduras verborr?gicas e fazer as p?ginas internas. Mas por que eu estou falando disso? N?o ? importante, nem interessante.

Me dei conta que j? faz quase um ano que n?o brinco com as minhas barbies. Isso n?o quer dizer que eu cresci (gra?as a deus). N?o as abandonei porque quis - fui for?ada a isso. E lembrei que j? fui muito boa costureira; de roupa de boneca… Fazia at? tailleurs com retalhos de linho, mai?s com peda?os coloridos de lycra, tricotava polainas e casacos de linha. Minha m?e ria e dizia que as Barbies tinham um guarda roupa muito maior e melhor do que o meu. E ela n?o estava mentindo. A verdade ? que era muito mais gostoso vestir a Barbie, que era linda, loira e rica, do que a mim. Passei a inf?ncia (e a primeira metade da adolesc?ncia) vestindo pijamas 24 horas por dia. T?dio existencial desde sempre.

Estou catando fanlistings dos filmes que eu gosto, e achei muito poucos. Os bons filmes n?o t?m listas aprovadas pelo thefanlistings.org. Tamb?m percebi que n?o sei o nome em ingl?s de alguns filmes que gosto, por isso talvez n?o os tenha encontrado. ?, al?m de todo o resto, eu tamb?m sou burra.

E numa dessas fanlistings, percebi que o menino da bicicleta, quando faz a barba, se parece com o Gary Oldman - isso se o Gary Oldman fosse bonito. Haha. Estou com saudades dele, e pela primeira vez ever, isso n?o me fez sentir pat?tica. O que me faz sentir pat?tica: a vontade incontrol?vel de incluir “Flashdance” na lista dos meus filmes favoritos. Irene Cara cantando “What a feeling” ? legal.

Outro jogo legal - voc? acha que digita r?pido?

Algu?m a? pode me ensinar a configurar uma p?gina de 404?
Thanks in advance.

once upon a time.
Escrito em fotos, Janeiro 29, 2004 @ 15:20

drugs don’t work
Escrito em diariamente, www, Janeiro 28, 2004 @ 15:19

E o L?o Jaime me surpreende quando escreve textos como esse.
Nem se eu fosse ele pensaria t?o igual. Palmas.

E recuperei a senha do meu fotolog, quase t?o facilmente como a perdi. E por meios pr?prios, ? claro; “admin” de cu ? rola. Que bom. Eu n?o gostaria de perder meu username l?, que eu adoro - mas ? s?. O fotolog anda muito lento, e sinceramente, essa historinha de “comentei no seu, agora comenta no meu” faz meu est?mago dar cambalhotas. Eu estava quase caindo na armadilha de ficar retribuindo coment?rio de gente que eu mal conhecia pra ser simp?tica. Muitas vezes n?o havia o que comentar na foto, e ent?o eu inventava algo na hora ou dizia algo est?pido - e a merda ? que quem faz o comment n?o consegue apag?-lo. Lendo os comments do flog da Marimoon, me pergunto como ela aguenta aquela gente. Acho que os stalkers eram menos chatos. Quem tem f?s como aqueles n?o precisa de um /antimarimoon.

Ao contr?rio do que disse l? no fotolog (aquele texto foi escrito ontem, e n?o foi postado porque a senha havia micado), minha m?e j? est? em casa. Chegou hoje no meio da manh?, e de presente de boas vindas, notou que eu havia esquecido de regar suas plantas. Boa parte delas pereceu irreversivelmente. As demais eu estou tentando recuperar com uma terapia de hidrata??o intensiva, mas n?o vejo muitas perspectivas de melhora. Bom, o bra?o da v?ia est? enfaixado, mas j? sem os pontos. S? o buraco no meio, causado pela retirada da carne que necrosou, incomoda. E ela vai precisar, al?m da pl?stica reparadora, de uma boa fisioterapia. Mas ela foi atropelada por um caminh?o, pessoas. O simples fato de ela estar respirando hoje, ? lucro.

Com a volta dela, o menino da bicicleta saiu de cena. E ele fez anivers?rio, hoje. Fomos beber (? claro), mas rapidinho porque eu n?o queria deixar a v?ia all alone. E ele passou seis dias aqui comigo, brigamos um pouco, rimos muito, enchemos o saco de tanto ver ac?sticos na TV a cabo (descobri que o Scorpions escreve letras muito melhores que a dupla Page & Plant), ele me fez um arroz horr?vel e uma batata frita deliciosa, bebemos caixas inteiras de Nova Schin e comemos nuggets de frango com molho ros? (o molho fui EU que fiz… Nem t?o in?til assim, eu ainda consigo misturar maionese com catchup, porra). E quando eu o vi acenar adeus, e ent?o indo embora, deu um apertinho. Coisa boa e ruim at the same time. And the hell is that I need to get used with it.

E essas indica??es de Cidade de Deus, hein? Eita lobby brabo!!

Housekeeper blues
Escrito em diariamente, www, Janeiro 27, 2004 @ 15:17

Eu n?o lavo, n?o passo.
Minhas roupas limpas est?o acabando, e as fedidas habitam o intermin?vel v?o do cesto de roupa suja. Come?o a repetir modelitos, e isso dep?e contra a minha imagem.

N?o cozinho. Mas n?o me queixo do menu atual - estou comendo apenas o que gosto, noutras palavras, lixo. Chato ? que mesmo o lixo precisa ser cozido antes de ser mastigado, o que dificulta sobremaneira o processo. Mas para isso tenho meu AAA - Assessor para Assuntos Alimentares, sempre a postos. O menino da bicicleta passa uma temporada compuls?ria aqui em casa - mais especificamente na minha cozinha. Ele faz uma sujeira dos diabos, ? verdade…

Mas n?o t? nem a?. Eu n?o lavo, n?o passo, n?o cozinho, e tamb?m n?o limpo.

* * *

Mam?e anda toda a enfermaria enchendo o saco alheio e quer voltar pra casa. S? depende do m?dico. Ela ter? que fazer curativos todos os dias e se entupir de antibi?ticos, mas qualquer tortura ? melhor do que aquele pardieiro. Deve voltar pra casa amanh? ou quinta. “Over to the moors, take me to the moors, dig a shallow grave and I’ll lay me down“, canta o Morrissey, e canto eu, subindo as rampas escuras, longas e desertas que d?o acesso ? enfermaria. As mesmas por onde, vez por outra, escoam cad?veres. Ok, eu poderia usar a escada, mas eu ando mal do cora??o (falo s?rio, preciso ver um cardio r?pido), e ademais, o clima m?rbido da rampa ? cool. Tem uma inclusive com ilumina??o ainda mais prec?ria, que leva diretamente pro necrot?rio. Ela ? MUITO soturna. Vontade de descer pra espiar ? o que n?o falta.

Eu acho que tenho problemas, talvez n?o seja normal essa atra??o por esse tipo de coisa, por sites como esse, esse e esse aqui. Mas ficar esmiu?ando caracter?sticas da minha personalidade para as quais eu dificilmente acharei explica??o ? perda de tempo. E embora talvez hoje tenha sido o ?ltimo dia que subi aquelas rampas, eu sempre me sentirei estranhamente feliz ao cantar esse trechinho de “Suffer Little Children”.

E, por falar em rotten… Pick and Fuck. Fico imaginando QUE tipo de cara seria T?O come ningu?m a ponto de pagar uma dezena de d?lares numa coisa t?o deprimente como essas bonecas. Deve deprimir gozar dentro dessas bocetinhas de pl?stico, olhando para essas caras pavorosas. C’mon guys. Sai mais barato pagar um lanche no McDonald’s praquela baranga solit?ria que ningu?m quer comer. Ou ent?o, junte grana por dez anos e compre uma dessas aqui: www.realdoll.com. Voc? vai continuar se sentindo um loser, mas o susto ao abrir os olhos ser? consideravelmente menor.

update: Ao que parece, algu?m roubou a senha do meu fotolog. Aiaiai. J? mandei um help request (segundo eles, gold patrons t?m prioridade… ah?), mas sei l?. J? dei aquilo l? como perdido.

sol, sal, silvas…
Escrito em resmungos, Janeiro 23, 2004 @ 15:16

Esta porra aqui vicia. How pathetic I am, God.

Eu sei que n?o estou atualizando nada, nem respondendo a emails. Acontece que minha m?e n?o tem previs?o de alta concreta (ou?o v?rias vers?es, mas nenhuma me convence), a transfer?ncia para outro hospital se revelou imposs?vel (e olha que eu recorri a amigos pessoais da alta diretoria…), e eu tenho muitas d?vidas aqui na cabecinha… A meu ver, esses putos fizeram uma merda monumental no bra?o da minha m?e, e agora negam transfer?ncia para evitar que outro hospital se depare com a cagada feita.

E eu no meio disso tudo. Contas a pagar, compras a fazer, casa pra limpar… Eu tenho agora que tocar duas vidas. A minha, que j? era corrida, e a dela, que ficou pra tr?s. E com quase nenhuma ajuda. T? foda. Justamente agora o povo do trabalho resolveu implementar mudan?as que me impactaram enormemente. MUITA coisa pra fazer, pouca tranquilidade pra pensar e nenhuma vontade de me envolver 100%.

Eu n?o quero mais trabalhar ali. Eu n?o quero mais trabalhar em lugar nenhum. Eu n?o quero acabar como aquela gente, que s? sabe falar de trabalho, pensar em trabalho, que n?o l? um livro, que n?o v? um filme decente (s? porcarias t?picas de Multiplex), e com as quais ? imposs?vel manter uma conversa??o minimamente interessante. A dedica??o espartana ao trampo afogou seus neur?nios na merda em que os c?rebros se transformaram.

Eu n?o quero colocar “o meu trabalho” no topo da lista de preocupa??es e interesses. Por que paga mal? N?o. Pagasse quanto fosse, NADA reembolsaria o preju?zo de varrer a minha vida, meus interesses e prazeres pra debaixo do tapete. PAU NO CU do sistema.

E minha pele est? horr?vel. Dormindo p?ssimo, ganho olheiras. O sol l? da Barra fo-deu com a minha corzinha amarelada-p?lida linda. Eu estou PRETA, pessoas. E descascando. E, quando a pele morta descola, a pele nova ? de outra cor - diferente da bronzeada e mais escura do que a original. Vou levar de seis meses a um ano pra voltar ao normal. At? l?, exibirei esse look “vaquinha malhada” (toda manchada) como se tivesse vitiligo. O sol faz MAL, crian?as. Stay away.

E eu tenho coisa pra cacete pra falar, mas vai ter que ficar pra daqui a pouco.

Eu tamb?m odeio quem fala assim:

Okay, n?o resisti. ? que isso t? me deixando puta h? meses.
Por que ser? que eu odeio gente soci?vel? Por que ser? que eu odeio MAIS AINDA gente que paga de antisocial porque acha que ? cool mas vive babando o ovo dos populares tentando angariar simpatia no rebote? “AH eu quero ser amigo do influente porque se ele ? influente quer dizer que ? cool e ? legal ser amigo gente cool porque ? como se eu me sentisse por tabela um pouco mais cool do que a ameba desinteressante e insossa que eu na verdade sou”. BINGOOO, ? isso a?, porra. E a? os culs passam a se achar mais cul da que na real s?o, porque a horda de lambedores de saco n?o larga dos seus p?s nem depois de “hiatus” (argh) de 138 anos, nem depois de se esconderem em LJs secretinhos, nem de serem malcriados com seus leitores - sim, porque mais orgasm?tico que dar aut?grafo ? negar aut?grafo. Mais cool do que aparecer em foto da Newsweek ? socar a cara do fot?grafo e/ou aparecer de dedo em riste na capa da revista. Pau no cu dos aduladores, n?? PAU.

N?o sei qual dos dois me provoca mais n?useas. No momento me vejo nauseada comigo mesma, por gastar com isso o meu tempo, que cabe num conta-gotas de Rinosoro infantil. E n?o tente entender isso, nem vestir a carapu?a. Chances are de que ela n?o seja o seu n?mero.

particular hell
Escrito em vida, Janeiro 17, 2004 @ 11:28

? mais ou menos assim: minha m?e foi atropelada por um caminh?o ontem pela manh?. Ganhou um corte profundo no bra?o direito, com exposi??o ?ssea e tudo o mais. N?o fraturou nada, mas a carne se abriu em X e ela ganhou 50 pontos de sutura, al?m de hematomas pelo rosto. Coisa muito bonita.

O motorista prestou os primeiros socorros, mas ?bvio, levou-a para um hospital p?blico. Tenho estado l? desde ent?o, mas hoje vou dormir em casa. Durante esse tempo, anotei mentalmente TANTA coisa pra protestar aqui que, sinceramente, perdi o tes?o. Basta dizer que na porta de cada “quarto” (vou nos poupar da descri??o do sin?nimo real dessa palavra) h? uma plaqueta informando que “<span style=”font-weight: bold;”>destratar funcion?rio p?blico ? crime</span>”, com pena de at? dois anos de reclus?o. No entanto, destratar o ser humano ferindo sua dignidade num momento j? naturalmente indigno (o da doen?a), n?o ? considerado delito pela justi?a brasileira.

Talvez o seja pela justi?a humana. Da? a raz?o das placas: conter o “?mpeto justiceiro” da fam?lia dos desgra?ados que acabam indo parar naquele a?ougue, por falta de recursos ou por azar, mesmo. Estou tentando remover minha m?e de l? desde ontem, e eles simplesmente se negam a liberar a transfer?ncia. Pelos motivos mais f?teis e contradit?rios poss?veis, inventados n?o por m?dicos, mas por acad?micos arrogantes e sem um pingo de tato ou sensibilidade na lida com pacientes e familiares, e que acham que um estetosc?pio de merda pendurado no pesco?o substitui com fidelidade um diploma, anos de pr?tica e a necess?ria voca??o para o sacerd?cio.

Pu-ta-que-pa-riu.
Vou parar por aqui antes que vomite meu teclado inteiro.

meninos e meninas.
Escrito em resmungos, self, Janeiro 15, 2004 @ 11:26

Estou b?bada. Vinho + chopp + namorado chato + pizza calabresa de p?ssima qualidade + ?gua mineral com g?s (a melhor coisa da noite).

Eu queria agradecer o carinho de algumas pessoas. Elas sabem quem s?o e sabem o motivo. Eu n?o sou piegas. Eu n?o gosto de gente. Mas eu me ressinto de n?o conseguir ser 100% blas? e da minha autenticidade me obrigar a sentir-me desconcertada e grata. Voc?s me deixam com cara de bunda, but I like it. Luv you, sweeties.

Meninas bonitas est?o sempre cercadas de meninos. Sempre. Namorados, ex-namorados, candidatos a namorados e meninos simplesmente fascinados por sua beleza – mas que n?o ousam pretend?-la. E elas s?o felizes assim, no seu mundinho cheirando a testosterona. O cheiro do horm?nio inebria. S? pode. E eu at? entendo. E aceito. E admito que talvez seja bom. Talvez, n?o - com certeza ?. Como se sentir o ?ltimo bombom do pote. A abelha rainha na colm?ia de zang?es enfeiti?ados. Sei l?, hoje minhas met?foras n?o est?o funcionando. Deve ser a inveja.

A Fernanda de p? na cal?ada, o cabelo loiro sendo sacudido pelos meninos. Eles estavam destilando litros de ptialina, salivando feito raposas diante de um galinheiro lotado. Comparar a Fernanda com galinhas n?o foi proposital, n?o mesmo. Estou falando a verdade, hein? E ela l?. O short branco e azul. Os chinelinhos. A camiseta branca. A sacolinha nas m?os. As coxas.

Meninas bonitas e arrogantes quase sempre viram mulheres infelizes. Passam a juventude cercadas de homens, e enxergam nas mulheres uma amea?a. Ou pobres-coitadas. De qualquer forma, elas n?o valorizam as outras meninas. Mais tarde ficam sozinhas. Os eternos namorados se enamoram de outras e casam. Eventualmente, seus pr?prios casamentos acabam (ningu?m tem o frescor dos 15 anos pra sempre). E, como elas n?o tinham amigas, n?o ter?o a rede de apoio emocional de que as pessoinhas sem muito conte?do h?o de precisar, algum dia.

E eu olhei para a menina loira na cal?ada e enxerguei na sua sombra uma senhora de meia idade solit?ria e triste, colecionando maquiagem da natura e enfeitando-se aos domingos ? tarde em frente ao espelho. Para ningu?m. Quase senti pena. Quase. Mas sentir pena dos outros n?o ? o meu papel no mundo. E o diabinho preto aqui dentro mandou ver numa risada escrotamente sarc?stica. Esse filhodaputa miser?vel. Joguei meu olhar de volta no ch?o, abri o port?o de casa e entrei.

burn in hell.
Escrito em resmungos, vida, Janeiro 11, 2004 @ 11:24

E ent?o o que se faz quando seu melhor amigo arruma uma namorada s?ria e n?o te faz mais companhia? E quando suas amigas passam tempo demais discutindo se vale a pena pagar mais caro num biquini da Cant?o? E quando a sua outra-metade recebe uma proposta fod?ssima e irrecus?vel de emprego… em outra cidade?

Se ainda estiv?ssemos apaixonados. Naquele sentido pleno e flamejante da palavra. Se, e somente se, ent?o o progn?stico n?o seria tenebroso. Porque a paix?o ? autosuficiente, se alimenta de si mesma. Mas a porra do amor, n?o. O outro vira pr?-requisito, porque o amor se auto renova, ao contr?rio da paix?o. Mas s? com o est?mulo da presen?a.

No MSN, agora:

unlovable says:
eu quero ele aqui pra conversar comigo.

unlovable says:
e tirar o papel de bala da minha m?o antes que eu jogue na lixeira, e fazer isso ele mesmo, s? pra que eu n?o chegue perto do lixo.

E ? isso.

Agora, sobre a praia de hoje com o menino da bicicleta, Tha?ssa, Samara e Rog?rio. Como eu disse l? no flog, ganhei rugas e um c?ncer de pele. Leia l? a hist?ria completa do meu desastre, mas veja as outras fotos da “menina bicolor”, gently brought to you by Livejournal, aqui:

Primeiro, La Playa:

Agora, o camar?o:

Eu mere?o toda a ard?ncia que sentirei essa noite.
B.U.R.R.A.

eu tinha que falar isso
Escrito em vida, Janeiro 9, 2004 @ 11:23

Na ida para o trabalho hoje me deparei com uma cena ins?lita. Uma aglomera??o no ponto de ?nibus, e eu quis voltar mas a curiosidade m?rbida adivinhou a raz?o do tumulto e eu segui, como se guiada pelo cheiro do sangue. E sim, ele estava l?, uma po?a oce?nica do rubro fluido da vida - mas que naquele instante representava a morte em estado l?quido.

E, boiando em suas calmas ?guas, uma cabe?a humana esmigalhada.

Meus olhos grudaram no peda?o de osso do cr?nio que se expusera em fratura. Eu n?o sabia ainda se o morto era homem ou mulher, crian?a ou velho, preto ou branco. Era o peda?o alvo de cr?nio saltando para fora do que antes havia sido uma cabe?a que me consumia a aten??o. Inteira. A chuva come?ava a cair e eu sequer me dei conta. O tr?nsito foi sendo lentamente desviado, os motoristas dos ?nibus trafegavam devagar engarrafando a avenida, para que os passageiros tivessem a oportunidade de enfiar os olhos vidro afora e contemplar a cat?strofe matinal. Desviei os meus pr?prios da morte por um instante para voltar a contemplar a vida que piscava nos olhos daquela gente. Um misto de horror-com-curiosidade-com-pavor-com-al?vio (”ufa, eu ainda estou vivo”).

Ainda, tolos. Ainda.
E ser? que est?o, mesmo?

N?o senti nada disso. Fora o interesse biol?gico (coisa de m?dico) pelo estado geral do cad?ver (enfim, era homem, mulato e calvo) e o deleite com que a minha reprov?vel morbidez buscava cada peda?o de massa encef?lica around, havia a vontade de chorar em solidariedade ao abandono daquele corpo… E esses confrontos com o acaso cruel me aterrorizam. Decididamente o senhor X n?o sa?ra aquela manh? de casa pra morrer, depois de tomar banho, engolir um caf?, vestir-se e pensar na vizinha gostosa que ia pegar no final de semana… Podia ter sido eu. Pode ser voc?, qualquer dia desses. E isso me poda e me estimula, ao mesmo tempo.

Fui pegar o ?nibus em outra esquina. Atrasei-me apenas quarenta minutos, e por sorte a supervisora chegou atrasada, tamb?m. Aquela cena se repetiu na minha cabe?a por toda a manh?. Eu oscilava estados de tristeza, de medo e uma sensa??o escrota de PAZ que sinto ao ver gente morta. Da?, logo depois do almo?o, havia um trabalhinho a fazer em outra empresa que divide espa?o conosco e, ao chegar na sala do supervisor operacional, me deparo com a criatura fazendo a digest?o enquanto browseava num desses sites bizarros/m?rbidos. Estava numa p?gina que exibia fotos de fetos com anomalias cromoss?micas. Anotei mentalmente a url e fucei o site assim que voltei para a minha mesa. E no meio daquela galeria de cat?strofes que os vivos adoram testemunhar para se regozijar internamente pelo fato de ainda respirarem, encontrei uma foto MUITO parecida com o que eu havia visto de manh?. MUITO.

Olhei por dez segundos antes de fechar o browser e correr para n?o vomitar em cima do micro. Consegui chegar ao banheiro mas n?o vomitei nada, apesar de o meu est?mago ter dado mil voltas durante todo o tempo que fiquei l?, sentada na privada, levada ? nocaute por uma dor de cabe?a pugilista.

Muita coincid?ncia pra um dia s?? Okay, ent?o terminemos o post com mais uma: entre os emails recebidos hoje, o da Camilla me trouxe um link precioso: esse. Sim, fotos de gente morta, mas a filosofia da coisa ? totalmente diferente da dos sites no estilo do rotten.com. Eu sempre gostei de post morten pictures, mas como se fazia na era vitoriana, onde o h?bito mandava fotografar os entes queridos depois da “passagem”. Minha fam?lia tem algumas fotos assim, muito antigas (anos 50, creio eu), o que despertou meu interesse. S? que a literatura virtual sobre o assunto ? escassa. Imagens, ent?o, nem se fala. E ent?o eu descubro que h? um livro sobre essa pr?tica, cheio de fotos e particularidades. O nome ? po?tico, Sleeping Beauty (vide link acima), e pelos beleza dos samples que vi por l?, o t?tulo ?, de fato, bastante apropriado. Me apaixonei pelo bagulho e ele foi J? pra minha wishlist.

A morte pode ser linda. A morte pode ser pavorosa. A morte s? n?o pode ser evitada - eis o que me assusta e atrai.

ce n’est rien
Escrito em resmungos, Janeiro 7, 2004 @ 11:22

Quando eu finalmente terminar o layout, n?o vou suportar mais olh?-lo. Nunca pensei que desse tanto trabalho fazer algo que beirasse a dec?ncia. ? t?o mais simples fazer uma figurinha no fotox?pe, jog?-la no alto de uma p?gina e p?r um layer de texto embaixo… Mais simples e, quase sempre, mais bonito. S? que fazer simles E bonito requer talento - aquela coisinha que papai do c?u se esqueceu de misturar ? receita quando me criou.

Estou aqui tentando atualizar esse di?rio, responder uns 40 emails mofando na inbox (a maioria de gente fodamente interessante que eu adorei ter conhecido em 2003, e que injustamente aguarda que o ar ? minha volta se fa?a respir?vel de novo e eu tenha f?lego para cair matando nos replies), retocar uma imagem l? de Cabo Frio pro Fotolog, arrumar o meu quarto e ouvir New Order. ? ?bvio que nada disso (? exce??o do CD do New Order) vai ficar pronto hoje. E o que ficar pronto, ficar? podre. Perdi a capacidade de me organizar. E n?s sabemos o porqu?. E ainda agora minha m?e bate ? porta reclamando que n?o falo mais com ela.

E eu estou me sentindo t?o hopeless que poderia cair num choro convulsivo agora e solu?ar a madrugada inteira. Mas ent?o eu me lembro de que amanh?… logo cedo… N?o. Eu n?o quero. Eu n?o quero ter que quase chorar para acordar, todos os dias, e rumar son?mbula para um lugar que eu odeio. Todos os dias.

Meu emprego ? um quartel. Hoje um amigo foi repreendido por estar me mostrando fotos que ele fez com a c?mera digital. Eu estava ouvindo m?sica no walkman, mas sutilmente pesquei a conversa e reduzi o volume. E l? estava o pobre, levando um sab?ozinho da supervisora porque “estava brincando muito”. ? isso, pessoas. N?o se pode rir, n?o se pode sacanear o amigo do lado, n?o se pode mostrar fotografias. At? ouvir m?sica n?o pode - por isso eu ou?o no walkman, mas tenho certeza de que algu?m l? dentro franze o cenho quando me surpreende com os fones pendurados na orelha. Enquanto isso os funcion?rios terceirizados ouvem m?sica alta no PC, berram piadas de macho o dia inteiro e sim - o trabalho deles rende do mesmo jeito e tudo funciona bem.

Mas eu n?o trabalho numa empresa. Eu trabalho num mosteiro.

Eu tinha tanta coisa pra falar. Mas as id?ias n?o est?o fluindo. E isso me abre um buraco no peito, e por ele fogem as borboletinhas. Estou vendo-as voar pra longe, e n?o consigo mais esticar as m?os para peg?-las. Est? tudo vazio e escuro aqui dentro, e eu queria muito poder chorar agora, mas sabe como ?, a vida ? assim mesmo e eu serei uma poser se deixar cair uma l?grima.

Talvez isso seja um hiatus.


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menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

LINK MY STUFF:


online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


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