what nourishes me, delights me.

voce gosta de cerejas?
a maioria das pessoas nao gosta, ou prefere as que vem imersas na calda do licor maraschino. eu nada tenho contra o licor, nem mesmo contra as dulcissimas cerejas em conserva. mas gosto mesmo e das frescas - quer dizer, gosto agora. aqui aprendi a gostar de varias frutas (e ate legumes) que detestava no brasil. por alguma razao, se ha menor variedade de frutas por essas bandas, elas pelo menos sao mais doces. pela primeira vez na vida, pude comer um morango sem fazer careta, nem precisar mergulhar a fruta num pote de creme de leite e depois em acucar.


essas cerejas vieram do supermercado, nao tem nada de organicas, provavelmente sao importadas e nem um pouco ecologicas. mas baby jesus, como estavam doces!

hoje eu tinha uma tarefa nada agradavel por fazer. nada agradavel mesmo. era dia de pintar o cabelo (pinto porque tenho fios brancos desde os 20 anos, e eles se intensificaram desde entao... como nao quero estar grisalha aos 30, a prevençao e necessaria). eu odeio pintar o cabelo. a verdade ainda maior e que eu odeio fazer qualquer coisa com o meu cabelo, e isso envolve pentear ou lavar. eu deveria ter nascido com aquele tipo de fio que exige pouca ou nenhuma manutençao. infelizmente fui "abençoada" com esse que requer cuidados constantes para ficar decente. assim sendo, ele quase nunca fica, porque raramente me rendo aos rituais mulherzinha de "hidrataçao, creminhos e oleos, corte, escova ou chapinha". penteio umas tres vezes por semana, lavo semanalmente (nao faça cara de nojo: so cabelos extremamente oleosos precisam ser lavados com shampoo todo dia) e, na maior parte do tempo, simplesmente esqueço que tenho pelos na cabeça.

meu sonho era raspar o cocoruto, comprar uma bela peruca de fio humano, gruda-la com aqueles velcros adesivos e partir pro abraço. so que nunca me deixaram ser feliz: minha mae jamais topou a ideia (nem o investimento financeiro), e o respectivo diz que "adora o meu cabelo" (leia-se: "adorar eu nao adoro, mas topo qualquer coisa para nao ter que acordar ao lado de uma mulher careca"). um dia, quando eu crescer e morar sozinha, vou raspar minhas "madeixas", comprar um perucón pocahontas e ser livre para todo o sempre, ignorando shampoos, pentes e similares.

mas entao. hoje era dia de pintar o pixaim e eu precisava me preparar psicologicamente. de manhã cedo, apaguei as luzes (inverno, aqui - em dias nublados como esse, é preciso luz artificial mesmo durante o dia), desliguei o rádio, sentei-me na mesa da cozinha encarando a paisagem invernal no janelão e, tendo apenas o uivar do vento como trilha sonora, saboreei minhas cerejas docinhas, uma a uma... ok, eu só comi oito, porque elas eram apenas a entrada. o prato principal era esse:
café com leite, torrada com manteiga (de verdade) e uma tangerina tão doce quanto as cerejas.

agora eu vou ali encarar luvas, aquele creme preto disgusting e o cheiro enjoativo da tinta.
mas vou de barriga (e alma) cheias.

pequenas indulgências

"a vida doméstica tem altos e baixos. ajuda bastante possuir um estado de espírito que saiba transformar a menor das indulgências em luxo. isso significa lançar um olhar positivo para a própria vida - considerar não apenas o que você quer ter, mas o que pode ter (ou o que já tem). significa decidir por si mesmo o que você classifica como luxo e não seguir as idéias exageradas da mídia. vestidos de alta costura, jatinhos particulares, iates imensos e diamantes maiores ainda são maravilhosos, tenho certeza, mas você não acha ridículo o fato de que pouquíssimas pessoas no mundo podem pagar por essas coisas? melhor se presentear com alguns rolos de lã macia para tricotar, um bom filme com uma bela xícara de chá, um buquê de rosas divino, ou uma pequena, porém deliciosa, caixinha de chocolates. como bette davis diz ao fim de "now, voyager": 'não precisamos pedir a lua - nós temos as estrelas'."

jane brocket, in "the gentle art of domesticity"













reencontros e recomeços.

Chegamos em casa na terça a noite. Devíamos ter chegado na segunda, mas o mau tempo no canal da mancha fez com que os barcos fossem cancelados. ou seja, ganhamos um dia extra na cidadezinha de Albert, que fica na região do Somme, famosa pelas batalhas da primeira guerra mundial.

E, como 99% dos ingleses adultos são fanáticos por guerras, eu peregrinei, sob frio e ventos cortantes, atraves de campos de batalhas, monumentos para os mortos que nunca foram encontrados, para os mortos que foram encontrados, 383254810976 mini cemitérios de guerra, museus no estilo "viu um, viu todos", decifrei mapas em busca de crateras de bombas, enfim... você entendeu. Ganhei um resfriado e dor nas pernas, mas o british boy estava feliz feito pinto no lixo e eu não quero estragar o deleite alheio... atchim!!

E agora, da serie coisas com que você pode contar na França:

1. Os motoristas VÃO dirigir mal. Não interessa se você está na cidade ou no countryside, no centro de paris ou nos cafundós de algum pays desabitado; eles vão ultrapassar onde não devem, vão dirigir a 30cm da sua traseira e vão fazer gestos obscenos pelo vidro do carro quando passarem por você. E claro, seu respectivo inglês VAI resmungar um "BLOODY FUCKING FROG".

2. As mulheres francesas VÃO vestir preto da cabeça aos pés, terão aquele arzinho de fragilidade estudada, no estilo "me proteja, eu sou apenas uma mulher" (but i do fuck like a rabbit) e jogarão charme em cima dos homens disponíveis (e, sejamos justos, dos indisponíveis também) num raio de 45 quilometros - ou mais, se houver internet por perto.

3. A carne servida nos restaurantes será SEMPRE crua. Siga a tabela: se voce quer o seu bife médio, peça bem passado. Se quiser bem passado, peça torrado. Se quiser mal passado e pedir por isso, tenha confiança de que seu bife mal será apresentado a frigideira antes de ser despejado no seu prato praticamente mugindo, mais sangrento do que um passeio de ônibus na palestina.

4. O café da manhã francês é o equivalente culinário da expressão "glicose na veia". Pão doce, geléia doce, bolos, biscoitos, sucos... ou seja, o inferno de Atkins. Isso tudo vai chutar a sua curva glicemica acima da torre Eiffel e, quando ela cair, sua fome será bastante para devorar vinte quilos de foie gras, pouco se fodendo para os gansos. Taí a razão pela qual os franceses sempre tiveram uma performance tão pifia nas grandes guerras: é impossível encarar uma trincheira com um croissant no estomago, mon cher. Breakfast decente, com "sustança", tem ovos, bacon e sausage.

5. Os franceses jamais irão retirar a decoração de natal das casas, lojas e restaurantes antes que janeiro termine. Os mais tradicionalistas vão deixar a árvore de natal armada (com as luzes piscando), a guirlanda na porta, o papai noel escalando as janelas e similares até meados de fevereiro. Eles fazem questão de deixar as renas e bonecos de neve nas vitrines das lojas e a decoração de rua dependurada nos postes. Acho que eles confundem "decoração de natal" com "decoração de inverno". Quando chegar o verÃo e a neve falsa em cima da árvore de natal não fizer mais tanto sentido, eles guardam tudo. Ou então deixam tudo já montado, prontinho para o proximo natal.

Enfim, tamo em casa.
Tenho passado meus dias desencaixotando coisas, mas ainda tenho que desencaixotar muitas mais e reencontrar os lugares de onde elas sairam ha muitos meses quando, assim como eu, foram arrancadas de suas rotinazinhas e levadas para um longo passeio no continente.

Mas tambem tenho passado os dias dando gritinhos viados ao redescobrir coisas simples, como a vista do banheiro azulzinho, com vaquinhas pastando na chuva. Como o meu chuveiro COM!ÁGUA!QUENTE! e a pia enorme da cozinha, onde posso lavar pratos sem ter que lavar o chão ao mesmo tempo. Como o slogan da minha rádio favorita. Como achar uma pilha de dvds entregue pelo carteiro. Como os livros que nao havia tido tempo de ler, me esperando na estante. Como o meu sofa, velho, rasgado e cafona, mas extremamente macio e confortavel (tão mais aconchegante do que aquela porcaria modernosa, dura e fria do apartamento na Alemanha). Como as minhas revistas favoritas escritas num idioma que eu entendo. Como esbarrar nas pessoas e ouvir um imediato "sorry!" (estou quase esbarrando de propósito, so para ouvir os ingleses sendo mecanicamente educados).

Estamos todos bem, a maluca está gorda e já comi meu primeiro sanduiche de bacon de verdade, em comemoraçao ao retorno ao lar.
É possível que em um mes ou dois eu visite novamente a familia (marido e gata) que ficaram na Alemanha, mas por ora, eu so quero desempacotar minhas tralhas, me atirar nesse sofá e terminar de ler a Country Living magazine desse mês.

Até já.












várias últimas observações

sim, eu sumi. mas é por estar ocupadíssima - estou de mudança. hoje é a minha última noite na terra da salsicha, pelo menos pelos próximos 30 dias. cansei, enjoei, irritei. quero minha casa, minha BBC, minha assinatura da revista country living, minha caminha e minhas janelas com vista para o verde - e não para a vizinha andando de sutiã pela sala enquanto fala no celular ou para o camarada com cara de pedófilo que passa o dia inteiro olhando para a tela do computador com um sorriso estranho no rosto. *medo*

acabo de voltar da ikea. parece que TODAS as famílias de hannover olharam pela janela hoje cedo, deram de cara com a chuva e decidiram: "vamo levá as criança tudo pra passear na ikea??". porque, sinceramente. era uma mistura de pátio de jardim de infância na hora do recreio + enfermaria infantil de hospital + creche para bipolares. gritos, choros, berros, correria, criança passando por cima do pé, criança derrubando displays no chão... façça a imagem do inferno de dante na sua cabeça e acredite quando eu disser que era mil vezes pior.

gostaria que essas famílias acordassem para o fato de que loja de departamentos não é parquinho. as pessoas estão ali para fazer decisões e compras, não para aturar berreiro de pivete mal educado nem ser atropeladas por aqueles carrinhos de madeira infantis ri-dí-cu-los. levar a ninhada inteira pra "passear na ikea e almoçar almôndega" é passar atestado de pobre ainda mais evidente do que pôr bombril na antena da televisão. simancol na veia, ok?

mas nem tudo é pobrema, meu povo. fui à saturn comprar um adaptador para poder ouvir meu ipod no rádio do carro e dei de cara com um clone 30 vezes melhorado do jake gyllenhaal. para exemplificar, digo que o clone era lindo enquanto eu acho o jake feio. mas HELLO BABY, você hoje fez até parar de chover - literalmente.

quase vi uma patricinha virar pizza na rua, hoje. chão molhado, salto dez, sinal aberto, a energúmena foi tentar atravessar correndo. aliás, "correndo" é modo de dizer - imagine aquele típico andar salta-pocinhas acelerado que essas pessoas desenvolveram para se locomover rapidamente em cima de dois palitos. resultado: levou um escorregão e se esborrachou na frente do carro, que parou a uns dez centímetros da cabecinha loira saxã. mais meio milésimo e ia voar cérebro e chucrute pra todo lado. te dou uma dica, gatan? acenda uma vela em agradecimento ao seu anjo da guarda - e ao inventor dos freios ABS.

venho declarar meu nojinho por essas "cantoras" que gravam músicas chamando a atenção para o seus "status de celebridade" (leia-se fergie em fergalicious, jennifer lopez em jenny from the block e, mais recente e desgraçadamente, britney spears em piece of me). essas furaram a fila do "eu me acho" e encheram três sacolas cada. no caso da britney, então, soa como o típico caso "levar problemas pessoais para o trabalho". desçam do altarzinho, please. até porque as "santas" são de barro, e se cairem lá de cima fodeu.

encerro as transmissões alemãs por ora, crianças. e hoje me peguei pensando que sinto uma nostalgia gostosa de todas as casas onde morei na vida, não importa onde, nem por quanto tempo. saudade da casa onde nasci e vivi meus primeiros anos, apesar de me lembrar tão pouco. saudade absurda e vívida da casa onde passei a infância e a adolescência. saudade da quitinete minúscula onde minha mãe foi morar com seu companheiro quando se separou do meu pai, e onde eu frequentemente a visitava. saudade do apartamento de dois quartos no mesmo prédio onde, depois de brigar com meu pai, fui morar com eles. saudades da linda casinha amarela que os dois compraram juntos e que quase perdemos quando ele foi morto.

saudades da cottage alugada, pequena porém adorável, onde passei minhas duas primeiras temporadas em jersey e me apaixonei pelo anfitrião. saudades da cottage gelada, com aquecimento deficiente, onde começamos nossa vida juntos (enquanto a casa principal estava sendo restaurada) e onde dançamos ao som do led zeppelin na cozinha no dia do nosso casamento. saudades da nossa casa, que reformamos juntos e onde há um pouco de nós dois em cada cômodo, em cada cor de tinta escolhida e em cada móvel que trouxemos com sacrifício do brasil; da casa que se transformou junto conosco e que, com sorte, abrigará nossos sonhos e planos pelas próximas décadas. mas posso afirmar, com quase certeza, que não levarei saudades desse apartamento. nunca, nem mesmo temporariamente, me senti realmente em casa.

amanhã bem cedo estarei voltando para a minha.
vou ali terminar de empacotar a vida; volto (e voltarei a ler todos vocês) assim que humanamente possível.

baby she's a try hard

obrigada a todo mundo pelos recados no orkut/email e ligações no meu aniversário.
a internet pode ser um balaio de loucos, mas alguns desses loucos sao também adoráveis.

então, lutando bravamente contra a falta de vontade de atualizar isso aqui, venho declarar que "a britney é minha copycat" (isso rende até uma comunidade no orkut, mas deixemos baixo).

semana passada, quando o tédio me arrancou o traseiro dessa cadeira, me empurrou porta afora e me fez adentrar os domínios cafonas da woolworths (a versão alemã consegue ser mais decadente e brega que a inglesa, que é mais variada e eu admito gostar), eu achei uma seção chamada "karnival" - ou alguma chucrutice equivalente. fantasias de jersey brilhante e perucas de nylon vagabundas em todas as cores imagináveis, sem mencionar os saquinhos de confete e as latinhas de spray de espuma (pelo visto essa imundície também é moda por aqui). Às meninas que moram na alemanha, favor explicar: existe carnaval alemão? é pra ter medo??

como a woolworths alemã é daquelas lojas que, mesmo que você entre com dinheiro e vontade de gastá-lo, quase sempre vai sair de mãos vazias porque simplesmente não encontra nada que preste, eu DECIDI que seria o meu dia de dizer OI para a papuda mal encarada da caixa registradora. peguei uma peruca vermelha, pus na cesta, paguei e fui pra casa brincar de tirar fotos no espelho OI-EU-TENHO-CINCO-ANOS (e-não-muito-o-que-fazer). resumo da ópera:

p.s.: os óculos custaram uns 5 euros na H&M.

tendo postado a pagação de mico acima no meu fotolog, abro o daily mail dias depois e me deparo com isso:

AINDA BEM que eu não comprei a rosa.
quer dizer, eu "acho" que a dela é a rosa, mas a minha foto está super saturada e a dela está cheia de flash. se a peruca da "miss disaster" for igual a minha eu vou TACAR FOGO.

britney, eu sei que você passa o dia todo bebendo frapuccinos e dando F5 no meu fotolog, mas pega leve, vai. ok que a nossa reputação já desceu pelo ralinho do banheiro faz tempo, mas você, pelo menos, está sendo regiamente paga por isso - já EU tive que pagar nove euros por essa peruca vagabunda e agora, por sua causa, ela vai virar espanador.

enfraquece, viu.
mas pelo menos os meus óculos são mais bonitos e custaram mais barato que os seus. woohoo.

arrumando.

às vezes me dá uma preguiça indizível de blog. às vezes me pergunto se não seria melhor deixar isso aqui se transformar de vez num "fotolog metido a besta" ao invés de tentar escrever - eis a minha maior fonte de preguiça: juntar palavras de forma inteligível, inteligente e agradável. bem, vamos seguir fazendo um esforço e torcendo para que o meu modesto pontocom emplaque 2009.

o ano novo me inspirou e, como eu sinto falta da escrivaninha que deixei em jersey, acabei de "fazer" uma para mim aqui em hannover:


é claro que eu ainda vou pintar e decorar, e que está tudo desarrumado. simplesmente joguei as coisas que estavam na janela em cima da escrivaninha - se eu fosse esperar para pintar, arrumar e decorar, jamais faria essas fotos.

a mesa (40 euros) e o gaveteiro pequeno à esquerda (8 euros) são da ikea. perceba que o gaveteiro veio TODO defeituoso. o furo/puxador da gaveta do meio veio de cabeça para baixo e faltava a frente de uma das gavetas do meio. mas voltar à ikea para trocar por outro custaria, só em gasolina, mais que o preço do infeliz; então deixa pra lá. depois eu compro outro... os dois módulos de madeira à direita consegui por seis euros cada numa loja de materiais de construção.

a mesa onde fica o computador é de vidro. detesto modernidades, já que a maioria põe a "estética" acima do conforto. alguém avisa que móvel de vidro ou aço em países frios não funciona?? obrigada. porque, de manhã, depois de uma noite inteira onde o aquecimento no escritório ficou off, encostar o braço naquele vidro gelado IS NOT LOVE.

eu não vou mudar o computador para essa mesa, no entanto. vou usá-la para fazer minhas colagens idiotas e escrever, já que me faltava aqui um cantinho para essas coisas. quando eu resolver costurar, basta pôr a máquina de costura ali em cima e ligar na tomada. e o que é melhor: os módulos ficam na frente de uma das janelas, me presenteando com um pouco mais de privacidade nesse apartamento big brother. \o/

minhas colagens e as fadinhas que moram na luminária finlandesa (comprada numa loja de materiais de construção na finlândia - eu já disse que amo lojas de material de construção?).


canecas e tulipas de amsterdam (eu morria sem saber que o coelhinho miffy era holandês; tinha certeza que ele era japa!), as casinhas de estocolmo e a gárgula parisiense (perceba que adquirir tralha brega de turista às toneladas é de praxe nessa casa).


o postalzinho com ar 60s é do museu da DDR em berlin; se você for à cidade, não deixe de visitá-lo para saber em detalhes como viviam os habitantes da alemanha oriental.


ali meu livro de postais do yoshitomo nara - LOVE it.


à esquerda o livro "the 20s in vogue magazine", um dos meus achados da thesaurus, uma lojinha de livros usados que parece ter saído de um filme: sineta na porta avisando que alguém entrou, cheiro de mofo, livros liiiiindos e uma velhinha simpática na caixa registradora vintage. aw.


mais do livro... que aliás comprei para recortar as figuras e usar as colagens, mas depois não tive coragem de estragar.


bônus: mais yoshitomo nara for you.

< / 2007 >< 2008 >

então, reveillon bom-bou.
descontando-se o fato de que respectivo comprou ingressos para a festa errada. ok que com bebida e comida qualquer lugar funciona, e o jack the ripper's sempre manda música boa (tecno o cacete, só toca britpop), mas putz, eu passei 2007 inteiro enfiada naquele pub. já tem aquele feeling de quintal, sabe. mas enfim - podia ser pior. eu podia ter ficado nesse apartamento, me sentindo no big brother sendo observada por todos os olhos nas janelas adjacentes.

levamos anna, a minha junkie preferida, mas ela "passou mal" antes de meia noite e disse que iria para casa. hmmm. a meu ver ela tinha outro borogodó pra ir, marcado com os amigos do lado negro da força e regado a entorpecentes variados. whatever - ela já é bem grandinha e não tenho qualificações pra ser baby sitter nem psicóloga; desejo um pouco de juízo àquela cabecinha ruiva em 2008.

os "canapés" servidos eram fatias de pão francês com pedaços de salame por cima. sofisticadíssimo. acabei enfiando a cara nas batatas fritas com queijo derretido por cima, yummy. percebi que havia exagerado na maquiagem quando tiraram uma foto minha com flash e, quando olhei no visor da câmera, minha cara estava branca e brilhante feito a do gasparzinho. ooops.

ok, meia noite. a garrafa de prosecco na mesa, olhamos um para a cara do outro e nos perguntamos, "mas cadê a contagem regressiva?". não rolou. achamos meio bizarro (ah, esses chucrutes...) e abrimos a garrafa. UMA HORA depois começa um projeto de contagem e aí fomos nos dar conta: é um english pub, oras, e eles estavam festejando a virada no horário da Inglaterra. how cute is that? e fomos rebolar na "pista de dança" (na verdade eles só arrastaram as cadeiras pro lado).

por volta das três (e depois de uns três copões de flying kangaroo) eu já estava vendo três british boys na minha frente. um deles (o mais sensato) achou por bem me carregar pra casa. o percurso jack the ripper's --> apartamento big brother leva uns 20 minutos a passos normais. levamos cerca de duas horas para chegar em casa, porque eu caía a cada dez metros, morrendo de rir de alguma piada que não lembro qual foi (até porque ninguém contou nenhuma). também atrasamos porque um dos cinco british boys decidiu parar numa lanchonete da estação e me enfiar um copo de café pela cara + um sanduba gigantesco de frikadelle pingando maionese. eu comia, ria, acenava para os doze british boys que tinham ido pagar a conta e encarava o fulaninho sentado a umas poucas mesas à frente, e que não parava de piscar o olho. ÓBVIO que, assim que o café começou a fazer efeito, percebi que não, ele não estava me dando bola - era tique nervoso. UIA. so much for my self esteem.

consegui chegar em casa, amparada pelos oito british boys (estavam diminuindo, finalmente!!) e me atirei na cama sem tirar a maquiagem. dia seguinte acordei com a cara igual a de um urso panda e o cheirinho de fry-up vindo da cozinha (marido prendado é tudo, amigas). mas antes que eu conseguisse me animar, ela chegou. ânsia de vômito. corro para o banheiro, sento no chão, abraço o vaso e regurgito cangurus voadores, pão amassado e um bagulho verde de procedência desconhecida.

ufa. i feel much better now. passa esse bacon pra cá, ô.

e que em 2008 eu continue bebendo horrores, rindo horrores (mesmo sem saber de quê; na verdade, nem importa) e vomitando coisas verdes; desde que não sejam sapos, porque esses eu não quero mais ter que engolir.