we're all in this together

um scrap de mau gosto recebido no orkut (onde mais poderia ser?) me fez concluir: o pessoal podia ir parando com essa teoria triste de que todo mundo é obrigado a amar profundamente o lugar onde nasceu.

eu não "amo" lugar nenhum. no máximo, gosto de jersey - mas jersey também está cheia de problemas (para mim, pelo menos), tanto quanto o rio de janeiro, a inglaterra e a alemanha. cada um desses lugares sempre terá atrativos e dificuldades que não encontrarei nos outros, o que soterra qualquer expectativa de "lugar perfeito". o que é ótimo: existisse mesmo essa terra prometida, todos iriam querer viver lá, e todo mundo sabe que lugar lotado não presta.

acho possível que alguém que tenha nascido e vivido no brasil não se identifique com as particularidades do país, não goste de verão, de samba, de "calor humano". acho perfeitamente aceitável que essa pessoa emigre, decida que o país de destino seja, para ELA, melhor do que o país de origem e sinta-se livre para declarar isso, sem ser taxada de "deslumbrada", "traidora", "esnobe", "maria passaporte", entre outros.

o fato é que, em termos absolutos e até o presente momento, não acho país algum melhor do que o brasil, tampouco acho o brasil melhor do que país algum.

pessoas são pessoas, não árvores. não temos "raízes" funcionais; se existem, elas são psicológicas. o nosso "lar" é onde nos sentimos em casa num dado momento, e esse lar pode mudar, pode ser um, pode ser vários. pode até ser nenhum. e não "temos um país"; nascemos onde nascemos por uma escolha aleatória do destino. é claro que ter nascido onde nasci moldou a minha personalidade, mas isso não me obriga a pregar um letreiro com a palavra BRASILEIRA em neon piscante na testa. eu sou EU, antes de qualquer nacionalidade. e humildemente acredito que ser receptiva a outras culturas, aprender a amar certos aspectos e a detestar outros (ainda que venha a detestar a maioria) assim como amava e detestava no brasil, só enriquece a experiência.

respeitadas as leis, eu prefiro esquecer fronteiras e ver meus semelhantes como seres humanos, completos em si mesmos sem a necessidade de ser isso ou aquilo.

vamos parar com essa palhaçada de ficar dividindo o mundo em "times", em "facções" opostas.
o muro da foto abaixo já caiu faz tempo. não precisamos erguer outros.


british boy @ berlin wall, 2007

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