may all your wishes come true.

i wish you health.
enough of wealth to live a good life.
may joys abound
and kind friends surround you
and bring you happiness.

e, além dos votos de saúde e felicidade de sempre, que em 2008 você não espere ser compreendido mais do que se esforça por compreender.

tolerância. eis o que o mundo necessita, em 2008 e sempre.

back from amsterdam + meme de ano novo

depressão sazonal pós natal.
porque é cruel ficar acumulando expectativas por um mês e meio e, no dia 26, olhar para os lados, ver as luzes sendo retiradas das janelas, os caminhões levando embora as barraquinhas dos mercados de natal, as sobras da ceia nas latas de lixo e se perguntar "mas é só isso? acabou??".

well, acabamos voltando para casa ontem à noite, ao invés de hoje pela manhã, como pretendido. estava frio demais, eu levei roupa de menos (pela primeira vez na vida) e o respectivo esqueceu de levar roupa de baixo - HAHA.

mas principalmente, creio ter escolhido a pior época do ano para visitar a holanda. no inverno, escurecendo às quatro, sensação térmica congelante devido à proximidade dos muitos canais, perdi pelo menos duas das maiores atrações da cidade: andar de bicicleta e admirar as tulipas. me sobrou admirar as "flores" do red light district (nunca vi tanta prostituta FEIA e mal encarada na vida... as "meninas" daqui de hannover são miss universe em comparação) e tecer o seguinte diálogo ao entrar numa "coffee shop":

LOLLA: oi, tem capuccino?
MOÇO: não. tem café preto e maconha.
LOLLA: ah, ok. então me vê um chiclete?
MOÇO (rindo): de maconha?
LOLLA: não... tutti frutti.
(d'oh)

tipo ALOW, eu sou turista e não sei que "coffee shop" é apelido para mercadinho de entorpecentes.
well, nem tanto. só a maconha é legal, e deve ser vendida e consumida dentro das coffee shops. os "charlie boys", negros altos e enrolados em casacos que ficam de pé nas ruas estreitas, oferecem drogas mais pesadas, mas estas são ilegais.

como eu havia dito, a luz estava horrível. o céu nublado e claro demais soterrou qualquer possibilidade de uma foto decente (assim como o respectivo, que confiscava a minha câmera de tempos em tempos, por medo de assalto). claro, há as "fotos padrão de turista" feitas nas lojas de tamancos, no red light district, nos canais, no esconderijo da anne frank (em tese é proibido usar câmera lá dentro, mas ninguém confiscou a minha), etc. mas as menos piores, coincidentemente, foram feitas à noite.


é oficial: eu quero morar numa casa-barco em algum canal de amsterdam.
mas só no verão.

e agora, seguindo a minha única tradição de fim de ano, a new year's survey:

+ o que você fez em 2007 que nunca fez antes?
mudei um animal de país.

+ Você manteve as resoluções de ano novo de 2007, e fará novas para 2008?
em geral eu evito fazer resoluções uma vez por ano (faço sempre que preciso). mas sim, eu sempre quero perder aqueles XX quilos, ficar menos tempo na internet, dar mais atenção à minha meia dúzia de amigos, aprender a fotografar, voltar a ter prazer em escrever um diário online, etc.

+ Alguma pessoa próxima teve um bebê?
não. o que é legal, porque significa menos uma pessoa deixando de falar comigo porque eu costumava dizer que não sou muito fã de criança.

+ Alguma pessoa próxima morreu?
também não. foi um ano relativamente escasso de nascimentos e mortes.

+ Que lugares você visitou?
dinamarca, suécia, finlândia, bélgica, frança, holanda, alemanha... fui bem de viagens, obrigada.

+ O que você gostaria de ter em 2008 que faltou em 2007?
um chuveiro que funcione.

+ Que data de 2007 vai ficar marcada em sua lembrança?
a chegada da chantilly.

+ Qual sua maior realização no ano?
ter conseguido trazer a miau para a alemanha e ter recebido o visto definitivo no meu passaporte.

+ Qual foi o seu maior fracasso?
ter sido obrigada a passar tanto tempo num lugar que não me faz feliz.

+ Você teve alguma doença?
além da obesidade mórbida e da falta de vergonha na cara, nenhuma.

+ Qual foi a melhor coisa que você comprou?
- leitor de cartões de memória (os cinco euros mais bem empregados da minha vida)
- minha lente f1/8 50mm

+ Que comportamento mereceu comemoração?
o meu. acho que, aos poucos, estou evoluindo.

+ Que comportamento foi deprimente?
repetindo a de 2003: o resto do mundo cabe numa só resposta?

+ Pra onde foi a maior parte do seu dinheiro?
gastos mal planejados e desnecessários. mas não reclamo; pelo menos eu tive o dinheiro para gastar mal.

+ O que te deixou realmente excitado:
a viagem para a escandinávia, talvez.

+ que canções sempre vão te lembrar de 2007?
boa: qualquer coisa do bat for lashes, kate nash, neko case, midlake, etc.
ruins: a umbrella da rihanna. ÊH, ÊH, ÊH.

+ Comparando-se com essa época, no ano passado, você está:
I. mais feliz ou mais triste? mais triste.
II. mais magro ou mais gordo? na mesma.
III. mais rico ou mais pobre? idem.

+ O que você queria ter feito mais?
explorado hannover a pé, fotografado, viajado sozinha, melhorado o meu inglês, lido mais, escrito melhor...

+ O que você queria ter feito menos?
ficar online. realmente.

+ Como vai passar o reveillon?
provavelmente nesse apartamento chato, mas farei de tudo para evitar esse destino.

+ você se apaixonou em 2007?
everyday. :)

+ Quantos ficantes?
só o fixo, thanks.

+ Qual foi seu programa de TV favorito?
aquele da mtv americana onde o pessoal filma os esportistas de fim-de-semana se fraturando todinhos. well, por essa resposta, você perceberá que eu ando MUITO sem opção por aqui. ou é mtv americana (ew), ou bbc world (eca) ou programa em alemão. wohoo.

+ Você odeia alguém hoje que não odiava há um ano?
repito a do ano passado: eu não odeio ninguém.

+ Você gosta de alguém hoje que odiava há um ano?
eu não odiava ninguém há um ano. mas há poucas pessoas novas na lista das que gosto.

+ Qual foi o melhor livro que você leu?
os travelling books do bill bryson. agradeço pelas risadas que foram a verdadeira trilha sonora do meu verão.

+ Qual foi a sua maior descoberta musical?
aprendi a gostar da kate nash apesar do sotaque, bat for lashes (a voz da natasha é linda e as melodias, assustadoramente lindas), midlake (tão flower power), e é só. acho. meu gosto musical é tão eclético quanto engessado. continuo preferindo o de sempre.

+ O que você quis e conseguiu?
chantilly.

+ O que você quis e não conseguiu?
pesar 55 quilos de novo.

+ O que voc? fez no seu aniversário?
fui comer roast lamb com o british boy e a sogra no country pub mais lindo de jersey.

+ O que teria feito o seu ano infinitamente melhor?
minha casa.

+ Como descreveria seu modo de se vestir em 2003?
sobretudos de lã (frio!), meias coloridas e botas. um estilo chique-mendiga de ser.

+ O que manteve a sua sanidade?
minha gata e meus hobbies.

+ Qual celebridade você mais admirou?
sei lá. a rainha da inglaterra.
sinceramente, espero que essa obsessão do planeta com celebridades medíocres dê uma boa arrefecida em 2008. fodam-se britneys, nicoles, lindsays e paris, fodam-se suas vidinhas, seus faux pas ensaiados e seus escândalos roteirizados, fodam-se os perez hiltons e superficials. vamos prestar mais atenção em quem nos rodeia e é, de fato, importante em nossas vidas. se é pra se espelhar em alguém, que seja em alguém com algum talento de verdade.

+ Qual episódio da política que te deixou mais puto?
a política não me deixa mais puta faz teeeempo.

+ De quem sentiu falta?
as pessoas que querem estar na minha vida, se esforçam para manter-se nela, mesmo com a distância. eu faço o mesmo. quem não se esforça não merece o meu esforço, tampouco a minha saudade.

+ Quem foi a pessoa mais legal que você conheceu?
reencontrei pessoas na internet, conheci as meninas do fórum de dolls, a alemãzinha anna aqui em hannover... não posso escolher uma só. :)

+ Diga uma lição valorosa que aprendeu em 2007:
são duas:
1. seja mais egoísta e pare de oferecer a outra face: você não é jesus cristo.
2. existe quem mereça a outra face. e uma mão estendida, nem que seja para levar um tapa também e acordar para a vida.

Merry Christmas

estamos em amsterdam!!
o tempo hoje estava nubladissimo, luz pessima, entao nenhuma das minhas fotos prestou.
mas andamos pela cidade, fizemos uma tour de barco pelos canais, visitamos a casa-museu-esconderijo da anne frank, comemos um english breakfast horrivel e comprei tamanquinhos de madeira minusculos.

passando por aqui para, mesmo sem acentos, desejar a todo mundo um FELIZ NATAL!
porque pode ate ser uma data cafona, consumista, hipocrita... mas qualquer data que nos traga a oportunidade de comer, beber, festejar (com ou sem presentes) e estar com as pessoas que realmente importam, merece ser celebrada - seja voce cristao or not. entao, pelo menos por hoje, aguente as musiquinhas bregas, nao reclame das rabanadas, ignore a tia chata perguntando "mas quando eh que voce vai casar, menina?" e agradeca por estar junto dos seus, por estar com saude, por estar vivo.

(e agradeca pela skol gelada. por favor)

e agora eu vou ali que tem um snowball delicioso me esperando.
ate breve!

blank pages for 2008.

2008 está aí e, se você ainda não comprou sua agenda/caderno de anotações/diário, ainda está em tempo.

quando eu era adolescente havia todo aquele frisson por escolher a agenda do ano, aquela que iríamos levar para a escola todos os dias e escrever ou colar em suas páginas todo o tipo de inutilidade bonitinha e/ou com valor sentimental. o papel da bala recebida das mãos do menino por quem estávamos in love, a notinha da loja onde havíamos comprado qualquer coisa "de marca" (ai ai... consumismo teenager, quem atira a primeira pedra?), fotos de artistas "gatos", poesias e letras de música, as figurinhas da moda, váááárias mentiras (destinadas àqueles que se apoderavam da agenda para ler sem a nossa permissão).

daqueles tempos para cá, agendas deixaram de ter papel (ops) fundamental na minha vida, mas continuo comprando uma nova todos os anos - é um ato quase simbólico: o ano novo não pode começar sem 365 páginas em branco à minha frente. mesmo que eu opte por não escrever nada nelas. como aliás acabo fazendo.

nesse espírito, fui fuçar o etsy (o melhor shopping virtual de artigos feitos à mão) atrás de uma agenda nova e pirei na variedade. adoro especialmente os handbound books, onde o artista não apenas encaderna, mas também recorta e costura as páginas. acabei me inspirando e, ao invés de comprar, resolvi que esse ano vou fazer a minha: comprei hoje papel cartão e tecido e vou encapar um caderno espiral com páginas quadriculadas. mas deixo aqui algumas das minhas preferidas do etsy, para inspirar os indecisos que ainda não compraram as suas (lembre-se que o dólar está baixo e a galera do etsy envia internacionalmente).

os dois cadernos abaixo são da loja artisam graham, que produz seus artigos inteiramente à mão, em couro, com páginas em papel acid free recortadas manualmente e fechos/detalhes em metal envelhecido. o pequenino aí embaixo dá pra levar na bolsa e esse fecho em estilo renascentista é um charme.



esse aqui é bem mais pesadão; 400 páginas, cheirinho de couro, 18x27cm, fivelas em níquel com detalhe em forma de nó celta. fiquei babando, mas como prefiro poder carregar na bolsa, o peso e o tamanho não ajudam. mas para usar em casa como diário é perfeito.



adorei esse pattern floral da loja pictures of lily (que aliás está cheia de idéias fofíssimas para etiquetas de presente, que até dá pra "copiar" em casa se a grana estiver curta).



também floral e lindo, esse diário/agenda da loja my handbound books:



este em couro vermelho com páginas multicoloridas:



ou em camurça rosa (adorei o detalhe do "fecho" de fitas e botões):



um dos meus preferidos, feitos pela kjersten anna hayes, que produz e tinge ela mesma o papel usado nas capas (a loja dela é uma perdição para os fãs de artigos de papelaria pouco convencionais):



e para quem gosta de colagens, vale conferir as idéias da paper silly:



e tem muito, muito mais aqui.

essas agendas/cadernos não vão custar R$19,90 (embora alguns custem só um pouco mais do que isso). mas têm qualidade, são únicos e você ainda ajuda um artista independente a continuar criando coisas bonitas, fora do esquema de produção em massa por crianças, ganhando meio centavo/hora em algum buraco nos cafundós da china.

stocking fillers, anyone?

ok, prada.
os chaveiros são bonitinhos (apesar de meio poluídos; eu tiraria pelo menos 80% das pedrinhas coloridas e paetês de cima dos coitados).
são até colecionáveis. e eu adoro chaveiros. e ursinhos.
e também a prada (embora eu não tenha nada de lá).



mas 75 libras?

enfim. tem também o pingente de celular.
minúsculo, é verdade. mas igualmente fofo.
e 30 libras mais barato.


papai noel, eu quero o vermelho.
thanks.

about the small things.

natal resolvido: vamos para amsterdam.
pensei na bavária, em praga, em salzburgo. deduzi que a holanda ficava mais perto e me traria menos stress. também houve uma viagem cancelada à amsterdam mês passado e eu achei melhor encerrar o ciclo. por um lado, o risco é passar o natal perambulando em uma cidade onde tudo estará fechado e vazio. por outro lado, tenho quase certeza de que isso fará o natal ficar ainda mais perfeito.

acho que vou para o inferno por ficar da janela observando criancinhas escorregando nas poças de água congelada na rua. e rindo, naturalmente. porque, se eu chorasse diante do infortúnio alheio, eu iria para o céu.
grade da varanda, essa manhã:



a verdade é que os alemães realmente sabem celebrar o natal.
descontadas as musiquinhas estilo jingle bells da mariah carey, george michael, dido e similares que começam a poluir o rádio nessa época do ano (alguém aí AINDA aguenta ouvir merry christmas do slade??), a atmosfera em geral é festiva, colorida e artesanal, sem ser cafona.

sabe aquelas "obras de arte" em matéria de decoração natalina que quase podem ser vistas do espaço? (exemplos aqui, aqui e aqui) ainda não vi nada parecido por essas bandas - nem na cidade, nem no campo. o que não quer dizer que não existam. já na inglaterra, aquele outrora comedido país, as luzes natalinas coloridas se propagam a ponto de trazer ameaça de curto circuito para os moradores e cegueira noturna aos passantes. na terra de lilibeth, o bom gosto parece ter saído pela mesma chaminé onde o papai noel entrou.

o corners of my home é um dos meus grupos preferidos do flickr. "um lugar para compartilhar os cantinhos preferidos do seu lar, aqueles que verdadeiramente fazem você sentir algo - alegria, paz, o que seja." tenho vários assim em casa, apesar de haver ainda tanto por se fazer. aqui em hannover... bem, para início de conversa, esse não é o "meu lar". por mais que eu esteja passando aqui dias, semanas, meses a fio, aindo sinto esse espaço como temporário. talvez por isso eu goste tanto de me cercar de pequenas coisas que, além de trazer um pouco de luz, calor e cor para essa paisagem cinza, trazem um pouco do meu lar de verdade para onde quer que eu olhe e vá.















mercado de natal de celle.

a festa do velho noel está aí e ainda não discuti o assunto com o respectivo.
medo de passar a data enfiada em casa, sem absolutamente nada na geladeira para comer, por pura falta de planejamento.

admito que não estava animada com a idéia de passar o natal nesse apartamento. aliás, não estou. do jeito que esse povo simplesmente não acredita no conceito de CORTINAS, é capaz de eu saber exatamente TUDO o que os vizinhos estarão comendo na ceia do dia 24. e eles sabendo exatamente tudo o que eu NÃO estarei comendo, caso não tome vergonha na cara e OU encare as filas já quilométricas nos supermercados OU arrume um canto onde me enfiar e fugir desse "natal coletivo de janela".

às vezes os casacos não vencem a luta com o frio.
o jeito é tremer com estilo, beber mulled wine e eierpunsch (o equivalente alemão do eggnogg).

e, claro, andar beeem rápido.
brrrrrrr.









perdas e ganhos.

por duas noites seguidas tenho frequentado a zona do "baixo meretrício" de hannover, atrás de cerveja barata, diversão de "catiguria" (ver a baba escorrer do canto da boca da gringada assistindo meninas do leste europeu rodopiar em mesas giratórias, o equivalente humano de cachorros babando diante dos fornos de galeto nas padarias) e encontrar a anna e seus amigos submundo. gente incrivelmente boa, engraçada, zero de afetação. como eu disse antes,é? reconfortante conversar com pessoas que não falam um inglês perfeito. porque eu acho que o meu inglês é uma porcaria e prefiro não me arriscar com native speakers.

eu sei, é uma tática furada. forçar o meu inglês mixuruca (nunca pisei num curso) para fora da zona de conforto "marido-sogra-moças-da-cornershop" faria um bem enorme à minha fluência. maaas deixo o projeto para quando eu estiver de volta ao lar. por ora, vou ali beber gilde ratskeller e resolver outros problemas maiores. a seguir:

os big bosses do departamento de agricultura de jersey não engoliram a minha retórica.
como o veterinário imbecil perdeu a amostra de sangue coletada da chantilly há 5 meses, a gata vai ter mesmo que ficar por essas bandas até abril/maio. mesmo tendo sido testada DUAS vezes contra a raiva e por DUAS vezes ter obtido resultado satisfatório. a gata fica, e nós idem. não poderíamos, na verdade. mas ficaremos.

vamos também escrever uma carta como última tentativa, mas estou pra lá de pessimista.
a previsão é de mais 4-5 meses de inverno escuro, uma gata entediada e eu me transformando numa obesa mórbida por falta de exercício.

em retaliação, me matricularei de novo na academia, comprarei todos os kits de modelling possíveis e terei minha village em miniatura escala 1:87. até o presente momento tenho cinco casinhas montadas, quatro carros, uma igreja e a estação de trem. falta todo o resto, mas eu chego lá - fotos em breve (passei boas horas felizes colando partes e getting high com o cheiro da cola). e vou ampliar a dollhouse com uma extensão, garagem e jardim. também pretendo sacudir a preguiça desse corpo e visitar as amiguinhas que se espalham pela europa. tudo isso para deixar meu cérebro ocupado nesse inverno gélido e escuro, e minhas mãos longe da geladeira. hei de conseguir.

e, como não vai dar pra decorar meu cafofo em jersey em 2007 como pretendido, resta-me assinar a house beautiful e babar na casa dos outros:






mais um scrap escrotinho no orkut. provavelmente da mesma pessoa (apesar do perfil fake ser outro). tenho quase certeza que a alma penada saiu de uma dessas comunidades "brasileiros na inglaterra" (das quais por um ato falho da natureza eu ainda faço parte, mesmo que não frequente há milênios), povoadas por patricinhas e playboys, revoltados por não serem tratados no exterior como as princesas e príncipes que acreditavam ser no brasil. porque no brasil, todos sabem, basta ter fenótipo nórdico, morar bem e dinheiro no bolso (mesmo que seja o do papai) para que tapetes se estendam.

mas eu sou uma pessoa empática. compreendo que, aos 20 anos de idade, descobrir que pratos de bife e batata frita não brotam da geladeira e que comida precisa ser comprada no supermercado, paga, descascada, cozida e preparada antes de comer, e que - o horror! - pratos devem ser lavados depois... deve ser um trauma e tanto. o bastante para que essas pessoas que, por talvez estarem infelizes, queiram puxar todo mundo pro lodo, também. a desgraça gosta de companhia, fato.

o meu conselho (sem ironia alguma) é apenas um: se a barra está assim tão pesada, talvez seja o caso de vender a tv de plasma comprada com o dinheiro dos "porcos colonialistas" e comprar uma passagem. a british airways oferece três vôos semanais de volta para o eldorado.
fuck off and be merry. :)

vou ali me deletar de umas comunidades e beber mais cerveja.

we're all in this together

um scrap de mau gosto recebido no orkut (onde mais poderia ser?) me fez concluir: o pessoal podia ir parando com essa teoria triste de que todo mundo é obrigado a amar profundamente o lugar onde nasceu.

eu não "amo" lugar nenhum. no máximo, gosto de jersey - mas jersey também está cheia de problemas (para mim, pelo menos), tanto quanto o rio de janeiro, a inglaterra e a alemanha. cada um desses lugares sempre terá atrativos e dificuldades que não encontrarei nos outros, o que soterra qualquer expectativa de "lugar perfeito". o que é ótimo: existisse mesmo essa terra prometida, todos iriam querer viver lá, e todo mundo sabe que lugar lotado não presta.

acho possível que alguém que tenha nascido e vivido no brasil não se identifique com as particularidades do país, não goste de verão, de samba, de "calor humano". acho perfeitamente aceitável que essa pessoa emigre, decida que o país de destino seja, para ELA, melhor do que o país de origem e sinta-se livre para declarar isso, sem ser taxada de "deslumbrada", "traidora", "esnobe", "maria passaporte", entre outros.

o fato é que, em termos absolutos e até o presente momento, não acho país algum melhor do que o brasil, tampouco acho o brasil melhor do que país algum.

pessoas são pessoas, não árvores. não temos "raízes" funcionais; se existem, elas são psicológicas. o nosso "lar" é onde nos sentimos em casa num dado momento, e esse lar pode mudar, pode ser um, pode ser vários. pode até ser nenhum. e não "temos um país"; nascemos onde nascemos por uma escolha aleatória do destino. é claro que ter nascido onde nasci moldou a minha personalidade, mas isso não me obriga a pregar um letreiro com a palavra BRASILEIRA em neon piscante na testa. eu sou EU, antes de qualquer nacionalidade. e humildemente acredito que ser receptiva a outras culturas, aprender a amar certos aspectos e a detestar outros (ainda que venha a detestar a maioria) assim como amava e detestava no brasil, só enriquece a experiência.

respeitadas as leis, eu prefiro esquecer fronteiras e ver meus semelhantes como seres humanos, completos em si mesmos sem a necessidade de ser isso ou aquilo.

vamos parar com essa palhaçada de ficar dividindo o mundo em "times", em "facções" opostas.
o muro da foto abaixo já caiu faz tempo. não precisamos erguer outros.


british boy @ berlin wall, 2007

então é (quase) natal.

eu juro. se encontrar mais alguma porcaria, na internet ou nas vitrines, clamando conter cristais swarovski, eu vou gritar.

também queria entender qual é a do rebuliço em torno do bagulho. me lembro de uma certa menininha que anunciava aos quatro ventos o fato de que seus brincos tinham "cristais swarovski autênticos". me pergunto por que diabos ela agia como se tivesse um diamante pendurado na orelha quando, na verdade, os "cristais swarovski" não passam de pedaços de vidro superfaturados. poupe-me.

estamos quase na metade de dezembro e pelos blogs já rolam posts sobre o natal. eu adoro as festas de fim de ano. mesmo quando eu era pequena e minha mãe me costurava dois figurinos cafonas dos anos 80, um para o natal, e outro para o ano novo. nunca descobri a necessidade de ter "roupa nova" para essas ocasiões, já que eu quase sempre ficava em casa, enchendo o bucho diante de uma mesa cheia de comida com meu pai, enquanto mamãe se enfiava na festa familiar da casa em frente à nossa.

adoro as luzes de natal. a felicidade simples de avistar, lá pelo final de novembro, a primeira janela enfeitada do ano, com os "pisca-piscas" comprados nas lojas americanas. a onipresença do papai noel nos anúncios de tv e outdoors. a classe "C" se deslocando para fuçar as prateleiras das lojas de 1,99 na rua da alfândega. remoer a dívida: fazer o tradicional peru ou inovar e assar um pernil? (e acabar, invariavelmente, fazendo o peru de novo) shoppings lotados (mesmo que eu não aprove o consumismo, adoro o furdunço). especiais cafonas de fim de ano. panetone, castanhas e bacalhau nos supermercados. o cheiro das rabanadas assando. encher o saco da mãe para, mais uma vez, fazer um pudim de leite. decorar a árvore fora da fórmula "20 bolas vermelhas + pisca pisca multicolorido + 3 tipos de enfeites, 5 de cada" (na minha árvore eu penduro pequenas coisas que gosto, como brinquedos, conchinhas da praia de rozel, os items mais vistosos da minha coleção de botões, souvenirs brega de viagem que trago ou ganho do british boy...). expectativa.

a parte chata são os filmes natalinos contemporâneos, carregados daquela glicose norte americana e de criancinhas chatinhas que "não deixam a magia natalina morrer". por mim a magia pode ficar, mas os diretores/roteiristas que apelam pra esses clichezões xaroposos podem morrer ontem. dessa leva eu acho que só Home Alone se salva. :)

os alemães são conhecidos por celebrar o natal com estilo. aqui a comilança rola na noite do dia 24 (como no brasil), e não no dia 25 como na inglaterra, por exemplo. foi aqui que nasceram os mercados natalinos (weihnachtsmarkt), que se espalham pelas cidades vendendo comida, bebida (principalmente cerveja e gluhwein, um vinho quente com açúcar e especiarias), bolos como típico stollen alemão, meias, gorros, cachecóis e luvas de lã, e toda a sorte de objetos de decoração de natal, alguns tradicionalmente esculpidos em madeira. achei essa foto no yvestown:



é uma típica "pirâmide de natal" alemã. quando se acendem as velas da base, o calor da chama ativa as hélices no topo (lembram-se das aulas de física? ar quente sobe, ar frio desce, etc) e toda a cena natalina começa a girar, iluminada pelas velinhas. em uma palavra: adorável. os tamanhos, modelos e cenas variam muito, de acordo com a habilidade e criatividade do escultor (os preços também variam muito, claro). o ebay tem vários modelos lindos.

eu tenho algo parecido; não é uma pirâmide, não é alemão, nem é de madeira, mas o mecanismo é o mesmo. comprei na gift shop do museu skansen de estocolmo: quando as velas se acendem, os anjinhos giram e tocam nos sininhos da base. o som resultante é tão simples quanto mágico. apesar de o meu candle chime ser igualzinho, a foto abaixo não é minha (ainda não fotografei o meu); encontrei-a num site de artigos escandinavos chamado ingebretsen's, onde o kit custa menos de 30 reais:



enfim, tenho visitado vários mercados natalinos, comido e bebido (principalmente cerveja e porco assado, hehe), mas não compro nada. tudo é muito bonitinho, pitoresco e adorável, mas se eu for pôr na sacola tudo o que cai nessa categoria, vou falir em meia hora, minha casa vai se encher (ainda mais) de entulhos e se transformar num "museu de tralhas do mundo".

porém, sábado passado, no mercado de natal de potsdamer platz em berlin, eu não pude resistir:


oi, eu tenho 10 anos e essa é a minha casa de bonecas.
tá legal, eu confesso: essa é mais uma.

hm. talvez aquela idéia de "museu de tralhas do mundo" nem seja tão má. :)

aleatórias mau humoradas.

apelando para a aleatoriedade, porque eu até queria postar fotos e etcetera mas a preguiça das segundas feiras me vence.

0. então uma foto que fiz no hotel marriott de copenhagen foi escolhida para ilustrar o guia turístico online schmapp. no início eu não entendi muito bem a escolha (uma foto dentro de um quarto de hotel, num guia turístico?). mas acho que, apesar de não muito clara, a imagem mostra bem o quarto e deve servir para orientar turistas. whatever.

1. então me parece que uma das coisas mais legais de se fazer em berlin é falar mal de comunista. e viajar em pleno inverno pela europa não é a melhor das idéias; não por causa do frio, e sim porque às quatro e meia da tarde já é noite. ok, sobram os museus... ou ficar sob chuva fotografando a pequena mal humorada aí embaixo.



2. ouço pela web na rádio brasileira: "o rio tem uma linda manhã de sol, 32 graus na urca" e dou graças a deus por NÃO estar lá. vejo minha pele tão melhor, mais uniforme, menos oleosa. não sinto a menor saudade do verão carioca. odeio praia, marca de biquíni, água salgada e tenho trauma de biscoitos globo. dilema: se eu deixar para ir ao brasil no inverno de lá, perco semanas preciosas do veranico daqui.

3. acho a maior graça dos falsos sociáveis. são pura insegurança mas, é claro, "são tão mais legais que você". vou ali pegar uma pipoca e assistir.

4. a gente acredita na foto e acha que está magra até chegar o famigerado inchaço pré maré vermelha. faltam-me palavras para expressar o nojo. difícil resistir à tentação de fazer uma farofa com os órgãos internos do meu aparelho reprodutor e dá-la aos cachorros que eu nem tenho.

5. tive um sonho bizarro/hilário há algumas noites atrás. envolve morte e terminologia condizente - se você estiver sensível ou simplesmente não curte o assunto, favor pular os próximos parágrafos.

eu trabalhava numa morgue e era responsável por embalsamar ou, no mínimo, dar uma ajeitada nos corpos. só que não havia material nenhum. líquidos, instrumentos, nada. todos os dias eu preenchia listas de requisição, entregava para as enfermeiras mas não recebia nem o pedido, nem justificativas. e eu estava meio que pirando porque todos os dias chegava mais gente morta e eu não conseguia despachar ninguém. a morgue estava lotando, o cheiro estava ficando complicado e, para tentar preservar a galera, eu colocava todo mundo em um armário de vidro (não pergunte). um dos corpos estava começando a mumificar, inclusive (!). então eu me dei conta de que um dos mortos era o hugh grant(!!). resolvi me aproveitar do fato e escrevi para todos os jornais e revistas/sites de celebrity tentando atrair a atenção da mídia para o meu problema. porque era um absurdo, o hugh grant era um astro, o que os fãs iriam pensar, etc. e, mesmo assim, nada.

uma certa manhã estava eu sentada na morgue, fazendo companhia à múmia e observando o hugh grant se liquefazer quando tive O estalo: "já sei! vou escrever pro michael jackson! ele sim sabe como é estar morto...". de novo, não pergunte. mandei a carta e, no mesmo dia, chegaram para mim caixas e mais caixas de material. fiquei felicíssima e o hospital idem, já que o cheiro estava invadindo os outros andares (por que então eles não me ajudaram quando pedi, não faço idéia).

enfim. welcome to my dreams. porque "sonhar com os anjos" é clichê demais para o meu subconsciente com aspirações cinematográficas.

these boots were made for walking

eu sei que é notícia velha, e tal. mas "desinformada" é meu nome do meio e eu não nego.
então, só hoje eu fui ver a campanha polêmica que a saatchi and saatchi criou para a doc martens:



kurt cobain, joey ramone, sid vicious e joe strummer, roqueiros que já passaram desta para uma melhor (?), posando no céu (será que eles foram para lá mesmo??) na forma de anjinhos e... usando doc martens. o slogan da campanha é "doc martens. forever" e eu tipo achei GENIAL. apesar de não me lembrar de ter visto uma foto do mr. cobain usando as famosas botinas pretas. nem o joey, que se amarrava mesmo era num converse.

incoerências à parte, achei a idéia da campanha interessante. mas pelo visto ela foi lançada antes de ser oficialmente aprovada e, antes mesmo que a empresa tivesse pedido permissão às famílias dos falecidos ilustres, os anúncios já estavam rodando londres na traseira dos ônibus. mancada tremenda. a ex-senhora-cobain foi a primeira a chiar (como eu esperava), seguida pelos "fãs" (que, a meu ver, não tem cacetes a ver com isso). resultado: a doc martens teve que se desculpar da micagem publicamente e, para tentar tirar a reputação do esgoto, chutou a bunda da saatchi e saatchi. uia. levar um chute de doc martens deve doer, hein.

enfim, não sei da missa um terço e nem quem está com a razão (a empresa? a agência? os fãs? a viúva porra-louca que adora uma chance de se promover? o que vocês acham?), só achei a idéia boa e é uma pena que tenha sido mal executada, pensada e engavetada.

polêmicas à parte, declaro meu undying love pelas históricas botinas, criadas durante a segunda guerra por um médico alemão (dr klaus maertens), patenteadas por um inglês, usadas por trabalhadores e adotadas pelos punks. desde às falsificadas que usei na adolescência, à primeira original, que comprei numa lojinha alternativa em são paulo até as que uso atualmente. outro dia, passeando na alt stadt (cidade antiga) de hannover, me deparo com um exemplar florido numa vitrine de loja, bastante parecido com o exemplar abaixo à esquerda (porém em cores mais vibrantes):
fui procurar uma foto para postar aqui e o google, como sempre, me vomitou 9273622 resultados que declarariam minha falência em meia hora:
os clássicos: entre eles, esse amarelão com o logo na lateral. eu tive um falsificado, na cor verde limão. saudades...
o roxo já vi à venda em camdem, e sou louca por esse com a estampa da union flag (bandeira do reino unido), pena que só encontro em tamanho masculino, way too big para os meus pezinhos:

esse à esquerda parece um modelo clássico customizado com um aplique de renda... e o rosinha é feito de nobuk, awww.



e por falar em renda...


versões bem femininas... essa da esquerda é um apavoramento de linda:



quero muito e quero agora:



à esquerda, meio goth-chic, veludo + fitas de cetim. pense em french boudoir + elegant gothic lolita.



e nem só de botas vive o homem! ou as meninas... as maryjanes da marca são super confortáveis e bonitinhas. claro que a sola parece "ortopédica", mas não se pode ter tudo na vida.





o par da esquerda eu dispenso. tenho birra de animal print. sei lá, trauma de perua. o da direita parece ser feito de couro molinho, hmm.



estes são creepers, adorei; e o detalhe de caveirinhas na palminha? love-ove.



adoro sapato estilo "brogue" bicolores (tirem da cabeça a imagem de jogadores de golfe, please). são super charmosos, para meninos E meninas. :)


essa maryjane/sapatilha deve ser o ápice do conforto. quero uma de cada cor.


ok, parei, prometo. :)
mas há zilhões de modelos adoráveis na internet (e nessa loja). também rola esse site onde havia um concurso onde o internauta fazia o design do seu próprio doc; a galeria está repleta de idéias interessantes.

é claro que doc martens não são para todo mundo. quem tem um estilo mais clássico ou fashion victim certamente vai ter dificuldade em incorporar um sapato pesadão e "pouco feminino" ao guarda-roupa. eu sou aquela que as pessoas chamam de "exótica" na rua (ou mal vestida/lésbica, para padrões brasileiros, onde exibir carne e subir no salto mais alto possível é sinônimo de "feminilidade"; pra mim é sinônimo de conformismo e aceitação de estereótipos sexuais, mas não vamos entrar nessa discussão, sim?). eu gosto de conforto, de roupas coloridas, de não ser, obrigatoriamente, igual a todo mundo - mas sem forçar a barra para ser "diferente".

enfim. eu sou apenas eu. e visto/calço somente o que amo.
seja uma gaucho dior ou uma camiseta da emily the strange.

my babies: