wardrobe crisis.

devo dizer que comprar roupas aqui é meio problemático.
ou você paga uma fortuna em peças de boa qualidade mas com cara de roupa de avó, ou paga merreca por tecidos tão vagabundos que se pode enxergar através, servindo de material para roupas projetadas para o mercado “adolescente” - e que, claro, só cabem em meninas de um metro e meio e 25 quilos.

não entendo que tipo de sociedade coloca roupas XS (extra pequeno) nas lojas, mas não o correspondente XL (extra grande). e, quando o faz, o "extra grande" é tão pequeno a ponto de ficar apertado em mim. agora entendo porque todas as molecas aqui em hannover são esqueléticas. elas sabem que, se engordarem 300 gramas, simplesmente não vão mais caber nas roupas à venda e terão que, aos 15 anos, vestir uniforme de tia.

nesse ponto a inglaterra e o brasil são mais democráticos. entendem que a faixa etária 25-30 não quer mais, necessariamente, usar estampas de caveirinha e figurino 80s em cores cítricas (crianças, acordem – roupas dos anos 80 já eram ridículas nos anos 80) mas nem por isso entrou para o mercado de jaquetinhas de linho bege. em jersey eu posso me esbaldar em rendinhas e bordados sem parecer que frequento reuniões de bingo, ou estampas malucas e cores vibrantes mas que nem por isso fariam um barman pedir minha ID antes de me vender cerveja. meio termo, pessoas: eis a alma do negócio.

se bem que, na pátria amada mãe gentil, a tendência é termos que rebolar para achar roupas que fujam ao padrão princesa-preparada-boladona (principalmente no rio de janeiro, mas não somente). no verão então, é uma tragédia. parece que o mercado não se dá conta de que existem pessoas que simplesmente NÃO querem usar lycra, micro shorts ou jeans com stretch.

o que me transporta automaticamente de volta ao ginásio. eu passei ANOS da minha vida tentando descobrir de quem havia sido a brilhante idéia de transformar os shorts do uniforme feminino de educação física em verdadeiras calcinhas de elastano azul. sério, era algo desse tamanho:

provavelmente o autor do atentado era homem. porque mulher alguma seria tão insensível ao fato de que apenas as gostosonas da turma ficariam bem naquilo, enquanto que as gordinhas ou magricelas sofreriam o vexame de se expor aos olhares alheios - ou à falta de olhares alheios; honestamente não sei o que é pior numa idade onde aprovação é o ar que se respira.

na época eu não era nem gorda, nem magrela (embora também não jogasse no time das boazudas teens), mas absurdamente tímida. a idéia de desfilar de calcinha por uma quadra lotada de ereções ambulantes me fazia inventar uns 500 resfriados por ano, matar cinco avós por semestre ou ficar menstruada treze vezes por mês, a fim de evitar o suplício. no final do ano, eu acabava fazendo uma redação de 50 linhas sobre a história do voleibol e ficava tudo ok.

o short eu usava como calcinha, mesmo.