Just tea for two, and two for tea.

Outro dia me perguntaram a respeito de chá; deve-se deixar a água ferver ou não? Francamente, antes de morar aqui a minha resposta teria sido "na verdade nem se preocupe em colocar a chaleira no fogo; chá é uma porcaria". Acho que a raiz do meu asco pela bebida só pode ser a minha mãe, viciada em receitas tão apetitosas como "folhas de louro com casca de cebola". Urgh. Fora isso, chá preto (acompanhado de biscoitos de água e sal) era o que costumavam me fazer beber depois de mais uma daquelas crise de disenteria típicas da infância. Ou seja, acabei associando chá com gostos e sensações desagradáveis. Fora que é hábito no Brasil ferver as folhas juntamente com a água, o que acaba "cozinhando" o chá e deixando a bebida com um gosto ácido insuportável.

Aqui nem sempre é possível encontrar café de boa qualidade; nos grandes supermercados sim, mas nem sempre temos um à mão - ou vontade de ir até lá. Então, depois de alguma relutância, acabei experimentando alguns chás. Já bebo, mas ainda não sou 100% fã do famoso "english breakfast tea" (tradicionalmente forte, açucarado e servido com leite). Foi pelas infusões de frutas e ervas que eu realmente tomei gosto. Ainda não consigo beber chá acompanhado de frituras. Chá, pra mim, só com bolo ou biscoito.



e acompanhado de uns livrinhos, beleza.

A Nanu Nana é uma loja de tralhas que a gente encontra em praticamente todo lugar na Alemanha. Muita gente não gosta nem de passar na porta, por considerar tudo ali como sendo de "gosto duvidoso". Mas colecionar coisas de gosto duvidoso é o meu hobby. Um pouco de cafonice colorida, um kitsch bem aplicado, definitivamente colaboram para alegrar o dia. E é claro que esse "tea for one" coberto de cupidos e rosas nem um pouco discretos veio de lá.


Admito que no Rio eu nunca tomava chá. Nem vou culpar o calor carioca, porque eu bebia litros de café todos os dias; simplesmente o chá nunca foi hábito. Nunca havia me deparado antes com essa pequena invenção, onde a infusão é feita no pequeno bule, e nele cabe a quantidade necessária para uma pesoa; daí o nome "chá para um".


Depois de pronto é só servir; você pode deixar o bule repousando sobre a xícara, porque isso mantém aquecido o resto do chá dentro no bule e também o chá que estiver na xícara. Result!


E, como eu disse antes, nada melhor que biscoitinhos duros, porém perfeitamente açucarados, para acompanhar um chá quentinho quando a temperatura cai abaixo dos cinco graus (mais precisamente 3.5ºC ontem à noite).



O chá da foto é o de frutas vermelhas + elderflower da Twinings.

Mais uma curiosidade? Quando ainda se costumava dividir os seres humanos por classe social (vamos fingir, para fins práticos, que não se faz mais isso, ok?), era considerado "working class" - ou seja, coisa de pobre - pôr o leite na xícara antes do chá. Quando o chá foi introduzido como opção de bebida para os trabalhadores (a água pura era suja e o álcool prejudicava o trabalho), eles foram ensinados a pôr o leite primeiro e depois o chá. Isso porque os mais pobres não tinham louça de boa qualidade e usavam canecas de barro, que rachavam em contato com a água fervendo. O leite, então, servia para esfriar a água assim que ela era despejada na caneca, diminuindo o impacto e evitando problemas. As classes mais abastadas podiam se dar ao luxo de importar porcelana (que não era ainda produzida na Grã Bretanha) e tomar seu chá puro, com apenas algumas gotinhas de limão. Por isso, até hoje o chá forte e com leite é chamado de "chá de pedreiro".

E você, meu amigo, toma chá? Qual o seu favorito? Se é expatriado brasileiro em terras britânicas, já se acostumou ou continua revirando prateleiras de lojinha brazuca em busca do seu pacotinho amigo de café Pilão? Conta aí. :)

No comments