bus stop.

"senhoras e senhores passageiro, desculpe tá interrompendo o descanso da sua viagem, mas eu trago aqui o novo chocolate da nestrê, o verdadeiro passatempo da sua viagem, e o passatempo das suas criança em casa. é um delicioso chocolate, né, senhores, com cobertura de chocolate ao leite e o delicioso recheio crocrante de caramelo. lá fora nas padoca os senhores vai pagar um real por cada chocolate, aqui na mão leva três por um real, mais uma sacolinha de prástico para carregar o lanche, aceito também o seu vale transporte. àqueles que puder ajudar, eu agradeço. e àqueles que não puder, eu agradeço da mesma maneira. e aí, senhores, mais alguém vai querer chocolate? mais alguéééém?”

não sinto falta dos vendilhões, mas minha alma proletária sente falta de coletivos.
e de comprar aquela bananada, mais vermelha que sangue arterial e mais dura que paralepípedo, para roer durante os muitos minutos que separam o subúrbio da civilização, vendo a vida (e os botecos, e os traficantes, e as tchuchucas de shortinho, e as tias sentadas na calçada, e os cachorros vira latas desfilando a sarna, e os moleques soltando pipa e os fiat 147 estacionados na porta do salão do reino das testemunhas de jeová) passar pela janela do ônibus.

eu quero agora: DADINHO DIZIOLI, o maior "adubo de lombrigas" da minha infância.
e aquelas pipocas vagabundas que vêm dentro do saquinho de prástico rosa pink (so very fashion) e só vêm em dois sabores: doce ou amargo. e a gente nunca sabe qual é até comer a primeira. cada pipoca é uma surpresa. aiquesaudades da minha infância suburbana.