f?rias?
Escrito em diariamente, resmungos, Fevereiro 26, 2004 @ 15:41

Eu devia estar respondendo a emails, mas eu n?o quero responder a emails. Pensando bem, eu n?o preciso responder a emails. N?o agora.

O carnaval, for obvious reasons, shitou geral. Fiquei em casa, comi horrores, vi um monte de baboseiras na TV a cabo, incluindo aqueles “por tr?s da fama” do Multishow (hm, ok, o da C?ssia Eller at? que foi bacana), e os fatais ac?sticos 100153763 reprisados da MTV (gostei especialmente daquele com o Zeca Pacotinho, ops, Pagodinho). Sem computador, nada de falar com pessoas. Mas as pessoas valem a preocupa??o? Nah, I don’t think so anymore. Ok, eu fui pra Paquet? sozinha, por dois dias. Foi legal, porque choveu e n?o vi nenhum imbecil andando de charrete, e o fedor da bosta dos cavalos perto da esta??o das barcas deu uma aliviada. Eu n?o fiz fotos. N?o quis transformar meu retiro espiritual em reality show. N?o agora.

Vou comprar um monitor de 17 polegadas quando meu PC ressuscitar. Yay. I deserve it.
E meu PC n?o podia ter quebrado, n?o justo agora. Depois explico. N?o agora.
E queria fazer um friends-cut aqui, mas eu n?o sou t?o esnobe e malvada quando gostaria. N?o agora.
Meu site est? fora do aaaaaaarr.

E pessoas que te viram a cara em certas situa??es e te d?o bom-dia-meu-amor noutras merecem jatos de v?mito ?cido pela cara. Eu odeio gente que pratica o “mimetismo social”. Tipo o bacana l?, gamado na baranga, mas que na frente dos amigos mete o malho na infeliz, porque afinal, “o que os amigos pensariam dele se…”. Odeio marias-vai-com-as-outras.

Bad hair day. Bad hair week. Bad hair month. I can’t stand it ANY MORE.

E as pessoas… Meu Deus, o que posso fazer para ser mais clara? Eu gostaria de ser, sinto que preciso, talvez eu consiga, mas…

N?o agora.

hiatus for?ado
Escrito em www, Fevereiro 25, 2004 @ 15:41

N?o, eu N?O viajei, eu N?O estou na praia, eu N?O estou curtindo o carn?. Bl?.

Meu PC m?r-reu e por isso n?o estarei online at? a pr?xima semana. A fonte pode ter queimado, a placa idem, eu n?o tenho no??o do que ter? acontecido, e n?o d? pra ficar postando do trabalho (n?o tenho tempo, nem vontade ou privacidade, aqui).

? isso. Eu morri virtualmente at? resolver esse problema. Mas na Matrix eu continuo viva, e voc? poder? entrar em contato comigo pelo fone 2560 000000000000000…

dance to the right tune.
Escrito em self, Fevereiro 17, 2004 @ 15:39

I give up on trying to become smarter and intelligent.

All my past efforts in order to do so have failed, and didn’t take me too far.

I give up on trying to look cute. It’s fake, it’s not me, and from now on it will be just a make-believe to amuse ME. I’m not being bitter, but extremely sincere.

I give up on trying to become more sociable and outgoing.

In this case it’s just plain useless, as I don’t really want it.

So, let’s take some presumptuous photos and join some funny and coloured livejournal communities.

That’s life.
Better - that’s a NO-life.
Ha. As said Frank, at least “I did it my way”.

lost in translation.
Escrito em celulóide, Fevereiro 14, 2004 @ 15:38

“Acredito que o maior temor dessa nossa gente ansiosa que atravessa a rua fora do lugar, acende e apaga as janelas, que nasceu no s?culo 20 e morrer? no corrente, n?o passa pelas morbidezas a que se costumam relacionar medos e fobias. Indo direto ao ponto: mais do que a morte, o que se teme ? a solid?o. O que se teme ? ter que se olhar no espelho, n?o o de casa, que nos poupa do fundamental, mas em um que reflita o que realmente se ?, fora maquiagens, implantes, roupas, empregos, status, carros do ano e eletrodom?sticos pagos em dez vezes sem juros. Sa?da? Entre o hedonismo arregalado e a servid?o religiosa estamos quase todos perdidos, luzes apagadas por tr?s das portas. Mas, numa deixa previs?vel como enredo de novela, o tal do sentido costuma vir pouco antes dos 30 anos com romance, paix?o, filhos - e a porta que se abre agora ? a do banheiro, atestando a cumplicidade muitas vezes fedorenta dos amantes. At? a crise de meia idade, como a que atravessa o nosso Bob Harris, magistralmente conduzido por Bill Murray.

A solid?o dos personagens de Sofia Coppola n?o se deve simplesmente ?s circunst?ncias tediosas que os levaram a uma megal?pole inintelig?vel. Falta a eles companhia para compartilhar o estranhamento que a vida nos imp?e desde sempre, companhia para dividir o mesmo olhar. Seus relacionamentos viraram casca. Vivem a pior forma de solid?o, acompanhada - n?o entre milhares de pessoas numa rua apinhada de gente, mas a que se compartilha numa cama, num telefonema mal-respondido, no desinteresse expl?cito ou na neurose descabida que corr?i sentimentos. Charlotte n?o reconhece mais seu namorado afetado. Bob procura conforto numa dona de casa profissional. Fracassos.”

No JB online, por esse cara aqui. Integralmente aqui. E eu concordo em g?nero, n?mero e grau - detalhe, eu n?o estou falando do filme…

and so it goes
Escrito em soundtrack, www, Fevereiro 12, 2004 @ 15:37

New layout. Esse a? se parece mais comigo, com a minha fase, embora l? no fundo, eu n?o esteja triste. Eu SOU triste. Por isso n?o consigo ver a diferen?a.

Joy Division ? uma coisa engra?ada. N?o tem letras especialmente fodas. N?o tem melodias especialmente bonitas, na concep??o mais corriqueira da palavra. N?o tem muitos discos lan?ados. N?o durou muito. Mas Joy Division ? Joy Division. Uma banda que ?, e n?o se fala mais nisso. Porque tem as m?sicas que n?o s?o “bonitas”, s?o dilacerantemente bonitas. Porque tem as letras que n?o s?o fodas, mas que conseguem, quase monossilabicamente, te jogar numa dimens?o docemente negra ? qual voc? passar? a jurar, desde ent?o, que sempre pertenceu. Porque tem dois discos do grande caralho. Porque durou o que devia ter durado, o quanto o Ian Curtis aguentou. E, principalmente, porque teve Ian Curtis. E a voz dele, que ningu?m consegue tirar dos ouvidos, da cabe?a. E os olhos dele, fundos e que entram tamb?m fundo dentro das nossas m?goas, dos nossos ressentimentos, das nossas amarguras, das nossas revoltas, e ent?o nos dizem: “EU VEJO ISSO EM VOC? PORQUE VEJO ISSO EM MIM”.

dane-se.
Escrito em caderno de perguntas, Fevereiro 10, 2004 @ 15:36

PUTA vontade de tirar sangue de algu?m. E de gritar. MUITO. E de chorar. Mais ainda. Mas sabe como ?, n?? Agora n?o vai dar.

E eu vou fazer um blog no domain. Ali?s, aquele layout mirabolante l? est? com as horas contadas. Fofo, mas d? muito trabalho. E o excesso de scripts toscos est? atrapalhando que eu poste na p?gina principal. Eu gosto do livejournal, muito. Mas n?o ? a mesma coisa. Aqui ningu?m posta, ningu?m l?, parece uma zona morta. E, se ? pra ser zona morta, que seja na minha casinha, onde pelo menos eu possa mudar de skin (eu n?o mere?o usar a palavra layout pra se referir aos meus) mais facilmente. Porque os overrides do livejournal, THEY SUCK.

E eu estou muito triste, tem um n? muito grande na garganta, e dessa vez n?o ? meu cora??o que est? l? obstruindo a passagem. ? a minha exist?ncia inteira que tomou forma esf?rica e enfiou-se goela adentro e est? me impedindo de respirar. A ?nica vantagem aparente disso ? que assim o choro tamb?m n?o sai.

E eu quero n?o odiar gente. Eu estava tentando, at?. Mas j? vi que n?o d?. Eu odeio.

Last Cigarette:: eu n?o fumo
Last Alcoholic Drink:: cerveja, as usual
Last Car Ride:: n?o tenho mais carro e n?o costumo andar neles
Last Kiss:: ele… as usual.
Last Good Cry:: estou querendo chorar AGORA. quest?o apropriad?ssima.
Last Library Book checked out:: hahahaha - eu sou alienada, amigo.
Last Movie Seen in Theatres:: MUITO envergonhada de admitir que nem lembra
Last Book Read:: atualmente as piadas da playboy, volume 2
Last Movie Rented:: n?o alugo mais desde que minha m?e roubou meu videocassete
Last Cuss Word Uttered:: ?
Last Beverage Drank::
Last Food Consumed:: meu almo?o. e estava uma merda.
Last Crush:: n?o sei o que ? isso desde que sa? da inf?ncia
Last Phone Call:: ningu?m acredita, mas faz tanto tempo que nem lembro
Last TV Show Watched:: eu n?o vejo TV, mas ok, h? UMA SEMANA atr?s eu estava tentando ver David Letterman pra checar se havia alguma diferen?a entre o cen?rio dele e o do J?
Last Time Showered:: hm, por sorte, eu fiz isso ontem
Last Shoes Worn:: estou usando agora meu par de t?nis coreanos vermelhos
Last CD Played:: n?o lembro, acho que coldplay
Last Item Bought:: uma piranha de pl?stico pra prender meu cabelo
Last Download:: php fanbase, mas ? ?bvio que n?o vou ter tempo de montar a fanlist
Last Annoyance:: me jogaram um MONTE de coisas nas costas aqui no trabalho porque acham que eu n?o fa?o nada.
Last Disappointment:: eu cheguei ? conclus?o que dificilmente serei uma pessoa feliz, algum dia
Last Soda Drank:: se fuder, teste idiota… j? fez tr?s perguntas sobre bebida. na pr?xima, eu juro que respondo MIJO
Last Thing Written:: essa merda de teste rid?culo. e o pior ? que ainda vou ter que traduzir as perguntas, porque brasileiro n?o sabe/tem preguiga de ler ingl?s
Last Key Used:: a minha, pra abrir as portas da minha casa amarela fofa e sair pra me fuder joselitamente na vida
Last Word Spoken:: N?O
Last Sleep:: sono? o que ? isso?
Last IM:: eu odeio aim. se n?o for aim, eu odeio o que quer que seja.
Last Sexual Fantasy:: parar de fazer sexo - at? isso anda me entediando.
Last Weird Encounter:: HAHAHA, com o meu velho, TODO encontro ? weird
Last Ice Cream Eaten:: de lim?o, ali?s, uma PORCARIA de sorvete
Last Time Amused:: outra palavra cujo significado eu passei, subitamente, a desconhecer
Last Time Wanting To Die:: all-the-fucking-time
Last Time In Love:: h? anos atr?s. espero nunca mais sentir de novo e morrer uma velha amarga, recalcada, mas com os parafusos em ordem
Last Time Hugged:: ?, todo mundo me abra?a, mas e da??
Last Time Scolded:: ??? n?o sei traduzir, desculpa
Last Time Resentful:: minha vida ? um po?o de ressentimentos. contra mim, contra o mundo, contra a pr?pria vida.
Last Chair Sat In:: essa onde estou, n?, porra… ou acha que estaria digitando em p???
Last Lipstick Used:: ? meio bord?, cor de sangue seco - eu gosto dele
Last Underwear Worn:: a calcinha vagabunda que estou usando n?o entendeu o que significa underwear, achou que estava sendo xingada e mandou a inventora desse teste ir ? puta que pariu
Last Bra Worn:: meus suti?s cafonas tamb?m ignoraram solenemente essa pergunta
Last Shirt Worn:: uma larga, coloridona, feia de doer, mas eu gosto
Last Webpage Visited:: essa aqui. antes dela, a do meu trabalho, porque eu passo o dia todo nela.
e ent?o o c?u virou sorvete de pistache.
Escrito em diariamente, fotos, Fevereiro 9, 2004 @ 15:31

E sim, o telefone fez o seu papel e tocou no domingo ?s nove, quando eu estava em casa meditando (haha) e tentando abstrair o fato de que o day after seria uma segunda feira - i don’t like mondays, tipo a serial killerzinha da m?sica do Bob Geldof. E era ele. E senti pela voz que ele estava b?bado. E ele disse que havia bebido todo o dinheiro que tinha, e agora nem um tost?o pra voltar pra casa.

- T?, voc? pode dormir aqui hoje…
- Mas eu s? preciso do dinheiro.
- E de glicose. E de porrada.
- Posso dormir a?, ent?o?

Ok, then. Dez minutos e a campainha toca, e ent?o eu o vejo entrar b?bado como eu nunca havia visto em todos esses anos. Ele cismou que a parede do meu quarto N?O ERA AZUL antes. E chorou meia hora pedindo que eu “n?o maltratasse a fam?lia dele”. E falava gesticulando como se estivesse drogado, e eu perguntei se haviam jogado barbit?ricos no whisky e ele disse que n?o sabia.

Pode ser deveras providencial dialogar com b?bados, quando se est? s?brio. A caixinha de pandora se abre e todos os segredinhos v?m ? tona, boiando no ?lcool… Tudo o que fiz foi fornecer est?mulos para o “truth or dare” vers?o mon?logo, e ent?o ficar ouvindo tudo com um ar solid?rio pintado na cara e um risinho evil nos l?bios por onde escorria o veneno.

Esse foi o final do dia.
O come?o do dia foi legal, porque foi quando n?s dois juntos come?amos a beber no mesmo lugar onde ele se embriagou mais tarde. Eu fui encontrar a Laila no “shopping” aqui perto (e fomos ver as tartarugas no projeto Tamar aqui na pra?a, tamb?m.

The big giant one… Aqui na foto ela parece pequena, mas se n?o chega a ser uma “tartaruga-de-couro” (cujo casco chega a medir mais de 2 metros), ? BEM maior do que o que a gente conhece por tartaruga…

Os beb?s tartaruga:

Um beb? tartaruga eclodindo do ovo, vers?o gigante-did?tica:

Tartaruga de cer?mica. Se coubesse, ia ficar style em cima da minha geladeira:

No shopping, come?amos a notar gente estranha com roupas mais estranhas ainda circulando around. Quando a m?sica come?ou, descobrimos que estava rolando um “carnaval da terceira idade” no segundo piso. Fotos, naturally:

A cantora da “banda”, Alcione wannabe:<

? abre alas, que eu quero infartar - A_Figura?a vol.1:

A_Figura?a vol.2:

O cabelo reluzente da Laila:

E o resto das fotos tem a Laila, por isso s?o dela. E, se ela assim o desejar, postar?.
E depois eu o encontrei, ele estava no bar e l? ficou quando decidi ir para casa, prometendo ir embora no final daquela cerveja.

Mas n?o foi, e passou da cerveja pro whisky, e encontrou pessoas (porque no fundo da fortaleza com muros de mil metros de altura e cerca el?trica em volta, eu penso que mora um menino beeeeem pequenininho, morrendo de medo de ser deixado ali pra sempre, all alone), e ficou feliz, e bebeu mais, e pediu frango ? passarinha, e viu todos os jogos televisionados da rodada no dia, ficou querendo dar porrada na cara de uma puta que, quando seu macho chegou, esnobou um velho apaixonado que estava pagando todas pra ela, enfim… Bem maria-do-bairro.

E n?o tivemos muito tempo pra conversar, e ele mentiu. Tinha sim o dinheiro pra voltar pra casa, mas tamb?m tinha consci?ncia de que, naquele estado, no m?ximo ia achar o caminho do cemit?rio. E eu n?o sei direito o que falar com ele, da pr?xima vez. Eu ouvi tanta coisa diferente, mas n?o sei se cheguei a conclus?es diferentes. Waste of energy.

E n?o, eu n?o procurei na-da sobre o peito da Janet Jackson no Google.
Obrigada.

let me have it, let me grab your soul
Escrito em fotos, Fevereiro 8, 2004 @ 15:30

it gets lonely
on the other side from you
i pine a lot
i find a lot
falls through without you

lover you don’t have to love
Escrito em vida, Fevereiro 7, 2004 @ 15:30

N?o sei se por causa dos quebra-paus entre meus pais, que foram a festa na minha inf?ncia, eu nunca levei o amor a s?rio. Hoje n?o sei se de fato as palmas das minhas m?os batendo uma contra a outra e os sorrisos atr?s de portas eram de fato excita??o ou ansiedade, como tamb?m n?o posso afirmar se as marcas deixadas foram tatuagens ou cicatrizes, se enfeitam ou se doem - fato ? que elas est?o aqui, t?m que estar.

Porque nada mais explicaria esse iceberg aqui dentro.

E ent?o eu passei a inf?ncia brincando de Barbies que eram modelos famosas ou empres?rias de sucesso, mas que nunca tinham namorado (dezenove Barbies ao todo, mas apenas dois Ken, que sempre ficavam esquecidos dentro das caixas de brinquedo), e a adolesc?ncia viciada em carros importados, futebol e armas, subjects tipicamente masculinos (pra talvez erguer uma barreira de testosterona entre eu e a minha incipiente feminilidade - voc?s sabem, esmalte, ?gua oxigenada e batom, essas armadilhas pra enganar e pegar garotos).

Eu queria estar longe deles, e para tanto, em se tratando de amor e sexo, nada melhor do que SER um deles. E ent?o d?zias de camisetas de times de futebol, gavetas cheias de camisas de banda, palavr?es heavy metal, pele ralada (e definitivamente estragada, i must admit…) por quedas nas estripulias, um ano e meio ouvindo rock pesado, madrugadas inteiras perdidas na frente do super nintendo, esfolando o polegar no joystick pra ser t?o foda, mas t?o foda nos shoryukens que os meninos teriam medo de mim, aqueles vermes.

Como eu tinha inveja deles.

E raiva das amiguinhas, dos shorts jeans curtinhos, do “suti?s-menina-mo?a” (para seios que ainda nem existiam, a n?o ser na vontade das donas), dos brincos “folheados a ouro”, que de ouro nada tinham, da orelha-furada-em-dois-lugares, do esmalte azul da carla perez, do brilho labial sabor morango Topsy da Avon, dos absorventes higi?nicos, e da alegria indiz?vel que isso causava nelas, e das hist?rias que contavam, dos cantinhos escuros que frequentavam acompanhadas, das rodinhas de segredinhos das quais eu estava pra sempre exclu?da, por vontade delas, por des?gnio da vida, por minha causa, porque eu havia escolhido ser um deles mas era uma delas, ou seja, eu era A_Aberra??o, pessoas.

E eu achava (?) isso muito bom.

E ent?o eu encontrei um menino legal.

E agora eu sei que vou sentir falta dele, porque o tempo passou, porque eu n?o tenho mais tanto medo das minhas unhas bonitas (por causa minha, por causa dele tamb?m), porque com ele eu podia ser igual a ele e muito diferente dele ao mesmo tempo, e sim, isso ERA bom. Podia sentar num bar e dar nota pras bundas das meninas, podia encher a cara de cerveja durante os jogos de futebol, podia falar sobre as m?sicas que s? n?s dois no mundo conhec?amos, mais ningu?m, e pensar que o mundo s? precisava de n?s dois pra ser um lugar melhor (nem que fosse s? pra n?s), mais ningu?m. E tamb?m podia querer comprar lingerie, podia gostar de v?-la desaparecer pra debaixo da cama bem r?pido, podia falar obscenidades cheias de ternura e n?o ter medo de desvestir a carapa?a e ter coragem de ser covarde, fr?gil, de vez em quando.

E agora eu vejo todas essas coisas entrando pro grosso e velho scrapbook de mem?rias e balan?o a cabe?a dando raz?o a mim mesma, porque embaixo do verniz brilhante das coisas bonitas h? a crosta malcheirosa e suja das coisas feias, e era ela que aparecia pra estragar o cen?rio quando eu estava quase acreditando que podia ser feliz.

Mas ainda assim eu sei que vou sentir falta dele, porque num mundo de meninos feios, bobos e chatos, que puxam o meu cabelo em boates, que acham que danoninho vale por um bifinho e que um tr?ceps vale por mil neur?nios, que acham que mulheres nasceram apenas pra serem bonitas e fazer sexo oral direito, que confundem intelig?ncia com cultura de almanaque, que se acham especiais mas fazem tudo o que os seus amigos esperam (inclusive dar um fora numa garota legal s? porque a turma n?o gosta dela, e hell, como eu j? vi isso acontecendo…), que n?o sabem conversar, s? imp?r opini?es, que s?o profundos feito a piscininha das crian?as no clube, que s? pensam em ser, ser, ser, em ter, ter, ter, mas que acabam a vida tristes jogando pedra nos pombos da pra?a, consumidos pela ir?nica certeza de que n?o s?o e nem t?m nada (ou ningu?m)… Por escolha pr?pria.

Nesse mundo, ele era diferente. Ele era pra mim, sabe?
E agora eu vou ali chorar um pouco e vestir aquela minha camiseta do Barcelona e tentar voltar a acreditar que “love is natural and real, but not for such as you and I, my love”.

ascens?o e queda de robervaldo pangu
Escrito em para refletir, Fevereiro 6, 2004 @ 15:29

if it’s only a bad dream, why does it never ends?
if it’s reality, i’d rather go back to my nightmares.

No ?nibus a mulher dormindo ao meu lado fedia a ?gua sanit?ria. Lavadeira, ?bvio. O cheiro era nauseante, e quando percebi que vinha dela, tive pena. Da roupa humilde, da bolsa de camel? feita de pelicato (um arremedo barato de couro), da sand?lia velha, do ?culos de sol paraguaio, cafon?ssimo, sobre o cabelo crespo e curto. Tive pena sim, e da??

E da? que me dei conta de que eu estava l?, dividindo com ela o banco de ?nibus e o retorno da nossa escravid?o di?ria particular. E, de repente, a minha “pena” me pareceu arrogante. Mesmo que um canyon cultural nos separe, as circunst?ncias nos deixam uma ao alcance da outra. Ela despertou do sono e eu fingi come?ar um (eu n?o consigo adormecer em coletivos, period), pra esconder a vergonha s?bita que senti. *vai passar, vai passar, vai passar* ? o m?ximo de otimismo que consigo impor a mim mesma.

E coisas como essa tamb?m me deixam mal: http://ludotrem.blig.ig.com.br. Eu sempre fico triste com celebridades cujo brilho emba?a. Boas lembran?as s?o uma maravilha, mas viver delas deve ser uma merda. Ainda mais tendo crescido e perdido a beleza, os cabelos, o dinheiro e, principalmente, a extasiante sensa??o de se destacar da multid?o, de se sentir algu?m realmente especial - e foda-se se for pelos motivos errados, quem ? voc? pra saber quais os certos?

Porra, eu quase chorei. Eu n?o estou sugerindo que o cara deva dizer adeus a esse mundo cruel com a ajuda de meia caixa de Diazepan e uma garrafa de Old Eight… mas sinceramente, se EU fiquei triste, imagina se aquela pele l? fosse a minha?

Algumas coisas ? melhor nunca ter do que perder…


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menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

LINK MY STUFF:


online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


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