minha nada mole vida.

tarefinha ingrata para amanhã, às onze: ir pedir penico no setor de imigração de jersey.

explicar que, devido à senzala de escolha do Respectivo, não, eu não vou estar aqui em dezembro quando meu visto temporário (e já renovado uma vez) expirar. e não, eu não consegui simplesmente me casar e passar dois anos seguidos com a bunda colada num sofá do reino da lilibeth, comendo fish and chips e assistindo reprises de relocation, relocation.

em outras palavras, eles podem se encrespar e chutar o meu traseiro size 12 de volta pra selva.
em mais outras palavras, dane-se.

nunca pensei que ceder um passaporte fosse assim tão problemático. mas isso, claro, é porque estamos fazendo as coisas direito.

porque, como a inglaterra é um país fofo, comunista wannabe e compreensivo para com as minorias, se eu tivesse vindo de alguma ex-colônia esgoto com um pano amarrado na cabeça e trinta e cinco filhos sem pai enfiados numa caixa de papelão (todos com menos de dois anos, devidamente deprimidos e portanto incapacitados para o trabalho), talvez já tivesse passaporte, cidadania e um flat gratuito em camden, presentinho do governo.

vontade: mandar esse povo enfiar o sacrossanto passaporte bordô da comunidade européia em seus respectivos rabos, voltar pro brasil, desbundar, comprar uma casa em lumiar e me dedicar a cultivar repolho e criar bodes miniatura.

pelo menos por enquanto meus pés relaxam em casa.


AH, esqueci de contar sobre o funcionário do passport control do aeroporto de hannover, quando estávamos vindo para cá.

quando o vi descendo porrada verbal num neguinho de "meio metro e meio" de altura vestido com um terno verde (!) e carregando malas modelo 1940, eu SOUBE. soube que ele devia ser um desses chucrutes amantes das regras e formalidades, desses que espera dez minutos para o sinal fechar antes de atravessar a rua, sendo que NÃO HÁ CARRO NENHUM NUM RAIO DE 3 QUILÔMETROS. i'm not making that up. não estou inventando - EU VI chucrutes fazendo isso.

enfim. quando chegou a minha vez e ele bateu o olho no meu passaporte verde musgo, e em seguida na minha face marrom... vocês precisavam ver a cara da pessoa. era uma cara bem "oh que delícia outra vadia do quinto mundo caçadora de marido europeu espero que o visto dela tenha expirado assim eu poderei chicoteá-la por meia hora antes de mandá-la de volta para a favela de onde ela saiu". o que é a eloquência de um olhar, não é mesmo, minha gente?

a parte legal: o meu visto não havia expirado - ahá!
a parte chata: eu nem mesmo tinha um.
yay.

então o nazistinha quis provas de que eu era, de fato, casada com o Respectivo. ah, claro, eu totalmente ando com cópias da certidão de casamento na bolsa para a eventualidade de um funcionário de bosta resolver me cobrar explicações sobre o meu estado marital - quando eu estou DEIXANDO o país dele.

a coisa ficou tão bonita que o caga-regras, sem nos avisar, mandou chamar a polícia. eu lá, linda e preta, totalmente posh beckham nos meus sapatos de 5 euros comprados na street shoes, resolvo me virar e WOOHOO, a gestapo inteira atrás de mim.

aiquemoção, morryh (espero que as câmaras de gás modernas tenham tv a cabo, wi-fi, ar condicionado e frigobar com biscoitos e sekt geladinho- tudo bem kosher, naturalmente).

mas não. só me levaram pro canto e, depois que eu jurei em alemão arcaico que apresentaria a certidão de casamento na volta (já que eu teria que voltar anyway), eles concordaram em me dar apenas três bordoadas na cabeça - ao invés das 30 que estavam programadas - e um pedaço de algodão pra estancar o sangue.

uns gentlemen, esses chucrutes; quem diria.