Nasce um Jack O’Lantern…
Escrito em fotos, inglaterra, Outubro 31, 2004 @ 02:43

Nunca pensei que fazer uma porcaria dessas fosse t?o divertido.
O Halloween n?o ? l? muito famoso na Inglaterra. A tradi??o foi importada pelos yankees, que colocaram pilha alcalina na brincadeira, e a revenderam pelo dobro do pre?o pros ingleses - que decidiram n?o comprar, HAHA.

N?o vi nenhuma criancinha vestida de monstro, e poucas casas tinham decora??o t?pica. Mas ? claro que sempre h? quem queira lucrar com a inoc?ncia consumista das criancinhas brit?nicas, e enfeite o quintal para vender umas ab?boras superfaturadas…






Making of e resultados:

Daqui a 20 dias mudan?a para a casa nova, e eu que gosto de empacotar e organizar coisas estou animada.
Dentro de cinco semanas, Rio de Janeiro, beijar minha gata, fofocar com a minha m?e, abra?ar o meu pai, fugir de alguns amigos-entre-aspas e organizar o meu casamento.
Nada de igreja, bolo, vestido, pessoas.
Assinar o papel basta e ent?o eu mudo de nome (porque eu quero, e n?o porque me seja imposto).

Sobre os filmes detestados, vale lembrar que deixei de fora da lista os f?ceis. Merdas como American Pie, Sexta Feira 13, filmes do Van Damme e da Xuxa s?o piada pronta, ou seja, nem vale a pena perder tempo dizendo que n?o se gosta (algu?m que interessa por acaso tolera essas bombas?). Tentei listar filmes que uma pessoa com bom senso e alguma cultura teria tudo pra gostar, mas que por alguma inexplic?vel raz?o, n?o lhe desceram pela goela. Dito isso, aviso que se trata da minha opini?o. Discordar ? permitido; me mandar introduzir artefatos anat?micos em locais rec?nditos da minha anatomia tamb?m, mas n?o merecer? considera??o.

…E o trof?u tomate podre vai para:
01. Clube da Luta (n?o gosto de filmes verborr?gicos cuja principal finalidade da verborragia ? fazer as pessoas entenderem nada e, por causa disso, acharem o filme ?timo).
02. Harry Potter (literatura meia bomba para crian?as injustamente al?ada ? categoria de arte… Fazendo o qu? nos cinemas eu ainda n?o entendi).
03. Matrix (n?o aguentei a primeira meia hora do primeiro filme. O depoimento de quem viu at? o fim e n?o gostou, me convenceu de que fiz a coisa certa ao desligar a TV e ir dormir mais cedo).
04. 2001 (desculpem os f?s do Kubrick, que eu tamb?m adoro, e desculpem os intelectuais que entenderam o recado. Eu s? gosto da sequ?ncia inicial dos macacos e da trilha sonora; o resto me cansa).
05. O Resgate do Soldado Ryan (carnificina excessiva numa historia inveross?mil e mal contada).
06. Casablanca (eu comecei a roncar antes do Sam “tocar de novo” e s? acordei nos cr?ditos finais porque o ronco do meu namorado estava mais alto e eu levei um susto).
07. A Fant?stica F?brica de Chocolate (eu adoro citar esse porque todo mundo adora e eu achei uma merda, a? todo mundo fica chocado e n?o acredita que eu n?o goste. Mesmo efeito quando eu digo que n?o gosto de chocolate).
08. The Wall (acho que eu sou a ?nica f? do Pink Floyd que acha The Wall um porre. Se ? pra ver videoclipe gigante eu prefiro ligar na MTV, onde pelo menos eu posso usar o tempo das vinhetas pra ir ao banheiro).
09. A Novi?a Rebelde (junta, num s? filme, quatro coisas que eu odeio: musical, crian?as, ?ustria e a Julie Andrews).

H? mais filmes nessa lista, depois eu lembro.
E eu tirei O Senhor dos An?is pelo mesmo motivo que Harry Potter quase saiu.
? que esses filmes est?o quase na categoria “piada pronta”.
E qualquer coisa nas categorias “Musical”, “Com?dia”, “Guerra” j? merece um p? atr?s.

no answers
Escrito em self, Outubro 28, 2004 @ 02:41

< ironia > Gosto “tanto” das Powerpuff girls. < / ironia >
Mas, se eu fosse uma delas, eu seria assim:

http://www.nephco.com/powerpuffgirls

?s vezes parece que, quando come?o a me sentir feliz de verdade aqui, aparece uma coisa qualquer pra estragar tudo. Sim, as pessoas s?o diferentes umas das outras. Mas em certos aspectos, at? que elas podiam ser um pouco mais padronizadas… Estou me referindo aos aspectos bons, pois os ruins j? s?o padr?o faz tempo. Sei l?. Passei oito anos da minha vida com um cara que era totalmente diferente do cara com o qual eu talvez passe os pr?ximos oito ou mais anos, melhor das hip?teses. Toda hora eu “dou com a cara na parede”, no sentido de me deparar com uma rea??o inesperada com a qual n?o sei lidar.

Ok, assumo a incompet?ncia. Lidar com gente est? longe de ser a minha especialidade. E os “manuais de instru??es da ra?a humana” (aka livros de psicologia) nunca responderam ?s minhas perguntas.

O meu ex ? um cara legal. Um fdp, mas com um bom background. Car?ter meio duvidoso, mas nunca roubou dinheiro da minha bolsa, por exemplo - n?o que eu tenha notado. N?o gostava de trabalhar, mas and so, eu tamb?m n?o gosto. O problema ? que acreditava piamente que o fato de ele sofrer as consequ?ncias por n?o ter emprego e sal?rio era uma coisa muito injusta. O mundo era cruel, malvado, e ele devia ser indenizado pela humilha??o de ter que sobreviver de parcelas do FGTS e aturar eventuais subempregos. Tinha f? inabal?vel de que seria um escritor famoso, e ficava bravo, muito bravo, quando eu diplomaticamente jogava um balde de ?gua fria em cima do seu sonho, transformando em lama o seu p? de pirlimpimpim (Monteiro Lobato, eu n?o gosto de voc?, mas vou usar a refer?ncia sim).

N?o deu certo porque cansei de ser usada, e ele cansou de mim (talvez n?o de me usar, mas a? ? outro papo). Ele queria que eu agisse o tempo todo como a semideusa intelectual que ele pensava que eu fosse, ou queria que eu fosse. S? que eu sou, sempre fui e serei uma eterna p?s-adolescente, com mentalidade de jardim-de-inf?ncia ?s vezes, e o fato de eu ter os quatro personagens do South Park, vers?o polipropileno, sentadinhos em cima da minha CPU, ele nunca conseguiu engolir. E eu nunca consegui engolir o fato de ter que emprestar dinheiro, sem garantia de devolu??o, para um camarada que me tratava bem mas n?o dizia “eu te amo” porque estava sempre decepcionado comigo e ainda ria da cara de quem acordava cedo pra pegar no batente. Em oito anos de namoro, se me deu tr?s presentinhos, foi muito.

O tiro de miseric?rdia foi eu ter emprestado dinheiro para ele voltar para casa, e ele me ligar de l? todo feliz, dizendo que havia dado parte do dinheiro restante para a sobrinha e admitir que emprestara o resto para o irm?o, que dificilmente pagaria. A favor dele estavam a intelig?ncia, o senso de humor, a misantropia irm? g?mea da minha, e um certo z?lo fofo. E s?. De resto, borracha em cima.

O atual ? um anjo. ? noite, na cama, eu ?s vezes esbarro nas asas dele (anjos urbanos n?o t?m asas durante o dia). Sinto que faz diferen?a eu existir, diferen?a positiva e desinteressada. Eu n?o sei cozinhar (ok, frito ovos, fa?o bolo seguindo a receita e meu miojo com catchup merecia pr?mio culin?rio). Ele tem faxineira e, na pr?tica, n?o precisa de mim para limpar a casa. Tem dinheiro o suficiente para n?o se preocupar se EU tenho. E ? um po?o artesiano de virtudes. Gosta de discutir a rela??o (eu n?o, mas vamos combinar que ? uma evolu??o na ra?a masculina). ? inteligente a ponto de me fazer sentir com o QI do Forrest Gump. Nunca faz cara feia para coisa alguma, nunca critica as minhas atitudes, demonstra interesse verdadeiro por tudo o que me interessa. E eu amo quando ele chega em casa, estende os bracinhos na minha dire??o e diz “oi!”. Mas de vez em quando, lidando com ele, eu esbarro num erro 404, page not found. Information not available on database. Tenho v?rios, muitos dedos. Queria poder perguntar algumas coisas, entender tantas, mas tenho medo de meter a m?o na superf?cie desse lago t?o calmo e acabar enchendo-o de ondas. Desnecess?rias, quem sabe. Quem sabe?

Sabe quando voc? ia postar uma coisa e acaba postando outra totalmente diferente?

celul?ide
Escrito em diariamente, self, Outubro 25, 2004 @ 02:36

Excesso de otimismo = ingenuidade.
Algumas pessoas at? podem se sentir bem ignorando que o mundo ? como uma ma??; por mais bonito que seja, ? preciso remover as eventuais partes podres, porque a) uma vez podres, elas n?o voltam a ficar boas e b) se as deixarmos ficar, elas precipitam o apodrecimento de todo o resto.

Tem quem prefira colocar a ma?? na geladeira, eu prefiro pegar a faca na gaveta. Pr?ticas diferentes, e eu prefiro o meu resultado. Mas respeito que n?o se incomode em provar o amargo das partes escurecidas da fruta.

O final de semana foi meio inst?vel. A previs?o do tempo indicava chuva, e tivemos dois dias de sol. Bom, o sol estava l? no c?u, mas calor que ? bom, nada. No s?bado fomos ? cidade, compramos um monte de DVDs e CDs. Fiquei radiante quando encontrei Donnie Darko e Laranja Mec?nica, mas ele estranhou quando os peguei, dizendo que eram “muito violentos”.

Pode at? ser, mas s?o bons filmes. Se eu deixar a cargo dele, s? compra com?dia e desenho animado. Nada contra, mas n?o s?o meus g?neros favoritos. N?o gosto da densidade obtusa de alguns filmes europeus, mas aprecio filmes s?rios de vez em quando, que permane?am na lembran?a depois de desligar a TV ou sair do cinema, que se possa discutir com amigos (mas sem tiradas intelectual?ides, por favor). E, convenhamos, Shrek ? legal, mas voc? sai do cinema e deleta da mem?ria. Ok, Taxi Driver, Blade Runner e O Iluminado ficam pra pr?xima. Mas nem sob tortura ele me far? assistir Johnny English. Ah, tamb?m comprei coisinhas para brincar de fazer colagem.


Ontem me deu um piripaque emocional. Comecei a achar tudo ? minha volta um t?dio absoluto. O fato de ser domingo ? noite n?o ajudou, ali?s, domingos ? noite n?o deveriam existir. A ra?a humana deveria entrar em coma induzido todos os domingos depois do fat?dico almo?o em fam?lia, e acordar na segunda de manh?. Era cedo demais para dormir, tarde demais para sair para dar um passeio, e ele no andar de baixo feliz da vida vendo programa de automobilismo ou lendo revista de… automobilismo. Sabem a paix?o do brasileiro por futebol? Coloque uma engrenagem qualquer em cima de quatro rodas, e voc? ter? o equivalente a um Flamengo x Vasco para o meu namorado.

Como sempre tenho o ant?doto para os meus pr?prios males, diagnostiquei meu problema. Essa ? uma casa provis?ria, estou vivendo uma situa??o provis?ria em todos os sentidos da palavra e, como sou ansiosa, isso me estressa. Preciso das minhas coisas, preciso refazer meu environment aqui. Preciso do meu computador com meus arquivos para seguir com as minhas coisas. Preciso do meu material pra desenhar. Preciso de toda a parafern?lia que n?o me deixa sentir t?dio por um s? momento, em casa. Sem isso vou ficar andando pelos c?modos e batendo com a cabe?a na parede.

Na sa?da de carro para a cidade, reparamos na enorme quantidade de cogumelos que crescia no jardim. Na volta, resolvemos fotograf?-los, uma vez que esses toadstools apodrecem e murcham com a mesma velocidade com que aparecem.


accidents do not happen.
Escrito em vida, Outubro 22, 2004 @ 02:34

De vez em quando Deus d? uma dentro e justifica a fama.
Algu?m a? se lembra de uma historinha narrada aqui tempos atr?s, de uma vizinha maldita que foi viajar e deixou o cachorro preso no quintal sem ?gua ou comida por um m?s, obviamente matando o bicho de fome? E que, al?m disso, jogou uma caixa com seis beb?s gato r?cem nascidos dentro do Rio, afogando todos? E que costumava p?r veneno de rato do lado de fora do port?o, matando assim v?rios gatinhos e c?ezinhos da vizinhan?a?

Pois ?. Ela foi atropelada essa semana, e MORREU.
HAHAHAHAHAHA.
E eu aqui s? queria estar no volante do caminh?o que transformou a cabe?a dela em nhoque com molho ? bolhonesa. Ou, pelo menos, condecorar o motorista com uma medalha de honra ao m?rito.

Curioso foi minha m?e me contando a hist?ria por telefone, toda chocada, e eu do outro lado da linha me auto asfixiando em gargalhadas hist?ricas. REVENGE. Tenho ?dio mortal dessa criatura desde que ela deixou o Toby, pastor alem?o enorme, mas meigo como um gatinho, morrer de inani??o por pura falta de cuidado. E n?o venham me dizer que eu devia era ter pena da falecida. N?o tem essa de que “ah, eram s? bichos, ela era uma pessoa”. O cachorro, os gatos, e todos os bichos que essa estrop?cia mandou pro c?u eram MIL VEZES melhores do que ela, PONTO.

Que a terra lhe seja BEM pesada e que as labaredas do inferno estejam em temperatura m?xima para receb?-la. E, claro, que Sat? esteja bem mal humorado…

Anteontem o jantar foi de chef. Trutas na manteiga, couve-flor gratinada com queijo cheddar e ab?bora assada no ?leo. Tudo muito fresquinho e gostoso. Ele n?o faz compras mensais, sequer semanais. Todos os dias na hora do almo?o, vai ao mercado e compra vegetais e frutas frescos com seu amigo John. Com o qual, ali?s, travei um curto por?m interessante di?logo quando estive l? s?bado passado. Ele tinha ido ao banheiro e me largou sozinha com o John, no meio de pepinos, chuchus e batatas.

John: Ele n?o est? dando nos seus nervos?
Eu (meio sem entender): N?o…
John: Ele est? muito feliz.

Ouvir isso de terceiros, e n?o s? do respectivo, foi um excelente sinal.

Anteontem levamos as cadelinhas do Richard para um passeio:

Pets are the love.

La Palloterie.
Escrito em diário de bordo, vida, Outubro 20, 2004 @ 02:32

Imposs?vel conseguir ficar brava com um cara que engraxa seus sapatos e faz sopinha de legumes para voc? quando est? resfriada. E ? ainda menos poss?vel sentir aquele orgulho de “eu mando na cozinha” quando ele aplica leis da F?sica na hora de picar os vegetais, a fim de reduzir o esfor?o da tarefa.

Me demito sumariamente do posto de cozinheira da casa, depois dessa - se bem que, na verdade, nunca sequer me candidatei ? vaga…

Fui conhecer a casa. Ele j? havia estado ali outras vezes, mas para mim foi a estr?ia dos meus p?s naquela rua, naquele quintal, naquele jardim. Sensa??o estranha, de “o resto da minha vida come?a depois da soleira desta porta”. Sensa??o boa ao passear pelo jardim, imaginando futuras tardes de ?cio colhendo ma??s, p?ras, amoras e figos no p?. Ri sozinha quando me imaginei fotografando o sol que vai se p?r todas as tardes nos fundos da casa e que nascer? todas as manh?s pela janela da frente do nosso quarto. Nessa hora me dei conta de que havia esquecido a c?mera. Fotos (dele) de visitas pr?vias:

A casa implora por manuten??o; muito, muito trabalho pela frente nos jardins, nas janelas, na redecora??o, no redimensionamento de c?modos, na pintura das paredes… Sensa??o pacificadora, no entanto, saber que o nosso otimismo nos leva a crer que teremos a vida toda juntos para pensar e concretizar as obras necess?rias, na casa e nas nossas vidas.

NO domingo fomos ao Elizabeth Castle, na ba?a de St. Aubin. ? uma das fortalezas constru?das na ilha, h? mais de 400 anos atr?s. fica no meio do mar e, para chegar l?, ? preciso esperar a mar? baixar e ent?o caminhar por uma estradinha de um quil?metro. Quando a mar? est? alta, a estrada fica submersa, mas o castelo ainda pode ser acessado atrav?s de um ve?culo muito engra?ado chamado “Duck” (na verdade um anf?bio adaptado). Dentro da castelo h? um museu contando em detalhes a sua hist?ria, al?m de um caf? delicioso com toda uma variedade de comidinhas engordativas cheias de carboidratos… Dif?cil pedir um caf? com ado?ante num lugar desses. :o)

Por falar em comida, na segunda eu comi Fish and Chips. Tradicionalmente entregue embrulhado em papel jornal. ? s? abrir e adicionar catchup ? gosto.

here they come, the beautiful ones.
Escrito em diariamente, para refletir, resmungos, Outubro 19, 2004 @ 02:29

Uma das amigas daquela amiga chata do meu respectivo est? aqui na ilha.
Porventura tem uma av? morando aqui, e veio visit?-la, com o marido.
E, claro, prop?s que f?ssemos tomar uma cerveja nalgum lugar.

(corta para a pat?tica imagem de Maria, A Estranha - ou seja, EU, para aqueles cuja ficha est? grudada com Superglue e n?o cai f?cil -, sentada numa mesa de pub, com marido + um casal praticamente estranho, com quem ela tem menos em comum do que teria com o Papa Bento, com o maxilar DOLORIDO de tanto segurar um sorriso falso, concordando com a cabe?a para tudo o que est? sendo dito, morrendo de t?dio e medo de dizer qualquer coisa errada e passar atestado de imbecil).

Sinceramente, n?o ? assim que eu esperava desperdi?ar umas boas horas do meu fim de semana.

H? uns s?culos atr?s eu participava de f?runs online de fotografia, onde n?o importava a porcaria que voc? postasse, havia sempre algu?m disposto a ajudar. Cr?ticas construtivas, cr?ticas nem-t?o-construtivas, gente metendo o pau na sua foto, tudo era v?lido, de tudo se tirava algum proveito.

Havia num deles um tal Sebasti?o (Salgado? haha), que era metido a grande entendedor. Ningu?m nunca viu UMA foto que ele tivesse feito, mas o camarada era uma verdadeira enciclop?dia em mat?ria de c?meras, lentes e t?cnicas. Se isso tudo, no caso dele, se revertia em TALENTO, ningu?m nunca soube. Mas n?o importava. A del?cia maior era a grossura do rapaz. “Merda de foto. Enquadramento porco, sem um pingo de imagina??o, regra dos ter?os estuprada ? toa, luz estourad?ssima. V? estudar antes de desperdi?ar espa?o no servidor”. Essa foi uma das muitas “cr?ticas construtivas” que ele postou em resposta a uma fotografia minha.

E eu adorava.

Porque ele podia at? bancar o est?pido, arrogante e dizer que a foto era uma merda. Mas n?o mentia pra agradar, nem bancava o simpatico s? pra eu “comentar nas fotinhus dele”. Nunca se furtava de dar a sua opini?o - sempre que qualquer membro do f?rum postava, ele dava o seu pitaco. Muita gente ali o detestava e n?o entendia como eu conseguia gostar dele. Simples: ele era sincero e ?til. E isso ? tudo de que eu precisava, j? que EU n?o estava ali pra fazer social, amigos e nem entrar em panelinhas. Ele podia ser mais simp?tico ao dar sua opini?o? Podia. Mas era esse o estilo dele, oras… Eu n?o partilho da opini?o vigente de que “pra ser meu amigo, tem que ser meu espelho”. Me dou muito bem com pessoas que t?m opini?es e normas de conduta bem diversas das minhas.

Ao contr?rio de muita gente boa a? que, caso voc? tenha uma opini?o discordante, te risca do caderninho de “amizades” no ato.

Um dia eu postei uma foto que o Basti?o gostou. “At? que enfim, hein guria? Pelo amor de Deus. Eu j? estava desistindo de salvar a sua alma. Bela captura, ?ngulo criativo, cores fabulosas. Eu teria deixado aquele peda?o de pr?dio de fora, mas isso n?o tira muito do m?rito da foto. Parab?ns”.

(Sim, a gente recebia os comments por e-mail nesse f?rum, e eu sempre salvava os dele).

Hoje em dia, os “f?runs de fotografia” s?o mais ou menos assim: 16538394 pessoas puxando o saco no flog pessoal do administrador do site, 16538394 pessoas puxando o saco daqueles que aparecem na “galeria dos melhores do m?s”, 16538394 pessoas puxando o saco daquele fulaninho-comentarista-compulsivo, que posta bobagens sup?rfluas do tipo “very good shot!” em 16538394 p?ginas e, como ele ? legal e “comenta”, todo mundo se sente na obriga??o de comentar uma besteira qualquer, no mesmo n?vel, de volta.

Ali?s, parece que se instalou uma onda politicamente correta nojenta nesse f?runs. ? como se todo mundo tivesse que ser bacana e bonzinho com todo mundo, como se ningu?m pudesse ser sincero e dizer “n?o gostei da foto, por motivo A, B e C” sem ser tachado de mal educado e arrogante. Parece que ningu?m quer opini?es construtivas que os ajudem a aprimorar seu trabalho, e sim apenas afagos baratos e vazios no ego. Eu n?o quero 200 coment?rios do tipo “linda foto!” ou “gostei das cores” numa foto onde as cores n?o est?o l? t?o legais assim, vindo de quem olhou a fotografia por 2 segundos, viu um neg?cio VERMELHO qualquer e tascou essa pra FINGIR que analisou o trabalho. Quero dois ou tr?s coment?rios que me sirvam pra alguma coisa.

Note que estou falando de f?runs s?rios de fotografia, e n?o de livejournal ou blogs visuais como o pinmeup, onde eu obviamente n?o espero opini?es vindas de profissionais e t? ali for fun only mesmo, pra postar besteira e trocar mensagens fofas com os meus amigos. Mas mesmo nesses supostos f?runs educativos, o “climinha fotolog” parece ter chegado de com for?a.

Minhas fotos s?o uma merda, n?o tenho a menor no??o de t?cnica, minhas c?meras est?o LONGE de ser profissionais e sei lidar pouco com os controles (embora fa?a melhor do que muita gente que nem sabe ajustar o foco). Minha habilidade ? inversamente proporcional ? minha paix?o pelo assunto. Mas confesso ser pregui?osa. Se tivesse estudado, me interessado, como me foi duramente proposto, talvez hoje eu fosse menos pior. Talvez at? algu?m me escolhesse como “membro do m?s”, eu aparecesse na p?gina inicial do site e ent?o teria 16538394 pessoas me puxando o saco e dizendo: “nice shot!”.

Melhor n?o.

Ah, Sebasti?o, que falta voc? me faz.

Watch the drops by the window. Hot tomato soup. Good books.
Be very welcome, autumn.

whatever.
Escrito em diário de bordo, fotos, humor observacional, this is jersey, Outubro 18, 2004 @ 02:18

Estou meio mal humorada e n?o devia vir escrever nesse estado. At? porque a casa est? uma bagun?a, passamos o fim de semana todo na rua ou cozinhando (chilli con carne, woohooo!), e tem uma pilha de lou?a do tamanho do World Trade Center pr?-atentado me esperando na pia. Sem falar nas resmas de jornal espalhadas pelos cantos, mas enfim.

Se tem algo que me irrita deveras aqui ? o monop?lio do rabo-de-cavalo sobre todos os demais penteados existentes na face da terra. Que coisa mais mon?tona! Pra n?o falar cafona. Nove entre dez mocinhas prendem o cabelo l??? no alto, deixando aquele rabicho escorrer pela nuca. Sem uma gota de sex-appeal. Isso quando elas t?m cabelo grande, coisa rara por aqui. Os cabelos ingleses s?o, na maioria, m?dios e ralos. Talvez isso explique a compuls?o pelo penteado brega. S? que elas tamb?m parecem ter combinado entre si que as cores branco, rosa/azul beb? s?o o que h? no quesito fashion; o que, aliado ao rabinho de cavalo, ?s peles p?lidas e aos cabelinhos ralos e loiros, deixa todas as garotas com cara de lactente.

No s?bado fomos tomar caf? da manh? no Driftwood Caf? em Archirondel, e depois passear em St Catherine’s Woods. Jersey tem ambientes para todos os gostos; praias de areia, praias de pedrinhas, montanha, florestas, lagos, countryside, cidade, colinas, dunas, s?tios arqueol?gicos, bunkers da ?poca da ocupa??o nazista… Um giro b?sico por aqui e voc? duvidaria que se trata de uma ilha.

Nossa caminhada em Saint Catherine’s (que fica pertinho da casa onde vamos morar) durou uma hora e meia, e contou com a companhia do Richard - e tamb?m de Ruby e Moly, suas respectivas cadelas.



Na volta fomos para o Les Fontaines, o pub aqui da rua, porque eu queria comer galinha com molho curry. Podia ter sido feita em casa, mas no pub ? mais divertido… Peguei leve na cerveja porque ainda lembro do meu animado di?logo com a privada na semana passada, por ter misturado ?lcool + diet pills.

Hoje tem visita ? Maison de La Palloterie. Futuro lar. J? conhe?o a casa por fotos, j? passei algumas vezes em frente, mas hoje devo p?r meus pezinhos l? pela primeira vez.

***
Escrito em diário de bordo, reminiscências, self, Outubro 15, 2004 @ 12:14

it’s a pretty big world god
and i am awful small
everyday they rain down on me
flower in a hailstorm

Desculpem os meus desaparecimentos moment?neos, mas se voc?s tivessem que usar essa mesa aqui, baixa demais para a minha altura, entenderiam por que eu n?o apare?o nesse blog, no livejournal, no MSN, ou nas suas respectivas pastas de emails recebidos. Minhas costas ardem se eu passar mais que dez minutos sentada aqui, o que me irrita deveras, j? que ?s vezes uma boa sess?o de conversa fiada no Messenger remediaria o t?dio que come?o a sentir. Na verdade, se eu tivesse o meu computador aqui seria ?timo, j? que todos os meus arquivos (e o meu photoshop) est?o nele, e eu poderia ficar brincando de webdesigner frustrada.

Mas ele n?o est? aqui. E, como do lado de fora s? venta e chove, a minha vontade ? de me enfiar dentro daquela banheira cheia de ?gua t?pida ali, depois debaixo daquele cobertor quentinho l? e hibernar feito uma ursa.

Em tese, teremos Paris na semana que vem. Minha vontade de ir ? diminuta, porque isso significar? ter que interagir com pessoas, o que quase nunca se mostrou uma boa id?ia, no meu caso. Nen?m, obviamente, estar? ocupado, e eu terei que ficar andando feito barata tonta atr?s de pessoas que n?o necessariamente estar?o a fim de que eu as siga.

Acabo de me lembrar de quando eu estava na quarta s?rie. Minha ?nica amiga em toda a escola mal aparecia para as aulas, at? que n?o voltou mais - depois eu soube que os pais dela n?o tinham como pagar as mensalidades. Todo dia era a mesma coisa; eu chegava cedo, me sentava e ficava encarando longamente a porta, esperando que a minha amiguinha entrasse por ela e me pusesse um sorisso no rosto. S? que isso raramente acontecia e, conforme os minutos se passavam, a certeza fria de que eu teria que enfrentar mais um dia de aula sozinha se instalava no meu peito e eu chorava ent?o lagrimazinhas de cubo de gelo. Eu tinha nove anos e era chato passar o recreio inteiro andando de um lado para o outro, vendo as meninas pulando corda e os meninos jogando bola. Nunca fiz um esfor?o efetivo para me integrar, mas como as minhas p?lidas insinua??es de que eu queria brincar nunca tiveram a calorosa recep??o que eu esperava, eu achei mais simples me isolar e ir comer o lanche no banheiro.

E foram anos comendo lanche no banheiro… No cursinho pr?-vestibular que eu n?o tive saco de terminar, na primeira faculdade, na segunda faculdade, no emprego… Na maioria das vezes eu n?o me via na situa??o de coitadinha. Acreditava que, se eu n?o podia estar com quem eu queria estar, n?o me interessava estar com ningu?m. Se essa era uma percep??o leg?tima ou apenas analg?sico contra uma verdade dolorida (a de que na verdade ningu?m queria estar comigo tamb?m), eu nunca procurei descobrir.

Geralmente desgosto das pessoas at? que elas se provem n?o-desgost?veis. Me escondo delas, e saber que daqui a uma hora chega a faxineira, me faz querer me esconder dentro do arm?rio - na verdade, eu s? descarto essa op??o por medo de que a Maria resolva abrir o arm?rio, duplicando o constrangimento da situa??o. N?o tem nada a ver com s?ndrome do p?nico porque n?o ? p?nico que sinto. Apenas uma avers?o gratuita, um estranhamento nascido do nada, que me faz ver meus semelhantes como qualquer coisa - menos semelhantes.

Acho que s? aqui na internet esse ciclo vicioso foi quebrado, pelo menos por algumas pessoas. E talvez porque elas n?o estejam aqui fisicamente. Em todo caso, acho de verdade que os meus melhores amigos (? exce??o de dois ou tr?s da vida real) est?o do lado de l? dessa tela onde pulam caracteres. Eles comem o lanche junto comigo e sempre nos divertimos na hora do recreio. Se eles seriam uma amea?a in real life? N?o fa?o id?ia, e enquanto estivermos felizes, isso ? o que menos importa.

another day.
Escrito em self, Outubro 12, 2004 @ 12:12

Do outro lado do mundo, que n?o ? o outro lado do mundo, faz sol.
? feriado e, segundo a cren?a consolidada por essas bandas, as pessoas de l? estar?o dan?ando nas ruas. Seminuas, porque sim, faz sol.

Deste lado do mundo a geladeira est? de mal comigo, e cospe no meio da cozinha fria pedras de gelo que afundariam o Titanic. Uma met?fora eletrodom?stica, porque aqui faz frio mesmo quando n?o faz frio, e n?o faz sol mesmo quando o sol parece quase tangivel, n?o fosse o vidro da janela. O castelo de gelo ? muito bonito; mas ? t?o frio.

N?o sinto fome, mas estou com fome. Existe algo vazio no meio da minha barriga que precisa ser preenchido; ou seria no peito?
Nunca fui muito boa em anatomia.

Um porta-retratos sem retrato em forma de gato me encara sorrindo, e sua felicidade de alum?nio pintado me irrita. Sou contra sorrisos eternos, a ?poca do choro est? em todos os calend?rios, mas os idiotas arrancam as p?ginas. Pintam sorrisos de hidrocor em caras ensolaradas, e eu sinto inveja e desprezo, enquanto o sorriso que esculpi na minha cara-de-pedra-de-gelo comeca a derreter lentamente.

Ser contradit?rio devia ser crime, eu devia estar presa e escrevendo mem?rias baratas do c?rcere, para depois vender em mesas de bares da zona sul, usando sand?lias franciscanas de couro. Ningu?m compraria, e isso n?o faria a menor diferenca.

E a ?gua que est? no ch?o se enche de bolhas por causa da ?gua que cai do c?u, e eu queria que isso parasse agora e que eu fosse brincar de pique-alto no quintal. Sozinha, porque n?o importa o qu?o baixo fosse o meu “alto”, ningu?m, jamais, me pegaria.

E essa pessoa aqui incluiu um texto meu no seu blog e, aparentemente, assinou como se fosse dela. Eu geralmente n?o me importo com copyright na web; se copiaram significa que valeu a pena ter escrito. S? estou observando porque, quando foi a minha vez de pegar foto de outra pessoa na internet e usar, todo mundo atirou a primeira pedra (e a segunda, terceira, quarta…) – inclusive quem rouba textos. Por essas e outras eu tento n?o criticar quem faz “merda”. At? porque o conceito de merda ? relativo; de absoluta, mesmo, s? a certeza de que todo mundo faria as merdas que costuma condenar, desde que tivessem oportunidade ou coragem para tanto.

Autumn Skies
Escrito em diário de bordo, fotos, Outubro 10, 2004 @ 12:07

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Fotos feitas em Sorel, aqui na ilha, pertinho de casa. Olhando para elas me dou conta de que algumas cenas s? mesmo vendo ao vivo para captar a beleza em sua totalidade. Esse c?u estava algo, digamos assim, “infotogr?favel” de t?o lindo? Pois ?. Ventava absurdos, mas a noite estava clara, e do ponto onde est?vamos, pod?amos ver claramente as outras tr?s ilhas do canal (Guernsey, Alderney e Sark), bem como a costa da Fran?a. A foto com as luzinhas foi feita no La Fontaine, o pub da esquina.

Fomos a outro supermercado, chamado Morrissons, e l? achei uma infinidade de queijinhos, frios, carninhas interessantes, al?m de um monte de sabores incomuns de refrigerante diet (o que voc? acha de refrigerante de BANANA? Well, mas depois que passei a gostar de comer feij?o doce e arenque defumado no caf? da manha, n?o estranho mais nada). Bom, pelo menos s?o baratinhos, t?m zero de calorias e a cor do sabor framboesa ? um pink psicod?lico maravilhoso.

Bom, minha dieta low carb est? salva, mas eu me permiti sair da linha nos finais de semana. Ontem ? noite fomos a um restaurante italiano no centro, e comi batata frita como uma et?ope esfaimada. O dono do restaurante ? um velhinho chamado Bruno, a simpatia em pessoa. Parabenizou pela “bonita namorada brasileira”, me deu pizza e fez piadas naquele ingl?s macarr?nico fofo. Obviamente, eu bebi… Vinho, Kir Royal e duas tacinhas de Limoncelo. Em casa, claro, passei mal por causa da combina??o infeliz das malditas p?lulas de dieta + ?lcool e acabei vomitando pela manh?, mas vida de b?bado ? assim mesmo e eu j? estou acostumada a dizer “bom dia privada”, ent?o, tirei de letra…


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menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

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online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


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