Jeri Moon.

Jeri Moon, o jerimum da Lolla Moon, chegou semana passada. Já está devidamente carved, mas ainda não fotografei o resultado. Mas ele já era lindo e perfeito antes mesmo de ganhar suas feições fantasmagóricas:


Falta apenas esperar anoitecer, acender tealights dentro do Jeri e colocá-lo na soleira da porta. E pau no coo dos nacionalistas extremistas terroristas com aqueles cartazes cafonas e estúpidos bradando que Halloween é "bruxaria" americanizada e não deve ser comemorado no Brasil. É preciso ser bastante imbecil para comparar tradições pagãs com bruxaria e mais imbecil (e arrogante) ainda para querer mandar na livre circulação cultural pelo mundo. Por que brasileiro não pode brincar de Trick or Treat? Porque nacionalista com TPM não gosta. Mas gringo vir sambar no carnaval e encher o rabo do Brasil de dinheiro pode, certo? Ok.

Ano passado eu estava na Alemanha e, apesar da presença maciça de góticos no país (que brotavam pelas gramas das praças, vestindo preto das botas ao batom, fofíssimos) e das lojas tentando vender morcegos de isopor e aranhas de plástico, não vi muita movimentação. Mais ou menos como é na Inglaterra. Os EUA continuam encabeçando a lista dos países que realmente dão importância à data.


Como eu moro no countryside (sem calçada ou luzes na rua), é raro alguma criança se aventurar por essas bandas pedindo doces. Isso só aconteceu UMA vez, onde os dois filhos do casal que mora na rua de cima bateram aqui na porta, devidamente acompanhados por papai e mamãe (que esperavam dentro do carro). Os meninos estavam super cute vestindo fantasias de diabo e esqueleto. Infelizmente, apesar do Jack O'Lantern aceso na porta, não tínhamos nenhum doce em casa porque não esperávamos criança alguma. O jeito foi encher as sacolinhas dos garotos com saquinhos de batata frita; eles obviamente adoraram, mas os pais (a mãe especialmente, já que as mulheres daqui são meio paranóicas com alimentação infantil) devem ter me odiado...

Esse ano resolvemos o problema com uma caixa enorme de chocolates (da qual Respectivo já fez o favor de comer 50%) e biscoitos. Vamos ver se alguém aparece; caso contrário, Respectivo vai poder parar de lançar olhares lânguidos para a caixa de Celebrations e, feliz, abocanhar o restante.

the chair family



Comprei quatro dessas cadeiras para pintar de branco e usar na mesa da cozinha (os bancos são desconfortáveis e quebram à toa). Originalmente era um conjunto de seis cadeiras, e eu fiquei com peninha de deixar as outras duas para trás. Fiquei me perguntando há quantos anos elas não estariam juntas; foi como se eu estivesse separando irmãs. Sim, eu preciso de tratamento psiquiátrico.
























mornings, evenings and everything in between

Meu livro A Year of Mornings chegou no sábado passado.


Pra quem não sabe, as duas autoras (e blogueiras) causaram uma certa sensação entre os blogs gringos com esse projeto: separadas por exatas 3191 milhas de distância (ambas moram em Portland, só que uma Portland fica em Maine e a outra no Oregon... Pesquisa o google maps aí), todos os dias ambas fotografavam um certo aspecto de suas manhãs. As fotos, de uma singeleza quase tocante, eram reunidas à tarde e enviadas para um fotolog no dia seguinte. Como as duas jamais combinavam o que ia ser fotografado, muitas vezes a coincidência dos assuntos escolhidos era impressionante.

Agora o desafio das moçoilas é outro: A Year of Evenings. Good luck!
Inspirada, resolvi fotografar uma manhã típica na minha desinteressante vidinha:




















It's a social life.

No começo desta semana, essa que vos escreve estava na avenida da praia (St. Aubins) dentro de um Audi TT com os vidros abertos, uma loira vestida de Dolce & Gabbana dos pés à cabeça no volante e o MC Marcinho e sua voz extra fanha no volume máximo que o CD piratão (possivelmente adquirido num camelô da Avenida Rio Branco) aguentava sem distorcer. Eu me a-ca-ban-do de rir e a loira fazendo coro: "PODEROOOSAAAA... Rainha do Funk... GRAMUROOOSAAAA... Olhar de diamante."
P.S.: Eu adoro quando o Marcinho fala "faIscina". MEIXMO.

E outro dia mesmo a vida estava tão parada que "recarregar o celular" constava como COMPROMISSO na minha agenda. Tão, mas TÃO parada que eu levei uns dois dias tentando ENCONTRAR dito celular.

"A vida é uma caixinha de surpresas."
E eu ia falar da loira aqui, mas melhor não. Vai que ela descobre esse blog, fica puta com a distribuição de informação não autorizada e eu perco as caronas no Audi e as discussões absurdamente edificantes que venho tendo com ela e suas amigas beeeshas portuguesas e mais abso-fucking-lutely fabulous que Carrie Bradshaw? NO WAY, José.

Eu nunca convivi bem com gente fresca. Como por exemplo 90% das mulheres dessa ilha.
Jersey sofre de um mal que eu chamo de "londrinificação da roça". Galera vem morar aqui porque isso aqui é um PARAÍSOFISCAL (por mais que eles considerem esse nome palavrão) e galera quer ganhar dinheiro, right? Nenhum problema. Só que, apesar de ser um lugar onde o dinheiro e suas manifestações palpáveis pululam, ainda assim a mentalidade de cidade pequena impera. E você sabe também o que acontece quando mentalidade de cidade pequena se associa a dinheiro em excesso? Yup. CA-FO-NI-CE. A pessôua tem dinheiro pra consumir couture e ir passear no Louvre, mas usa bolsa da Guess e promove "dinner parties" pra fazer fofoca de terceiros. E tudo seria muito lindo e aceitável se a) a bolsa da Guess não tivesse sido comprada pra "impressionar" (haha) e b) a pessôua estivesse pouco se lixando. But OHNO. Pessôua é caphona BUT OH BUT quer pagar de phyna e virar o nariz para as demais. OH OK.

That's all.

Ou melhor, that's all porra nenhuma. Vamos elaborar.
Eu não tenho muito saco pra gente esnobe, mas sem estofo. Gente querendo pagar de chique, culta e viajada, mas que só sabe falar de roupa + sapato + dinheiro, que só lê livros de auto-ajuda, culinária ou os "shopaholic" da Sophie Kinsella e não consegue apontar o Marrocos num mapa. Tipo, quer ser isso tudo e tá feliz? Fabuloso! Mas não queira bancar a esnobe, porque aí fica ridículo, filha.

Eu não sou uma pessoa esnobe. Nem faria sentido; não sou rica, não sou bonita, nem culta (e nem dói não ser nada disso, sinceramente). Tenho um português mediano (e piorando a olhos vistos desde que saí do Brasil), leio clássicos e porcarias (e às vezes gosto mais das porcarias), adoro música brega pra relaxar e no Rio você tanto poderia me achar na fila de uma pré-estréia de filme iraniano quanto comendo pipoca num cartoon da Pixar. Faço compras na Selfridges e em lojas de segunda mão (tenho uma saia favorita que deve ter sido usada por umas quatro gerações de mulheres). Meu inglês escrito é passável mas, apesar de ter uma pronúncia OK, minha auto estima esfarrapada me impede de bater papinho com estranhos no idioma da Lilica. Arrasto tudo com a barriga e já reciclei a carapuça de culpada faz tempo (atualmente eu a utilizo para coar café). Não acredito ser possível virar best-friends-forever-BFF-OMG com gente que, mesmo sem precisar, parece ter alguma coisa a provar para o mundo.

Tô meio velha para aturar pessoas que acham que suas escolhas/estilo de vida / modelo de carro / país de origem / tintura de cabelo / whatever funcionam como crachá pra área VIP da raça humana. Ideologias e dividendos à parte, somos TODOS a mesma pilha fumegante de cocô; assim sendo, não enche.

Uma das (poucas) vantagens de sair da adolescência é parar de se importar tanto com o que terceiros possam pensar a seu respeito. Sim, isso é possível! Ainda bem - porque, pra perder os peitinhos empinados dos meus 15 anos, o prêmio de consolação por envelhecer tinha mesmo que ser phoda. O dia em que eu conseguir ignorar completamente o que qualquer pessoa venha a pensar de mim, serei feliz.

E o resto do weekend envolveu uma visita à livraria (dessa vez só fucei, sem comprar nada).



E o costumeiro rolé pelo Mercado Central (só mesmo em JERSEY isso pode ser considerado programa):







E um passeio pelas dunas de St. Ouen.






Voltaremos em breve com a programação normal (mas não aposte seu traseiro nisso).

Randômicas extra rápidas

Sem tempo. A preguiça resolveu dar férias e fui resolver todas as pendengas chatas que estou arrastando com a barriga desde JANEIRO. Entre elas as nossas passagens pro Rio. Depois de surtar com o PREÇO das ditas cujas (OI? MIL libras na economia?), gritei um pouco, engoli em seco e, well, comprei. Fazer o quê? Pelo menos o vôo seria sem escalas (porque né, ter que fazer Rio-SP via TOKYO e perder horas preciosas dormindo em sala de espera de aeroporto pra economizar 200 paus é meiphoda).

E aí veio a BOA!NOTÍCIA! da semana: ganhamos um upgrade free pra executiva porque a econômica estava lotada naquele vôo e nos cinco seguintes (eu sabia que um dia ia descobrir pelo menos UMA vantagem de ter um cartão pereba do Executive Club). A classe econômica da British Airways é boa, ao contrário das empresas americanas que cobram uma nota e transformam os pobres passageiros em recheio de marmita - mas viajar quase deitada, com espaço pras minhas patinhas e mamando prosecco na faixa é o presente de Natal que eu pedi ao Papai Noel. Se nada prestar nessas férias, pelo menos a viagem em si não será um estorvo a mais.

Quero entrar na acadmía e, aproveitando que tava lá perto para ir ao cinema, entrei pra perguntar o preço.

A acadmía fica no Waterfront, que é uma espécie de ilha dentro da ilha. Tem cinemas, KFC, Pizza Hut, Watersplash (onde rola natação e as mamães vão levar as criancinhas pra brincar nos tobogãs), barzinhos e nightclubs. Seria até agradável, se a coisa toda não tivesse jeitão de pátio de colégio.

Fui perguntar o preço da acadmía porque acadmías aqui têm a fama de serem caras. De modos que o pessoal prefere pagar ANUIDADE, porque sai mais barato (umas 300, 400 libras). Mas comigo não, baby. Como assim, "anuidade" de acadmía? Filhos, eu não sei nem se vou ter ânimo de voltar no SEGUNDO DIA, imagina me comprometer por UM ANO? Sem condições, sem condições.

Então. Chego lá, já na entrada sou meio que atropelated por um zé mané com um bíceps maior que o tamanho da cabeça e, quando a gente finalmente se desengancha, estou ensopada de suor - DELE. Ew, ew, nojinho. Me limpando e fazendo cara de vômito, me encaminho à recepção e arranco à força um sorriso lá das profundezas do âmago do meu ser. "Olá, eu gostaria de me informar a respeito de preços e horários da acadmía, por favor?". Resposta: "SÓ AMANHÃ" (foi aí que eu percebi o sotaque polonês da menina, mas enfim). Dito isso, me vira as costas e continua acompanhando a novela na tevêzinha.

Eu: "Amanhã? Mas eu só queria saber o preço; você por acaso não teria um..."
Recepcionista: "Nossa CONSULTORA DE PREÇOS já foi para casa. Só amanhã, antes das seis da tarde". E me vira as costas novamente.
Eu: "CONSULTORA? Haha, mas eu só quero saber o preço da mensalidade, não comprar um seguro de vida..."

A última fala veio acompanhada de um sorriso e era pra ser entendida como um comentário jocoso. A polonesa, que obviamente pulou o capítulo SENSO DE HUMOR quando fez leitura dinâmica do livro "Como Conviver em Sociedade", soltou um suspiro que foi mais eloquente do que chamar TODAS as gerações da minha família de imbecil. E me fez a caridade de explicar: "a consultora precisa lhe explicar as vantagens da academia, as modalidades de pagamento, essas coisas." E me vira as costas, dessa vez de forma violenta, como se dissesse "NOW GO AWAY, PLEASE".

Ahhhh, agora entendi. Basicamente a consultora vai TENTAR me explicar por que um café ralo + um jornal (que custa 50p) + direito de tomar banho e gastar água depois de suar feito uma porca justificam uma mensalidade de 80 libras? Mas por que você não me disse antes??

Eu: "Bem, de onde eu venho haveria UMA PLACA aí atrás de você com horários e preços; eu nem teria que perguntar nada. Se a mensalidade aqui é tão cara que eles precisam PAGAR pessoas para me convencer a aceitá-la, eu sugiro que DEMITAM essas pessoas, diminuam os preços e coloquem a placa; vai lotar de novos sócios!"

E assim me fui. Não sei se volto.
E não sei também se deveria ter sugerido que demitissem a recepcionista grossa também e me contratassem para o serviço, em troca de uma mensalidade na academia + café + direito a fazer tiro ao alvo no bombadão suado todo dia quando ele passar pela roleta de entrada.


Eu nem gosto muito de cloggs, mas HELLO? CUTE? Esses amarelos e o vermelho são muito bonitinhos. Imagina só andar com isso pelas ruas? Cloggt, cloggt, cloggt.



Chegaram as bolsas que comprei na ótima Luisa Via Roma (eles tiram 19% de VAT pra quem não faz parte da União Européia - Jersey e Brasil na lista, yay! -e enviam pra qualquer lugar no planeta por FEDEX de graça!), mas ó... Decepção. Não com o serviço deles, que é impecável, ou com as bolsas, que são lindas... Mas são E-NOR-MES. Saca saco de Papai Noel? Por aí. Queria comprar umas bolsinhas com cara de verão pra bater perna no Rio de Janeiro e vou chamar mais atenção que destaque de escola de samba. Socorro! E o pior é que, mesmo sendo imensas, amei as bolsas e não quero devolver.

Sugestãozinha pro webmaster do site: por favooooor, incluam as DIMENSÕES do produto na descrição, pleasethanksbye.

Outono '98

Outono is in the house.
Tá chegando a época de usar meu casaco lindo que custou nove libras no brechó da Oxfam e sair com ele para tomar cappuccinos acompanhados de biscoitinhos de café.

As folhinhas das árvores, que outro dia mesmo eu vi renascendo em velocidade impressionante, já começam a morrer amarelas. E a se espalhar em vastas quantidades pela grama, pelo chão do pátio, pelos telhados, aproveitando para entupir ralos e calhas no processo. A vista da janela é poeticamente outonal - mas se eu tivesse apontado a lente para baixo, o mar de folhas retorcidas provocaria um arrepio na espinha, e uma vontade (quase) incontrolável de achar vassoura e pá e fazer uma pequena montanha delas.

Aquelas dálias ainda estão no vaso. Mortas e secas há tempos, e eu não tive coragem de substituí-las por novas. Preguiça absurda de fazer coisas, ansiedade que não me permite terminar nenhuma das que começo; então, acho mais simples não começar nada. Estou tentando arrumar o sótão, pintar o lavabo, plantar meus bulbos, limpar as ervas daninhas do jardim, tirar o atraso das colagens e costurar fantasias de halloween para as minhas bonecas. Por falar em halloween, já escolhi minha abóbora 2008. Ela ainda está plantadinha, é claro - mas a forma era tão perfeita que pedi ao fazendeiro para reservá-la para mim. Ou seja, em algum campo de Jersey existe uma abóbora com uma plaquinha onde se lê "lollamoon". Um verdadeiro "jerimoon".

Segundo Deus, hoje é 50º Aniversário do Paddington Bear, um ícone da literatura infantil britânica. Paddington é um ursinho bastante educado, sempre se referindo às pessoas por "Senhor" e "Senhora", que adora sanduíches de geléia e chocolate quente. Ele foi encontrado pela família Brown na estação ferroviária de Paddington, Londres, sentado em sua mala e com um pequeno bilhete costurado ao seu casaco: "Por favor cuide desse urso, Obrigado". Lembrando-se de documentários que mostravam trens carregados de crianças sendo evacuadas de Londres durante a Segunda Guerra, trazendo apenas pequenas malas e etiquetas com seus nomes penduradas nos pescoços, a família Brown decidiu trazer Paddington para casa. As histórias são extremamente meigas e, se você tem filhos ou não tem preconceitos contra ler histórias infantis, eu recomendo. A título de curiosidade, foi a mãe do Jeremy Clarkson que fez o primeiro Paddington bear de pelúcia e lhe deu as botinhas de chuva que ele atualmente usa (na verdade um truque para fazer o boneco conseguir ficar de pé). Aqui, uma foto de pessoa randômica encontrada no Google, sentada ao lado da estátua de Paddington na estação que honrosamente lhe empresta o nome.

Enquanto o verão ainda insiste em aparecer atrasado, almoço de sábado no Sumas, que conta com a vista do Mont Orgueil ao fundo:



Minha entrada: terrine de presunto com vegetais ao curry.



Esqueci de fotografar o prato principal (galinha ao cassoulet), mas a sobremesa (torta flambada de limão ao coulis de framboesa) taí:



Ao invés de doces, o British Boy foi de queijo (o que eu às vezes também faço, a menos que a sobremesa seja deliciosa e não envolva chocolate):



Mont Orgueil de novo. O sol estava tão forte que eu saí do restaurante bronzeada.



No vale da Reserva:





Go wild, go WILD in the country:




Fui tagged umas 10 vezes e nunca fiz o meme, então rapidinho: lojas de roupa segunda mão, H&M, miss selfridge, indiska (suécia), street (sapatos coloridos e baratos na alemanha) loja de móveis prefiro os de segunda mão reformados a pagar fortunas por "design" ou ter uma casa da ikea igual a milhares de outras doce não gosto muito, mas não resisto a bolos cidades rio de janeiro, paris, estocolmo bebida água com gás, chocolate quente, real ale, vinho música as que dizem o que eu gostaria de ter dito séries de tv não tenho saco, sorry - prefiro assistir filmes não quero ter que fazer essa lista, mas ontem revi tideland e é sempre lindo exercício levantamento de mouse, mas preciso resolver isso urgente; até porque, em se tratando de comida eu adoro carboidratos.

P.S.
: a reclamação do post anterior não teve na-da a ver com os amigos que eu sempre soube que não iriam me telefonar ou mandar email porque, bem, eles também nunca me telefonavam ou mandavam email quando eu estava no Rio. É chato reconhecer, mas certas amizades se mantém sem esforço e não precisam ser alimentadas. Outras precisam, sim. Não são piores nem menos importantes; apenas diferentes.

conjecturas de terça.

British Boy operou o pezinho, hoje.
Um gânglio inchado que prometia se alastrar e se transformar numa chatice foi extirpado essa manhã, numa cirurgia simples de pouco mais de uma hora. Ele nunca havia passado pela maravilhosa experiência de levar uma anestesia geral e ficou encantado com o fato de não se lembrar de absolutamente nada. Aww, fofo. Depois da cirurgia nos trouxeram sanduíches gostosos, chá, bolo e biscoitinhos - limpamos a bandeja e pedimos bis, haha. Quartinho azul privativo, quadrinhos na parede, televisão com DVD e eu me senti de férias no Holiday Inn. Isso tudo de GRAÇA. OK, os clínicos gerais desse Reino podem até ser uma peste - mas depois que você CONSEGUE ser diagnosticado, o tratamento é nota mil.

Da série Inconvenientes de voltar a viver no Rio: comprar um apartamento que inclua os indefectíveis "playground" e "salão de festas". Além do fato de esses nomes serem absolutamente bregas, o conceito por trás deles também é.

Playgrounds (sou 100% a favor de anglicismos, mas por que não chamar de parquinho?) estão sempre lotados de crianças barulhentas, babás trocando fraldas em bancos de cimento, carrinhos de bebê e tias velhas fazendo fofoca. Salão de festas - alguém ainda usa esse tipo de "espaço"? No máximo, pra fazer festinha de criança, o que também é um conceito brega.

De resto, eu abomino esses "espaços de integração social forçada" (inclua aí a "academia" e os "barzinhos" do prédio). Eles foram criados para compensar o fato de que os apartamentos em si são GAIOLAS mal ventiladas e quentes. Sem mencionar o inconveniente de ser obrigado a encontrar vizinhos, principalmente aqueles que você gostaria de evitar. Detesto muito tudo isso. O único tipo de espaço comunal que eu vagamente tolero em prédios são corredores, elevadores e garagens - e quem sabe portaria com segurança, no caso do HELL de Janeiro. Mais do que isso é enfeite e eu me recuso a "pagar pelo privilégio".

Outra coisa que me deixa puta da vida é o tal "condomínio mensal". Geralmente uma taxa extorsiva (e o meu conceito de extorsivo, dependendo da localização, pode variar entre 200 reais até 1000 e seus múltiplos), que quase nunca se justifica quando se leva em conta o custo para iluminar e limpar as áreas comuns do prédio e pagar o salário de fome do pernambucano da portaria. Espaços como parquinho, salão de festas, piscina coletiva e academia eu dispenso, então não topo pagar por eles. Seria fantástico poder desmontar a casa onde vivemos e levá-las na bagagem; bem que elas podiam ser portáteis, como essa aqui:






Quando moramos em Hannover, num dos endereços mais nobres da cidade, o apartamento de dois quartos, espaçoso e com janelas enormes, banheira de hidromassagem e varandão voltado para uma área verde nos fundos do prédio custava menos de 900 euros por mês. Sem nenhuma outra taxa. Ok, não tinha elevador e nem vaga na garagem (prédio antigo), mas isso nunca foi problema. A luz do corredor era automática e se apagava quando não havia movimento, e os próprios moradores cuidavam da limpeza externa - o que era simples, já que todos eram extremamente limpos e eu nunca vi nada sujo.

Eu sei que o Rio de Janeiro oferece privilégios que nenhum outro lugar poderia. Mas também oferece desvantagens (a violência sendo a principal) e as pessoas deveriam levar isso em conta antes de pedir 800 mil reais - e 500 mensais de condomínio - num apartamento de dois quartos, com cozinha e banheiros cafonas, sem varanda e com vista parcial para uma favela chapa quente. Eu andei considerando a possibilidade de voltar pra casa (inúmeros motivos, que talvez um dia eu tenha paciência para listar; talvez não), mas certas coisas eu acho que não consigo mais aceitar. Certa vez ouvi alguém dizer que "quando você sai do seu habitat natural por um longo período de tempo, você nunca mais volta a ser a mesma pessoa de antes, e isso nem sempre é uma boa coisa". Na época, pensei "bullshit de patricinha deslumbrada". Well, eu devo então ter me transformado em uma, porque essa afirmação eu hoje poderia tatuar na testa.

Eu acho uma baita lição de vida me dar conta de que, quando eu estava no Rio e fazia aniversário, recebia cartões, telefonemas, presentinhos, era convidada para sair com tudo pago e paparicada por um grupo bastante pequeno, porém leal de amigos. Hoje em dia eu faço aniversários atrás de aniversários e essas mesmas pessoas são incapazes de postar uma cartinha tarifa econômica no correio ou dar uma ligação de UM minuto só para desejar felicidades. No máximo, ganho um HEY! PARABÉNS! muito de passagem no Orkut. E possivelmente só porque tinha um link para o meu perfil na seção de aniversariantes. Eles gastavam muito mais antes, não sabendo que hoje em dia um telefonema breve significaria muito mais para mim do que os presentes que eu costumava ganhar.

Sinceramente, me entristece um bocado perceber que o ditado "out of sight, out of mind" procede na prática. Que o que os olhos não vêem, o coração esquece. Sem pieguice ou draminha, mas essa mudança de atitude veio de onde? Será que o fato de alguém morar distante significa que não vale mais a pena manter os laços? Vejo essas pessoas postando mil fotos de festas em seus fotologs, conhecendo gente nova, getting on with life e constato que sim, eu fui engavetada. Nem sei se devo procurá-los ou não quando estiver no Rio. É provável que eu não procure ninguém e passe as minhas preciosas semanas na Cidade Maravilhosa completamente sozinha, refazendo caminhos nostálgicos, comendo nos meus restaurantes e pé-sujos preferidos, com saudades do British Boy e das minhas gatas e temendo ser sorteada no "Concurso Bala Perdida 2008 - vire você também uma estatística!".


"In his heart, there is a girl; she is me. No contract keeps her, she goes with him, she goes alone, precipice to precipice, upon every ledge agreeing again to leap. She is with him, she has been with him, every minute, alongside. No one can know what we know. Just us. Us. If you listen, you can hear it. In the wide wide sound of the rain - us."