Desde domingo à noite

O post não vai ser ilustrado como deveria, porque eu esqueci de trazer os cabos para fazer o download das fotos (e vídeos) da câmera. Percalços de viver uma vida dividida em várias fronteiras.

Finalmente o probleminha no Wi-fi foi diagnosticado e reparado. Temos internet em "casa". Jantei com Renata e Erasmo no Wagamama, o mesmo chicken curry katsu que comi na filial de Earl's Court há um mês atrás. Virou fácil meu prato preferido da rede. Depois fomos bater perna no SoHo, rir de piadas e tirar fotos de uma espécie de pocket show na rua, tiozinhos de sobretudo preto tocando Steppenwolf em frente ao Palace Theatre fechado. Tinha um japinha muito louco dançando ao som dos caras, jogando braços e pernas para todos os lados, quase em transe. Todas as fotos que fiz dele saíram borradas. Senti uma inveja gostosa. Pelo menos naquele instante nossas vidas tinham muito em comum.

Na segunda encontrei Respectivo em Piccadilly e fomos almoçar num restaurante de frutos do mar. Totalmente não a minha praia, mas comi um espaguete ao molho vongole espetacular. Depois fui à Selfridge's com Renata, onde fomos fuçar coisas belas e caras. Me apaixonei por uma sandália dourada da Prada e uma bolsa laranja da Mulberry e quase comprei a infeliz. Ainda mais quando descobri que a atendente loirinha, além de simpática, era brasileira. Respirei fundo, contei até mil e saímos da loja, mas aquela bolsa pode acabar sendo minha um dia.

Fomos para o Sadler's Wells Theatre em Islington na esperança de achar um cambista vendendo ingressos para o show do Mika. Quer dizer, Renata foi. Eu fui de acompanhante, mas como sempre acontece quando me vejo diante de um monte de gente animada diante da entrada de um show, me animei a entrar também. Sorte das sortes: conseguimos um par de ingressos para sentarmos lado a lado. Esse aí era o meu:


Ter entrado foi uma excelente idéia e eu me surpreendi positivamente; a banda de abertura, Blue Roses, era uma delícia (uma mistura de Catatonia com Kate Bush), e eu acabei comprando o CD no stand de merchandinsing. Quanto ao Mika, eu já sabia que o rapaz era dono de uma puta voz, mas não acreditava que fosse tão boa ao vivo. Como bem diagnosticou a Rê, ele estava "ligado na tomada"; magrinho e elétrico, quase uma versão branca e british do Lacraia. Orquestra no palco, "chuva" de papel picado prateado, duo com melhor amiga ao som de "Happy Ending". Performance incrível, que terminou com o palco cheio de fãs pulando e um careca dançando com um crocodilo inflável.

Ontem acordei tarde e fui para a TopShop comprar casaquinhos e saí de lá com bijouteria, calcinha, caneca, fofices de papelaria da Artbox e o casaquinho pink neon que a Renata usou na segunda e que eu cobicei horrendamente. Encontrei Flávia em Oxford Street e fomos comer coxinha de galinha com guaraná Antarctica num boteco brasileiro perto de Tottenham Court Station, e depois tomar Haagen Dazs sentadinhas em Leicester Square.

Às sete da noite começou a greve estúpida do metrô, assistimos a uns dez minutos de uma manifestação bastante barulhenta de motociclistas protestando contra a cobrança de estacionamento para motos no centro de Londres e eu então me enfiei no 38 para Victoria Station e de lá no 36 para casa.

Hoje passei o dia na cama porque a) chovia, b) não havia metrô e c) eu não tinha um roteiro planejado. E d) eu estou meio puta porque são quase uma semana aqui e, apesar de ter feito muitas coisas legais que eu não esperava ter feito, não fiz absolutamente nada do que pretendia fazer.

Ainda há tempo; só não há metrô.

E eu odeio essas entries longas e descritivas.