Jam Family

esse é um dos livros mais interessantes que tenho.

comprado por impulso há alguns meses atrás, na banca de promoções na calçada de uma livraria quase em frente à estação saint pancras, em londres. 4 libras, eu acho (não lembro exatamente quanto paguei, mas não foi muito).

não sei por que comprei. talvez tenha gostado da capa.




dentro, muito pouco texto. quase tudo era visual. e extremamente/estranhamente dinâmico. vários jovens, de várias nacionalidades, vivendo juntos em vários apartamentos decaídos em variadas cidades do mundo. improvisando móveis e leis de convivência. interagindo, sendo criativos, expondo e inspirando emoções. e deixando suas marcas para trás. e em cada um deles.

nunca achei o livro para vender em nenhum outro lugar. nem mesmo na internet. às vezes eu me pergunto se ele realmente existe ou se foi plantado ali de propósito, por alguém que queria me dizer alguma coisa.

preciso fazer fotos melhores das minhas páginas preferidas.
o livro barato causou boa impressão.

(e trocadilhos mais baratos ainda são minha especialidade)

shoplifters of the world, unite and take over

lendo um artigo sobre shoplifting (roubar coisas de lojas) numa revista, me lembrei de um meme que correu o livejournal tempos atrás, onde uma das perguntas a serem respondidas era: "vocé já roubou alguma coisa?".
nossa, tantas vezes.

era pra ficar com vergonha de admitir? não faço idéia. não é uma coisa da qual me orgulhe, mas minhas bochechas também não ficam vermelhas ao admitir que cansei de sair das lojas americanas com uma sacolinha de compras na mão - sendo que só metade do conteúdo havia sido pago. necessidade? cleptomania? mau caratismo? nenhuma das anteriores. na época eu achava que se tratava de uma prática inerente à adolescência (quase um rito de passagem), que todo mundo fazia isso, que o seguro da loja pagaria os eventuais furtos de um bloquinho barato de papel de carta, um anel de plástico colorido ou um vidrinho de esmaltes na cor verde bandeira. sem contar os mecanismos que a minha mente desenvolvia para justificar o furto: "meus gostos são tão bizarros que, se eu não roubar, eles não vão conseguir vender essa porcaria, mesmo...".

devo admitir também o fator genético. aos 12 anos, 80% dos meus brincos e anéis chegaram à minha gavetinha de "jóias" desacompanhados de nota fiscal: um dos hobbies de mamãe era roubar peças pequenas em lojas onde ela fosse mal atendida. sabe aquelas bancas de anéis "de prata" a R$1,99 sobre a qual a mulherada se joga e as atendentes estão mais preocupadas em comentar o capítulo de ontem da novela ou se o gatinho que trabalha no estoque é ou não gay? pois era dessas mesmas que mamãe emergia vitoriosa, os dedos antes desnudos cobertos de anéis decorados com pedras vagabundas.

também havia os primos: uma bem mais velha do que eu e, essa sim, profissional. era especializada em falsificar aquelas plaquinhas que as atendentes nos dão com o número de peças de roupas com que entramos no provador. ela entrava com seis peças, enfiava cinco na bolsa (junto com a plaquinha original) e saía do provador com a mais barata delas e a plaquinha fake marcando o número "1". o problema é que as filhas pequenas dela aprenderam cedo. a primogênita enfiava quilos de maquiagem dentro da fralda plástica da menorzinha.

mas meu herói mesmo era um outro primo. porque, mais importante do que a quantidade/preço/frequência do furto, era o estilo e auto confiança com que o perpetrante o praticava. e o moleque tinha panache. ele não escondia nada que pegava - simplesmente saía com a peça embaixo do braço. segundo ele, eram as atitudes furtivas que traíam o ladrão. e a classe de jogar uma jaqueta nas costas no meio da loja (depois de checar cuidadosamente se havia security tag) e, conversando animadamente, ir embora vestido nela? ele não roubava de quem seria, de fato, prejudicado financeiramente. e não ficava com o produto do roubo. nunca. sempre doava na rua. acho que era a saída dele para não sentir culpa.

certa vez estávamos na antiga loja mesbla do centro do rio - sim, eu sou velha - e ele ia saindo com dois cds (nem todos ficavam dentro daquela caixinha de acrílico com tag de segurança). uma mocinha magrela e com cara de "peguei um trem + dois ônibus para chegar no trabalho" nos puxou pela manga, apontou o caixa e sugeriu que pagássemos. ele nem piscou. deu seu melhor sorriso irônico e disparou "mas de novo, meu anjo? esses cds são meus". a garota perdeu o rebolado. engasgou pateticamente na própria língua ao tentar explicar que o tinha visto pegar os cds 10 minutos atrás na gôndola. dessa vez ele não sorriu; apenas levantou uma sobrancelha (talento de família isso, também), gelou os olhos eletric blue a temperaturas polares e respondeu: "eu estou enganado ou você está realmente insinuando que EU não paguei esses cds?"

os dois se encararam por alguns segundos. ele alto, rico, articulado e bem vestido. ela mal preenchendo a camiseta surrada do uniforme da loja, sapatos baratos com vestígios de lama seca. ela podia ter chamado o segurança. podia ter estranhado o fato de os cds ainda estarem, depois de "meses", dentro do plástico. mas no brasil a divisão social fabrica suas próprias leis e etiqueta.

a moça deu de ombros e virou as costas.
e um adolescente aleatório num ponto de ônibus, com uma camiseta do metallica por baixo do jaleco do uniforme de escola pública, ganhou dois cds da banda só pra contrariar.

realmente.

fantasmas dos natais passados

ff.jpg

P:
"que câmera você usa?"
R: photoshop.

meus pés em skansen, estocolmo, quando ainda era possível usar sandálias no hemisfério norte.

"Reencontrei a biscate que era minha algóz nos tempos do meu blog 'Sapphire'. A menina é fútil, feia e tem cabelo pixaim, mas se deu bem na vida e mora na Europa! Deus dá asas, auréolas e harpas às cobras, no caso dela, uma jararaca gorda...*fufufufufuufufuh...*"
daqui

dúvida que me assola: por que será que as pessoas adoram xingar mulher de "feia e gorda"?
mesmíssimo caso do povo chamando a britney de obesa, acabada e bêbada. tipo, who gives a shit? eu quero ser gorda, acabada e bêbada como a britney todo dia - desde que a conta bancária da moça venha a reboque e eu mantenha o meu bom senso para retardar os efeitos da cirrose.
os dois pirralhos e os frapuccinos do starbucks eu dispenso.

e, antes que eu me esqueça, "algoz" não tem acento.
fútil, sempre; amarga, ressentida e burra, jamais.

wardrobe crisis.

devo dizer que comprar roupas aqui é meio problemático.
ou você paga uma fortuna em peças de boa qualidade mas com cara de roupa de avó, ou paga merreca por tecidos tão vagabundos que se pode enxergar através, servindo de material para roupas projetadas para o mercado “adolescente” - e que, claro, só cabem em meninas de um metro e meio e 25 quilos.

não entendo que tipo de sociedade coloca roupas XS (extra pequeno) nas lojas, mas não o correspondente XL (extra grande). e, quando o faz, o "extra grande" é tão pequeno a ponto de ficar apertado em mim. agora entendo porque todas as molecas aqui em hannover são esqueléticas. elas sabem que, se engordarem 300 gramas, simplesmente não vão mais caber nas roupas à venda e terão que, aos 15 anos, vestir uniforme de tia.

nesse ponto a inglaterra e o brasil são mais democráticos. entendem que a faixa etária 25-30 não quer mais, necessariamente, usar estampas de caveirinha e figurino 80s em cores cítricas (crianças, acordem – roupas dos anos 80 já eram ridículas nos anos 80) mas nem por isso entrou para o mercado de jaquetinhas de linho bege. em jersey eu posso me esbaldar em rendinhas e bordados sem parecer que frequento reuniões de bingo, ou estampas malucas e cores vibrantes mas que nem por isso fariam um barman pedir minha ID antes de me vender cerveja. meio termo, pessoas: eis a alma do negócio.

se bem que, na pátria amada mãe gentil, a tendência é termos que rebolar para achar roupas que fujam ao padrão princesa-preparada-boladona (principalmente no rio de janeiro, mas não somente). no verão então, é uma tragédia. parece que o mercado não se dá conta de que existem pessoas que simplesmente NÃO querem usar lycra, micro shorts ou jeans com stretch.

o que me transporta automaticamente de volta ao ginásio. eu passei ANOS da minha vida tentando descobrir de quem havia sido a brilhante idéia de transformar os shorts do uniforme feminino de educação física em verdadeiras calcinhas de elastano azul. sério, era algo desse tamanho:

provavelmente o autor do atentado era homem. porque mulher alguma seria tão insensível ao fato de que apenas as gostosonas da turma ficariam bem naquilo, enquanto que as gordinhas ou magricelas sofreriam o vexame de se expor aos olhares alheios - ou à falta de olhares alheios; honestamente não sei o que é pior numa idade onde aprovação é o ar que se respira.

na época eu não era nem gorda, nem magrela (embora também não jogasse no time das boazudas teens), mas absurdamente tímida. a idéia de desfilar de calcinha por uma quadra lotada de ereções ambulantes me fazia inventar uns 500 resfriados por ano, matar cinco avós por semestre ou ficar menstruada treze vezes por mês, a fim de evitar o suplício. no final do ano, eu acabava fazendo uma redação de 50 linhas sobre a história do voleibol e ficava tudo ok.

o short eu usava como calcinha, mesmo.

pensamentos randômicos

- existe toda uma comunidade miguxística no flickr cuja existência me era, até hoje à tarde, desconhecida. inclusive há seres "pedindo add". eu tive muito medo e lamentei a perda da integridade absoluta de um dos últimos bastiões do bom gosto da web 2.0.

- a melhor coisa de um inverno rigoroso é poder usar meias coloridas fio 80:


- meu outro blog, que é basicamente sobre dolls e atualizado com pouca frequência, tem cinco vezes mais links no technorati do que esse aqui. wow.

- a última moda nas lojas européias são as árvores de natal em cores vibrantes. pink, laranja, azul elétrico, verde limão, preto. ainda lembro quando uma árvore branca era o último grito em termos de originalidade natalina. será que o mundo está ficando cada vez mais cafona ou sou eu que estou ficando velha? ok, não precisa responder.

- dor de cabeça dos infernos. aquele whisky ontem à noite foi um GRANDE erro. meu fígado está se rebelando contra os anos de maus tratos que sofreu e agora espera que eu saia à noite para beber guaraná. vou mandá-lo ir se foder, é claro. bebi todas as vodkas, gins e cervejas e cantei smells like teen spirit no karaokê. quer dizer, me disseram que eu fiz isso. bendita amnésia alcóolica, desde tempos imemoriais salvando reputações.

- dicas de vida para a mulher moderna: a vantagem de chegar em casa bêbada e dormir de maquiagem é não precisar refazer a makeup para sair no dia seguinte. e, se a ressaca for das brabas, ainda existe a chance de vomitar o café da manhã e economizar as calorias. prático e diet.

- minhas galochas de caveira fazem muito mais sucesso do que a minha bolsa dior. se compararmos quanto elas me custaram, as botas ganham de lavada na relação custo x benefício. ontem na estação, garotas apontaram para as botas e disseram "kühl!!". nossa. ter sido definida como "cool" pela primeira vez na vida merece comemoração. vou sair e tomar um whisky.
e se o fígado não gostar, ele tem toda a liberdade para entrar na fila por um transplante de corpo.

jeux d'enfants

"better than drugs, better than smack! better than a dope coke crack fix shit shoot sniff ganja marijuana blotter acid ecstasy! better than sex, head, 69, orgies, masturbation, tantrism, Kama Sutra or Thai doggy-style! better than banana milkshakes! better than George Lucas's trilogy, the muppets and 2001! better than Emma Peel, Marilyn, Lara Croft and Cindy Crawford's beauty mark! better than the B-side to Abbey Road, Jimmy Hendrix and the first man on the moon! Space Mountain, Santa Claus, Bill Gates' fortune, the Dalai Lama, Lazarus raised from the dead! Schwarzenegger's testosterone shots, Pam Anderson's lips! Woodstock, raves... better than Sade, Rimbaud, Morrison and Castaneda! Better than freedom, better than life!"
julier janvier


julien jeanvier: você acredita em amor à primeira vista?
aurélie miller: sim.
julien jeanvier: tolinha.

pére lachaise

o cemitério de père lachaise é o maior de paris e uma espécie de "beverly hills do além". na entrada você fatalmente vai atropelar uma mocinha ou bêbado vendendo mapas do cemitério e uma lida rápida vai te deixar com dor de cabeça ao seguir com os olhos tantos números microscópicos e boquiaberto com a quantidade de ilustres "plantados" no local.

bonito, não é. brompton, em londres, é muito mais interessante do ponto de vista arquitetônico (e tem mais anjinhos, yay!), porém bem mais modesto quanto ao número de celebrities. fui ao père lachaise porque gosto de cemitérios, não exatamente para fazer "dead spotting" - mas é difícil segurar o impulso de sair catando tumbas famosas como as de jim morrison, balzac, maria callas, edith piaf, isadora duncan, bizet, delacroix, proust, chopin, allan kardec, sarah bernhardt e oscar wilde, sem mencionar vários monumentos erigidos às vítimas dos campos de concentração nazistas.


queria ter achado a tumba do victor noir, um jornalista parisiense que comprou briga com cachorro grande e acabou morto, às vésperas de seu casamento, por pierre bonaparte (sobrinho do napoleão). a sepultura traz uma estátua do morto em tamanho natural, como se caído no chão depois do tiro, com uma interessante protuberância sob as calças. reza a lenda que beijar os lábios da estátua, deixar flores em seu chapéu e, principalmente dar uma "esfregadinha" no instrumento do victor garante fertilidade, sorte no amor, uma vida sexual satisfatória e até um marido. não foi à toa que a mulherada passou a fazer romaria e esfregaram tanto o bilau da estátua a ponto de deixá-lo gasto. pobre victor - aposto que o pingolim dele não viu tanto movimento assim enquanto ele estava vivo; ironias do destino.

depois de levar o british boy para fotografar a sepultura de ettore bugatti (esse espaço na frente parece uma "vaga" - tenho certeza que dá pra estacionar um bugatti ali!), fomos procurar a de wilde. até bonita, mas como foi construída em 1922 é meio "moderninha" e sem muito a ver com o velho oscar, na minha opinião.

mas quer saber o que é vergonha alheia? vou te contar:


porque erro de grafia/gramatical é uma coisa completamente aceitável.
mas erro de grafia na tumba do OSCAR WILDE, escrito com BATOM, em letras GARRAFAIS e ainda se declarar brasileiro, NÃO, sabe.

depois de mais de duas horas de caminhada e subida de ladeiras e escadarias, precisávamos repor as energias. encontramos um pequeno restaurante chamado renaissance (bastante apropriado) na primeira esquina à direita da entrada do cemitério. o lugar é todo decorado com memorabillia do jim morrison* (até o faxineiro se parece com ele e tem cara de roadie de banda de rock dos anos 70) e conta com um dos menus entrada + prato/prato + sobremesa mais barato que vimos em paris: oito euros. a cerveja também é em conta (depois de ter pago seis euros numa cerva pequena no metidíssimo a besta le deux magots, foi um alívio pagar 3 euros por meio litro de gelada. :)

* em certa ocasião, jim morrison passou várias horas visitando o cemitério de père lachaise acompanhado de um amigo, e disse que gostaria de ser enterrado ali. seu desejo se tornou realidade no dia 7 de julho de 1971, cerca de uma semana depois dessa visita.

sobre felinos e home improvement.

tô melhorzinha.
desculpem os termos do último post, mas decepção é uma coisa que realmente me tira dos trilhos. e a verdade é, whatever will be, will be. o que tiver que ser, será.

ligamos para o veterinário chucrute e descobrimos que ele está "de férias" (ele deve tirar férias mensais, porque não é a primeira vez que tentamos ligar e ouvimos a mesma resposta). o substituto checou nossos dados e disse que o passaporte da chantilly não havia sido ainda "totalmente preenchido". o veterinário oficial chega na segunda e nós iremos até lá levar um papo com ele e perguntar por que RAIOS ele não preencheu o passaporte. isso poderá nos salvar muito tempo e, quem sabe, ela até tenha sido testada aqui e ele, muito oportunamente, se esqueceu de mencionar. dedos (das mãos e pés) cruzados.

agora vamos falar de coisas bonitas, porque eu preciso, você precisa, nós precisamos.

uma das coisas que mais gosto de fazer online é passear por blogs de decoração e artesanato. confesso uma falta de paciência absoluta para lidar com agulhas de tricô/crochê, e nesse caso prefiro admirar do que tentar fazer igual. já decoração interior é uma paixão. vejo fotos como essas abaixo (saídas do blog an angel at my table) e sinto vontade de sair correndo desse apartamento claustrofóbico, voltar para a minha casinha e começar a comprar tintas, madeiras, percorrer brechós de móveis usados e lojas de tecido baratinhas e transformar tudo em poesias visuais como essas:







o blog é simplesmente lindo e merece visitas frequentes. mesmo que você não esteja, como eu, em processo de reformar a sua casa, e queira apenas dar um pouco de prazer aos seus olhos depois de ler tantas notícias ruim na internet.

e caso você pense que redecorar a casa nesse estilo custa uma fortuna, eu digo que na verdade comprar móveis novos e modernos é que sai caro. não existe uma única cadeirinha "nova" na minha casa. tudo foi herdado, comprado usado ou reciclado. móveis antigos, de segunda mão, já se provaram fortes ao resistir ao teste do tempo. na maioria das vezes, tudo o que eles precisam é de umas boas mãos de tinta ou verniz para voltar à vida, prontos para aguentar mais 100 anos de uso. tecidos custam barato (e eu já até reciclei cortinas/colchas velhas para fazer almofadas e panos de cozinha) e criatividade é de graça. :)http://i830.photobucket.com/albums/zz222/lollaloves/2007/05/at10.jpg

e depois, dá até vontade de lavar roupa numa área de serviço assim, não?

meu mundo caiu.

voltei de paris na segunda.
devia ter chegado em casa no domingo, mas conseguimos a proeza de perder o vôo estando calmamente sentados a menos de 30 metros do portão de embarque. a única vantagem disso foi ter sido obrigada a passar a noite no sheraton do charles de gaulle, limpar o minibar por conta do cliente do marido e ainda roubar todos os sabonetinhos, creminhos, shampoozinhos, etceterazinhos do banheiro da suíte.

porque a gente pode tirar a garota do terceiro mundo, mas não tira o terceiro mundo da garota. não basta ser pobre - é preciso agir como tal e dar o exemplo.

eu confesso que fui a paris sem tesão. e quando nem mesmo a perspectiva de ir a paris consegue te animar, é sinal claro (em verde, amarelo e vermelho) de que as coisas não vão bem. mas lá chegando, tudo mudou. essa foi a primeira vez que a cidade realmente me encantou. nem mesmo ter ligado do celular para um amigo (agora ex-amigo) a fim de pedir seu endereço (para mandar um postal de La Defense, já que ele detesta prédios velhos e prefere as modernidades que eu desprezo) e dar a ele o prazer de bater o telefone na minha cara depois de me chamar de metida, conseguiu estragar meu dia. simplesmente removi o número em questão da agenda de contatos do celular, guardei o telefone e entrei na laduree pra comer macaroons.

enfim, depois destes quatro dias, meu ânimo subiu nas alturas e cheguei em hannover na segunda à noite achando que a vida era bela.

em casa toca a redimensionar as 200 fotos no cartão de memória, quando o respectivo chega com a bomba: negaram a entrada da chantilly na inglaterra porque os testes feitos no brasil não são válidos. e nem era uma regra clara, porque no site oficial não consta nada a respeito disso nos procedimentos.

ou seja, perdemos quatro meses. eu estava contando, literalmente, as horas para 11 de janeiro chegar. quando teriam se completado seis meses desde que levamos a chantilly no veterinário e ele nos entregou o pet passport, e então poderíamos, eu e ela, voltar para casa. eu simplesmente NÃO SUPORTO mais ficar aqui. é frio demais, chato demais, alienígena demais. nem a própria gata está se adaptando à temperatura.

enfim. balde de água fria é pouco.
imagine abrirem um buraco no meio de um lago congelado da lapônia e jogarem uma pessoa lá dentro. pois é, essa pessoa sou eu, just now.

não é justo. e eu desejo todas as pestes do mundo para a Grã Bretanha e suas leis imbecis, que escancaram fronteiras para criminosos, terroristas e vagabundos e vetam a entrada de uma gata imunizada e testada só porque o teste não saiu da europa.

livros, música ruim e folhas caindo.

tô pagando 100 reau pelas cordas vocais do nando reis. à milanesa; porque os nossos delicados tímpanos não merecem e tal. se a paula toller (dona daquela voz irritante de "mulherzinha society") ficar muda amanhã, também não verterei lágrimas.

começou a chover granizo aqui há uma hora atrás, daqueles grandões que fazem batucada no vidro da janela. lindo, porém meio assustador; e olha que ainda estamos no outono. o inverno promete.



(flickr para ver em tamanho maior)

terminei the summer of katya. li o livro pela primeira vez há uns 15 anos atrás, quando era sócia de uma dessas locadoras de bairro capengas, com meia centena de títulos encostados em prateleiras enferrujadas. o que esse thriller psicológico de um autor pouco conhecido fazia ali, eu ignoro.

nunca esqueci o livro porque, até ontem à noite, o final permanecera uma incógnita para mim.
o fato é que não tive tempo de terminar de lê-lo no prazo combinado; devolvi e, quando fui renovar o empréstimo, o livro havia misteriosamente desaparecido da locadora, sem que eu tivesse tido a chance de descobrir o terrível segredo de katya. que me manteve acordada até as duas da manhã, se revela somente nas páginas finais do livro e me presenteou com pesadelos interessantíssimos.

está longe de ser um clássico e não vai mudar a sua vida, mas sem dúvida o desfecho fica na memória. e para mim é disso que boas histórias são feitas.

outono.


há pessoas que nos fazem mal e nós não sabemos por quê. nem elas sabem.
e, por não existir motivos, não existem culpados.
um , esse tipo de situação.

paris no fim de semana. não estou animada porque não estou bem, o que é um desperdício.
vou ali terminar o meu livro.

how to fuck with one's weekend.

- saber que até estranhos num ônibus sabem mais da sua vida do que você mesmo, graças à língua da sua mãe.
- ter uma crise não solicitada de pânico e, por causa dela, pensar em engavetar os planos de viagem.
- perceber que se é uma talentless pile of shit.
- perceber que seus horizontes pareciam ser mais amplos quando raramente ultrapassavam os limites do rio de janeiro.
- perceber que a gata não está comendo e talvez nem esteja feliz.
- marido ficar resfriado no sábado e jogar no saco todos os planos para os dois próximos dias. e perceber que, sem ele, você não tem pernas.

excluindo a beleza sem igual das árvores no Eilenriede nesse outono que se despede, a mesa e gaveteiro que comprei na ikea e os meus livros que chegaram via amazon, my weekend pretty much sucked.


"and I cannot tell you how vastly my loneliness was deepened, how poignant and amplified the world before me seemed, when I found on one page a few greasy looking smears and next to them, written in soft pencil - by a beautiful girl, I could tell, whom I would never meet - "Pardon the egg salad stains, but I'm in love."

01 - Nome completo? lolla moon 02 - Apelido? atualmente neném. very suburbano 03 - Cor favorita? depende do uso que a cor terá. 04 - Time? desisti de futebol. 05 - Data de aniversário? 14 de janeiro. 06 - Onde mora? sinceramente eu nem sei mais. 07 - Programa de TV favorito? dvds, basicamente. 08 - O que tem no mouse pad? é um bloco de papel de gatinhos. muito fofo, comprei na frança. 09 - Cheiros favoritos? terra molhada, dolce vita da dior. 10 - Pior sentimento do mundo? impotência. 11 - Melhor sentimento do mundo? paz e liberdade. não consigo escolher um só, preciso de ambos. 12 - Dois defeitos seus? preguiça e insegurança. 13 - Duas qualidades? não sei. 14 - Qual a 1ª coisa que voce pensa quando acorda de manhã? onde é que eu estou? 15 - é romantico(a)? não. 16 - Montanha-russa: assustadora ou excitante? excitante. se eu cair dela passa a ser assustadora. 17- Caneta ou lapis? detesto lápis. não consigo usar. 18 - Quantos toques antes de atender o telefone? depende. se eu estiver longe, ele vai ter que tocar mais. sorry. 19 - eh amigo(a) do telefone ou so usa quando necessário? às vezes eu preferia que o telefone não tivesse sido inventado. 20 - Comida favorita? carboidratos.

21 - Você se da bem com seus pais? na média, mas a verdade é que não temos muito em comum. 22 - Quem voce tem como irmao? filha única. e não, ninguém ocupa esse espaço. 23 - Namorar ou ficar
? namoro pode vir a se tornar uma coisa tão chata... não sei. 24 - Voce tem muitos amigos? pouquíssimos. eu sou uma pessoa difícil e blabla. 25 - Se voce tem, como se sente quando rodeado por eles? em paz. 27 - O que voce mais gosta de fazer? fotografar, mesmo não sendo boa nisso (não me importo de não ser, na verdade). 28 - Chocolate ou baunilha? baunilha. 29 - Sorvete preferido: abacaxi no brasil. caramelo na alemanha. vanilla dairy cream em jersey. 30 - Torrada ou bacon? bacon na torrada. 31 - De quem voce sente saudade? de quase ninguém. isso é legal e triste, ao mesmo tempo. 32 - Sente medo de: morte. doenças degenerativas. multidão. mudanças. 33 - Quem voce levaria para uma ilha deserta? a graça de uma ilha deserta é justamente não ter ninguém por lá. nem eu iria, para não estragar o ambiente. 34 - Qual seu signo zodiacal? capricórnio, but really, foda-se horóscopo. 35 - Qual o seu poeta favorito? difícil essa, hein. 36 - Qual sua bebida favorita? ringwoods, coca cola, cream soda. 37 - Para tingir seu cabelo de uma cor, qual seria? ruivo se eu fosse branquela. as it is, preto. 38 - O que tem nas paredes do seu quarto? ainda pouca coisa. 39 - O que tem debaixo da sua cama? poeira. 40 - Voce eh destro(a), canhoto(a) ou ambi-destro(a)? destro.

41 - Qual seu numero favorito? detesto números. até o fato de essas questões serem numeradas me irrita. 42 - Noite ou dia? dia. eu gosto de luz, só não gosto do sol. 43 - Qual eh o carro dos seus sonhos? jaguar xk140 (não nesse azul calcinha ridículo) 44 - Esporte favorito: comer e dormir. 45 - Um grande amor da sua vida: chantilly. 46 - Esta apaixonado no momento? não gosto do termo apaixonado. 47 - Esta sendo correspondido? no amor, espero que sim. 48 - Vale a pena amar? sempre, claro. a si mesmo e a quem merece. 49 - Que voce estava ouvindo enquanto respondia este questionario? ice age na televisão lá na sala. 50 - Melhor beijo: não lembro. 51 - Menino ou menina que voce mais amou na vida: minha vida ainda não acabou. 52- 3 pessoas pra passar a brincadeira: quem quiser fazer, be my guest.

bus stop.

"senhoras e senhores passageiro, desculpe tá interrompendo o descanso da sua viagem, mas eu trago aqui o novo chocolate da nestrê, o verdadeiro passatempo da sua viagem, e o passatempo das suas criança em casa. é um delicioso chocolate, né, senhores, com cobertura de chocolate ao leite e o delicioso recheio crocrante de caramelo. lá fora nas padoca os senhores vai pagar um real por cada chocolate, aqui na mão leva três por um real, mais uma sacolinha de prástico para carregar o lanche, aceito também o seu vale transporte. àqueles que puder ajudar, eu agradeço. e àqueles que não puder, eu agradeço da mesma maneira. e aí, senhores, mais alguém vai querer chocolate? mais alguéééém?”

não sinto falta dos vendilhões, mas minha alma proletária sente falta de coletivos.
e de comprar aquela bananada, mais vermelha que sangue arterial e mais dura que paralepípedo, para roer durante os muitos minutos que separam o subúrbio da civilização, vendo a vida (e os botecos, e os traficantes, e as tchuchucas de shortinho, e as tias sentadas na calçada, e os cachorros vira latas desfilando a sarna, e os moleques soltando pipa e os fiat 147 estacionados na porta do salão do reino das testemunhas de jeová) passar pela janela do ônibus.

eu quero agora: DADINHO DIZIOLI, o maior "adubo de lombrigas" da minha infância.
e aquelas pipocas vagabundas que vêm dentro do saquinho de prástico rosa pink (so very fashion) e só vêm em dois sabores: doce ou amargo. e a gente nunca sabe qual é até comer a primeira. cada pipoca é uma surpresa. aiquesaudades da minha infância suburbana.