September 29, 2008 here comes the rain again

Paul Newman morreu e eu fiquei triste e até ordenei mentalmente que ele ressuscitasse. Mas logo depois achei a partida dele uma coisa muito natural. Não somente por ele ter 83 anos e um câncer maldito, mas também porque, olhando em volta e vendo a qualidade do que se vem produzindo em termos de arte e cultura, me convenço de que as verdadeiras celebridades do mundo não têm mais lugar nesse século. Paul Newman NÃO PODIA coexistir com High School Musical, ponto. Agora ele está seguro no lugar onde sempre mereceu estar: a galeria dos eternos.


Cuenda weekend longo.
Festival de cinema aqui em Jersey (aham... haha), o que não deixa de ser FINALMENTE! ALGO! ACONTECENDO! Bem, mesmo que o festival tenha durado apenas quatro dias e que, até onde eu saiba, nenhuma sala de cinema tenha lotado. Na sessão onde foi exibido o documentário Joy Division (excelente, por sinal), 25% da platéia caiu fora no meio do filme e mais 25% quando ele acabou, sem participar do bate papo com um dos diretores do documentário. Numa ilha onde "cultura" se resume a feirinhas de artesanato, isso é imperdoável. E, das DUAS únicas perguntas feitas pela platéia, uma delas foi especialmente asinina: "você acha que uma banda como o Joy Division poderia sair de um programa como o The X Factor?". Enough said.

Também assistimos "Elite Squad" - embora a) a Márcia já tivesse me enviado um DVD gravado e b) eu sempre me irrite com traduções fracas de filme nacionais; ok, é complicado achar um equivalente para "caralho" e gírias cariocas, mas honestly, traduzir "porra" como JESUS é phoda com ph. Saldos positivos: platéia em silêncio profundo, sem dar um pio e saindo do cinema com olhos arregalados e o British Boy adorando funk carioca.





A "Jersey Eye", imitando isso aqui (e falhando... se bem que aqui a vista é mais bonita).











O melhor cheeseburguer com bacon do Wayside Café.
As flores do Mercado Central.



Ingredientes para a famosa Chicken Soup do British Boy.





Close enCOWnters of the HERD kind.




Sem muita esperança de consertar a nossa chaminé e instalar uma lareira até o inverno, no que depender do maravilho atendimento ao consumidor da ilhota. Por dois dias a pessoa encarregada de vir aqui em casa vistoriar a situação não veio. Só fiquei sabendo que havia sido deixada no vácuo depois de ligar e ser informada de que o idiota não poderia vir (e que ter LIGADO ME AVISANDO era pedir demais). No sábado, depois de marcar uma visita às dez da manhã (e se eu quisesse sair cedo pra aproveitar o único dia da semana onde se pode ir às lojas fora do horário comercial?), ele, novamente, não veio. Celular desligado dessa vez. Nem mesmo me restou o consolo de ligar para xingá-lo.

No Brasil, muita gente com cérebro acaba em sub empregos por falta de oportunidades. AQUI, onde qualquer imbecil consegue fazer faculdade e se formar em neurocirurgião, quem é mesmo que vai parar atrás de balcão ou vistoriando chaminés alheias? Só imigrantes que não falam/entendem a língua OU retardados com QI de mosca. A necessidade de sobreviver no Brasil faz com que a maior parte das empresas pelo menos tente dar o seu melhor. O capitalismo selvagem americano quase sempre tem o mesmo efeito. Mas fica difícil ter vontade de se superar em sociedades como essa aqui, onde se o funcionário é incompetente, OU ele é mantido no cargo por falta de substituto melhor OU é demitido, inventa uma depressão imaginária e passa o resto da vida sendo sustentado pelo governo (ou seja, por quem paga impostos). Só bebendo, viu.

September 25, 2008 grow your own.

Agora ninguém tem mais desculpa para dizer que não tem espaço para cultivar nada; que tal cuidar de um micro jardim que você pode levar pra onde for?



E é preciso cuidar dele (regar, aparar) como de qualquer outra planta:



{mais aqui}

September 24, 2008 it's a matter of feelings.

Juro que não entendo pessoas adultas, mais de 30 anos, indo morar na América ou na Europa e reclamando por serem obrigados a cozinhar a própria comida e limpar a própria casa. Até posso entender adolescentes de classe média alta, criados a Toddynho e sendo poupados de pegar no batente doméstico porque "precisam estudar" (leia-se ficar pendurado no MSN até duas da manhã, but whatever) sentindo o baque da realidade caindo sobre seus ombrinhos tatuados pela primeira vez na vida. Mas adultos? Às vezes até casados? Nunca fritaram um ovo/improvisaram um espaguete à bolonhesa na vida? Nunca lavaram a própria roupa? HELLO?

Aí a ficha cai. E me lembro daquele fenômeno brasileiro chamado "empregada doméstica". Ou, melhor dizendo, escrava. Não tenho nada contra a idéia por si só; tenho contra o modo como ela é realizada no Brasil. Aqui, por exemplo, a cleaner chega, faz uma faxina rápida por umas duas horinhas e cai fora, indo limpar outro lugar. É uma prestação de serviços impessoal. Não sei se inteiramente justa, no entanto. Ok, o casal trabalha o dia inteiro e quer relaxar ao chegar em casa, passar tempo com os filhos, etc. Mas, e quem limpa a casa da empregada? Ela também não teria direito a relaxar e passar tempo com os filhos, ao invés de ir lavar, passar e cozinhar antes de capotar na cama? Questão complicada, essa. E pelamor, não estou necessariamente condenando quem tenha empregada. O assunto é cheio de nuances e poréns, que eu não tenho tempo, saco nem competência pra dissecar. Just ranting here, okay?

O que me chateia é o hábito de algumas pessoas (muitas, pra ser honesta) de enfurnar a empregada na casa o dia todo, todos os dias, dando a ela folgas semanais ou, ainda pior, quinzenais. É o hábito de pagar oito horas por dia, mas fazer a empregada trabalhar desde a hora em que acorda até a hora em que o último adolescente desliga o computador e vai pra cama. Já dormi na casa de pessoas que acordavam a empregada pra fazer um chá caso se sentissem mal de madrugada (a hipótese de ir à cozinha e se medicar sozinhos sendo impensável). Já vi empregada fazendo serviço de babá (ou seja, acordando pra alimentar o bebê alheio) sem ser paga a mais por isso. Já vi "Edileuzas" bancando o "serviço de quarto" e levando refrigerante/lanche para adolescentes ociosos. Já vi famílias reclamando da comida feita pela empregada, sem que lhes passe pela cabeça a idéia de pegar um livro de receitas e ir para o fogão eles mesmos. Confinada à casa o dia todo, é como se a empregada deixasse de ter vida própria e se transformasse numa espécie de eletrodoméstico vivo.

Há quem argumente que, para a empregada, isso é melhor do que ficar sem emprego. É e não é. Diaristas tendem a ganhar mais e a ser menos exploradas; mas alguns empregadores preferem ignorar essa opção, por acreditar que morrerão se passarem um dia sem uma Creuza. Há quem argumente dizendo que é mais cômodo para a empregada não ter que se deslocar todos os dias para o trabalho, geralmente distante do buraco/favela onde vive. E eu acho que é mais cômodo para o empregador, que não precisa pagar pelo transporte dela, e que no fundo a empregada até preferiria ir pra casa interagir com família e amigos, e não com gente que preferiria que ela fosse um robô. Há quem diga ainda que isso "dá a uma moça humilde a oportunidade de morar numa área nobre, num bom apartamento". Essa é a parte que mais me comove, porque algumas "patroas" realmente acreditam nisso. Se esquecem, no entanto, de que dormir num quartinho minúsculo e mal iluminado, colado na área de serviço de um apartamento de quatro quartos não é sinônimo de "morar bem". É sinônimo de humilhação.

Ok, aqui nós temos uma "cleaner". Cogitei dispensá-la quando me casei. É verdade que a casa é grande, mas como eu não trabalho, daria conta sem problemas. PORÉM 1) não tive coragem, porque ela é legal e trabalha com o British Boy desde antes de ele saber quem eu era; 2) ela só trabalha duas horas por semana aqui e às vezes só passa roupa; e 3) ela não é explorada; tem um carro melhor do que o que meus pais têm no Brasil e viaja com os filhos o tempo todo. Fora que é um doce e ainda me leva para ir fazer compras no supermercado com ela quando meu marido está viajando (ela sabe que eu não posso dirigir). Pode ser que eu esteja errada, mas não enxergo aquela relação típica de exploração/subjugação social, aqui. E, oi? Cinco quartos? Três banheiros? Marido "chef" (leia-se: cozinha transformada em ground zero do WTC)? DUAS horas por semana? Alguém duvida de que quem faxina aqui sou EU? Thanks.

Outro dia li um blog (escrito por um típico elemento da burguesia carioca zona sul) afirmando que, no Brasil, "a maior parte das pessoas tem empregada doméstica". Fiquei dividida entre pensar "HA, só se for no SEU Brasil; no MEU, a maioria É empregada doméstica" e "É verdade. Não existe um só Brasil, e o meu é diferente do seu". Mas ainda acho estranho pessoas esclarecidas e até com alguns ideais pseudo-socialistas escritos na camiseta perpetuando essa semi-escravidão em troca de salário mínimo e condenando alguém a uma existência relegada ao quartinho do vexame.


Aliás, sempre que a idéia de "voltar a viver no Brasil" me ocorre (sim, porque ela me ocorre com uma certa frequência), me lembro das idiossincrasias e preconceitinhos de estimação da classe média do meu país e sinto uma certa preguiça de ter que voltar a conviver com isso. Eu não tenho raiva de quem simplesmente tem dinheiro. Nem um pingo. Tenho é preguiça de gente que, mesmo que nem tenha tanto dinheiro assim, se comporta como se tivesse. Ou se acreditando estar uns dez andares acima do resto da humanidade porque seu código de endereçamento postal leva a um condomínio chique. Ok, é igualzinho em qualquer lugar, mas no resto do mundo eu posso ignorar que essa gente existe. No Rio de Janeiro eu sou obrigada a conviver com elas e ouvir o que elas falam. Cafonas, cansativas, burras apesar das oportunidades que lhes foram servidas de bandeja OU usando injustamente essas mesmas oportunidades para se proclamarem superiores aos que não as tiveram.

A vida me ensinou que ter dinheiro é uma coisa, e ser "burguesinho" é outra. E ser "burguesinho" na atual conjuntura é tão, mas tão cafona...


Acordei ouvindo La Forza de la Vita (versão do Renato Russo, mas também gosto quando é o Paolo Vallesi cantando... Yup, you got it - eu adoro música italiana; quanto mais deliciosamente dramática, melhor) e me lembrei da Sicília. E de que praticamente não postei foto nenhuma de lá, em lugar nenhum. Então, senta que lá vêm os pixels, dessa vez algumas fotos de Taormina, que praticamente foi o ÚNICO lugar com cara de chique que vimos na Sicília. TODO o resto me lembrava favelas, ou subúrbios do Rio de Janeiro ou praias sujas da Baía de Guanabara.

Uma luminária linda e o famoso arancini num café de Catania:



Continuando a demonstrar a paixão dos sicilianos por varandas e por entupi-las de plantas, de preferência vasinhos de gerânios... Não sei se é assim também no resto da Itália.



E a Itália às vezes me lembrava tanto o Brasil. Essa aí embaixo parece uma rua qualquer na Baixada Fluminense.



Subindo a estrada para Taormina.



Varandinha em Taormina, seguindo a tradição das flores. Repare nos vasos de cerâmica, típicos de várias cidades italianas. Era difícil chegar em uma sem esbarrar com trezentas mil lojas vendendo vasos, potes, pratos, floreiras, estátuas, enfeites...



Taormina ladeira acima.



As ruínas do "Teatro Grego" (novamente, Taormina), uma das mais famosas na Sicília por conta da beleza e do estado de preservação. Sem falar na localização... A vista era qualquer coisa de "morri e fui pro céu". E esses são meus sapatos vermelhos. DE NUEVO. Get used to it.








Chega por hoje, antes que eu derrube a conexão de alguém.
Mas volto já.

September 21, 2008 food is for losers.

Sempre me impressiona essa falta de "amor pela comida" dos ingleses. Não estou generalizando e, antes que gritem, é claro que há exceções. Mas no geral o cidadão médio totalmente come para se manter em pé. Algumas pessoas levam esse desdém tão a fundo que me fazem pensar que, para elas, comer é quase que uma obrigação. Outro dia ouvi uma perua tanoréxica gritando para uma semelhante do outro lado da rua: FOOD IS FOR LOSERS.

O número de "vegetarianos" é imenso. Pessoas que na verdade não estão nem aí pra "causa animal" ou para questões de saúde; querem apenas a) embarcar no hype ecológico/consciente / politicamente correto (e os argumentos usados para embasar essa escolha chegam a ser deprimentes, de tão fracos) ou b) evitar contato com músculos, entranhas, tendões, porque simplesmente têm nojo de comer carne. Muitas meninas viram vegetarianas porque é modinha, porque acham "delicado e feminino" pedir uma salada mal preparada e com nome estranho como prato principal, pagar 20 libras por ela e sair com fome do restaurante. Entrar num rodízio? Very unladylike. A mesma linha de raciocínio das que fingem ter vários tipos de "alergias alimentares" obscuras. Curiosamente, nenhuma delas procurou um médico, nem é alérgica a rúcula.

Nunca esqueço da ceninha do documentário do Chanel 4, logo que cheguei aqui, onde a madame passeava pelos corredores do Waitrose (o supermercado - caríssimo - preferido pela granfinagem) enquanto confessava para a repórter que só comprava comida pronta congelada porque tinha nojo de mexer num pedaço de carne ou cascas de legumes. E então a repórter mostra a ela uma bandeja de isopor com um pedaço de filé sangrante sob o plástico e a mulher faz cara de vômito e vira o rosto na direção oposta. É esse tipo de atitude que provoca indignação e risadas nas culturas que dão à comida o seu devido valor (França, Itália, Espanha, etc), e não a culinária inglesa em si; ela é apenas um subproduto da (falta de) valor que os ingleses dão à comida.

Enquanto italianos e franceses (pelo menos os do sul) param tudo no meio do dia para comer pratos simples, mas feitos com ingredientes fresquíssimos e locais, beber vinho bom e barato, confraternizar e descansar, os ingleses engolem um sanduíche engordurado na frente do computador enquanto continuam trabalhando (a quantidade avassaladora de "sandwich bars" que fazem delivery em Londres confirma a teoria). Porque ganhar mais dinheiro no final do mês é mais importante do que viver uma vida legal. Com a quebra dos bancos de investimento e a recessão batendo na porta, essa seria uma boa hora para se reavaliar prioridades. Duvido muito que isso aconteça. E vamos todos comer mal para manter filhos em escolas caras e ir brincar de encher sacolas com logotipos gigantescos de fashion houses em Bond Street.

. . . . . . .

Eu sou tão apaixonada pela Country Living que às vezes sinto vontade de comer as fotos da revista. Ou então de entrar numa delas e morar ali para sempre, em meio a vasos vintage decorados por zínias recém colhidas, colchas de patchwork feitas por mães prendadas, bolos de avó em mesinhas de vime, meias tricotadas à mão... Viajar nas fotos e vicariously living é o máximo que posso ter, porque a) me casei com alguém cuja tendência inata de transformar em caos tudo à sua volta não pode ser represada e b) minha paciência para artesanatos e culinárias e jardinagens se resume a gastar horas olhando para eles; criar, infelizmente, é outra história. Oh, well. Aí embaixo, alguns scans (na verdade fotos de fotos) que fiz; viajemos juntos.


















Ah, agora eu tenho um guestbook que também funciona como espaço para comentários. Mais fácil e rápido de controlar. ;)

September 18, 2008 self acceptance is overrated

Essa aqui é pra Aninha "canadense", que sempre reclama que eu não posto fotos minhas aqui.


Contraste e saturação, que me deixaram com essa cara de fantasma e as flores como se fossem feitas de césio 137. Mas a paisagem é deslumbrante sem o uso de artifícios. Sinceramente; se você morasse num lugar tão bonito e tivesse a minha cara, ia perder tempo com auto retratos?

E, a propósito, eu não sou tudo isso (de gorda), não. Jogo a culpa no casaco XXL, imenso, do jeito que eu gosto. Não adianta, tenho alma de obesa: quando pesava 55 quilos, entrava nas lojas de roupa e pedia tamanho 46. A vendedora me olhava e perguntava se a camiseta era para a minha mãe. "Não, é pra mim; é que eu gosto de roupa bem larga". Uma vez um vendedor super gato numa filial da Taco me deu aquela olhada de cima a baixo e respondeu "roupa larga? num corpinho desses? mas que desperdício...". Ok, super gato indeed, mas essa observação foi meio homo, portanto eu nem me animei. Enfim, podia até ter sido desperdício quando eu tinha 15 anos; hoje, roupa larga é necessidade.

Por falar em gordura, li esse post e me lembrei de ter presenciado uma interessante discussão outro dia no orkut: uma menina inegavelmente gordinha criticando uma dessas "mulheres frutas" por serem... gordinhas. Achei o comentário tão inusitado que resolvi me meter no assunto (coisa que raramente faço, naquele site) e, com muito tato, questionar a aparente contradição (haha, logo eu, the "contradiction queen", mas deixemos baixo). Seguindo a tradição de educação e coleguismo vigente no Orkut, é óbvio que a menina me mandou ir tomar no c... assim, na lata. Ok, então. Nota mental: voltar a acessar o orkut apenas para ler os meus scraps.

Orkutices à parte, eu acho mesmo muito estranho todas essas mulheres reclamando contra a "massificação da magreza", contra as modelos morrendo de inanição e os blogs das anoréxicas raivosas postando vídeos de "thinspiration" no Youtube, contra a mídia impondo o padrão de beleza das passarelas e, claro, contra os homens, esse porcos, que nos trocam por um modelo mais leve logo que ganhamos 300 gramas depois de engolir meio BigMac. Ok. E então, quando a mídia nos oferece uma balofinha sorridente, o que acontece? Vamos todos jogar pedra na gorda!

Tô nem aí pras mulheres frutas e acho que algumas delas são gordas, mesmo. Mas e daí, né? Acho é bom. E não somente porque "se os homens acham essas meninas gostosas, então eu estou salva", até porque nunca fui famosa por dar importância ao que os homens pensam de mim (e talvez por isso eu sempre tenha feito relativo sucesso com eles, a despeito das minhas imperfeições). Acho bom o fato de que moças que não pesam trinta quilos, têm traços negros e vieram do subúrbio tenham encontrado espaço na mídia de um país estranhamente obcecado por um fenótipo caucasiano que está bem distante de ser o padrão das ruas. Não é ainda um despertar, mas talvez seja a chance de um começo.

De alhos pra bugalhos: para quem leu o último post e achou o cúmulo da hipocrisia porque me considera uma consumista sem salvação e acha que eu não sei reciclar, olha só que gracinha o meu novo "vaso de plantas moderno". Que na verdade é de plástico. E era a embalagem onde veio o meu saca rolhas novo (porque, como todos sabem, saca rolhas é objeto de primeira necessidade nessa casa). Minhas dálias ficaram lindas dentro dele, e recebi até elogios. Quiseram saber onde eu comprei e, depois de quase dizer SUPERMERCADO, SEÇÃO DE UTILIDADES eu mordi a língua, soltei um pigarro e disse que trouxe de Paris. Aham.


E agora, um pequeno log da minha noite do último dia 16.
E depois ainda questionam a minha necessidade de CAIR.FORA.DESSE.LUGAR.

17:03 Marido foi pra chucrutelândia (aka. Hannover). Volta amanhã à noite. Vou ali aloprar e andar até à lojinha da vila pra comprar uma lata de leite condensado e beber inteira. Com gin, naturalmente.

18:35 Não rolou o leite condensado. Rolou comida chinesa, OVERPRICED e TAXADA. Alguém me dê uma porrada se eu algum dia voltar a pedir comida naquele china mercenário.

18:38 Barriga cheia, agora vou sair pra beber com a Júlia, porque não tenho coragem de ficar em casa depois de ter assistido a filminho de fantasma. WHAT A LOSER.

19:58 Então, não rolou SAIR pra beber porque me descobri sem um puto na carteira. Julia veio pra cá e nos acabaremos no gin. Bombay Sapphire, bee, porque eu sou pheeeeena.

20:55 Phodeu, porque a garrafa já era. Sobrou uma de Gordon's e outra de suco de laranja. JÁ É.

20:58 PORRA A JULIA ESPATIFOU A GARRAFA DE SUCO NO CHÃO!! ESTAMOS SEM MISTURA!

21:40 Ok, acabamos de descobrir que gin com XAROPE pega bem. O problema é que o xarope também já acabou.

22:13 Descobrimos outra coisinha: misturar remédio com álcool = NÃO BOM. Ok, *eu* já sabia disso, mas preferi não compartilhar o conhecimento para não correr o risco de ter a idéia vetada.

22:21 Estamos derretendo sorvete para beber com o gin. O processo é meio lento porque não dá pra derreter no fogo, senão o negócio fica quente. Tem que deixar na pia e, de vez em quando, segurar o pote e niná-lo junto ao seio, como se fosse um bebê. Acho que daqui a uma hora vai estar no ponto e teremos vanilla gin-shake on tap. Por enquanto, estamos dançando na cozinha ao som dos CDs piratas do Roberto Carlos que a Julia trouxe de casa.

22:28 "ah esse amor que me arraaaasta, me caaaaaastra e me faz sofreeeeer"

(dia seguinte) 09:26 Acordamos no chão gelado da cozinha, lambuzadas de sorvete derretido, em meio a cacos de vidro, poças de suco de laranja onde boiavam spring rolls semi mastigados e fedendo a vômito (que deve ter sido da minha parte, vide os spring rolls). Um frio do cão, mas pelo menos o xarope era dos bons e nem sinal de nariz entupido. Podia ser pior.

10:45 Depois de um banho quente e de limpar o chão da cozinha, indo até à lojinha da village comprar suco de laranja com o cartão de débito. Espero que aceitem, porque tipos, acabou o sorvete.

. . .

P.S.: é claro que os horários do log foram chutados; eu não fiquei olhando pro relógio e escrevendo, porque afinal eu tenho mais o que beber.

September 16, 2008 Inspired by Nature

Quase todos os dias recebo convites para grupos no Flickr, a maioria bem babaca e que eu classifico como spam indireto. Mas vez por outra eu agradeço por ter sempre o cuidado de checar do que se trata antes de deletar xingando. Porque hoje eu descobri esse grupo, chamado "Interiores inspirados pela Natureza" e estou encantada até agora. O título é auto explicativo e a beleza dessas fotos/idéias está no fato de que a natureza é tão generosa que, não bastasse nos alimentar, também serve para decorar o cafofo; e não somente como matéria prima de móveis e tecidos.

Vejam só, por exemplo, a cozinha dessa pessoa; flores, pequenos vasos com folhagens, e até mesmo legumes trazendo cor e vida para dentro da casa. Para quem não curte gastar dinheiro com futilidades, um atrativo extra: depois de alguns dias você COME a decoração. E aí compra outra, e o ciclo se repete infinitamente.




Lindas também as idéias desse stream; já faz algum tempo que pensei em usar meus colares para decorar paredes (bem french boudoir), mas a idéia do "galho" é uma graça. Nesse caso ela usou uma réplica, mas imaginei pintar um galho seco com spray branco (ou envernizar, ou não fazer nada) e "plantá-lo" num vaso bem fofo para pendurar os colares. Ela ainda foi além e "emoldurou" os brincos mais bonitos; adorável. Isso fica especialmente legal com peças vintage, uma boa idéia para exibir a sua coleção e deixar tudo à mão quando quiser usar.


Essa é a época dos dandelions e, apesar de achá-los lindos, nunca consegui um resistente o bastante que pudesse ser colhido e transportado para decorar um vaso. Esse tipo aí embaixo deve ser diferente, mas a delicadeza é a mesma. Apaixonante. (by Elsiemarley)


Pequenos "achados" (pedras, folhas, flores e frutos secos, cascas e conchas de animais, etc) reunidos nessa pequena estante de madeira, criando uma peça de decoração única, de valor inestimável e com custo praticamente zero. Já foi dar uma passeada no jardim/quintal/parque hoje? Não se esqueça de olhar para o chão! E para os galhos das árvores, também.


Essas plantas gigantes se chamam "cow parsley" e são consideradas pragas. Se multiplicam loucamente durante um curto período de tempo no verão e logo em seguida morrem. São meio fedidas e vivem cheias de insetos pendurados, mas depois de secas (e secam naturalmente, sob o sol) o cheiro e os bichinhos vão embora e sobram as ramificações delicadas, elegantes, extremamente decorativas. A idéia dessa pessoa foi usá-las com esse fim:


Eu teria deixado apenas as ramificações principais e poria os galhos secos num vaso. Caso você não encontre desse tamanho, é possível usar menores, dentro de vasos longos. Fica igualmente bonito.

Aqui, como eu estou no meio do mato, é relativamente simples encontrar coisas assim. Meus vasos são decorados com plantas colhidas no jardim (mas morro de pena de retirá-las da terra e encerrar bruscamente o seu ciclo, espero até que elas estejam já meio caidinhas...), pedrinhas e conchas que encontro na praia, etc. Ainda estou no nível básico da arte da reciclagem, mas eu chego lá. O grupo também ainda está engatinhando, mas vale a pena ficar de olho e "colher" idéias para a decoração da sua casa.

so many dresses.



















{fontes variadas}

September 12, 2008 pequenos mundos.









{Thomas Doyle}

September 10, 2008 i'm turning japanese.

Meia hora na Japan Centre e quase 30 libras mais pobre. Docinhos, revistas, livrinhos, papel pra fazer origami (detalhe - eu NÃO SEI fazer origami), bento boxes. O Japão é logo ali.

Sem contar Chinatown. Eu amo Chinatown. Quinhentas mil lojas vendendo porcarias chinesas, japonesas, coreanas, tailandesas and the whole shebang. Me acabo. Compro sem nem saber o que tem dentro da caixa - porque, afinal de contas, a caixa é cute. A embalagem é cute. O papel da bala é cute. TUDO é cute. Cuteness overload. Cuteness atack. Eu pulando e dando gritinhos pelo meio da loja, sendo observada por meia dúzia de olhos orientais atônitos, se perguntando que tipo de substância ilícita eu andei cheirando.

Eu devia ter nascido japonesa.
Jota Cristo esqueceu de puxar os meus olhinhos, me dar um cabelo decente e me jogar lá na terra do sol nascente.
Pô, Jota Cristo. Vacilão.
















O melhor Pocky é o de leite. O de banana + chocolate até vai, assim como o de morango. A versão "salgada" não vale a pena. O tal "collon" (what?) de morango tem gosto de biscoito recheado vagabundo. Também não vale. Os chicletes são decididamente azedos, e eu tenho pavor de coisas azedas.

Já aquelas balinhas da Peko e os biscoitos em forma de vaquinhas (que não estão na foto - sorry!)... uhlalá.
Minha glicose deve ter subido para níveis nem um pouco saudáveis, mas foda-se.
We only live once.

September 09, 2008 london, wishlists and internet dramas


Meus pés e os da Flávia. O meu tênis não é uma fofura-rosa-pink?
Mas apertei demais o cadarço num dos pés. O tecido começou a roer a pele extra fina dos meus pezinhos de princesa e tive que adentrar enlouquecida uma Marks & Spencer em Marble Arch, implorando pra comprar um par de meias com um tiozinho que só sabia me informar que "a loja está fechando, por favor SAIA". Mas papai do céu ouviu minhas preces e fez descer um anjo em forma de uma senhora redonda, que me trouxe um pacote de 5 meias, me levou até o caixa, me cobrou 3 libras por ele e me deixou colocá-las sentadinha em sua cadeira. JOY. Pude andar até o metrô em paz sem chegar em casa com o pé direito pela metade.


Cabelo na cara da Flávia e água suja do Tâmisa à parte, o Relojão nunca falha em impressionar. É tão maior e mais imponente ao vivo. Ventava muito nesse dia, de modos que nenhuma foto saiu minimamente decente. Anyway, eu não estava mesmo in the mood pra tirar foto - na maior parte do tempo, deixei a câmera trancada no cofre do hotel e fui ali viver. E me empanturrar de comida japonesa no processo.

Visitei a meio irmã do British Boy. Que, por acaso, vem a ser a famosa "vovó da scooter de Surbiton" e tem até um grupo dedicado a ela no Facebook. Ela me deu tortillas españolas pra comer e tipo, o P-E-O-R café que já tomei na vida (só de pensar me dá ânsia de vômito - só não vomito por medo de regurgitar aquele café de novo e re-traumatizar). Mas também me mostrou suas bonecas antigas e falou mal da mãe do irmão. Delícia.



Flavinha é uma menina feliz e saltitante quando tem liquidação na Lillywhite's:



Eu sou uma menina feliz e saltitante comendo feijão + guaraná no boteco do Luís. A "selva amazônica" em miniatura e a vista para a mais-que-caótica Oxford Street estavam incluídas no "pague 7,50 e coma o quanto quiser".



Vista do meu quarto, à noite. A coisa redonda à esquerda é a London Eye, e a primeira coisa amarelada e pontuda à esquerda é o Big Ben. Ok, a foto está borrada e é pouco impressionante. Mas me sentar na mesinha de cabeceira (para alcançar a janela aberta e o vento que entrava por ela) com as luzes apagadas, comendo Pocki e curtindo o barulho do trânsito era BLISS.



Wasabi. Yakisobas e sushis honestos e, pra quem fica no básico, bem mais barato que o Defune.
Pena que eles costumam GUARDAR AS MESAS E CADEIRAS na hora do almoço. Tipos, q.



British Boy em Piccadilly, sentado na escadinha da estátua de Eros, esperando Miss Flávia.



Starbuckão de fé e seu café overpriced. Mas sempre lá.



Flavia's idea of "being photogenic". LOL.



Esqueci o nome dessa galeria. Bonitinha, though.


De resto, eu quero apenas essas botas, que encontrei enquanto fuçava o Objetos do Desejo. Esgotadíssimas no site, inclusive. Pena que não são "designer", senão daqui a uma semana já existiriam cópias dando sopa por 10 paus na Primark (a loja "povão" daqui, de onde saí carregada de meias e calcinhas baratas na semana passada). Olha que fofas (eu preferia sem salto, mas nada é perfeito):






Imaginou-as calçadas por cima de meias calças coloridas? I did. And I want!

Ah, sim. Postei no Twitter que estava meio cansada de rebeldes de butique da internet. Ok, eu já fui uma, há uns bons anos atrás. Mas então blogs e internet eram novidade e eu estava puramente testando limites (testei, aprendi, moved on). Agora, OI? Esses "adolescentes ovomaltine" nasceram e cresceram grudados num laptop (e se bobear vão se reproduzir grudados nele, também), se acham as últimas bolachinhas do derradeiro pacote na prateleira do Pague Menos, mas só sabem ler site de fofoca de celebridade e invadir blogs de quem não tem na-da a ver com a suruba para sentar o cacete? Toda santa vez que o pessoal do TDUD (que eu aliás adoro, assim como o Shoe-me - não tanto pelas celebrities, mas pelo texto hilário dos autores) mete o malho em algum "blog de famosos", pronto. Trezentos mil GADOS clicam no link e vão lá bonitinhos papaguear o que ouviram e tentar de tudo para fazer o dia de alguém menos feliz.

O que me incomoda não é o fato de desgostarem de atriz X ou cantor Y; eu desgosto de vários. Nem contra falar mal deles, coisa que eu também faço. Meu problema é apenas com o comportamento de papagaios ensinados, com a crueldade desnecessária e injustificada (fizeram piadas grosseiras até mesmo com a irmã sequestrada de alguém). Falta a esse povo:

a) PERSONALIDADE. O pessoal do TDUD senta o pau em celebrities em seu próprio site e pra ganhar dinheiro. Sinal dos tempos, até certo ponto questionável, mas vantagem para eles. Apóio totalmente. As celebridades têm todo o direito de não visitar. Mas ir brincar de ataque em massa em blogs de pessoas públicas a troco de porra nenhuma só porque "leram num site X" é passar atestado de imbecil em maiúsculas, negrito e sublinhado. E com link pra Wikipedia.

b) OCUPAÇÃO. Porque 300 mil pessoas indo chamar o Vítor Belfort de burro, a Carolina Dieckmann de chata e a Preta Gil de gorda em seus respectivos blogs, são 300 mil pessoas que podiam estar fazendo algo mais legal com o seu próprio tempo. Estudando pro vestibular, encarando um "9 às 5" honesto, lavando uma pia de louças sujas ou se dependurando numa corda, talvez?

c) SIMANCOL. Porque a celebridade em questão pode até ser burra, chata ou gorda. Mas está na mídia, ganha (bastante) dinheiro fazendo o que gosta e não está nem aí pro TDUD e, menos ainda, para os seus leitores - tontos a ponto de perder tempo dessa forma e acreditar que estão atingindo alguém. Dando um dadinho pra esse povo? no fundo, a verdadeira PIADA são eles.

September 07, 2008 don't you want somebody to love?

Acho que "marido" faz mal a algumas mulheres.
Tenho uma certa quantidade de amigas casadas e, com raras exceções (quem é, sabe), a maioria se transformou em uma coisa completamente diferente depois do "I do" e do bambolê dourado no dedo. A amizade praticamente vai pro saco se você não topar programas do tipo "vir jantar aqui em casa", "vir ver um vídeo com pipoca aqui em casa" ou "ir jantar nesse nosso restaurante predileto, vocês vão adorar".

Não sei se estou sendo chata, imatura e incompreensiva - well, provavelmente estou, as três coisas ao mesmo, but whatever. MAS nem sempre a amizade que eu tenho pela Mariazinha se estende ao Joãozinho (o marido dela). Não quero ser obrigada a aturar o João TODA VEZ que encontro a Maria; ainda que ele seja bacana e tal, ele NÃO É MEU AMIGO, sabe. E na frente dele, a Maria cisma de incorporar uma outra personalidade. Aquela que não fala palavrão, que não faz dancinha em público dentro de lojas, que não repara no belo rapaz passando ali do outro lado da rua. Ou seja, uma personalidade meio tediosa, engessada e editada, tendo em vista as preferências do marido. Por incrível que pareça, em pleno século 21, existem muitas mulheres assim. E se, na frente deles, EU resolvo xingar, dançar sentada na cadeira ao som da música tocando no barzinho e elogiar os lindos olhos verdes do garçom... A Maria logo fica meio sem graça e provavelmente o João vai usar eufemismos para falar mal de mim quando chegarem em casa. "Meio doidona essa sua amiga, não?".

João, o que você ignora é que a sua mulherzinha fazia as mesmas coisas (ou até piores) quando solteira. E certamente estaria fazendo até hoje, se não tivesse se casado com um bundão feito você. E, como bundamolice é contagiosa, em alguns anos ela não vai mais retornar minhas ligações nem querer sair comigo.

Até o dia em que levar um pé na bunda do João, claro, quando então me ligará chorosa reclamando do canalha que ele é... Me desculpe se eu deixar cair na secretária eletrônica e nunca responder.

Novamente, não vistam carapuças: as minhas amigas casadas com bundões reconhecem o fato (ainda que só pra si próprias).


Você já tem um Blip? É meio que um Twitter, mas com um diferencial: toca música. Você pode escolher entre as faixas que os usuários atuais já usaram ou pode fazer upload dos seus próprios MP3s, se por acaso não encontrar a música que estiver procurando. Obviamente já estou viciada e me segurando pra não "blipar" 300 vezes por dia com um pout-pouri do que há de melhor e pior no cancioneiro mundial. Se você já tem um, me adiciona lá. Se não tiver, faz um logo e vamos trocar musiquinhas. Quanto mais gente, melhor.


Ainda estou à procura de uma galeria de fotos customizável para integrar aqui no site. Achei uma chamada SimpleViewer que, apesar de ser em flash em super estilosa, não consegui integrar ao layout. Se alguém souber me ajudar, agradeço e até pago (via paypal). Por enquanto estou editando as fotos e montando álbuns - isso toma tempo. Por isso estou atualizando o blog esporadicamente e não visitando blogs. Mas não desistam - nem me deslinkem, como muita gente feia, boba e chata anda fazendo - porque, assim como o Arnoldão, "I'll be back".

Já os comments, ainda não sei quando voltam. Minhas sinceras desculpas a todas as pessoas educadas e bacanas que comentavam por aqui (concordando ou discordando), but it's just too much trouble.


Yup, thanks god ele é tão ou mais bobo do que eu.
Porque meninas "doidonas" jamais se casam com bundões - e os bundões sabem muito bem o que estão perdendo.

September 04, 2008 Back home.

Home sweet home. Passei duas horas cozinhando na banheira, pus lençóis limpinhos na cama e dormi feito uma pedra. O vôo atrasou, mas eu nem percebi, porque comprei revistas de arte lindas na Borders e passei duas horas sentada no carpete do terminal (bem mais confortável que as cadeiras, aliás) saboreando-as com os olhos.

É engraçado. Eu sinto que envelheço uns 20 anos assim que desço do avião aqui na Ilhotinha. É como se aqui eu existisse numa realidade paralela que nem sempre me cai bem. É uma existência confortável, feliz, pacífica, mas um pouco pobre de estímulos. As grandes cidades me liberam pra ser mais autêntica (ainda que levemente perdida e assombrada pelo tamanho das coisas e pela quantidade avassaladora de pessoas). Os estímulos me atropelam e eu precisaria de pelo menos algumas semanas para absorvê-los e passar a processá-los em tempo real, ao invés de chegar num quarto de hotel à noite e ficar algumas horas cuidando de pés doloridos e me perguntando o que foi mesmo que me atropelou.

Em compensação, não sei se conseguiria viver num lugar cinza, praticamente destituído de verde, sem as estações demarcadas tão claramente, sem gaivotas berrando, sem village pubs, e onde comprar parece ser um antídoto caro contra a solidão. Não que comprar seja ruim, é claro.

Londres está cada vez mais cheia de gente. Da última vez ainda era possível conseguir imediatamente um lugar para sentar no metrô, fora do horário de pico. Ainda era possível andar na rua sem esbarrar em pessoas. A cidade é uma babel de nacionalidades, culturas e idiomas, mas fiquei com a sensação estranha de que ninguém (nem mesmo os imigrantes) estão felizes com isso. Há uma certa hostilidade no ar, mascarada por uma polidez forçada e amparada pelo mantra politicamente correto que virou a trilha sonora da Grã Bretanha multicultural. Não que o mundo inteiro já não esteja cansado de saber disso.

Ah, e se você estiver indo a Londres e procurando hospedagem barata porém digna, recomendo o hostel da London School of Economics. Fica em Covent Garden e é possível ir a pé para vários lugares interessantes, além de ficar a menos de dois minutos de duas estações de metrô (Tottenham Court e Holborn). Como eu estava numas de economizar, fiquei num quarto com pia e espelho, mas sem banheiro. Banho + necessidades fisiológicas aconteciam no banheiro coletivo. Felizmente, cada andar tem vários e não é preciso enfrentar fila . Em compensação, fiquei num quarto single só pra mim e, mesmo com a localização posh, paguei cerca de 30 libras pela diária, incluindo um café da manhã "eat as much as you can" incluindo presunto, vários tipos de bolo, sucos, cereais, frutas, queijo, iogurte e outras finesses. Vale a pena.

Volto já.