where the heart is.
Escrito em diariamente, vida, Dezembro 7, 2004 @ 06:11

Acabo de perder um post enorme porque come?ou a chover e a energia foi pro outer space.

Deu para notar que cheguei. Mil graus ? sombra, no Rio, como sempre. O v?o atrasou, como sempre. Dessa vez, no entanto, fiz amizade com dois brasileiros boa-pra?a enquanto esperava pelo embarque: uma baiana que estava vindo pro Rio, voltando da Alemanha onde esteve trabalhando (pelo jeito, roupas e hist?rias desencontradas que ela contou, provavelmente como prostituta, o que estou bem longe de condenar. Se l? pagam melhor do que aqui, way to go!) e um paulistinha playboy cheio de marra, que voltava do interc?mbio em Londres. Diferentes trajetos de vida, mas todos com saudade do feij?o, do calor e de falar portugu?s. Ah, brasileiros. Deliciosamente previs?veis.

Meu quarto foi redecorado ? minha revelia, como sempre. Sa? da dieta no v?o, e continuei fora dela na primeira refei??o em solo p?trio: arroz, feij?o, frango ? milanesa e batata frita, com hectolitros de guaran? Antarctiva (yay!).

Esqueci um monte de coisas em Jersey. Meu tio est? no hospital, mas passa bem. Ganhei calcinhas da minha m?e. Vi novela. As roupas das minhas Barbies couberam nas Pullips. As malas ainda est?o jogadas pelo ch?o do quarto. Estou com dor de barriga. Meu pai diz que voltei magra e p?lida; meu sonho g?tico se realiza com alguns anos de atraso. Minha internet est? lenta e inst?vel, provavelmente por causa do modem (se eu sumir, j? sabem). Preciso mudar o site de endere?o, mas antes preciso me decidir quanto ao layout. Chantilly passou umas boas horas sem me olhar na cara. Amigos ligaram pelas novidades e me chamando para beber. Estou estranhando meu teclado portugu?s e a tela, enorme, de 17 polegadas, me deu dor de cabe?a. Estou feliz, re-reconhecendo territ?rio, meu cheiro nas coisas. Mas sinto que falta algo nesse ver?o de fim de ano carioca, e sei o que ?. N?o estou em casa l?. N?o estou mais t?o em casa aqui, porque ele n?o est? comigo.

Sinto saudade e, quanto maior a dist?ncia, maior a inseguran?a que ela traz de brinde. O fato de eu ser paran?ica n?o significa que o mundo n?o esteja contra mim.

Se o modem deixar, volto j

Goodbye.
Escrito em vida, Dezembro 4, 2004 @ 06:10

Bye bye, England.
Amanh? ?s nove eu vou embora. 14 horas de avi?o, tr?s semanas longe dele, sabe-se l? quantos meses longe daqui.

? estranho, mas sinto que amanh? come?a uma contagem regressiva para algo que eu nem sei o que ?. Isso assusta a quem nunca gostou de mudan?as por nunca ter aprendido a lidar com elas. Curso intensivo, ent?o.

Penso em morder a barriga gorda da minha gata gorda. Fazer fofoca com a minha m?e, rir das abobrinhas do meu pai. Beber com meus amigos, comer bobagem por uns dias e depois voltar ? dieta. Ver bastante programa lixo na TV. Contar “como foi a viagem” umas 62374186 vezes para as curios?ssimas amigas da minha m?e. Organizar a papelada pro casamento (se ? que vai dar tempo; n?o estou levando muita f? nisso). Planejar a estadia dele aqui, em Dezembro/Janeiro. Planejar a ida da Chantilly, quando eu for embora em definitivo. Sentir saudade dele. Curtir a chegada de um Natal que ser? especial, esse ano. Aproveitar a companhia das pessoas que eu vou perder, conhecer os lugares que nunca visitei e que passarei muito tempo sem poder visitar. Fechar portas que ficaram meio abertas, porque portas meio abertas s?o perigosas. A gente sempre esquece e d? com a cara em alguma delas. E isso d?i. A partir de amanh?, tenho algumas portas a fechar, e outras a abrir. M?os ? obra.

Vejo voc?s em dois dias.
E vejo voc? em vinte e um.

Ho Ho Ho.
Escrito em diário de bordo, reminiscências, vida, Dezembro 2, 2004 @ 06:09

Ontem ? noite fomos medir os c?modos da casa, para que possamos comprar os m?veis no Brasil. Vi as primeiras casas iluminadas. A maioria de gosto question?vel. Sou contra entupir resid?ncias de luzes multicoloridas piscantes, tren?s, renas. Casa ? casa. Shopping center ? OUTRA coisa.

Enfim. Natal. Dentro de alguns dias, olha Santa Claus a?, gente.
Eu amava Natal, quando pequena. Os cheiros vindos da cozinha me acordavam primeiro o nariz, depois as gl?ndulas salivares, e s? depois, bem depois, o c?rebro (?, ele sempre foi meio pregui?oso). Minha m?e j? estressada ?s oito e meia da manh? porque o p?o de rabanada havia esgotado na padaria. E d?-lhe abrir latinhas de leite condensado e eu a lamber todas. E os desenhos natalinos na sess?o da tarde, os especiais que todos os programas faziam, tudo era t?o “natal” que n?o tinha como n?o se deixar envolver pelo clima. At? hoje me lembro do desenho de um burrinho que passou na noite de um certo natal, t?o lindo que inundou a retina. E a anima??o de “Rudolph, a rena de nariz vermelho”, um cl?ssico da minha inf?ncia?

Ent?o comecei a notar que o Natal das fam?lias dos comerciais do peru Sadia e do pernil Perdig?o eram grandes, a ?rvore de Natal era enorme, a mesa farta, as crian?as impecavelmente vestidas tinham sorrisos pregados no rosto. Meu natal era, invariavelmente, representado pelos mesmos personagens: eu, meu pai e minha m?e. Nada de tios, priminhos, vov?s… Fam?lia desunida ? assim mesmo. E honestamente, melhor que assim fosse. A fam?lia do meu pai ? extremamente hip?crita, deus me livre de t?-los ? mesa. A da minha m?e ? pobre, nunca tive muito contato com eles, e nos raros encontros que tivemos sempre fui tratada como um “bicho raro”, o que muito me agoniava.

Depois minha m?e separou-se do meu pai e foi embora de casa num dia 23 de Dezembro. Eu estava assistindo a um programa vespertino, ela arrumava chorosa as poucas coisas que levou. Ao se despedir de mim, imersa em l?grimas e culpa, deixando claro que “a mam?e n?o est? te abandonando, filha, vou vir te ver quase todos os dias“, eu respondi com um tchau meio distra?do e sequer fui lev?-la no port?o. Na ?poca me pareceu normal, a atitude. Mas hoje vejo que foi estranh?ssimo esse meu desapego. Estrat?gia de prote??o? De qualquer forma, lamento muito por isso. Lamento por tanta coisa, m?e…

Um Natal feliz foi quando meus pais fizeram um buraco na cerca do jardim para dizer que havia sido o papai noel que havia aberto com um alicate, para poder passar com o tren?… Haha. E o mais bacana foi o circo que eles armaram uns dois dias antes, com meu pai reclamando que “algu?m havia roubado a caixa de ferramentas dele”; o que me causou enorme desgosto, porque eu sempre adorei brincar no meio dos martelos, pregos, parafusos e porcas… v? entender crian?a, v?. E na manh? de natal, junto com o meu presente (um boneco que tinha pipi, fazia pipi e vinha com um penico… Mas claro que eu amei, afinal, foi o que eu havia pedido), apareceu a caixa de volta, porque “papai noel ? honesto, pegou as ferramentas que precisava mas devolveu!”. Ai…

No ano seguinte eu briguei com uma coleguinha mais velha perto do Natal e ela, crente que ia me matar de tristeza, berrou a plenos pulm?es: “bobona, Papai Noel n?o existe!”. E eu, que sempre havia desconfiado mesmo quando acreditava piamente, apenas sorri e disse “eu j? sabia”.

Crian?a blas?…


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menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

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online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


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