Voltando e j? indo.
Escrito em diariamente, Dezembro 28, 2004 @ 13:46

Passadinha r?pida s? pra avisar que o Natal foi uma beleza. Comi feito uma eritr?ia esfaimada e dormi antes da meia-noite; eis a minha querida rotina natalina anual. Nada de luzinhas, ?rvores de natal, caixas embrulhadas com papel vagabundo contendo presentes mais vagabundos ainda e aquela parentada que se re?ne fingindo ser a fam?lia do comercial da Perdig?o, mas que nos demais dias do ano nem procura fingir que se tolera.

O Natal n?o tem significado para quem n?o ? crist?o. E mesmo os crist?os mais esclarecidos afirmam que Jesus sequer teria nascido nesse dia. Para encurtar a hist?ria, eu ligo o foda-se para o “significado”. Eu adoro Natal que, pra mim, ? um dia em que minha m?e cozinha bastante, eu arrumo o meu quarto e como rabanadas. N?o trocamos presentes em fam?lia porque n?o temos o h?bito (foi um sufoco conseguir comprar algo pro Alaric), e n?o por nenhuma “convic??o anticonsumista” de araque. Afinal, todo mundo consome horrores o ano inteiro, e quando chega o Natal querem bancar os “conscientes”, incorporando o esp?rito dos adbusters reclamando que “o verdadeiro significado do natal est? sendo deturpado” e que “n?o coaduna com o consumismo”. Ent?o t?.

Meu melhor presente do Natal de 2004 aterrisou em solo carioca na manh? do dia 25. Temos passado dias ?timos (fora o stress que ? ter que ficar apertando-e-desapertando-a-tecla-sap-a-toda-hora), estamos muito felizes e fazendo planinhos. H? dois dias uma gatinha preta apareceu aqui na porta, foi adotada e batizada de Squeaky (isso porque ela guincha ao inv?s de miar). Pena que a Chantilly n?o gostou nadinha da hist?ria e eu tive que d?-la de presente para o rapaz que trabalha na empresa de seguran?a aqui do lado. Deu aperto no cora??o quando a vi indo embora no colo do homem, depois de dois dias em que ela nos ganhou com sua personalidade ador?vel. Mas eu j? estou com problemas pra levar UM gato pro Reino Unido, imagine dois. Well, abaixo uma das fotos que fizemos da Squeaky, pequenas lembran?as que guardaremos dela:

Cutest.

Tears in Heaven
Escrito em self, Dezembro 23, 2004 @ 13:45

Eric Clapton no r?dio. Vejo nada demais nele, sempre achei essa m?sica piegas, mas entendi a dor. N?o achei que fosse tentativa de faturar em cima da trag?dia. Outro dia leio depoimento da m?e do guri morto, dizendo que ele reagiu violentamente quando soube que ela estava gr?vida, sugeriu um aborto e, diante da recusa, virou-lhe as costas, permanecendo ausente durante quase toda a gravidez. Bas fond

Essa semana falei com ele pela primeira vez direto da casa nova. Finalmente o background da webcam mudou, haha. Tudo bagun?ado, 5 graus do lado de fora e o sistema de aquecimento da casa ? antigo e n?o ? l? essas coisas. Poor baby… Mesmo assim nada o abala, ele n?o reclama de coisa alguma e o humor sempre nas alturas. Quando eu era um adolescente riot-rebel-depressiva, achava que pessoas assim n?o existiam. E que, se existissem, s? podiam ser idiotas, no sentido patol?gico da palavra.

Best things in life:
Dormir sabendo que no outro dia n?o tem trabalho.
Fazer xixi quando se est? apertado.
Batata frita.
Aquele jeans que n?o cabia mais ficando largo.
Chuva quando est? quente demais.
Manh? de sol depois de muita chuva.
Achar uma nota de dez reais no bolso da cal?a.
Completar ?lbum de figurinhas.
Caf? fresco com p?o quentinho e manteiga.
Cobertores + frio.
Cobertores + namorado(a) + frio.
Faltar ao trabalho por causa de resfriado.
Sair da dieta por um dia.
Parque de divers?es.
Banho de chuva.
Quermesse de bairro com ma?? do amor.
“Eu te amo”
“Eu tamb?m”.
Coca cola com cubos de gelo.
Sair bem na fotografia.
Reprise de novela boa.
Filme bom in?dito na tv.
Mudar de esta??o de r?dio e pegar uma m?sica legal come?ando.
Pipoca + cinema.
Bom dia + beijo de bom dia na cama.
CD novo.
Cheiro de livro novo.
Terminar de ler um bom livro.
Dor de cabe?a que passou.
Ler gibi do Calvin.
Esmalte novo nas unhas.
Receber carta.
Receber cantada de n?vel.
Dan?ar, dan?ar, dan?ar.
Fazer malas para as f?rias.
Banho de banheira.
Dormir abra?ado.
Fazer listas.

Agora algu?m me fa?a sair desse site aqui. Ou n?o. Voltar ? inf?ncia tamb?m ? uma best thing in life. E s? quem nunca curtiu o ?cio pensa que ele ? supervalorizado. N?o troco sal?rios de fome ou de sonho pelo prazer que acabei de ter e estou tendo: tomar um banho quentinho nesse ver?o-invernal do Rio (a chuva sempre foi a neve do natal carioca), fazer caf? fresquinho e vir ler sites bacanas comendo as primeiras rabanadas do Natal.

Por falar nisso, um bem feliz pra todos voc?s.

baby blues.
Escrito em vida, Dezembro 22, 2004 @ 13:43

Estava eu ontem voltando da lojinha de conveni?ncia da esquina quando, passando por um terreno baldio, vejo um cobertor todo enrolado. De uma das extremidades escapava um pequeno pezinho branco, e mais acima consegui distinguir o que seria as costas de um beb?. Chamei o seguran?a da rua e ele veio checar. Era mesmo um beb?, cord?o umbilical e tudo. Um menino recem nascido. E morto.

A pol?cia foi chamada, a trag?dia virou a atra??o do dia (como sempre… a desgra?a alheia deve ser mesmo muito divertida), e um menininho alegou ter visto um casal, num carro preto e grande, deixar o embrulho ali na noite anterior, quando chovia bastante e a rua estava quase deserta. O corpinho passou o dia todo l?; s? no fim da tarde a pol?cia veio finalmente recolh?-lo.

Hoje pela manh? o seguran?a, que tambem ? policial militar, voltou com a not?cia de que o beb? tinha sido estrangulado antes de ser abandonado. Minha m?e ficou t?o nervosa que nem conseguiu dormir. Fiquei pensativa; ser? que a m?e dessa crian?a p?de dormir ? noite?

Tanta gente nesse Natal lamentando a perda de filhos, lamentando n?o conseguir t?-los. N?o quero soar hip?crita, porque sou pr? escolha (mas sem transformar aborto em m?todo contraceptivo, fazendo um por ano como se fosse a coisa mais natural do mundo). Mas levar uma gravidez a termo para depois assassinar ? demais. J? que deixaram que a criaturinha nascesse, por que n?o dar, vender, ou exercitar a generosidade tentando aprender a am?-la?

?, Natalzinho. Uns se preparam para celebrar o nascimento de uma crian?a especial. Outros matam as suas pr?prias. E que venham as rabanadas.

new layout, new life.
Escrito em vida, Dezembro 20, 2004 @ 06:22

Porque o outro j? estava enchendo e tal.
E esse clima n?o tem nada de primaveril anymore.

E da? que o n?dulo era benigno; assim disse o radiologista. Fiquei nervosa ontem ? noite, at? pensei em organizar meu vel?rio. Dormi, e acordei estranhamente calma.

Eu preciso de sugest?es de presente para homens. Id?ias? ? pat?tico, mas odeio dar presente; n?o por p?o durismo, mas porque nunca sei o que dar, sempre temendo desagradar. N?o sei o que comprar pro meu noivo e ele chega em cinco dias.


E a ceia de Natal vai tomando forma. Faltam os salgadinhos, porque sim, eu sou cafona e como risole na ceia. Acho melhor brindarmos com cerveja esse ano, j? que o convidado estrangeiro entende de vinhos, e n?o quero errar na escolha. Apelo portanto para aquilo que, mesmo quando ? ruim, ? ?timo: cerveja!

health (s)care.
Escrito em vida, Dezembro 17, 2004 @ 06:20

Doen?a.
Hospitais me deprimem. Ainda mais os p?blicos. Ou os baratos. As pessoas, triste dizer, t?m um aspecto horr?vel. Os cheiros s?o nauseabundos. A sujeira est? impl?cita, mesmo que n?o possa ser vista, na forma de secre??es e bact?rias bailando pelo ar. Detesto. Acho que ningu?m devia ficar doente. Talvez fosse mais justo que todo mundo morresse aos 50 anos. No dia do quinquag?simo anivers?rio todos n?s cair?amos mortos, sem dor nem degenera??o f?sica. Doen?a ? coisa indigna. Ningu?m merece passar por isso.

Meu pai vai operar os olhos. Eu tenho um exame delicado a fazer, cujo resultado talvez mude minha vida para muito pior. Estou assustada pelo meu pai, que j? ? idoso e vai passar por uma cirurgia complicada, e por mim, cuja sa?de de ferro me fez auto confiante demais, a ponto de descuidar dela. ? que n?o gosto mesmo de hospital. Nem de pensar em doen?a. Nem de fazer exames. Nem de tomar rem?dio. A hipocondria est? fora do meu rol de neuroses de estima??o.

soundtrack do purgat?rio.
Escrito em diariamente, resmungos, Dezembro 15, 2004 @ 06:18

Hoje a coisa t? feia, por aqui. ? meio dia e eu j? ouvi Wando, Ivete Sangalo, Bonde do Tigr?o, Leandro e Leonardo, Legi?o Urbana, Lambada, Xuxa, Negritude Jr. e agora est? tocando algo que parece aqueles sertanejos-farofa de festa do pe?o boiadeiro de Barretos. Tudo isso numa altura, bem, digamos assim… rompe-t?mpanos.

?. Parece que o vizinho de gosto duvidoso comprou um CD player.

Tamb?m n?o est? f?cil pra mim. Acabei de picar meus cart?es de cr?dito. Comprei um bagulho l? em Jersey com um deles, a fatura chegou ontem e, mesmo sabendo que eu tinha o dinheiro para pagar, minha m?e fez esc?ndalo. Ela sempre foi assim com rela??o a dinheiro, e mesquinharia ? uma coisa que me d?i.

Lembro que h? uns meses atr?s eu fiz uma compra de DEZ REAIS no cart?o e ela ficou me olhando torto. “Dez reais? Isso voc? podia pagar com o SEU dinheiro“. Ora, quando a fatura chegasse n?o seria o MEU dinheiro que ia saldar a d?vida? Eu estava sem grana e n?o ia voltar em casa para pegar. N?o ? pra isso que cart?o de cr?dito serve?

Adicional de cart?o da dona Maria eu n?o quero mais. Peguei minha tesourona de picotar, cortei os dois pela metade e entreguei a ela. Que ainda resolveu fazer drama. “Ser? que quando casar voc? vai fazer isso com o seu marido? Ele vai dar na sua cara!” Ha. Nem ela, que me p?s no mundo, conseguiu fazer isso impunemente. A ?nica vez que tentou eu tinha cinco anos e estava fazendo birra, entediada numa loja de sapatos. Ela me deu um tapa no rosto e levou outro no mesmo lugar (relevem, eu s? tinha cinco anos e nunca mais fiz isso).

Cada vez me conven?o mais de que o melhor a fazer ? arrumar emprego logo que o visto permitir. Chega de depender de mais velhos (seja pai, m?e, namorado, marido) e ser tratada como se tivesse 12 anos de idade e ganhasse mesada.

bla bla bla
Escrito em diariamente, resmungos, vida, Dezembro 14, 2004 @ 06:17

O grande acontecimento do s?culo foi a ascen??o espantosa e fulminante do idiota.
Nelson.

Fui acordada ontem ?s SEIS E MEIA da manh?. Camisola, interfone. “Quem ?” sonolento e, na cabe?a, o pensamento “quem foi que morreu para eu estar sendo acordada no meio da madrugada?“. Era o rapaz que tinha vindo entregar a mesa que minha m?e comprou. Entregar mesa ?s seis e meia da manh? de um segunda feira ? quase demon?aco. Ok, a mesa ? bonita e a ceia de natal vai ficar mais gostosa em cima dela.

Respectivo est? preso em Londres. Neblina demais em Jersey, nada de avi?o, nem de ferry; hoje ele pegou um lento, lento, que vai demorar umas sete, oito horas para atravessar o canal e lev?-lo pra casa. Cabine, livrinhos, comida boa. ?s vezes os problemas trazem de brinde solu??es que compensam.

Londres ? noite. Foto feita pelo Alaric, diretamente da London Eye.

Recebi email de uma leitora. Serm?o, claro. Recebo comments fof?ssimos, mas raramente emails legais de visitantes. Parece que s? se d?o ao trabalho de abrir o Outlook quando ? pra descer a lenha. Vai ver ? mais divertido.

Eu ia responder, mas resolvi fazer um post. ? que a mo?a (que afirmou ser brasileira e morar na Inglaterra) reclamava que eu estava metendo o malho na terra de Shakespeare. Que eu estava depredando verbalmente os h?bitos de um pa?s que me recebeu de bra?os abertos. Tive vontade de ser malcriada, mas como o meu pavio curto de nascen?a vem sendo esticado h? anos, com grande esfor?o da minha parte, pisei no freio. Muita calma nessa hora.

? o seguinte, Dona Mo?a. Expressar sentimentos leg?timos, por mais bizarros que sejam, n?o ? errado. Mascar?-los em nome de uma diplomacia for?ada ? que ?. Eu n?o gosto de mudan?as. Se eu pudesse escolher, jamais sairia do Brasil. N?o por ser f? do “pa?s tropical”; ? que eu j? estou acostumada a ele. Aqui, as vantagens me favorecem e os defeitos eu j? nem noto. Infelizmente, para isso eu teria que abrir m?o da companhia de algu?m que revirou as gavetas da minha alma e achou uma coisa muito legal que estava guardada no fundo de uma delas e que eu julgava perdida. Pesando pr?s e contras, resolvi sim abrir m?o de pai, m?e, amigos, inverno de 20 graus e ver?o de 42, idioma, programas de r?dio, chopp na praia, andar de bike em Paquet?, ver tev? e cinema em portugu?s, me sentir cidad?…

Mas isso n?o ? pouca coisa. N?o ? um processo f?cil. Leva tempo para aceitar a “perda”, ? quase como o per?odo de nega??o por que passamos quando algu?m morre. Eu fico rabugenta e ranzinza, sim. Triste, com a sensa??o quase f?sica de que algo vital estava sendo tirado de mim. Mas mantenho a esperan?a de que um dia, assim como a gente aceita a perda de algu?m, eu vou aceitar a perda de parte da minha identidade. E at? gostar de ganhar uma nova.

Voc? mesma deve ter tido suas dificuldades no come?o. Ou n?o? Ser? que achou na prateleira dos supermercados tudo o que gostava? Ser? que j? mudou-se fluente em ingl?s e com uma rede de amigos brasileiros e ingleses ? sua espera? Ser? que levou a fam?lia, os amigos, o cachorro e por isso n?o sentiu saudade de nada, nem de ningu?m?

Deixa eu viver essa fase. Acredito que ela seja necess?ria. Acredito que ela n?o seja eterna. S? n?o acredito em pessoas que n?o aceitam diferen?as. Se a sua transi??o foi f?cil, fico feliz. A minha tem sido complicada, porque no meu caso h? v?rios fatores complicantes (depois falo deles). N?o acredito que o pa?s me “acolhe de abra?os abertos”. Eles ter?o que me engolir se eu me casar com um de seus cidad?os. Se eu aportasse por l? de mala e cuia, disposta a lavar pratos pra sobreviver, levaria um belo p? na bunda, fleuma brit?nica ? parte. Nenhum pa?s rico abre os bra?os para imigrantes pobres.

E se eu de alguma forma “difamei” o pa?s e a cultura, lamento. N?o tive mesmo a inten??o de cuspir no prato em que talvez comerei. Mas quantas vezes o Brasil ? difamado l? fora (nem por m? f?, e sim por simples ignor?ncia)? Ent?o eles podem falar mal de n?s, mas n?s, como vivemos l?, temos que ficar caladinhos e achando tudo lindo? Desculpe discordar. Se eu vejo algo errado, seja no Brasil, na Inglaterra ou na Patag?nia, tenho o direito de expressar a minha opini?o. Eu vejo a humanidade como um todo; fronteiras s?o meras conven??es politico-geogr?ficas. N?o ? s? porque eu talvez v? viver l? que sou obrigada a fechar meus olhos para os podres do Reino Unido. Nunca os fechei para os podres do Brasil.

Minha opini?o pode mudar, sim. Ali?s tomara. Mas no momento, ela representa o que sinto.
Nada mais v?lido do que isso.

is that what friends are for?
Escrito em resmungos, Dezembro 12, 2004 @ 06:16

Domingo. Nove e meia da manh? e a campainha toca.
Nem preciso atender o interfone pra saber. N?o ? meu pai, n?o ? nenhum dos meus amigos. S?o as “amigas” da mam?e. Eu nunca gostei de gente enfiada na minha casa. Quando era pequena, tinha trauma das sextas-feiras, porque era o dia em que a faxineira vinha. E ela ficava l?, cantando louvores evang?licos, se imiscuindo em cada canto da casa, fu?ando minhas bagun?as embaixo da cama. Nesses dias eu ficava pela rua, para escapar do inc?modo daquela invas?o for?ada da minha privacidade.

N?o mudei. A misantropia dom?stica piorou com a idade. A casa onde moramos hoje n?o ? enorme, mas ? grande o bastante para as duas pessoas que vivem nela; at? porque eu raramente saio do meu quarto. Mas quase sempre quando abro a porta dele, dou de cara com alguma dessas “amigas” sentadas no sof? da sala ou na minha cozinha. Deve ser coisa t?pica de classes menos favorecidas, porque no mundo dos ricos eu soube (sim, eu tenho amigos ricos que me contam coisas) que as pessoas s?o muito ocupadas e t?m um desconfi?metro de melhor qualidade, com selo do Inmetro e tudo. Parece que a galera de classe m?dia baixa se amarra no conceito de “ir na casa da fulana almo?ar” ou “tava passando aqui em frente e resolvi…”. Sabe como ?.

EU sei como ?. Mas n?o gosto, sabe? As “amigas” da minha m?e, por exemplo, ficam sabendo a hora que eu costumo acordar (porque elas chegam ANTES, e olha que nem acordo t?o tarde assim). Ficam sabendo o que eu costumo comer. Estou com bobs no cabelo, creme na cara? Elas v?o ver. Estou com dor de barriga, estou deprimida? Elas v?o saber. Passo o dia todo de camisola? Elas v?o fazer piadinha n?o-solicitada a respeito. Caramba. Elas nem MINHAS amigas s?o. E a minha intimidade fica l?, exposta igual Renoir no Louvre, para a aprecia??o dessas malas-sem-al?a-nem-simancol.

Por que eu coloquei o “amigas” entre aspas? Porque eu tenho s?rias raz?es pra desconfiar que essas pessoas n?o s?o amigas, apenas ficam voando em volta feito moscas para tirar proveito da bondade e ingenuidade da minha genitora. Elas est?o sem dinheiro? A Maria empresta. Elas querem roupa nova, mas est?o sem grana pra pagar? A Maria costura fiado, e cobra barato (quando cobra…), porque ? “amiga”. Elas est?o entediadas em casa, com problemas familiares, doentes? A orelha da Maria vira o Muro das Lamenta??es. Mas quando ? a Maria que precisa de algu?m, de alguma coisa, EU s? vejo um monte de costas sendo viradas… Algumas dessas “amigas” at? insinuam que presente gostariam de ganhar no anivers?rio. E a boba da minha m?e compra. No anivers?rio da Maria, entretanto, ?s vezes ela n?o ganha nem telefonema dessas mesmas… er… “amigas”.

Amizade, pra mim, tem que ser livre de interesses. Tem que ser pura para merecer o nome. N?o tenho nenhum tipo de interesse nos meus amigos. S?o meus amigos porque s?o das raras pessoas nesse planeta cuja companhia e conversa eu aprecio. E isso, pra mim, ? MUITA coisa. Que se dane se s?o ricos ou pobres, se podem me pagar rodadas de cerveja ou se s? t?m dinheiro para dividir uma lata de coca cola comigo. S?o pessoas especiais. Passaram no meu controle de qualidade e ganharam o direito de ter a minha amizade incondicional. E eu sei que isso significa muito para eles. Eu tamb?m tenho alguns “amigos-entre-aspas”, mas assim que come?o a sentir interesse, despeito ou abuso, eu corto. Aqueles que s? aparecem quando querem pedir algo emprestado ou se pendurar na internet. Os que ficaram com raivinha quando viajei pra Inglaterra e me chamaram de “ca?a gringo” nas entrelinhas, que passaram a me ignorar ou disseram “isso n?o vai durar”. Os que querem ficar enfiados aqui em casa o dia todo, e est?o sempre atr?s de colo, compreens?o e assiduidade da minha parte. Esses n?o t?m vida longa.

Porque eu procuro os meus amigos quando estou com saudades. Quando estou feliz e quero compartilhar (se estou triste fico na minha, porque s? eu fabrico o rem?dio pras doencinhas da minha alma). Quando quero sair pra passear, quando um filme no cinema ? a cara de um deles e eu o convido para assistir comigo. ?s vezes demoro a procurar, sim. ?s vezes eles somem por meses. Mas nossa rela??o ? baseada na qualidade, e n?o na quantidade. Ningu?m aporrinha ningu?m, porque tudo tem a dose certa. Sal, a??car, rem?dio e at? afeto.

Agora eu vou l? tentar tomar o caf? da manh? na minha cozinha. Isso se as “amigas” da Maria deixaram uma cadeira dispon?vel para mim. Ai, ai.

death of a website.
Escrito em www, Dezembro 11, 2004 @ 06:15

O un-lovable.com morreu antes do prazo previsto. Quer dizer, morreu na hora certa, eu ? que n?o fui avisada com anteced?ncia. Eu sabia que o dom?nio ia vencer em Dezembro, s? n?o lembrava quando. Cheguei em casa no dia 06 e, no meio da bagun?a, esqueci de mandar email pra e-dom?nios perguntando. Eu tamb?m estava esperando que eles mandassem email, avisando que o dom?nio estava para expirar. At? que mandaram, sim; SEIS emails (ou disseram ter mandado), mas para uma velha conta do iG que n?o uso h? tempos. SE, diante da falta de respostas, eles tivessem se dado ao trabalho de entrar no site, ver que estava sendo atualizado regularmente e procurado um email… Mas sabe como ?.

Resultado: o dom?nio venceu, foi desativado, e n?o tive tempo de deixar um post avisando da mudan?a. Me deram a op??o de renovar o registro para ent?o fazer um post com o endere?o novo e at? mesmo redirecionar a p?gina. Mas peral?, 40 reais pra renovar o un-lovable.com por UM ANO s? pra deixar um recado? Soava meio idiota. Resolvi apertar o bom e velho bot?ozinho foda-se e deixar que, quem quisesse me achar, tivesse um pouquinho de trabalho e, sei l?, procurasse no Google.

Tive que migrar para outro dom?nio. Eu tinha o suicidalgirl.com registrado, mas tinha enjoado do nome. Ia registrar outra coisa, mas na pressa de arrumar logo um lar virtual, pus o site nele mesmo. Dei o endere?o novo a quem havia pedido, por email. Avisei a algumas pessoas via comments. Tudo estava correndo bem, quando ontem ? tarde o site desapareceu. Todo.

Passei o dia mandando emails pro host, a dona s? me respondeu agora ? tarde, e n?o faz id?ia do que aconteceu. O que interessa ? que agora pelo menos EU estou vendo esse site. Mais algu?m? Por favor, quem estiver vendo tudo OK, favor dar um al? nos comments. Soube que anteontem algumas pessoas n?o estavam conseguindo acessar.

Enfim, tomei uma canseira pra ajeitar a casa. O blog sempre foi importante para mim. Pode parecer coisa de nerd, e ?, mas sem ele eu fico meio que sem rumo na internet, “navegando” ? deriva. Pronto, tenho a minha ?ncora virtual de novo. Sejam bem vindos ? casa nova.

Haha, “girlie talk” das duas a? em cima, que bonitinho.
Vou ali sair da dieta tomando umas cervejas e j? volto.

little big things.
Escrito em diariamente, Dezembro 8, 2004 @ 06:14

Fui hoje ao centro TENTAR comprar uns bagulhos pro Natal. Mas estava tudo t?o lotado e quente que pedi arr?go e voltei antes da metade da primeira rua que pretendia visitar. Passei dois meses falando mal do frio, que me obrigava a me esconder embaixo de camadas e mais camadas de l? e couro para sair ?s ruas, mal podendo me mexer (eu me sentia o pr?prio Robocop!). E j? dois dias depois come?o a reclamar do ver?o carioca. Ser? que existe algum pa?s no mundo que tenha um clima perfeito?

Desisti do projeto “?rvore de natal 2004“. Todas muito caras e muito feias. A ?nica que gostei custava a mixaria de 250 pembas. SEM enfeites… Bom, pelo menos deu tempo pra comprar presilhas de cabelo, pulseirinhas, brincos, colares… Para mim? N?o. Para as minhas bonecas.

Acabei de receber um email ador?vel. Disse que sente falta da nossa conversinha matinal antes de sair para o trabalho. Que, ao entrar no banheiro ontem pela manh?, viu o meu pote de condicionador de cabelo esquecido na prateleira, o chuveiro regulado para a minha temperatura e essas pequenas coisas falam em volumes altos.


Páginas (2): [1] 2 »

menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

LINK MY STUFF:


online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


2008
jan | fev | mar | abr | mai | jun | jul

2007
jan | fev | mar | abr | mai | jun | jul | ago | set | out | nov | dez

2006
jan | fev | mar | abr | mai | jun | jul | ago | set | out | nov | dez

2005
jan | fev | mar | abr | mai | jun | jul | ago | set | out | nov | dez

2004
jan | fev | mar | abr | mai | jun | jul | ago | set | out | nov | dez

2003
abr | mai | jun | jul | ago | set | out | nov | dez

mais?







Adicionar aos Favoritos BlogBlogs
Pingar o BlogBlogs