I.
supermercado, hoje à tarde.
em meio às muitas variedades de pães e 914 produtos diferentes à base de batata, minha atenção foi despertada por um anúncio recorrente bombando as caixas de som. tratava-se se uma voz feminina entoando o que parecia ser uma canção de ninar. uma voz masculina fazia uma espécie de introdução animadinha, seguida por um coro de crianças e por fim a mulher cantava. tudo, é claro, no idioma de goethe. a cada 15 minutos a coisa toda se repetia.
ouvir canção de ninar em alemão é bizarro. quase assustador. me soa como algo que hitler faria tocar em caminhõezinhos coloridos, decorados com figuras da disney, a fim de atrair crianças para câmaras de gás.
aliás, na alemanha é crime fazer a saudação nazista ou portar uma suástica.
II.
uma coisa que me intriga aqui na chucrutelândia (e também na baguettelândia) é a quantidade de mulheres usando peles. assim, ostensiva e desavergonhadamente. na esquina de onde moro há uma loja enorme, forrada de pele até o teto. casacos enormes feitos de pêlo dos mais variados bichos, se espalham pelas paredes e escorrem, luxuosos, do corpo dos manequins na vitrine. e não é a única; no centro da cidade sei de pelo menos duas lojas iguais, fora as grandes lojas de departamento, todas estocando pele de bicho morto; todas avidamente consumidas pela legião de "madames" com suas bolsinhas dolce & gabbana (brega), sapatos versace (brega, brega) e óculos roberto cavalli (nem vou me manifestar, de tão brega).
todas desfilam suas mortalhas sem peso algum na consciência.
sem peso algum mesmo - porque quem acha aceitável assassinar animais com requintes de crueldade pelo suposto privilégio de se enfiar num casaco macio não pode ter cérebro.
na inglaterra isso seria impensável. não porque os ingleses sejam assim tão devotados às causas ecológicas, e sim por serem um povo notadamente hipócrita.
kate: "ah, eu adoraria um casaco de bebê foca bem fofo e branquinho, sabe sharon - mas hoje em dia é tão cafona usar pele né?"
sharon: "totalmente! pior até do que usar boné da burberry!"
ok, eu sei que é eficiente contra o frio por causa da camada de insulação natural dos animais e etcétera. ainda é injustificável. usem mais casacos, sobreponham, oras. ou então, se o clima do lugar é realmente tão frio, não seria hora de procurar um ambiente menos inóspito para se viver? fica a dica.
enfim. hoje no supermercado (só podia) vi uma coisa bizarra.
a mulher com um casaco de peles. sim, num supermercado. só que não era um casaco de peles comum. só havia pele na barra das mangas, na bainha (quase arrastando no chão) e num pedaço da gola. e sim, era pele de verdade.
tive que rir alto, para não chorar ou para frear meus instintos de voar no pescoço da idiota. aliás, não. eu não pensei em voar no pescoço da idiota. primeiro porque sou uma pessoa pacífica. e depois, por mais que eu seja a rainha das contradições, não dá pra se dizer contra matar animais de forma violenta e depois... bem, matar um animal de forma violenta (e, ao contrário de matar focas, matar humanos dá cadeia).
tragicômico.
primeiro, a criatura se mostra pobre de espírito ao usar pele, não interessa em que quantidade.
depois, se mostra pobre de grana. sabe como é, o salário não paga um vison inteiro, vamos colocar só na "beiradinha".
pobre é uma merda, etc.
supermercado, hoje à tarde.
em meio às muitas variedades de pães e 914 produtos diferentes à base de batata, minha atenção foi despertada por um anúncio recorrente bombando as caixas de som. tratava-se se uma voz feminina entoando o que parecia ser uma canção de ninar. uma voz masculina fazia uma espécie de introdução animadinha, seguida por um coro de crianças e por fim a mulher cantava. tudo, é claro, no idioma de goethe. a cada 15 minutos a coisa toda se repetia.
ouvir canção de ninar em alemão é bizarro. quase assustador. me soa como algo que hitler faria tocar em caminhõezinhos coloridos, decorados com figuras da disney, a fim de atrair crianças para câmaras de gás.
aliás, na alemanha é crime fazer a saudação nazista ou portar uma suástica.
II.
uma coisa que me intriga aqui na chucrutelândia (e também na baguettelândia) é a quantidade de mulheres usando peles. assim, ostensiva e desavergonhadamente. na esquina de onde moro há uma loja enorme, forrada de pele até o teto. casacos enormes feitos de pêlo dos mais variados bichos, se espalham pelas paredes e escorrem, luxuosos, do corpo dos manequins na vitrine. e não é a única; no centro da cidade sei de pelo menos duas lojas iguais, fora as grandes lojas de departamento, todas estocando pele de bicho morto; todas avidamente consumidas pela legião de "madames" com suas bolsinhas dolce & gabbana (brega), sapatos versace (brega, brega) e óculos roberto cavalli (nem vou me manifestar, de tão brega).
todas desfilam suas mortalhas sem peso algum na consciência.
sem peso algum mesmo - porque quem acha aceitável assassinar animais com requintes de crueldade pelo suposto privilégio de se enfiar num casaco macio não pode ter cérebro.
na inglaterra isso seria impensável. não porque os ingleses sejam assim tão devotados às causas ecológicas, e sim por serem um povo notadamente hipócrita.
kate: "ah, eu adoraria um casaco de bebê foca bem fofo e branquinho, sabe sharon - mas hoje em dia é tão cafona usar pele né?"
sharon: "totalmente! pior até do que usar boné da burberry!"
ok, eu sei que é eficiente contra o frio por causa da camada de insulação natural dos animais e etcétera. ainda é injustificável. usem mais casacos, sobreponham, oras. ou então, se o clima do lugar é realmente tão frio, não seria hora de procurar um ambiente menos inóspito para se viver? fica a dica.
enfim. hoje no supermercado (só podia) vi uma coisa bizarra.
a mulher com um casaco de peles. sim, num supermercado. só que não era um casaco de peles comum. só havia pele na barra das mangas, na bainha (quase arrastando no chão) e num pedaço da gola. e sim, era pele de verdade.
tive que rir alto, para não chorar ou para frear meus instintos de voar no pescoço da idiota. aliás, não. eu não pensei em voar no pescoço da idiota. primeiro porque sou uma pessoa pacífica. e depois, por mais que eu seja a rainha das contradições, não dá pra se dizer contra matar animais de forma violenta e depois... bem, matar um animal de forma violenta (e, ao contrário de matar focas, matar humanos dá cadeia).
tragicômico.
primeiro, a criatura se mostra pobre de espírito ao usar pele, não interessa em que quantidade.
depois, se mostra pobre de grana. sabe como é, o salário não paga um vison inteiro, vamos colocar só na "beiradinha".
pobre é uma merda, etc.
Labels: alemanha, humor observacional

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