on vegetables and people.

Eu não sou uma criatura particularmente gregária.
Eu gosto de pessoas porque, well, elas são mais interessantes do que alcachofras. Alcachofras são boas cozidas no vapor, e só. Pessoas não ficam bem cozidas e, por isso, eu tive que sair em busca de outras utilidades para elas. Encontrei muitas, desconfio que vou passar a vida inteira descobrindo outras e que nem assim ficarei sabendo de todas.

Tenho poucos amigos, e eles estão espalhados pelo mundo. Não tenho, nunca tive e dificilmente terei uma turma, no sentido convencional do termo. Houve, certa vez, uma festa de aniversário onde eu achei que seria mais prático juntar todas as pessoas que eu conhecia num só lugar, ao invés de passar o mês de janeiro tendo várias mini-festas de aniversário em lugares diferentes (festas essas que às vezes se constituíam apenas de outra pessoa além de mim). Bom, péssima idéia. Os convidados passaram todo o tempo enfiados em mini casulos de pessoas que já se conheciam e se gostavam, ao invés de tentar conhecer gente nova. Climão, sabe.

Fiquei frustrada, a festa foi uma merda (sucesso absoluto mesmo só a batida de leite condensado da minha mãe) e eu aprendi uma lição: é difícil agregar pessoas díspares. Eu nunca tive uma única turma grande porque sempre me envolvi com pessoas de diferentes backgrounds. Indiezinhos que ouvem bandas das quais nunca ouvi falar e gente que frequenta as micaretas que eu abomino. Defensores do aborto e gente que quer ter seis filhos. Frequentadores de cultos de umbanda e pessoas que não comem carne na semana santa. Meninas que querem se casar virgens e prostitutas que fazem ponto na Atlântica. Socialistas utópicos que discutem política em mesa de bar e playboys que não bebem e querem trocar de carro de 6 em 6 meses. Pessoas com sobrenome europeu e que dirigem Audis e pessoas com sobrenome Silva que acordam às cinco e meia para pegar o primeiro trem do dia. Pessoas sorridentes e confiantes e pessoas que não se aceitam e são tristes. Pessoas que vão a bailes funk e pessoas que sabem que aquele sample no funk é, na verdade, uma composição de Vivaldi.

Outra coisa que descobri naquela noite foi que as pessoas, regra geral, não gostam de conhecer pessoas muito diferentes delas mesmas. O que não é, de todo, incompreensível. Nada mais reconfortante do que ter ao redor gente que entende as nossas referências e ri das mesmas piadas.

Mas como eu sempre fui pouco gregária, pouco versada na arte de socializar, eu não podia me dar ao luxo de ser assim tão seletiva. No fim das contas, reconfortante para mim era saber que fulano, beltrano ou cicrano toleravam de bom grado a minha estranha companhia. Não importavam os sobrenomes, o carro que dirigiam (ou não), suas posições político-religiosas, grau de fotogenia, cor, orientação sexual ou o CEP no final do endereço. Daí eu conhecer gente assim tão diversa e não compreender quem se fecha em cocoons muito rígidos, quem se divide em panelinhas sem se dar conta de que todos nós estamos no mesmo barco, temos medo das mesmas coisas e, no final, só queremos a sorte de poder dar risada dos infortúnios.

Quer dizer, um mínimo de seletividade é bem vinda. Não sei se eu teria interesse em socializar com um serial killer, por exemplo. Bem, a menos que ele tivesse um bom papo e me contasse umas piadas de humor negro inéditas. E que não houvesse nenhuma faca ou arma de fogo por perto; nesse caso... Veto sem volta mesmo, só para aquelas pessoinhas que acreditam que seus problemas, seu mau humor e suas frustrações pessoais são motivos mais do que válidos para destratar continuamente quem está a seu lado. Eu discordo. E descarto, porque masoquismo solidário infelizmente não está entre as minhas virtudes pessoais.

But oh, well. Às vezes descubro que, em se tratando de determinadas pessoas, eu prefiro mesmo alcachofras. Se tiver um azeite português, então... Delícia.


Sampa e Belô foram beyond excellent. Aproveito para parabenizar São Paulo pela qualidade dos hotéis e preço baixo das diárias. No Rio me cobraram R$170 por um muquifo em Copacabana, R$190 num muquifo ainda pior (baratas e infiltração included) no aeroporto do Galeão. Já em SP, foram R$120 por um hotel bem localizado, numa rua tranquila transversal à Av. Paulista, com decoraçãozinha fofa, mesa de refeição no quarto, um banheiro grande e café da manhã incluso, e R$155 por um apart hotel em Moema (inclua quarto separado da sala, cozinha compacta, banheiro chique e piscina na cobertura), a poucos metros do Citibank Hall onde fui ver o Damien Rice (show que aliás não podia ter sido mais perfeito; relatos - com fotos - em breve).

Encontrei as meninas do fórum, comi docinhos na doceria mais fofa da cidade, visitei shoppings chiques e comi costelinha na Vila Madalena, comprei vários Pockys na Liberdade e encontrei pessoas adoráveis (não tenho palavras para agradecer à Rê por ter me dedicado tanto tempo e atenção e por ter me levado pra conhecer boa parte da cidade). Foram só dois dias e meio e não tive tempo de ver outras tantas, já que o povo trabalha; well, da próxima eu fico pro fim de semana. :)



Que brigadeiro nada! Na doceria, as mais doces eram elas: Nina, Sabrina e Rê, no nosso mini meeting.

Único senão da cidade: "quer chopp com ou sem espuma?". First things first: é feio chamar de espuma, sabe. :) E depois, faço minhas as palavras do grande Zeca Pagodinho: "se eu gostasse de espuma, bebia xampu".

Em BH eu cheguei moída depois de oito horas e vinte minutos de ônibus (eu não sabia que a viagem era tão longa; o que foi bom, já que se eu soubesse, talvez nem tivesse ido). Comi alopradamente no Outback, finalmente conheci a Savassi (anos indo a Belzonte e eu nunca tinha ido lá), vi o maior café da manhã do mundo sendo servido numa livraria (!), fui fazer fotos da vista da Praça do Papa quando o mundo desabou em água e fui beber com a Julie, a Rozzana e a Maru no Clube do Frade, meio que assistindo ao jogo do Cruzeiro, meio que achando graça do nível de loirice das meninas ao redor (sério, houve uma hora que eu fui ao banheiro e havia tanta loira lá dentro que eu pensei ter caído num buraco dimensional direto na Suécia!). Depois todas foram para a casa da Julie onde rolou uma inesperada Jose Cuervo party:



Roubando foto da Jules pra ilustrar, Rô, Maru, moi and José.

No dia seguinte elas ainda conseguiram a proeza de acordar cedo (equacione dormir tarde + tequila + estar de pé antes das sete com um sorriso no rosto) só para me encontrar numa padaria para o café da manhã. Mais generosidade, impossível. E eu, que vinha de algumas más experiências e decepções com algumas "alcachofras", me lembrei de por que ainda vale a pena apostar e tentar e não desistir. Not without a fight. ;) Thanks people (de Sampa, de Belô, carioquíssimos, fluminenses e todo mundo do Nordeste e do Sul que encontrei ou que não tive tempo de encontrar), por fazer valer a pena esses dois meses de calor e aporrinhação.


E, como eu volto para casa em menos de duas semanas, e estou sem photoshop para redimensionar minhas fotinhas, estou dando (de novo) férias temporárias ao blog. Até lá, você me encontra aqui, aqui e aqui.
See you soon. :)

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