first snowdrops

O vizinho excêntrico e descendente de piratas morreu há mais ou menos um mês. Esqueci completamente. Lembro que certa vez ele, lá pelos idos de 2006, veio bater na minha porta bastante agitado, reclamando do barulho que as obras externas na minha casa estavam fazendo, e que caminhões pesados com material de construção estavam usando a calçada dele para manobrar, quebrando tudo (consenso na vizinhança: a calçada dele estava quebrada há pelo menos três décadas). Mandei-o voltar mais tarde e se entender com o Respectivo, coisa que ele nunca fez. Em novembro do ano passado minha gata havia sumido e fui procurá-la no belíssimo jardim do velho (muito bem cuidado pelo simpático jardineiro inglês), que me recebeu com biscoitos e copos de vinho do Porto e conversamos sobre flores e viagens. Eu o apelidei de Santa Claus por causa da longa barba branca. Ele falava com uma certa dificuldade, era escritor e viajava todos os anos à Índia para se tratar com médicos de lá (melhor e mais barato, segundo ele, e eu concordo). E foi lá que ele morreu.

Essa semana as primeiras snowdrops do ano começaram a desabrochar no jardim do Santa Claus. Fiquei olhando para elas da janela do sótão e não pude deixar de ficar triste por saber que esse ano ele não está mais aqui para admirá-las. Mas elas estão lindas mesmo assim. Life goes on, nature won't stop the show for anyone.


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