saindo (mas volto logo)

Hoje de manhã, fazendo a mala para viajar - e abismada com a quantidade de tralhas (roupas, sapatos, maquiagem, cremes, perfume, bijoux, meias, prancha de cabelo, etc) que tive que fazer caber nela - senti uma enorme saudade dos tempos em que eu viajava com uma simples mochila: duas mudas de roupa, dinheiro, pente e um batom.

A velhice chega trazendo rugas e a ilusão de que um arsenal de porcarias vai levá-las embora ou, pelo menos, fazer com que elas não sejam notadas.

Indo pra Sampa hoje, Damien Rice na sexta e, dependendo da meteorologia, para Belô no sábado.
Pelamor, nãomeliguem: SMS only. :)
Be right back.

Randômicas suadinhas.

Wow, dez dias sem postar. É por essas e outras que eu não posso virar Pro-Blogger (com ou sem hífen agora, Pasquale?).

Assunto, tem. Vontade, tem. Coragem é que é o problema. O apartamento novo da minha mãe é um FORNO, especialmente a sala. E a internet, que não é wireless, fica na sala. É verdade que este é um blog acéfalo e que eu não preciso queimar a mufa para elaborar meus posts, mas como eu só tenho dois neurônios e meio e, no momento, dois deles decretaram férias compulsórias e se recusam a trabalhar em condições insalubres (no caso, temperatura superior a quarenta graus centígrados + novela sobre uma dupla sertaneja feminina de background), danou-se. Aguardem posts esporádicos, ou cadastrem logo o feed desse blog para não visitarem em vão.








Enfim, seguindo a super dica da Belle, esse ano eu tirei meu aniversário do Orkut. Ano passado foram mais de 50 scraps e vários emails. Esse ano? Dois ou três scraps, uma mensagem e dois emails. Eu sou a pessoa que mais esquece aniversários no mundo, nem que o Orkut me lembre (porque eu levo dias sem abrir a página), por isso não posso reclamar. Mas acho essa uma experiência necessária na vida de qualquer um que já se sentiu muito prestigiado por conta de 200 mensagens de Happy Birthday em sites de relacionamento. Choque de humildade, sabe.

Nojinho de estimação aqui no Rio: banheiro feminino. É impressão/implicância minha ou a mulherada está cada vez mais desleixada? Por que não dar descarga? Por que tentar fazer xixi em pé e acabar sujando a tampa do vaso? Por que não se pode jogar papel higiênico dentro da privada (acreditem, não entope!) mas se pode jogá-lo em qualquer lugar do chão do cubículo? Por quê?

Moda Brasilis: muita sandália gladiadora, muitos maxi vestidos, muitos skinny jeans, muitos wayfarers e butterflies de camelô, muitas bolsas enormes, muitas pulseiras coloridas e MUITA gente vestida igual.

Da última vez que estive aqui, fiz algo que jamais pensei fazer: comprei uma Melissa. Na verdade um chinelinho da Melissa; este aqui. Dificilmente fashion, mas absurdamente confortável e bastante resistente. Comprei também aquele chinelinho com citações do Pequeno Príncipe, mas em casa cismei que aquilo iria machucar meu dedo (minhas intuições com sapatos quase nunca falham) e devolvi sem usar. O vermelhinho, no entanto, é companhia constante no verão e continua tão inteiro e brilhante como no dia em que foi comprado.

Deixa eu explicar por que não gosto muito de Melissas: acho que o preço cobrado é abusivo, em se tratando de um sapato de plástico. Acho que deixa o pé fedido, suado, escorregando sola afora e criando bolhas; em suma, desconfortável (se você tem uma "história de sucesso" para contar, saiba que, para cada pessoa que dança a noite inteira com uma Melissa salto 10, há outras 20 que jogaram o seu par no lixo dia seguinte após a noitada destruída por um pé moído). Esse ano pensei que fosse comprar outro chinelinho. Tanto que nem trouxe o meu. Complete fail, porque, sinceramente, os modelos novos parecem sapatos que uma Preparadona compraria na feira para ir a um baile no morro da Chatuba. Nada contra, MAS esse tipo de sapato não custa 150 reais...

Hoje finalmente A Favorita sai do ar; novela mais deprimente, pesada e chata, impossível - e olha que eu peguei a reta final e nunca assisti a um capítulo inteiro. Já vai tarde; ter que esperar aquela bomba acabar para ver Maysa ou um filme qualquer estava virando tortura (minha mãe não tem Sky). Aturar a Cláudia Raia com cara de morta, Mariana Ximenes interpretando com a sutileza de um elefante dançando break e aqueles diálogos forçados e engessados... Socorro. Que venha logo aquele "O Clone reloaded" que será Caminho das Índias. Glória Perez nem tem mais vergonha de reciclar ad infinitum os mesmos personagens e clichês regionais de sempre. Ainda assim, pelo menos os figurinos são coloridos e a Glorinha se amarra em retratar uma periferia espalhafatosa e barraqueira; adoroan.

Passagem remarcada para meados de Fevereiro. Eu sempre me iludo de que vou chegar no Rio e I'll have the time of my life; daí compro passagens para uma estadia de três meses e, dois DIAS depois de chegar aqui, me arrependo. Enfim... Sabe o que significa ir embora pra casa em meados de Fevereiro?

PERDER O CARNAVAL.

A vida podia ser muito pior. :)

PB Teen

Como eu continuo com calor e com preguicinha de redimensionar todas as fotos de Búzios, deixo essas deliciosas imagens de da PBTeen ilustrarem o post de hoje; não são adoráveis?










O site inteiro é de babar; os preços não são baratos e eu não acredito que enviem para o exterior; mas há idéias (de cores, padronagens) que podem facilmente servir de inspiração.

Turismo furado, hipocondria e outros links.

Olá, nesse preciso momento eu tenho 38 graus de febre (foram quase 40, ontem), mal estar generalizado, dores nas juntas e o meu nariz é uma torneirinha - esgotei o estoque de lenços de papel da farmácia aqui do lado. Só estou esperando as manchas vermelhas aparecerem para confirmar meu auto diagnóstico de Dengue Hemorrágica e me mandar pro hospital (com uma plaquinha de EU JÁ SABIA na bolsa, para quando o médico confirmar meus piores medos). Já é a segunda vez que adoeço desde que cheguei ao Brasil. Isso sempre acontece. Acho que já está na hora de eu desistir de vir aqui. Enquanto eu passo a sexta feira tossindo e comendo feijão no calor e assistindo reprise de novela, marido (que pegou o vôo pra Londres ontem) me tortura enviando mensagens no celular, avisando que se encontra no lounge do aeroporto, bebendo sauvignon blanc e comendo bagels com cream cheese e ervas. Thanks.

Eu, mamãe e Respectivo acabamos de voltar de Ouro Preto. Assim como João de Santo Cristo em Brasília, fiquei bestificada com a beleza da cidade, do artesanato e das igrejas. Mas como eu realmente sou uma pessoa de sorte, levamos mais tempo do que deveríamos até chegar lá (graças à falta de sinalização ou sinalização confusa nas cidades; mais sobre esse assunto em breve) e cheguei a tempo de ver a luz maravilhosa indo embora por trás das montanhas, mergulhando a fachada das igrejas na escuridão. E no dia seguinte choveu. Muito. A cântaros. Quase o dia todo. Pequenas cachoeiras se formavam nas ladeiras. Escolhi mal os sapatos e a barra da minha calça encharcou e ficou pesando 20 quilos. Também escolhi mal a DATA da visita porque, às segundas feiras, a maioria das igrejas e museus fecha. Palmas para mim, que não fiz o favor de PESQUISAR antes de pôr o pé na estrada, e também para Ouro Preto, que fez o favor de fechar na segunda apesar de ser verão e período de férias - afinal, esse povo quer dinheiro ou não??


Sim, a cidade é linda e definitivamente merece uma visita. Mas não sei se mereceria uma segunda. O problema é que Ouro Preto virou um grande clichê, repleto de armadilhas para turistas. As ruas são labirínticas e a sinalização é péssima, talvez propositalmente, a fim de forçar o visitante a "contratar um guia". Guia este que vai cobrar de acordo com a cara do freguês (cobraram a mais de nós porque well, havia um gringo no grupo e, como todos sabem, todo gringo é milionário), que vai levar o turista aos passeios mais FURADOS, porque estão levando comissão para isso, e desperdiçar o seu tempo enfiando-o em LOJAS, porque - adivinhe! - eles também levam comissão nas suas compras!

Assim que chegamos, fui pedir informações a uma pessoa na rua sobre como chegar a uma pousada (que eu havia encontrado na internet). A tal pessoa, na verdade, se tratava de um "guia" (o lugar tem mais "guias turísticos" a fim de fazer dinheiro em cima de visitantes do que moradores) e me avisou que a pousada que eu procurava era ruim e ficava muito longe do centro. Me redirecionou a um pequeno hotel ali perto que, segundo ele, era mais barato e melhor localizado (e é evidente que ele nos levou até lá e ganhou comissão por ter nos indicado). Bem localizado era, sim. A poucos metros da praça Tiradentes, a principal, onde a cabeça do dito cujo ficou exposta após sua morte e onde hoje existe uma estátua em sua homenagem. Mas, por isso mesmo, o local era barulhento. E os quartos não tinham ar condicionado. E havia infiltrações no teto. E a parede estava descascando. E o café da manhã era uma pobreza (pouca variedade e até o bolo era ruim; no fim, eu peguei uns três pães de queijo minúsculos e tomei um café ralo). E acredite: pelo equivalente em euros que pagamos pelo quarto, eu já fiquei em guest houses lindas na França. Essa aqui, por exemplo (foto 1 e foto 2) custou até mais barato.


Depois, é claro, eu descobri que a pousada que eu realmente procurava ficava sim um pouquinho longe do centro, mas tinha estacionamento próprio (o do nosso hotel ficava a uns quatro quarteirões de distância em ruas de subida), quartos lindos, uma vista fabulosa para as montanhas e, além do café da manhã caprichado, também incluía um chá da tarde com bolos caseiros no preço. Que era 10 reais MAIS BARATO que o hotel onde ficamos. E, claro, por ser ótima, não precisava de conchavo com "guia" nenhum para conseguir clientes. E cadê o"guia", mesmo? Porque eu quero MATÁ-LO.

Antes de me dar conta disso tudo, eu acabei sendo abordada por outro "guia" que, pela módica quantia de 60 reais (com 50% de desconto porque os museus estavam fechados; normalmente seriam 120), viajaria conosco no carro por algumas horas nos guiando pelas ruas labirínticas e nos levando aos "pontos de interesse". Mais tarde descobri que esses pontos eram de interesse DELE. Nossa primeira parada foi uma "mina" desativada, que ele jurou ser interessantíssima. Pelo "privilégio" de entrar num buraco sem graça e mal iluminado, cobraram 15 reais por pessoa e ainda nos fizeram devolver as toucas descartáveis que nos deram para cobrir a cabeça. Por causa do Respectivo, arrumaram um guia que "falava inglês". Um inglês tão RUIM que Respectivo não entendeu quase nada. E eu entendi menos ainda para poder re-traduzir. Mas isso nem me aborreceu tanto, já que a tal mina era uma porcaria e não havia nada mesmo para ser dito. 45 reais (3 ingressos) jogados no lixo.


Depois que o guia foi embora, pegamos o carro e fomos à mina da Passagem na cidade de Mariana, ali pertinho. ESSA SIM valeu a pena; subterrânea (os visitantes descem num trenzinho), maquinário inglês de época, piscinas naturais e histórias bem mais interessantes para contar:


Depois do fiasco da primeira mina, fomos levados a uma igrejinha minúscula, que o guia afirmou ser a mais antiga de Ouro Preto (só que, a essa altura, se ele me dissesse "bom dia" eu responderia "DUVIDO!"). A igreja ficava quase dentro do que mais parecia ser uma favela. Fui impedida de fazer fotos do interior, sob uma justificativa meio imbecil: "para impedir que possíveis ladrões de imagens saibam o que temos aqui dentro". Ah, ok. Primeiro a Igreja não era lá isso tudo. E depois, bastaria pagar os três reais que eles cobravam, entrar, verificar o que havia para ser roubado e voltar mais tarde com um fuzil (e um saco bem grande pra levar tudo). Sinceramente, perdi até a vontade de entrar em outras igrejas. Pagar ingresso e não poder fazer fotos para mostrar e guardar? Aqui a gente entra de graça em Igrejas muito mais bonitas, antigas e importantes e podemos fotografar até o que há embaixo da batina do padre. Fala sério, Brasil.

Depois disso fomos empurrados para uma loja de artesanato longe do centro, sob a justificativa de que "os preços no centro são mais caros porque estão mais perto dos hotéis". Eu já sabia que não ia comprar quase nada mesmo, porque não temos espaço na bagagem para carregar coisas pesadas. Mas os preços da loja onde fomos levados nem eram tão baratos assim. Certas coisas, aliás, eram mais caras lá. Gastei uns 70 reais em coisinhas pequenas para a casa, o guia levou sua comissão (é claro...) e saí dali disposta a me livrar dele o mais rápido possível. Antes disso ele me "recomendou" um restaurante muito bom e pediu que eu dissesse o nome dele quando fosse pagar - para que ele recebesse um almoço gratuito. Nem tive tempo; assim que cheguei na PORTA do tal restaurante, um OUTRO guia praticamente me puxou pela blusa e me levou até o caixa, dando uma "piscadinha" para indicar que ELE havia nos indicado. Meu saco já estava tão cheio dessa exploração de turistas que me sentei e bebi cachaça. Outro clichê: "restaurante de comida mineira". Não é só porque estou em Minas que quero passar a viagem inteira comendo tutu, né?

No dia seguinte o tal "guia" estava na porta do hotel nos esperando. Mandei a recepcionista dizer que eu já havia saído.


Todas as lojas de artesanato traziam papéis colados pelas paredes avisando que fazer fotos ou filmagens era proibido. Me pergunto qual seria a razão disso. Fotos das estátuas lindas, esculpidas em barro ou madeira no vale do Jequitinhonha, espalhadas pelo mundo em sites e blogs, só fariam propaganda positiva da cidade e das lojas, trazendo mais turistas e clientes interessados nelas. Acabei enchendo o saco disso tudo e voltando pra casa antes do tempo. O que é pena, já que realmente a cidade é uma pérola e totalmente merece o título de Patrimônio da Humanidade.

Para quem pensa em visitar: se for de carro, use um navegador para chegar e não conte com a ajuda da sinalização nas estradas; encontre sua pousada na internet, antes de chegar (não ajuda o fato de que a maioria dos sites das pousadas locais NÃO INFORMAM o valor da diária) ou chegue cedo e procure locais mais afastados do centro, ande bastante e pesquise preços; faça uma boa pesquisa prévia na internet sobre os lugares que lhe interessam visitar, compre um mapa da cidade e ande a pé; só coma "comida mineira" se quiser e, se não quiser, procure os botecos servindo prato feito baratos e bons, ou o Café Geraes na Rua Direita, que não é caro, tem um ambiente ótimo e uma cozinha sem clichês; e, last but not least, não aceite ajuda de nenhum guia - deve ter gente boa, mas pelo que vi a maioria é de predadores interessados em tomar o seu dinheiro e, ao contrário do que vão tentar fazê-lo acreditar, você NÃO precisa deles.

E, claro, não visite a cidade numa segunda feira.

Madonna no anúncio novo da Louis Vuitton. Pode ficar com a bolsa, mas eu preciso dessa calcinha:


Uma camiseta com Obama cavalgando um unicórnio. Admita: você precisa de uma. :)

Estou apaixonada pelos carimbos personalizados que a Kristel faz de forma artesanal. Assim que voltar para casa vou encomendar alguns.

Para meninas que não abrem mão de ser estilosas, mas que também não abrem mão do chocolate: Young, Fat and Fabulous e Fatshionista - ambos encontrados no I Follow the Sun, um blog fofo sobre paz, diversidade e tolerância (lê só esse about).

Tagged by Letícia, minhas nove resoluções para o futuro ( já que resolvi abolir esse conceito de ano novo):

1. Perder algumas arrobas.
2. Não desistir dos meus paper journals.
3. Cuidar do meu cabelo antes que ele se rebele e caia.
4. Viajar mais, porque é preciso.
5. Fazer cursos (inglês e fotografia).
6. Voltar a ganhar dinheiro.
7. Visitar minhas amigas próximas.
8. Economizar $$ para financiar o aluguel de um cubículo compartilhado in London.
9. Terminar a reforma da casa (ou pelo menos prosseguir com ela).

E vou incluir uma décima: ser mais rancorosa. Sério. Esse meu hábito de relevar todo o mal que me fazem por ser muito blasé e não dar importância profunda a nada ou ninguém, no fim das contas só me phode. Porque aí eu deixo permanecer na minha vida pessoas E coisas que me fazem mal, que me deixam para baixo, que me irritam e/não me acrescentam nada. Sem falar de certas gentes que não gostam de mim, que se associam com quem não gosta de mim mas que continuam voando em volta da minha pessoa, como se fossem mosca de fruta em torno de um cesto de bananas podres. Cada um com o seu masoquismo, mas no futuro eu pretendo aposentar o meu e dar a esse povo um bilhete só de ida pra Alfa Centauro. Enjoy the trip, kids.

Ano novo, papéis novos.

Primeiro dia de internet em casa. Casa da mãe, diga-se.
A mesma internet que vai ser cancelada assim que eu não aguentar esperar até Março para sair desse FORNO chamado de Rio de Janeiro. Porque pessouas do meu Brasil, eu não sei como vocês aguentam. Eu não sei como EU aguentava. Ou melhor, sei sim. Eu não aguentava. Eu passava as horas externas necessárias num estado de torpor e desespero, gritando em silêncio. Agora que simplesmente não rola mais deixar um ar condicionado ligado o dia inteiro, eu sofro. Não durmo. Não vivo; vegeto. E derreto. E viro uma massa pegajosa, grudando em coisas e pessoas, porque a maldita umidade do ar (altíssima por essas bandas) atrapalha a evaporação do suor e prejudica aquele processo natural esperto e sagaz que o nosso corpo tem de estabilizar a temperatura.

Resumo da ópera? Eu agora sou uma lesma de 70 quilos, arrastando uma poça de suor onde quer que vá, tendo que parar para me secar com uma toalha maior do que eu a cada 20 metros de caminhada. O filtro solar FPS 50 impede o estágio camarão, mas não me salva de empretecer. E, ao invés de ficar com uma cor dourada e bonita, eu fico MANCHADA. É mole ou quer mais inferno astral para alimentar o seu sadismo?

Passei o fim de ano em Búzios, mas não consegui ver quase nada. Mal saí do quarto, me refestelando no ar condicionado. E quando saía do quarto, me enfiava no carro e me refestelava no ar condicionado do mesmo. E me desesperava vendo aquela gente arrastando havaianas cafonas por areias escaldantes, as "saídas de praia" encharcadas de suor, visivelmente esgotados pelo calor, servindo de alvo para melanomas e destruindo a pele a troco de nada. Não adianta: sou um ser do frio e nasci no hemisfério errado - o destino se encarregou de corrigir a falha. Não me interessa se é resort de patricinhas ou piscinão de Ramos: eu acho praia um ambiente cafona. Fora que é cheio de gente que coloca tererê no cabelo, faz tatuagem de henna e cola adesivo de Micareta no vidro do carro. Sorry, but no. Me dá menos dez graus centígrados enrolada num casaco de lã de brechó anytime. Porque né, contra o frio a gente se enrola. E no calor, a gente faz o quê? A única coisa que EU tenho vontade de fazer é o meu testamento.

Mas há fotos de Búzios. Que, micareteiros e "cenoura e bronze" à parte, continua um paraíso. Espera só um bocadinho.


Eu sou daquelas pessoas estraga prazeres que não passa o reveillon de branco. Que não come uvas, não pula ondinhas, não repara na cor da calcinha que está usando e nem evita comer aves porque elas "ciscam para trás". Não ajuda muito o fato de eu não ser nem um pouco supersticiosa e não muito afeita a modismos - ou seja, fazer qualquer coisa só porque todos estão fazendo e esperando que eu acompanhe. Isso me rendeu, a vida toda, a fama de antipática, esquisitona, "do contra" e ranzinza. Que cultivo com certo carinho. Nunca fui de ganhar coisa alguma de ninguém, e não vou recusar quando me oferecem; ainda que seja uma reputação de pentelha.

Somente uma coisa me faz ter entusiasmo pelo suposto último dia do ano (sem mencionar a desculpa óbvia para comer e beber): a oportunidade de começar uma agenda nova. Que muito provavelmente estará abandonada lá por meados de Março, muito raramente usada para anotar algum telefone, nome de livro/DVD a ser comprado, rabiscar enquanto falo ao telefone ou enquanto espero a conta num restaurante. Mas nos últimos dias do "ano velho" e nos primeiros do "novo", a agenda é estrela absoluta, seu cheiro de papel novo e folhas branquinhas inspirando surtos criativos e caligrafia caprichada. A minha agenda 2009 é uma "agenda de jardinagem", com dicas valiosas para uma plantadeira de primeira viagem como eu. Mas o que me fez engolir em seco e tirá-la da prateleira sendo que eu já havia comprado um Moleskine para usar em 2009) foi a graciosidade das ilustrações. Olha que fofura:















É bem provável que eu não use muito essa pequena para escrever. Tenho outros livros de jardinagem, mais completos e confiáveis. Mas nenhum tem desenhos tão lindos e nem vai me lembrar, dia após dia, do que devo fazer no jardim e nem quando exatamente plantar o quê. Decidido, então? Moleskine para carregar na bolsa, agenda de jardinagem para deixar sobre a mesa, perto da porta de saída para o pátio dos fundos (que transformei temporariamente em potting shed). Só espero que minha inclinação para a jardinagem não se revele fogo de palha. A realidade é que, apesar de amar a minha casinha e a ilha mais bonita do mundo, não estou amando muito o tipo de vida que elas me permitem levar. Assunto pedregoso, que fica para outro post. Ou não. :)

Na verdade, o "ano novo", analisado friamente, não passa de uma ilusão. Começa e termina em horários diferentes dependendo do país. Muda de acordo com os calendários utilizados (chineses, muçulmanos, e os poucos povos que ainda usam o calendário Juliano). Muda até com o horário do verão! Mas mexe horrores com o coletivo, a ponto de motivar frases como "quero que esse ano acabe logo!" - como se o amanhecer de um novo dia aleatório fosse magicamente zerar os problemas do dia anterior.

Ok, aqui estou eu sendo chata e sarcástica novamente. Can't help it. No fundo, o tal Ano Novo não passa de uma boa desculpa para ensaiar recomeços. E eu não gosto de recomeços. Eu gosto de sequências, de continuidade. Mesmo que com altos e baixos. Mas principalmente das coisas boas. Das muito ruins, a gente não precisa, e nem deve, esperar uma virada de calendário para mudar. Todo e cada amanhecer é uma oportunidade; mas, como não sabemos ao certo quantos ainda temos pela frente, o jeito é se apressar.

As mudanças não sabem esperar por Ano Novo algum. Elas só esperam por você.


P.S.1: Este humilde blog é contra a Reforma Ortográfica, entre outros (vários) motivos por acreditar que ninguém a solicitou, nem precisa dela. Assim sendo, os hífens que eu sempre errei, continuarei errando, as tremas que eu nunca usei, continuarei engolindo, e os acentos diferenciais eu continuarei diferenciando (se achar bonitinho).

P.S.2: Saindo do Rio amanhã, voltando lá pelo final da semana. Por ora, sem tempo pra nada, servindo de guia e intérprete para o Respectivo; mas aproveitando muito essa companhia maravilhosa que em breve voltará para o frio. Não me esperem para o jantar, mas guardem um pedaço da sobremesa; eu tô chegando.