A kiss from a Rose.

Já confessei aqui várias vezes a minha total falta de compulsão por açúcar. Não gosto de chocolates e quase nunca peço sobremesa em restaurantes, preferindo atacar o menu de queijos; sou uma rata, e não uma formiga. Porém, quando se trata de perfumes, a regra se inverte: quanto mais doce, melhor. Já fiz uma amiga grávida vomitar num lobby de hotel com o cheiro do meu Dolce Vita (em meu favor, declaro que ela estava meio acima do peso recomendado para a idade gestacional e ficou genuinamente feliz por ter expelido o jantar... Pena que não deu pra chegar no banheiro antes; c'est la vie!).

Ok, voltando ao assunto das fragrâncias; meu interesse por aromas doces acaba me afastando da prateleira dos florais. No entanto, mês passado enquanto eu fuçava o estoque da Crabtree & Evelyn em Covent Garden, meu nariz esbarrou casualmente nesse vidrinho aí embaixo. Regra geral, minha nareba é bastante seletiva, fiel à meia dúzia de perfumes que uso desde sempre (apesar de ter seus ocasionais surtos de galinhagem e experimentar novidades). Mas nesse caso foi impossível controlar: paixão à primeira vista (cheirada?).







Chama-se Evelyn Rose e, como já diz o nome, tem um cheirinho de rosa perfeito. A história do perfume, segundo o site, é deveras bonitinha: eles teriam pedido a um botânico especializado em rosas para desenvolver uma flor "de beleza e aroma singulares" para se tornar a fragrância principal da marca. OITO anos e 30.000 plantinhas depois, surgia a Evelyn. Apesar de floral, o perfume não tem nada de "cheiro de avó", é moderno e tem uma fixação ótima: permanece até depois do primeiro banho.

Entrou fácil pra galeria dos favoritos. O único ponto contra fica sendo o vidro, que é bem sem graça, como todos os da marca. Mas esse pequeno porém se torna mínimo quando se leva em conta a qualidade do perfume e também o preço: paguei 30 libras - cerca de 90 reais - por 50ml de Eau de Parfum (sim, parfum!). Ok, eu sou fútil. Adoro frascos de perfume. No entanto, a regra é mais ou menos essa: quanto mais bonito o invólucro, mais sem graça, ou até mesmo ruim, o conteúdo. O mercado está inundado de perfumes em frascos que são verdadeira obras de arte; dentro, no entanto, pouco mais que álcool com anilina.

Saí pelas ruas sacolejando a bolsinha prateada da loja contendo o meu perfume e me achando a típica patricinha de Kensington, sentada num café em Covent Garden, curtindo um latte macchiato pós-shopping (infelizmente o acompanhamento era aquele cupcake-angu horroroso... Nada é perfeito). No final da tarde encontrei o Respectivo para jantar, mas antes passamos na Floris para comprar o pós-barba que ele usa há mais de 20 anos. A Floris é a perfumaria mais antiga de Londres (desde 1730) e, na minha opinião, também um ponto turístico; toda a mobília é de época, os enormes armários de apotecário com prateleiras de vidro, lindíssima.

Na véspera tínhamos chegado tarde e a loja já havia fechado. Naquele dia as luzes ainda estavam acesas, a loja se encontrava lotada, parte do balcão coberta de taças de rosé espumante e uma senhora muito chique e distinta veio nos saudar na entrada, oferecendo vinho e canapés. Olhamos um para a cara do outro. PENETRA feelings. Não precisávamos temer, foi pura sorte: a loja estava lançando perfume novo naquele dia, em edição limitada, e a festa era uma boca livre para os clientes (urrú).

Respectivo comprou o pós-barba enquanto a senhorinha fazia small talk e os garçons continuavam trazendo tacinhas e comidinhas. Comecei a me sentir meio mal (oi, calça jeans, casaco de chuva e tênis com estampa de caveirinhas? LUXO), até porque tínhamos reserva num restaurante libanês daqueles em que você basicamente EXPLODE de tanto comer. E ali estava eu, forrando o estômago e ficando bêbada antes da hora. Até que começou uma PALESTRA demonstrativa do tal novo produto; foi quando puxei o marido pelo colarinho "ok, já bebemo, já comemo, já compramo; bora vazar daquiiiii??". No que ele responde: "Você quer o tal perfume novo? Tem cheiro de rosas!!"

OPS. Errr... Olhei pra minha sacolinha da Crabtree & Evelyn, pensei no meu *outro* perfume de rosas dentro dela e concluí que não precisava de mais um. Mas né? NÉ??? Levanta a mãozinha aí quem recusaria um vidro de perfume assim, edição limitada, caído do céu? Quem disse que a frase "já tenho perfumes demais" faz ALGUM sentido?? "Oh, hohohoh, generosidade sua, querido... MIDÁÁÁ!"

E foi assim que o Snow Rose veio parar no meu armário. E confirmo que ele é diferente, mas absolutamente TÃO BOM quanto o Evelyn. E o melhor: ganhei um creme para mãos de brinde, o Rosa Centifolia, que é super bem falado e no qual eu estava de olho há séculos, mas sem coragem de desembolsar dez libras. E MAIS: como o total da compra (perfume + pós-barba) ultrapassou 50 libras, levei um vidrão de gel de banho com cheirinho de frutas cítricas grátis. RESULT!!










Foi assim que a cerumana que vos escreve adicionou ao seu pequeno arsenal de aromas dois perfumes florais, do tipo que ela nem costumava notar antes, ambos com cheiro de rosas, sem esperar, no mesmo dia e eles se tornaram absolutos favoritos.



Não preciso mais tomar banho até 2011.

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