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Sábado, Junho 30, 2007

ninguém é uma ilha.





Fotos feitas com o celular, modo sépia.

Segunda-feira, Junho 25, 2007

she's here. <3



melhor notícia do dia - pelo menos para mim.
bem vinda à sua nova vida, pequena.
(L)

Sexta-feira, Junho 22, 2007

Meow.

cabei de ligar para a minha mãe.
Queria lembrá-la de comprar dois abridores de lata e pôr na mala que o meu pai vai trazer (porque os abridores de lata europeus e eu temos uma longa história de incompatibilidade) e também uma garrafinha de água para animais, própria para se usar em casinhas de transporte, a fim de que a Chantilly não sinta sede durante a viagem de avião.

A mãe começou a recomendar cuidados que eu deveria ter com a gata (como se ela não tivesse sido minha e vivido comigo por mais de quatro anos antes da minha mudança para a Europa) e logo se pôs a chorar. Típico. Minha mãe chorava até quando as visitas que eu recebia lá em casa, para passar 2 ou 3 dias, iam embora. Foi com a minha mãe que a manteiga aprendeu a derreter. Era de se esperar que ela ficasse triste com a partida da gata - mesmo que ela reclamasse diariamente da própria, não deixasse que a bicha dormisse em sua cama e armasse escândalos quando a pobre eventualmente vomitava no chão da sala.

"A vida é injusta", disse ela. "Primeiro me leva o seu padrasto, depois você e, agora, a gata também". O problema seria amenizado se ela quisesse adotar um outro gato, mas ela então reclama que não quer ter mais essa fonte de preocupação, de não poder viajar ou dormir na casa dos outros (é claro que poderia... bastava deixar água e comida, gatos são resistentes e independentes) e que nunca mais terá bichos. *suspiro*

Mãe, decida-se.
Porque EU preciso me decidir se fico com peninha de você ou se te mando à merda.

Enfim, meu pai e a Chantilly viajam amanhã à noite.
Será o fim da novela?? Aguarde cenas dos próximos capítulos.
Espero que os obstáculos (o caos nos aeroportos brasileiros, a incompetência da Varig e a burrice do meu pai) sejam ultrapassados com a ajuda da sorte - porque no fim das contas é só com ela que eu sempre pude contar.



Good luck, little one.

Quarta-feira, Junho 20, 2007

Mid week boredom.

Quarta feira. Resolvi faltar à academia porque ter uma coisa no MEIO do dia pra fazer, TODOS os dias, é massacrante.
Nunca gostei. Parece que "corta" o dia no meio, passo a manhã na expectativa e, depois que a tarefa está concluída, eu murcho.

Se eu fosse dessas pessoas que acorda VIVA, eu faria ginástica logo cedo.
Mas pela manhã eu mal respiro. Não pergunte o meu nome. Aliás, não me pergunte NADA antes das nove e meia (mínimo). Nem mesmo olhe para mim.


Ele foi para casa hoje. Eu queria ter ido, mas enfim, sacrifício demais para apenas dois dias em Jersey. Fico aqui com essa vista cheia de janelas estranhas de pessoas estranhas. E essa janelinha de LCD aqui na minha frente, povoadas pessoas mais estranhas ainda...

As diferentes faixas etárias sob a minha janela:


Esses mesmos velhos estão todos os dias bebendo cerveja no café da esquina. Espero chegar a essa idade com o meu fígado ainda em funcionamento para fazer a mesmíssima coisa que eles.

Domingo, Junho 17, 2007

Jesus não gosta de gordinho!!

Basicamente dormi o dia todo, costurei para a Emmaleth e percebi que posso ouvir rádio ligando o meu celular nas caixas de som do computador.
Quase uma Einstein, eu.

À noite descobri um cyber café aqui perto, pilotado por um turco meio grosso, que fala entredentes, não sorri nunca e não fala inglês. Dói-me dizer, mas os turcos são feios. Especialmente as turcas. Os turcos são feios, mas os homens alemães não são exatamente bonitos, então a feíura dos turcos se dilui e se perdoa um pouco. Mas é cruel comparar as turcas baixotas, com queixo duplo e bundudas com as alemãs size zero e suas peles maravilhosas, cabelos loiros naturais escandalosamente bem tratados (ao contrário das inglesas, que não aceitam nenhum outro tipo de cabelo que não seja loiro-e-liso e torram os fios em pranchas alisantes três vezes por dia).

É claro que eu estou generalizando. Existem turcas belíssimas e alemãs monstruosas (na verdade, existem mais alemãs monstruosas, com barrigas de barril e nariz de pepino em conserva, do que turcas bonitas, but whatever). Mas pelo menos aqui em List, considerada área nobre, as alemãs são sempre altíssimas, loiríssimas e magérrimas. Basta sair daqui para fazer umas comprinhas no supermercado, no entanto, que as gordinhas alemãs começam a aparecer, fuçando cestos de calcinhas XXL na liquidação e com carrinhos carregados de pão, bolos, chucrute, batata e cerveja. E salsicha. Claro. Junte repolho a isso tudo e entenda porque todas as lojas aqui vendem máscaras de oxigênio (não, não vendem - eu só estava brincando).

Na verdade, com tanto pão, bolo, biscoito, batata e afins, as alemãs magérrimas certamente se mantém assim vomitando - ou subsistindo numa dessas dietas estapafúrdias de rúcula + água.
Nesse caso, me consola saber que essas vacas vão morrer logo.

Enfim, o cyber café cobra 30 centavos pelos dez primeiros minutos, depois um euro por hora. Eu acho que, com isso, meu nível de exigência cai e vou aceitar que o turco mal encarado não fale inglês. Vou cogitar até a aprender a falar turco na esperança de que ele me mostre os dentes.
Por esse precinho, tudo - menos aprender alemão, é claro.

Ah, o link para o vídeo politicamente incorreto que inspirou o título desse post. Eu acho meio sacal blogs que agora só postam vídeos do YouTube. Pesa a página e a deixa muito feia. Postar o link é menos impactante, mas surpresinha para você: na página do You Tube, os vídeos carregam mais rápido. :)

Sexta-feira, Junho 15, 2007

love is in the finger.


Por falar em dedos, cruzei os meus.
Se parar de chover hoje, vou ver Jehtro Tull.

Quinta-feira, Junho 14, 2007

Back.


inferno astral.

(lyrics: renato russo / foto: meu pai, circa 1937)

Sexta-feira, Junho 08, 2007

Lister Fest.

Começa hoje a Lister Fest.
Fez um calor infernal, eu rearrumei a casa, fiquei sem comer um bom tempo tentando guardar minha pança para o festival (mas acabei sucumbindo ante a uma terrina de corn flakes). Assim que ele pôs os pés em casa, pusemos os nossos na rua. COMIDA!

As ruas estavam coloridas, cheias de gente, de quiosques em formatos de chalézinhos germânicos, de carrosséis, de crianças (eu leio nos jornais que os europeus não estão se reproduzindo a contento, mas essa informação bate de frente com a realidade de hordas de pirralhos vikings pelas ruas de hannover) e de comida, naturalmente. Por todo o lado, pequenos palcos onde bandas, comediantes, músicos e performers se apresentavam para platéias sorridentes - quem diria...


Nessa aí de baixo, o punk rocker de meia idade tocava um didgeridoo, um instrumento musical bizarro inventado pelos aborígenes australianos. Já é o segundo show a que eu assisto onde alguém toca um bagulho desses. Estranha popularidade para um instrumento fruto da criatividade de uma das raças mais "invisíveis" do planeta (nem na Austrália se fala dos aborígenes).


Achei uma barraquinha vendendo maçã do amor e fiquei completamente emo. E mais ainda ao descobrir que aqui elas também são chamadas de "maçã do amor" (liebesapflel) e não "toffee apple" como na Inglaterra (toffee?? Que toffee, meu filho?!). Paramos numa barraquinha de bebidas e duas taças de prosecco se juntaram à garrafa de cerveja sabor limão (!) que eu já havia derrubado. Respectivo não encontrou o "porco inteiro no espeto" (hog roast) que tanto queria comer, mas achamos uma barraquinha de comida “asiática” e ele se esbaldou no crispy duck com noodles. Eu comi algo que parecia pedaços de galinha fritos em farinha e leite com arroz e sweet’n’sour sauce. Divino.


Demos uma rodadinha extra pelo lugar. Bandas tocavam em palquinhos, não muita coisa para se ver ou comprar além de comida e bebida. Então resolvemos parar numa barraca onde as caipirinhas saíam a 4 euros e a banda no palquinho em frente mandava ver numa cover do U2. Feel the band love, aw.



Sem dúvida uma das melhores caipirinhas que tomei na vida. No fim, resolvemos comprar os copos (com a estampa CAIPIRINHA all over), e o barman resolveu nos dá-los de graça, e ainda mandou num “thanks for being here”. Aw.


Por que será que caipirinha é tão popular por essas partes, eu não sei. Não há um bar que se entre onde não se encontre a dita cuja no menu de cocktails. Às vezes a descrição ainda arrisca um “authentic rio de janeiro” ou coisa do tipo.

Gostaria que o guaraná Antarctica seguisse os passos da caipirinha e aparecesse assim, facinho, em qualquer esquina.

Quinta-feira, Junho 07, 2007

Domestic Goddess, me?

Vista lateral da varanda.
Essa é a vista "feia" que dá para esse paredão de concreto horroroso. Por isso os vasinhos de flores (que ainda não estavam lá na segunda foto abaixo). A vista frontal é toda verde e linda:

E sim, aqueles poppies são falsos, mesmo.

Meu projeto futuro é comprar dúzias de flores de plástico e plantar em vasos. Tudo em nome da praticidade - chega dessa putaria de ficar regando, tirando do sol, recolocando no sol, comprando "plant food", podando e depois chorando quando essas merdinhas invariavelmente morrem.

Eu não encontro lime diet coke nesse lugar.
Você entra no mercado e se depara com uma infinidade absurda (e quando digo absurda eu quero dizer ABSURDA mesmo, beirando o ridículo) de diferentes tipos de água, carbonadas ou não, coloridas ou não, aromatizadas ou não + uma variedade igualmente absurda de suquinhos (incluindo banana). Mas o setor de refrigerantes é risível. Se existem garrafas de dois litros, ainda não fomos formalmente apresentadas. Coca cola, só a básica e, se você tiver sorte, a diet básica (que me dá dor de cabeça). Sprite aparece em comerciais da MTV - mas não nas prateleiras das lojas. E não tente se aproximar de refrigerantes de laranja a menos que você esteja no Brasil ou seja fã de Cebion efervescente.

Certa vez achei uma garrafa de cherry coke e duas de vanilla coke. Para quem, como eu, já teve a infelicidade de bebê-las, sabe que existem formas menos agonizantes de cometer suicídio.

Além disso, pelo visto as três garrafas estavam fora do prazo de validade. Deviam estar juntando poeira ali desde a época do lançamento. Peguei uma de água mineral e, praguejando, me dirigi ao caixa.

Eu sou brasileira. Eu não vivo sem fizzy pops.
Gimme ma coke madam. I need my fix like now.

Terça-feira, Junho 05, 2007

Tori Amos, Hamburg.

Sempre que ligo para o meu pai é insônia na certa.
Ainda assim não consegui dormir na viagem de quase hora e meia, em pânico por estar dentro de um carro a 140km/h trafegando por uma autobahn alemã sem limite de velocidade.

Chegamos e o estacionamento ficava ao lado de uma asian market, onde eu fui prontamente fuçar e... achei umeboshis! Almocei no restaurante Corcovado, que mais uma vez provou certa minha teoria de que nunca se deve pedir feijoada num restaurante que não esteja devidamente situado no Brasil (ainda que ele se intitule "brasileiro"). O feijão é quase sempre uma pasta preta amorfa, a farofa insossa, a couve inexistente e as carnes bizarras (na feijoada de hoje, por exemplo, enfiaram pedaços de bife. Sim, bife). Acho que eles se valem do conceito (quase sempre errôneo) de que a maioria dos clientes ali será formada por não brasileiros, que não fazem idéia do que seja uma autêntica feijoada.

De qualquer modo, resolvi não pagar pra ver a caipirinha e pedi uma sobremesa de "banana flambada". O garçom, com cara de brasileiro mas "simpatia" alemã, jogou meio litro de cachaça em cima do prato forrado de lindas fatias de banana ladeadas por sorvete e chantilly e depois tacou fogo em tudo. O sorvete virou uma sopa, o chantilly praticamente evaporou e as bananas murcharam significantemente. Pelo menos a cachaça era Pitu.


Saí dali meio crestfallen e pegamos o carro. Faltava menos de uma hora para o show da Tori, e o estacionamento mais próximo fechava às onze. Para não arriscar ficar na pista em Hamburgo depois daquele horário, estacionamos na rua mesmo. A "noite" (passava das sete, mas ainda dia claro) estava linda, sementes felpudas de dandelions voavam pelo ar, pracinhas com estátuas esverdeadas (cobre oxidado), flores e chafarizes gigantescos.



A praça em frente ao teatro onde o show aconteceria já devidamente populada por senhoras beirando a meia idade, vestidas de preto e sacolejando madeixas pintadas de ruivo. "Tori Amos Fangirl League", pensei, ao entregar meu ingresso para ser levemente rasgado e adentrar o suntuoso recinto de arquitetura barroca. Os lugares eram numerados e não havia "pista" - como nós brasileiros chamamos aquele espaço logo em frente ao palco, onde as tietes se espremem enlouquecidamente contra a grade de proteção, gritando feito insanas, tirando fotos obsessivamente (e espocando flashes na cara do pobre artista) e basicamente having a great time; meu lugar favorito.


Nossas cadeiras ficavam na parte de trás, mas isso não me perturbou em nada já que o lugar era realmente pequeno (tanto que era possível levantar-se e ir até a frente tirar fotos) e o zoom da minha câmera chuta bundas.

O show de abertura, que nem sabíamos que haveria, ficou por conta de um grupo de rapazes bem nutridos e gostosinhos com sotaque australiano (mas que, viemos depois a saber, vieram de Devon, Inglaterra). Depois descobri que a "banda" era um homem só, cujo nome é Seth Lakeman e o som realmente interessante.


Depois do show de abertura seguiu-se um relativamente longo hiato. As portas fechadas e a falta de ar condicionado estavam lentamente transformando o lugar numa sauna, e os viadinhos sentados no meio da fileiras não estavam ajudando em nada, levantando a cada cinco segundos para comprar sorvete, biscoito, café, suco, água mineral (nem cerveja bebiam... viadinhos), mijar isso tudo e, a cada levantada, encher o saco de metade da fileira para que passassem.

Resolvi ir tirar a água do joelho também antes que o show começasse, e descobri que havia uma fila de dez vagabundas em frente à porta do banheiro feminino, e apenas três vagabundas em frente ao banheiro de deficientes físicos. Apesar de ter que aprender a lidar com uma porta que abria e fechava automaticamente (e morrendo de medo de vê-la escancarar-se antes que minhas calças tivessem subido o suficiente para cobrir minhas vergonhas), consegui me livrar do excesso de líquido e voltar para a minha cadeirinha-numerada-patricinha.

Logo em seguida a Tori entrou e minha primeira impressão ao vê-la foi: "nossa, mas como ela é pequena e magra!" (exatamente o oposto de quando vi o Morrissey pela primeira vez ("nossa, mas como ele é grande e gordo!"). Bem, the old slapper estava dentro de um cocktail dress vermelho e usava uma peruca chanel quase branca, incorporando a personalidade da Santa, uma das cinco personas que povoam o álbum. Depois de algumas canções retiradas dele, ela sumiu para retornar em seguida já travestida com a peruca longa e ruiva de Tori (outra persona), e com ela mandou ver nos clássicos Crucify, Cornflake Girl, Precious Things, Playboy Mama, Mother, etc.




Me surpreendi com a qualidade da voz da moça ao vivo e na excelência com que pilota aquele piano - sem contar as caras e bocas fenomenais. Ouvi de alguém certa vez que Tori dava tudo de si no palco. Concordei. Só faltou mesmo dar a bunda. Até mesmo o English Boy ficou boquiaberto. Pena as fotos não terem saído boas - iluminação indireta é uma merda.

Ela não faz dancinhas nem muda de roupa a cada 13 segundos e meio (como Madonnas, Britneys, Kylies, e etcéteras). Nada contra shows cheios de efeitos especiais e trocas de guarda roupa, always exciting. Mas é interessante ver que ainda é impossível se impor artisticamente, manter uma carreira, fãs e lugar cativo no show business por causa da música - e não cirurgias plásticas, mudanças de cor de cabelo, escândalos e visitas a clínicas de reabilitação.

Tori é puro talento onde as outras são self marketing; delicadeza onde as outras são vulgaridade, dedicação onde as outras são oportunismo.
Good on ya, moça.

Sábado, Junho 02, 2007

Car Market

Muita força de vontade para sair da cama. As cervejas + whisky de ontem começaram a pesar, apesar de eu não ter nem passado perto de estar bêbada. Mas tínhamos que ir procurar as malditas bicicletas. A três quadras de casa está o Eilenriede, o maior parque urbano da Europa. É imenso, quase todo plano, perfeito pra andar de bike - se eu não tivesse deixado a minha em Jersey.

Tudo muito caro. No primeiro lugar que pesquisamos, tinha bicicleta de até 1600 euros!! Por uma magrela. Ok que aqui o pessoal tende a usar bicicleta ao invés de carro para economizar na poluição (e no preço do estacionamento...), MAS. Não achamos nada que nos servisse - ou o assento era desconfortável, ou a bicicleta muito alta, ou não tinha suspensão, ou era cara demais.

No Real (um dos supermercados "grandes"... os pequenos são baratos, mas uma bagunça), chegamos no meio de uma exposição de carros. Basicamente hot rods americanos, tudo muito over e kitsch, uma delícia. Tirei umas 1500 fotos e comi batata assada com molho de queijo e ervas - e cerveja, claro, porque não inventaram ainda nada melhor para curar ressaca do que álcool.











Observe o tamanho desses alto falantes.





Viva LARS Vegas. Aw.



A cadeia, na verdade, era o bar.


Autêntico hot rod - um amor.


A habitual piranha e o amor pela oncinha.



FLAVA FLAV!!!! E mais oncinha!



Tem até um bar no furgão da onça... E os bancos/mesa viram cama.


Puxador de coca cola e pride to be yankee...


BATATA LOVE.

Voltamos pra casa sem as bikes, mas valeu a pena.