lovefool

Outro valentine’s longe do meu valentino; mas tudo bem porque para nenhum dos dois a data faz sentido. Na verdade acho tudo tão cafona e fake que ignorar o dia dos namorados faz qualquer casal subir automaticamente na minha estima e escala de valor humano. Jantares clichê com comida ruim em restaurantes decorados de balões em forma de coração. Cartões com poesia ruim. Comerciais de TV piegas e celebrando o amor… pelo seu dinheiro. Gente brega que ainda acredita no “real sentido da data”. Muito tédio mesmo.


Tenho vergonha dos meus erros de digitação pelos blogs e twitter. Digito rápido, não reviso. Espero que as pessoas tenham noção e percebam antes de me rotularem de imbecil. Já os erros gramaticais em inglês, esses são todinhos meus. Abro mão deles é o cacete. It takes some talent to be that bad.

Hoje vi um auau preso a uma corrente. Minúscula, o bicho mal conseguia alcançar a tigela de alumínio no fundo da qual jazia meio gole de água quente. Vontade de localizar o responsável pelo martírio canino e decapitá-lo.

A mulher vem aqui em casa conversar com minha mãe e, né, pede a ela que leve a tevê pequena para o quarto. A tevê não pode ser usada porque o controle remoto da mesma foi levado pelos gnomos. A mãe adentra a sala perguntando se eu, que jamais ligo aquela tevê, sei onde ele se encontra. Mas é claro que não sei. A mãe lança um olhar cobiçoso para a tevê grande da sala (onde eu me encontro, não assistindo televisão). Eu sei que ela vai me pedir para sentar na sala com a mulher, e é um pedido bastante razoável, uma vez que a sala é dela. Mas aí a pergunta não cala: “mãe, ela veio conversar com você ou ver tevê?”. Olho para a mãe, mas projeto a voz para o quarto ao lado. Espero que a mulher tenha ouvido. Ser premeditadamente grossa é um dos poucos grandes prazeres da minha vida.

Tive que comprar outra mala. Comprei só quatro peças de roupa neste país e consegui encher outra mala com 24kg - não "pergunte-me como". 100 reais na Gripon, aquela loja horrível que só vende trapos, frequentada por gente que obviamente prefere economizar na vestimenta do que na cerveja, no arroz-com-feijão e no pão-com-mortadela. Cada um com as suas prioridades.

A mocinha colando a fita adesiva com o nome da loja em cima da minha sacola e eu gritando por dentro PLEASE DON’T DO THAT. Não quero sair por aí carregando uma sacola amarelo-ovo maior do que eu anunciando aos quatro ventos que eu sou o tipo de pessoa que faz compras na G-R-I-P-O-N. Andei da loja até o ponto de ônibus em frente ao armazém do Prezunic. Passei por dentro do corredor do “shopping” do mercado, antes. E lembrei de mim mesma, bem pequena, quando o supermercado era recente e ainda se chamava Rainha - antes de mudar de nome 300 vezes - saracoteando por entre os corredores, enchendo o carrinho de coisas, transportando as bolsas para o porta malas do carro. Bolinho Ana Maria. Sucrilhos. Keep Cooler no natal. Cadernos e canetas na seção de papelaria. Shampoo e creme de cabelo. Ingredientes para fazer bolo. Life was so much easier. Entrei no Bela Vista-Beira Mar, passei com dificuldade pela roleta (mala na bolsa com fita da Gripon) e me entristeceu uma certeza de que a vida jamais voltará a ser tão simples.

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