a verdadeira bruxa...

sou eu.
amanheci o dia grudada à vassoura novinha que o respectivo trouxe de presente ontem à noite. ele não é um amor??

well, não. dar uma vassoura de presente à sua esposa é uma mancada tão passível de enforcamento quanto comprar para ela uma esteira de ginástica. e ele cometeu os dois crimes.
só escapa da pena capital porque, nas duas vezes, fui eu quem pediu.

eu já disse que detesto serviços domésticos? pois eu detesto serviços domésticos.
lava-louças, máquina de lavar (e secar) roupa aliviam em muito o fardo, é verdade. mas o que seria de mim sem a minha querida maria, a portuguesinha que, todas as sextas, vem à nossa casa por duas horas e, além de passar a roupa (prefiro promover uma sessão de leitura dos versos satânicos numa mesquita afegã do que passar dez minutos digladiando-me com uma tábua de passar), também ajuda na limpeza? ô, que saudade da maria!!

mas enfim. uma das várias coisas que amo lá em casa é o fato de ela ter sido projetadapara dar o menor trabalho possível:

nos banheiros, tinta nas paredes. azulejo, só quando necessário (ou seja, dentro do box). no chão dos banheiros, piso de vinil. sem ranhuras onde sujeirinhas se escondam, cresçam, multipliquem, desenvolvam inteligência e passem a brigar comigo pelo controle remoto e exigir queijo brie no café da manhã. basta passar um pano molhado duas vezes por mês e pronto.

na cozinha, nada de azulejos, também. as bancadas são de madeira (ao invés de mármore ou aço) e eu passei danish oil por cima: não mancha, não fica "fosco", marcas de dedo ou água escorrida não aparecem. cozinhamos numa AGA, ou seja, facílima de limpar (e ainda deixa a cozinha quentinha no inverno). nada de "grades" de fogão pra limpar também, já que o único fogão propriamente dito na casa é elétrico. nenhum dos armários da cozinha têm um "embaixo" ou "em cima". ou seja, nada de subir em banquinho para tirar teias de aranha e três metros de poeira de cima de armários, nem grudar o meu lindo umbigo no chão para limpar podreira debaixo dos ditos cujos.

na sala não existem tapetes. detesto tapetes, carpetes e similares, só servem para acumular pó e manchas que vão exigir a operação especial "lavagem de tapete". só um pequenino de pele de ovelha, bem fofinho, em frente à lareira - cuja utilidade é mais funcional que decorativa: serve para absorver eventuais fagulhas e evitar que a casa pegue fogo. o chão é de madeira, ou seja, fácil de limpar, também.

nos quartos... bem, foi a única concessão que fiz. aceitei carpetes no nosso quarto e no quarto vago onde ficam as nossas roupas (mas detesto passar aspirador de pó, detesto, detesto). "ah, mas o chão fica quentinho", diz ele. puá! nesse hemisfério, no inverno, NADA fica quentinho. as verdadeiras soluções para evitar pés congelados são meias de lã (mais barato) ou aquecimento central por baixo do piso (caro, mas delicioso). mas nos outros quartos é piso de madeira e acabou-se.

já aqui eu me conformo com a sina de bancar a bruxa em pleno halloween e me dependurar na vassoura. porque nessa gaiola tudo parece ter sido milimetricamente planejado para dar o maior trabalho possível. ÓDEO.

Boot car

eu publiquei essa história há dois meses atrás no livejournal, quando voltei de férias.
como acabei resolvendo fechar o livejournal com senha, a história não está mais disponível, e eu achei uma pena porque gosto muito dela. eis a razão para que ela esteja fazendo uma segunda aparição (me perdoem os que já leram).

No final dos anos 60, um menininho inglês passava as férias escolares com a família na Europa. Seus pais estavam a caminho do pier de Estocolmo, de onde embarcariam para a Finlândia (ou seja, um trajeto bastante similar ao que eu mesma fiz). Os olhos do menino percorrem a paisagem plana e monótona da escandinávia e, no bolso da jaqueta, como sempre, seu carrinho de brinquedo favorito, companhia constante de viagens que ele carinhosamente chama "boot car" (porque se podia abrir o "boot", o porta-malas na parte de trás).

Numa dessas paradas para café e xixi, o menino esquece o carrinho querido num banheiro qualquer de beira de estrada. Infelizmente todos estão atrasados para pegar o barco e não podem voltar para procurar. Uma semana e muitas lágrimas depois, a família já de volta à Suécia retorna ao mesmo restaurante mas, como era de se esperar, ninguém sabe do carrinho. Não está mais lá. Certamente perdido para sempre. Mas não da memória; mesmo com o passar dos muitos anos, o menininho nunca esquece o seu Boot Car. Mais tarde tenta comprar um parecido, mas a empresa, Corgi Toys, não existe mais.

Quase 40 anos depois, ele está novamente de férias na Suécia. Sua esposa, viciada em tralhas, é atraída pela vitrine de um legítimo bric-a-brac europeu. A loja é uma bagunça formidável, não se encontra nada que não esteja coberto por pelo menos dois centímetro de poeira antiga, nada tem preço e tudo se encontra amontoado em pilhas pelos cantos. Por todo o lado há resquícios de antigas repúblicas socialistas, miniaturas de bustos de lênim, bandeiras da antiga União Soviética. Um velho sentando no fundo da loja a olha com uma cara de pouquíssimos amigos e ela, intimidada, resolve sair de fininho. Ele, que havia ficado do lado de fora fotografando prédios, vem em sua direção e os dois param em frente à vitrine enquanto ela reclama da antipatia do vendedor.

É quando ele aponta para algo no fundo da vitrine.


Yep, happy endings não acontecem só no cinema.
(o carro foi entregue embalado num guardanapo do... McDonalds. Sim, Mr. Antipatia - muy socialista de sua parte...)

Mas isso não importa.
O que importa: Boot Car voltou para casa.

Bergen-Belsen

"Bergen-Belsen, por vezes chamado apenas de Belsen, foi um campo de concentração alemão da era nazista. Localizava-se no atual estado alemão da Baixa Saxônia, a sudoeste da cidade de Bergen, próximo de Celle.

Entrou em funcionamento em 1940 como campo para prisioneiros de guerra. Depois de 1941, cerca de 20.000 soldados soviéticos foram torturados e mortos no campo. Mais tarde, em 1942, Bergen-Belsen tornou-se um campo de concentração; as SS tomaram o comando em Abril de 1943.

Não havia câmaras de gás em Bergen-Belsen, uma vez que os assassinatos em massa deveriam ocorrer nos Campos de Extermínio (Vernichtungslager) do Leste Europeu; no entanto, milhares de judeus, homossexuais e ciganos foram ali torturados ou morreram de fome. Em 1945 os prisioneiros de outros campos foram levados para as linhas de frente, uma vez que os soviéticos avançavam.

Em condições de superlotamento, de doença e mal nutrição, houve muitas mortes. Foram cavadas grandes valas. Quando as tropas britânicas libertaram o campo em 15 de Abril de 1945, eles encontraram milhares de cadáveres por enterrar.

Grande parte de Bergen-Belsen foi destruída após a libertação, com receio de tifo e dos piolhos.

Cerca de 70.000 pessoas morreram em Bergen-Belsen. Entre elas conta-se Anne Frank e a sua irmã Margot, que morreram ali em Março de 1945.

Hoje, o campo está aberto ao público, e contém um centro de visitantes e uma "Casa do Silêncio" para reflexão. Foi construído um grande obelisco."
(fonte)

algumas fotos que fiz durante a visita:

felicidades de bolso

porque várias-pequenas-coisas-legais são tão (ou mais) bacanas quanto uma-grande-coisa-legal.

um "tapete aéreo" de nuvens visto da janela do avião.



ganhar brinquedos novos:




a bolsa da herzallerliebst que me dei de presente.



o dia iluminado que faz hoje (só porque reclamei na sexta) e levar o percival para tomar sol na varanda.



ontem foi o último sábado antes do halloween.
as lojas desesperadas para vender o resto do estoque de caveiras de plástico, gatos pretos de pelúcia, teias de aranha fake e lanterninhas de abóbora made in china.
no extrablatt, onde entrei para esquentar meus dedos em volta de uma xícara do melhor capuccino da cidade, as garçonetes loiríssimas e chiquérrimas montavam aquelas pulseirinhas com líquido fluorescente colorido dentro para dar de brinde aos clientes. fui embora antes que minha vez chegasse.

eu acho halloween terrivelmente brega. mais uma das várias cafonices que a europa importou dos americanos. por sorte a coisa aqui acontece numa intensidade infinitamente menor do que lá. no fundo acho que apenas as lojas insistem - a maioria das pessoas não está nem aí para esse terrorzinho fantasia. afinal, já temos tantas bruxas de carne-e-osso com que lidar na vida... acho que não precisamos das imaginárias.

(mas eu confesso: adoro fazer a cara do jack numa abóbora bem grande)

e, como domingo é dia de feira:

"are you going to scarborough fair?
parsley, sage, rosemary and thyme
remember me to one who lives there
she once was a true love of mine."

versão da hayley westenra
versão da sarah brightman
a original, simon & garfunkel (minha preferida)

suicidal tendencies or cupcakes

é a escuridão do inverno, e não o frio, que faz com que tanta gente se mate na escandinávia.
eu nem estou exatamente lá, o inverno ainda nem começou, mas já estou olhando com segundas intenções pra janela.

é mais ou menos assim: você acorda cedo, coça o traseiro, olha pela janela e pensa "hm, tá escuro ainda, seis horas da manhã" e volta a cair no travesseiro.

dali a duas horas você acorda pra valer (ou não), pula da cama (ou não...), olha pela janela e pensa "tá meio escuro ainda, oito da manhã" e vai lavar a remela do olho. ou não.

passa-se a manhã, você no trabalho ou em casa curtindo um tanque ou, no meu caso, coçando o traseiro (de novo) e, de repente, seus olhos vão parar na janela. "putz, meio dia!! essa porcaria de dia não vai clarear não??" e vai arrumar alguma coisa pra comer.

no meio da tarde, você já pirando pra sair do trabalho ou, no meu caso, já pensando na janta, dá de cara com a maldita janela de novo. você NEM SABE porque ela está ali, já que luz mesmo não entra nem a pau. "vem cá, vai ser seis horas da manhã o dia todo???" sim, vai. e você sabe disso. só reclama por força do hábito. ou porque a alternativa seria usar a janela para outros fins, ou seja, atirar-se dela.

e, antes que a tarde comece a terminar, algum filhodamãe lá em cima mete o dedo no interruptor e pronto, fez-se as trevas.
ou seja, o dia inteiro você olha pela janela e... são seis horas da manhã. até escurecer de vez e virar meia noite.

a solução? relaxar, ver dvds, escaldar-se na banheira, encher o traseiro de comida (antes gorda que suicida, né?), pensar no lado bom do outono/inverno (árvores coloridas, neve, sair de gorro de lã, sobretudo e luvas coloridas para beber vinho quente com especiarias, natal, etc) e lembrar que, se eu estivesse no brasil, a essa hora estaria reclamando feito louca do calor maldito e berrando a quem quisesse ouvir que "o inferno é aqui e agora!"

porque eu desonro a minha heritage ao confessar que detesto calor, sol quente demais, praia cheia de farofeiros e marombadinhas de biquini, marombadões jogando futevôlei, ônibus lotado na hora do rush fedendo a cecê acumulado e toda essas idiossincrasias do paraíso tropical. sinceramente, depressão sazonal só me pega em janeiro no brasil.

fiz até uns muffins/cupcakes, olha só que prendada.


descontando-se o fato que quebrei o dedão do pé quando um muffin caiu em cima dele, até que ficaram bonitinhos, não? por favor, relevem minha falta de talento em decorá-los. eu comi metade da decoração enquanto esperava os bolos assarem, e acabei ficando meio sem opção, sabe.

ah, e essa "luz" na foto não tem na-da de natural. gastei uma hora fazendo os bolinhos e quatro horas no photoshop a fim de que vocês conseguissem ver alguma coisa (sim, eu amo os meus amigos tanto assim).




esses são os "sapatos" de couro (para usar em casa, diga-se) que eu encontrei na nanu nana por 4 euros e estão salvando meus pés do frostbite. sim, feios até dizer chega, mas dedos azuis também não são stylish, baby.

one of those days...

hoje está impossível, realmente.
consegui pôr fogo numa panela onde boiavam frikadellers. esqueci no fogão por, tipo, DEZ SEGUNDOS. quando me virei, o espetáculo pirotécnico era lindo - as labaredas já estavam quase no teto.

fiquei tentada a ir buscar a câmera e fazer uma foto, mas o instinto de sobrevivência falou mais alto e, ao invés de câmera, peguei um balde d'água e arremessei em cima de tudo. água, óleo e bolinhos de carne se espalharam pelo chão da cozinha feito crianças pelo pátio quando toca a sineta do recreio.

fora que PICOTEI meu journal de colagens em mil pedaços porque há milênios não saía absolutamente na-da que prestasse dali, o que vinha me deixando chateada (dói admitir falta de talento, sabe). pensei até em pôr fogo em tudo, porque esses rituais de queima e destruição me purificam e acalmam. mas aí me lembrei de que estou num apartamento e que... bem, chega de chamas por hoje, né??

enfim... é chegado o momento de assumir a minha condição: sofro do "mal de multitarefas".
quero fazer mil coisas, testar mil coisas, começar mil coisas, e nunca termino uma para começar a outra. resultado: ansiedade, falta de paciência e mil coisas terminando em mil pedacinhos beeeeem pequenos dentro da minha lixeira.
ou mil bolinhos de carne espalhados pelo chão da cozinha.

e, antes que eu resolva cortar meu pescoço em mil lugares diferentes, vou parar tudo, respirar fundo, fazer uma xícara bem grande e alta de chocolate quente com cointreau e tentar me lembrar, só por hoje, que nem sempre QUERER fazer mil coisas significa TER que fazê-las.

posso, por exemplo, apenas admirar o talento alheio:


ímãs de geladeira feitos de papel washi colado em cima de pastilhinhas recicladas de scrabble:


fala sério - até o estojo é lindo.

para terminar, uma leitura calma e uma idéia inspiradora (estou mesmo precisando, hoje): 3 for 365, um blog onde julia, a autora se propõe a registrar, todos os dias, pelo menos três coisas boas. "não importa o quanto o dia tenha sido ruim - e sim, em alguns dias é realmente complicado! - eu irei documentar algo de bom. um exercício de pensamento positivo pessoal", diz ela.

se eu escrevesse um blog assim, hoje o meu saldo iria ficar no vermelho... ou não. afinal, achei essas coisas lindas no etsy, o blog da julia e agora vou fazer minha xícara de choc... MEU DEUS! ESQUECI DE DESLIGAR O FOGO!!!

*cheiro de leite queimado*
*suspiro*

grateful.

porque ontem eu fui dormir pensativa e um pouco triste.
porque existem certas coisas, imateriais, simples e necessárias, que eu jamais terei.
coisas que me serão para sempre negadas, e talvez eu jamais venha a entender o porquê.

mas isso foi ontem.





e hoje é o dia de parar de buscar, inutilmente, respostas que não podem ser dadas.
e de simplesmente aceitar, com gratidão, tudo o que tenho.

so you must not be frightened if a sadness rises up before you larger than any you have ever seen; if a restlesness, like light and cloud-shadows, passes over your hands and over all you do. you must think that something is happening with you, that life has not forgotten you, that it holds you in its hand; it will not let you fall.

jersey bean.

resultado da pendenga com a imigração: positivo.
não serei enfiada à força dentro de uma mala vagabunda da le postiche e embarcada (sem bilhete de retorno) no setor de carga de um vôo da british airways de volta para o subúrbio carioca.

mas eles também não me deram a extensão do visto temporário.
TOPARAM DAR O VISTO DEFINITIVO!

é isso aí - na próxima segunda feira levarei meu passaporte para ganhar o carimbão fodão.
infelizmente o passaporte em si ainda não é "o" fodão.
somente daqui a um ano poderei entrar com o pedido de cidadania, fazer juramento diante de uma foto assustadora da lilibeth e embolsar um passaporte de outra cor que vai reduzir o tempo gasto com filas (e explicações) nos aeroportos.

além disso, poderei programar uma viagem à bushland com mais tranquilidade - e sem precisar passar pela paranóia que é conseguir um visto yankee. se eu vou querer fazer tal viagem é uma outra história.

a boa nova é poder, finalmente, chamar de lar o lugar que, ao longo dos últimos três atribulados anos, e depois de muitas lágrimas, ranger de dentes, palavrões e encantamento, eu estou aprendendo ver como lar.

(eu usei o termo "bean" - feijão - no título porque é assim que os nativos daqui de jersey são carinhosamente chamados)

e a BBC publicou uma enquete: "como saber se você está se transformando num bean?"
abaixo, colhidas por mim, as opiniões mais hilárias do pessoal (obviamente exageradas para elevar o teor cômico, mas nem por isso menos verdadeiras):

você sabe que está virando um jersey bean quando:
- vive reclamando do preço dos imóveis (embora londres seja tão ou mais cara);
- vive reclamando dos engarrafamentos no verão (embora o sul da inglaterra seja muito pior);
- vive reclamando dos impostos (embora a inglaterra cobre o dobro);
- tem um bronzeado falso o ano inteiro e usa óculos escuros até de noite;
- paga 100 mil libras num carro que faz 320 km/hora para dirigir numa ilha onde a velocidade máxima é de 65 km/hora;
- percebe que a lista telefônica tem 500 páginas mas apenas 40 sobrenomes diferentes (e todo mundo parece seu primo).
- estuda numa classe com 36 alunos e pelo menos 30 deles são seus parentes;
- mora a um quilômetro do trabalho mas dirige ao invés de andar, gastando meia hora a mais por isso e reclamando do engarrafamento;
- antes lia jornais como o telegraph e se interessava pelos eventos mundiais; hoje em dia lê o jersey evening post e entra em pânico ao saber que o preço do peixe aumentou;
- não aceita que crianças façam barulho, que adolescente ouçam música alta ou andem de skate, reclama da fumaça da churrasqueira do vizinho, reclama dos turistas com a cara colada na janela da sua sala, reclama do latido dos cachorros, nunca faz porra nenhuma e espera que todos sejam iguais a você; (senti MÁGOA nessa declaração!)
- esquece qual é a função do acelerador no seu carro;
- devolve o troco quando lhe pagam em dinheiro da "outra ilha" e exige dinheiro de jersey (embora as notas de guernsey sejam aceitas normalmente);
- começa a torcer pela frança ao invés da inglaterra no futebol, embora o seu passaporte afirme que você é britânico;
- apóia a idéia de transformar as famosas "obras na estrada" de jersey num esporte olímpico para as próximas olimpíadas de inverno;
- sabe que pode encontrar chocolate fudge em todas as lojas, até açougues;
- desenvolve ódio mortal por turistas dirigindo carros alugados;
- tem a imagem de uma vaca nas notas dentro da sua carteira;
- pensa que trens são coisa do passado;
- acha que tem sorte se consegue sintonizar mais de três canais na sua tv;
- paga mil libras por mês para morar num conjugadinho de fundos;
- bebe um leite mais grosso que creme de leite e que é capaz de bloquear artérias só com o cheiro;
- não consegue andar mais de 15 quilômetros em linha reta sem cair na água;
- fala "eh" no final de cada frase;
- considera um trajeto de 20 minutos no carro "uma viagem";
- reclama de turistas espantando as gaivotas e tirando fotos de tudo mas também reclama que a indústria turística esteja morrendo;
- vive no lugar mais bonito do mundo e tem total consciência disso. :)


humor de jersey: registrada por mim ontem no engarrafamento matinal.

"why is a jerseyman happy when he sees a red sky at night?"
"because he thinks guernsey is on fire!"

minha nada mole vida.

tarefinha ingrata para amanhã, às onze: ir pedir penico no setor de imigração de jersey.

explicar que, devido à senzala de escolha do Respectivo, não, eu não vou estar aqui em dezembro quando meu visto temporário (e já renovado uma vez) expirar. e não, eu não consegui simplesmente me casar e passar dois anos seguidos com a bunda colada num sofá do reino da lilibeth, comendo fish and chips e assistindo reprises de relocation, relocation.

em outras palavras, eles podem se encrespar e chutar o meu traseiro size 12 de volta pra selva.
em mais outras palavras, dane-se.

nunca pensei que ceder um passaporte fosse assim tão problemático. mas isso, claro, é porque estamos fazendo as coisas direito.

porque, como a inglaterra é um país fofo, comunista wannabe e compreensivo para com as minorias, se eu tivesse vindo de alguma ex-colônia esgoto com um pano amarrado na cabeça e trinta e cinco filhos sem pai enfiados numa caixa de papelão (todos com menos de dois anos, devidamente deprimidos e portanto incapacitados para o trabalho), talvez já tivesse passaporte, cidadania e um flat gratuito em camden, presentinho do governo.

vontade: mandar esse povo enfiar o sacrossanto passaporte bordô da comunidade européia em seus respectivos rabos, voltar pro brasil, desbundar, comprar uma casa em lumiar e me dedicar a cultivar repolho e criar bodes miniatura.

pelo menos por enquanto meus pés relaxam em casa.


AH, esqueci de contar sobre o funcionário do passport control do aeroporto de hannover, quando estávamos vindo para cá.

quando o vi descendo porrada verbal num neguinho de "meio metro e meio" de altura vestido com um terno verde (!) e carregando malas modelo 1940, eu SOUBE. soube que ele devia ser um desses chucrutes amantes das regras e formalidades, desses que espera dez minutos para o sinal fechar antes de atravessar a rua, sendo que NÃO HÁ CARRO NENHUM NUM RAIO DE 3 QUILÔMETROS. i'm not making that up. não estou inventando - EU VI chucrutes fazendo isso.

enfim. quando chegou a minha vez e ele bateu o olho no meu passaporte verde musgo, e em seguida na minha face marrom... vocês precisavam ver a cara da pessoa. era uma cara bem "oh que delícia outra vadia do quinto mundo caçadora de marido europeu espero que o visto dela tenha expirado assim eu poderei chicoteá-la por meia hora antes de mandá-la de volta para a favela de onde ela saiu". o que é a eloquência de um olhar, não é mesmo, minha gente?

a parte legal: o meu visto não havia expirado - ahá!
a parte chata: eu nem mesmo tinha um.
yay.

então o nazistinha quis provas de que eu era, de fato, casada com o Respectivo. ah, claro, eu totalmente ando com cópias da certidão de casamento na bolsa para a eventualidade de um funcionário de bosta resolver me cobrar explicações sobre o meu estado marital - quando eu estou DEIXANDO o país dele.

a coisa ficou tão bonita que o caga-regras, sem nos avisar, mandou chamar a polícia. eu lá, linda e preta, totalmente posh beckham nos meus sapatos de 5 euros comprados na street shoes, resolvo me virar e WOOHOO, a gestapo inteira atrás de mim.

aiquemoção, morryh (espero que as câmaras de gás modernas tenham tv a cabo, wi-fi, ar condicionado e frigobar com biscoitos e sekt geladinho- tudo bem kosher, naturalmente).

mas não. só me levaram pro canto e, depois que eu jurei em alemão arcaico que apresentaria a certidão de casamento na volta (já que eu teria que voltar anyway), eles concordaram em me dar apenas três bordoadas na cabeça - ao invés das 30 que estavam programadas - e um pedaço de algodão pra estancar o sangue.

uns gentlemen, esses chucrutes; quem diria.