London food

Londrinos que encaram o 9 às 5 diário raramente almoçam; afinal, a pressa é inimiga da digestão. A não ser quando se trata de um almoço com clientes, a maioria acaba pegando um daqueles combos de "sanduíche + bebida + batatinha frita" que se encontram à venda em lugares tão díspares quando drogarias e livrarias (Boots e WHSmith, oi!).

Quem estiver disposto a gastar um pouco mais (e ter um lugar para sentar), procura por lojas de rede como Starbucks, Nero, Pret A Manger, EAT, Costa e similares, que se espalham feito praga pelas metrópoles. Por que não gosto delas? Porque elas transformam a experiência de escolher um café de rua para sentar, folhear um menu e decidir o que comer/beber numa coisa massificada, num ato mecânico. Você já se encaminha àquele endereço certo, nem pensa no que vai pedir porque já sabe de cor o que há no menu. Quando o cardápio muda em uma loja, vai mudar em todas as lojas da rede. Uma rua inteira servindo comida parecida, por mais bem feita que seja e por mais qualidade que tenham os ingredientes, não é exatamente a minha idéia de turismo gastronômico.

Enfim, evito sempre que posso, mas o fato é que nem sempre posso, porque realmente tem se tornado muito difícil encontrar cafés e lanchonetes alternativas pelo centro de Londres. Quando me deparo com uma lojinha pequena, escondida numa rua transversal de pouco movimento, com staff reduzido e geralmente compartilhando a mesma nacionalidade (italianos, turcos, brasileiros, romenos) chego a me emocionar. E mesmo que o sanduba venha meio mal montado, que a pessoa responsável por fazer meu cappuccino seja lenta e que os copos sejam reutilizáveis, é lá que eu vou tomar café.

Dessa vez fui obrigada a experimentar a EAT. Eu estava dentro da TopShop de Oxford Circus, morrendo de cansaço e fome e querendo fazer xixi. A lojinha me oferecia sofás acolchoados, banheiros limpos e estava bem ali na minha frente; eu nem precisava enfrentar a fila pra pagar, sair da loja e ir procurar um café semelhante, porém lotado e sem lugar pra sentar. Nem pensei duas vezes. Taí a minha escolha: sanduíche de peru com frutas silvestres (cranberries, e o Google me traduziu como OXICOCO. Socorro), coca cola real thing (porque a light me causa enjôo e dor de cabeça) e um singelo cupcake rosa com uma florzinha amarela de marzipan em cima (o buttercream meio doce demais, mas me acabei assim mesmo).


Preço: pouco mais de seis libras. Veredito? Bastante aceitável, mas ainda prefiro o panini de bacon, cranberry e queijo brie que eu como aqui no Lewis em Jersey. :)

Quando estou pelas imediações, sempre como em algum dos muitos estabelecimentos em chinatown. Gosto de comida asiática, porém descomplicada, bem no estilo lanchonete. Sem essa de mesa reservada, "gostaria de ver a lista de vinhos?", guardanapo no colo, entrada, main course, sobremesa, "gostaria de um café?", "a conta, por favor", adicione 10%. A variedade de lanchonetes estilo fast food é grande, a comida é bem feita, as porções generosas e o preço, justo. 100% made of win. Gosto do Wasabi, que não fica em chinatown mas deve ser a rede de sushi mais famosa de Londres. Os sushizinhos são preparados por robôs (mais higiene, preço menor) . Meu preferido é o da Oxford Street que fica quase em frente à Selfridges, com bastante lugar para sentar (desde que você chegue antes das 11 da manhã...). Pegue um bentozinho de papelão, escolha os seus sushis (ou um bento já montado, ou um baldinho com carne + arroz ou noodles) e manda ver. :)

Aí embaixo, Flávia em chinatown totalmente desprezando a minha escolha de bebida. Mas a verdade é que esse suquinho de uvas verdes com pedacinhos de fruta é o paraíso geladinho por menos de uma libra.


Para onde você olhe em chinatown, haverá uma vitrine de restaurante coberta de patos à moda de Pequim, só esperando um prato (novamente, vegetarianos, sorry pela foto assim tão gráfica!):


Lá você também acha lojinhas vendendo todo o tipo de tranqueira oriental, os docinhos com as embalagens mais fofas, centenas de balas, biscoitos e pudins com a Hello Kitty de garota propaganda e os "bolos de padaria" mais fenomenais da cidade:






Juro que um dia vou comprar um bolo desses só pra mim, e descobrir se eles são apenas bonitos ou também gostosos (dúvida que sempre me assola quando se trata de sobremesas orientais).

E quanto às tralhinhas, dessa vez não pirei muito. Só comprei essas balas de leite (mastigáveis e viciantes), o suco de líchia (meio sem graça, e os pedaços de GELATINA dentro da lata didn't quite enhance the experience) e os biscoitinhos com cara de sorvete - sem graça também, porém embalados individualmente em envelopinhos em tons pastéis. Ah, os japoneses...




Outro restaurante oriental de que muito gosto é o Wagamama. De novo, está por toda a parte (é uma rede, infelizmente, porém não tão predatória como as especializadas em cafeína), e você pode esperar comida boa e farta, preços acessíveis, cardápio interessante, mesinhas comunitárias (onde todo mundo se senta junto, o que não significa que você vai sair do restaurante cheio de amigos) e MUITA FILA nos horários e locações mais concorridas.

Eu, Renata e Erasmo chegamos já bem tarde, pouco antes das dez da noite (já estavam quase fechando), e o lugar estava praticamente vazio. Foi uma experiência única; acho que o mais perto que cheguei de um Wagamama às moscas foi em Earl's Court, mas também porque o lugar não é central e eu cheguei no meio da tarde. De entrada, edamame beans cozidos com sal marinho em cima. Yummy:


Eu não lembro, nem fotografei o que o Erasmo pediu; mas a Renata (que nunca havia comido ali) confiou na minha dica e pedimos um chicken curry katsu, meu prato predileto do cardápio. Por sorte ela amou, se bem que a meu ver não há como não amar arroz branquinho + fatias finíssimas de frango à milanesa super macio + curry bem leve e uma saladinha esperta com molho delícia:


Se você tem gostos mais patrióticos e não abrir mão de típica comida de boteco carioca quando estiver nos domínios de Lilibeth, também não precisa arrancar os cabelos. Pois em verdade vos digo: as melhores coxinhas que já comi na vida saíram todas daqui. E com guaraná Antarctica gelado ainda; o que mais você quer?


Se você requer algo com mais "sustança", corra para um dos muitos restaurantes "brazucas" (esse termo agride meus tímpanos, mas enfim) localizados em áreas como Camden, Kensal Green, Willesden, Kensal Rise, Charing Cross, Oxford Street... Desculpem as fotos sem foco e feitas às pressas; nós estávamos com fome!








A caipirinha de morango é uma delícia, mas não vale o preço cobrado porque o copo tem mais gelo do que bebida; uma pena. A feijoada também é ótima, mas vem da cozinha com uma mixaria de farofa, que aliás tem cara de ser daquelas em saquinho da Yoki (talvez até seja), sem falar na quantidade ridícula de couve. Pelo preço cobrado (12 libras) eu esperava bem mais. Já o "snack platter" (bandeja de salgadinhos) pelo mesmo preço é value for money; vem bastante coisa e, na foto, você pode ver a Flávia em apuros para conseguir terminar o dela (é claro que nós ajudamos, hehe).

Outro porém foi o garçom, medianamente gatinho, que não quis nem por decreto dizer para as moçoilas solteiras e interessadas (tô fora desse grupo) que era de Portugal, mesmo com a cara de Manuel e o sotaque pesado. As meninas perguntaram de onde ele era, já que a maioria dos garçons dos restaurantes brasileiros é paulista, mineira, carioca ou goiana e estranhamos o maluco só falando conosco in english.

Manuel: "I'm from Europe".
Lolla: "But where in Europe?"
Manuel (virando as costas): "I'll leave you guessing, ora pois!"

(ok - o "ora pois" eu confesso que foi piada minha)

Cansou? Quer relaxar? Então vá tomar um cafezinho no Ritazza, que tem muffins maravilhosos para acompanhar, ao contrário daqueles tijolos sem gosto do Starbucks. Só não tem o wi-fi de graça do Starbucks; mas a gente veio aqui pra beber ou pra blogar? :) Aí embaixo, meu Latte Macchiato em Victoria Station, na companhia da edição de Julho da Nylon: