F?rias.
Escrito em vida, Maio 24, 2008 @ 10:03

s? para dar uma esp?cie de satisfa??o aos leitores.
porque eu tamb?m acho um saco ficar entrando em blogs para ver se tem atualiza??o e dar com a cara na porta (ah, se esse tal de feed/rss n?o desse tanto bug…).

voltei da sic?lia, voltamos de hannover. todos em casa, todos bem, inclusive a pequena chantilly. que miou horrores durante os dois dias em que foi obrigada a ficar dentro de uma gaiola no banco traseiro do carro, entre hannover e saint malo.

tenho muitas coisas a contar, muitas fotos a postar, mas babes, agora n?o d?.

um ano e quatro meses de alemanha se mudaram de volta pra jersey, enfiados de qualquer jeito em caixas de papel?o roubadas do escrit?rio do british boy. estou recolocando coisas de volta nos lugares, encontrando lugares para coisas que n?o estavam aqui antes e, principalmente, redescobrindo o meu lugar aqui. com a minha fam?lia finalmente completa.

no meio disso tudo, a verdade ? que hannover ? uma del?cia de cidade. mesmo com os seus invernos de dias escuros e temperaturas abaixo de zero, mas principalmente nos seus ver?es onde a vontade de estar ao ar livre ? tanta que todos os restaurantes, bares e sorveterias migram suas mesas para as cal?adas, decoradas por flores, cachorros, crian?as lindas suadas e sorvetes de tr?s andares. a ?nica coisa que fez com que esses meses longe de casa fossem menos toler?veis foi aquele apartamento. que n?s entregamos sem muita nostalgia para sempre, na segunda feira passada, antes de p?r a ?ltima caixa dentro do carro e o carro na estrada.

british boy haver? de voltar ? chucrutel?ndia mensalmente, ent?o n?o ? um adeus definitivo. ainda voltarei a comprar roupas baratas e lindas na H&M, sapatos baratos e sem salto na street, comida barata e diferente nas lojas da edeka, tralhas baratas e coloridas na nana nanu e coisas muito caras e muito desej?veis na lojinha da sanrio na esta??o.

por enquanto, estou pintando minha casa de bonecas, estou ajudando a minha gata a se adaptar, estou tentando fazer uma dieta, estou voltando a costurar, estou respondendo pilhas de emails atrasados, estou revendo minhas amigas, estou abra?ando o british boy e estou retomando a minha rotina.

muito trabalho, mas muito prazer envolvido. o que faz tudo valer a pena.
vejo voc?s em uma semana.

pequeno compêndio de reminiscências
Escrito em nice things, reminiscências, Maio 8, 2008 @ 16:51

ainda em hannover, faxinando enlouquecidamente e percebendo que eu não nasci para viver em cidades que enfiam pó preto de pneus e fumaça de carburadores por todos os cantos de uma casa e menos ainda em casas cheias de superfícies brancas e reentrâncias difíceis de limpar. minha casa parece uma caverna e transforma em pacífica a minha convivência com a poeira.

mas os meus sapatinhos vermelhos novos me fazem sentir a dorothy de o mágico de oz e me lembram de que nada de mal me atingirá enquanto eu seguir com eles pela estrada de tijolos amarelos.

shoe1.jpg

quinze euros na banca de promoção. hannover é o paraíso das meninas que detestam sapatos de salto mas que adoram uma pechincha.

lembra de quando estávamos “acampando” no seu quarto e eu confessei que nunca havia bebido vaca preta e seus olhos arregalaram de tal forma que iluminaram tudo em volta e você não quis acreditar e disse que ia preparar uma, nós tínhamos sorvete de creme mas não tínhamos coca cola, e você se levantou e eu disse que não precisava se importar e você respondeu que muitas vezes “a preguiça mata o desejo” e se eu não bebesse vaca preta agora, acabaria jamais experimentando, e saiu no temporal sem guarda chuva e, junto com a coca cola, me trouxe um pacote daquelas balas de tamarindo cafonas, que eu tinha vergonha de admitir que adorava - mas você sabia.

lembro de como eu me sentia importante quando você comia o resto do bife que eu deixava no prato.

lembra daquele dia no jardim brincando de casinha com as meninas e eu chamei você para ser o “pai” e os seus olhos se ergueram do livro lentamente e me sorriram lentamente e você perguntou “e o que o pai faz” e eu respondi que ele trazia a comida pra casa e a gente riu, e mais ainda quando aquela menina estranha apareceu do nada no portão e pediu para brincar um pouco e nós deixamos, e ela era toda desajeitada e arrancou a cabeça da barbie e depois recolocou por engano em outra boneca menor e, toda satisfeita, reconheceu a própria façanha com delicioso sotaque nortista: “alá! butei a cabicinha!” e nós rimos de doer a barriga e rolar pela grama.

lembra de quando eu comecei na escola nova e você me ajudou a encapar meus cadernos com folhas de mapas antigos, e depois colamos durex transparente por cima de tudo para preservar as imagens e eu achei que os meus cadernos eram os mais lindos da escola inteira e você “assinou” o seu nome na contracapa e quando eu me sentia burra ou sozinha ou perdida, só precisava virar uma página para me sentir melhor… e admirar o traço preciso da sua caligrafia, e passar os dedos devagar pelas marcas que a assinatura havia deixado na cartolina (você escrevia forçando a caneta no papel; era da sua natureza fazer tudo intensamente) e imaginar as suas mãos delicadas cheias de pedaços de durex esperando para serem usados.

lembra de quando você roubava os discos da nina simone da gaveta de vinis do seu pai e levava para o seu quarto para me ensinar a dançar?

lembra daquela tarde de sexta feira onde as meninas estavam se arrumando para sair e a sua mãe colocou um cd do heart para tocar e você e a sofia cantaram junto com ela e eu estava ali, atrás da porta ouvindo tudo e rindo e ninguém me viu, mas eu vi o jeito como ela olhou pra você naquele pedaço da música que falava “but the secret is still my own and my love for you is still unknown” e eu nunca esqueci pois foi a primeira vez que eu senti ciúme na vida.

lembra daquele dia em que você tocou uma música muito longa no piano sem tirar os olhos da janela, e depois ficou em silêncio e quase sem se mover por um tempo maior ainda, e eu tolamente quebrando o silêncio para perguntar, sem resposta, o que estava acontecendo… e foi apenas depois de um tempo muito maior, depois de anos na verdade, que eu enfim soube o motivo do silêncio e o nome da música.

lembra de quando eu e a sua irmã choramos na van achando que você nunca mais ia voltar pra casa, e eu achei que nunca nunca nada nos uniria porque os nossos ódios se reconheciam no olhar, mas naquele momento estávamos as duas irmanadas numa coisa muito maior?

lembra de quando você se arrependeu tanto de ter me dito algo que pensou ser uma ofensa e não era mesmo necessário, porque foi precisamente a coisa mais bonita que alguém já me disse na vida (apesar de não ser de uma beleza óbvia) e eu fiquei um tanto quanto desapontada por você não ter notado.

espero que algum dia, mesmo que tenha sido muito depois daquele fatídico dia em que eu escolhi a estrada errada naquele cruzamento onde você ficou me esperando (em vão), você tenha notado. porque significou o mundo inteiro para mim e, entre as muitas coisas que eu involuntariamente dividirei com você enquanto durar essa vida, eu queria poder dividir mais essa, também. e porque aquelas palavras eu ainda ouço, sempre que uma criança me olha e sorri, sempre que meus olhos casualmente encontram os de um estranho nas ruas de um novo país, sempre que os olhos dele encontram os meus.

porque, entre as muitas pequenas ambições que nunca realizei, a mais importante terá sido, talvez, a mais simples: a de que um dia, mais alguém olhasse para mim e reconhecesse a mesma menina que somente você viu.

em hannover.
Escrito em alemanha, diário de bordo, Maio 5, 2008 @ 02:26

faz sol l? fora, mas frio aqui dentro.
acho que cheguei ? conclus?o mais ?bvia de todas. meu problema nunca foi, propriamente, com a alemanha - e sim com esse flat. no minuto em que o port?o do pr?dio se abriu e come?amos a subir as escadas, meu peito fechou-se. eu n?o senti falta daqui. eu n?o estou em ?xtase por estar aqui novamente.
n?o voltaremos, entretanto; o dono pediu o apartamento de volta. yay. pode ficar com ele todinho, baby.

sobrevivi bravamente ?s duas horas e meia do v?o charter jersey-hannover, embora a aeronave estivesse lotada de alem?es se comportando de maneira bizarra. ainda estou tentando entender a necessidade de baterem palmas quando o avi?o tocou o solo e de desafivelarem o cinto de seguran?a uns 10 minutos ANTES da aterrisagem… sem mencionar o fato de que todos pediam para ler a minha revista, apenas para coloc?-la em sil?ncio de volta no banco vazio ao meu lado (sem agradecer) uns 15 segundos depois de terem pego emprestada.

acho que alem?es n?o gostam da marie claire.
bom, nem eu. s? comprei porque o creme hidratante da the body shop que estava sendo oferecido de gra?a na revista de ?3.20, custava 5 libras na loja.

agora estou aqui tentando decidir se devo sair para comprar filtro solar + demaquilante.
e um par de sand?lias de gladiador.
mas eu s? tenho 12 libras na carteira. e nenhum euro. e nenhum cart?o de cr?dito que seria aceito - sim, al?m da marie claire, alem?es tamb?m n?o gostam de dinheiro de pl?stico.

mas eles se amarram num porco girando no espeto, e devo ter engordado usn dez quilos s? de olhar pra um deles ontem, em mais uma dessas “feirinhas medievais” que s? servem para vender tralhas overpriced. acho que chega delas por essa vida.

enfim, tem bolo de lim?o na cozinha. as coisas podiam ser muito piores.

no pr?ximo s?bado, v?o hannover - catania.
at? l?, muito o que ser feito (como ele vai sair desse apartamento de vez, precisamos empacotar coisas e limp?-lo) e alguns apertos para distribuir.

e muitos cappuccinos na piazza cappucinno.

protect and survive.
Escrito em reminiscências, vida, Maio 1, 2008 @ 15:17

? fato: adoro ver a vida passar pela janela.
mas nem sempre foi assim; me lembro bem de v?rios s?bados onde ficar sentada na frente de uma enquanto o mundo inteiro parecia estar vivendo plenamente, era raz?o suficiente pra deprimir e arquitetar cortar pulsos.

uma l?mina de vidro separando o mundo l? fora do meu mundo aqui dentro. isso, nunca mudou. com a ?nica diferen?a de que agora s?o duas l?minas de vidro (mais uma camada de ar) e o meu mundo n?o ? mais um esconderijo for?ado de coisas que doem.

l? fora o sol brilha, o vento sopra, a chuva cai e as esta??es mudam.
aqui dentro, eu apenas acompanho com os olhos. e me sinto protegida e, ao mesmo tempo, longe de tudo e parte de tudo.

ser espectadora nunca havia sido t?o bom.

ocupada com malas e planos; estou indo para hannover no s?bado e, no pr?ximo, para a it?lia. sete dias na sic?lia, num monast?rio medieval (tive que encher MUITO o saco para conseguir uma vaga, j? que o lugar ? t?o inacredit?vel quanto barato). ? evidente que pretendo comer como se n?o houvesse amanh? e n?o passar perto de nenhuma loja.

no dia 20, eu e ele embarcaremos num ferry em saint malo de volta para jersey.
e dessa vez, se tudo der certo, com uma pequena passageira peluda na bagagem.

:)



menina, do rio 40 graus para uma pequena ilha entre a inglaterra e a normandia. uma tatuagem de lua e estrela e outra onde se lê "l'enfer, c'est les autres". odeia pepinos, hypes e intelectualóides. adora 70s rock, 80s pop, fotografia e badulaques vintage. xinga com frequência. e essa é a sua vida, em fotos amadorísticas e poesia roubada. mais?

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online desde 2001 pela mesma razão que você: ócio. o site é apenas uma sequência desconexa de updates para família/amigos, lembretes para mim mesma e coisas bonitas demais para não serem compartilhadas. como não pretendo ganhar notoriedade ou dinheiro com internet, não tenho a obrigação de ser relevante.


todas as fotos e textos pertencem a mim; exceções com o devido crédito. por favor não copie nada sem permissão. layout feito por mim, usando elementos appletooth e ephemera. wordpress rodando thanks to sweet marya.


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