what nourishes me, delights me.
Escrito em diariamente, Janeiro 31, 2008 @ 05:23

voc? gosta de cerejas?
a maioria das pessoas n?o gosta, ou prefere as que v?m imersas na calda do licor maraschino. eu nada tenho contra o licor, nem mesmo contra as dulc?ssimas cerejas em conserva. mas gosto mesmo ? das frescas - quer dizer, gosto agora. na europa aprendi a gostar de v?rias frutas (e at? legumes) que detestava no brasil. por alguma raz?o, se h? menor variedade de frutas por essas bandas, elas pelo menos s?o mais doces. n?o me pergunte o porqu? - mas o fato ? que aqui, pela primeira vez na vida, pude comer um morango sem fazer careta por conta da acidez, nem precisar mergulhar a fruta num pote de creme de leite e depois em a??car.

essas cerejas vieram do supermercado, n?o t?m nada de org?nicas, provavelmente s?o importadas e nem um pouco ecol?gicas. mas baby jesus, como estavam doces!

hoje eu tinha uma tarefa nada agrad?vel por fazer. nada agrad?vel mesmo. era dia de pintar o cabelo (pinto porque tenho fios brancos desde os 19 anos, e eles se intensificaram desde ent?o… como n?o quero estar grisalha aos 30, a preven??o ? necess?ria). eu odeio pintar o cabelo. a verdade ainda maior ? que eu odeio fazer qualquer coisa com o meu cabelo, e isso envolve pentear ou lavar. eu deveria ter nascido com aquele tipo de fio que exige pouca ou nenhuma manuten??o. infelizmente fui “aben?oada” com esse que requer cuidados constantes para ficar bonito. assim sendo, ele quase nunca fica, porque raramente me rendo aos rituais mulherzinha de “hidrata??o, creminhos e ?leos, corte, escova ou chapinha”. penteio umas tr?s vezes por semana, lavo semanalmente (n?o fa?a cara de nojo: s? cabelos extremamente oleosos precisam ser lavados com shampoo todo dia) e, na maior parte do tempo, simplesmente esque?o que tenho p?los me revestindo a cabe?a.

meu sonho era raspar o cocoruto, comprar uma bela peruca de fio humano, grud?-la com aqueles velcros adesivos e partir pro abra?o. s? que nunca me deixaram ser feliz: minha m?e jamais topou a id?ia (nem o investimento financeiro na peruca), e o respectivo diz que “adora o meu cabelo” (leia-se: “adorar eu n?o adoro, mas topo qualquer coisa para n?o ter que acordar ao lado de uma mulher careca”). um dia, quando eu crescer e morar sozinha, vou raspar minhas “madeixas” (melhor cham?-las de “ME DEIXA”), comprar um peruc?n pocahontas e ser livre para todo o sempre, ignorando shampoos, pentes e similares.

mas ent?o. hoje era dia de pintar o pixaim e eu precisava me preparar psicologicamente. de manh? cedo, apaguei as luzes (inverno, aqui - em dias nublados como esse, ? preciso luz artificial mesmo durante o dia), desliguei o r?dio, sentei-me na mesa da cozinha encarando a paisagem invernal no janel?o e, tendo apenas o uivar do vento como trilha sonora, saboreei minhas cerejas docinhas, uma a uma… ok, eu s? comi oito, porque elas eram apenas a entrada. o prato principal era esse:

caf? com leite, torrada com manteiga (de verdade) e uma tangerina t?o doce quanto as cerejas.

agora eu vou ali encarar luvas, aquele creme preto disgusting e o cheiro enjoativo da tinta.
mas vou de barriga (e alma) cheias.

das pequenas indulg?ncias
Escrito em home, livros, vida, Janeiro 28, 2008 @ 17:41

“a vida dom?stica tem altos e baixos. ajuda bastante possuir um estado de esp?rito que saiba transformar a menor das indulg?ncias em luxo. isso significa lan?ar um olhar positivo para a pr?pria vida - considerar n?o apenas o que voc? quer ter, mas o que pode ter (ou o que j? tem). significa decidir por si mesmo o que voc? classifica como luxo e n?o seguir as id?ias exageradas da m?dia. vestidos de alta costura, jatinhos particulares, iates imensos e diamantes maiores ainda s?o maravilhosos, tenho certeza, mas voc? n?o acha rid?culo o fato de que pouqu?ssimas pessoas no mundo podem pagar por essas coisas? melhor se presentear com alguns rolos de l? macia para tricotar, um bom filme com uma bela x?cara de ch?, um buqu? de rosas divino, ou uma pequena, por?m deliciosa, caixinha de chocolates. como bette davis diz ao fim de “now, voyager“: ‘n?o precisamos pedir a lua - n?s temos as estrelas’.”

jane brocket, in “the gentle art of domesticity











sim, n?s temos as estrelas.
e hoje o meu c?u est? cheio delas.

reencontros e recome?os.
Escrito em diário de bordo, humor observacional, vida, Janeiro 24, 2008 @ 05:38

chegamos em casa na ter?a ? noite. dev?amos ter chegado na segunda, mas o mau tempo no canal da mancha fez com que os barcos fossem cancelados. ou seja, ganhamos um dia extra na cidadezinha de albert, que fica na regi?o do somme, famosa pelas batalhas da primeira guerra mundial.

e claro, como 99% dos ingleses adultos s?o fan?ticos por guerras, eu peregrinei, sob frio e ventos cortantes, atrav?s de campos de batalhas, monumentos para os mortos que nunca foram encontrados, para os mortos que foram encontrados, 383254810976 mini cemit?rios de guerra, museus no estilo “viu um, viu todos”, decifrei mapas em busca de crateras de bombas, enfim… voc? entendeu. ganhei um resfriado e dor nas pernas, mas o british boy estava feliz feito pinto no lixo e eu ? que n?o vou estragar o deleite alheio… atchim!!

e agora, da s?rie coisas com que voc? pode contar na fran?a:

1. os motoristas V?O dirigir mal. n?o interessa se voc? est? na cidade ou no countryside, no centro de paris ou nos cafund?s de algum pays desabitado; eles v?o ultrapassar onde n?o devem, v?o dirigir a 30cm da sua traseira e v?o fazer gestos obscenos pelo vidro do carro quando passarem por voc?. e, claro, seu respectivo ingl?s VAI resmungar um “BLOODY FUCKING FROG”.

2. as mulheres francesas V?O vestir preto da cabe?a aos p?s, ter?o aquele arzinho de fragilidade estudada, no estilo “me proteja, eu sou apenas uma mulher” (but i do fuck like a rabbit) e jogar?o charme em cima dos homens dispon?veis (e, sejamos justos, dos indispon?veis tamb?m) num raio de 45 quil?metros - ou mais, se houver internet por perto.

3. a carne servida nos restaurantes ser? SEMPRE crua. siga a tabela: se voc? quer o seu bife m?dio, pe?a bem passado. se quiser bem passado, pe?a torrado. se quiser mal passado e pedir por isso, tenha confian?a de que seu bife mal ser? apresentado ? frigideira e ser? despejado no seu prato praticamente mugindo, mais sangrento do que um passeio de ?nibus na palestina.

4. o caf? da manh? franc?s ? o equivalente culin?rio da express?o “glicose na veia”. p?o doce, gel?ia doce, bolos, biscoitos, sucos… ou seja, o inferno de atkins. isso tudo vai chutar a sua curva glic?mica acima da torre eiffel e, quando ela cair, sua fome ser? bastante para devorar vinte quilos de foie gras, pouco se fodendo para os pobres gansos. ta? a raz?o pela qual os franceses sempre tiveram uma performance t?o p?fia nas grandes guerras: ? imposs?vel encarar uma trincheira com um croissant no est?mago, mon ch?r. breakfast decente, com “sustan?a”, tem ovos, bacon e sausage.

5. os franceses jamais ir?o retirar a decora??o de natal das casas, lojas e restaurantes antes que janeiro termine. os mais tradicionalistas v?o deixar a ?rvore de natal armada (com as luzes piscando), a guirlanda na porta, o papai noel escalando as janelas e similares at? meados de fevereiro. eles fazem quest?o de deixar as renas e bonecos de neve nas vitrines das lojas e a decora??o de rua dependurada nos postes. acho que eles confundem “decora??o de natal” com “decora??o de inverno”. quando chegar o ver?o e a neve falsa em cima da ?rvore de natal n?o fizer mais tanto sentido, eles guardam tudo. ou ent?o deixam tudo j? montado, prontinho para o pr?ximo natal.

enfim, tamo em casa.
tenho passado meus dias desencaixotando coisas, mas ainda tenho que desencaixotar muitas mais e reencontrar os lugares de onde elas sa?ram h? muitos meses quando, assim como eu, foram arrancadas de suas rotinazinhas e levadas para um longo passeio no continente.

mas tamb?m tenho passado os dias dando gritinhos viados ao redescobrir coisas simples, como a vista do meu banheiro azulzinho, com vaquinhas pastando na chuva. como o meu chuveiro COM!?GUA!QUENTE! e a pia enorme da cozinha, onde posso lavar pratos sem ter que lavar o ch?o ao mesmo tempo. como o slogan da minha r?dio favorita. como achar uma pilha de dvds entregue pelo carteiro. como os livros que n?o havia tido tempo de ler, me esperando na estante. como o meu sof?, velho, rasgado e cafona, mas extremamente macio e confort?vel (t?o mais aconchegante do que aquela porcaria modernosa, dura e fria do apartamento na alemanha). como as minhas revistas favoritas escritas num idioma que eu entendo. como esbarrar nas pessoas e ouvir um imediato “sorry!” (estou quase esbarrando de prop?sito, s? para ouvir os ingleses sendo mecanicamente educados).

estamos todos bem, a maluca est? gorda e j? comi meu primeiro sandu?che de bacon de verdade, em comemora??o ao retorno ao lar.
? poss?vel que em um m?s ou dois eu visite novamente a fam?lia (marido e gata) que ficar? na alemanha, mas por ora, eu s? quero desempacotar minhas tralhas, me atirar nesse sof? e terminar de ler a country living magazine desse m?s.

at? j?.

a scattering of things
Escrito em alemanha, humor observacional, vida, Janeiro 19, 2008 @ 15:17

sim, eu sumi. mas ? por estar ocupad?ssima - estou de mudan?a. hoje ? a minha ?ltima noite na terra da salsicha, pelo menos pelos pr?ximos 30 dias. cansei, enjoei, irritei. quero minha casa, minha BBC, minha assinatura da revista country living, minha caminha e minhas janelas com vista para o verde - e n?o para a vizinha obesa andando de suti? pela sala enquanto fala no celular ou para o camarada com cara de ped?filo que passa o dia inteiro olhando para a tela do computador com um sorriso estranho no rosto. *medo*

acabo de voltar da ikea. parece que TODAS as fam?lias de hannover olharam pela janela hoje cedo, deram de cara com a chuva e decidiram: “vamo lev? as crian?a tudo pra passear na ikea??”. porque, sinceramente. era uma mistura de p?tio de jardim de inf?ncia na hora do recreio + enfermaria infantil de hospital + creche para bipolares. gritos, choros, berros, correria, crian?a passando por cima do p?, crian?a derrubando displays no ch?o… fa?a a imagem do inferno de dante na sua cabe?a e creia em mim quando eu disser que era MIL vezes pior.

gostaria que essas fam?lias acordassem para o fato de que loja de departamentos n?o ? parquinho. as pessoas est?o l? para fazer decis?es e compras, n?o para aturar berreiro de pivete mal educado nem ser atropeladas por aqueles carrinhos de madeira infantis ri-d?-cu-los. levar a ninhada inteira pra “passear na ikea e almo?ar alm?ndega” ? passar atestado de pobre ainda mais evidente do que p?r bombril na antena da televis?o. simancol na veia, ok?

mas nem tudo ? pobrema, meu povo. fui ? saturn comprar um adaptador para poder ouvir meu ipod no r?dio do carro e dei de cara com um clone 30 vezes melhorado do jake gyllenhaal. para exemplificar, digo que o clone era lindo enquanto eu acho o jake feio. eu sou chat?ssima pra achar homem bonito; meu padr?o ? alto e incomum. mas HELLO BABY, voc? hoje fez at? parar de chover - literalmente.

quase vi uma patricinha virar pizza na rua, hoje. ch?o molhado, salto dez, sinal aberto, a energ?mena foi tentar atravessar correndo. ali?s, “correndo” ? modo de dizer - imagine aquele t?pico andar salta-pocinhas acelerado que essas mulheres desenvolveram para se locomover rapidamente em cima de dois palitos. resultado: levou um escorreg?o e se esborrachou na frente do carro, que parou a uns dez cent?metros da cabecinha loira sax?. mais meio mil?simo e ia voar c?rebro e chucrute pra todo lado. te dou uma dica, gatan? acenda uma vela em agradecimento ao seu anjo da guarda - e ao inventor dos freios ABS.

venho declarar meu nojinho por essas “cantoras” que gravam m?sicas chamando a aten??o para o seus “status de celebridade” (leia-se fergie em fergalicious, jennifer lopez em jenny from the block e, mais recente e desgra?adamente, britney spears em piece of me). essas furaram a fila do “eu me acho” e encheram tr?s sacolas cada. no caso da britney, ent?o, soa como o t?pico caso “levar problemas pessoais para o trabalho”. des?am do altarzinho, please. at? porque as “santas” s?o de barro, e se cairem l? de cima j? viu, n?.

encerro as transmiss?es alem?s por ora, crian?as. e hoje me peguei pensando que sinto uma nostalgia gostosa de todas as casas onde morei na vida, n?o importa onde, nem por quanto tempo. saudade da casa onde nasci e vivi meus primeiros anos, apesar de me lembrar t?o pouco. saudade absurda e v?vida da casa onde passei a inf?ncia e a adolesc?ncia. saudade da quitinete min?scula onde minha m?e foi morar com seu companheiro quando se separou do meu pai, e onde eu frequentemente a visitava. saudade do apartamento de dois quartos no mesmo pr?dio onde, depois de brigar com meu pai, fui morar com eles. saudades da linda casinha amarela que os dois compraram juntos e que quase perdemos quando ele foi morto… ?. barra. pesada.

saudades da cottage alugada, pequena por?m ador?vel, onde passei minhas duas primeiras temporadas em jersey e me apaixonei pelo anfitri?o. saudades da cottage gelada, com aquecimento deficiente, onde come?amos nossa vida juntos (enquanto a casa principal estava sendo restaurada) e onde dan?amos ao som do led zeppelin na cozinha no dia do nosso casamento. saudades da nossa casa, que reformamos juntos e onde h? um pouco de n?s dois em cada c?modo, em cada cor de tinta escolhida e em cada m?vel que trouxemos com sacrif?cio do brasil; da casa que se transformou junto conosco e que, com sorte, abrigar? nossos sonhos e planos pelas pr?ximas d?cadas. mas posso afirmar, com quase certeza, que n?o levarei saudades desse apartamento, nem dos meses que passei aqui. nunca, nem mesmo temporariamente, me senti realmente em casa.

?. amanh? bem cedo estarei voltando para a minha.
vou ali terminar de empacotar a vida; volto (e voltarei a ler todos voc?s) assim que humanamente poss?vel.

baby she’s a try hard
Escrito em LOL, Janeiro 16, 2008 @ 06:07

obrigada a todo mundo pelos recados no orkut/email e liga??es no meu anivers?rio.
a internet pode ser um balaio de loucos, mas alguns desses loucos s?o tamb?m ador?veis.

ent?o, lutando bravamente contra a falta de vontade de atualizar isso aqui, venho declarar que “a britney ? minha copycat” (isso rende at? uma comunidade no orkut, mas deixemos baixo).

semana passada, quando o t?dio me arrancou o traseiro dessa cadeira, me empurrou porta afora e me fez adentrar os dom?nios cafonas da woolworths (a vers?o alem? consegue ser mais decadente e brega que a inglesa, que ? mais variada e eu admito gostar), eu achei uma se??o chamada “karnival” - ou alguma chucrutice equivalente. fantasias de jersey brilhante e perucas de nylon vagabundas em todas as cores imagin?veis, sem mencionar os saquinhos de confete e as latinhas de spray de espuma (pelo visto essa imund?cie tamb?m ? moda por aqui). ?s meninas que moram na alemanha, favor explicar: existe carnaval alem?o? ? pra ter medo??

como a woolworths alem? ? daquelas lojas que, mesmo que voc? entre com dinheiro e vontade de gast?-lo, quase sempre vai sair de m?os vazias porque simplesmente n?o encontra nada que preste, eu DECIDI que seria o meu dia de dizer OI para a papuda mal encarada da caixa registradora. peguei uma peruca vermelha, pus na cesta, paguei e fui pra casa brincar de tirar fotos no espelho OI-EU-TENHO-CINCO-ANOS (e-n?o-muito-o-que-fazer). resumo da ?pera:

p.s.: os ?culos custaram uns 5 euros na H&M, e s?o parecid?ssimos com os da dior que eu amo mas n?o vou comprar porque sinceramente, a minha cara n?o merece um ?culos dior.

tendo postado a paga??o de mico acima no meu fotolog, abro o daily mail dias depois e me deparo com isso:

AINDA BEM que eu n?o comprei a rosa.
quer dizer, eu “acho” que a dela ? a rosa, mas a minha foto est? super saturada e a dela est? cheia de flash. se a peruca da “miss disaster” for igual a minha eu vou TACAR FOGO.

britney, eu sei que voc? passa o dia todo bebendo frapuccinos e dando F5 no meu fotolog, mas pega leve, vai.
ok que a nossa reputa??o j? desceu pelo ralinho do banheiro faz tempo, mas voc?, pelo menos, est? sendo regiamente paga por isso - j? EU tive que pagar nove euros por essa peruca vagabunda e agora, por sua causa, ela vai virar espanador.

enfraquece, viu.
mas pelo menos os meus ?culos s?o mais bonitos que os seus. woohoo.

domingo col?rio.
Escrito em colírio, Janeiro 13, 2008 @ 03:42

ah, o fasc?nio exercido por um belo cafajeste…

james spader.

p.s.: eu sou especialmente parcial ? sua fase 80s (vide sex, lies and videotape e pretty in pink; sem desmerecer secretary e crash).
com topete e tudo. ali?s, muito por causa do topete.

middle week random shit
Escrito em humor observacional, Janeiro 9, 2008 @ 07:15

I. o blog ficou offline ontem porque, segundo o suporte do servidor, algu?m estava promovendo um “ataque DOS” a um dos sites e eles estavam lutando contra o invasor. no final das contas, a frase “o que ? que eu tenho a ver com isso” me ocorre, mas bem, estamos de volta. desculpem o transtorno e paguem no caixa, por favor.

II. ? janeiro e pelos blog/fotologs todo mundo est? postando as fotos do ver?o.
sinto falta das cores. das luzes. dos cheiros. de sair ? noite com tempo quente.
mas dos 43 graus ? sombra durante o dia, n?o sinto falta, n?o.

III.three li’e birds
sa’ on my window

querida corinne bailey rae. PERCA ESSE SOTAQUE LONDRINO-PROLET?RIO-EASTENDERS DOS INFERNOS antes de se aventurar na frente de um microfone. porque ok, n?o ajuda que a sua voz e a sua m?sica sejam boring. e que a sua cara seja boring, tamb?m. desista, voc? ? uma pessoa teletubbie e eu n?o gosto de voc?.

mas a kate nash tamb?m come consoantes com ch? no caf? da manh?, e eu acho ela fofa assim mesmo. idem para a lily allen, embora eu nem goste tanto assim das m?sicas da lily allen. no fim, ? tudo uma quest?o de fofura. fofura resolve todos os problemas do mundo.

IV. ah, sim. algu?m me mostrou isso e eu n?o quis acreditar

o que me incomoda ? a enxurrada de comments afirmando que a mulher est? gorda (quando ela OBVIAMENTE n?o est?) ou que ela deveria “vestir-se de acordo com a idade”. espera. deixa eu ver se eu entendi. voc? faz 35 anos e, mesmo tendo um corpo legal e belas pernas, deve jogar seus tops de alcinha e minissaias no lixo e comprar vestidos floridos cobrindo os tornozelos, jogar um avental por cima, sentar-se numa cadeira de balan?o e esperar a morte? 40 graus l? fora, but HEY, vou ali vestir um macac?o porque eu dobrei o cabo da meia idade???

n?o tenho palavras. tenho ? PENA de quem realmente acredita que vai ter 19 anos e pesar 45 quilos pra sempre. quando a ficha cair, vai doer em dobro, viu filhos?

ali?s, esse site inteiro ? deprimente. o que s?o aqueles coment?rios?? “nossa, ela tem o corpo perfeito! vou fazer mais umas abdominais agora”, “wow, eu mataria cachorrinhos para ter aquelas pernas!”, “ela ? minha inspira??o - hoje eu s? comi 400 calorias”. as americanas, quando n?o arrastam 300 quilos de banha pelas ruas, s?o t?o f?teis e obcecadas com magreza-revista-vogue que chegam a dar nojinho.

V. e por falar em magreza, E A?, MINHA AMIGA, como foi de natal, ano novo e etc?tera? o p? ainda est? na jaca ou voc? j? tirou ele de l? - e aproveitou pra comer a jaca tamb?m? quantos quilos acumulados depois de ter que passar uma semana comendo os restos da ceia de natal e outra semana comendo os restos da ceia de ano novo E da de natal? a roupinha comprada pro new year j? n?o serve mais e agora voc? s? veste cal?as com cintura de el?stico e chora pelos cantos pensando no quanto ser? dif?cil passar um m?s comendo r?cula e ricota? FA?A COMO EU, minha amiga! adquira uma infec??o intestinal de ano novo, passe a primeira semana do ano sentada na privada e segurando um balde na frente da boca, e diga adeus ?quele pneu de bicicleta que se alojou na sua cintura depois da bandeja de rabanadas murchas qua sua sogra fez voc? comer.

certa vez eu fiquei sabendo de uma mulher que, num churrasco, ficou lambendo peito de frango cru que estava por ser assado, na esperan?a de pegar alguma bact?ria e poder dizer OI novamente para aquela cal?a jeans que ela n?o conseguia vestir desde 1996. olha, N?O PRECISA chegar a esse ponto, t?? estamos combinadas.

VI. bicho-grilagens ? parte, isso aqui me assustou: absorvente higi?nico recicl?vel.
de cora??o, eu prefiro fazer outras coisas para preservar o meio ambiente. ou simplesmente ligar o dane-se porque, se eu for obrigada a lavar aquela imund?cie fedorenta ? m?o todos os dias do meu ciclo, prefiro dar tchau e ben??o pro planeta terra. vai com deus, meu filho.

ali?s, quem estiver realmente preocupada com a polui??o que zilh?es de absorventes causam ao serem descartados, n?o seria melhor fazer um tratamentozinho b?sico e parar de menstruar? estou seriamente considerando a hip?tese. menstrua??o n?o ? “sinal de sa?de feminina”, ? apenas um efeito colateral natural, por?m indesej?vel, que s? existe nos dias de hoje porque acomete mulheres - essa gente que adora um sofrimento in?til. se homens fossem obrigados a menstruar, essa nojeira inc?moda j? teria sido erradicada h? s?culos.

sweet little devilish angel.
Escrito em vida, Janeiro 7, 2008 @ 12:14

eu devo ter visto o robson pouco mais de meia d?zia de vezes na vida. todas elas memor?veis.

ele era um menino bonito e teria feito sucesso com as garotas do bairro; infelizmente para elas, robson era gay. o t?mido par de seios (de “menina mo?a”, como ele gostava de dizer) e quadris proeminentes (gra?as ?s famosas “inje??es de horm?nio”), associados ao jeito feminino de andar, n?o deixavam em ningu?m um tra?o de d?vida. robson usava bermudas justas, cabelos bem tratados (clich? inevit?vel: ele era cabeleireiro) tingidos de loiro escuro com um corte mullet 90s e virava cabe?as masculinas. confesso: era divertid?ssimo sair com ele e observar os homens pirando no seu corpo bem feito - quando enfim robson se voltava e eles podiam ver seu rosto, a express?o de surpresa dos “apaixonados” era qualquer coisa de hil?ria.

robson era generoso nos conselhos e no carinho. gostava de fazer as pessoas se sentirem bem e sempre tinha na manga um elogio inesperado por fazer, um est?mulo a dar - nunca um julgamento. tinha namorados e adorava compartilhar relatos picantes sobre os seus relacionamentos e sobre alguns amigos que, ao contr?rio dele, ganhavam o sustento “fazendo a vida” pelas ruas do centro ou da zona sul do rio. hist?rias que nos faziam rolar pelo ch?o de rir. passamos algumas tardes de s?bado sentados numa laje de sub?rbio, bebendo coca cola, trocando confid?ncias, risadas, lembran?as e vendo a noite cair, cheia de possibilidades, como um caderno em branco ainda por ser escrito com a nossa hist?ria. e deus, como n?s escrevemos ali.

infelizmente o caderno do robson ficar? pela metade.
ontem recebi a not?cia de que ele se foi, a um m?s do natal.

tchurma.jpg

n?o fica muito, al?m das lembran?as. apenas duas ou tr?s fotografias de adolescentes enfiados nos indefect?veis jeans de “cintura alta” dos anos 90, garrafa de cerveja ou ma?o de cigarros nas m?os, sorriso amplo, brilho nos olhos, planos imensos, f? no futuro e numa amizade inquebrant?vel.
porque houve uma ?poca nas nossas vidas onde essas coisas eram poss?veis. e bastavam.

obrigada por ter compartilhado delas conosco, my dear.

domingo col?rio.
Escrito em colírio, Janeiro 6, 2008 @ 06:06

sundayclint.jpg

clint eastwood.

tidying up.
Escrito em home, nice things, Janeiro 3, 2008 @ 08:50

?s vezes me d? uma pregui?a indiz?vel de blog. ?s vezes me pergunto se n?o seria melhor deixar isso aqui se transformar de vez num “fotolog metido a besta” ao inv?s de tentar escrever - eis a minha maior fonte de pregui?a: juntar palavras de forma intelig?vel, inteligente e agrad?vel. bem, vamos seguir fazendo um esfor?o e torcendo para que o meu modesto pontocom emplaque 2009.

o ano novo me inspirou e, como eu sinto falta da escrivaninha que deixei em jersey, acabei de “fazer” uma para mim aqui em hannover:

? claro que eu ainda vou pintar e decorar, e que est? tudo desarrumado. simplesmente joguei as coisas que estavam na janela em cima da escrivaninha - se eu fosse esperar para pintar, arrumar e decorar, jamais faria essas fotos.

a mesa (40 euros) e o gaveteiro pequeno ? esquerda (8 euros) s?o da ikea. perceba que o gaveteiro veio TODO defeituoso. o furo/puxador da gaveta do meio veio de cabe?a para baixo e faltava a frente de uma das gavetas do meio. mas voltar ? ikea para trocar por outro custaria, s? em gasolina, mais que o pre?o do infeliz; ent?o deixa pra l?. depois eu compro outro… os dois m?dulos de madeira ? direita consegui por seis euros cada numa loja de materiais de constru??o.

a mesa onde fica o computador aqui ? de vidro. detesto modernidades, j? que a maioria p?e a suposta “est?tica” acima do conforto. algu?m avisa que m?vel de vidro ou a?o em pa?ses frios simplesmente n?o funciona?? obrigada. porque, de manh?, depois de uma noite inteira onde o aquecimento no escrit?rio ficou off, encostar o bra?o naquele vidro gelado IS NOT LOVE.

eu n?o vou mudar o computador para essa mesa, no entanto. vou us?-la para fazer minhas colagens idiotas e escrever, j? que me faltava aqui um cantinho para essas coisas. quando eu resolver costurar, basta p?r a m?quina de costura ali em cima e ligar na tomada. e o que ? melhor: os m?dulos ficam na frente de uma das janelas, me presenteando com um pouco mais de privacidade nesse apartamento big brother. \o/

minhas colagens e as fadinhas que moram na lumin?ria finlandesa (comprada numa loja de materiais de constru??o em pielavesi, finl?ndia - eu j? disse que amo lojas de material de constru??o? pois eu AMO).

canecas e tulipas de amsterdam (eu morria sem saber que o coelhinho miffy era holand?s; tinha certeza que ele era japa!), as casinhas de estocolmo e a g?rgula parisiense (perceba que adquirir tralha brega de turista ?s toneladas ? de praxe nessa casa).

o postalzinho com ar 60s ? do museu da DDR em berlin; se voc? for ? cidade, n?o deixe de visit?-lo. ? interessant?ssimo saber em detalhes como viviam os habitantes da alemanha oriental.

ali meu livro de postais do yoshitomo nara - LOVE it.

? esquerda o livro “the 20s in vogue magazine”, um dos meus achados da thesaurus, uma lojinha de livros usados que parece ter sa?do de um filme: sineta na porta avisando que algu?m entrou, cheiro de mofo, livros liiiiindos e uma velhinha simp?tica na caixa registradora vintage. aw.

mais do livro… que ali?s comprei para recortar as figuras e usar as colagens, mas depois n?o tive coragem de estragar.

b?nus: mais yoshitomo nara for you.


Páginas (2): [1] 2 »

menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

LINK MY STUFF:


online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


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