September 21, 2008 food is for losers.

Sempre me impressiona essa falta de "amor pela comida" dos ingleses. Não estou generalizando e, antes que gritem, é claro que há exceções. Mas no geral o cidadão médio totalmente come para se manter em pé. Algumas pessoas levam esse desdém tão a fundo que me fazem pensar que, para elas, comer é quase que uma obrigação. Outro dia ouvi uma perua tanoréxica gritando para uma semelhante do outro lado da rua: FOOD IS FOR LOSERS.

O número de "vegetarianos" é imenso. Pessoas que na verdade não estão nem aí pra "causa animal" ou para questões de saúde; querem apenas a) embarcar no hype ecológico/consciente / politicamente correto (e os argumentos usados para embasar essa escolha chegam a ser deprimentes, de tão fracos) ou b) evitar contato com músculos, entranhas, tendões, porque simplesmente têm nojo de comer carne. Muitas meninas viram vegetarianas porque é modinha, porque acham "delicado e feminino" pedir uma salada mal preparada e com nome estranho como prato principal, pagar 20 libras por ela e sair com fome do restaurante. Entrar num rodízio? Very unladylike. A mesma linha de raciocínio das que fingem ter vários tipos de "alergias alimentares" obscuras. Curiosamente, nenhuma delas procurou um médico, nem é alérgica a rúcula.

Nunca esqueço da ceninha do documentário do Chanel 4, logo que cheguei aqui, onde a madame passeava pelos corredores do Waitrose (o supermercado - caríssimo - preferido pela granfinagem) enquanto confessava para a repórter que só comprava comida pronta congelada porque tinha nojo de mexer num pedaço de carne ou cascas de legumes. E então a repórter mostra a ela uma bandeja de isopor com um pedaço de filé sangrante sob o plástico e a mulher faz cara de vômito e vira o rosto na direção oposta. É esse tipo de atitude que provoca indignação e risadas nas culturas que dão à comida o seu devido valor (França, Itália, Espanha, etc), e não a culinária inglesa em si; ela é apenas um subproduto da (falta de) valor que os ingleses dão à comida.

Enquanto italianos e franceses (pelo menos os do sul) param tudo no meio do dia para comer pratos simples, mas feitos com ingredientes fresquíssimos e locais, beber vinho bom e barato, confraternizar e descansar, os ingleses engolem um sanduíche engordurado na frente do computador enquanto continuam trabalhando (a quantidade avassaladora de "sandwich bars" que fazem delivery em Londres confirma a teoria). Porque ganhar mais dinheiro no final do mês é mais importante do que viver uma vida legal. Com a quebra dos bancos de investimento e a recessão batendo na porta, essa seria uma boa hora para se reavaliar prioridades. Duvido muito que isso aconteça. E vamos todos comer mal para manter filhos em escolas caras e ir brincar de encher sacolas com logotipos gigantescos de fashion houses em Bond Street.

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Eu sou tão apaixonada pela Country Living que às vezes sinto vontade de comer as fotos da revista. Ou então de entrar numa delas e morar ali para sempre, em meio a vasos vintage decorados por zínias recém colhidas, colchas de patchwork feitas por mães prendadas, bolos de avó em mesinhas de vime, meias tricotadas à mão... Viajar nas fotos e vicariously living é o máximo que posso ter, porque a) me casei com alguém cuja tendência inata de transformar em caos tudo à sua volta não pode ser represada e b) minha paciência para artesanatos e culinárias e jardinagens se resume a gastar horas olhando para eles; criar, infelizmente, é outra história. Oh, well. Aí embaixo, alguns scans (na verdade fotos de fotos) que fiz; viajemos juntos.


















Ah, agora eu tenho um guestbook que também funciona como espaço para comentários. Mais fácil e rápido de controlar. ;)

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