Ghosts.

Tem uma música do Garth Brooks que diz que, às vezes, os melhores presentes que recebemos da vida e do destino são os desejos que não se realizam. A historinha é mais ou menos essa: o cara reencontra a garota com a qual ele sonhou a adolescência inteira, e nunca conseguiu ter. Só que, ao revê-la, se dá conta de quanto é grato por não ter conseguido, já que ele está ali com a esposa dele - a verdadeira mulher da sua vida. Linda teoria. Só que eu ainda gostaria de poder estender as mãos e, de vez em quando, tocar alguma coisa real.

Tinha gente chorando dentro do quarto da minha mãe, agora. Gente não viva. Morreram duas pessoas nessa casa, uma delas no tal quarto - ela desconhece essa história, mas eu sei.

É assim, geralmente eu ouço pessoas chorando aqui dentro. Eu não uso drogas; bebo às vezes, é verdade, mas nunca ouvi essas coisas depois de beber. E nem me pergunte se acredito. Eu sou cética, mas paradoxalmente eu ouço essas pessoas e não sei o que fazer com essa informação. Não fui programada para processá-la.

Abri a porta do quarto dela agora e ouvi um soluço, nítido. Às vezes penso ser minha mãe ou a C. (a voz é feminina), e chamo pelos nomes. O som pára, e então eu me dou conta de que estou sozinha.
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Life is weird. Death must be weirder.

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