voc? gosta de cerejas?
a maioria das pessoas n?o gosta, ou prefere as que v?m imersas na calda do licor maraschino. eu nada tenho contra o licor, nem mesmo contra as dulc?ssimas cerejas em conserva. mas gosto mesmo ? das frescas - quer dizer, gosto agora. na europa aprendi a gostar de v?rias frutas (e at? legumes) que detestava no brasil. por alguma raz?o, se h? menor variedade de frutas por essas bandas, elas pelo menos s?o mais doces. n?o me pergunte o porqu? - mas o fato ? que aqui, pela primeira vez na vida, pude comer um morango sem fazer careta por conta da acidez, nem precisar mergulhar a fruta num pote de creme de leite e depois em a??car.

essas cerejas vieram do supermercado, n?o t?m nada de org?nicas, provavelmente s?o importadas e nem um pouco ecol?gicas. mas baby jesus, como estavam doces!
hoje eu tinha uma tarefa nada agrad?vel por fazer. nada agrad?vel mesmo. era dia de pintar o cabelo (pinto porque tenho fios brancos desde os 19 anos, e eles se intensificaram desde ent?o… como n?o quero estar grisalha aos 30, a preven??o ? necess?ria). eu odeio pintar o cabelo. a verdade ainda maior ? que eu odeio fazer qualquer coisa com o meu cabelo, e isso envolve pentear ou lavar. eu deveria ter nascido com aquele tipo de fio que exige pouca ou nenhuma manuten??o. infelizmente fui “aben?oada” com esse que requer cuidados constantes para ficar bonito. assim sendo, ele quase nunca fica, porque raramente me rendo aos rituais mulherzinha de “hidrata??o, creminhos e ?leos, corte, escova ou chapinha”. penteio umas tr?s vezes por semana, lavo semanalmente (n?o fa?a cara de nojo: s? cabelos extremamente oleosos precisam ser lavados com shampoo todo dia) e, na maior parte do tempo, simplesmente esque?o que tenho p?los me revestindo a cabe?a.
meu sonho era raspar o cocoruto, comprar uma bela peruca de fio humano, grud?-la com aqueles velcros adesivos e partir pro abra?o. s? que nunca me deixaram ser feliz: minha m?e jamais topou a id?ia (nem o investimento financeiro na peruca), e o respectivo diz que “adora o meu cabelo” (leia-se: “adorar eu n?o adoro, mas topo qualquer coisa para n?o ter que acordar ao lado de uma mulher careca”). um dia, quando eu crescer e morar sozinha, vou raspar minhas “madeixas” (melhor cham?-las de “ME DEIXA”), comprar um peruc?n pocahontas e ser livre para todo o sempre, ignorando shampoos, pentes e similares.
mas ent?o. hoje era dia de pintar o pixaim e eu precisava me preparar psicologicamente. de manh? cedo, apaguei as luzes (inverno, aqui - em dias nublados como esse, ? preciso luz artificial mesmo durante o dia), desliguei o r?dio, sentei-me na mesa da cozinha encarando a paisagem invernal no janel?o e, tendo apenas o uivar do vento como trilha sonora, saboreei minhas cerejas docinhas, uma a uma… ok, eu s? comi oito, porque elas eram apenas a entrada. o prato principal era esse:

caf? com leite, torrada com manteiga (de verdade) e uma tangerina t?o doce quanto as cerejas.
agora eu vou ali encarar luvas, aquele creme preto disgusting e o cheiro enjoativo da tinta.
mas vou de barriga (e alma) cheias.



















sim, eu sumi. mas ? por estar ocupad?ssima - estou de mudan?a. hoje ? a minha ?ltima noite na terra da salsicha, pelo menos pelos pr?ximos 30 dias. cansei, enjoei, irritei. quero minha casa, minha BBC, minha assinatura da revista country living, minha caminha e minhas janelas com vista para o verde - e n?o para a vizinha obesa andando de suti? pela sala enquanto fala no celular ou para o camarada com cara de ped?filo que passa o dia inteiro olhando para a tela do computador com um sorriso estranho no rosto. *medo*
















2008