All I have to do is dream

Então eu tinha esse emprego novo, era crítica de filmes de terror para uma revista especializada e alternativa. O salário fedia, mas eu me divertia absurdos assistindo a pencas de filmes B todo mês e tendo papos altamente psicóticos/psicodélicos com meus colegas de trabalho, regados a vinho chapinha.

As paredes da minha sala eram cobertas de posters de filmes terror splash, e naquela noite eu estava lá, trabalhando até mais tarde, me entupindo de donuts (how american...) e bebendo litros de café com leite, enquanto escrevia uma review para Poltergeist.

Daí eu acordei. Puf.
Melhor dizendo, FUI acordada. Era ele, dizendo tchau. Sete e meia da manhã (!). O que ele fazia saindo pro trabalho uma hora mais cedo, eu não sei. Mas ANOS sem ter sonhos decentes, eu devia pelo menos poder curti-los até o fim.

Estranhamente, ANOS sem conseguir sequer lembrar dos meus sonhos. Agora, além de guardá-los em detalhes, eles são os melhores e mais loucos ever.

Jersey, definitivamente, fez bem ao meu subconsciente.

Vou fazer as malas. Não sei como sobreviver no sábado. Faz frio aqui, provavelmente fará mais ainda em Londres, e eu vou estar do lado de fora de qualquer lugar com um aquecedor, e à noite Deep Purple e Peter Frampton (e eu nem sabendo que o Pete ainda estava vivo, haha). A Marks & Spencer em liquidação hoje de roupas de inverno e como assim eu não estou lá. Vou me arrepender disso quando meus pés e braços tiverem se transformado em picolés de carne e osso. Se eles não necrosarem e caírem, eu volto. E ainda posto fotos, olha como eu sou legal.

E tem uma panela ENORME de chilli con carne na geladeira. COM FEIJÕES. E eu estou dois quilos menos gorda do que na terça feira. Tradução: a Semana da Fome acaba agora. O mundo não precisa de mais uma anoréxica. E eu preciso de chilli.

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