Sempre me impressiona essa falta de "amor pela comida" dos ingleses. Não estou generalizando e, antes que gritem, é claro que há exceções. Mas no geral o cidadão médio totalmente come para se manter em pé. Algumas pessoas levam esse desdém tão a fundo que me fazem pensar que, para elas, comer é quase que uma obrigação. Outro dia ouvi uma perua tanoréxica gritando para uma semelhante do outro lado da rua: FOOD IS FOR LOSERS.
O número de "vegetarianos" é imenso. Pessoas que na verdade não estão nem aí pra "causa animal" ou para questões de saúde; querem apenas a) embarcar no hype ecológico/consciente / politicamente correto (e os argumentos usados para embasar essa escolha chegam a ser deprimentes, de tão fracos) ou b) evitar contato com músculos, entranhas, tendões, porque simplesmente têm nojo de comer carne. Muitas meninas viram vegetarianas porque é modinha, porque acham "delicado e feminino" pedir uma salada mal preparada e com nome estranho como prato principal, pagar 20 libras por ela e sair com fome do restaurante. Entrar num rodízio? Very unladylike. A mesma linha de raciocínio das que fingem ter vários tipos de "alergias alimentares" obscuras. Curiosamente, nenhuma delas procurou um médico, nem é alérgica a rúcula.
Nunca esqueço da ceninha do documentário do Chanel 4, logo que cheguei aqui, onde a madame passeava pelos corredores do Waitrose (o supermercado - caríssimo - preferido pela granfinagem) enquanto confessava para a repórter que só comprava comida pronta congelada porque tinha nojo de mexer num pedaço de carne ou cascas de legumes. E então a repórter mostra a ela uma bandeja de isopor com um pedaço de filé sangrante sob o plástico e a mulher faz cara de vômito e vira o rosto na direção oposta. É esse tipo de atitude que provoca indignação e risadas nas culturas que dão à comida o seu devido valor (França, Itália, Espanha, etc), e não a culinária inglesa em si; ela é apenas um subproduto da (falta de) valor que os ingleses dão à comida.
Enquanto italianos e franceses (pelo menos os do sul) param tudo no meio do dia para comer pratos simples, mas feitos com ingredientes fresquíssimos e locais, beber vinho bom e barato, confraternizar e descansar, os ingleses engolem um sanduíche engordurado na frente do computador enquanto continuam trabalhando (a quantidade avassaladora de "sandwich bars" que fazem delivery em Londres confirma a teoria). Porque ganhar mais dinheiro no final do mês é mais importante do que viver uma vida legal. Com a quebra dos bancos de investimento e a recessão batendo na porta, essa seria uma boa hora para se reavaliar prioridades. Duvido muito que isso aconteça. E vamos todos comer mal para manter filhos em escolas caras e ir brincar de encher sacolas com logotipos gigantescos de fashion houses em Bond Street.
Eu sou tão apaixonada pela Country Living que às vezes sinto vontade de comer as fotos da revista. Ou então de entrar numa delas e morar ali para sempre, em meio a vasos vintage decorados por zínias recém colhidas, colchas de patchwork feitas por mães prendadas, bolos de avó em mesinhas de vime, meias tricotadas à mão... Viajar nas fotos e vicariously living é o máximo que posso ter, porque a) me casei com alguém cuja tendência inata de transformar em caos tudo à sua volta não pode ser represada e b) minha paciência para artesanatos e culinárias e jardinagens se resume a gastar horas olhando para eles; criar, infelizmente, é outra história. Oh, well. Aí embaixo, alguns scans (na verdade fotos de fotos) que fiz; viajemos juntos.









Ah, agora eu tenho um guestbook que também funciona como espaço para comentários. Mais fácil e rápido de controlar. ;)
O número de "vegetarianos" é imenso. Pessoas que na verdade não estão nem aí pra "causa animal" ou para questões de saúde; querem apenas a) embarcar no hype ecológico/consciente / politicamente correto (e os argumentos usados para embasar essa escolha chegam a ser deprimentes, de tão fracos) ou b) evitar contato com músculos, entranhas, tendões, porque simplesmente têm nojo de comer carne. Muitas meninas viram vegetarianas porque é modinha, porque acham "delicado e feminino" pedir uma salada mal preparada e com nome estranho como prato principal, pagar 20 libras por ela e sair com fome do restaurante. Entrar num rodízio? Very unladylike. A mesma linha de raciocínio das que fingem ter vários tipos de "alergias alimentares" obscuras. Curiosamente, nenhuma delas procurou um médico, nem é alérgica a rúcula.
Nunca esqueço da ceninha do documentário do Chanel 4, logo que cheguei aqui, onde a madame passeava pelos corredores do Waitrose (o supermercado - caríssimo - preferido pela granfinagem) enquanto confessava para a repórter que só comprava comida pronta congelada porque tinha nojo de mexer num pedaço de carne ou cascas de legumes. E então a repórter mostra a ela uma bandeja de isopor com um pedaço de filé sangrante sob o plástico e a mulher faz cara de vômito e vira o rosto na direção oposta. É esse tipo de atitude que provoca indignação e risadas nas culturas que dão à comida o seu devido valor (França, Itália, Espanha, etc), e não a culinária inglesa em si; ela é apenas um subproduto da (falta de) valor que os ingleses dão à comida.
Enquanto italianos e franceses (pelo menos os do sul) param tudo no meio do dia para comer pratos simples, mas feitos com ingredientes fresquíssimos e locais, beber vinho bom e barato, confraternizar e descansar, os ingleses engolem um sanduíche engordurado na frente do computador enquanto continuam trabalhando (a quantidade avassaladora de "sandwich bars" que fazem delivery em Londres confirma a teoria). Porque ganhar mais dinheiro no final do mês é mais importante do que viver uma vida legal. Com a quebra dos bancos de investimento e a recessão batendo na porta, essa seria uma boa hora para se reavaliar prioridades. Duvido muito que isso aconteça. E vamos todos comer mal para manter filhos em escolas caras e ir brincar de encher sacolas com logotipos gigantescos de fashion houses em Bond Street.
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Eu sou tão apaixonada pela Country Living que às vezes sinto vontade de comer as fotos da revista. Ou então de entrar numa delas e morar ali para sempre, em meio a vasos vintage decorados por zínias recém colhidas, colchas de patchwork feitas por mães prendadas, bolos de avó em mesinhas de vime, meias tricotadas à mão... Viajar nas fotos e vicariously living é o máximo que posso ter, porque a) me casei com alguém cuja tendência inata de transformar em caos tudo à sua volta não pode ser represada e b) minha paciência para artesanatos e culinárias e jardinagens se resume a gastar horas olhando para eles; criar, infelizmente, é outra história. Oh, well. Aí embaixo, alguns scans (na verdade fotos de fotos) que fiz; viajemos juntos.









Ah, agora eu tenho um guestbook que também funciona como espaço para comentários. Mais fácil e rápido de controlar. ;)




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