Let's dance

put on your red shoes and dance the blues
because my love for you / would break my heart in two
if you should fall into my arms / and tremble like a flower


porque essa música salva vidas. inclusive a sua.

ela: “ah, cara, ela vai ADORAR te conhecer!” eu: “ESSE é o problema”.
Se eu sou assim TÃO antisocial, porque reclamo por morar num lugar onde só tenho 2,5 amigos?

Rodrigo Santoro pegando Natalie Portman. Não sei de qual dos dois sinto mais inveja. Aliás, sei sim. DO RODRIGO OF COURSE.


Luana QUEM??

Hoje eu comi dois rice cakes e bebi uma garrafa inteira de Chablis.
E só. :)

spring inside

Os bulbos que plantei em dezembro estão começando a desabrochar.
Eu gosto de flores de plástico; elas são práticas. Mas nada supera o prazer de ver algo que você plantou e nutriu se abrindo para a luz, para a vida.



Aqui bulbos de jacinto que comprei no garden center semana passada; mal posso esperar pelas cores.



Replantei-os nessa cesta de madeira, forrada com plástico.
E incluí alguns bulbos de crocus que já estavam desabrochando, para dar mais cor ao arranjo.



24 horas

Eu me matei a vida inteira para aprender a lição da calma. Ontem, pela primeira vez, senti o gosto de um dos primeiros frutos do meu sucesso.

Não é um sucesso absoluto, claro. Sei que ainda tenho pela frente muitos facepalm moments, onde irei me arrepender de ter falado demais, cedo demais. De ter deixado a mágoa e a raiva e a tristeza tomarem conta antes de dar a mim mesma e aos outros o benefício da dúvida.

Mas ontem eu apenas peguei uma xícara de café (médio e bem doce, the way I like), liguei o aquecedor, calcei meus pés em pantufas de porquinho, abri um livro de contos da Lygia Fagundes Telles e simplesmente me permiti esquecer.

Vinte e quatro horas depois, eu penso no assunto e a única vontade que tenho é a de sorrir. Nem de esquecer mais eu preciso, porque nada daquilo me machuca mais. Muito pelo contrário. Não quero mais entender, nem saber as razões, porque no fim das contas o que me importa é esse sorriso.

Como teria sido diferente, e como eu estou feliz por ter sabido esperar.

All is well in the world.

é o AAAAYYY com ÍPSILON que me mata.

AAAAYYY

Banana, go home.

Estou, aos poucos, perdendo o saco com brasileiros que nunca deviam ter saído da casa da mãe mas que, de repente, resolvem morar no exterior.

A pessoa vem parar num país onde existem 30 mil marcas de cerveja diferentes e reclama que "aqui não tem Skol". Há cervejas IGUAIS à Skol. Há cervejas infinitamente MELHORES que a Skol. Mas, né? Não tem Skol escrito no rótulo, então não presta. Não vamos nem experimentar e, se experimentarmos, vamos fazer cara de quem bebeu xixi e cheirou cocô.

A pessoa vem parar num país onde tem perfume francês pra vender na farmácia e continua frequentando "lojinha de brasileiro" atrás de perfumes vagabundos (que duram exatos dez minutos na pele antes de evaporar completamente), pagando às vezes até mais caro do que se comprasse Dior. Com esmaltes Barry M custando centavos na drogaria eu me recuso a ver sentido em pagar mais caro por um Colorama que descasca antes mesmo de secar na unha.

A pessoa vem parar num país onde a banana se tornou a fruta mais consumida (à frente da tradicionalíssima maçã) e reclama que "passou seis meses sem comer uma bananinha". Eu juro que se tiver que ouvir gente reclamando de "falta de fruta" por aqui mais UMA vez eu surto.

E aí me vêm com os argumentos, "Mas e daí se eu prefiro Skol? Mas e daí se eu prefiro perfume vagabundo da Natura? Mas e daí se eu prefiro o feijão da mamãe e sinto falta da empregada enchendo a minha geladeira de coisas gostosas?"

E daí que você devia ter ficado em CASA, filho.
Mas já que não ficou, que pelo menos não encha a porra do meu saco. Existem problemas de verdade a serem enfrentados no dia-a-dia de expatriado e ninguém que tenha que enfrentá-los precisa ouvir mimimi de joselito.

last hours

OH HI peguei o melhor assento do avião, God Bless check-in online. Agora é só esperar que a British não mude tudo em cima da hora e me foda. Acabo de ver que se trata de um 777. DE NOVO. É só porque agora o vôo é direto e não enche mais de “zécutivo” em São Paulo que temos que viajar nessa pobreza de duas turbinas? K,then.

Fui almoçar no posto de gasolina aqui em frente. Menu: frango frito, batata frita, arroz à piamontese e salada. E o que provavelmente terá sido a última garrafa de Original da minha vida. Presentes mamãe, papai, o Poderoso Chefão e a sósia loira de Kate Nash (aliás, queimei a cabeça da infeliz hoje tentando passar prancha alisadora). Ia sair pra beber depois com os dois últimos, mas achei mais prudente dedicar meus últimos momentos aqui no Senegal à minha genitora. Por menos que ela mereça.

E hoje a chuva fina e o vento frio dos dias anteriores não se repetiram; abriu o sol e eu não quero vê-lo piorar. Mas, de alguma forma, gostaria de ter mais tempo aqui, com as poucas pessoas certas. Nhamu.

Lovefools

Outro valentine’s longe do meu valentino; mas tudo bem porque para nenhum dos dois a data faz sentido. Na verdade acho tudo tão cafona e fake que ignorar o dia dos namorados faz qualquer casal subir automaticamente na minha estima. Jantares temáticos e vinho morno em restaurantes decorados com balões em forma de coração. Cartões com poesia ruim. Comerciais de TV piegas e celebrando o amor… pelo seu dinheiro. Gente que acredita no “real sentido da data”. Muito tédio mesmo.


Vergonha dos meus erros de digitação pelos blogs e twitter. Digito rápido, não reviso. Espero que as pessoas tenham noção e percebam antes de me rotularem de imbecil. Já os erros gramaticais em inglês, esses são todinhos meus. It takes some talent to be that bad.

Hoje vi um auau preso a uma corrente. O bicho mal conseguia alcançar a tigela de alumínio onde jazia meio gole de água quente. Vontade de localizar o responsável pelo martírio e decapitá-lo.

A mulher vem aqui em casa conversar com minha mãe e pede a ela que leve a tevê pequena para o quarto. Só que a tevê não pode ser usada, porque o controle remoto foi levado pelos gnomos. A mãe adentra a sala perguntando se eu, que jamais ligo a tevê, sei onde ele está. Mas é claro que não sei. A mãe lança um olhar cobiçoso para a tevê grande da sala (onde eu me encontro, não assistindo televisão). Eu sei que ela vai pedir para sentar na sala com a mulher, e é um pedido bastante razoável, uma vez que a sala, a tevê e a casa são dela. Mas a pergunta não cala: “mãe, ela veio conversar com você ou ver tevê?”. Olho para a mãe, mas projeto a voz para o quarto ao lado. Espero que a mulher tenha ouvido. Ser deliberadamente grossa é um dos poucos grandes prazeres da minha vida.

Tive que comprar outra mala. Comprei só quatro peças de roupa neste país e consegui encher outra mala com 24kg - não "pergunte-me como". 100 reais na Gripon, aquela loja horrível que só vende trapos, frequentada por gente que obviamente prefere economizar na vestimenta do que na cerveja, no arroz-com-feijão e no pão-com-mortadela. Cada um com as suas prioridades.

A mocinha colando a fita adesiva com o nome da loja em cima da minha sacola e eu gritando por dentro PLEASE DON’T DO THAT. Não quero sair por aí carregando uma sacola amarelo-ovo maior do que eu anunciando aos quatro ventos que eu sou o tipo de pessoa que faz compras na G-R-I-P-O-N. Andei da loja até o ponto de ônibus em frente ao armazém do Prezunic. Passei por dentro do corredor do “shopping” do mercado, antes. E lembrei de mim mesma, bem pequena, quando o supermercado era recente e ainda se chamava Rainha (antes de mudar de nome 300 vezes) saracoteando por entre os corredores, enchendo o carrinho de coisas, transportando as bolsas para o porta malas do carro. Bolinho Ana Maria. Sucrilhos. Keep Cooler no natal. Cadernos e canetas na seção de papelaria. Shampoo e creme de cabelo. Ingredientes para fazer bolo. Life was so much easier.

Entrei no Bela Vista-Beira Mar, passei com dificuldade pela roleta (mala na bolsa com fita da Gripon) e me entristeceu uma certeza nostálgica de que a vida jamais voltará a ser como era.

Colaboraí, Google.


A pessôua humana não tem paz. A pessôua humana não pode sequer passar um Valentine's Day livre de stress, ignorando a data sossegada. Acorda de manhã, abre o Google pra pesquisar sobre um assunto honesto, educativo e relevante (porn? what do you mean with porn?) e... dá de cara com esses dois pintos em tons degradê de lilás, nojentamente enamorados, esfregando-se um no outro. Quase erótico isso, Google. Tem criança na sala. Pega leve aí.

A coisa piora quando você abre as suas comunidades online preferidas e a mulherada gringa TODA está se desmanchando em saliva, postando 300 mil fotos das flores, chocolates e presentinhos que receberam dos namorados. Mesmo que suas vidas particulares não tenham NADA a ver com a tônica do fórum e nem sejam do interesse de alguém. Não se fala de outra coisa, assuntos não rendem e, se você prefere ignorar a onda é porque se trata de uma legítima "mal comida". Hello, eu estou no Brasil e aqui o Dia dos Enrabichados é, inclusive, em JUNHO? Além do mais, gatas, eu muito duvido que os seus respectivos namorados estejam pelos fórums de games, futebol e mulénua que frequentam na internet arrulhando poemas de Neruda e postando fotos dos bombons, relógios e pulôveres cafonas que receberam de vocês.

E agora, apresento algumas dicas de como aproveitar o 14 de Fevereiro (e que podem ser adaptadas para o 12 de Junho brasileiro) sozinha e com criatividade, diversão e - por que não? - much love.

+ Veja filmes que talvez não tivesse como assistir acompanhada de um bofe. Vale comédia romântica (desde que não vá deprimir), drama envolvendo criancinhas/cachorrinhos ou terror splash, cheio de tripas e sangue voando. Também pode tirar o champagne (ou a cerveja) da geladeira, estourar a pipoca ou encomendar a pizza, chamar as amigas solteiras e organizar uma maratona de séries ou filmes.

+  Ficar em casa não é necessário. Convide os amigos que não têm que passar a noite paparicando alguém e se mande para o seu restaurante/boteco preferido. Nem pense em salada; caia de boca nos carboidratos e nas gorduras trans. Afinal, se rolar um inchaço ou uma barriguinha, você não vai pirar pensando que não vai caber naquela lingerie desconfortável que ganhou de presente.

+ Oito ou Oitenta: Passe o dia se embonecando. Marque depiladora, ponha um creme bem cheiroso e caro no cabelo, exfolie o rosto, pinte as unhas, passe horas treinando aqueles makeups que vê nos sites de beleza... Ou aproveite que não precisa fazer presença, fique sim peluda, descabelada e fedida e passe o dia dentro do mesmo pijamão sujo em que dormiu. FREEDOM.

+ Se você acredita que o real sentido da data seja celebrar o Amor, compre cartões bem bonitos e dê para os seus pais, amigos e parentes. Leve aquela sua avó querida e viúva para chupar picolé na praia, organize um pique esconde coletivo com crianças num orfanato ou role pela grama com o seu cachorro. Dê seu tempo de presente a quem mais precisa ou a quem mais te ama - e que serão mais gratos do que qualquer namorado poderia.

+ Vá descontar a energia acumulada numa academia, pedalando pelas ruas, fazendo uma caminhada ou escalada. Ou simplesmente subindo num salto (ou se enfiando no seu tênis mais confortável), e saindo pra dançar a noite inteira. Ou então alugue uma máquina de karaokê, faça uma playlist bem Gloria Gaynor em I will Survive e se acabe de desafinar com os amg. Bracinhos pra cima e gritinho de "woohooo!" entre um refrão e outro: check. Vamos lá, só vocês (e a vizinhança horrorizada) estão ouvindo, todas estão bêbadas e amanhã ninguém vai se lembrar de nada. Tomara.

+ Nerd pride. Bote aquelas pantufas do Shrek, uma camiseta com estampa LolCat, um chapéu de orelhinhas da Mari Moon, aquela última banda-hype-do-momento rolando no seu iTunes, abra o MacBook e siacabe. Faça chat venenosos com as migas no MSN, Buddypoke geral no Orkut, tuíte como se não houvesse amanhã (e depois fale mal de quem te der unfollow), acompanhe o BBB de graça pelos links-maracutaia, role de rir no I Can Has Cheezburger, no Fuck my Life, no Fail Blog, defenda as celulites da celebrity-cristo da vez no D-Listed, poste fotos constrangedoras no Flickr, distribua thumbs down pelos comentários do YouTube, encha o seu Last.fm de Julio Iglesias e esfregue sua reputação na lama, jogue online até não sentir mais o seu dedão, promova uma suruba pelo Skype, se enfie num fórum de Twilight e escreva em CAPS LOCK que Edward Cullen é nadinha, enfim... A world wide web é o limite.

+ Aproveite o dia para arrumar o armário. Doe (ou venda pela internet, ou faça um bazar) tudo aquilo que não serve e o que você não veste mais. Limpar gavetas é terapêutico; livrar-se de coisas velhas e abrir espaço para novas é receita simples para renovar o espírito. Rolando uma graninha extra no final da Sessão Amélia, melhor ainda.

+ Livros são os melhores companheiros, sempre. Geralmente causam menos problemas, divertem e nos enriquecem muito mais do que certos peguetes palha. Sabe aqueles que a gente compra e acaba sem tempo de ler? Ao invés de ficar se recriminando por não saber fisgar (ou ter perdido) o Fulaninho, tome um banho quente, desligue o telefone da tomada, vista o seu pijama mais macio, abra um vinho decente (nada de São Roque; acordar abraçada à privada is no fun) e caia na leitura. Desde que não seja um livro de auto-ajuda sobre como desencalhar, nem a Capricho com o Max na capa.

+ Faça o que fizer, have fun e agradeça aos céus pelos seus dias de juventude e LIBERDADE.

And now... Meme time.

1. Oito séries de TV que eu assisto:
Difícil, essa. Não costumo assistir. Tive que tirar água de pedra para escolher oito, mas...
- Monty Python
- Anos Incríveis
- My So-called Life
- Sex And the City
- Ally McBeal
- Simpsons
- Two Pints of Lager and a Packet of Crisps
- Skins

2. Oito restaurantes preferidos:
- La Taverne, Jersey (pelo Chicken Kiev e simpatia imbatível do staff);
- Outback, RJ (pelos refis de coca cola grátis);
- Sumas, Jersey (por aquela entrada de queijo com creme);
- Creperie La Tour Saint-Jacques, Paris (pelo cassoulet que eu como sempre que vou lá);
- Trayler da Sandra, RJ (pelo podrão mais gostoso do universo);
- The Royal, Jersey (pelas batatas fritas perfeitas e pelas pints de Ringwoods);
- Chateau La Chaire, Jersey (pelos petit fours servidos com o café);
- Minha casa (pela comida do Respectivo).

3. Oito coisas que aconteceram hoje:
- Comprei uma mala.
- Mordi a língua e passei duas horas cuspindo sangue.
- Deletei dois números da minha lista de contatos do celular.
- Jantei pipoca.
- Passei prancha alisadora no cabelo de uma amiga e a queimei. Fui perdoada.
- Assisti ao último Jornal Nacional dos próximos 10 anos.
- Ganhei um vidro de perfume.
- Bebi cerveja num posto de gasolina.

4. Oito coisas pelas quais mal posso esperar:
- Viajar amanhã;
- Começar na academia;
- Ir pra Londres fazer festa do pijama;
- Voltar a fotografar;
- Ver minhas gatas e fazer para elas um condomínio de caixas de papelão;
- Sentir frio novamente;
- Ir para Derby de Aston Martin e passar a noite bebendo cerveja no Barley Mow;
- Ver Respectivo.

5. Oito coisas que eu quero.
- Perder uns quilos (always);
- Aprender a dirigir (mas não irei, nunca);
- Crescer mais três centímetros (e ter 1,75m);
- Ter meu próprio negócio (algo relacionando a toys ou fotografia);
- Aprender a aceitar certas coisas e "let go" (e não voltar atrás);
- Me mudar de Jersey (que ainda acho linda, mas não quero VIVER lá);
- Aprender francês e italiano (nunca; preguiça demais);
- Me "reinventar" (já assistiu "Queime Depois de Ler"? devia)

So, that's all.
Se não cair, etc.

Paris Cafés



Louis Stettner, Soir de Noel, ile Saint Louis, 1951



Dennis Stock, Cafe de Flore, 1958



Serge Jacques, Woman at Cafe de Flore, Paris, 1970



Paris Café, Paris, France, 1936



Richard Avedon, Cafe des Deux Magots, Paris, 1955



Edouard Boubat, Saint-Germain-de-Pres, 1953



Robert Doisneau



Сharles Harbutt, restaurant Rougeot, 1970



Jeanloup Sieff, Cafe de Flore, early morning, 1975

{more here}

all in white.

Interrompendo as férias porque eu precisava registrar isso para a posterioridade:


Yep, isso aí é o meu jardim. E tipos, EU NÃO ESTOU LÁ.
Neve é uma ocorrência tão rara em Jersey que, apesar de ter passado vários invernos na ilha, eu nunca vi neve propriamente dita, ali. No máximo aquele "talco fino" que se espalha irregularmente pelo chão e desaparece rápido. Mas neve o bastante para colher com as mãos, fazer uma bola e atirar na cabeça de alguém? Assim eu nunca vi. Olha só se eu não escolhi uma péssima época para estar fora de casa:


To add insult to the injury, até a minha gata está curtindo na neve (e com a minha cara, ao me mandar essas fotos):




A felina tem passaporte europeu, eu ainda não. Tem brincado de rolar na neve, enquanto eu derreto nesse calor senegalês (fui beber na praia da Urca hoje e os relógios marcavam 44 graus, totalmente possíveis). Ainda tem olhos azuis e nome de cidade francesa.

Pausa para você revirar os olhinhos e chamar a minha gata de metida. Esteja à vontade; ela é.
Que mané Barbie; Chantilly é tudo o que você quer ser.

P.S.: Todas as fotos feitas pelo Respectivo, que nunca viu, na terra dele, os termômetros passarem de 35 graus.

Love.


Adoro essa foto de uma forma que palavras não expressam.
Também amo a história por trás dela.

Algumas poucas coisas são verdadeiramente universais e transcendem tempo, lugar e todo o resto. Algumas delas são tristes, como a solidão. Mas outras são belas, como o amor. O tipo que faz tudo valer a pena.

on vegetables and people.

Eu não sou uma criatura particularmente gregária.
Eu gosto de pessoas porque, well, elas são mais interessantes do que alcachofras. Alcachofras são boas cozidas no vapor, e só. Pessoas não ficam bem cozidas e, por isso, eu tive que sair em busca de outras utilidades para elas. Encontrei muitas, desconfio que vou passar a vida inteira descobrindo outras e que nem assim ficarei sabendo de todas.

Tenho poucos amigos, e eles estão espalhados pelo mundo. Não tenho, nunca tive e dificilmente terei uma turma, no sentido convencional do termo. Houve, certa vez, uma festa de aniversário onde eu achei que seria mais prático juntar todas as pessoas que eu conhecia num só lugar, ao invés de passar o mês de janeiro tendo várias mini-festas de aniversário em lugares diferentes (festas essas que às vezes se constituíam apenas de outra pessoa além de mim). Bom, péssima idéia. Os convidados passaram todo o tempo enfiados em mini casulos de pessoas que já se conheciam e se gostavam, ao invés de tentar conhecer gente nova. Climão, sabe.

Fiquei frustrada, a festa foi uma merda (sucesso absoluto mesmo só a batida de leite condensado da minha mãe) e eu aprendi uma lição: é difícil agregar pessoas díspares. Eu nunca tive uma única turma grande porque sempre me envolvi com pessoas de diferentes backgrounds. Indiezinhos que ouvem bandas das quais nunca ouvi falar e gente que frequenta as micaretas que eu abomino. Defensores do aborto e gente que quer ter seis filhos. Frequentadores de cultos de umbanda e pessoas que não comem carne na semana santa. Meninas que querem se casar virgens e prostitutas que fazem ponto na Atlântica. Socialistas utópicos que discutem política em mesa de bar e playboys que não bebem e querem trocar de carro de 6 em 6 meses. Pessoas com sobrenome europeu e que dirigem Audis e pessoas com sobrenome Silva que acordam às cinco e meia para pegar o primeiro trem do dia. Pessoas sorridentes e confiantes e pessoas que não se aceitam e são tristes. Pessoas que vão a bailes funk e pessoas que sabem que aquele sample no funk é, na verdade, uma composição de Vivaldi.

Outra coisa que descobri naquela noite foi que as pessoas, regra geral, não gostam de conhecer pessoas muito diferentes delas mesmas. O que não é, de todo, incompreensível. Nada mais reconfortante do que ter ao redor gente que entende as nossas referências e ri das mesmas piadas.

Mas como eu sempre fui pouco gregária, pouco versada na arte de socializar, eu não podia me dar ao luxo de ser assim tão seletiva. No fim das contas, reconfortante para mim era saber que fulano, beltrano ou cicrano toleravam de bom grado a minha estranha companhia. Não importavam os sobrenomes, o carro que dirigiam (ou não), suas posições político-religiosas, grau de fotogenia, cor, orientação sexual ou o CEP no final do endereço. Daí eu conhecer gente assim tão diversa e não compreender quem se fecha em cocoons muito rígidos, quem se divide em panelinhas sem se dar conta de que todos nós estamos no mesmo barco, temos medo das mesmas coisas e, no final, só queremos a sorte de poder dar risada dos infortúnios.

Quer dizer, um mínimo de seletividade é bem vinda. Não sei se eu teria interesse em socializar com um serial killer, por exemplo. Bem, a menos que ele tivesse um bom papo e me contasse umas piadas de humor negro inéditas. E que não houvesse nenhuma faca ou arma de fogo por perto; nesse caso... Veto sem volta mesmo, só para aquelas pessoinhas que acreditam que seus problemas, seu mau humor e suas frustrações pessoais são motivos mais do que válidos para destratar continuamente quem está a seu lado. Eu discordo. E descarto, porque masoquismo solidário infelizmente não está entre as minhas virtudes pessoais.

But oh, well. Às vezes descubro que, em se tratando de determinadas pessoas, eu prefiro mesmo alcachofras. Se tiver um azeite português, então... Delícia.


Sampa e Belô foram beyond excellent. Aproveito para parabenizar São Paulo pela qualidade dos hotéis e preço baixo das diárias. No Rio me cobraram R$170 por um muquifo em Copacabana, R$190 num muquifo ainda pior (baratas e infiltração included) no aeroporto do Galeão. Já em SP, foram R$120 por um hotel bem localizado, numa rua tranquila transversal à Av. Paulista, com decoraçãozinha fofa, mesa de refeição no quarto, um banheiro grande e café da manhã incluso, e R$155 por um apart hotel em Moema (inclua quarto separado da sala, cozinha compacta, banheiro chique e piscina na cobertura), a poucos metros do Citibank Hall onde fui ver o Damien Rice (show que aliás não podia ter sido mais perfeito; relatos - com fotos - em breve).

Encontrei as meninas do fórum, comi docinhos na doceria mais fofa da cidade, visitei shoppings chiques e comi costelinha na Vila Madalena, comprei vários Pockys na Liberdade e encontrei pessoas adoráveis (não tenho palavras para agradecer à Rê por ter me dedicado tanto tempo e atenção e por ter me levado pra conhecer boa parte da cidade). Foram só dois dias e meio e não tive tempo de ver outras tantas, já que o povo trabalha; well, da próxima eu fico pro fim de semana. :)



Que brigadeiro nada! Na doceria, as mais doces eram elas: Nina, Sabrina e Rê, no nosso mini meeting.

Único senão da cidade: "quer chopp com ou sem espuma?". First things first: é feio chamar de espuma, sabe. :) E depois, faço minhas as palavras do grande Zeca Pagodinho: "se eu gostasse de espuma, bebia xampu".

Em BH eu cheguei moída depois de oito horas e vinte minutos de ônibus (eu não sabia que a viagem era tão longa; o que foi bom, já que se eu soubesse, talvez nem tivesse ido). Comi alopradamente no Outback, finalmente conheci a Savassi (anos indo a Belzonte e eu nunca tinha ido lá), vi o maior café da manhã do mundo sendo servido numa livraria (!), fui fazer fotos da vista da Praça do Papa quando o mundo desabou em água e fui beber com a Julie, a Rozzana e a Maru no Clube do Frade, meio que assistindo ao jogo do Cruzeiro, meio que achando graça do nível de loirice das meninas ao redor (sério, houve uma hora que eu fui ao banheiro e havia tanta loira lá dentro que eu pensei ter caído num buraco dimensional direto na Suécia!). Depois todas foram para a casa da Julie onde rolou uma inesperada Jose Cuervo party:



Roubando foto da Jules pra ilustrar, Rô, Maru, moi and José.

No dia seguinte elas ainda conseguiram a proeza de acordar cedo (equacione dormir tarde + tequila + estar de pé antes das sete com um sorriso no rosto) só para me encontrar numa padaria para o café da manhã. Mais generosidade, impossível. E eu, que vinha de algumas más experiências e decepções com algumas "alcachofras", me lembrei de por que ainda vale a pena apostar e tentar e não desistir. Not without a fight. ;) Thanks people (de Sampa, de Belô, carioquíssimos, fluminenses e todo mundo do Nordeste e do Sul que encontrei ou que não tive tempo de encontrar), por fazer valer a pena esses dois meses de calor e aporrinhação.


E, como eu volto para casa em menos de duas semanas, e estou sem photoshop para redimensionar minhas fotinhas, estou dando (de novo) férias temporárias ao blog. Até lá, você me encontra aqui, aqui e aqui.
See you soon. :)

too many humans

Ontem eu achei que fosse uma barata se embaralhando entre os dedos do meu pé, e estava errada. Infelizmente o ato reflexo foi mais rápido que a percepção racional, e no susto soquei a tela do laptop. Ele sobreviveu, mas quebrei uma unha na base. Dói e vai doer por uns bons dias.

O calor chegou àquele nível onde eu me sinto mal e sufocada o tempo todo. O tempo TODO.
Enquanto isso, neva em Jersey. Neva em LONDRES. 30cm de neve em Londres. Isso beira o inacreditável.

Em duas semanas, tudo acaba. E eu volto.

Na sala, mãe, pai e tia. Que acreditam piamente que eu esteja interessada na conversa.
Há gente demais nessa casa, vozes demais, pessoas que não param de falar. Há uma conversa aborrecida e inútil no background desse post. Velhos são obcecados por morte e tragédias e falam disso com entusiasmo o tempo inteiro. Não partilho. Não suporto.

E a voz da minha mãe sempre me irritou.