Estou come?ando a de-tes-tar camgirls. S?rio.
Ok, podem me apontar dedos gigantescos e dizer que “eu-tive-um-fotolog-com-926385364029-camshots-da-minha-fu?a-maquiada”. Ok, ? verdade. E eu n?o “tive”, eu ainda tenho. Est? l? e n?o tenho vergonha daquelas fotos. De nenhuma delas. Eu gosto de assumir meus erros, porque eles me representam muito bem - mas nesse caso, n?o vejo o “unlovable” como um deles. Foi uma tentativa de acerto, e que deu certo por um bom tempo. At? eu me cansar da f?rmula e passar a fazer o que jamais pretendi: fotos sem inspira??o ou aqu?m do prop?sito inicial (criar personagens, o que muito me diverte, ha), apenas para preencher espa?o e lacunas existenciais - minhas e de muitas pessoas que freq?entaram aquelas p?ginas…
Quando falo em “lacunas existenciais”, n?o estou me colocando acima de ningu?m. Notem que eu, merecidamente, me inclu? na panela. Mas ? fato que criaturas que passam o dia inteiro postando calorosas mensagens-padr?o repetidas em guestbooks de desconhecios, a fim de receber coment?rios de volta, s?o portadoras de algum tipo de desvio… N?o que isso seja ruim. Desvios s?o adapt?veis, e podem ser t?o legais, se te d?o prazer, como fumar um cigarro de maconha ou esvaziar uma garrafa de Chivas (hahaha), por exemplo. N?o muito saud?vel, por?m extremamente gostoso.
O lance ? que, ao contr?rio da garrafa de Chivas (esque?amos a marijuana, pelo menos para mim…), postar fotos de webcam naquele site n?o me atrai mais. E n?o consigo entender a motiva??o de algumas pessoas, que parecem ter se deixado levar totalmente pela mar? de “ah, mas que linda voc? ?” (em 99% dos casos, elogios vazios de gente idem, buscando visitas e alguma notoriedade t?o ef?mera quanto in?til) e, acreditando 1000% nisso, passam a fazer da imagem o seu ?nico cart?o de visitas na vida.
Sem NENHUMA conota??o de despeito, por favor. Mas eu fico sempre muito triste (ao inv?s de achar gra?a malignamente e debochar…) quando vejo uma menina bel?ssima e burra. Sinto pesar pelas oportunidades que ela est? perdendo, ao desprezar a conjun??o poderos?ssima da beleza + intelig?ncia. Uma mulher bela e s?bia ?, virtualmente, o ser mais poderoso do universo. Quando esse ser hipot?tico se funde em dois (o que ? mais comum… gente feia e inteligente, gente linda e tola), ? como se frustra??es ambulantes passeassem por a?. S? que os bonitos e burros n?o v?o se dar conta disso, porque pensam ter tudo (j? que a sorte momentaneamente os sorri com a gra?a da popularidade, do afeto imediato e seus benef?cios), e talvez at? se acreditem geniais. Talvez acreditem mesmo que sejam amados e admirados, como se a beleza fosse qualidade bastante para despertar amor e admira??o (pelo menos de pessoas elevadas, cujo amor e admira??o realmente fa?am diferen?a). Isso d?i.
Hoje eu fui a um collective de dom?nios, pra ver sites e me inspirar pra mudar o layout disso aqui. Ca? num webring de camgirls, e l? estavam aquelas garotas, umas bonitas sim, outras sinceramente horrendas, fazendo caras e bocas, mostrando umbigos, retorcendo pesco?os e olhares, e embaixo de cada post, pedidos desesperados em mai?sculas com negrito e fontes piscantes: VOTE FOR ME ON SLUTCAMGIRLS.COM. T?. Votar em voc?s. Mas, al?m da car?cia falsa no ego, o que diabos voc?s ganham com isso, crian?as? O que far?o quando e se n?o puderem mais sobressair (?) pela beleza? V?o virar cascas murchas, casulos vazios abandonados pelas cris?lidas esvoa?antes do seu passado de maquiagem carregada, tinta pra cabelo, tatuagens radicais e piercings estilosos? Ser? que acreditam mesmo que 100% das pessoas que perdem um minuto clicando num link e “votando” o fizeram por estar fascinadas pela sua “beleza-g?tica-made-in-hot-topic”?
Fiquei com d? dessas meninas. Quis dar um esporro em forma de li??o de moral, mas eu n?o tenho moral para isso. Por mais que tenha tentado dar um significado extra aos meus self portraits no in?cio (dispon?vel nos arquivos que o fotolog.net comeu com angu, ou no fotki), a verdade ? que eu tamb?m gostava de ser chamada de “linda” nos comments. Mesmo n?o acreditando, ou talvez at? por isso mesmo: aquilo pretensamente me fazia acreditar. Foi quando eu me dei conta de que n?o, eu n?o era linda sem luzes e photoshop. Eu era uma menina normal (n?o confunda com “comum”). Mas que, sendo linda ou n?o, tinha algo bem mais legal de que poderia se orgulhar, e esse algo n?o dependia de aparatos cenogr?ficos. Algo que n?o vai depender do meu n?vel de popularidade - mas que sempre vai me tornar popular entre o meu p?blico-alvo favorito: aqueles que s?o iguais a mim.
E agora eu vou l? falar com ele, que me chama de “gata” em portugu?s. E isso me faz feliz. :o)