Essa aqui é pra Aninha "canadense", que sempre reclama que eu não posto fotos minhas aqui.
Contraste e saturação, que me deixaram com essa cara de fantasma e as flores como se fossem feitas de césio 137. Mas a paisagem é deslumbrante sem o uso de artifícios. Sinceramente; se você morasse num lugar tão bonito e tivesse a minha cara, ia perder tempo com auto retratos?
E, a propósito, eu não sou tudo isso (de gorda), não. Jogo a culpa no casaco XXL, imenso, do jeito que eu gosto. Não adianta, tenho alma de obesa: quando pesava 55 quilos, entrava nas lojas de roupa e pedia tamanho 46. A vendedora me olhava e perguntava se a camiseta era para a minha mãe. "Não, é pra mim; é que eu gosto de roupa bem larga". Uma vez um vendedor super gato numa filial da
Taco me deu aquela olhada de cima a baixo e respondeu "roupa larga? num corpinho desses? mas que
desperdício...". Ok, super gato indeed, mas essa observação foi meio homo, portanto eu nem me animei. Enfim, podia até ter sido desperdício quando eu tinha 15 anos; hoje, roupa larga é necessidade.
Por falar em gordura, li
esse post e me lembrei de ter presenciado uma interessante discussão outro dia no orkut: uma menina inegavelmente gordinha criticando uma dessas "mulheres frutas" por serem... gordinhas. Achei o comentário tão inusitado que resolvi me meter no assunto (coisa que raramente faço, naquele site) e, com muito tato, questionar a aparente contradição (haha, logo eu, the "contradiction queen", mas deixemos baixo). Seguindo a tradição de educação e coleguismo vigente no Orkut, é óbvio que a menina me mandou ir tomar no c... assim, na lata. Ok, então. Nota mental: voltar a acessar o orkut apenas para ler os meus scraps.
Orkutices à parte, eu acho mesmo muito estranho todas essas mulheres reclamando contra a "massificação da magreza", contra as modelos morrendo de inanição e os blogs das anoréxicas raivosas postando vídeos de "
thinspiration" no Youtube, contra a mídia impondo o padrão de beleza das passarelas e, claro, contra os homens, esse porcos, que nos trocam por um modelo mais leve logo que ganhamos 300 gramas depois de engolir meio BigMac. Ok. E então, quando a mídia nos oferece uma balofinha sorridente, o que acontece? Vamos todos jogar pedra na gorda!
Tô nem aí pras mulheres frutas e acho que algumas delas são gordas, mesmo. Mas e daí, né? Acho é bom. E não somente porque "se os homens acham essas meninas gostosas, então eu estou salva", até porque nunca fui famosa por dar importância ao que os homens pensam de mim (e talvez por isso eu sempre tenha feito relativo sucesso com eles, a despeito das minhas imperfeições). Acho bom o fato de que moças que não pesam trinta quilos, têm traços negros e vieram do subúrbio tenham encontrado espaço na mídia de um país estranhamente obcecado por um fenótipo caucasiano que está bem distante de ser o padrão das ruas. Não é ainda um despertar, mas talvez seja a chance de um começo.
De alhos pra bugalhos: para quem leu o último post e achou o cúmulo da hipocrisia porque me considera uma consumista sem salvação e acha que eu não sei reciclar, olha só que gracinha o meu novo "vaso de plantas moderno". Que na verdade é de plástico. E era a embalagem onde veio o meu saca rolhas novo (porque, como todos sabem, saca rolhas é objeto de primeira necessidade nessa casa). Minhas dálias ficaram lindas dentro dele, e recebi até elogios. Quiseram saber onde eu comprei e, depois de quase dizer SUPERMERCADO, SEÇÃO DE UTILIDADES eu mordi a língua, soltei um pigarro e disse que trouxe de Paris. Aham.
E agora, um pequeno log da minha noite do último dia 16.
E depois ainda questionam a minha necessidade de CAIR.FORA.DESSE.LUGAR.
17:03 Marido foi pra chucrutelândia (aka. Hannover). Volta amanhã à noite. Vou ali aloprar e andar até à lojinha da vila pra comprar uma lata de leite condensado e beber inteira. Com gin, naturalmente.
18:35 Não rolou o leite condensado. Rolou comida chinesa, OVERPRICED e TAXADA. Alguém me dê uma porrada se eu algum dia voltar a pedir comida naquele china mercenário.
18:38 Barriga cheia, agora vou sair pra beber com a Júlia, porque não tenho coragem de ficar em casa depois de ter assistido a filminho de fantasma. WHAT A LOSER.
19:58 Então, não rolou SAIR pra beber porque me descobri sem um puto na carteira. Julia veio pra cá e nos acabaremos no gin.
Bombay Sapphire, bee, porque eu sou pheeeeena.
20:55 Phodeu, porque a garrafa já era. Sobrou uma de Gordon's e outra de suco de laranja. JÁ É.
20:58 PORRA A JULIA ESPATIFOU A GARRAFA DE SUCO NO CHÃO!! ESTAMOS SEM MISTURA!
21:40 Ok, acabamos de descobrir que gin com XAROPE pega bem. O problema é que o xarope
também já acabou.
22:13 Descobrimos outra coisinha: misturar remédio com álcool = NÃO BOM. Ok, *eu* já sabia disso, mas preferi não compartilhar o conhecimento para não correr o risco de ter a idéia vetada.
22:21 Estamos derretendo
sorvete para beber com o gin. O processo é meio lento porque não dá pra derreter no fogo, senão o negócio fica quente. Tem que deixar na pia e, de vez em quando, segurar o pote e niná-lo junto ao seio, como se fosse um bebê. Acho que daqui a uma hora vai estar no ponto e teremos vanilla gin-shake on tap. Por enquanto, estamos dançando na cozinha ao som dos CDs piratas do Roberto Carlos que a Julia trouxe de casa.
22:28 "ah esse amor que me arraaaasta, me caaaaaastra e me faz sofreeeeer"
(dia seguinte)
09:26 Acordamos no chão gelado da cozinha, lambuzadas de sorvete derretido, em meio a cacos de vidro, poças de suco de laranja onde boiavam spring rolls semi mastigados e fedendo a vômito (que deve ter sido da minha parte, vide os spring rolls). Um frio do cão, mas pelo menos o xarope era dos bons e nem sinal de nariz entupido. Podia ser pior.
10:45 Depois de um banho quente e de limpar o chão da cozinha, indo até à lojinha da village comprar suco de laranja com o cartão de débito. Espero que aceitem, porque tipos, acabou o sorvete.
. . .
P.S.: é claro que os horários do log foram chutados; eu não fiquei olhando pro relógio e escrevendo, porque afinal eu tenho mais o que beber.