the cellar’s door
Escrito em celulóide, Outubro 7, 2004 @ 02:39

And I find it kind of funny, I find it kind of sad
The dreams in which I’m dying are the best I’ve ever had

O que voc? esperaria de um filme que, para ser entendido, necessita que o espectador leia trechos de um livro que at? aparece na tela, mas cujo conte?do nunca lhe ? revelado? Bem, eu acabei de ver esse filme, e n?o estava esperando na-da. Isso porque quase todas as pessoas que conhe?o e que o viram simplesmente adoraram. Medo de unanimidades, e j? peguei o DVD na prateleira com um misto de excita??o e preconceito na cabe?a.

Como era de se esperar, assisti ao filme atentamente (descontados eventuais erros de interpreta??o que eu possa ter feito: filme em ingl?s, sem legendas) e, no fim, embora bem impressionada pela narrativa, me vi boiando. Como sempre fa?o quando isso acontece, fui pra internet procurar an?lises, interpreta??es, ver o que o resto do mundo falava do filme. Achei uma infinidade de sites, todos varia??es sobre o mesmo tema, entre os quais os mais significativos foram-esses-tr?s. Finalmente, achei os trechos do livro necess?rios para o compreendimento da obra e, apesar de ter achado esse um jogo sujo do diretor, n?o deixa de ser interessante, pelo inusitado do artif?cio.

A procura me fez lembrar da minha velha lista de 20 Filmes Preferidos e 20 Filmes Detestados no YMDB. A lista dos preferidos s? me rendeu elogios e puxa??o de saco, e olha que eu n?o tentei bancar a culta e coloquei ali s? os filmes que eu realmente gostava. J? a de filmes detestados me rendeu uma dor de cabe?a de uns tr?s meses com um “stalker de email”. A pessoa n?o gostou da id?ia de ver o seu filme predileto numa lista de filmes detestados por outra pessoa, meteu meu nome no Google, achou o meu site, garimpou meu email e ficou me aborrecendo… Dizia ele que “se eu n?o tinha intelig?ncia bastante para entender as sutilezas geniais do roteiro de Harry Potter (!!!!), o problema n?o era dele“.

Bem, se o problema, em tese, n?o era dele, por que se preocupar?
Todo idiota ? paradoxal, mas nem todo paradoxal ? idiota; fato.

Minha lista de (alguns) filmes amados:
1. One Flew Over the Cuckoo’s Nest (1975)- jack nicholson excepcional.
2. Clockwork Orange, A (1971) - aproveite e leia o livro de Burgess.
3. Trainspotting (1996) - venci o preconceito e aprendi a entend?-lo.
4. Shallow Grave (1994) - unusual e coeso.
5. Truman Show, The (1998) - melhor uso da teoria do Grande Irm?o que no BBB.
6. Birds, The (1963) - Hitchcock rocks my dirty socks.
7. Blade Runner (1982) - sci’fi perfeito.
8. Streetcar Named Desire, A (1951) - nuances de natureza humana.
9. Gone with the Wind (1939) - dispensa coment?rios. in love pela vivien leigh.
10. Carrie (1976) - filme de suspense como se deve.
11. Taxi Driver (1976) - al pacino fan club.
12. Cidade de Deus (2002) - viva o cinema nacional.
13. Color Purple, The (1985) - chorei baldinhos.
14. Apocalypse Now (1979) - cenas cl?ssicas passando na minha cabe?a, agora.
15. Welcome to the Dollhouse (1995) - o mais cruel retrato da adolesc?ncia.
16. Ferris Bueller’s Day Off (1986) - o mais delicioso retrato da adolesc?ncia.
17. Requiem for a Dream (2000) - fiquei uns tr?s dias remoendo certas cenas.
18. Schindler’s List (1993) - h? quem chame de brega, mas tamb?m chorei baldinhos.
19. Edward Scissorhands (1990) - eu j? me vi com tesouras no lugar dos dedos.
20. Donnie Darko (2001) - entrou agora.

Amanh? eu libero a lista dos detestados e espero as pedradas, haha. E, por falar nisso, quais s?o os filmes que voc?s detestam? ? f?cil falar dos que gostamos…

Aprendi hoje a ver a tev? grobo sem pagar reais. Quem diria que ALGUM DIA eu iria deliberadamente QUERER ver essa emissora. Admiro quem consegue se inserir totalmente na cultura de um novo pa?s, mas apesar de eu n?o estar seriamente enraizada em lugar algum do planeta, o que me prende ? terra ? o meu idioma. Sempre bom ouvi-lo, mesmo que da boca do Galv?o Bueno (ok, ok, peguei PESADO).

Cheguei.
Escrito em diário de bordo, Outubro 6, 2004 @ 12:05

Esse post devia ter sido feito ontem, mas eu me tranquei do lado de fora da casa por cinco horas.

Bem, quase morri no avi?o porque bebi vinho e cerveja, e essa maldita p?lula acaba com o est?mago se voc? a misturar com ?lcool. Passei umas 8 horas com vontade de vomitar, enjoada e com a flora estomacal em chamas… Um inferno. Pra melhorar, meu v?o atrasou DUAS horas porque a aeronave estava com uns probleminhas (pensei; ? agora que vai cair!) e tivemos um v?o cheio de turbul?ncias… Parte boa: passar pela imigra??o foi ainda mais f?cil que da primeira vez.

Funcion?ria Indiana: do you have a job?
Eu: no…
Funcion?ria Indiana: are you a student?
Eu: hm… ahn… yes. (L-I-A-R)
Funcion?ria Indiana: how long will you stay here?
Eu: two months
Funcion?ria Indiana: where are you gonna stay?
Eu: Jersey…
Funcion?ria Indiana: Ok.

E pronto. Carimbou meu passaporte e me mandou passar. Nem tive que mostrar os documentos que o Alaric me deu. Deve ser porque ela viu, pelos carimbos anteriores no meu passaporte, que eu j? havia estado l? antes.

Desembarquei absurdamente mal humorada… Por causa da dor, do atraso e do v?o infernal e, injusta como sou, j? estava disposta a soltar os cachorros em quem nada tinha a ver com isso… Mas quando vi aquele um metro e oitenta e tres todo de preto (Saint Laurent ainda por cima…), cheiroso at? a alma e conseguindo estar ainda mais bonito do que quando o vi pela ?ltima vez… Bom, mudei de id?ia! :oD (ali?s, ser? que ele vende ou d? a receita do elixir da juventude que est? tomando? Impressionante, a cada vez que o vejo ele parece mais novo…)

Fomos pro Hilton Hotel l? de Heathrow, o aeroporto. Mas como o v?o havia atrasado, o nosso check-out era para dali a uma hora. Tomei um banho r?pido, vomitei no banheiro enquanto ele combinava a saida por telefone com a recep??o e me senti novinha em folha, haha. Ganhei presentes: uma capa de celular da Betty Boop, uma bolsa linda da Juliet, um DVD dos Smiths e uma mini c?mera digital que serve como webcam (porque a minha old webcam n?o funciona com windows XP… A nova tem 1,2MP de resolu??o; EBA, back to camwhore shots!!). 50 minutos depois est?vamos em Gatwick, outro aeroporto e outro v?o, agora para Jersey. Finally, at “home”. Na mesma noite demos uma passada r?pida em frente ? Maison de La Palloterie. Realmente, a casa vista ao vivo ? fofa. E o jardim consegue a proeza de ser ainda mais magn?fico. Nem acredito que vou morar ali… Em breve ele vai agendar com os atuais moradores uma visita (postei algumas fotos da casa no livejournal, quem quiser ver me peca a senha).

Tamb?m fomos comprar comida, porque ele estava h? cinco dias longe de casa e a geladeira estava fazendo eco de t?o vazia… E foi quando me dei conta de que vai ser um dificuldade fazer dieta low carb, aqui… A Inglaterra ? uma sociedade baseada em carboidratos. Para se ter uma id?ia, nem ado?ante l?quido eu achei… Tudo bem que era uma loja de conveni?ncia, a ?nica que ainda estava aberta ?s sete e meia da noite (aqui TUDO fecha cedo). Mas Jersey s? tem mercados caros, e nenhuma das grandes redes inglesas mais baratas (como Asda e Tesco) t?m lojas por aqui.

Hoje o dia amanheceu ensolarado, apesar do frio (estamos no Outono, e a vegeta??o da ilha est? simplesmente linda, em v?rias matizes de amarelo, dourado, marrom, laranja e vermelho… em breve fotos, muitas fotos disso!). Devo me armar de alguma coragem, muitos casacos e dar uma voltinha around. Medo de levar a c?mera dele… Vai demorar at? cair a ficha de que aqui ? mais f?cil eu ser atropelada por um navio voador comandado por um unic?rnio do que ser assaltada.

Ele est? um amor, ainda mais doce e carinhoso do que antes. Fiquei meio triste quando cheguei, tive uma crisezinha de impaci?ncia e mau humor no mercado, quando comecei a N?O achar as minhas coisas. A id?ia de ficar sem guaran? diet, requeij?o, queijo minas e iogurte natural me exasperou. E ele todo preocupado, revirando as prateleiras atr?s do que eu queria. Sinceramente, eu achava que homens assim n?o existiam. Porque ? facil ser legal com a namorada quando ela pede fazendo beicinho. Dif?cil ? conseguir ser legal do mesmo jeito (ou at? mais) quando ela est? um saco, reclamando e fazendo exig?ncias absurdas, como eu estava… Eu n?o quero ser um problema para ninguem, mas tamb?m n?o quero interromper a a dieta, que est? indo muito bem. Foi quando em casa ele p?s minha cabeca em seu colo e, acariciando meus cabelos, disse que existe sim prazer em se fazer coisas para aqueles que amamos, ainda que impliquem em sacrif?cios, desde que haja reconhecimento. E grata eu sei ser, sim. A? tudo ficou bem e feliz de novo, ficamos ouvindo Led Zeppelin e falando um monte de besteiras engra?adas e cor de rosa, eeee.

Agora vou tomar meu english breakfast (que n?o vai ser full porque n?o vou comer os feij?es e nem a torrada) e tentar descobrir como funciona a minha new little camera.
Happy happy girl, here.

Um e Dois.
Escrito em vida, Outubro 1, 2004 @ 07:16

I
Anos atr?s, antev?spera de Natal, lanchonete Viena, no centro do Rio.
Eu e Samara dividindo um sundae gigantesco, ritual que se repetia todos os anos, geralmente no ?ltimo dia de aula. Naquele ano, a oportunidade s? se deu naquele dia 23. A ta?a de sundae, enorme, em tese deveria servir a seis pessoas, mas nunca foi dif?cil para n?s duas terminar com ela.

Rapaz muito bonito, olho azul escuro, su?ter da mesma cor. Os deuses tamb?m comem pizza. De frente para a nossa mesa, era destinat?rio dos nossos olhares e risinhos. Por favor, perdoem a adolesc?ncia.

Menina de cerca de 5 anos, de rua, adentra a lanchonete. Como n?o se sabe, j? que ela ficava dentro de uma loja da Mesbla, e at? chegar ali a menina deveria ter passado por in?meros obst?culos em forma de homens altos, de ?culos escuros, terno e walkie-talkie. “Mo?a, me d? um dinheiro?”. “N?o tenho trocado, nen?m”, minto. “Aceita cart?o?”, brinca a Samara. A menina n?o entende e se afasta. “Ih, ela vai pra mesa do bonitinho”. Foi mesmo. N?o deu pra ouvir, mas deve ter repetido a mesma pergunta. E ele, certamente, a mesma resposta. Ela se pendura na mesa. Insistindo, talvez. Ele sorri, fica ainda mais bonito. Rasga um peda?o de pizza e oferece. Ela automaticamente se senta ? mesa. Um walkie-talkie de terno se aproxima, o rapaz bonito sorri e diz algo, o walkie-talkie de terno vai embora.

Ele se levanta da mesa, e volta com uma fatia de bolo cheia de creme e um copo de leite. Consigo ouvir quando ele diz, “coca cola estraga os dentes”. E ela come, ignorando o talher de pl?stico e enfiando os dedos no doce. Ela balan?a os pezinhos descal?os e sorri. Ele, m?o no queixo, admira e sorri tamb?m. Eu queria ficar para ver mais, mas o sundae acaba e temos ingressos para a sess?o no cinema ao lado, que come?a dali a minutos.

Passo pelos dois e lan?o um ?ltimo olhar ? cena mais bonita que j? vi na vida, tentando fotograf?-la com a retina e eterniz?-la na mem?ria. Consigo.

II
Praia de Ipanema, domingo ? tarde, plena febre dos patinetes.
Eu, Fernando e Rog?rio ?ramos antiquados e t?nhamos patins, que lev?vamos na mochila.

Os brinquedos desfilavam pela ciclovia aos montes; bicicleta era coisa do passado. Os filhos da classe m?dia-alta exibiam os modelos, provavelmente importados, com orgulho compreens?vel. Um bando de menores de rua se aproxima, caminhando lenta e ruidosamente, alguns quebrando cocos na cal?ada. Mas o menininho de sete ou oito anos n?o quer saber de cocos; olha extasiado os patinetes.

Se det?m enquanto o grupo caminha e passa por n?s, que beb?amos cerveja sentados no banquinho (n?o, n?o t?nhamos idade pra comprar ?lcool, admito). Olhos nos patinetes. Uma menina, com o seu, p?ra alguns poucos metros ? frente. Cansada, desce do brinquedo e senta no banco ao lado. O menino se aproxima. “Deixa eu dar uma volta s??”. “Sai daqui, macaquinho, vou chamar o guarda, hein”. “N?o vou roubar n?o”. “Vai enganar outro, macaquinho. Pivete. Sai daqui, volta pro morro. Vou chamar a pol?cia”. O menino sai. Um dos garotos do grupo, mais ? frente, vem na nossa dire??o. Eu, Fernando e Rog?rio torcendo para a metidinha levar um susto (acabamos simpatizando com o menino). O garoto mais velho chega e toma o patinete da menina. Que, do alto dos seus 10 anos, n?o reage. Mas ele n?o quer lev?-lo. Ergue o brinquedo e golpeia a cabe?a da menina com o cabo. Ouvimos um “ai” seco, ela cai do banco, mas viro o rosto, n?o tenho coragem de olhar. Rog?rio lamenta um “puta merda!” e eu digo “eu quero sair daqui, vamos sair daqui”. Sinto vontade de chorar. Junta gente, vejo o menino maior correndo, pessoas correndo atr?s. E o patinete, pomo da disc?rdia, jaz t?o radioso quanto desimportante, no ch?o.

Sim, essas hist?rias s?o ver?dicas.
Anos atr?s, mas est?o no meu arquivo de lembran?as importantes. Eu espero nunca esquec?-las, e menos ainda deixar a li??o que aprendi delas se apagar da mem?ria.

Por que cont?-las agora? Porque eu queria explicar.
Solu??o n?o s? ? pol?cia na rua.
Solu??o tamb?m ? prevenir.
A solu??o pode ser uma fatia de torta. Ou uma volta num patinete.
Sim, eu sei que sou uma hopeless naive.
Mas era disso o que eu estava falando.

* * *

Meu v?o ? amanh?, vim dizer tchau. Devo aparecer aqui l? pelo meio da semana que vem, ou se der, antes.
Tem Studio 54 hoje na TV.
At


Páginas (2): « 1 [2]

menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

LINK MY STUFF:


online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


2008
jan | fev | mar | abr | mai | jun | jul

2007
jan | fev | mar | abr | mai | jun | jul | ago | set | out | nov | dez

2006
jan | fev | mar | abr | mai | jun | jul | ago | set | out | nov | dez

2005
jan | fev | mar | abr | mai | jun | jul | ago | set | out | nov | dez

2004
jan | fev | mar | abr | mai | jun | jul | ago | set | out | nov | dez

2003
abr | mai | jun | jul | ago | set | out | nov | dez

mais?







Adicionar aos Favoritos BlogBlogs
Pingar o BlogBlogs