observando.

No sábado eu e B1 acabamos sendo empurradas para dançar atrás de uma pilastra. O único lugar onde encontramos espaço, mas logo percebemos o motivo: a privada ficava ao lado da porta do banheiro misto, e a cada cinco segundos alguém saía por ela e metia a própria na minha cara. Ou tentava entrar e eu ganhava uma cotovelada involuntária.

B1 emputeceu-se e resolveu fechar o acesso à porta. Naturalmente aquilo não ia prestar. Mas o que realmente me chamou a atenção foram as diferentes reações dos incomodados, dependendo da nacionalidade e sexo. As meninas, quase que sem exceção, simplesmente davam de ombros e iam procurar outro lugar para fazer o seu xixi. Os rapazes ingleses geralmente riam ou tentavam negociar a entrada no diálogo. Os portugueses empurravam, xingavam ou ameaçavam de porrada.

Aqui não vai nenhuma tentativa de análise antropológica; apenas o relato nu e cru (e apertado, querendo fazer xixi) dos fatos.



E por falar nisso, enquanto dançávamos percebi dois caras rindo enquanto nos observavam. Um deles finalmente se aproximou e perguntou "que tipo de dança é essa?". Ora bolas, eu estava fazendo o possível. Imagine dançar num espaço de meio metro quadrado, com uma pilastra na cara e uma porta de banheiro batendo nas costelas? Olhei em volta e percebi que as inglesinhas, de fato, dançavam diferente. Isso sendo um eufemismo para o fato de que elas mal se moviam - anos assistindo os clips da Beyoncé na MTV não as ensinaram muito. Acho que elas mal tiram o pé do chão porque a) não querem bagunçar o cabelo; b) não querem estragar a maquiagem; c) o pé está doendo horrores dentro daqueles saltos e d) elas estão ocupadas demais observando a marca dos jeans e relógios dos rapazes na pista de dança.

Eu tive vontade de explicar ao rapaz que éramos um grupo de brasileiras ali e, aparentemente, dançamos para nos divertir e não para tentar conseguir um otário para pagar a conta do bar e o táxi pra casa. Mas resolvi apenas sorrir e responder: XAXADO.

Estamos dançando xaxado, amigo. É isso.



Por falar nas moçoilas de Jersey, se eu fosse homem morreria de tédio. Elas dançam igual, se vestem igual, usam todas a mesma tintura e corte de cabelo e falam com o mesmo sotaque copiado de Hollyoaks (que oi, se passa em Manchester). Até a maquiagem é idêntica; aposto que os produtos são os mesmos e que elas ouvem o mesmo tipo de música, lêem Hello e Grazia na hora do almoço e passam a vida assistindo programas como Gossip Girl, British Next Top Model, Supersize vs Superskinny e How to Look Good Naked.

E no evento de uma crise econômica mundial, com ameaça de recessão e famílias perdendo casas e empregos, o que elas fazem? Compram mais chocolates e batons. Urrú.



Chegou hoje a minha carteirinha vermelha Anna Sui fake. A coisinha mais linda ever e, apesar de ser totalmente made in china, o nome da designer nem está escrito errado, oh wow.



Não me importo, comprei a carteira por ela ser lindinha e barata, não por ser uma cópia escarrada e cuspida da versão que custa 10 vezes mais. Já movi meus cartões de crédito, dinheiro e moedas da carteira rosa da Hello Kitty (pequena demais para as minhas necessidades e já meio detonada) para a nova. O "couro" parece uma folha de papel, mas dane-se. Pelo preço que custou, assim que rasgar eu compro outra. ;)



Tô nem aí se me dou mal dando segundas chances a pessoas canalhas.
As poucas vezes em que me surpreendi positivamente valeram todas as outras em que me arrependi e tomei na bundinha sem carinho e com areia.

Então, quando mais um(a) FDP que reaparece das profundezas me adicionando em tudo quando é rede social, mandando vários emails por semana relembrando os velhos tempos e tomando o meu (parco) tempo atual resolver sumir, me bloquear no MSN, me tirar do Orkut e fingir que nunca me conheceu...

A gente dá de ombros e faz cara de peido, como os franceses.
E vamos que vamos.