rand?micas maldosas
Escrito em celebrities, celulóide, Março 27, 2008 @ 10:43

keira knightley faz parte daquele selet?ssimo grupo de atores patologicamente impedidos de fazer outra cara al?m da que lhe ? padr?o (no caso da keira, boca de peixe e olhar de quem abusou da medica??o). outro dia tive o desprazer de me deparar com aquela refilmagem equivocada de orgulho e preconceito (2005, “cortesia” de joe wright) e n?o levei nem dez minutos para desligar a tv e ir tomar o meu leitinho gelado, temperado de desgosto.

ela conseguiu transformar miss bennet numa pentelhinha deslumbrada, em parte por conta daquela boca de truta que n?o fecha nunca. a cena onde mr. darcy se declara virou uma palha?ada pseudo-dramatico-rom?ntica-hollywoodiana. o que ? aquela chuva? aquela corridinha? aquela musiquinha incidental?? a cena original ? bem low key e ocorre entre quatro paredes (vamos combinar tamb?m que matthew macfadyen n?o ? nenhum colin firth e n?o convence como darcy). e a boca de peixe l?, vomitando as falas sem um pingo de emo??o. o conflito interno da miss bennet? quem liga pra isso?? o ?nico “conflito interno” pelo qual a keira passa ? decidir quantas cenouras ela pode comer por dia para continuar cabendo nas roupinhas de griffe que ganha dos designers.

acho que essa mo?a ? portadora de alguma patologia que a impede de fechar o maxilar. ou ent?o nunca aprendeu a respirar pelo nariz.

keirak.jpg

ent?o, keira dear, ? assim: voc? FECHA o buraco por onde entram as cenouras, e inspira fundo com os dois menores, aqueles por onde entra o p?

dizem os boatos que, quando casaram diana spencer com charles, uma das muitas inten??es era trazer um pouco de beleza para a fam?lia real. EU nunca achei que diana fosse uma mulher bonita; nem mesmo aos 20 aninhos, antes da anorexia e dos p?ssimos cortes de cabelo. mas a verdade ? que, se lilibeth & co. realmente pretendiam obter uma descend?ncia mais fotog?nica a partir desse casamento… FAIL:

royal.jpg

quando comecei a ler hist?rias sobre reinos encantados, belos pr?ncipes e lindas princesas, n?o sabia que a varinha de cond?o atendia pelo nome de photoshop:

royal4.jpg

que “magia” o qu?; ? preciso muita tecnologia pra salvar a princesa eugenie de parecer um h?brido mal misturado e corcunda da fergie + pr?ncipe andrew. j? pra salvar a IRM? dela, ? preciso crer em deus e no milagre da ressuscita??o. porque beatrice tem cara de roadkill - um sap?o atropelado, com os olhos saltando pra fora.

royal1.jpg

ah, esses contos de fada… tudo hist?ria.

sabe esses “eventos de celebridade” onde algu?m cobre uma parede com logos de alguma empresa e pede para os dign?ssimos posarem em frente, com cara de bunda, feito est?tuas de cera do madame tussaud? pois ?. n?o fosse isso rid?culo o bastante, ainda tem gente que aproveita a chance pra “sobressair” - nem que seja fazendo papel de retardado. repare que nessa foto (do blog da julia petit) todo mundo parece normal, dentro das circunst?ncias - exceto, ? claro, a nossa amiga galisteu:

pega.jpg

gata, te dou um conselho? a gente sabe que a sua “carreira” est? despencando (entre outras coisas, certo? muitos botox rolaram desde aquele ensaio pra playboy) e que isso deixa qualquer um pra baixo. mas pega leve no antidepressivo, porque o pessoal j? percebeu que voc? t? overdosando.

fa?a como a luciana e tente descolar um teste de gravidez positivo de alguma realeza rock’n'roll. e, j? que ela embuchou de um rolling stone, por que voc? n?o vai de beatles? recomendo o paul mccartney; ele est? solteiro, aparentemente gosta de loiras (muito mais) jovens, ? f?rtil feito um coelho e tende a pagar altos dinheiros pra se livrar de esposas encrenqueiras. YOU GO, GIRL.

eu juro que n?o sou sempre assim. ? a conjun??o astral, s?rio.

re-heating the soup
Escrito em this is jersey, vida, www, Março 25, 2008 @ 12:36

a carol est? certa. n?o se faz um post sobre cat?strofes naturais para em seguida sumir.
mas n?o temam, a tempestade j? passou faz tempo (mas o c?u cinza e a chuva modorrenta persistem) e eu n?o fui levada pela ventania. estou viva, por?m muito ocupada. e a ilha vai se recuperando, porque ? preciso muito mais do que um ventinho pra estragar uma beleza como essa:

fotos com a marca d’?gua do cherrysoda porque foram postadas l? originalmente. ali?s, acho que vou parar de usar marca d’?gua, j? que volta e meia me deparo com perfis fakes no orkut usando fotos das minhas bonecas (marca d’?gua devidamente photoshopada), rebatizadas com nomes cafonas e com namorados, irm?os, fam?lias inteiras dentro do site. d?vida - por qu? fazer um perfil fake no orkut? ok se voc? tem apenas UM perfil e ele ? fake; mas ter um oficial E um fake ? trabalho demais para pouco benef?cio.

me sinto deliciosamente alien?gena na p?scoa, quando todo mundo s? sabe tagarelar sobre chocolate e reclamar do quanto v?o engordar por t?-los comido (se esquecendo de que n?o ? obrigat?rio dizer am?m ao consumismo dessas datas e que a eventual banha acumulada ser? culpa deles pr?prios) e eu permane?o linda, leve e magra porque DETESTO CHOCOLATE e distribuo todos os que recebo. esse ano ganhei um ?nico coelho de chocolate (do verdureiro…), imediatamente doado ao Respectivo, que deu cabo do infeliz em menos de meia hora. chocolate, pra mim, s? o branco - j? que n?o tem gosto de chocolate e nem ?, tecnicamente, chocolate.

ah, sim. british boy aportou por essas bandas na quarta feira ? noite (um dos motivos pelos quais n?o tenho estado muito online) e se manda de volta pra chucrutel?ndia dentro de algumas horas. na mesma quarta feira ? noite eu resolvi trope?ar na escada e torcer o p?. passei todo o feriado de molho, mancando feito uma ?gua cuja ferradura est? pra l? de vencida e com o p? coberto por um esquema de cores altamente psicod?lico: roxo, amarelo, rosa, azul e preto. you can’t get much more swinging sixties than that!

uma das coisas que mais me irrita na internet (e olha que MUITA coisa me irrita na internet…) ? ladr?o de bandwidth. hein? voc? n?o sabe o que ? isso? ok, resuminho r?pido: eu pago dinheiros todo m?s para o servidor que hospeda o meu blog. em troca desses dinheiros, tenho direito a fazer upload de arquivos (p?ginas, imagens, m?sica, etc) para esse servidor, e ? gra?as a isso que voc? est? lendo essa p?gina aqui. ou seja, eu PAGO para manter esse boteco e oferecer “conte?do” (cof, cof) para voc?s. certo? certo.

s? que a? vem um amoreco qualquer, v? uma foto, acha bonitinha (ou que combina com o post que ele est? escrevendo), copia o ENDERE?O do arquivo e cola no seu post l? no blogspot - que, surprise surprise, ele tamb?m n?o paga. s? que EU estou pagando pelo tr?fego de arquivos; toda vez que algu?m acessa o blog do pregui?oso e carrega a minha imagem, isso significa mais tr?fego para o meu servidor e, consequentemente, mais $$ pra lolla moon pagar. se o pregui?oso tivesse, ao inv?s disso, copiado a IMAGEM em si para o seu HD, aberto uma conta GRATUITA no photobucket ou imageshack, mandado a foto pra l? e s? depois linkado no seu post, eu n?o teria esse problema. s? que ? mais f?cil e r?pido surrupiar o arquivo do meu servidor. ou seja, lar?pio 1 x lolla moon ZERO.

n?o se trata de ser antip?tico e impedir que usem as fotos - a quest?o ? puramente econ?mica, queridos. como ser simp?tico e resolver o dilema? viu uma foto num blog e quer usar para ilustrar o seu post? a? vai um pequeno GUIA DE ETIQUETA:

? educado mandar um email com anteced?ncia ao dono da imagem e pedir para usar a foto. se ele for um chat?o e n?o topar, sente no meio-fio e chore, mas n?o use. simples.
copie a foto (n?o o endere?o dela), hospede-a no seu photobucket e ent?o linke no seu post. tente n?o mudar satura??o, contraste, essas coisas.
? educado citar a fonte (blog/site) onde voc? encontrou a imagem. um link embaixo da foto basta e todo mundo fica feliz.

quase todos os dias recebo notifica??es de que estou sendo “linkada” noutro site e, quando vou checar o endere?o, percebo que na verdade est?o copiando minhas fotos. o ?ltimo infrator levou o “trof?u ironia”: ele usa um daqueles scripts de “blog de miguxa” pra evitar que o visitante clique nas imagens com o bot?o direito e as copie (sendo que isso n?o protege ningu?m de nada), mas ele pr?prio pega uma caroninha esperta no servidor alheio, copiando imagens e consumindo banda. e claro, ele l? o meu blog, ele usa os meus arquivos, mas em nenhum lugar do bloguisp?te dele tem um link para c?. ent?o, sem link pra ele, tamb?m.

mas o mundo, e n?o apenas a internet, se encontra cheio de oportunistas. aqueles que vivem mudando de lado de acordo com os interesses do dia. e os dissimulados e imaturos que, apesar da idade constando no documento de identidade (e de se considerarem adultos), continuam agindo como se n?o tivessem sa?do da terceira s?rie. viver, para esses queridos, se resume a desenvolver t?ticas de sobreviv?ncia de playground. deve ser muito estressante viver procurando chifre na cabe?a de cavalo. me pergunto se eles n?o se cansam de dividir o mundo em fac??es.

um dia, espero, eles v?o se dar conta de que we’re all the same pile of shit.
e, nesse dia, o mundo ser? um lugar bem menos pretensioso, belicoso e cansativo de se viver.

mad weather.
Escrito em fotos, this is jersey, Março 17, 2008 @ 09:16

ent?o a tempestade que se abateu sobre o sul do reino encantado semana passada respingou por aqui. e QUE respingos.

eu moro no countryside, mais para o sul da ilha e num trecho elevado - ou seja, por aqui s? mesmo o vento. mas em saint helier, no centro da cidade, as ondas castigaram a costa de forma fenomenal. eu, que acompanhava a situa??o de longe e pelo r?dio, n?o fiquei sabendo das enchentes e da destrui??o causada pelas ondas, at? que recebi essas fotos (a maioria retratando saint aubin’s bay) por email:

essa casa amarela ? um pub que fica no centro. depois da tempestade ganhou uma piscina natural e vista para o mar tempor?ria…

o que sobrou do muro de granito que cercava a orla, onde j? fiz tantas fotos:

unbelievable.

d? d? ver partes da ilha nesse estado.
para os afetados, boa sorte na reconstru??o.

rand?micas floridas.
Escrito em diariamente, www, Março 12, 2008 @ 05:26

ent?o, esses artworks s?o legais.
e tamb?m achei isso aqui lindo. queria ter uma parede (e talento) sobrando.

apagar ex-relacionamentos da nossa hist?ria pessoal ? relativamente f?cil. pode doer por uns meses, pode causar alguns problemas de log?stica (quem fica com o qu?, quem vai buscar o qu? na casa de quem, a quem o qu? pertence, etc?tera), financeiros (no caso de separa??es de gente rica, onde interessa mais quem vai ficar com o iate/a casa de praia do que quem fica com a guarda das crian?as e do cachorro) ou at? de sa?de, caso sua paix?o tenha sido mesmo avassaladora ou a sua ex-metade da laranja seja vingativa e frequente uma fac??o mais heavy metal de terreiro de macumba.

mas nada pior do que um ex-relacionamento pode fazer com as suas m?sicas preferidas, se voc? tolamente permitir que uma delas (ou v?rias) passem a fazer parte dele. acredite em mim, por mais que voc? tenha dificuldade de se lembrar do sobrenome do filhodam?e que fez voc? chorar h? uns anos atr?s, voc? NUNCA vai esquecer da maldita m?sica do primeiro encontro, do primeiro beijo, daquele dia dos namorados em teres?polis, daquela m?sica que ele gostava de cantar (e cantava t?o lindo). e se for uma m?sica querida, tanto pior pra voc?, j? que a mancha daquela criatura e daquelas mem?rias nunca vai sair dali, nem deixando de molho na ?gua sanit?ria por uns tr?s mil anos. e se o filhodam?e n?o for t?o filhodam?e assim e, assim como a m?sica, tamb?m for querido… a? desiste, amiga. entrega pra deus e tenta fingir que aquela m?sica nunca foi escrita ou gravada, EVER.

outra coisa que anda me irritando (de leve) ultimamente ? receber toda semana pelo menos uns cinco pedidos de adi??o no Flickr vindos de gentes que vendem coisas - geralmente artesanato, bolsas handmade, bonecas de pano, esculturas cafonas, gravuras e what-nots. eu, que sou boazinha e me sinto obrigada a ir checar cada pedido de adi??o e visitar o flickr do pedinte para ver se quero adicionar tamb?m, acabo gastando tempo com uma coisa que nem deveria estar rolando. garotada, o FLICKR N?O ? EBAY. ? proibido usar o site para comercializar o que quer que seja. publicar fotos dos seus produtos ? OK, desde que voc? n?o coloque pre?os e n?o saia por a? adicionando usu?rios em massa s? para tentar transform?-los em fregueses em potencial. o flickr tem search engines pra isso mesmo; quem estiver procurando por arte (ou o que quer que voc? esteja vendendo) vai achar, se voc? usar as tags certas. agora, parem de ficar atazanando os outros como aqueles vendedores de loja no brasil que trabalham por comiss?o e tentam te empurrar porcaria como se disso dependesse a vida deles (e depende, mesmo).

bem, agora vamos postar fotinhas, porque percebo que o povo n?o tem saco para textos longos (a menos que seja depredando celebridades, o nosso esporte internacional do momento). aqueles daffodils j? estavam mortos e secos, ent?o se fez necess?rio ir em busca de outros pra dar um restart na jarra. calcei minhas botinhas-de-chuva tend?ncia, agarrei minhas tesoura de cozinha e, com tempestade e o escambau, me lancei ? tarefa.

logo na porta encontrei isso aqui - shamrocks they aren’t, but very saint patrick’s day nonetheless, huh?

essas aqui tamb?m estavam na porta, e crescendo assustadoramente. n?o sei que flores s?o essas (s? sei que lindas); apenas espero que as ra?zes n?o joguem minha casa no ch?o.

ei-los! na verdade a parte de tr?s do terreno est? coberta deles, mas essa foi a ?nica foto que saiu ok (luz ruim e fot?grafa pregui?osa, that is).

eis as v?timas! a parte rid?cula da coisa ? que eu tenho pena de cort?-los. no fundo eu acho que flores devem crescer ao natural, em seus habitats, da terra e para a terra, sem escalas dentro de apartamentos, cozinhas, em cima de mesas ou defuntos. 90% das flores que tenho dentro de casa s?o artificiais. me sinto uma assassina de plantas quando as corto (o daffodil da direita estava lindo demais para ser cortado e foi poupado da carnificina vegetal.

par?nteses: eu n?o chamo os narcisos pelo seu nome gringo por frescura, n?o. ? que eu nunca havia visto um narciso antes de vir para c?, e foi por este nome (daffodils) que eu os conheci. acabou grudando.

e a recompensa da jardineira: gin + suco de framboesa + morangos cortadinhos. pode fazer em casa; n?o abuse do gin - ou vodka, caso prefira - e deixe os morangos dar uma leve marinada no ?lcool antes de p?r o suco. delicious!

e agora vou ali fazer a dan?a da chuva ao contr?rio no quintal, na esperan?a que essa tempestade de vento v? brincar de sacudir ?rvores em outro canto.

the music box.
Escrito em reminiscências, Março 7, 2008 @ 18:25

lembra daquela noite em que voc? me viu agachada no escuro, no quarto da sua irm?, ao lado da mesinha de cabeceira? foi engra?ado porque voc? pensou que a luz fraca acesa no quarto significava que ela estava em casa, quando na verdade ela estava de f?rias na praia com as amigas. ent?o voc? ficou surpreso, mas n?o muito, ao me encontrar ali ao inv?s dela, cabelo molhado do banho e vestindo uma camiseta, rosto molhado pelas l?grimas que n?o paravam de rolar embora eu estivesse sorrindo.

em cima da mesinha de cabeceira uma l?mpada de luz vermelha (daquelas que dizem fazer bem para a pele/cabelo/etc?tera, mas que na verdade s?o apenas bonitinhas) iluminando uma caixa de m?sica velha. que pertencera ? sua irm? e havia sido um brinquedo adorado na inf?ncia, mas que h? meia hora atr?s estava indo para o lixo dentro de uma caixa grande de papel?o pardo. eu mal pude acreditar quando meus olhos a reconheceram, coberta de p? em meio a livros de escola antigos, bonecas mutiladas e papel amassado. eu a vi pela primeira vez quando tamb?m era uma crian?a e ela se instalou na minha mem?ria como se gravada a fogo.

ao se olhar, n?o era muito. nada al?m de uma caixa redonda, vermelho sangue escuro, coberta de manchas de gordura, e tocava uma m?sica bastante conhecida e cl?ssica - mas o nome eu nunca soube. em cima uma redoma pl?stica levemente arranhada, protegendo um pequeno casal de dan?arinos, unidos por um fio prateado. um bast?o de metal no meio dos dois fazia com que ficassem de p? e girassem e dan?assem. e eles giravam, rodopiavam e saltavam de acordo com a melodia, e a mo?a era t?o linda, vestida de dan?arina espanhola com o cabelo negro puxado para o alto num coque e ele t?o elegante em seu terno azul escuro e sapatos ridiculamente brilhantes. e eles dan?avam, e saltavam, e rodopiavam, e junto com eles meus olhos, seguindo cada movimento como se deles dependesse o meu cora??o para continuar batendo.

eu me lembro de t?-los visto pela primeira vez exatamente assim: com a l?mpada vermelha projetando uma luz de cabar? sobre o pequeno palco e iluminando os corpinhos dan?ando juntos. sua irm? mostrava o brinquedo para as amigas e eu estava ali por mero acaso (j? que n?o havia sido formalmente convidada). eu sei o quanto vai soar est?pido se eu tentar descrever como me senti - por isso n?o descreverei. afinal, era apenas uma caixinha de m?sica. mas eu tinha cinco anos e uma fascina??o incomum por caixinhas de m?sica; e como aquela, eu jamais havia visto. a escurid?o do quarto, a luz vermelha, os pequenos dan?arinos, a m?sica… todos os elementos se reuniram para criar aquele momento simples, por?m perfeito; e que, durante os anos que se seguiram, recriei religiosamente na mem?ria sempre que me sentia triste e precisando de um pouco de m?gica.

aquela m?gica, em sua forma f?sica, me foi poss?vel naquela noite, quando a pressa peculiar da adolesc?ncia me fez trope?ar na caixa, deixada ao p? da escada para o por?o. foi quando me dei conta de que todas aquelas coisas provavelmente estiveram escondidas ali todo aquele tempo; e l? estava eu, sem saber dividindo o quarto com uma das minhas mais preciosas mem?rias de inf?ncia. meus dedos envolveram a caixinha de m?sica e, com desproporcional cuidado, giraram o mecanismo que a traria de volta ? vida. e ent?o a m?sica, exatamente como eu me lembrava dela, se espalhou por todos os c?modos da casa, e saiu das janelas para o bairro e para o mundo - embora provavelmente apenas eu a estivesse ouvindo. a luz vermelha eu sabia exatamente onde estava. e ent?o corri para o quarto da sua irm? e preparei o meu pequeno palco; e chorei de felicidade no escuro por algum tempo at? que voc? me encontrou.

e ent?o voc? veio e se sentou na minha frente e juntos assistimos ao show por alguns instantes, em absoluto sil?ncio. quando a m?sica finalmente cessou voc? tomou a caixinha nas m?os, girou o mecanismo fazendo os pequeninos prontamente voltarem a dan?ar, como se felizes por estarem de volta ?s atividades depois de longas f?rias n?o solicitadas. e voc? fez essa exata observa??o, e eu ri porque havia pensado a mesma coisa, e disse que eles nasceram para dan?ar e estavam felizes por estar dan?ando juntos de novo, e ent?o voc? disse que eles tinham sorte de ter um ao outro, e n?s rimos, e ent?o a m?sica parou, e voc? deu corda novamente, e n?s rimos mais um pouco e logo os dan?arinos tinham nomes (paco e dora) e toda uma vida. voc? inventou para eles uma longa hist?ria absurda, onde paco viajava o mundo como vendedor de tecidos e bordados e tinha uma amante em cada cidadezinha, at? encontrar dora. e de repente, como se temendo ter entrado num c?modo proibido e esbarrado em qualquer coisa muito delicada, voc? me olhou s?rio e disse “n?o, eles s?o apenas dois estranhos. n?o vamos dar nomes a eles. n?s n?o sabemos de nada”.

ent?o voc? disse que eu podia ficar com a caixinha de m?sica. mas eu n?o podia, ? claro que n?o. como poderia? possu?-la seria como ser dona de um unic?rnio - de repente ele n?o seria mais um mito, n?o seria nada al?m de um cavalinho com um chifre na testa, amarrado nos fundos do quintal. coisas m?gicas n?o devem ter donos. o que h? de “m?gico” em algo que voc? pode enfiar numa gaveta? eu simplesmente n?o poderia guardar aquela caixinha de m?sica e sab?-la ? m?o, me referir a ela como uma coisa guardada, que eu poderia estar admirando agora, mas “sabe, agora n?o quero”. jamais seria a mesma coisa.

e ent?o voc? deu corda ? caixinha de m?sica pela ?ltima vez e n?s ouvimos e assistimos, quase sem nos mexer, at? que paco e dora (no fim acabei gostando dos nomes) fizeram seu derradeiro rodopio e ent?o pararam juntos, em perfeita sincronia com o final da m?sica. eu enxuguei do rosto uma l?grima beb? e nossos olhos se encontaram por alguns breves instantes. foi quando voc? cuidadosamente tomou a caixinha nas m?os, abriu a porta do quarto, desceu as escadas quase sem ru?do e a colocou de volta em meio aos livros e as bonecas e a poeira.

enxuguei outra l?grima ao ouvir seus passos descendo os degraus para o p?tio com a caixa de papel?o nos bra?os.
e, em sil?ncio solene, quebrado apenas por um clic seco, a luz vermelha deu lugar ? escurid?o.

cv3.jpg

photo by felipe sancy, edited by me.
(not the actual music box. that one is long, long gone)

the colour of success.
Escrito em para refletir, Março 4, 2008 @ 07:50

outro dia uma amiga ficou sabendo que eu tinha um tubinho de fair and lovely em casa e quase surtou.
aos desavisados, o creme n?o passa de um protetor solar metido a besta (e caro, se for equacionado o pre?o com a quantidade de produto oferecida). o problema ? que ele se promove como se fosse um bleach, e eu comprei para tentar remover manchas de espinhas no queixo.

assim que a caixinha chegou, eu li os ingredientes e, por precau??o, pesquisei na internet (porque alguns bleachs s?o considerados cancer?genos). foi quando me dei conta de que na f?rmula do produto n?o havia bleach algum, apenas um complexo vitam?nico e v?rios componentes que agem como filtro solar. ou seja, se voc? assim como eu comprou achando que iria clarear manchas, pode desistir.

o que geralmente deixa as pessoas chocadas s?o os comerciais do produto (como esse, esse e esse aqui, meu preferido de longe, com jeit?o de novela mexicana e trilha incidental assustadora). se voc? clicou nos links e assistiu, ? prov?vel que esteja agora indignado, assim como a minha amiga. “n?o ACREDITO que voc? comprou um creme pra ficar branca!! voc? viu aqueles comerciais racistas horrorosos??”. n?o, eu ainda n?o tinha visto os comerciais, mas sabendo o que sei agora, posso afirmar que, al?m de racistas, eles s?o enganosos. ningu?m fica branco usando fair & lovely. “como podem ter preconceito contra a cor da pele do pr?prio povo? como podem achar que a vida vai ser melhor ou que s? v?o arrumar um bom emprego se forem mais claros? s? indiano, mesmo!”

n?o sei se minha amiga ? ing?nua mesmo ou se apenas sendo politicamente correta (ela ? uma fofa e vai at? me desculpar por cit?-la nesse post, eu espero). mas c? entre n?s, que n?o somos nem uma coisa nem outra, esse racioc?nio procede e est? longe de ser restrito ? ?ndia…

interessante tamb?m esse an?ncio de “maquiagem corretiva”:

brush.jpg

ser? que estou sozinha quando acho que a menina da esquerda ? mais bonita e real do que o “resultado” da direita? sim, vou chamar aquilo de resultado, j? que mal se parece com um ser humano. perceba que n?o s? as “manchas” foram aliviadas pela “maquiagem” (leia-se photoshop exagerado), mas tamb?m o formato do nariz e a cor das sobrancelhas. no fim das contas, o resultado n?o se parece em nada com a mo?a original (que talvez at? tenha sido retocada antes, tamb?m).

hoje em dia n?o nos ? permitido parecer humanos. todo mundo quer ser supermodel, e exatamente como elas s?o nas capas da revistas (porque eu acredito que at? elas tenham bad hair day, sardas, olheiras por noites mal dormidas e manchas de espinha). e quem diz isso sou eu, que tenho um tubo de fair & lovely (est? sendo usado como filtro solar, j? que a textura ? ?tima) e um corretivo de olheiras. ?.

parafraseando o iaaphoto (que postou esse an?ncio originalmente), “eu sei que isso j? foi dito antes, mas calem a boca e fiquem longe das meninas bonitas que n?o sabem que s?o bonitas - e provavelmente nunca saber?o, se voc?s continuarem com isso. acontece que me sinto atra?do por ros?cea, manchas, olheiras e talvez sardas ou cicatrizes de acne ou de acidentes de bicicleta… me sinto atra?do por VIDA e por gente VIVA, por isso parem de transformar seres humanos em cad?veres ambulantes!”

wow. ditto.



menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

LINK MY STUFF:


online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


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