August 24, 2008 because we said so.

Então as olimpíadas acabaram e eu não vi nada. Quer dizer, assisti 30 segundos de ginástica artística só porque me mandaram o link no youtube. Mas cancelei no meio e dei uma busca por Nadia Comaneci, porque vamos e convenhamos - aquilo sim é que é ginasta.

Só hoje fiquei sabendo a colocação do Brasil nas olimpíadas - de novo, porque li alguém comentar no Twitter. Não acho ruim, nem bom. Não acho nada, pra ser honesta. Não acho que o valor de um país possa ser medido por um punhado de pingentes redondos, e também não acho que a delegação brasileira mereça ser avacalhada por não ter voltado pra casa com excesso de bagagem. Patriotismo feito de expectativas infladas não me emociona. Dito isso, achei interessante o bom desempenho da Inglaterra, do qual fiquei sabendo porque, well, eu leio jornais.

Whatever. O que me delicia é que, mesmo tendo estado em terceiro lugar no quadro geral de medalhas, o cidadão inglês médio literalmente caga para os jogos. Cheguei a perguntar para dois ou três qual era a opinião a respeito do sucesso da delegação britânica (porque "Team GB" my powdered arse, seriously). Nenhum tinha opinião formada. Um deles sequer sabia que a Inglaterra havia ganho qualquer medalha. E Londres sedia os próximos jogos, o que não deixa de ser engraçado.

Me senti ótima. Nunca tive muito saco pra torcedores de ocasião - gente que não tá nem aí pra esportes, mas vira profundo conhecedor das regras do badminton de quatro em quatro anos. Não condeno quem se divirta, mas a mim cheira a "lavagem cerebral da rede globo". Me pergunto quantas pessoas estariam realmente interessadas nos jogos se eles não fossem televisionados e se a globo não veiculasse musiquinhas, jingles e aberturas comemorativas a cada pausa para comerciais. Enfim, aqui eu me sinto mais confortável para fazer como sempre fiz e não dar a mínima. Porque não corro o risco de encontrar ninguém me perguntando o que achei da disputa de nado sincronizado, tênis de mesa, esgrima ou tiro. Ingleses não gostam de esportes; só de chutar bola e beber cerveja quente. Arremesso de peso é e continuará sendo um conceito quase abstrato. Mesmo depois de 2012.


Aniversário do British Boy, comemorado com chinese takeaway, bolo de supermercado (ninguém estava a fim de assar nada) e uma visita à exposição de trens de brinquedo em Saint Peter. Na sexta fui ao Club Live Lounge (clubes com nomes cafonas/clichê abundam por essas paragens) com a Júlia e seu ficante em potencial, um egípcio que não sabia dançar mas pagava rounds e mais rounds de cerveja pra todo mundo e fornecia spice - que a Júlia acha que é droga, mas não passa de incenso fumável - gratuitamente para as moças bonitas. Sobre esse "moças bonitas", só tenho a dizer que, well, ainda bem que eu não fumo.

Chegamos no clube a bordo de um Skoda Felicia caindo aos pedaços e, só de lembrar que cruzei a cidade dentro de um carro com as janelas abertas (à noite, dez graus centígrados) e música árabe bombando no último volume, eu sinto vontade de beber uma garrafa inteira de vodka. O clube é até interessante. Fora eu e o egípcio, somente umas doze pessoas - dez das quais eram homens que não dançavam e ficavam de pé nas margens da pista, cerveja na mão, devorando com os olhos as duas outras pessoas disponíveis (a Júlia pulando enlouquecida e uma menina vestida de calça cargo e top com estampa de camuflagem, aparentemente drogada e dançando feito clubber). As músicas iam de 4 Minutes da Madonna a Lambada do Kaoma com batida techno de fundo, e um DJ português da ilha da Madeira forçando sotaque carioca: "e aíah, galéra do brasiu".

O egípcio deixou bem claro, já no começo da noite, que sua expectativa era comer a Júlia (aquelas cervejas não iam sair de graça, after all) e que eu só estava atrapalhando. Se ofereceu para me deixar em casa, mas eu rapidamente me lembrei do Skoda e da música árabe e declinei politely. Me enfiei no banheiro, onde dois travestis trocavam dicas sobre anticoncepcionais (?) e liguei para o British Boy, implorando que ele viesse me tirar dali pra ontem porque, claro, eu só tinha três libras na carteira (como sempre) e taxista não aceita cartão de débito.

Antes disso, rolou toda uma sessão de fotos na casa de Julia Starr (don't ask) e eu fui terminantemente proibida de postar as fotos aqui. Eu até pretendia, porque tava engraçado e tal - mas vão desculpando.


Amanhã, pego o barco das onze. Quatro horas enjoando e vomitando até Poole. Não contem com posts até o começo do próximo mês, porque eu não quero levar o laptop e em Devon não existem lan houses - apenas vacas e salões de chá cheios de velhinhas de 380 anos lanchando cream teas. Nada é impossível, but don't hold your breath. Na volta, reformulações nesse site. Estou meio cansada de blogs (de novo), mas não vou desistir. Eu gosto de escrever bobagens e ter os meus registros; tanto que, sempre que passei um tempo longe de blogs oficiais, sempre mantive diários convencionais de papel, ou mesmo outros blogs secretos ou com senha. Não vou sumir; vou apenas arrumar o armário e jogar fora o que não me cabe mais.

Blogs mudaram muito desde o seu heyday, e eu não acompanhei as mudanças. Não falo a língua atual e não pretendo. Não quero fazer um blog demonstrativo, nem cheio daquelas opiniões senso comum onde o autor acredita que está inventando a roda all over again, nem usá-lo para falar mal de terceiros (eu quase nunca reparo em terceiros, estou quase sempre dormindo ou jogando joguinhos virtuais japoneses), ainda que sejam celebridades (a nova febre internética, aparentemente...). O conteúdo aqui pode até ter sido fútil e irrelevante (o que eu nunca neguei; basta checar o disclaimer), mas pelo menos foi, quase sempre, original. Editado, mas sempre verdadeiro.
Até daqui a pouco.

August 22, 2008 pré-weekend update.

FINALMENTE marquei London. Beejesus, que parto.
Então, chego na sexta 29. Achei um hostel baratinho, mas muito bem localizado (Covent Garden). O quarto é single (só meu, yay!) e a única inconveniência é que o banheiro é coletivo. Urgh. Oh well, sempre se pode resolver o probleminha calçando havaianas na hora de tomar banho.

Antes de cair de cara na cidade, serei obrigada a fazer uma socialzinha básica em Surbiton (casa da half cunhada, a famosa "véia da motoca" e cujo barraco faria sucesso no "how clean is your house"). Pelo menos teremos um lugar onde largar o carro sem ter que pagar estacionamento. Odeio muito tudo isso, mas a partir daí London belongs to me and Frá. Sexta à noite talvez dê tempo de comer e saracotear no Rock Garden. No sábado quero tea na Fortnum & Mason e jantar no Wagamama.

Antes disso tem Devon. Let me tell ya que obviamente Marido deu um jeito de me irritar e escolheu o nosso B&B porque ele CONHECIA os donos. Prevejo mais pessoas arregalando olhinhos e dizendo "Oh!? Hi!" quando eu for apresentada as "the wife". Porque, claro, eu não sou exatamente o que eles esperavam. Cansaço. Eu realmente preferia ficar num lugar anônimo e não ter que passar por isso.

But overall, tô pintinho no lixo. Férias desse quarto, desse computador e dessa rotina agradável, porém pouco estimulante. Não tanto por causa da rotina - eu poderia estar lendo um livro, eu poderia estar costurando uma colcha, eu podia estar roubando, eu podia estar matando - mas por causa da minha preguiça de estimação. Coço a barriguinha dela todas as noites, antes de dormir. Fofa. (E eu realmente já tive um bicho preguiça de estimação. Eu tinha, sei lá, sete anos e os caminhoneiros amigos do meu pai a capturaram na selva... E ele a trouxe para casa dentro de uma caixa de papelão).


Descobri a Gibbous Shop no livejournal e, além de um site visualmente adorável, as roupas são qualquer coisa de incrível. De longe parecem retalhos, mas a delicadeza do trabalho artesanal se descobre aos poucos, estudando cada uma das peças (únicas, sem repetição). Adorei especialmente os casacos, saias e coletes. Infelizmente a maioria dos preços são meio proibitivos pra mim, mas até compreendo porque cada peça é uma pequena obra de arte inteiramente feita à mão. O cuidado também se nota na apresentação do produto - as fotos são lindas.










Estou indo pra cidade agora catar um presente pro British Boy (que soprará velinhas no domingo) e analisar a possibilidade de comer the best chicken kiev da ilha no boteco italiano do Bruno, meu chapa.

August 18, 2008 posh, pero no mucho

Eu acho realmente horrível, de uma pobreza de espírito absoluta, essa história de que mulherzinha se casa, faz um monte de amiguinhas casadas, só saem juntas em "programa de casalzinho" e resolvem boicotar as amigas solteiras - que, por não fazer parte do "clubinho aliança de ouro", passam a ser vistas com desconfiança, como se fossem periguetes prontas a atacar o precioso marido alheio. Muito nojo nessa hora.

Dito isso, devo admitir que, apesar de minoria, periguetes de carteirinha infelizmente existem. E que, apesar de eu ser uma dama como poucas (fiz um teste de revista para saber a qual classe britânica pertenço e deu ARISTOCRACIA na mosca (ahá! in your face, detratores!); só não rolou REALEZA por conta das minhas convicções políticas, mas upper crust tá de bom tamanho, thank you very much), às vezes me baixa um espírito de maria-lavadeira-da-rua-de-baixo e é difícil controlar os ímpetos de virar minha mãozinha de veludo na cara de vagabunda aí. Mas né, um título como esse a gente não encontra no lixo, e nessas horas me forço a abstrair para manter intacta a minha imperturbável fleuma britânica. Would you like some milk on your tea, darling? What about CICUTA?

Apart from that, the day was lovely. Levamos o pequeno vermelhinho pra rodar depois que o boo-boo no farol foi consertado, e paramos para tomar uma cerveja no Portelet Inn. Note to self: voltar lá pra comer, também, porque o pub parece ter resolvido suas tendências de servir comida ruim na hora do almoço (espiei o conteúdo dos pratos alheios e o grude estava aceitável) além do que a vista para o mar é qualquer coisa de wow.

Saindo de lá, nos encaminhamos para Saint John, onde acontecia uma car boot sale no estacionamento de outro pub. Não sei pra quê, porque eu tinha tipo TRÊS libras na carteira e obviamente não ia comprar nada. Car boot sales, pra quem não sabe, pode ser traduzida pelo seguinte: bando de tias se reúne num estacionamento, esvazia três sacos de plástico cheio de quinquilharias em cima de um lençol no chão e vendem tudo por uns trocados. Na imensa maioria das vezes só rola lixo, mesmo - roupa cafona/manchada, brinquedos para bebês na fase oral (como se alguém fosse comprar um mordedor USADO para o seu bebê... Ok, se o bebê fosse meu e o mordedor fosse barato eu compraria, mas até aí foda-se porque eu não sou exemplo pra ninguém), fitas VHS com filmes do naipe de "Uma Linda Mulher" e "Flashdance", porcarias de porcelana e sapatos "sociais" (o que quer que essa merda signifique) com a sola descolando. MAAAS de vez em quando aparece alguma coisa com cara de antiguidade, que pode ser reformada/pintada/consertada se você, como eu, curtir um desafio, tiver pouco dinheiro e nada melhor pra fazer.

No caminho da car boot, eu avistei um Rolls Royce amarelo enorme parado na entrada da Manor House de Saint John e uns senhores usando chapéus de palha direcionando os motoristas para o portão. Os jardins estavam abertos à visitação pública num evento de caridade, e decidimos mandar a car boot pro espaço e ir futricar o quintal alheio instead, e essa foi pretty much a melhor idéia da semana porque os jardins eram de cair o queixo e valeram totalmente as três libras que me cobraram pra entrar. Por mais duas libras, tivemos direito a um delicioso cream tea, servido em pratos e copos de isopor e que comi sentada no chão, enquanto vespas e abelhas estavam super numas de transformar meu chá em piscininha. Oh Dear, eu sou tão aristocrata que nem eu me aguento...





Eu nem bebo chá, mas esse desceu porque em copão de styrofoam não é todo dia que aparece.



"Vamos sentar aqui e tirar fotos e fingir que o jardim é nosso?"
"Acho que os leitores do seu blog não vão acreditar..."


Tinha laguinho com direito a cisne e botes, jardim japonês, jardim só de hortências (e só de dahlias, de rosas...), "kitchen garden" (onde se plantam legumes e verduras), campo de golfe, haras, garagens enormes para a coleção de carros vintage do Lord of the Manor e um mini zoológico de aves de rapina (falcões, águias e lindíssimas corujas brancas). Cheguei na "hora do recreio" e tinha um camarada servindo a janta para os pássaros: PINTOS MORTOS. Traumatizei).





WHY SO SERIOUS??






Reflita no quanto deve custar para manter essa belezinha.
É. Acho que prefiro o meu jardim. Água da chuva pra regar, poda duas vezes ao ano e corre pra galera.

August 15, 2008 gingerbread to sweeten my day.

Então, eu ia fazer um post meio grande sobre hábitos alimentares no Reino Encantado de Lilibeth, mas o dia hoje foi punk rocker. Dupla de portugueses veio instalar a máquina de lavar louça nova (porque a que ganhamos quando viemos morar aqui, quebrou ano passado), passaram umas duas horas tentando instalar e insinuando que "um café seria legal", "ah se eu pudesse beber uma água geladinha agora". Aham.

E a minha querida cleaner está de férias. Ilha da Madeira. Como ela mesmo afirmou, "good wine, good food". Aham. E eu aqui, comendo miojo e bebendo diet coke sem gás, passando uma pilha de roupas da altura do Big Ben, lavando banheiros, lavando louça (porque claro, depois de todo aquele cafezinho, água e papo furado, a lava louças que eles trouxeram estava com DEFEITO...) e suando, porque né, depois de uma semana de chuva e ventania que mandou to hell as pétalas da minha linda roseira amarela, hoje tivemos o privilégio de aturar quase trinta graus na moleira. GENTE MINHA VIDA É TÃO FELIZ e talz, etc.

Então, não tive tempo de sentar da frente do PC o dia inteiro.
Mas agora que sentei, vi isso aqui, meu maxilar despencou e tive que vir para cá compartilhar fofura:




















Yup - essas casas são de verdade e pessoas de verdade moram nelas.
O lugar atende pelo pitoresco nome de Martha's Vineyard (Vinhedos da Marta?), é uma ilha norte americana e faz parte do estado de Massachusets. Essas casinhas atendem pela ainda mais pitoresca alcunha de Gingerbread Cottages, e se localizam no distrito de Oak Bluffs. Foi lá que o Steven Spielberg filmou Tubarão e onde o avião do John Kennedy Jr. capotou. Referências macabras à parte, só eu me imaginei sentada numa dessas varandinhas, tomando chá com cupcakes, tricotando echarpes e falando mal da vida alheia com a vizinhança? JOY.

Mas, como nem tudo é perfeito, aparentemente o custo de vida na ilha é 60% mais alto do que a média nacional americana, e o preço dos imóveis chega a custar 96% a mais do que no resto do país... OI? Isso me lembra alguma coisa? Alguma coisa chamada JERSEY?

August 13, 2008 food for thoughts.

Comida de pobre é uma coisa. AMO a maioria.
Arroz com ovo. Farofa. Cachorro quente podrão de carrocinha na Baixada. Sacolé. Vitamina de abacate grossinha e doce. Feijão com farinha. Carne seca com abóbora. Churrasquinho de asa, devidamente assado na laje do "apartamento" recém erguido na favela, com forró ao fundo. Se tiver "pão de alho" assando junto, even better. Feijoada gordurenta. Pudim de leite. Caipirinha azeda, porque afinal limão é mais barato que cachaça. Contini (o primo pobre do Martini Bianco) servido com coca cola. Sorvete/sacolé fabricado em fundos de quintal e vendido em carrocinhas. Pipoca salgada com "sal marinho e pedaços de bacon". Pipoca do saquinho rosa choque. Imitação de chee-tos custando 30 centavos, vendido na tia da vendinha da esquina. Galetão de domingo. "Salada de legumes" (uma batata, uma cenoura, três quilos de maionese barata). Molho à campanha (?). Macarrão com salsicha.

Geralmente os pratos mais saborosos e característicos da culinária regional de vários países são, exatamente, "peasant food", a boa e velha "comida de peão". Tô em Paris e nem cogito a hipótese de entrar num bistrô, pedir um prato custando o dobro do salário que eu ganhava no Brasil, coberto de molho e que gastou um parágrafo inteiro do menu pra ser descrito, tipo "confit de black pudding com batatas rösti em camadas, sobre torre de queijo de cabra, nuvem de hortelã e horseradish sabayon, coberto com redução de vinagre balsâmico e rosemary jus". Tá - come você, mon amour. Sento-me amarradona num pé-sujo na Rue du Rivoli, peço uma tigela de cassoulet quentinho por seis euros, com direito a uma taça de vinho barato (e vinho é uma das poucas coisas boas em Paris que você conseguirá chamar de "barato").

Aliás, essa mania francesa de cobrir tudo com molho tem nada de chique. Vem dos tempos onde não havia refrigeração e molho não era charme, mas sim NECESSIDADE para encobrir o gosto ruim da carne passada (ou podre, mesmo).

Isso me lembra a história de uma pessoa a quem, durante um almoço de família no interior da França, foi servida uma fatia de queijo. Quando ela levantou o negócio do prato, percebeu uns pedacinhos caindo de volta. Under closer inspection, a ficha caiu: não eram pedaços de queijo - eram VERMES. Baby mosca, saca? Então. Ela deixou o pedaço de queijo cair no chão, horrorizada. Os vermezinhos saíram se arrastando para todos os lados e, enquanto ela cogitava se seria muito deseducado subir na cadeira e começar a gritar, o anfitrião deu a volta em torno da mesa, pegou o queijo, cheirou, examinou os vermes, raspou o restante dali com uma faca e pôs o queijo de volta no prato. "Pode comer, não está estragado... Os vermes vêm atraídos pelo cheiro, eles também sabem o que é bom". A mesa inteira caiu na risada enquanto a moça cogitava se seria muito deseducado enfiar a mão na cara do francês ou fazê-lo comer os vermes.

Já comida CAFONA é diferente. Tenho uma certa"vergonha alheia" culinária.
"Ponche", por exemplo. Um monte de frutas jogadas dentro de uma tigela de vinho vagabundo. Gelatina com creme de leite. "Ah, o creme de leite desce e fica tão bonito...". CAFONA. Arroz doce. Torta salgada (aquelas com sardinha e "petit pois" - o nome pretensioso que pessoas cafonas dão para ERVILHAS). Rabanada. Desculpe quem se amarra (British Boy incluso), mas eu acho cafona. Bacalhau com batata no natal - clichê. Batida com leite de coco, suco de maracujá ou groselha. Qualquer bebida que leve leite condensado (se tiver nomes bregas tipo "meia de seda" ou "pau nas coxas" - acredite, essa merda existe - acrescente 10 pontos na escala de cafonice). Leite condensado em si é uma comida cafona. Tomo uma lata inteira se bobear (acompanhada de uns cinco litros de água, para aliviar a barra do açúcar), mas cafona é.

Vinho nacional (ou seja, brasileiro). A maioria é doce demais, desde os que a gente compra em garrafão de cinco litros pra festa de natal na zona norte, até alguns que se dizem de boa qualidade. Certa vez que questionei a razão disso, uma pessoa no orkut ficou meio putinha com a minha colocação e rosnou que "brasileiro não gosta de bebida ácida". OK - mas bebe guaraná então, pô.

Ok, isso me lembra outra história, dessa vez envolvendo meu finado sogro Fred, que era engenheiro eletrônico e trabalhava na BBC. O véio era famoso pela falta de tato e por não dar a mínima para o que os outros pensassem. Foi convidado para um jantar em casa de amigos na França, um casal que tinha vinhedos e orgulho do que produziam. Para o jantar, tiraram do fundo da adega um tinto vintage fabuloso. Fred dá o primeiro gole e a francesada na expectativa, esperando os elogios. Sogrão bota a taça na mesa, passa a mão no açucareiro e joga tipos uma PÁ de açúcar dentro do vinho, dá uma boa mexida e bebe. E diz "Agora sim". Segundo relatos, a cara de sogrinha só não foi parar na China porque havia o chão no meio do caminho. Mas que dava pra cortar com faca o silêncio sepulcral que se abateu sobre a sala.

Enfim - em tese, qualquer comida que não esteja nas minhas exceções (vide primeiro parágrafo) e que combine com "menu de churrasco de subúrbio", "sobremesa preparado por tias em almoço de família dominical", "comida trazida por adolescentes para festinha americana" e "natal na casa da tia Orminda", eu passo. Quer dizer, às vezes eu até como. Mas, como boa hipócrita (como andam me chamando por aí), eu morro negando.

Poréééém, provando mais uma vez que a gente pode tirar a pessoa do "subúrbo" mas não tira o "subúrbo" da pessoa... Essa que vos escreve vai passar férias no sul da Itália, senta num boteco e pede "arancini + peroni", o famoso equivalente siciliano da "coxinha + antarctica".

Arancini leva arroz no lugar da massa e recheio de tomates e queijo derretido (ou carne). Viciante. E o clima nesse dia estava TÃO Hell Djanero que tive direito a um casal de cariocas sentado na mesa ao lado. Obviamente falando quilos de merda em português, achando que ninguém iria entender. BIG MISTAKE, by the way. Não sei o que era pior: a falta de educação ao falar obscenidades e palavrões em voz alta ou se a ingenuidade ao ignorar a regra básica de que brasileiro é virtualmente onipresente. Discrição é o futuro em qualquer lugar e em qualquer idioma, kids. Abaixa o volume.

August 11, 2008 30 is the new 40.

Eu adoro o blog da Julia Petit. Divertido e gostosamente fútil, para ler tomando café com bolo de limão à tarde, alimentando o meu lado minina que, ocasionalmente, passa e manda beijo. O único problema é que o site é pesadíssimo (vários posts por dia, com fotos) e, por alguma razão desconhecida, nunca carrega completamente, aqui. Talvez por estar hospedado no iG?

Foi lá que descobri uma lojinha londrina chamada Dahlia Fashion, que pretendo visitar semana que vem quando estiver na civilização. Só pelo prazer masoquista de sentar na frente da vitrine e chorar até desidratar, claro - porque, depois que eu acertar a conta do hostelzinho muquirana onde vou me encostar e o preço do vôo classe "oi-aceita-um-pacotinho-de-amendoim?" econômica, só vão sobrar uns trocados que eu prontamente torrarei num autêntico chá das cinco na Fortnum & Mason. But of course.
Mas window shopping ainda dá pra fazer de graça, né?






Então, uma delícia os tops e vestidos. O que não achei menos delicioso foi ler a seguinte observação (feito pela editora de plantão, e não pela Júlia) a respeito: "Caso você tenha mais de 30 aninhos pense antes de usar para não ficar tão infantilizada."

Tipo, OI? Antigamente eles pelo menos esperavam a gente fazer 40 anos pra começar a nos chamar de velhas nas entrelinhas quando usávamos minissaia; agora é 30 e quando usamos BATINHAS? Tô com medo de que, daqui a algum tempo, a coisa vai chegar nesse ponto: "Menstruou? Calça aqui umas pantufas, aprende a fazer tricô e a ficar invisível".

Compreensivelmente, os comentários bom-ba-ram com mulheres na casa dos 30 achando aquilo tudo uma palhaçada. A editora (que, apesar de tudo, tem o direito de expressar sua opinião) foi, no mínimo, ingênua. Deveria ter previsto a rebelião. Afinal, quem se propõe a consumir moda geralmente precisa de um bom emprego e um bom salário para financiar as aquisições; coisa que nenhuma mocinha de 16 conquistou ainda (com exceção das top models ou filhas de pais ricos). E, por mais que eu faça piada sobre determinadas atrocidades fashion (que não estão relacionados a faixa etária), a equação na vida real é a seguinte: coube em você? + tem saldo pra pagar a fatura do cartão? = Se joga.

Eu achei os vestidinhos dignos, de bom gosto, delicados, e consigo visualizar mulheres de qualquer idade usando-os tranquilamente. Mas talvez eu pense assim porque, depois de vir para cá e ver tanto MAU GOSTO circulando pelas ruas, eu dê graças a Deus e abane o rabinho ao ver qualquer pessoa (adolescente, terceira idade, preta, branca, gorda ou magra) usando roupas de boa qualidade e que lhes cubram as partes pudendas.

Mas o problema maior nem é a moda, nem mesmo o que eu acho. Me pergunto qual seria a idade da pessoa que escreveu esse comentário - e arrematou dizendo: "Por mais que você queira, 30 aninhos não dá para vestir roupinhas super românticas, com manguinhas bufantes". E qual seria a diferença gritante entre um corpo de 25 e outro de 35? Idade é um conceito meio relativo, já que minha mãe de 60 anos chama minhas primas de 35 de "meninas". E a Halle Berry tinha trinta e OITO anos quando posou para essa foto. Me pergunto, por que as pós adolescentes acreditam que alguns anos nos transformam em pessoas totalmente diferentes, resignadas a usar tailleurzinhos cinzas e twin sets beges pro resto da vida? Será que é porque sabem que vão passar dos 30, 40 também e esse pensamento as assusta? Daí atacam quem já chegou lá como forma de se diferenciar e se sentirem jovens?

Sei lá. Vou perguntar às camisetas da Hello Kitty na minha gaveta.
Porque elas sabem de tudo.

August 07, 2008 thou shalt not wear turquoise.

Whatever happened to the good old british restrain? Em (mais um) artigo de revista observando o quanto as inglesas se vestem mal no verão, leio o protesto de uma entrevistada: "Não estamos acostumadas ao calor! Vivemos numa ilha gelada a maior parte do ano e, quando o sol finalmente aparece por um curto período de tempo, temos que ajustar o nosso guarda roupa às pressas!".

N-o-s-s-a. Quem lê poderia até pensar que a cidadã nasceu na Sibéria. Ou que as roupas dela fossem assim tão diferentes no inverno. Cansei de ver meninas seminuas (top + minissaia + salto, sem meia calça) em filas do lado de fora dos nightclubs. Em FEVEREIRO. Sub Zero diz alguma coisa pra você? Não, não era o nome do nightclub; dois graus negativos era a temperatura ambiente. "Ajustar guarda roupa às pressas"? Confessa aqui pra tia, meu bem - você não tem cara de anfíbio, portanto não nasceu pecilotérmica.

Infelizmente, a desculpa "mas está calor" não cola, gatas. Porque faz calor na França e na Alemanha, também (aliás, bem mais do que na Inglaterra), e o povo tem DECORO na hora de se vestir. Bom gosto também ajuda. Por exemplo, adorei os modelinhos de verão da loja francesa Sessun:






As sandálias estilo gladiador levinhas, os cortes clássicos, as cores delicadas, nenhuma estampa berrante ou detalhes chamativos, nenhuma bijouteria azul turquesa (ew), nenhum bordado em fio dourado e, acima de tudo, nenhum PAETÊ. É impressionante: a temperatura passa de 20 graus e as inglesas se jogam nos "brilho". Durante o DIA. As vitrines da Monsoon e da Accessorize parecem barracão de escola de samba na véspera do desfile do Grupo Especial. Les horreurs.

Apesar disso, não estou bem certa de que a idéia funciona para garotos. O rapaz da direita saiu de casa de ceroulas, o moço da esquerda tá meio "criado pela avó 80s" (troque a bermuda por uma calça na mesma cor e o casaco por outro de número maior e aí sim o look me agrada) e o visual "geek fashion" do meio só pode ser piada.


Enfim, tudo para demonstrar o óbvio: não é só porque o clima esquentou que os seres humanos precisam sair de casa assim:


Porque, se nem a Kelly Brook segurou o look, é bom reconsiderar aquele top azul turquesa de paetês que deixa 3/4 do seu implante à mostra, ok gata? Fica a dica.

August 05, 2008 cinema, vitrines e picnics.

Então, né, show do MUSE no Brasil.
Odeio oficialmente todo mundo que esteve lá. De mentirinha, e só hoje - mas odeio.
Me ocorre, entre lágrimas de tristeza, que eu sempre vou a shows de bandas inglesas quando estou no Rio - mas a quase show nenhum quando estou aqui. Mas enfim, tenho um currículo legal e já vi a maioria das minhas bandas preferidas ao vivo (fora as que se dissolveram ou morreram antes de vir ao Brasil OU antes que eu tivesse idade de ir a shows).

Fui ver Mamma Mia nos cinemas, paguei caro pela pipoca (quatro libras?? custa o quê para estourar um saco de pipocas pequeno, 50p?? Beejesus...) e, ao entrar na sala, os únicos lugares disponíveis eram aqueles colados na tela. LOTADO. Caramba, eu fui à estréia de Sex & The City e o cinema estava va-zi-o. O que isso significa? Que, realmente, não existe gente jovem nessa ilha. Olhei para trás e parecia reunião de pais e filhos em escola de subúrbio: apenas senhoras de meia idade e crianças pequenas.

Começa o filme e as velhas começam a CANTAR junto. E eu afirmo: 150 velhas conseguem sim cantar mais alto que a Meryl Streep. Vontade de olhar pra trás com cara feia e gritar "SHHHHHH!!!!" mas a) ninguém ia me ovir, mesmo; e b) se 150 velhas decidissem me dar porrada ou despejar baldes de pipoca na minha cabeça, eu estaria fodida. Me resignei ao coral geriátrico, então.

Ah, ok. O filme. Legalzinho, nada demais (à exceção da cena onde as mulheres cantam "Dancing Queen", já antológica). ATENÇÃO: tem um pequeno spoiler no fim desse parágrafo; se não quiser ler, pule. Eu tive que checar no IMDB para me certificar que a noivinha do filme era mesmo a patricinha loira e retardada de Mean Girls. O problema com o Pierce Brosnan cantando não é, ao contrário do que andei lendo, a desafinação; ele não desafina. O que pega mal mesmo é o timbre. Alguém se esqueceu de avisar a ele que aquilo era um filme para senhoras, e que ele não estava fazendo testes para o papel de Calaf em Turandot. Colin Firth mal aparece na fita e, quando aparece, é pra dizer que virou gay e começar a namorar um grego. Eu e todas as moçoilas do planeta que ainda têm aquela cena da camisa molhada na cabeça REALMENTE podíamos ter ido dormir sem essa. E os produtores podiam ter escalado outro cidadão pro papel. Sinceramente.


Ela não tem nome. Pelo menos, não que alguém saiba.
Ela tem a pele pálida, os lábios da Jolie, olhos cor-de-avelã sonhadores sempre voltados para a mesma direção (esperando por algo? Alguém?) e cabelos castanhos escuros num corte atrevido de garoto. E deve gostar de moda, porque todos os meses muda o visual.








Ela é um manequim de vitrine de cabeleireiro, e mora numa vila do Japão.
E foi assim que ela se apaixonou por ela. E eu também.

Picnic em La Hougue Bie, há duas semanas atrás (as fotos são da apresentação da Esther Parkes; a da Cally Joel, tirando melodias medievais de uma harpa, eu não pude fotografar):





Perceba o conteúdo NADA orgânico/natureba da nossa cesta. Pudera, ela foi preenchida às pressas na manhã do picnic... O lugar estava lotado de hipongas, teletransportados direto dos anos 70 com direito a trancinhas, barbichas, crianças desnudas e saias rodadas. Quando chegamos lá em cima de um jeep 4x4 e com pizza dormida dentro da cesta, tive certeza de que iam nos linchar.

Felizmente os hippies de Jersey são como as vacas Jersey: totalmente pacíficos, só querem saber de mascar grama e fazer cocô.






















British Boy in Germany. Volta na sexta, a tempo de pegarmos a inauguração do "Piranha's Bar". Woohoo.

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August 04, 2008 back to the future.

Então, é broguispót até eu conseguir pensar em outra publishing tool melhor, mas sem os ataques de frescura do Wordpress. Que é uma excelente ferramenta, porém absurdamente unfriendly para leigos. Eu não quero ter que virar developer para aprender a resolver pepinos de servidor - eu só quero postar umas fotos na internet, sabe. E, para isso, o blogger sempre foi bonzinho comigo. Se alguém estiver tendo problema com os feeds, me avise; mas o blog pode ser acessado pelo endereço do domínio e pelo hellololla.blogspot.com - thanks. Ainda estou arrumando o layout, então qualquer bug por favor, me avisem.

Cansada de dormir mal, acordar ainda com sono, ficar de modorra na cama, me levantar de puro tédio e ficar nerdando ou lendo até a hora do almoço, resolvi calçar os sapatos e ir pra rua. Me estrepei, é claro. A combinação de palavras "liquidação" + "70%" não pode ser ignorada. Acabei-me. Agora, tá lá: armário lotado de roupas e LUGAR NENHUM pra ir. Yay.

Jersey é um cantinho peculiar do planeta. Um dos mais lindos do mundo durante o dia, e sem dúvida o mais chato, à noite. Porque nightlife aqui se resume a ir encher o bucho de comida e depois sentar-se num clube tocando música péssima e alta demais, lotado de adolescentes ou idosos e rir das vestimentas alheias. O detalhe é que os tais clubes só começam a encher mesmo por volta das onze e meia da noite, sendo que às duas da manhã todos fecham e expulsam a clientela. E saem todos ao mesmo tempo, caindo de bêbados e despejando poças de vômito pelas calçadas. Lovely.

E, por falar em nightclubs, me pergunto se o Havana vai lotar ou falir depois dessa:


Pelas leis da night, qualquer gerente tem o direito de proibir a entrada de quem quer que seja em sua casa noturna, sem dar explicações. O problema foi justamente esse: ele negou a entrada a um punhado de gordinhas, e disse exatamente o porquê. Curioso é que HOMENS gordos estavam entrando à vontade. Mas é claro; afinal, são eles quem pagam a conta do bar. O que me deixou boquiaberta foi o nível dos comentários no artigo online. A vasta maioria dos leitores se pôr a favor do gerente do estabelecimento, entregando-se a um linchamento moral coletivo dos gordos. Palavras como "Parem de comer porcaria e percam peso", "Vocês todos vão morrer com as artérias entupidas" e "Vocês são nojentos e deviam se trancar em casa" me assustaram um bocado. Não, sério - dêem uma lida nisso aqui. Que as pessoas não achavam gordos atraentes eu já sabia. Que as pessoas ODIAVAM gordos com tamanha violência eu ignorava.

Interessante também é reparar a quantidade de comentários anti-fat vindos de gente com sobrenome polonês. Acho bonitinho que essas pessoas não se dêem conta de que muitos de seus próprios antepassados foram parar num forno crematório por não se enquadrar em padrões (volto a falar de poloneses aí embaixo). Ah, the world we live in. Delightful.

Resolvi ir tomar um cappuccino no Cock and Bottle, em Saint Helier. O pub é pequeno, mas bem localizado, numa das pracinhas mais pitorescas da cidade; por isso vive cheio. Principalmente no verão, quando lota de turistas. Sentei numa das mesinhas do lado de fora e esperei ser atendida. E esperei. E esperei. Mais clientes chegaram e ocuparam as mesas ao lado. A garçonete polonesa só passava para recolher copos vazios. Receber pedidos, que é bom, nada. Até que um dos clientes encheu o saco e foi lá dentro. Voltou com uma cerveja e uma coca cola nas mãos. Pelo jeito eu ia ter que largar as bolsas pra trás (isso num bar que enche de turistas, prato cheio para algum eventual mão-leve) e ir pedir meu cappuccino no balcão. Sim, deixar as bolsas - se eu as levasse comigo, perderia o lugar.

Voltei equilibrando a xícara (enorme) a duras penas, porque eu faltei no dia em que ensinaram coordenação motora e não tenho talento pra garçonete. Notei que não havia açúcar na mesa e voltei para pedir. A polonesa do balcão fez carinha de bunda eslava ao me entregar o pote cheio de cubos duros de açúcar (MASCAVO, que eu aliás detesto) e quase deixa o negócio cair no chão antes que eu conseguisse encostar os dedos nele. Você pediu desculpas? Nem ela. Liguei pro BB e convidei-o pra almoçar; ele pagando, naturally. Daí enfim me aparece uma garçonete que, aparentemente, se deu conta da minha presença. Mas apenas porque já era meio dia e ela queria saber se eu ia almoçar ou não; porque "aquelas mesas estavam reservadas a quem ia comer". Mensagem subliminar: "ou gasta mais dinheiro ou RALA PEITO".

Simpatiquinha, ela. Eu, apreensiva, informei que estava esperando alguém - que chegaria em MEIA hora. Ela também fez cara de cu e perguntou rispidamente se eu ia beber algo (leia-se: "então comece a gastar dinheiro JÁ"). "Seu sangue", pensei em responder. Mas acabei pedindo uma taça de Chardonnay, por questões higiênicas.


O Cock and Bottle tem um menu de almoço bastante decente (comi um Boeuf Bourguignon absurdo de bom com batatinhas Jersey Royals; mas a bosta do Chardonnay veio QUENTE). Já o staff extrapola de tão ruim. Eu não tenho nada contra poloneses - eles trabalham duro, não têm frescura e não estão "tirando emprego" de ninguém; simplesmente topam o que os ingleses não estão a fim de fazer. Mas a verdade é que, em termos de simpatia e boa educação, as meninas ficam devendo. Ninguém é obrigado a viver com os dentes à mostra, mas elas trabalham sem dar UM sorriso o dia inteiro, e algumas ultrapassam o limite da grosseria ao lidar com a clientela (já na noite, ao lidar com a homarada, elas são puro amor). Os meninos são bem mais legais. E podiam deixar essas mulheres mal educadas (e que parecem trabalhar com ódio) lá na Polônia.

Saí de lá e fui rodar as charity shops. Achei duas molduras lindas por 2.50 cada. A idéia era jogar as figuras fora e usar só as molduras, mas acabei me apaixonando pelas ilustrações vintage de plantas. Vão direto pro meu quarto. Também achei um livro lindo de capa dura, super lindo e ENORME sobre jardinagem e decoração por 1.50, e mais uns brinquedinhos por 2.00 - result!

À noite fomos para o pub e a idade média da clientela era 208. Clubinho geriátrico, anyone? Eu acho o máximo que os idosos tenham lugares para ir beber e se divertir ao invés de ficarem plantados na frente da TV esperando a Morte. Mas eu também gostaria de ter uns lugares com música bacana (raramente há música nos pubs de village, frequentados pelos mais velhos) e gente da minha faixa etária, onde eu me sentisse integrada, sabe. Do contrário, quem vai ter que criar raízes no sofá, calçando pantufas e assistindo a reprises de novela sou eu. Fiquei tão deprimida com esse prospecto que pedi ÁGUA COM GÁS. E a garçonete ainda pôs gelo e limão.
Se eu ficar mais 12 meses direto nessa ilha, juro que vou conseguir perder todos os meus dentes e desenvolver osteoporose e incontinência urinária.

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