pula a fogueira, iaiá.

Então, acabei de voltar da "fogueira" (Bonfire Night) aqui do bairro. Que aliás devia ter acontecido semana passada, mas foi adiada por causa do mau tempo. É praticamente uma "festa junina versão UK", com direito a barraquinhas de comidas típicas, quentão, caixas de som tocando música ruim em altíssimo volume, adolescentes saracoteando para cima e para baixo tentando arrumar namorado(a), um sem número de crianças chatas se melecando com doces, fogos de artifício e, claro, uma fogueira imensa. Só faltou mesmo a quadrilha, mas isso os ingleses resolvem colocando alguns bêbados para subir num palquinho e pagar mico no karaokê.

O meu saldão da noite: três mini donuts, quentão, sanduba de porco com papa de maçã, um café e "merda, aquele jeans não vai entrar em mim nunca mais". Sem mencionar o "correio do amor" que recebi de um moleque de, no máximo, 14 anos. De touca. E luvinhas sem dedo. E que havia acabado de cantar My Chemical Romance no karaokê. É impressionante o meu karma. Alguém deve ter me rogado uma praga do tipo "lollamum haverá de receber correio do amor de pirralhos imberbes em quermesses pelo resto da vida".

Esqueci de publicar as fotos do DEPOIS do Jeri Moon! Imperdoável. Esse ano não tem making of porque eu não fui avisada do início do processo e, quando adentrei a cozinha, o Jeri já estava em sua forma mais ou menos definitiva. Ei-lo sendo aceso:



Cumprindo sua função e sendo orgulhosamente exibido pelo Criador:


Yup, eu gosto de Lanterns básicos. Adoro os Jacks vomitando ou artisticamente esculpidos, mas na minha porta eu sou tradicionalista. Sorry.

Reclamei tanto do terracota das paredes da sala e acabei esquecendo de postar justamente ela. Então, sala 2 (ainda estava meio pelada nessa época, e todos os móveis que você vê nessa foto, exceto o gaveteiro no fundo à direita, vieram do Brasil):




Sala 1 (na verdade é a mesma, já que derrubamos uma parede e transformamos duas salas pequenas + corredor em uma sala grande... não aprecio paredes desnecessárias). E essa é a minha árvore de Natal, ano passado.


Totalmente de alho para bugalhos. Carioca é um bicho TÃO insuportável às vezes (me perdoem as exceções) que eu não sei com que SACO vou passar três meses no Rio. Agora que o The Sartorialist esteve por lá no Claro Rio Summer fotografando pessoas, celebrities e inutilities para o site dele, a cariocada a) deslumbrou e b) invadiu em massa os comentários do site para anunciar orgulhosamente a Naturalidade e deixar os seus super hiper ultra mega importantes pitaquinhos. A saber:

1) Dar sugestão de turismo para o cara (que é ocupadíssimo e, bem, está cagando para Rio Guide improvisado e praquele "restaurantezinho ótimo da minha cunhada no Jardim Botânico");

2) Apresentar palestras relâmpago a respeito de carioquês. "I hope that you understood what means SAIDEIRA". Porque wow, né, a vida da Natalia Vodianova nunca mais será a mesma depois que ela aprender a pedir mais uma cachaça no Bracarense. Então.

3) Corrigir a pronúncia em português dos gringos. Tipo, hellow-que-tal-olhar-seu-rabo e notar que você também erra no inglês? E se você, que se propõe a acompanhar blogs em inglês, não se preocupa em dominar o idioma, porque alguém teria que se propor a aprender o seu dialeto? Sinxergol, anyone?

4) Re-re-reafirmar pela enésima vez que o Rio é a cidade mais linda do mundo. Insira bocejos, muuuuitos bocejos, aqui. O conceito de beleza é relativo e, ainda que não fosse, quem é que está interessado nessa opinião pra lá de parcial, mesmo?

5) Sendo expatriado, devidamente exclamar em maiúsculas um "AI QUE SAUDADE DO RIO!!" (mas pergunta se eles querem voltar? Pergunta se não é mais gostoso ter saudades do Rio tomando cappuccino e passeando de echarpe pelas ruas limpinhas e sem trombadinha da Europa?)

6) E, como de praxe, mandar todo mundo ir visitar a bendita Favela da Rocinha. Eu já me manifestei aqui sobre o quanto eu ODEIO essas Favela Tours? Não vejo graça em turismo que glorifica pobreza e na galera que se aproveita da carência dos pobres e da curiosidade dos gringos para pagar o condomínio de 3 mil reais das suas coberturazinhas em Ipanema (sem vista para favela nenhuma, of course).

E toca galera querendo provar que conhece o Rio mais a fundo que o outro, e os gringos lendo os comentários e se perguntando "what in the holy flying the fuck?" e as miguxas gringocas me interrogando "Por que as pessoas se excitam tanto assim quando se fala da cidade delas? Eu não vejo isso acontecer quando o Sartorialista visita qualquer outra cidade." Eu até responderia "problema de auto estima, sweeties", mas prefiro fazer a surda-muda-louca e ignorar a pergunta.

EDITADO: acabei de achar um post hilário na Katylene (que aliás super voltou) mencionando o fato e ainda tirando uma com a cara dos carióacas. Porque o Sartorialista tirou foto de quiosque de praia, de cachorro, pombo brigando, crianças jogando futebol na areia, Valentino (italiano), Natalia (russa), modeletes no evento; mas carioca estiloso passeando pelas ruas, ó: pocacoisa. Lol.

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