Fast Food.
Escrito em diário de bordo, inglaterra, Novembro 30, 2004 @ 06:07

Aqui voc? precisa comer r?pido.
Ou, se quiser comer tudo o que est? no seu prato, tem que ficar periodicamente espantando a gar?onete, que j? metendo a m?o na borda do prato pergunta “have you finished?”.

N?o, eu ainda n?o terminei, querida… E gostaria imensamente de entender qual ? a da PRESSA em retirar logo a comida da mesa. A cestinha com o couvert de p?es. O prato com os dois ?ltimos camar?es. O restinho de sopa deliciosa, na tigela, que ia ser pregui?osamente sorvido enquanto eu conversava. Se eu quiser manter tudo isso, tenho que ser r?pida no gatilho, ou melhor, no reflexo: “n?o, eu n?o acabei de comer. Se importa de deixar o prato aqui ou tem algu?m l? na cozinha que se alimenta de sobras e ainda n?o almo?ou, hoje?”

Desculpem se pare?o ranzinza. Mas n?o deixa de ser engra?ado, vai… Ou n?o.

Rozel Bay, domingo passado.
Ventava frio, e mesmo assim sentamos no Hungry Man (t? vendo aquele quiosque azul ? direita da foto, perto da cabine telef?nica amarela? L?). Comi cheeseburger com coca cola e uma barrinha de cereais com creme de vitamina de morango por cima. Ele comeu um hamburguer de sausage e caf?. Eu acho gra?a gente comendo hamburguer com caf?, mesmo no frio. Ainda mais tendo uma plat?ia de uns quinze patos olhando para a sua cara, esperando que voc? jogue um peda?o de p?o. Todo mundo fez a sua parte, e em dado momento o Respectivo me olha, olha a barra de cereais pela metade e faz men??o de peg?-la para distribuir aos patos. Ato reflexo, eu seguro firme a barrinha e grito QUAC! O ingl?s rolou de rir.

Estamos desocupando a casa. Os corretores de im?veis j? est?o rondando, trazendo pessoas para v?-la. Hoje apareceram sem avisar, coisa que detesto. Por sorte a casa n?o estava muito bagun?ada. Ela fez aquela ceninha i’m-so-sorry que obviamente n?o convence brasileiro, e foi entrando casa adentro, abrindo janelas, acendendo luzes. Fiquei na minha, folheando a edi??o da Real dessa semana.

As duas mo?as que vieram antes ver a casa foram simp?ticas, perguntaram se podia entrar com sapato, se desculparam pelo inc?modo. J? o camarada que ela trouxe hoje nem olhou na minha cara. Fui acompanh?-los quando foram ver os quartos e, em cima da cama que eu n?o havia feito ainda, repousava um suti? vermelho-bombeiro (meu, ? claro). O suti? quase gritava ME OLHE no meio dos len??is branqu?ssimos. Dei uma risada interna enquanto a corretora ficava mais vermelha que o suti? e o Mr. Antisocial fingiu olhar o carpete.
Adorei. Talvez isso os ensine a telefonar antes de tocar a campainha.

Escrito em reminiscências, self, Novembro 28, 2004 @ 06:06

A morte ? uma pessoa que n?o volta.? uma ma?aneta que n?o vira, uma campainha que n?o toca. ? aquela x?cara que nunca mais precisou sair do arm?rio. O espa?o vazio em cima da poltrona. O p? em cima dos discos. A morte ? uma gaveta cheia de roupas in?teis, que se v?o indo aos poucos, at? que a gaveta, vazia, se torne tamb?m in?til. ? o monte de chaves in?teis no chaveiro da parede. A morte ? quando uma escova de dentes ganha o poder de fazer algu?m chorar.A morte ? esconder fotografias. ? nunca mais bife de f?gado ? mesa do jantar. ? buscar atalhos para fugir de caminhos para fugir de lembran?as. A morte ? um travesseiro molhado. ? desfazer o par de toalhas de banho com monogramas. ? o ?culos de aro quebrado que n?o precisa mais de conserto. ? o cheiro do perfume. ? um “boa noite” a menos para se dar e se ouvir. ? um convite a menos a se mandar para a festa. A morte ? a carta que volta ao remetente. ? n?o montar a ?rvore de Natal. ? uma data de anivers?rio a menos para se anotar na agenda. ? desligar o r?dio quando a m?sica toca. ? um carro que n?o chega. ? o cachorro que, sentado na porta da frente, espera, espera…

A morte ? um punhado de n?os e de nuncas. ? eternidade e finitude. A morte s?o pequenas coisas que se v?o morrendo (e matando) a cada volta do rel?gio.
A morte ? muita coisa, e ? nada ao mesmo tempo.

A morte leva e, cruelmente, fica.

Era o sexto dia de janeiro, uma segunda feira chuvosa. Eu e minha m?e hav?amos chegado de uma breve temporada na casa de praia de um casal amigo. Est?vamos felizes e cansadas da viagem. Eu assistia ? reprise vespertina de Por Amor, enquanto ela jogava conversa fora com uma amiga, no terra?o. Meu padrasto havia chegado em casa, entrado no quarto, pego algum dinheiro e documentos, e sa?do novamente. Minha m?e n?o desceu para falar com ele, e eu, trancada no quarto, n?o percebi sequer que ele havia estado l?. Ela acenou para ele, do terra?o, e ele brincou com ela, e avisou que voltava pro almo?o. Meia hora depois, o telefone tocou e eu atendi. Ele nunca mais voltou, nunca mais se viram.

H? in?meras teorias para o que possa ter acontecido. Disputa por clientela (ele tinha uma micro empresa de seguran?a), rivalidade com ex-funcion?rios, assalto… Sinceramente, ? o que menos importa. Importa ? que ele se foi, importa a brutalidade e todas as nuances tristes e injustas dessa hist?ria infeliz que at? hoje me faz mal relembrar. O olhar da minha m?e quando o caix?o entrou na capela, a fam?lia dele impedindo-a de entrar para v?-lo, criando ceninhas desnecess?rias, transformando um momento de dor em circo.

No s?bado fui jantar com Alaric e John num restaurante indiano, bebemos um bocado, fomos depois para um pub (onze e meia da noite ele tocaram um sino avisando que o hor?rio de vender bebida alc?olica havia acabado… H?? COMO ASSIM?), e voltamos de t?xi. Em casa, n?s dois bebemos mais um pouco, eu lembrei dessa hist?ria do meu padrasto e chorei feito um beb? sentada no ch?o da sala. N?o gosto de lembrar, n?o compactuo com as injusti?as do mundo, embora saiba estar atolada nelas at? o pesco?o.

Minha ?ltima semana, aqui. Eu ainda estou meio confusa, e me pergunto se isso vai passar, e quando. Ser? que eu vou deixar de ter raiva das diferen?as? Ser? que eu vou me acostumar com o frio? Ser? que eu vou sentir sempre saudade das coisas que eu antes nem gostava tanto, ou ser? que isso ? um sinal de que gostos mudam, sim, e eu vou aprender a gostar daqui tamb?m?

Ganhei essas flores do nada, sexta passada. Note que n?o t?nhamos vaso, e elas foram colocadas dentro da jarra do liquidificador que compramos semana passada.

Ningu?m, nunca, havia me dado flores, antes.

Free Porn.
Escrito em inglaterra, Novembro 24, 2004 @ 06:04

Ontem est?vamos assistindo o Channel 4 quando de repente me deparo com uma cena de sexo. At? a? tudo bem, afinal, no dia em que Deus estava distribuindo puritanismo e frescura, eu entrei por ?ltimo na fila e, quando chegou a minha vez, j? tinha acabado.

S? que o tal programa, chamado Sex Inspectors, era uma esp?cie de Terapia Sexual em hor?rio nobre (ok, nem t?o nobre; eram onze da noite). E o casal que aparecia fazendo sexo era um casal comum, que tinha l? seus problemas entre quatro paredes, e que toparam ter a transa filmada e exibida em rede nacional, sob o pretexto de ser analisada pelos terapeutas. A? sim o meu queixo caiu. Haja desprendimento, hein? Haha. Para o programa de estr?ia eles escolheram um casal jovem e bonito, com tudo em cima. Mas pelo que vi na chamada, nos pr?ximos vai ter muito “ingl?s t?pico” protagonizando a coisa, ou seja, gordinhos in action! N?o queria perder essa; infelizmente estou voltando pra casa em duas semanas.

Ontem teve apag?o aqui em casa. Liguei a m?quina de lavar e o aquecedor ao mesmo tempo, o fus?vel desarmou e as trevas se instalaram. Ok, eram tr?s e meia da tarde, mas como aqui nessa ?poca do ano escurece r?pido… Meu celular estava descarregado, o telefone sem fio n?o funciona sem luz, fiquei ilhada esperando o meu her?i chegar do trabalho e me salvar do bicho-pap?o que mora no escuro. Pat?tica.

Estou “desazedando”. Uma hora passa. J? est? feito, a casa j? foi comprada, as paredes j? v?o come?ar a ser quebradas, agora ? tentar fazer do imenso lim?o uma limonada bem docinha. Haja espreme-espreme e MUITO a??car…

Na segunda feira fui fazer uma sopa de liquidificador, at? me dar conta que n?o t?nhamos liquidificador em casa. Comassim? L? fomos n?s aproveitar que a loja de departamentos fecha mais tarde e comprar o bendito. V?rios modelos, cada um mais caro que o outro e nenhum deles lembrava o t?pico liquidificador que conhecemos no Brasil: aquela jarrinha simp?tica, acoplada a uma base el?trica, no fundo da qual giram pequenas l?minas. Bem, levei pra casa o modelo mais barato que se assemelhava ao meu conceito de liquidificador e bati a sopa que, por sinal, ficou uma del?cia.

SOPA DE AB?BORA
Corte em peda?os uma ab?bora pequena, dois tomates, tr?s dentes de alho e meia cebola. Jogue numa panela com pouca ?gua, cubra e deixe a ab?bora dar uma desmanchada em fogo baixo. Ponha no liquidificador com um copo de leite e bata. Volte com a mistura ao fogo brando, adicione sal, molho ingl?s, curry, e mexa sem parar at? ferver. Fica bom adicionar nessa hora champignons (levemente cozidos na manteiga), se voc? tiver. Tire do fogo, acerte o tempero, rale bastante queijo prato por cima e leve ao microondas at? derreter um pouco. Muito bom para noites frias, melhor ainda com vinho acompanhando.

Se voc? por acaso fizer e ficar uma porcaria, n?o me culpe. Tente aprender a cozinhar, antes…

Blah.
Escrito em resmungos, Novembro 19, 2004 @ 06:03

Conhe?o muita menina brasileira morando no exterior. Curioso, eu n?o conhecia tantas antes de ter a possibilidade de fazer o mesmo. No surprises; eu sempre soube do poder que a internet tem de agregar gente com interesses/problemas semelhantes. Lendo o blog da Zil? (minha segunda amiga pessoal a ir morar no exterior; a primeira foi a Aline, que n?o tem site), conheci o Mundo Pequeno, um ?ndice de blogs de brasileiros “expatriados”, catalogados por pa?s. Interessante. Li alguns, e percebi que l? havia muitas meninas que sa?ram do Brasil para se casar com estrangeiros. Nada de mais nisso, afinal, o amor n?o pede pra olhar o passaporte antes de se instalar na vida dos outros.

Pouco tempo depois, era eu quem, pela primeira vez, estava fazendo as malas, compradas em 10x sem juros nas Lojas Americanas para me mandar rumo a um destino incerto. Eu sequer sabia se ia poder ver e abra?ar o eleito, pois havia uma tal de Imigra??o no meio, entre o port?o de desembarque e a menina aqui, de pernas bambas, errando o ingl?s de nervosismo ao ter que responder, pela mil?sima vez em menos de cinco minutos, “como ? que eu ia fazer para me sustentar no Reino Unido durante as f?rias”. Ok, eu sabia que eles estavam refazendo a pergunta para checar se eu cairia em contradi??o. Mas isso n?o me impediu de tremelicar e nem de me segurar para n?o dar risada de al?vio quando a funcion?ria carimbou meu passaporte e me devolveu dizendo “por ali, please”. O medo de ser deportada e ter que encarar outras 14 horas de v?o na sequ?ncia, espremida na classe econ?mica (obviamente eles n?o pagam First Class pra deportado), forneceu roteiro para os meus pesadelos por semanas.

Ok. Eu tinha um monte de d?vidas. Eu, da Inglaterra, s? conhecia os clich?s mais batidos e o sotaque brit?nico do meu namorado. Eu nunca tinha ido ao exterior (porque a Argentina n?o conta, HAHA, just kidding, pals…). Eu nunca tinha andado de avi?o. Eu nunca havia passado seis semanas longe da minha casa e dos meus pais. Eu era uma garotinha assustada e tinha perguntas sem resposta disputando espa?o com calcinhas, shampoos e livros dentro da mala. A combina??o ideal para um surto descontrol. Mas eu n?o surtei, eu n?o descontrolei e, acima de tudo, EU N?O PEDI AJUDA A NINGU?M. Poderia ter pedido? ? claro. Pedir ajuda, perguntar, n?o ofende, n?o ? feio e geralmente traz bons resultados.

S? que, pelo que eu andei lendo em alguns blogs de estrangeiras no exterior (veja bem, eu disse ALGUNS. N?o vistam a carapu?a que n?o lhes serve, vai alargar a carapu?a e ainda te dar dor de cabe?a!), a m?-vontade em ajudar a quem estava entrando no mesmo barco beirava a grosseria. Vi gente fazendo posts para avisar que “n?o era central de informa??es”, que “brasileiro era tudo folgado e queria as coisas de m?o-beijada”. Achei aquilo pobre, mesquinho, infeliz. As mesmas meninas que haviam tido d?vidas iguais ?s minhas, agora se revestiam de uma emp?fia constru?da na marra para subir um degrau na escala evolutiva e mostrar que, por estarem estabelecidas no novo pa?s, n?o tinham necessidade de dar um help a quem estava come?ando a trilhar o novo caminho.

At? hoje n?o consegui entender o que custa responder a um email. Tentar responder uma pergunta ou, caso n?o saiba, indicar uma fonte ou simplesmente admitir a ignor?ncia e desejar boa sorte. Parece que ser educado d?i, toma tempo… At? parece que essas blogueiras recebem 30 emails por dia de gente pedindo informa??o. N?o existem 30 brasileiros que l?em o blog delas mudando de pa?s todos os dias. Ok, elas t?m o direito de se recusar a ajudar, de se negar a dar uma palavra de apoio, ou indicar fontes confi?veis caso n?o se sintam capazes de dar uma informa??o fidedigna. Mas EU acho isso um sintoma grave da falta de gentileza que assola a humanidade desde o s?culo passado.

Para os que est?o abandonando a p?tria amada para se aventurar em terras estranhas, seja a trabalho, para estudar ou casar: n?o d?em moral para essas “Little Mrs Superior“. N?o perguntem nada, at? porque blog ? di?rio, e n?o deve ser confundido com Servi?o de Utilidade P?blica (por isso o PSEUDO em negrito no primeiro par?grafo deste post). Canso de ver gente reclamando que “blogueiro tem que ser mais respons?vel, n?o divulgar informa??o errada, porque afinal blog ? m?dia, bla bla bla“. Como ? que ??? Se eu n?o confio plenamente nem em informa??o veiculada em primeira p?gina da Folha, vou dar esse cartaz pro blog da Dona Maricota? Socorro, n?? Sinceramente, quem usa blog pra fazer pesquisa de coisa s?ria merece ler informa??o errada.

Aprendam a pesquisar no lugar certo, em sites de ?rg?os oficiais, telefonando para reparti??es competentes, pedindo ajuda ? empresa, ou curso, ou noivo(a) que trouxe voc? pro exterior, etc. Nada de mandar email “oi, leio seu blog, estou passando pelas mesmas coisas que voc? passou, podia me dar umas dicas?”. Elas N?O V?O dar, v?o ficar se sentindo as rainhas da cocada preta europ?ia (ou americana, africana, latina, whatever) e voc? ainda vai pagar o mico de ter seu email ou comment ignorado OU sacaneado em p?blico. Eu ajudaria de bom grado, mas infelizmente eu ainda n?o moro aqui e n?o lidei com papelada alguma.

Sejam auto suficientes, pessoas. Se elas conseguiram sem pedir ajuda a ningu?m (o que eu DUVIDO, mas deixa baixo…), a gente tamb?m consegue.

Desanuviando, essa foto dos nossos p?s. Ele comprou meias-irm?s-g?meas pra gente, e ? aut?ntico a ponto de usar meias rosa de porquinho. Eu sou f? de gente que n?o se leva a s?rio. De amebas pretensiosas, o mundo anda cheio. E ele (o mundo) seria bem mais legal se as pessoas tivessem coragem de ser, simplesmente, o que s?o.

Mural de notas
Escrito em humor observacional, Novembro 18, 2004 @ 05:58

Ok. Eu n?o consigo ter paci?ncia com quem escreve “mais” no lugar de “mas”.

Eu: Por que ? que voc? nunca fica de mau humor?
Ele: E o que ? que eu ganharia, ficando?

Algu?m j? tomou Fanta Laranja fora do Brasil? Como ?? Porque me disseram que na Espanha ela ? aguada, enquanto aqui na Inglaterra ela tem gosto de Cebion efervescente. Podre. Ser? que as nossas laranjas s?o melhores que as laranjas dos outros? Ser? que laranja pelo mundo ? muito cara e ent?o eles diluem na Espanha e substituem por sabores artificiais na Inglaterra? Mas ser? que tem mesmo laranja natural na Fanta brasileira? Algu?m j? bebeu Fanta nos EUA? Como ??

Nossa. Nunca vi tanto ponto de interroga??o in?til num s? post. Outros contras:

A) N?o existe abridor de latas, aqui. Eles produzem uns artefatos estranhos que acreditam ser abridores de lata. N?o s?o. N?o consigo abrir nada com nenhum deles. E me sentir impotente diante de uma lata de atum n?o faz bem pro meu ego.

B) As ruas n?o t?m ilumina??o. S? na cidade. Sair ? noite ? lindo quando voc? olha pro c?u numa noite clara e v? um esp?taculo de estrelas. Mas se o seu rel?gio cair no ch?o e sair rolando, esque?a. Volte no dia seguinte pra procurar. O rel?gio n?o ser? roubado, at? porque um pouco prov?vel ladr?o tamb?m n?o ia enxerg?-lo.

C) Andar nas ruas pode ser perigoso porque n?o existem cal?adas. Mesmo em algumas ruas movimentadas de m?o dupla. Ok, os carros andam a 50km por hora, e n?o v?o passar por cima de voc? porque respeitam os pedestres. Mas ? desconfort?vel ver carros passando a 5 cent?metros sua pessoa.

D) Voc? precisa tomar banho de hidratante todos os dias pela manh? ou a pele vira uma lixa. Pouca umidade no ar. At? folhear jornal fica dif?cil sem molhar a ponta dos dedos toda hora. O cabelo ou vira uma palha OU fica lambido. A pele desbota (a minha j? est? passando do caramelo para o creme de leite), e pelo menos as minhas articula??es aqui funcionam t?o bem quanto as de uma Barbie com 5 anos ou mais de uso (quem tem ou teve uma sabe do que eu estou falando).

E) Certos alimentos que n?o existem no supermercado. E ado?ante s? em formato de comprimido, que ado?am mal, deixam gosto residual ruim e s? servem para bebidas quentes; porque nas geladas e no pote de iogurte eles n?o derretem. At? hoje n?o achei chocolate diet, gelatina ou gel?ia diet, e me pergunto se aqui n?o existe diab?tico, ou se todos eles morreram comendo a??car por falta de substitutos decentes. As comidas que deveriam ser salgadas, t?m um qu? de doce, como a tal english sausage. No fish and chips, que se trata de bacalhau fresco (esque?a aquele sal todo do seu prato natalino) ? milanesa, acompanhado de batatas fritas, n?o se coloca UMA pitada de tempero. E quando eu despejo o saleiro em cima, ele me olha espantado. Ora, se ? pra comer algo que tem gosto de papel, ent?o eu prefiro comer papel, que ? celulose pura, n?o vai ser digerido e absorvido e por isso n?o tem calorias.

F) E os puddings feitos de f?gado, de rim de porco, de pulm?o de ovelha, eca. Os doces s?o variados e bonitos, mas meio enjoativos. O Starbucks caf? n?o me agrada, n?o entendo a fama. Toda cal?ada tem pelo menos umas cinco franquias, e na ?nica vez em que entrei em uma fiquei revoltada. A mulher me trouxe um ch? gelado horroroso (eu pedi um ice tea tendo o Lipton em mente, afinal, eu tava na Inglaterra), obviamente sem a??car. NADA do que supostamente deve ser doce, leva a??car.

E o a?ucareiro ? uma piada. Ele simplesmente n?o existe. H? mini sach?s com uma pitada rid?cula de ac?car dentro. Preciso de pelo menos 30 pra ado?ar um copo, enquanto geral ? minha volta se contenta com dois ou tr?s, e me olhariam espantada se eu ado?asse a meu gosto, como se eu fosse uma tarada por a??car a um passo da diabetes. Fora que, se voc? pede a sua bebida SEM GELO, eles entendem que voc? a quer quente, mesmo que seja um “refrigerante”. Op??es: beber quente mesmo, ou pedir a vers?o com gelo e ver a garota (sempre polonesa, portuguesa, chinesa, iraniana… ONDE os jovens ingleses trabalham??) trazer um copo onde a metade (ou mais) do conte?do ? gelo puro, e a? ela pinga refrigerante em cima. Voc? decide. E as ?nicas franquias do Burger King da Ilha fecharam h? alguns meses. Shit.

G) Em geral, os ingleses s?o feios, t?m dentes ruins e o pa?s parece estar dividido em duas castas: a das Pessoas com Queixo Duplo e a das Pessoas Sem Queixo Nenhum. Mas ? claro, eles s?o caucasianos, por isso se acham mais lindos que brasileiros, por exemplo, porque n?s temos cabelo ruim, sabe.

H) O interruptor de luz fica do lado de FORA do banheiro. Se voc? estiver no banho algu?m pode apagar a luz e te deixar no escuro f?cil. Tomada tamb?m n?o pode ficar dentro do WC, por “quest?es de seguran?a”. Quantas pessoas voc? conhece que morreram eletrocutadas pelo secador de cabelos? N?o poderia usar o meu na frente do espelho, sorte que n?o tenho e n?o seco cabelo. Pra qu? vender barbeador el?trico aqui, eu sinceramente n?o sei.

Pronto. Estou feliz, agora.

London london
Escrito em diário de bordo, Novembro 15, 2004 @ 05:54

A quem interessar possa, o Peter Frampton est? careca, o Deep Purple ainda faz um show energ?tico depois de todos esses anos, e o tiozinho-z?gzy-grisalho vocal da banda Thunder ? coisa linda de Deus. Amei.

Levamos a Juliet pro show, j? que ele tinha ingressos sobrando. Bem, a menina passou o show inteiro sentada. ? ?bvio que Deep Purple n?o ? a praia dela. ? um amor de mo?a, mas tamb?m o meu oposto perfeito. A bolsa cheia de maquiagem, que ela reaplicava a cada ida ao banheiro. E eu de camiseta do Laranja Mec?nica, com um gorro preto de caveirinhas cor de rosa e spikes. Olh?vamos uma para a cara da outra como se f?ssemos aliens fazendo contato com terr?queos. Acho que n?o vamos entrar em acordo a respeito de quem era o alien e quem era o terr?queo…

Home sweet home. Maybe. Soon.

whenever i want you, all i have to do is dream
Escrito em diário de bordo, Novembro 11, 2004 @ 04:47

Ent?o eu tinha esse emprego novo, era cr?tica de filmes de terror para uma revista especializada e alternativa. O sal?rio fedia, mas eu me divertia absurdos assistindo a pencas de filmes B todo m?s e tendo papos altamente psic?ticos/psicod?licos com meus colegas de trabalho, regados a vinho chapinha.

As paredes da minha sala eram cobertas de posters de filmes terror splash, e naquela noite eu estava l?, trabalhando at? mais tarde, me entupindo de donnuts (how american…) e bebendo litros de caf? com leite, enquanto escrevia uma review pessoal?ssima e apaixonada para Poltergeist.

Da? eu acordei. Puf.
Melhor dizendo, FUI acordada. Era ele, dizendo tchau. Sete e meia da manh? (!). O que ele fazia saindo pro trabalho uma hora mais cedo, eu n?o sei. Mas ANOS sem ter sonhos decentes, eu devia pelo menos poder curti-los at? o fim.

Estranhamente, ANOS sem conseguir sequer lembrar dos meus sonhos. Agora, al?m de guard?-los em detalhes, eles s?o os melhores e mais loucos ever.
Jersey, definitivamente, fez bem ao meu subconsciente.

Vou fazer as malas. N?o sei como sobreviver no s?bado. Faz frio aqui, provavelmente far? mais ainda em Londres, e eu vou estar do lado de fora de qualquer lugar com um aquecedor, e ? noite… Show. Deep Purple e Peter Frampton (e eu nem sabendo que o Pete ainda estava vivo, HAHA). A Marks & Spencer em liquida??o hoje de roupas de inverno e eu N?O ESTOU L? comprando feito uma man?aca. Vou me arrepender disso quando meus p?s e bra?os tiverem se transformado em picol?s de carne e osso. Se eles n?o necrosarem e ca?rem, eu volto e conto. E ainda posto fotos, olha como eu sou legal.

E tem uma panela ENORME de chilli con carne na geladeira. COM FEIJ?ES. E eu estou dois quilos menos gorda do que na ter?a feira. Tradu??o: a Semana da Fome acaba agora. O mundo n?o precisa de mais uma anor?xica. E, Deus, como eu preciso de chilli.

P.S.: o Google, as always, making my day. Chegaram aqui atrav?s da seguinte busca, boas dicas para um bom sexo na gravidez. Pai, afasta de mim esse c?lice!! E outra: usando garrafa pet em casa. H?? Dependendo do uso, querido(a), garrafa pet n?o serve. Escolha algo mais anat?mico. De nada, pague no caixa.

amada am?lia.
Escrito em diariamente, Novembro 11, 2004 @ 04:46

Comida chinesa ? a oitava maravilha. Gostosa, chega quentinha, variada e tudo vem naqueles potinhos pr?ticos que dispensam o uso de pratos. Noutras palavras, nada de lou?a-da-janta-pra-lavar. No m?ximo, passar uma ?gua nos talheres.

Nunca lavei tanta lou?a na vida, fato. Na Casa da Mam?e era tarefa eventual, que eu protagonizava em dias de intenso bom humor e instinto cooperativo. Mas nem se tivesse acordado com humor “ganhei-sozinha-na-megasena-acumulada” eu seria generosa e abnegada o suficiente pra lavar “lou?a de peixe”. S? quem j? tentou sabe o quanto lou?a de peixe ? gordurosa e fede. Fora a tarefa extra de ficar espantando as mosquinhas voejando em volta da pia, porque sim, a express?o “formiga no mel” tem seu equivalente eww: “mosca no peixe”. Socorro.

E hoje c? est? a patricinha lavando feliz da vida pratos com cheiro de truta. A truta estava gostosa, verdade (opini?o not?vel, em se tratando de uma menina que nunca suportou peixes e suas espinhas, porque nunca soube evit?-las e tem medo que uma delas lhe rasgue a garganta). Mas as minhas m?os est?o fedendo a uma mistura ex?tica de peixe com detergente de ma??. E o meu esmalte, que antes durava quase um m?s, agora precisa, em tese, ser reaplicado toda semana.

E eu n?o reclamo, mesmo quando a pregui?a vence e a semana passa, e a segunda feira me encontra de esmalte ro?do, ouvindo m?sica dos anos 60 de p? em frente ? pia, sendo ?s vezes escaldada pela ?gua da bica, quando esque?o e abro a ?gua quente ao inv?s da fria… Algu?m precisa dizer pra ele que ele tem o sorriso mais lindo do mundo porque aperta os olhinhos quando ri e a idiota aqui destila litros de ptialina (vulgarmente conhecida como BABA) e n?o tem tempo de fazer a unha e nem de aprender que o registro esquerdo e vermelho abre a ?gua quente, e o registro azul e direito, a fria. Algu?m precisa dizer, mas ele n?o pode acreditar, que ? pra n?o ficar convencido demais…

E o mais gostoso de quando ele viaja ? ficar toda euf?rica com a perspectiva de ter a casa s? pra mim, ouvir m?sica alta, comer bobagem o dia todo, ver programas escrotos na tev?, fazer bagun?a, n?o tomar banho, n?o pentear o cabelo, e depois come?ar a n?o achar mais gra?a em nada disso e sentir uma saudade do tamanho do mundo, porque afinal, mesmo com ele em casa, posso fazer as mesmas coisas que fa?o quando sozinha, sem correr o risco do rid?culo ou de desmanchar esse castelo de areia perto das ondas.

uma breve hist?ria et?lica.
Escrito em reminiscências, Novembro 7, 2004 @ 04:44

Minha m?e faz batida como ningu?m.
De coco, morango, maracuj?, feitas com a fruta mesmo, cacha?a de boa qualidade (proced?ncia mineira, se poss?vel), leite condensado sem economia, e o resultado da mistura parecia at? vitamina, de t?o grossinha e gostosa. Vou pegar a receita com ela e posto aqui, para os eventuais interessados.

Ocorre que, como boa m?e zelosa, dona Maria n?o gostava de ver a filhota metendo o p? na jaca com t?o tenra idade. Ok, ela ignorava o fato de que desde os quatro anos de idade eu bebia cerveja no gargalo, nas festinhas dos amigos dos meus primos (meus pais trabalhavam, eu detestava bab?s e ent?o acabava ficando pela casa de tias ou vizinhas, que tinham filhos adolescentes, que me levavam pro wild side, s? pelo prazer de corromper a inf?ncia alheia… benditos sejam, que me salvaram da aliena??o do mundinho xuxa-barbie-new kids on the block).

Pois bem. Anivers?rio da velha, tias, amigas e vizinhas em casa. Crian?as tocando baderna no quintal, se atirando na piscina, chutando as flores no canteiro, uma beleza… Eu, crian?a esperta aos oito anos, olho grudado na garrafa branquinha em cima da pia da cozinha. Batida de coco. Ok, ela tinha me deixado lamber a lata de leite condensado, mas o pessoal que frequenta as reuni?es do AA sabe que n?o ? a mesma coisa. Pedi. Ela negou. Emburrei, ela me empurra uma lata de coca cola e diz que ? para eu me contentar. E fico l?, sentada com cara de bunda, mamando aquele atestado de infantilidade enquanto os “acima de 18 anos” se deliciavam com o n?ctar servido pela minha algoz progenitora, tomando das bandejas os copinhos de pl?stico branco fosco. Se inveja matasse eu estaria fedendo.

De repente me dou conta da lata de refrigerante vazia nas m?os, e engendro o plano maligno. Vou at? a cozinha quando a conversa na varanda est? animada, passo a m?o na garrafa e despejo o conte?do dentro da lata de coca. Ningu?m ia ver o que eu estava bebendo, mesmo… Express?o de vit?ria retumbante no rosto, sentei-me na varanda com o resto da mulherada me sentindo, al?m de adulta, muito esperta.

Mas Murphy ? foda. Sabe aquela sua prima com cara de retardada, que voc? mal sabe o nome direito, que nunca vem ? sua casa, mas que quando vem resolve provar que n?o ? s? a cara, ela ?, de fato, retardada? Pois ?. Para o meu supremo infort?nio, eu, como 99% da popula??o mundial de crian?as espertas, tamb?m tenho uma prima dessas. E ela estava ali. Lugar, hora e prop?sito completamente equivocados.

- Engra?ado… Se ela t? bebendo coca cola, porque est? com bigodinho de leite?

Fodeu.

Minha m?e pegou a lata da minha m?o (a essa altura j? quase vazia), cheirou o conte?do e me sentou palmada pela bunda. As visitas, ? claro, riam de se lascar. “Que filha esperta, a sua!”, dizia a tia, m?e da prima dedo-duro. “Que filha idiota, a sua!”, respondia eu, mentalmente, enquanto meu lombo era fustigado por chineladas. Nem senti dor, pra falar a verdade. O ?lcool j? havia liberado endorfina o suficiente para as minhas termina??es nervosas ligarem o foda-se. Ela chinelava, e eu lambia os bei?os, para aproveitar at? o fim aquela del?cia…

Bebum desde pequena, oh yes. Culpa do meu pai, que sempre perguntava antes de sair pra comprar as bebidas do almo?o de domingo: “e a?, vai ser coca cola ou Malzbier?”, e eu ficava l?, dedinho na boca, fingindo que a pergunta requeria racioc?nio, sabendo que ia ouvir com a voz dele, j? no port?o, a resposta certa:

- Malzbier!

E logo as garrafinhas de cerveja preta com caramelo estariam na mesa. Sob o olhar reprovador de Dona Mam?e, que temia me ver alc?olatra.
Queira me ver FELIZ, mam?e. Eu estou.

A noite dos piroman?acos.
Escrito em diário de bordo, inglaterra, Novembro 5, 2004 @ 04:25

Hoje ? a Guy Fawkes Night.
L
i no blog dela a explica??o, e sem pedir licen?a, linko aqui porque care?o de ?nimo para disseminar informa??o sobre o acontecimento hist?rico. Interessante, leia.

Bem, ontem come?ou o foguet?rio, e por toda a parte vejo enormes amontoados de lenha, galhos de ?rvore, palha e similares, para as fogueiras dessa noite. Aqui no jardim de cima tem um desses. Impressionante, o tamanho. Dava para p?r fogo numa casa inteira. Foi armada pelo senhorio, um cara at? simp?tico, casado com uma mo?a sueca, pai de dois pirralhos. Tomara que seja uma cerim?nia familiar. Se o meu noivo chegar mais tarde com id?ias de sociabiliza??o, estou frita.

Aproveitando que ainda t?nhamos cinco d?lares de desconto no YesAsia, el encomendou outra Pullip pra mim, desta vez uma Principessa. ?s vezes acho que sou meio maluca com essa paix?o por bonecas. Mas as Pullips s?o t?o lindas que parece biscoito, voc? n?o consegue parar numa s?. Fiz um monte de fotos da Amaryllis (batizei assim minha boneca) ontem ? tarde. A luz estava ?tima, e eu n?o perdi a chance. O mundo seria definitivamente um lugar melhor se todo v?cio fosse inofensivo e feliz como o meu por bonequinhas.

Provavelmente tem Londres semana que vem. Gosto da id?ia de Londres, apesar de saber que ele n?o vai ter tempo de me levar pra dar rol?s e que, se eu tentar saracotear pela cidade sozinha, vou me perder.
Well, sempre me restar? a cerveja.


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menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

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online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


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