It's a social life.

No começo desta semana, essa que vos escreve estava na avenida da praia (St. Aubins) dentro de um Audi TT com os vidros abertos, uma loira vestida de Dolce & Gabbana dos pés à cabeça no volante e o MC Marcinho e sua voz extra fanha no volume máximo que o CD piratão (possivelmente adquirido num camelô da Avenida Rio Branco) aguentava sem distorcer. Eu me a-ca-ban-do de rir e a loira fazendo coro: "PODEROOOSAAAA... Rainha do Funk... GRAMUROOOSAAAA... Olhar de diamante."
P.S.: Eu adoro quando o Marcinho fala "faIscina". MEIXMO.

E outro dia mesmo a vida estava tão parada que "recarregar o celular" constava como COMPROMISSO na minha agenda. Tão, mas TÃO parada que eu levei uns dois dias tentando ENCONTRAR dito celular.

"A vida é uma caixinha de surpresas."
E eu ia falar da loira aqui, mas melhor não. Vai que ela descobre esse blog, fica puta com a distribuição de informação não autorizada e eu perco as caronas no Audi e as discussões absurdamente edificantes que venho tendo com ela e suas amigas beeeshas portuguesas e mais abso-fucking-lutely fabulous que Carrie Bradshaw? NO WAY, José.

Eu nunca convivi bem com gente fresca. Como por exemplo 90% das mulheres dessa ilha.
Jersey sofre de um mal que eu chamo de "londrinificação da roça". Galera vem morar aqui porque isso aqui é um PARAÍSOFISCAL (por mais que eles considerem esse nome palavrão) e galera quer ganhar dinheiro, right? Nenhum problema. Só que, apesar de ser um lugar onde o dinheiro e suas manifestações palpáveis pululam, ainda assim a mentalidade de cidade pequena impera. E você sabe também o que acontece quando mentalidade de cidade pequena se associa a dinheiro em excesso? Yup. CA-FO-NI-CE. A pessôua tem dinheiro pra consumir couture e ir passear no Louvre, mas usa bolsa da Guess e promove "dinner parties" pra fazer fofoca de terceiros. E tudo seria muito lindo e aceitável se a) a bolsa da Guess não tivesse sido comprada pra "impressionar" (haha) e b) a pessôua estivesse pouco se lixando. But OHNO. Pessôua é caphona BUT OH BUT quer pagar de phyna e virar o nariz para as demais. OH OK.

That's all.

Ou melhor, that's all porra nenhuma. Vamos elaborar.
Eu não tenho muito saco pra gente esnobe, mas sem estofo. Gente querendo pagar de chique, culta e viajada, mas que só sabe falar de roupa + sapato + dinheiro, que só lê livros de auto-ajuda, culinária ou os "shopaholic" da Sophie Kinsella e não consegue apontar o Marrocos num mapa. Tipo, quer ser isso tudo e tá feliz? Fabuloso! Mas não queira bancar a esnobe, porque aí fica ridículo, filha.

Eu não sou uma pessoa esnobe. Nem faria sentido; não sou rica, não sou bonita, nem culta (e nem dói não ser nada disso, sinceramente). Tenho um português mediano (e piorando a olhos vistos desde que saí do Brasil), leio clássicos e porcarias (e às vezes gosto mais das porcarias), adoro música brega pra relaxar e no Rio você tanto poderia me achar na fila de uma pré-estréia de filme iraniano quanto comendo pipoca num cartoon da Pixar. Faço compras na Selfridges e em lojas de segunda mão (tenho uma saia favorita que deve ter sido usada por umas quatro gerações de mulheres). Meu inglês escrito é passável mas, apesar de ter uma pronúncia OK, minha auto estima esfarrapada me impede de bater papinho com estranhos no idioma da Lilica. Arrasto tudo com a barriga e já reciclei a carapuça de culpada faz tempo (atualmente eu a utilizo para coar café). Não acredito ser possível virar best-friends-forever-BFF-OMG com gente que, mesmo sem precisar, parece ter alguma coisa a provar para o mundo.

Tô meio velha para aturar pessoas que acham que suas escolhas/estilo de vida / modelo de carro / país de origem / tintura de cabelo / whatever funcionam como crachá pra área VIP da raça humana. Ideologias e dividendos à parte, somos TODOS a mesma pilha fumegante de cocô; assim sendo, não enche.

Uma das (poucas) vantagens de sair da adolescência é parar de se importar tanto com o que terceiros possam pensar a seu respeito. Sim, isso é possível! Ainda bem - porque, pra perder os peitinhos empinados dos meus 15 anos, o prêmio de consolação por envelhecer tinha mesmo que ser phoda. O dia em que eu conseguir ignorar completamente o que qualquer pessoa venha a pensar de mim, serei feliz.

E o resto do weekend envolveu uma visita à livraria (dessa vez só fucei, sem comprar nada).



E o costumeiro rolé pelo Mercado Central (só mesmo em JERSEY isso pode ser considerado programa):







E um passeio pelas dunas de St. Ouen.






Voltaremos em breve com a programação normal (mas não aposte seu traseiro nisso).

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